Dia de festa com consciência

postado por Cleidiana Ramos @ 4:49 PM
19 de novembro de 2010

Marchas em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra vão tomar a cidade. Foto: Carlos Casaes|Ag A TARDE|20.11.2002.

Tem agenda para todos os gostos e lutas tanto no sábado, domingo e ainda pelo próximo mês como extensão da festa para homenagear a memória de Zumbi. Este é um resumo das muitas atividades de amanhã e domingo:

Durante a manhã tem o fórum sobre diversidade com ênfase no Selo da Diversidade Racial da Prefeitura de Salvador. O encontro será no auditório do Isba em Ondina. Em seguida, às 10 horas, tem café da manhã no Terreiro Bogum e homenagem a lideranças negras com depósito de flores no busto em honra de Mãe Ruinhó, no final de linha do Engenho Velho da Federação. Ao meio-dia Alaíde do Feijão será homeangeada com um almoço em seu restaurante no Pelourinho. Estas atividades são promovidas pela Secretaria Municipal da Reparação (Semur).

Às 13 horas, na Praça da Sé, acontece a II Lavagem da Estátua de Zumbi, organizada pela Unegro e outras associações. O evento inclui shows de Juliana Ribeiro e Lazzo.

É dia também das tradicionais marchas. A organizada pelo Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) vai sair do Campo Grande, às 16 horas, mas a concentração já começa duas horas antes. Essa é a 31ª edição da marcha e o homenageado será o marinheiro João Cândido, herói do movimento conhecido como Revolta da Chibata, um motim ocorrido no Rio de Janeiro em 1910. Dois mil marinheiros negros levantaram-se contra as punições que lhes eram impostas pela Marinha como ser obrigados a consumir comida estragada e receber chicotadas. Todos foram expulsos dos quadros militares, presos ou mortos. Em 2008, foi aprovada uma lei que concedeu anistia póstuma a João Cândido e outros participantes da revolta, mas seus descendentes diretos não receberam indenização.

Também amanhã, com saída às 16 horas, tem a caminhada da Liberdade, organizada pelo Fórum de Entidades Negras e com a participação de blocos afro como Os Negões e o Ilê Aiyê. A caminhada segue para o Centro Histórico.

No domingo, o povo de santo realiza a 6ª Caminhada pela Vida e contra a intolerância religiosa. A saída será às 9 horas do final de linha do Engenho Velho da Federação. A caminhada é organizada pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN) e segue em direção ao Dique do Tororó.

Às 12 horas, na Praça das Artes, Pelourinho, acontece o Momento Dandara, uma programação que inclui culinária e música, organizada pela Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (Sepromi) com apoio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac/Pelourinho Cultural).

O título do evento é uma referência à heroína Dandara. A microempresária Aidil Moreira, mais conhecida como Ginga, e a sambista Gal do Beco serão homenageadas. A entrada é gratuita


Grupos afro celebram Revolta dos Búzios

postado por Cleidiana Ramos @ 5:31 PM
29 de setembro de 2010

Conen é uma das entidades que participa do movimento de amanhã. Foto: Luciano da Matta | Ag. A TARDE| 18.11.2005

Amanhã, a partir das 16 horas, com concentração no Campo Grande, tem festa por conta dos 212 anos da Revolta dos Búzios.

Além de religiosos de matriz africana e representantes das entidades do movimento negro organizado, o evento vai ser embalado pelas bandas do Olodum, Malê Debalê, Os Negões, Muzenza, Cortejo Afro, Okambí, Afoxé Filhos do Congo e Ilê Aiyê.

A organização tem o apoio, além desses grupos culturais afro, da Unegro, Coletivo de Entidades Negras (CEN), MNU, Cordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e Instituto Pedra do Raio.

As principais reivindicações do evento são:  liberdade religiosa, cultura de paz, financiamento público e privado da cultura afro-brasileira, ações para a operacionalização da da Lei 11.645/08, que inclui nos currículos escolares o ensino de História da África, Cultura Afro-brasileira e História e Cultura Indígenas, ações afirmativas na saúde, saneamento básico, emprego e renda, moradia e educação.

A Revolta dos Búzios, ocorrida em 1798, foi um dos mais avançados movimentos em defesa da cidadania. Seus líderes, todos negros, foram mortos pelo poder político da época.


Estatuto é aprovado com as modificações

postado por Cleidiana Ramos @ 9:12 PM
16 de junho de 2010

O Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado pelo Senado com o texto cheio das modificações feitas pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO).  Saíram artigos como o que criava as cotas nas universidades públicas, no sistema de serviço público e nos partidos políticos.

Saiu também a política pública de saúde exclusiva para negros, além da retirada do texto de expressões como  “fortalecer a identidade negra”. A aprovação é fruto de um acordo com a Seppir, representando o governo. A proposta agora segue para sanção do presidente Lula.

