Balaio de Ideias: Albergaria, nosso Boca do Inferno II

postado por Cleidiana Ramos @ 10:23 AM
11 de julho de 2015
O professor Roberto Albergaria recebe a homenagem do doutor em antropologia e professor da Ufba, Luiz Mott

O professor Roberto Albergaria recebe a homenagem do doutor em antropologia e professor da Ufba, Luiz Mott. Foto:  Margarida Neide/Ag. A TARDE/ 10.5.2005

 

Luiz Mott

Professor titular de Antropologia da Ufba

Conheci Roberto Albergaria quando ingressou no Departamento de Antropologia da Ufba, há uns 30 anos atrás. Tive o privilégio de dar o parecer reconhecendo sua tese de doutorado defendida em Paris. Sempre disse e reafirmo: Albergaria era o mais culto, inteligente, provocativo e anarquista professor da Ufba. Infelizmente publicou pouco, mas deixou centenas de horas de entrevistas e gravações em rádio e televisão, material riquíssimo que merece virar tema de tese de mestrado e doutorado.

Com seu corpanzil e quase dois metros de altura, tinha a delicadeza de um gay, embora fosse confirmado mulherengo miseravão. Generoso, presenteou-me dois insólitos mimos: belíssimo chifre de um veado galheiro e um chicote de binga de boi – segundo ele, usado pelos cornos do sertão para castigar mulher adúltera. Em meu último aniversário, mandou-me esta mensagem, parece que psicografada pela mesma irreverência piadista de Gregório de Mattos, o Boca do Inferno:

“69 anos é a idade ideal para um putoso – putão idoso! O pururuca do Luizinho já pode broxar sem ter que justificar que ‘isto nunca me aconteceu antes’. Já pode andar com a braguilha aberta, pois ‘em casa de defunto a porta fica sempre aberta’. Já pode deixar de cumprir qualquer obrigação chata sob o pretexto de que se esqueceu: ‘estou ficando gagá mesmo!’ Já pode liberar um dedinho no furico só na manha, sem ter que botar no jornal que está sacrificando seu pobre tobinha apenas para dar um exemplo de militância política, porque menino que dá está brincando de troca-troca, é só estripulia, enquanto velhusco patusco de calça arriada está só esculhambando… pra alegrar seus últimos dias de picardia. E viva a descaração, desencuecada ou não. E viva a brincadeiragem, brincadeira com sacanagem: as melhores dádivas desta triste puta vida que nos pariu!”

Luiz Mott escreve no jornal A TARDE, quinzenalmente, aos sábados  


Ceao recebe Ogum´s Toques

postado por Cleidiana Ramos @ 10:46 AM
21 de agosto de 2013
Limeira e Semog

Os escritores Limeira e Éli Semog prometem noite de homenagem à literatura e música. Foto: Divulgação/Ceao

Na próxima sexta-feira, a partir das 18 horas, no Centro de Estudos Afro Orientais da Ufba (Ceao/Ufba) os escritores Éle Semog e Limeira comandam o evento chamado de “Ogum´s Toques”.

A dupla promete muita poesia, diálogo e música.

O Ceao fica no Largo 2 de Julho, no centro da cidade. É uma excelente opção de programa para a sexta-feira.


Seminário discute ferramentas do direito para combater preconceito

postado por Cleidiana Ramos @ 4:04 PM
21 de outubro de 2011

Waldir Pires fará palestra de abertura de seminário. Foto; Erik Salles | Ag. A TARDE

 

Na próxima segunda (24), às 19 horas, acontece a abertura do seminário Direito como Instrumento de Combate aos Preconceitos. O ciclo de debates acontecerá na Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus  e na reitoria da Ufba (Canela).

A palestra de abertura intitulada “A obrigação constitucional do Estado no combate aos preconceitos” será proferida pelo ex-ministro da Defesa e ex-governador da Bahia, Waldir Pires.

De terça até quarta-feira as atividades vão começar a partir das 8 horas. O seminário é uma iniciativa do Espaço Cultural Expogeo, ong especializada na defesa dos direitos humanos, com a parceria de mais de 50 instituições incluindo as universidades Ufba, Ifba, Uneb, Uefs e Uneb, governo da Bahia, dentre outras.

Mais informações e inscrições por meio dos telefones: (71) 3235-6002 / 3337-0717.


Neim abre inscrições para pós-graduação sobre gênero

postado por Cleidiana Ramos @ 4:55 PM
21 de setembro de 2011

Interessados por estudos sobre mulheres tem chance de concorrer a vagas para pós-graduação. Foto: Alexandro Auler/JC Imagem/AE

Atenção pesquisadoras e pesquisadores da área de gênero. Já estão abertas as incrições para a seleção do programa de Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM), que é vinculado ao Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim) da Ufba.

Criado em 2005, o PPGNEIM oferece cursos de mestrado e doutorado. As inscrições vão até o dia 20 de outubro.

Para mais informações clique aqui . Contatos: ppgneim@ufba.br


Balaio de Ideias: Orixá Ilu e Orixá Igbó

postado por Cleidiana Ramos @ 3:46 PM
21 de abril de 2011

Antropólogo faz reflexão sobre a associação religiosa. Foto: Fernando Amorim| Ag.A TARDE| 22.09.2006

Vilson Caetano

Neste texto vamos abordar o desconfortável tema do sincretismo afro-católico. Desconfortável não por ser algo revisitado suficientemente por outros autores, mas pela série de estigmas que ao longo da história das religiões de matriz africana no Brasil, este conferiu a estas. Desta maneira, gostaríamos de iniciar esta reflexão retomando a afirmação de que o fenômeno do sincretismo é universal e por isso acompanha os grandes modelos religiosos do inicio de sua formação aos dias de hoje.

Pena que tal tema, nos estudos afro-brasileiros, ao aparecer na década de 30, serviu, dentre outras coisas, para legitimar a idéia da suposta inferioridade do pensamento africano, elaborada no século XIX a partir das teorias racistas. Assim por muito tempo, tal assunto quando apareceu nos estudos afro-brasileiros sugeriu leituras preconceituosas que desautorizavam as visões de mundo africana, graças a relação que estas desde cedo estabeleceram com o catolicismo português.

As leituras limitadas de tais relações se deram a partir da concepção de uma teoria conspiratória. Em outras palavras, alguns estudos apresentam as relações entre negros e brancos no Brasil colônia a exemplo de um campo de futebol: de um lado os negros, do outro lado os brancos. É certo que na colônia, como ainda hoje, as relações entre os não brancos e os que designaram-se brancos ainda continuam sendo algo predefinido. Atentar-se a isso talvez seja o primeiro passo para desmascarar o racismo brasileiro, racismo sutil, silencioso, cordial, camarada que empurra o homem e a mulher negra para o mundo do “deixa disso”, do “para com isso”, mas que sempre está ali constituindo as relações mais “familiares”.

Essa suposição da teoria conspiratória, ou da ação dos indivíduos a partir de “um lugar” sugeriu a teoria da dissimulação, que seria uma espécie de “faz de conta”. Desta maneira, as relações estabelecidas desde cedo entre o universo religioso africano com outros grupos seria explicada a partir desse faz de conta onde, por exemplo, os santos católicos através de um jogo de correspondências, de analogias externas, seriam uma espécie de máscara branca no rosto de ancestrais africanos.

