Um rei sacerdote que canta o amor

postado por Cleidiana Ramos @ 4:46 PM
23 de novembro de 2011

Maria Stella de Azevedo Santos

Na antiguidade, os reis, faraós, enfim, pessoas que tinham como incumbência governar um país, ou até mesmo um império, eram consideradas uma espécie de divindade na Terra, uma vez que a missão que lhes fora dada, de tão importante, fazia delas um escolhido de Deus. Eram reis sacerdotes que, através de inspirações divinas, guiavam seu povo cuidando para que cada um tivesse uma vida material digna, a fim de que pudesse realizar a caminhada espiritual em busca da perfeição. Creio ser também um rei sacerdote o compositor/cantor Roberto Carlos, que no último dia 18 fez de seu show um verdadeiro ambiente de oração, deixando nossas mentes e corações leves, fazendo nascer ou renascer o forte desejo de sermos pessoas melhores e conservarmos o bem que nos foi legado por Deus.

Há pessoas que vinculadas a uma determinada prática religiosa adquirem o “status” de sacerdotes, tendo a responsabilidade de dirigir cultos; há outras, porém, que já nascem sacerdotes e usam o dom que lhes foi dado para com ele transmitir esperança, força e sabedoria. Tal é o caso de Roberto Carlos que com sua fé contamina a todos. Suas músicas têm o poder de fazer com que nos aproximemos do sagrado, mesmo estando fora de um templo. Se a melodia delas eleva nossas almas, as letras nos proporcionam verdadeiras lições para um bem viver. Afinal, “é preciso saber viver”, pois “quem espera que a vida seja feita de ilusão pode até ficar maluco ou morrer na solidão”. Ele nos leva a refletir que o amor deve ser o guia maior de todos os comportamentos, inclusive o sexual, e demonstra ao cantar o sexo de maneira poética a beleza deste ato que, na maioria das vezes, é tratado com vulgaridade.

São belas as mensagens e são belíssimos os exemplos de sensibilidade do cantor em questão, como é o caso da canção feita para sua mãe Lady Laura, que ajuda a todos os filhos a perceberem a importância da presença de uma mãe. Roberto Carlos também nos alerta sobre a necessidade de nos mantermos conectados com o divino: “Olho pro céu e vejo uma nuvem branca que vai passando, olho pra Terra e vejo a multidão que vai caminhando, como essa nuvem branca essa gente não sabe aonde vai, quem saberá dizer o caminho certo é você meu Pai”. Isso é uma verdadeira oração, feita por uma pessoa que não consentiu que os holofotes da fama dessem brilho a seu ego, de modo a ofuscar sua espiritualidade. Uma pessoa humilde que, reconhecendo sua frágil natureza humana, implora a Nossa Senhora sua permanente proteção: “Nossa Senhora me dê a mão, cuida do meu coração, da minha vida, do meu destino, do meu caminho, cuida de mim”. Possuindo uma visão comunitária, de quem entende que a humanidade nada mais é do que uma grande corrente, ele também pede proteção para seus irmãos em Deus: “Grande é a procissão a pedir, a misericórdia, o perdão, a cura do corpo e da alma, a salvação. Pobres pecadores, oh Mãe, tão necessitados de vós, Santa Mãe de Deus tem piedade de nós. De joelhos aos vossos pés, estendei a nós vossas mãos. Rogai por todos nós, vossos filhos, meus irmãos”.

Tudo o que foi dito anteriormente, confirma o título de rei que foi dado pelo povo a Roberto Carlos, que está sabendo dignificá-lo muito bem. Como o nosso país é uma República, o que faz com que não tenhamos reis como governantes, esperamos que as pessoas eleitas democraticamente, para dirigir os destinos de nosso país, sejam sensíveis para reconhecer que uma tão importante tarefa só pode ter sido inspirada ao povo por uma força “Maior”. Sendo assim, cabe aos governantes lembrar-se que têm por obrigação prestar contas de seus atos não apenas ao povo que os elegeu, mas também a Deus. Se os governantes tem esse dever, por sua vez seus governados devem assumir o compromisso de fortalecê-los em uma corrente de emanações positivas, para que a árdua tarefa que lhes fora confiada possa ser cumprida de maneira que satisfaça a toda uma coletividade. Que os governantes, portanto, consigam ver em cada governado um filho seu e que cada governado enxergue em seu governante um ser humano com sentimentos como ele.

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá


Casos de racismo envolvendo famosos em alta

postado por Cleidiana Ramos @ 6:03 PM
29 de março de 2011

Cantora vai processar deputado por racismo. Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE

Raramente, no Brasil, os casos de racismo atingiram tantos famosos em sequência como nos últimos dias. A mais nova vítima é a cantora Preta Gil.

A cantora sentiu-se ofendida com uma resposta do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) – que, infelizmente, ainda encontra quem lhe dê mandato e espaço na mídia para destilar seu crime contra os direitos humanos ao ofender homossexuais – de que não ia discutir “promiscuidade” ao ser questionado o que faria se um filho seu namorasse uma negra. O imbróglio foi ao ar via o programa CQC.

Diante da repercussão e da afirmação de Preta Gil de que vai processá-lo, o deputado afirmou que não entendeu direito a pergunta, mas não pediu desculpas. 

Já no último dia 22, o deputado Júlio Campos (DEM-MT) referiu-se ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, o único negro da corte de justiça, como “moreno escuro”.

No futebol, o jogador Roberto Carlos, foi saudado em campo na Rússia com  bananas, numa referência clara a macacos. O mesmo já havia acontecido com o jogador quando atuava no espanhol Real Madrid. 

Outro episódio semelhante atingiu o  jogador Neymar em partida da Seleção Brasileira contra a Escócia, em Londres, no último domingo.

No Carnaval deste ano o cantor Márcio Victor da banda Psirico foi chamado de “negro”, “favelado” e “gay” por um folião no Camarote do Reino.

Os episódios talvez sirvam para acabar de vez com o argumento ingênuo usado por muitos de que racismo inexiste para negros que ascenderam do ponto de vista econômico. Os exemplos acima, que exceto o de Márcio Victor aconteceram no mês em que se faz campanha contra a discriminação racial,  dizem exatamente o contrário.