Uma história de caboclo

postado por Cleidiana Ramos @ 8:17 AM
4 de fevereiro de 2010

Maria Auxiliadora Andrade Pereira

Durante muito tempo ouvíamos falar que o Caboclo não fazia parte dos rituais da religião africana, pois todas as atividades realizadas nos terreiros eram dirigidas aos Orixás.

Contudo, na casa de dona Maria de Lourdes, filha de Oxum, a história é diferente. Dotada de um senso humanístico, mulher lutadora, mãe de seis filhos, essa nobre senhora residia à época no bairro do Garcia.

Certo dia, ela recebeu a ilustre visita do Pai Caboclo Tupinambá. A partir dessa data o Caboclo ensinou a toda a gente que o procurava o amor e a fé. Ensinou também a força das folhas, das matas, e o respeito aos mais velhos.

Hoje tem uma legião de filhos, recebidos pelo amor, não possui riquezas, mas o seu maior tesouro é o amor que dedica aos outros. A todo o momento ela se questiona: que missão é essa que recebi? E conclui com toda experiência e sabedoria que Deus lhe deu: Deus fez seu mundo certo!

Atualmente tem 80 anos, filhos criados, netos no caminho, e o seu protetor continua ali, presente.


A origem do homem na versão africana

postado por Cleidiana Ramos @ 8:17 AM
27 de janeiro de 2010

Iele Ferreira Portugal

-Vovó de onde mesmo que veio o homem?

– Senta aqui que vou te contar: Quando era bem pequenininha, mais ou menos da sua idade, minha avó, que era descendente da gente da África, da região chamada Daomé, me contou uma história. Vou contar a você o que eu lembro.

– Vovó, antes de a senhora me contar a história, explique o que é descendente.

– É aquele que vem de algum outro lugar.

– Agora a senhora pode continuar a história.

– Há muito tempo, os orixás viviam aqui na terra. Não existia o homem. Até que, um dia, Olorum,o dono do céu, resolveu que criaria o homem para fazer companhia aos orixás. Olorum tentou criar o homem de ar, de fogo, de água, de pedra e de madeira, mas em nenhum caso deu certo.

– Por que não deu certo, vovó?

– Porque os homens de ar e de água não tinham forma, o homem de fogo consumia-se, e os homens de pedra e de madeira não se mexiam.

– E então, o que Olorum fez?

– Ele não fez nada. Nanã foi quem fez. Vendo que todas as alternativas tinham dado errado, essa orixá se ofereceu para criar o homem. Olorum permitiu. E Nanã foi fazer o homem. Pegou um punhado de barro e foi modelando o corpo: as pernas, os braços, a cabeça e tudo que temos hoje. Ela não esqueceu nada, fez tudo direitinho. Deu-nos tudo que precisamos,pernas para andar, mãos para pegar as coisas, olhos para ver… não se esqueceu de nada.

– É isso mesmo!

– Depois que homem foi feito, o que aconteceu?

– Os homens e os orixás viveram juntos e felizes, dividindo alegrias e aventuras na terra.