Tal idéia nos anos 80, a partir da caminhada de quase vinte anos de movimentos negro e da presença de alguns intelectuais nos terreiros provocou uma espécie de mal estar no universo afro-brasileiro, ao menos para os participantes da II Conferência Mundial da Tradição Orixá e Cultura, realizada na cidade de Salvador. Quando se refletia sobre a o retorno à África, foi elaborado um documento, na forma de manifesto, que afirmava a fim de garantir à África mítica e pureza africana, ser necessário romper com o sincretismo afro-católico, expresso através da correspondência entre santos católicos e orixás, da ida das comunidades terreiros ao recinto católico por ocasião de algumas festas e da presença de altares católicos no barracão dos terreiros.

Não estamos bem certos se o objetivo do documento produzido no encontro era mesmo desconstruir as relações entre o candomblé e catolicismo a fim de legitimar o primeiro como religião, mas com certeza quando algumas lideranças religiosas assinaram tal texto, transformado pela mídia num Manifesto anti-sincretismo, era a defesa de suas tradições como religião que tinham em mente. Esse fato foi abordado pela Prof. Dra. Josildeth Gomes Consorte que estudou tal documento durante dez anos.

A partir das contribuições de seu trabalho realizamos uma pesquisa publicada sob forma de livro intitulado: Orixás Santos e Festas, onde chamamos a atenção para o fato de, diferentemente de como se apresenta, o fenômeno do sincretismo é sentido de forma diversa pelas pessoas. Em outras palavras, ao contrário da idéia de “faz de conta”, mistura, fusão, justaposição, jogo de correspondências, analogias, confusão, dentre outras, o fenômeno do sincretismo tem a ver mesmo com atribuição de significados, com sentimentos.

Desta maneira, a menos nas religiões de matriz africanas deve ser entendido como algo além das máscaras e disfarces, até mesmo porque não se reduz  apenas a vivências externas, ao contrário, em alguns momentos chega a ser constituidor de ritos específicos reconstruídos no Brasil, como fez o próprio Cristianismo quando se deparou com as religiões antigas, contemporâneas a sua formação.

Dizer que o sincretismo afro-católico não pode ser reduzido a relações exteriores, nem ao faz de conta explicado a partir da teoria da dissimulação é ao mesmo tempo reconhecer a capacidade que homens e mulheres negros tiveram de, contrariando a teoria conspiratória, romper com os lugares impostos a estes na sociedade e intervir a partir de seus lugares, tornando-os livres para criar, reinventar e dar continuidade a universos fragmentados pela escravidão que não foram destruídos graças à capacidade de diálogo com elementos simbólicos que se depararam numa verdadeira colônia.

O viver em colônia facilitou o diálogo entre africanos, ameríndios, portugueses, mouros, ciganos, cristãos novos, espanhóis, holandeses e muitos outros povos. O resultado foi a produção de modelos religiosos onde símbolos provenientes de várias matrizes culturais não apenas circulam externamente, mas dentro do corpo dos próprios iniciados. É interessante também observar que tais relações só foram possíveis, graças à dinâmica de juntar do pensamento africano somado à proximidade do universo católico português.

Em outras palavras, o catolicismo chegado da Península Ibérica, ao contrário do que havia se afirmado no século XIX era, por exemplo, tão sensual quanto o pensamento africano, basta olharmos para os santos barrocos que se não choravam nas igrejas, lamentavam a má sorte em alguns oratórios ao serem submetidos a um verdadeiro ritual de tortura pelos devotos. Depois, como chamou a atenção certa ocasião a Yalorixá Olga do Alaketu, orixás e santos da igreja no Brasil eram estrangeiros. Isso no seu entender significava o primeiro passo para o dialogo e entendimento de relações que não podiam ser reduzidas a algo superficial e externa.

Em alguns terreiros de candomblé de tradição jeje-nagô guarda-se ainda a expressão igbó para designar os não negros. Tal palavra também era utilizada por alguns povos de língua yorubá para chamar os seus vizinhos, os estrangeiros, aqueles vistos como “de fora”, categoria bem entendida pelas ciências sociais. Quanto às relações que desde cedo os universos africanos estabeleceram com os “estrangeiros” é algo que ainda esta para ser melhor estudada. Fato é que se não foram confundidos, desde cedo estes estrangeiros submetidos também à distância de suas terras de origem foram incorporados no universo religioso reconstruído no Brasil como estrangeiros, à semelhança dos ancestrais africanos.

Talvez esse fato comece a explicar a presença não somente de altares católicos em locais públicos onde se realizam as festas de candomblé, como também a tradução de rezas católicas para as línguas africanas, sem falar na evocação de orações católicas e alguns santos em momentos rituais protegidos dos olhares até mesmo daqueles que elaboraram a teoria do faz de conta. Verdade é que até mesmo os santos católicos apresentados aos africanos no contexto da escravidão, não foram vistos por eles como seus senhores.

Isso deu a possibilidade destes serem invocados ao lado dos orixás Ilu. Ilu, a terra distante, aquela deixada para trás, trazida apenas na memória e nas lembranças. Foram essas terras, o sentimento de fidelidade a elas que possibilitou às religiões de matriz africana juntar num mesmo sentimento religioso os orixás ilu com os orixás igbó, transformando essa experiência em algo que ainda hoje continua desafiando o pensamento ocidental greco-romano-cristão acostumado a dividir as coisas, a vida e o mundo.

Vilson Caetano é doutor em antropologia, professor da Ufba e religioso do candomblé


Balaio de Ideias:O Dia de Oxoguian: para a festa não ter fim…

postado por Cleidiana Ramos @ 1:21 PM
26 de janeiro de 2011

Vilson Caetano relata características de Oxaguiã. Foto: Fernando Amorim | Ag.A TARDE| 22.09.2006

Vilson Caetano

Oguian, ou simplesmente Oxoguian, é um dos orixás mais emblemáticos do candomblé. Sobre ele também recai uma série de segredos rituais guardados pelos terreiros, embora muitas coisas já se tenham escrito. Acredita-se que Oxoguian liga-se à música e, como os orixás Xangô e Oxun, adora festas, razão pela qual ele recebe musicas especiais nas nações ijexá e fon, reinos africanos que emprestaram seus nomes a ritmos.

Anteriormente já mencionamos que Oxun combinou os sons, formou as notas e inventou a música. De acordo com uma de suas histórias, ela teria dançado pela primeira vez na presença do rei e fez todo o mercado lhe acompanhar. Teria sido por este motivo que Iya Caetana, filha de Oxun, a fim de agradar Oxoguian, certa ocasião, enviou clarins para  homenagear o orixá de sua amiga Massi, então Iyalorixá do Engenho Velho, ato que vem se popularizando nos terreiros de candomblé de todo o  Brasil.

Os mitos afro-brasileiros sobre este ancestral nos permitem perceber que Oguian liga-se a comida. A sua festa é o ponto culminante do  chamado Ciclo das Águas, representado pelos inhames novos presenteados pela terra após um período de dificuldades. Oxoguian, assim, é o dono do pão. É ele quem garante o nosso sustento de cada dia representado pelas raízes.

