Lançada a coleção História Geral da África

postado por Cleidiana Ramos @ 12:33 PM
4 de abril de 2011

Valter Silvério, Elikia Mbokolo e Ubiratan Castro folheiam exemplares da coleção. Foto: Raul Spinassé| Ag. A TARDE

Uma exelente notícia para professores: a Unesco, em parceria com a Universidade Federal São Carlos (UFSCar) e o MEC lançaram na manhã de hoje em Salvador a versão em português da coleção História Geral da África.

São oito volumes interdisciplinares, pois trazem também conteúdo sobre geografia, política, cultura, dentre outros temas ideais para a aplicação da Lei 10.639/03 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira e foi ampliada com a 11.645/08 para incluir também História e Cultura Indígena.

O material foi produzido ao longo de 30 anos com a contribuição de 350 pesquisadores, coordenados por um comitê formado por 39 especialistas, sendo a maioria africanos, ou seja o olhar vem de quem conhece a África, sobretudo a negra, de perto, evitando a repetição de estereótipos. A publicação já estava disponível em francês e árabe.

Os volumes estão sendo disponibilizado para bibliotecas de insituições públicas, mas é possível acessá-la, de forma completa, em PDF via o site da Unesco. É só clicar aqui para conhecer e aproveitar.      

A tradução para o português foi coordenada pelo doutor em Ciências Sociais, Valter Roberto Silvério. Na edição de hoje do jornal A TARDE tem uma matéria com mais informações que foi assinada por mim na nossa página especializada em Educação chamada Escola Viva.


Mais especulações sobre secretariado de Wagner

postado por Cleidiana Ramos @ 1:00 PM
17 de janeiro de 2011

Governador Jaques Wagner ainda não definiu novo secretariado. Foto: Lúcio Távora | Ag. A TARDE

Continua a novela das especulações sobre o novo secretariado do governo Wagner. Enquanto os nomes, dizem pessoas próximas ao governador, estão trancados a sete chaves, o disse-me-disse corre solto.

Havia escrito aqui sobre a Sepromi, citando os nomes de Olívia Santana e Sílvio Humberto. Soube de outra candidata considerada a mais forte dos três: Valdecy Nascimento, que é a atual superintendente de política para as mulheres da Sepromi.

O nome agrada setores da militância e também do PT, que até aqui tem sido o partido contemplado nas nomeações para a secretaria. Há também muita especulação em relação à Cultura. Até agora, talvez tenha sido esta a secretaria com mais nomes incluídos na bolsa de apostas.

Mas o que realmente ganhou maior repercussão com indícios de certeza foi o do professor da Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom), Albino Rubim.

Com essa indicação considerada favas contadas, eis que fiquei sabendo que setores do PT estão se movimentando com suas indicações, dentre as quais  a do doutor em história e diretor da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro e do professor e apresentador, Jorge Portugal. O nome de Olívia Santana também corre por fora.

Enfim, vamos aguardar que o governador anuncie todos estes nomes acabando com o suspense que já está ficando incômodo, afinal as secretarias tem funções a cumprir.


Artigo sobre o Haiti

postado por Cleidiana Ramos @ 12:18 PM
19 de janeiro de 2010

Publico abaixo o artigo assinado pelo professor Ubiratan Castro, doutor em História e presidente da Fundação Pedro Calmon, sobre a tragédia que se abateu sobre o Haiti.

O artigo foi originalmente publicado na edição de hoje de A TARDE, que aliás está fazendo uma excelente cobertura sobre o terremoto que destruiu o País.

Como tudo o que o professor Ubiratan escreve é uma belíssima aula, não só de História, mas também uma análise política de quem conhece de perto o Haiti.


Balaio de Ideias:Após o tremor, ai de ti, pobre e devastado país chamado Haiti

postado por Cleidiana Ramos @ 12:17 PM
19 de janeiro de 2010
 

 

 

Professor Ubiratan Castro analisa situação do Haiti. Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

Professor Ubiratan Castro analisa situação do Haiti. Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

 

 

Ubiratan Castro

O mundo ficou estarrecido com o terremoto que destruiu Porto Príncipe. Os terremotos não têm qualquer relação com os regimes políticos, com características socioculturais ou mesmo com os credos religiosos praticados pelos povos.