“O Estatuto foi completamente mutilado. As alterações inviabilizaram a proposta”, avaliou o deputado federal Luiz Alberto (PT-BA). Para ele, fazer emendas ou alterações será bem mais difícil.

Membro da direção do Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Gilberto Leal, disse que era difícil entender como o governo negociou com alguém como o senador Demóstenes Torres. “Somos a favor do Estatuto mas contra as alteraçoes feitas por Demóstenes Torres. Foi ele que disse durante a audiência sobre as cotas no STF que o que foi estupro cometido contra mulheres negras durante a escravidão era na verdade  relação consensual. Como uma pessoa dessas tem sensibilidade para legislar sobre uma matéria tão importante?”, questionou Leal.

Um grupo de entidades, como o Coletivo de Entidades  Negras (CEN) e Movimento Negro Unificado (MNU), fez circular uma petição on line apelando aos senadores que adiassem a votação, mas ela acabou acontecendo.

Dentre os membros do governo, embora com alterações o Estatuto ainda representa uma vitória. “Não é o ideal, mas ele tem ganhos importantes como assegurar o financiamento por parte da União, Estados e municípios para políticas de promoção da igualdade”, avalia Alexandro Reis, secretário de Políticas  para as Comunidades Tradicionais da Seppir.

Segundo Jerônimo da Silva Júnior, da direção nacional da Unegro, o Estatuto não é o ideal  mas é um marco regulatório para as políticas públicas de combate à desigualdade. ” Tivemos algumas conquistas e podemos nos mobilizar pra buscar outras durante a próxima legislatura”, diz.

É bem provavél que este assunto ainda vá render muito durante os próximos dias. Várias manifestações mais contrárias do que a favor devem estar sendo elaboradas, ou seja, o debate deve continuar.


Estatuto não anima organizações negras

postado por Cleidiana Ramos @ 5:30 PM
16 de junho de 2010

Senador Paulo Paim elaborou o projeto inicial. Foto: João Alvarez|AG. A TARDE|27.11.2009

Há uma grande expectativa de que o Estatuto da Igualdade Racial, um projeto que tramita há sete anos entre Câmara e Senado, possa  ser votado hoje.

O que era para ser motivo de alegria, entretanto, é de angústia e preocupação. O relatório do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) que combate ferozmente ações como as cotas nas universidades tirou este e outros benefícios do Estatuto.

Várias entidades do movimento negro organizado, como Conen, CEN e MNU estão contra o formato final do Estatuto. Já a Unegro avalia que as perdas podem ser recuperadas numa legislatura posterior. Vamos aguardar se a votação vai mesmo acontecer, embora a torcida da maioria das entidades é de que aconteça uma prorrogação.

Mas esta aspiração é algo muito difícil pois há um acordo entre governo, via Seppir, e oposição para que o Estatuto passe pelo plenário do Senado ainda hoje.


Torcida une Brasil e África

postado por Cleidiana Ramos @ 3:27 PM
10 de junho de 2010

Já estava sentindo falta, mas eis que o pessoal vai manter a tradição: estão organizadas as torcidas também pelas seleções africanas durante a Copa do Mundo. A festa é organizada pela Unegro e vai acontecer em dias de jogos das seleções no Sankofa Bar, Pelourinho. Claro que nos dias de jogos do Brasil também tem torcida.

O lema do evento é Brasil e países africanos- um só desejo, a igualdade racial. Além de celebrar o futebol, o evento também vai colocar em destaque o racismo ainda existente mesmo nos campeonatos esportivos. A primeira concentração será amanhã às 11 horas para o jogo África do Sul X México. Já na terça-feira, após o jogo do Brasil tem baile black.

Na imagem aqui abaixo vocês podem conferir a programação na íntegra.



Balaio de Ideias: É bom ser mãe. Desde que meu filho esteja vivo

postado por Cleidiana Ramos @ 12:23 PM
8 de maio de 2010

Maíra Azevedo

Mãe é tudo igual! Quem nunca ouviu essa expressão? Mas agora que faço parte deste conjunto sei o quanto essa frase é falsa. E digo isso com propriedade de uma mulher negra que pariu uma criança negra em uma sociedade racista como é a brasileira.  Toda mãe pede em suas preces, seja para qual deus for, que seus filhos estejam em segurança. A mãe negra não. Ela pede ao seu deus que seu filho não seja abordado pela segurança de qualquer lugar e entre para as estatísticas.