Oxoguian em momentos de crise representa a estabilidade; em ocasiões de guerras, a estratégia; na tristeza é a alegria, no fim é o recomeço.

Oxoguian é o orixá do renascimento. Tudo que forma um ciclo se mantém graças a ele. Este é o motivo pelo qual no dia a ele consagrado se realiza uma pequena procissão. Ele representa a volta para a casa, a estabilidade dos grupos que até então vagavam sem destino.

Oxoguian põe um ponto final no fim e inaugura aquilo que é infinito, pois diante dele tudo é recomeço. Está explicado o porquê, após a sua festa, a liturgia afro-brasileira passa a celebrar os orixás considerados civilizadores como Exu, Ogun, Ode, Ossain e Obaluaiyê.

Oxoguian realiza a passagem entre os chamados ancestrais fundadores da humanidade e aqueles que se ligam à fixação dos primeiros reinos. Este fato é ilustrado na história que diz que Oxoguian saiu pelo mundo a fim de expandir a sua cidade e ao retornar transformou Ejigbô numa grande cidade.

Desta maneira, Oguian liga-se a vários ancestrais. De acordo com suas histórias, ele teria passado em Irê, a terra de Ogun e graças à sua inteligência idealizou armas forjadas pelo ferreiro dos orixás. A amizade entre o povo de Ejigbô foi tanta que Ogum, certa ocasião, se ofereceu para ir à frente de uma batalha lutar pelo povo de Oguian que na volta foi aclamado senhor.

Diz-se também que o orixá que adora inhames é amigo inseparável de Oyá, com quem anda sem pisar no chão, levado pelo vento que lhe conduz a todos os lugares.

Com o orixá Xangô, coluna central do culto reorganizado no Brasil pelos iorubas e seus descendentes, Oguian se relaciona como outrora os reinos de Ejigbô e Ifon estavam ligados à Oyó, fato relembrado pelo pilão, instrumento de vital importância para a fixação dos grupos na terra.

O pilão como o ferro ilustra uma nova etapa da história da humanidade. A partir dele, pode-se falar em comidas mais elaboradas, preparar  a farinha e conservar melhor os  alimentos. Se o pilão é o centro do mercado, a mão de pilão é o instrumento que repete o movimento que liga o céu à terra, garantindo a nossa permanência através da comida, do pão dado em forma de presente por Oxoguian.

Oxun é verdadeiramente o coração de Oguian. Ela dança também para ele. É Oxun quem vai a frente das mulheres da terra de Ijexá que inventaram um tipo de tambor apenas tocado por elas. Instrumento na sua origem feminino como as cabaças, cujo som remete ao mesmo produzido na vida uterina.

Oxun teria ensinado estes sons para a humanidade, escutando a sua própria barriga. Oxoguian como já falamos, relaciona-se também com os orixás caçadores e caçadoras. Daí a sua relação com Oxossi, considerado líder e cabeça da grande caçada.

Mantém relações também com Ewá, ilustrada  através de uma das passagens míticas mais emblemáticas. Ewá, aquela que tem o poder de transformar-se em qualquer coisa, lhe teria salvo da morte, garantindo assim a continuidade do ciclo da vida.

O orixá que carrega todas as armas, ora caçador, ora rei, ora a guerra, mantém relações também com Iyá ori, conhecida como   Iyemanjá, pois ela é responsável pelo equilíbrio. Iyemanjá é o principio ancestral do significado. Em outras palavras, o mundo só é inteligível, graças àquela que mantém as nossas cabeças.

Por fim, Oguian relaciona-se a Oxalá e todos os ancestrais que representam o começo da humanidade. Talvez tenha sido por isso que os africanos quando reorganizaram o seu culto no Brasil, lhe aproximaram tanto destes, a ponto de em alguns momentos ser confundido com eles.

Oxoguian anda através de passos mais rápidos, determinados. A guerra,a prontidão, o alerta nunca lhe precedem, pois ele é a própria luta, relembrada num de seus títulos de pronúncia mais evitada:  “Baba lorogun”, literalmente “pai da guerra”.

No último domingo, o Terreiro Pilão de Prata celebra a sua principal festa. A casa fundada a meio século cobre-se de azul e branco para homenagear Oxoguian, ancestral a quem o Babalorixá Air José foi consagrado por Tia Massi e sua tia consangüínea Caetana Bangbose.

Este ano, os clarins introduzidos por Mãe Caetana na Casa Branca, soaram mais fortes, pois a casa chamada Ilê Odô Ogê,  completa cinqüenta anos. Segundo o Pai Air, são cinquenta anos de dedicação aos orixás. Cinqüenta anos de gratidão a Oxun. Cinqüenta anos de compromisso com o axé Bangbose.

São cinquenta anos que convidam a comunidade a refletir não sobre os anos que passaram, mas sobre a sua trajetória de vida. Assim, a celebração é de toda casa. Afinal, durante este meio século de história, o maior patrimônio constituído foram as pessoas que em torno do Pilão se reúnem para reafirmar o compromisso de nunca interromper esta festa, garantindo assim a eterna alegria de Oxoguian, verdadeiramente orixá do sorriso.

Vilson Caetano é pós-doutor em antropologia e professor da Ufba


Título para Maria Bethânia

postado por Cleidiana Ramos @ 5:09 PM
14 de dezembro de 2010

Pessoal: transcrevo abaixo um manifesto do antropólogo e jornalista Marlon Marcos em defesa da concessão do título de doutor honoris causa de uma universidade baiana a Maria Bethânia.

Cito aqui o texto, pois os temas afro-brasileiros fazem parte do repertório a da artista. Inclusive esse é o tema da dissertação de mestrado de Marlon. Confiram e opinem

Maria Bethânia: a fora de moda que é o norte para o Brasil

Marlon Marcos

Em resumo, ela espelha sua própria força. E diz querer “diminuir” o Brasil dos grandes centros para voltar nossos olhares para as coisas simples do interior; mas acaba agigantando tudo que a voz toca com seus projetos de arte lítero-musical. A mulher de 64 anos, uma senhora linda nascida no Recôncavo baiano, é exemplo do muito que se pode fazer ao longo de uma existência.

Longe das antigas marcas definidoras que desenham o envelhecimento, Maria Bethânia está no auge da carreira e com certeza, acesa na vitalidade que sua artisticidade mais amadurecimento conferiram à sua vida.

Por mais que seja desgastado se insistir nesta constatação, Maria Bethânia, em atividade, é um norte estético educativo antropológico e histórico para o nosso País; é um fenômeno contínuo que, por mais que Claudia Leitte, Ivete Sangalo ( não deveriam nem ser citadas aqui) vendam muito e estourem em popularidade, serve de esteio, podendo ser criticado e nos levar à critica profunda de nós mesmos. Não só cantar ( e ela tem feito isso beirando a perfeição), mas pesquisar, lançar luzes a trabalhos oportunos e geniais como o de Paulo César Pinheiro, Jussara Silveira, Rita Ribeiro, Tereza Cristina, dentre outros; fazer da poesia bandeira educativa; espraiar por toda nação os poemas de Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Fausto Fawcet, Antonio Cícero, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Jorge Portugal, José Craveirinha, Chico Buarque, Cecília Meireles, Sophia de Mello Breyner, Arnaldo Antunes, Beto Guedes, Chico César, Ana Basbaum, Carlos Drummond de Andrade, Jota Velloso, Neide Archanjo, Gonzaguinha, Adriana Calcanhotto e textos da outra deusa, Clarice Lispector. Pois sim, são todos literatos conduzidos ao grande público pelo canto teatral e sócio-antropológico de Maria Bethânia.

