Um abraço para todas as baianas

postado por Cleidiana Ramos @ 11:01 AM
25 de novembro de 2014
Baianas de acarajé são exemplos de liberdade. Foto: Raul Spinassé

Baianas de acarajé são exemplos de liberdade. Foto: Raul Spinassé

Hoje é o dia dedicado às baianas de acarajé. Trabalhos como o de Cecília Moreira Soares, historiadora e antropóloga, intitulado Mulher negra na Bahia no século XIXmostra o quanto essa atividade teve e tem de resistência. Por meio da sua perícia em fazer acará, que depois virou acarajé; abará, mingau (sim as vendedoras dessa iguaria também estão vinculadas a essa atividade de levar alimento barato, mas substancioso e gostoso  para as ruas), fato, peixe e outros alimentos essas mulheres revolucionaram o próprio papel feminino do seu tempo e dos que viriam depois.  

Algumas libertas outras escravas de ganho fizeram do seu trabalho a arma para ganhar liberdade e, em muitos casos a dos seus filhos e companheiros. Emanciparam-se e emanciparam. Chefiaram famílias e formaram sucessoras nesses e em outros ofícios.  Algumas até viraram “negras do partido alto”, um título para as que desafiaram todas as possibilidades e até enriqueceram.   Foram e são mulheres independentes e sábias na questão de gênero do ponto de vista político e empreendedor.

Como não se orgulhar dessas figuras que impõem um respeito enorme à frente dos seus tabuleiros, criam verdadeiras empresas familiares e não aceitam um passo atrás no que conquistaram? Assim fizeram as  guerreiras da Abam, com dona Rita Santos à frente, para obrigar a Fifa a deixar que vendessem seu acarajé dentro do estádio na Copa.  O acarajé é um patrimônio, mas as mulheres que o fizeram símbolo de liberdade mais do que isso. São exemplos de feminismo libertário antes que ele fosse articulado nos grandes centros ocidentais.

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