Estatísticas essas que nos acompanham desde cedo. Pesquisas do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas – NEP/UNICAMP identificaram uma diferença sistemática na mortalidade de crianças menores de um ano. Os estudos constataram que houve no Brasil uma redução nos níveis das taxas de mortalidade infantil, entre a década de 70 e fim dos anos 90. Porém, ao introduzir na análise o quesito raça/cor declarado pelas mães, observou-se que a redução se deu de forma desigual entre as raças.  Enquanto o índice de mortalidade das crianças declaradas brancas foi reduzido em 43%, o número das crianças declaradas negras foi sensivelmente menor, apenas 25%.

E quando consegue a façanha de sobreviver, tem em frente um novo desafio. Manter-se vivo. Tudo bem,  eu sei que o destino de todos nós é a morte. Todos, independente de cor. Mas, para nós negros esse destino sempre tenta chegar mais cedo.

Sei que pode parecer mórbido escrever sobre isso quando se aproxima o Dia das Mães, uma data que as lojas capitalistas aproveitam para nos entupir com suas quinquilharias e com isso fazer com que a gente concorde que ser mãe é bom. É bom mesmo, aliás, maravilhoso, mas quando temos o nosso filho perto da gente e nem precisa trazer presente. Mas essa é uma realidade que nós mulheres negras, que tivemos a ousadia de parir, cada vez mais não temos.  Mórbido mesmo é rezar o tempo todo para o filho não ser vítima de uma chacina, não ser apontado como um provável marginal e a mãe ter que ir ao Instituto Médico Legal (IML) para reconhecer os restos mortais, porque nem sempre nos resta o corpo.

Sei que muitos vão afirmar que essa dor não é um “privilégio” apenas  das mulheres negras  e que  a dor de uma mãe que perdeu um filho, seja por qual motivo for, é insuperável. E eu digo categoricamente que concordo. Aí sim, na dor somos muito parecidos, mas também sofremos de forma diferente  e em posições distintas, cada uma no seu quadrado.  E olhe que digo isso, apenas como uma jovem e nova mãe.

Meu filho é um sobrevivente das estatísticas, tem um ano e 11 meses. Mas, desde já, o meu maior medo é que algum dia a polícia ou um grupo de extermínio execute o aborto que eu não tive coragem de realizar. E os episódios não aconteçam na ordem natural, pois, o maior presente para uma mãe é acreditar que ela vai embora antes do seu filho e não o contrário. É bom ser mãe, né?

Maíra Azevedo é  jornalista e militante da União de Negros pela Igualdade (Unegro)


Salvador celebra luta contra a intolerância religiosa

postado por Cleidiana Ramos @ 11:32 AM
19 de janeiro de 2010
Mãe Jaciara à frente da caminhada realizada no ano passado. Foto: Fernando Vivas |AG. A TARDE

Mãe Jaciara à frente da caminhada realizada no ano passado. Foto: Fernando Vivas |AG. A TARDE

Salvador vai ter na próxima quinta-feira atividades em comemoração ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Às 9 horas, acontece a 3ª Caminhada Contra a Intolerância Religiosa e Pela Paz, em Itapuã. O ato está sendo organizado pelo Terreiro Abassá de Ogum.

A saída será do monumento conhecido como Sereia de Itapuã, às 9 horas. A caminhada seguirá em direção ao Abaeté.

Às 14 horas,  religiosos de matriz africana, indígena, espíritas, budistas, islâmicos, seicho-no-iê, batistas, representantes da ortodoxa Bielo-Russia cristã, dentre outros segmentos, participam de um ato inter-religioso no Espaço Cultural da Barroquinha. O evento está sendo promovido pela União de Negros pela Igualdade (Unegro), com os apoios  do gabinete da vereadora Olívia Santana e das secretarias estaduais de  Direitos Humanos (SJCDH) e de Promoção da Igualdade (Sepromi), além das  fundações  Pedro Calmon e Gregório de Mattos.

A data faz uma homenagem à memória da ialorixá Mãe Gilda, que comandava o Abassá de Ogum. Ela teve a sua saúde agravada a partir de agressões promovidas por evangélicos, com invasões ao seu terreiro.  Por fim, uma fotografia sua foi publicada numa matéria do jornal Folha Universal, pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), onde sacerdotes das religões de matriz africana eram tachados de “charlatães”.

No dia 21 de janeiro de 2000, Mãe Gilda morreu por conta de um infarto. Os familiares da sacerdotisa, liderados pela atual ialorixá do Abassá de Ogum, Jaciara Ribeiro, após uma longa batalha judicial, conseguiram reparação por danos morais. A vitória é considerada um marco da luta contra a intolerância religiosa no Brasil.

Em 2004,  por meio de um projeto de Lei da vereadora Olívia Santana foi instituído o Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa. A Lei Municipal  serviu de inspiração para que o deputado Daniel Almeida apresentasse um PL na Câmara Federal que instituiu o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.