A Universidade Federal da Bahia e todas as outras baianas vacilam, num misto de burrice conceitual e de machismo recorrente, ao não conferirem a esta artista o título de Doutora Honoris Causa pelo conjunto da sua obra que presta favores intelectuais ao Brasil e em muito orgulha o estado da Bahia.
Ela se diz fora de moda, e segue, em alguns aspectos, professoral nas suas altivez e reserva peculiares. Mais que tudo, segue cantora pedindo que se dê atenção prioritária à educação e vai ocupando um lugar entre nós, o qual nossas Universidades deveriam se espelhar.


Vida e obra de Hélio de Oliveira

postado por Cleidiana Ramos @ 12:08 PM
13 de dezembro de 2010

Pessoal: está aí abaixo, dividido em duas partes, um excelente artigo do professor Cláudio Luiz Pereira, doutor em antropologia, sobre o gravador Hélio de Oliveira.

O professor Cláudio é o organizador de uma exposição sobre a obra do artista que será aberta, hoje (segunda-feira, dia 13), às 18 horas, no Museu Afro-Brasileiro da Ufba, sediado na Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus.


Balaio de Ideias: Hélio de Oliveira, heroi cultural afro-brasileiro-Parte I

postado por Cleidiana Ramos @ 12:07 PM
13 de dezembro de 2010

Obra de Hélio de Oliveira é tema de exposição. Foto: Reprodução/Divulgação

Cláudio Luiz Pereira

Se nossa amnésia social cessasse, ainda que fosse por um ínfimo de segundo, e nos tirasse um pouco do torpor desta nova barbárie e do empobrecimento de nossa experiência cultural, dentre os artistas baianos do século XX que mereciam ser lembrados, com interesse e destaque, Hélio de Oliveira despontaria como sendo um daqueles que, inegavelmente, deveriam gozar de prestígio e projeção no cenário da cultura brasileira.

Hélio de Souza Oliveira foi um homem do povo. Negro, pobre, magrinho, tímido, doente… Seria fácil formar um rol de desvantagens do que poderiam ter sido obstáculos no seu itinerário, dificuldades que foram superados pelo artista em vida, e na posteridade que lhe é consequente. Acredito que, por isso mesmo, Hélio de Oliveira deveria ser elevado à condição de um herói cultural, aquele que é reconhecido como tendo obstinadamente vencido a tudo, inclusive os fatores redutores da cultura, que enfatizam novidades transitórias e condenam ao ostracismo nosso patrimônio consolidado, aquilo que nos foi legado pelas gerações passadas, e que, no caso dos nossos artistas plásticos, dormitam na liminaridade das reservas técnicas de nossos museus.

A vida do artista poderia inspirar uma narrativa romântica, alternando momentos de alegria e dor, de drama e tragédia, como só acontece aos homens incomuns. Obscuridade e reconhecimento, pranto e riso, devoção e fé, formam passagens na vida deste trânsfuga, com trânsito em dois mundos que naquele instante se encontravam: as artes plásticas e o candomblé.

Clarival do Prado Valadares, um dos grandes críticos de arte baianos, seu médico durante tratamento de leucemia, no Hospital das Clínicas, chegou a esboçar sua biografia numa novela, que permanece inédita. Geraldo Sarno, um dos grandes cineastas brasileiros, cogita, desde os anos 70, sobre ele fazer um filme.

Helinho, como ficara conhecido entre os amigos, nasceu em Salvador, no dia 8 de janeiro do já longínquo ano de 1932. Seu pai era Ogã no terreiro do Ogunjá, razão pela qual ele e sua irmã, D. Edna, se tornaram afilhados diletos de Procópio de Ogum, personalidade importante do mundo afro-baiano, sendo, portanto, criado no interior do mundo dos candomblés, no convívio íntimo com o sagrado, e no respeito estrito a esse. Cresceu no medo e no assombro, e no fascínio que nos dão aquelas coisas ocultas que edificaram a humanidade do homem.

Ele entrou para a Escola de Belas Artes em 1958, frequentando o curso oficial e, depois, o curso livre de gravura. Situada na Rua 28 de setembro, quase na Praça dos Veteranos, Baixa dos Sapateiros, a velha escola, já filiada a Universidade da Bahia e que posteriormente se tornaria UFBA, contratara, após a aquisição de uma máquina de impressão, em 1951, importantes mestres como Mário Cravo Junior, Henrique Oswald e Hansen Bahia, para instruir seus alunos, avalizando toda uma geração que modernizaria as artes baianas, e cujo efeito de renovação perduraria durante décadas, muitos dos quais reconhecidos gravadores: Juarez Paraíso, Sante Scaldaferri, Calasans Neto, Ângelo Roberto, Riolan Coutinho, José Maria de Souza, Yêdamaria e Lênio Braga, dentre outros, fizeram parte desta geração de modernistas a qual Hélio de Oliveira pertenceu. Emanoel Araújo, artista negro baiano, importante formulador do conceito de afro-brasileiro no mundo artístico nacional, foi seu contemporâneo na Escola de Belas Artes, e tornar-se-ia o principal divulgador da obra de Hélio, décadas depois.
Vale lembrar que muitos eram os artistas de talento naquela efervescente Bahia artística das décadas de 50 e 60, do Clube de Cinema da Bahia, da Jogralesca, do reitorado de Edgard Santos, da criação do CEAO. Ainda estudante, Hélio realizou suas primeiras exposições. No momento em que ele compõe sua obra o mundo afro-baiano quase não tem visibilidade no mundo das artes. E note-se que neste período não faltavam artistas negros que gozavam de reconhecimento: José de Dome e João Alves eram pintores; Agnaldo dos Santos, escultor de projeção, morre de doença de chagas no mesmo ano que Hélio, o primeiro em abril, o segundo em outubro. José Guimarães, branco, é tido como um dos primeiros que se dedicou a temas afro-brasileiros, compondo o emblema para o II Congresso Afro-Brasileiro, realizado em Salvador, no ano de 1937.

Ali era a época dos salões, dos happenings das primeiras galerias de arte moderna em Salvador, dos críticos que tinham talento como artista da análise estética. Hélio deles recebeu afortunados elogios. Lina Bo Bardi, por exemplo, que aqui vem fundar um Museu de Arte Popular, falava dele com respeito. Valadares condenava seu desenho, mas via sua gravura com entusiasmo. Ademais, simpático e bom companheiro, Hélio acompanhou os colegas tanto aos candomblés quanto ao circuito das artes locais. Conheceu Luis Paulino e Glauber Rocha, tornando-se consultor para assuntos de religião afro-brasileira para o filme Barravento.


