Notícias de Washington 2: Um passeio pela NAACP

postado por Cleidiana Ramos @ 7:49 PM
28 de maio de 2010

A revista Crisis, da NAACP, acaba de lançar edição comemorativa ao seu centenário. Foto: Reprodução| AG. A TARDE

Pessoal voltando à minha passagem por Washington. Quando fomos a Baltimore, que fica a uns 45 minutos da capital, conhecemos a sede da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor. A instituição é mais conhecida por sua sigla  do nome original, em inglês, claro: NAACP (National Association for the Advancemente of Colored People).

Essa instituição tem um forte prestígio e um histórico de trabalho na batalha pelos direitos civis. Foi criada no início do século XX (1909) na época em que a situação era bastante difícil por conta das leis de segregação racial seguidas pelos Estados do Sul dos EUA.

A NAACP combatia por meio de saídas educacionais, mas também atuando no campo jurídico. Não é à toa que a instituição tem um dos maiores arquivos sobre direitos civis do mundo que estão disponíveis na Biblioteca do Congresso em Washington.

A NAACP tem cerca de 500 mil associados no mundo e está presente também em países como Alemanha e Japão. Pelo que entendi, via tradução, pois meu inglês é praticamente inexistente, ela só é oficialmente fundada em países onde os EUA tem algum tipo de representação militar. Isso de forma oficial, mas recebem associados de todo o mundo. A taxa de contribuição gira em torno de U$ 30.

Esta instituição centenária tem um papel fundamental na vigilância legal. O trabalho neste sentido que eles vem fazendo nos foi apresentado por uma advogado chamado Victor Goode. Ele deu um panorama muito informativo e preocupante sobre a questão dos direitos dos afroamericanos nos EUA.

Há uma grande preocupação com o debate jurídico, principalmente na Corte Suprema ( o equivalente ao nosso STF). De acordo com Goode, os conservadores estão equilibrando o jogo por lá e bem dispostos a derrubar conquistas históricas.

São questões bem técnicas, mas algo semelhante ao que já acontece aqui com as ações impetradas por partidos como o DEM e o PSDB para derrubar as cotas nas universidades  ou a política de quilombos.

Já conseguiram determinar limites para as cotas por lá em vários contextos: empregos e universidades, por exemplo. Há também a decisão de que agora nos processos de discriminaçaõ racial você tem que provar que houve a intenção do crime,  o que segundo Goode é super complicado.

As batalhas são provocadas principalmente por Estados do Sul do país que tradicionalmente são os que fazem forte oposição às ações de combate ao racismo. O Sul, historicamente, defendia à escravidão e este foi um dos motivos para a guerra civil, nos anos 60 do século XIX, com a consequente derrota dos Estados desta parte dos EUA que eram chamados de “Confederados”.

Um dos casos que a NAACP está acompanhando é a forma como motociclistas negros são tratados em uma cidade chamada Myrtle Beach, que fica na Carolina do Sul. Lá acontece anualmente um grande encontro de motociclistas. Eles são recebidos com tapete vermelho e festa na cidade, mas isto muda quando o grupo de motociclistas negros aparece por lá.

“Nós achamos que os motociclistas negros não deveriam participar dessa festa. Mas se eles querem, devem ser tratados como iguais”, afirma Goode. Por isso, a NAACP está processando o município.

Crisis- Um dos informativos oficiais da instituição é a revista Crisis que acaba de celebrar seu centenário. A revista é muito interessante pois aborda as questões relacionadas à identidade negra de forma bem analítica. Quem quer conhecer mais sobre a NAACP pode acessar o site da instituição clicando aqui.


Notícias de Washington

postado por Cleidiana Ramos @ 5:34 PM
24 de maio de 2010

Escolhi duas fotografias para mostrar um pouco do que vi em Washington, EUA, cidade que me surpreendeu, por ser muito vibrante, algo que a gente às vezes nem imagina por ser a capital do País e, portanto, centro do poder político. Eu a imaginava como um grande centro administrativo, que fica esvaziada nos finais de semana. Mas não. Tem muito para se ver por lá.  Estou publicando abaixo points interessantes em relação à memória negra.