Os movimentos das placas tectônicas provocam terremotos na Itália, nos EUA e no Haiti. No entanto, no Haiti, o país mais pobre das Américas, os efeitos são devastadores.

Conheci o Haiti por sua história de luta contra a escravidão de africanos e seus descendentes. Com o nome de São Domingos foi a mais importante colônia francesa, maior produtora de açúcar das Américas no século XVIII.

Em uma superfície comparável ao Recôncavo baiano, os colonizadores apinharam mais de 500 mil escravos, em sua maioria africanos.

A violência da escravidão desencadeou uma resistência escrava, que antecedeu a grande revolução negra, a partir de 1789, com a eclosão da Revolução Francesa, até 1804, data da Independência nacional haitiana.

Foi a única revolução escrava vitoriosa nas Américas. A escravidão foi erradicada, os senhores foram expulsos ou mortos, as terras e engenhos distribuídos com os trabalhadores e proclamou-se a república dos africanos e seus descendentes.

O nacionalismo negro foi consagrado na constituição do país. Ainda hoje, na linguagem coloquial, o tratamento de neg (negro) é sinônimo de cidadão.

A república negra do Haiti foi considerada o grande perigo para a escravidão imperante nas Américas. Estabeleceu-se um rigoroso cordão sanitário em torno daquela meia-ilha, de modo a impedir a propagação da revolução escrava em outros países.

Longe de Deus e perto dos EUA, como dizem os mexicanos, o Haiti foi vítima de várias invasões militares americanas. A mais longa durou de 1915 a 1934, quando os EUA sequestraram as rendas da alfândega haitiana a título de pagamento da dívida externa.

A mais recente intervenção foi o apoio ao deposto presidente Aristides, que seguiu ao pé da letra as lições americanas sobre o Estado mínimo. Ele praticamente destruiu o Estado haitiano, suprimindo serviços de saúde, obras públicas e, sobretudo, extinguindo o exército nacional. Oficiais e praças foram mandados para casa, sem salários e com as armas na mão. O resultado foi a formação de bandos paramilitares.

Estive no Haiti em quatro missões oficiais. Algumas evidências foram muito fortes para mim. A primeira foi a miséria mais generalizada e mais aguda, sem referência comparativa com qualquer favela brasileira ou musseque africano.

A segunda foi a insuficiência grave de serviços públicos básicos. A terceira foi a atuação do Exército Brasileiro no comando da força de paz da ONU, um exemplo de respeito aos direitos humanos.

Constatei também o valor do povo haitiano. Apesar da pobreza, vi um povo trabalhador, orgulhoso de sua negritude e de sua história revolucionária, a sua afeição pelo Brasil e a esperança com a pacificação comandada pela ONU.
 
Ubiratan Castro é doutor em história e presidente da Fundação Pedro Calmon


Prêmio para Ubiratan Castro

postado por Cleidiana Ramos @ 12:58 PM
23 de outubro de 2009
Ubiratan Castro recebe hoje o Prêmio James Wright. Foto: Lúcio Távora | AG. A TARDE

Ubiratan Castro recebe hoje o Prêmio Jaime Wright. Foto: Lúcio Távora | AG. A TARDE

Hoje tem festa no auditório Baker da Faculdade 2 de julho, Garcia. O professor Ubiratan Castro, diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, vai receber, às 20 horas, o prêmio Jaime Wright de Promotores da Paz e Direitos Humanos.  O nome do prêmio é uma homenagem ao pastor presbiteriano Jaime Wright, um dos idealizadores da Fundação 2 de Julho e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese). Wright tem uma reconhecida militância em defesa dos Direitos Humanos durante a ditadura militar no Brasil.

Ele é o co-autor do livro Tortura Nunca Mais. O Instituto Paulo Freire, associação sem fins lucrativos sediada em São Paulo, é o vencedor na categoria institucional.