Balaio de Ideias: Hélio de Oliveira, herói cultural afro-brasileiro- Parte II

postado por Cleidiana Ramos @ 12:06 PM
13 de dezembro de 2010

Exposição é oportunidade de conferir a obra Hélio de Oliveira. Foto: Reprodução/Divulgação

Sua trajetória ascendente, entretanto, foi tolhida pela malfadada sorte.  Em 1962, o infortúnio, na forma de doença, assombrou-lhe os derradeiros dias. A morte, esta megera indomável também cavalgaria sua fama, com especulações, interpretações de causalidade, juízos, e esta espécie de paixão incerta que parece fundamentar o fascínio pelos artistas mortos prematuros, que é tão característica de nossa cultura. Por que o destino ceifa-o da vida tão precocemente? Teria morrido de “coisas feitas” ensejadas por algum adversário na sucessão de seu avô recentemente morto? Teria sucumbido punido pelos deuses por revelar segredos insondáveis para o filme de Glauber Rocha? Teria sido vítima apenas da fatalidade?

A obra de Hélio, isto é, suas cinquenta gravuras, aquilo que ele deixou gravado e podemos ver amiúde, foi tecida com vigor pelas mãos hábeis de um artesão extraordinário: são linhas de talhos sensíveis ou contrastes de branco e escuro, elaborados por uma afiada gilete sobre a superfície da madeira, como se fora um bisturi sobre carne viva no seu propósito de talhar beleza, e que compõem, no seu todo, uma tecitura, e, pois, evoca um texto, uma narrativa qualquer que explique as imagens lá registradas.

Esta tecitura se configura por um mundo de aparições que clamam, e discursam, sobre outro mundo encantado: aquele dos candomblés da Bahia. São Pejis com seus sacrifícios e oferendas, yaôs em êxtases, chamas de velas que queimam e iluminam assentamentos e objetos votivos, vasilhas de barro, otás, lanças e ferramentas de ferro, uma profusão de símbolos religiosos e signos da nossa cultura afro-brasileira que lá entram em rotação. Expressam imageticamente o mundo do artista, do orixá que ele tem e que o escolheu, assim como o mundo do avô Procópio de Ogum, venerado e temido babalorixá, com seu protagonismo próprio naquela encantada Bahia dos meados do século XX, com suas perseguições policiais aos terreiros e suas humilhações sociais impostas ao povo de santo. Hélio vai mostrar de um modo diferente este mundo, vai revelar aquilo que publicamente não se via, senão sob a ótica da intolerância e do preconceito.

Mostra esta obra o que, no seu mundo, Helinho tinha de mais valioso: os símbolos do candomblé expressam o que ele vislumbra como transcendental, ou seja, aquilo que requer ato de devoção. Expressam, portanto, a maneira como pode ser visto em traços fixos o que pertence à dimensão da fé. Os símbolos não são apenas o que eles nos revelam a primeira vista, bem sabemos. Nem toda cruz, pois, é crucifixo, podendo ser apenas uma encruzilhada. Tudo depende de com que tipo de astúcia municiamos nossas crenças, e da maneira como nossos olhos perscrutam nosso mundo em busca de verdades etéreas. Acredito que é isto que a obra de Hélio de Oliveira quer nos dizer na sua mais substancial simplicidade.

O artista através de sua obra narra, sobretudo, o que é fruto de sua condição de iniciado no candomblé, e do título honorífico que se fez portador: o de Assobá do Terreiro do Ogunjá. E, assim sendo, daquele mundo, daquela vida, que ele viu com seus olhos inocentes de criança, e que compreendeu na sua condição de homem já formado, sublimando em traços artísticos o que havia de desígnio na sua vida, já que o contato com o sagrado é por demais ambivalente, exigindo permanente mediação e distanciamento, pois une de forma inseparável o que é criativo ao que é destrutivo, em uma dança concêntrica e misteriosa, da qual homem algum jamais voltou para contar sua história. Hélio era de Omulu, este Orixá colérico, cujo nome, quase impronunciável, é fonte de temor e que, uma vez desobedecido, enseja castigo mortal. Em face da prevalência de sua obra, pode-se dizer que Omulu fez-lhe uma justiça derradeira.

A obra de Hélio, nesta perspectiva, discursa sobre coisas familiares ao artista e ao mundo do povo e, certamente, estranhas e exóticas aos seus espectadores de então. Fala de coisas secretas como se fossem coisas sabidas, nos dá a noção que as imagens são também portais, fronteiras que separam mundos. São instantes sólidos de sua experiência, eventos íntimos que ele viu e reteve incontinente, que processou laboriosamente, e arduamente exprimiu com talhos e cortes.

Um mundo de formas que prescindem cores, de ritmos que povoam afetos, de ritos de fé e daquilo que eles descortinam, de ícones em sua forma mais bruta. São naturezas-mortas de coisas vivas, conteúdos onde pulsa sua espiritualidade. São, por excelência, expressões humanas diante do inevitável, como a doença e a morte. Rogam aos Deuses, pois, como pura renúncia e esperança.

Um herói cultural como Hélio de Oliveira faz tanta falta a seu povo…

Claudio Luiz Pereira é doutor em antropologia e professor da Ufba


Mestre Moraes

postado por Cleidiana Ramos @ 6:51 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE| 28.04.2009

Acredita que é necessário viver a capoeira para poder praticá-la. Presidente e fundador do GCAP – Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, ele também é professor de inglês, mestre em História Social pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutorando em Cultura e Sociedade pela mesma instituição. Discípulo de Mestre Pastinha, mantém o blog http://mestremoraes-gcap.blogspot.com/, onde discute os vários aspectos da arte-luta. Compositor de amplo repertório de música de capoeira, Mestre Moraes foi indicado ao Grammy, em 1984, com o Cd Brincando na Roda.


Morre o professor Vivaldo da Costa Lima

postado por Cleidiana Ramos @ 10:26 AM
22 de setembro de 2010

Professor Vivaldo da Costa Lima foi um dos mais importantes intelectuais brasileiros. Foto: Fernando Vivas|Ag. A TARDE| 11.09.2008

Um dos mais importantes antropólogos do Brasil, Vivaldo da Costa Lima, professor emérito da Ufba, faleceu na manhã de hoje. Ele estava internado na Fundação Baiana de Cardiologia e ainda não foi definido o horário do velório e do sepultamento.

O profesor Vivaldo é autor de clássicos sobre a cultura afro-brasileira, como O Conceito de Nação nos Candomblés da Bahia e A  Família de Santo nos Candomblés Jejes-Nagôs da Bahia.

Além disso, o professor Vivaldo era um grande especialista em questões relacionadas à gastronomia afro-brasileira. Um dos seus últimos trabalhos foi um livro escrito a partir de conversas com a ialorixá Olga de Alaketu de quem foi compadre e amigo muito próximo, que ainda está no prelo.

Eu, particularmente, só o encontrei poucas vezes, mas já diálogavamos via as reportagens que eu escrevia no jornal e recados de amigos próximos.

Temia, sempre, a proximidade de uma entrevista, pois sempre soube da sua impaciência com jornalistas. Mas o encontro, que começou tenso, quando ele me perguntou se eu tinha tempo, cujo motivo só se revelou bem mais tarde, acabou rendendo uma da mais reveladoras e educativas conversas que já tive.