Afro Imagem 2: O marco do discurso de Martin Luther King

postado por Cleidiana Ramos @ 5:32 PM
24 de maio de 2010

Olha eu aí  apontando para um marco importantíssimo: é a pedra que mostra o lugar exato no topo das escadarias do Memorial Abraham Lincoln , localizado em Washington, de onde Martin Luther King fez o seu famoso discurso mais conhecido como I Have  a Dream. O marco é um dos locais mais fotografados por quem visita o memorial.  Quem fez o registro foi Juliana Dias, do Instituto de Mídia Étnica.


Tour pelo respeito à memória

postado por Cleidiana Ramos @ 8:16 AM
20 de maio de 2010

Amigos do Mundo Afro: ontem foi um dia super corrido. Saí de Washington, mas não sem antes visitar o Museu Africano que faz parte do complexo Smithosonian. Esta instituição voltada para a divulgação da ciência e cultura começou por meio da doação de U$ 500 mil dólares, além de acervos, do milionário inglês James Smithson.

Existem outros museus da instituição.No caso do Museu Africano há também peças doadas pela família Walt Disney. Estima-se que a unidade tenha cerca de 1.500 peças. Eu fiz um passeio fantástico vendo obras dos séculos XVI, XVII e XVIII de impérios da região da Nigéria, de Angola, do Congo, dentre outros locais.

Uma porta de um palácio da região de língua iorubá que mostra cenas como a cavalaria, o rei e suas esposas é fantástica. Ela foi talhada em madeira e conservada no seu formato original sem nenhum tipo de intervenção. Fiz fotos com visibilidade na medida do possível, pois lá não é permitido o uso de flash, mas, infelizmente, o computador que estou usando está sem o programa que  me permite postá-las. Assim que voltar prometo disponibilizá-las. Mas quem não quer esperar pode conferir peças da coleção clicando aqui.   

Antes de sair de Washington fomos ainda (estou em um grupo formado por mais dez jornalistas brasileiros) até o Memorial Abraham Lincoln e estive no local de onde Martin Luther King proferiu o discurso que ficou conhecido pela frase inicial dos seus trechos: I have a Dream.O mais legal é que não param de chegar escolas para visitar todo o complexo e a homenagem a King é um dos points mais fotografados.

Claro que não saí de lá sem ver a Casa Branca, mas confesso a vocês fiquei decepcionada com o tamanho do prédio principal. Imaginei que fosse maior. De lá saímos correndo para tomar o voo para Atlanta e não pensem que as emoções do dia acabaram.

Aqui chegando fomos imediatamente para uma recepção já com a presença do ministro  Elói Ferreira que é o titular da Secretaria Especial de Promoção de Políticas Públicas para a Igualdade Racial  (Seppir) no Memorial Martin Luther King.

Na verdade trata-se de um parque onde está o acervo relacionado a ele e à sua luta. Estou ansiosa para conhecer mais da cidade que é considerada o coração da luta contra a discrminação racial aqui nos EUA por ser a terra de Martin Luther King. 

As reuniões do acordo já começam amanhã.


Conexões internacionais

postado por Cleidiana Ramos @ 12:11 AM
18 de maio de 2010

Caros amigos do Mundo Afro:  o blog ficou sem atualização estes dias, mas foi por um bom motivo. Estava me dirigindo para os EUA. Estou em Washington, compondo um grupo de jornalistas brasileiros convidados pelo governo dos EUA, e daqui sigo para Atlanta onde vou acompanhar mais uma rodada do Plano de Ação  Brasil-EUA para o Combate da  Discriminação Racial e Étnica.

A última reunião aconteceu em Salvador, em outubro do ano passado. Os dois países assinaram esse acordo em  2008 e ele prevê ações em áreas como educação e saúde. Foi um passo importante, pois, pela primeira vez, Brasil e EUA se unem, como Estados para combater o racismo.

Vou tentar na medida do possível atualizar o Mundo Afro com os acontecimentos em relação ao acordo, mas de antemão adianto que estou encantada com Washington e a forte presença  dos afro-americanos aqui, claro que, nitidamente, em melhores condições sócio-econômicas do que nós, afro-brasileiros.

Mas o acordo entre os dois  países é exatamente no sentido de compartilhar as experiências positivas.  Pena que por conta dos compromissos que preciso participar não deu para ver o Museu Africano daqui. Logo, logo trago mais novidades.