O professor Ubiratan Castro é conhecido pela qualidade da sua produção intelectual não só em História, área em que detém o título de doutor pela Universidade de Paris IV-Sorbonne, mas também em literatura. Seu último livro Histórias de Negro é uma delícia. Professor da Ufba é também membro da Academia de Letras da Bahia (ALB). Além disso tem um humor fantástico e uma oratória que encanta por unir a informação com a virtude de seduzir a atenção da platéia.

Sem falar que o professor tem demonstrado uma enorme capacidade como gestor. Ele foi diretor do Ceao de 1999 a 2002, presidente da Fundação Cultural Palmares de 2003 até 2006 e agora está no comando da Fundação Pedro Calmon, órgão ligado à Secretaria Estadual de Cultura. Parabéns aos organizadores do Prêmio pela sábia escolha do homenageado.        


As deliciosas narrativas do professor Bira

postado por Cleidiana Ramos @ 1:27 PM
12 de agosto de 2009
Professor Ubiratan Castro lança edição com novas histórias. Foto: Fernando Amorim| AG. A TARDE

Professor Ubiratan Castro lança edição com novas histórias. Foto: Fernando Amorim| AG. A TARDE

Recebi hoje uma publicação que me deixou super contente: o livro Histórias de Negro, do doutor em História e presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, de quem sou fã incondicional.

Além de uma inteligência brilhante, o professor Bira, como quase todo mundo o chama, tem um humor fantástico. Sempre achei que pessoas bem humoradas são aquelas realmente capazes de mudar o mundo. É uma pena que o lançamento foi hoje pela manhã em Cachoeira e só recebi o material informativo minutos antes de ele acontecer.

Em agosto de 2006, o professor lançou Sete Histórias de Negro, uma coletânea com o número de contos anunciados no livro. Elas são republicadas nesta nova edição com a companhia de cinco inéditos: A Praga das Águas, Sinha Quequé Lemina, A Carne do Negro, Tinhorão e Vovó Bundona.

Eu tive o privilégio de ler em primeira mão, no ano passado, A Praga das Águas. O motivo: como vocês sabem, embora tenha nascido em Cachoeira, cresci em Iaçu, cidade que como a primeira é banhada pelo Rio Paraguaçu. A relação de Iaçu com o rio foi um dos temas do meu trabalho de final do curso em jornalismo, que virou o livro-reportagem Os Caminhos da Água Grande.

Água Grande é o tradução para o português da palavra Iaçu. Além disso, em 2004, fiz em A Tarde um caderno especial também chamado Água Grande que mostrou vários aspectos que cercam o Paraguaçu, o maior rio da Bahia. Para produzir o caderno, eu e o repórter fotográfico Luciano Andrade percorremos o caminho feito pelo rio da sua nascente em Barra da Estiva, que fica na parte mais alta da Chapada Diamantina , até a Foz em Barra do Paraguaçu, já no município de Salinas da Margarida.

Pois, como o professor sabia disso tudo, fez uma homenagem à minha Iaçu, incluindo-a nesta história. Não vou contar detalhes para não estragar o deleite com o livro, mas trata-se de um episódio em que as águas se revoltam por conta de uma agressão feita a uma das suas divindades por um fazendeiro.  O povo de Iaçu participa diretamente da ação para acalmar os encantados das águas.

Vai aqui um trecho do prefácio escrito pelo doutor em História, João Reis, autor de livros como Rebelião Escrava no Brasil: 

“Os contos de Bira apresentam personagens que a máquina do escravismo e do racismo tentou triturar com maior ou menor intensidade e sucesso, mas o leitor não vai encontrar aqui um mero rosário de lamentações. Tal como aparecem na historiografia recente da escravidão, os personagens deste livro não se deixam vencer facilmente, não se apresentam como vítimas absolutas, mas também não são heróis imbatíveis. São homens e mulheres que reagem, negociam, resistem, atacam, se juntam solidários, às vezes vencem, outras perdem, raramente desistem”.