Poucas vezes, confesso, escrevo um texto de uma forma tão emocionada. Desculpem-me, mas o professor Vivaldo era daquelas pessoas que ao se encontrar uma vez não se esquece jamais.

Assim que tivermos mais informações vamos atualizando.


Seminário discute mídia e Direitos Humanos

postado por Cleidiana Ramos @ 10:04 AM
25 de agosto de 2010

A Facom vai sediar seminário sobre mídia e direitos humanos. Foto: Gina Leitte| Divulgação

O debate sobre as relações entre mídia e direitos humanos vai nortear o seminário que acontece, amanhã, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom- Ufba), das 9 às 18 horas. A Facom fica no campus de Ondina perto do Instituto de Letras.

A ideia é discutir o Plano Nacional de Direitos Humanos e suas polêmicas. Também estão em pautas questões que ennlvem raça, gênero, classe, dentre outros. O seminário está sendo promovido pelo Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania (CCDC), órgão suplementar da Ufba, em parceria com a Cipó.

Durante a manhã, o seminário vai discutir a relação entre mídia e direitos humanos no plano nacional com a participação de Fábio Santos, secretário nacional de Educação em Direitos Humanos ; Edgar Rebouças, professor de Comunicação da Universidade Federal do Espírito Santo e coordenador do Observatório Regional de Mìdia e Direitos Humanos; e Cicília Peruzzo, professora de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

À tarde, estarão em pauta as experiências positivas na abordagem midíatica dos direitos humanos. As mesas terão a participação de Rodrigo Nejm, da Safernet Brasil, uma ong que combate a pedofilia na internet; Paulo Rogério do Instituto Mídia Étnica; Daniella Rocha da Cipó e do CCDC, além de Sivaldo Pereira, que vai apresentar um estudo sobre indicadores de direito à comunicação no Brasil elaborado pela organização Intervozes- Coletivo Brasil de Comunicação Social.

O encontro terá ainda uma mesa dedicada ao Ministério Público da Bahia para abordar a sua atuação, com palestras conduzidas pelas promotoras Márica Guedes e Isabel Adelaide.

Confiram abaixo a programação detalhada:

9h- Abertura (Giovandro Ferreira – diretor da Facom/UFBA)
9h10- Fala de abertura (Nelson Pellegrino deputado federal e ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia)
9h30 – Mesa Mídia e Direitos Humanos  contexto nacional
Fábio Santos – Plano Nacional de Direitos Humanos – aspectos ligados à comunicação
Cicília Peruzzo – Comunicação e Direitos Humanos na perspectiva dos estudos e pesquisas acadêmicos
Edgard Rebouças – Observatório regional de Mídia e Direitos Humanos

14h – Mesa Experiências de monitoramento e mobilização sobre Mídia e Direitos Humanos
CCDC (Giovandro Ferreira) – Monitoramento de violação de DH em programas televisivos
Instituto de Mídia Étnica (Paulo Rogério) – Enfrentamento ao racismo na mídia
Safernet (Rodrigo Nejm) – Monitoramento da infância na internet
Intervozes (Sivaldo pereira) – Indicadores do Direito à comunicação

16h – Mesa – Ministério Público, Mídia e Direitos Humanos
Promotora Isabel Adelaide – Mídia e controle da atividade policial
Promotora Márcia Guedes – Mídia e direitos da infância e da juventude


O busto de Milton Santos já é realidade

postado por Cleidiana Ramos @ 5:19 PM
15 de julho de 2010

A Ufba vai inaugurar um instituto em homenagem a Milton Santos. No local também será erguido um busto do grande intelectual. Foto: Maria Adélia de Souza | Sesc TV | Divulgação

Olha só a força que a palavra escrita às vezes tem. Publiquei aqui no Mundo Afro um artigo do professor Jaime Sodré pedindo um monumento a Milton Santos. O texto já havia sido publicado no jornal A TARDE. A causa como já era de se esperar mobiliza muita gente, afinal Milton Santos é um patrimônio da Bahia para quem sabe das coisas.

Pois ontem recebi do professor Jaime um e-mail com uma ótima notícia: o busto em homenagem a Milton Santos vai ser inaugurado. O monumento, viabilizado pela Secretaria Municipal da Reparação (Semur), fará parte de uma homenagem ainda maior: o  Instituto Milton Santos da Ufba. A cerimônia do marco luminoso no local onde ficará o instituto (Campus de Ondina) será no próximo dia 31.

Portanto, celebremos aqui a força da palavra e da visão do professor Jaime Sodré.


Museu Afro recolhe donativos para o Haiti

postado por Cleidiana Ramos @ 3:06 PM
26 de janeiro de 2010
Insitituição baiana participa de campanha para auxílio às vítimas da tragédia no Haiti. Foto: EFE |David Fernández

Instituição baiana participa de campanha para auxílio às vítimas da tragédia no Haiti. Foto: EFE |David Fernández

Para quem quiser ajudar as vítimas do terremoto no Haiti, o Museu Afro-Brasileiro da Ufba, está recolhendo alimentos não perecíveis.

A campanha é coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Os alimentos arrecadados serão encaminhados para a Cruz Vermelha.

A entrega deve ser feita na portaria do museu que fica no prédio do Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus, Centro Histórico. O horário de funcionamento é das 9 às 18 horas, de segunda a sexta. Mais informações pelos telefones 3283 5540 / 5541


Lançamento da segunda edição de Rumores de Festa

postado por Cleidiana Ramos @ 5:29 PM
5 de outubro de 2009
Ordep Serra lança Rumores do Sagrado, na quarta. Foto: Fernando Amorim - AG. A TARDE

Ordep Serra lança Rumores de Festa, na quarta. Foto: Fernando Amorim - AG. A TARDE

Na próxima quarta-feira tem lançamento da 2ª edição do livro Rumores de Festa: o Sagrado e o Profano na Bahia, escrito pelo doutor em antropologia e professor da Ufba, Ordep Serra.

O lançamento começa às 18 horas na sede da Apub, na Rua Padre Feijó, nº 18, Canela. O autor também vai apresentar uma outra obra de sua autoria: O Reinado de Édipo.

Rumores de Festa é um estudo sobre as festas populares, um dos mais deliciosos e instigantes fênomenos populares da Bahia.


Ceao festeja 50 anos

postado por Cleidiana Ramos @ 10:18 PM
25 de setembro de 2009
A socióloga Paula Barreto é a atual diretora do Ceao. Foto: Lúcio Távora | AG. A TARDE

A socióloga Paula Barreto é a atual diretora do Ceao. Foto: Lúcio Távora | AG. A TARDE

O Centro de Estudos Afro Orientais da Ufba (Ceao) está completando 50 anos. Nas próximas terça e quarta-feira será realizado um colóquio comemorativo (ver o próximo post).  O Ceao tem o dia 27 de setembro como referência para a celebração do seu aniversário. Quando surgiu em 1959, a partir da iniciativa do humanista português, Agostinho da Silva, a sua missão era aproximar o Brasil dos países da África que começavam a se libertar da política colonialista européia.

“O Ceao tinha a missão de funcionar como um canal de diálogo entre a universidade e a comunidade afro-brasileira, por um lado, e entre o Brasil e os países africanos, mas também os asiáticos”, explica a diretora do Ceao, Paula Cristina da Silva Barreto, doutora em Sociologia.

De acordo com Paula Barreto, a manutenção desta tradição é uma caracerística constante do Ceao e o que o orienta também para o futuro. “As linhas de atuação que marcaram a fundação do CEAO têm desdobramentos até hoje, seja através da realização dos cursos de língua estrangeira, ou do foco para as relações internacionais, em especial, para as relações entre o Brasil e países africanos e asiáticos”, acrescenta.

O Ceao é um órgão ligado à Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Ufba (FFCH). Sua principal ação é a realização de pesquisas sobre os temas afro-brasileiros, além de apoio às ações afirmativas implantadas pela Ufba a partir do seu sistema de cotas.

Há em curso uma proposta para transformar o Ceao numa nova unidade de ensino da universidade voltada para os estudos étnicos e africanos.  No Ceao  funciona um programa de pós-graduação, o Pós Afro. Também compõem a unidade o Museu Afro-Brasileiro, uma biblioteca especializada e uma livraria. A revista Afro-Ásia, publicada desde 1965, com tiragem semestral, é o periódico oficial do órgão.

O Ceafro, programa voltado para a educação e profissionalização com o recorte racial e de gênero, também funciona no Ceao. Lá é a sede do Fábrica de Idéias, um curso anual e avançado sobre relações étnicas, raciais e cultura negra. 

Para saber mais sobre o Ceao acesse seu site oficial clicando aqui. Na edição deste sábado, o Caderno 2+ traz uma reportagem especial sobre a instituição. A programação do colóquio comemorativo está num post abaixo. 


Programação do Colóquio comemorativo

postado por Cleidiana Ramos @ 10:11 PM
25 de setembro de 2009
Aniversário do Ceao terá colóquio comemorativo. Foto:  Lúcio Távora | AG. A TARDE

Aniversário do Ceao terá colóquio comemorativo. Foto: Lúcio Távora | AG. A TARDE

Confiram aqui a programação do colóquio comemorativo aos 50 anos do Ceao, que vai acontecer na próxima terça e quarta-feira. A inscrição é gratuita, mas como há limite de vagas é bom checar antes se ainda é possível participar. Observem também que as atividades vão acontecer em dois espaços: na sede do Ceao, localizada no Largo 2 de julho, e na Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, Centro Histórico. Os telefones do Ceao são 3283-5500/5501 e 5502.O site é o www.ceao.ufba.br

Programação:

Terça- 15 horas- Abertura com homenagem aos ex-diretores e ex-funcionários do Ceao.

16h- Conferência de Abertura- O Campo dos Estudos Africanos no Brasil
Conferencista: Professor Kabenguelê Munanga (Centro de Estudos Africanos- USP)
Local: Faculdade de Medicina da Bahia- Ufba- Centro Histórico, Terreiro de Jesus.

18h30-Lançamento dos seguintes livros:

-África Negra- História e Civilizações. Tomo I, de Elikia M´bokolo
-O Poder dos Candomblés. Perseguição e Resistência no Recôncavo da Bahia, de Edmar Ferreira Santos
-Martiniano Eliseu do Bonfim. Um Princípe Africano na Bahia. Cadernos da Memória, Volume 1, de Marcos Santana
-Revista Afro-Ásia nº 38
-Mapeamento dos Terreiros de Salvador,  de Jocélio Teles dos Santos (Coordenador).
-Lançamento do site do Ceafro e do documentário Diálogos Cotistas: qualificando a permanência na Ufba.
Local: Auditório Milton Santos- Ceao (Largo 2 de julho).

Quarta-feira-9h- Exibição seguida de debate do filme Agostinho da Silva- Um pensamento vivo, de João Rodrigo Mattos. O filme foi realizado pelo neto do fundador do Ceao e apresenta o percurso biográfico do humanista português, passando pelas obras que escreveu durante seu autoexílio de 25 anos no Brasil e indo até sua morte em Portugal em 1994.

11h- Mesa Redonda: A Universidade e as políticas para as comunidades negras- Valnizia Pereira Oliveira (ialorixá do Terreiro do Cobre); Zulu Araújo (presidente da Fundação Cultural Palmares); Luiz Alberto (deputado federal); Luiza Bairros (secretária estadual de Promoção da Igualdade); Bira Coroa (deputado estadual e presidente da Comissão de Promoção da Igualdade da Assembléia Legislativa da Bahia); Ailton Ferreira (secretário municipal da Reparação); Rosângela Costa Araújo (coordenadora do Instituto Nzinga de Capoeira Angola/ professora da Faculdade de Educação da Ufba). 

14 horas- Mesa Redonda- Olhares sobre o Brasil e a Bahia- Prof. Eakin Marshall (Associação de Estudos Brasileiros; Vanderbilt University); Prof. Yussuf Adam (Universidade Eduardo Mondlante, Moçambique) e Prof. Ralph Cole Waddey (Mestre em Economia e Estudos Latino-americanos, University of Florida; pesquisador da música brasileira).

16 horas- Conferência de Encerramento- Percepções da Bahia do final do Século XX: A Conexão Ceao. Conferencista: Prof. Arani Dzidzienyo (Africana Studies, Portuguese Brazilian Studies, Brown University- EUA).
Local: Anfiteatro e área externa da Faculdade de Medicina da Bahia- Terreiro de Jesus, Centro Histórico.


Histórias sobre os cotistas da Ufba

postado por Cleidiana Ramos @ 5:50 PM
24 de setembro de 2009
Documentário retrata rotina dos cotistas da Ufba. Foto: Arestides Baptista|AG. A TARDE

Documentário retrata rotina dos cotistas da Ufba. Foto: Arestides Baptista|AG. A TARDE

Na próxima terça-feira, às 19 horas, no Auditório Milton Santos, Ceao, Largo 2 de Julho, será exibido o documentário Diálogos Cotistas.  O evento está sendo promovido pelo Ceafro.

O documentário foi produzido pelos participantes do sistema de cotas da Ufba durante o projeto Qualificando a Permanência, realizado na universidade em 2007.

O filme mostra a rotina dos estudantes cotistas na Ufba, seus desafios e as estratégias para superá-los. Mais uma ótima oportunidade para enriquecer o debate sobre o tema.  Outras informações no site www.ceafro.ufba.br.

 


Ruy Barbosa e Abolição

postado por Cleidiana Ramos @ 3:08 PM
4 de agosto de 2009

Amanhã, a partir das 17h30 acontece a palestra Ruy Barbosa: Abolição e Cidadania no Brasil, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB).

A palestra será proferida pela doutora em História, Wlamyra Albuquerque, professora da Ufba. Mais informações no site do IGHB (www.ighb.org.br). A entrada é gratuita.


Cotas vão ser julgadas pelo STF

postado por Cleidiana Ramos @ 10:20 AM
29 de julho de 2009
Ações afirmativas tem levado estudantes às ruas. Foto: Fernando Vivas|AG. A TARDE

Ações afirmativas têm levado estudantes às ruas. Foto: Fernando Vivas|AG. A TARDE

Vem por aí uma definição judicial sobre a questão das cotas para afrodescendentes nas universidades. O DEM, que há algum tempo vem combatendo esta ação afirmativa, resolveu apelar para o Supremo Tribunal Federal (STF). O partido cobra que o tribunal declare as cotas inconstitucionais e, consequentemente, as elimine de todas as universidades brasileiras.

Até agora cada universidade segue o seu princípio de autonomia e pode adotá-las ou não. Ótimo que o STF tome posição sobre o assunto. O problema é que os seus ministros decidam sobre algo sem levar em consideração a complexidade que ele carrega.

A questão da desigualdade sócioeconômica tem raízes nas consequências de uma economia centrada na mão-de-obra escrava que operou no Brasil por mais de 300 anos. Mas, mesmo com dados e dados de instituições como o Dieese provando isso, a discussão na sociedade brasileira não consegue sair da dicotomia racismo X não racismo.

É público e notório que o brasileiro tem sérias dificuldades para discutir um assunto como as implicações de cor da pele. Esta dificuldade é fruto de um discurso, disseminado pelo Estado brasileiro, principalmente a partir da década de 30, de que formávamos uma “democracia racial” por conta da herança de três povos.

A teoria nem sempre se aplica à prática. Para começar é difícil conceber que o pensamento de que existia um povo superior- o europeu- e outro inferior- o  africano-  que vigorou por 300 anos no Brasil apagou todas as suas consequências em apenas 121 anos (a escravidão foi abolida em 1888).

Além disso, a Lei que acabou com a escravidão tinha apenas dois artigos. O primeiro decretava o fim do uso de mão-de-obra escrava e o segundo revogava as disposições em contrário. E o que foi feito com os que até então estavam submetidos à escravidão? Receberam uma indenização por anos trabalhados? Não. Saíram de mãos vazias.

Imaginem o que foi que aconteceu com estas pessoas. Foram morar onde? Passaram a comer como? Tinham condições de disputar postos de trabalho? Natural que eles e seus descendentes vivam em situações de desigualdade em relação a quem sempre foi tratado como cidadão desde que o Brasil é Brasil. E esta herança não acaba de um dia para o outro. O Estado brasileiro nem ao menos instituiu um debate sobre isso.

Durante décadas, pesquisadores da área de ciências sociais se dedicaram sobre estas questões. A pobreza teria ou não teria cor? Um destes estudiosos, Florestan Fernandes, cunhou uma frase que resume bem o que é o pensamento mais geral no País  sobre isso: “o brasileiro tem preconceito de ter preconceito”.

Com o advento do Movimento Negro Unificado (MNU) em 1978, a questão da discriminação racial e suas implicações ganharam maior visibilidade. Na última década, as ações afirmativas começaram a conquistar contornos para aplicação, principalmente na área de educação, via a criação de cotas nas universidades.

O problema é que há muito mito sobre as cotas, com gente dizendo ter opinião formada sobre elas, quando na verdade nem conhece a forma de sua aplicação. As cotas tem prazo de validade para acabar. O objetivo é equiparar os números do acesso à universidade com o índice de pretos e pardos nos locais onde elas são aplicadas.

Os estudantes cotistas não tomam a vaga de não-negros até porque concorrem entre eles mesmos. Também não entram na universidade com privilégios, pois se submetem ao vestibular e tem que alcançar o mesmo índice de corte, ou seja, a nota mínima.

É certo que a ação poderia ser evitada se tívessemos oportunidades educacionais iguais para todos, mas não é o que acontece. Invocar a Constituição Federal para dizer que as cotas a desrespeitam é um argumento que beira o pueril, afinal a própria lei reconhece que o princípio da igualdade encobre, às vezes, a desigualdade.

Outro argumento de que os cotistas teriam notas menores nos cursos não se sustenta. Os dados da própria Ufba, que já adotou as cotas, mostram que eles tem notas às vezes até maiores do que as do não cotistas. Claro que como todo o sistema as cotas universitárias tem falhas, equívocos e precisam de aperfeiçoamento. Agora é de fazer pensar qual é a motivação do DEM para combater tanto as cotas ou as políticas de defesa dos quilombos. O que será que move o partido para tanto vigor em relação a estes assuntos?

Vamos aguardar para ver, mas com base no nível das explicações dos ministros do STF para eliminar a exigência do diploma para o exercício do jornalismo dá para ficar com o pé atrás sobre o que vem por aí. Opniões divergentes são próprias da democracia, mas decidir sobre o que não se conhece direito é temerário para este princípio conquistado a duras penas no País.


Fábrica de Ideias realiza workshop

postado por Cleidiana Ramos @ 2:02 PM
20 de julho de 2009
A professora Ângela Figueiredo coordena o seminário Fábrica de Idéias. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

A professora Ângela Figueiredo coordena o seminário Fábrica de Idéias. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Nos próximos dias 30 e 31 vai acontecer o workshop intitulado Corpo, Poder e Identidade. A atividade é organizada pela Fábrica de Ideias, um curso avançado de estudos étnico-raciais, que acontece no Ceao/Ufba.

A expectativa é reunir pesquisadores dos diferentes níveis da trajetória acadêmica que tenham interesse no tema. Em destaque as relações entre o corpo, poder, identidades e sua afirmação, política, religião e cultura em variadas regiões do mundo.  

“Acreditamos que dialogar e socializar experiências e práticas de pesquisa sobre o tema enriquecerá a todos nós”, diz Ângela Figueiredo, coordenadora do seminário Fábrica de Ideias.

Para participar do workshop é necessário enviar um e-mail para fabrica@ufba,br. O e-mail deve ter as seguintes informações: nome do interessado, titulação,instituição, tema da pesquisa e um resumo sobre ela de até 15 linhas. 
 

 


Livro traz opinião de jovens sobre racismo no Brasil

postado por Cleidiana Ramos @ 11:16 AM
2 de junho de 2009
Ações afirmativas como as cotas nas universidades são um dos temas abordados no livro. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Ações afirmativas como as cotas nas universidades são um dos temas abordados no livro. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

O que jovens universitários pensam sobre o racismo no Brasil? Esta é uma das perguntas respondidas pelo livro Múltiplas Vozes- Racismo e Anti-Racismo na Perspectiva dos Universitários de São Paulo, que será lançado, hoje, a patir das 18 horas no Ceao. 

A autora, Paula Barreto, é a atual diretora do Ceao,  instituição que se prepara para festejar seus 50 anos em setembro deste ano. Paula é também professora do Departamento de Sociologia, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos ( Pos Afro) , todos pertencentes à Ufba.

A autora mostra como os estudantes analisam a presença do racismo, as ações utilizadas para combatê-lo e o que eles pensam sobre as ações afirmativas, principalmente as cotas para estudantes negros nas universidades brasileiras. As percepções destes jovens sobre as desigualdades educacionais e de classe também são abordadas no livro que foi editado pela Edufba.

A edição e a impressão ocorreram com o apoio do Programa Preparatório para a Promoção da Igualdade Étnico-Racial na Educação (Uniafro-MEC-Ufba), sob a coordenação do Ceao que, inclusive, tem ações voltadas para garantir a permanência de estudantes cotistas na Ufba. Este apoio consiste em bolsas, aulas de inglês, oficinas de informática e de produção de textos, dentre outras medidas.