Em entrevista à jornalista Regina de Sá, o doutor em História pela Universidade de Minnesota (EUA) e professor do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia, João José Reis faz uma reflexão sobre memória da escravidão e persistência do racismo.  

João José Reis faz uma profunda análise sobre a persistência dos impactos da escravidão. Foto: Walter de Carvalho/Ag. A TARDE/  17.11.2010

João José Reis faz uma profunda análise sobre a persistência dos impactos da escravidão. Foto: Walter de Carvalho/Ag. A TARDE/17.11.2010

Regina de Sá 

Em um documento redigido no dia 24 de outubro de 1985, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) apresentava uma lista de 38 localidades com potencial para serem reconhecidas como Patrimônio da Humanidade. Naquele ano, o Centro Histórico de Salvador, a primeira capital do Brasil (1549-1763), ganharia a atenção global com o título dado pela Unesco. No maior conjunto colonial urbano tombado do País, com cerca de três mil imóveis erguidos entre os séculos 17 e 19, desde o São Bento até Santo Antônio Além do Carmo, está o Pelourinho, um dos mais visitados cartões-postais da cidade. Porém, no coração do polígono do tombamento não se vê nenhum indício de que ali existiu, de fato, um pelourinho, símbolo máximo do poder da Colônia portuguesa que servia para castigar e marcar com açoites terríveis a pele das pessoas. Além disso, o pelourinho “passeou” pela cidade. Por volta do século 16, o primeiro local onde instalaram a coluna de pedra cantaria com argolas foi na Praça Municipal (por decreto, desde 1949 se chama Tomé de Souza). Depois, levaram o “símbolo da Justiça” para o Terreiro de Jesus, mas os gritos dos açoitados incomodavam os padres e quem mais participasse das cerimônias religiosas e, por Provisão Real de D. João V, acabou levado para as Portas de São Bento (próximo à Praça Castro Alves). O derradeiro destino seria o largo das Portas do Carmo, onde hoje é o Pelourinho. O instrumento de castigo seria retirado, definitivamente, em 1835. Em 1857, colocariam no lugar um chafariz, mas não se sabe que fim levou.

No Prospecto de Caldas, um minucioso trabalho cartográfico da Cidade do Salvador – elaborado entre os anos de 1756 e 1758 pelo engenheiro e militar baiano José Antônio Caldas (1725-1782) -, aparece a indicação da pedra nas Portas de São Bento. O pelourinho-instrumento, de fato, existiu no Pelourinho-bairro, daí a importância de se batizar o lugar com este nome. No entanto, se o pelourinho enquanto marco histórico da era do regime escravista fosse pauta mais frequente nas agendas culturais, turísticas, educacionais e, por que não, acadêmicas, não correria o risco de se apagar da memória a existência de um local público para castigo e tortura. Mas não é esta a opinião de João José Reis, doutor em História pela Universidade de Minnesota (EUA) e professor do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia. Para Reis, autor, entre outros livros, de Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês, os demônios do Pelourinho são exorcizados hoje de uma forma positiva com os tambores do Olodum, por exemplo. Reis defende que este espaço de castigo público poderia ganhar muito mais como local de memória se fosse criado um museu da escravidão e da resistência escrava. O local, apesar do nome, reforça o historiador, em parte descolou sua identidade desse passado, sem que, por outro lado, esse passado esteja encoberto.

Há 30 anos, o Centro Histórico de Salvador foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio da Humanidade. No epicentro desta importante área da cidade, está o Pelourinho, local visitado por turistas de todas as partes do Brasil e do mundo. Ali, pessoas de várias partes do País e do mundo buscam um consumo cultural de massa, que abrange diversão, entretenimento e compras. Para o senhor, o Pelourinho perdeu sua identidade?

 

João José Reis – Não existe identidade fixa, “autêntica”, nem de indivíduos, de grupos ou lugares. O Pelourinho não é diferente. Apesar de voltado para o turismo em muitos aspectos, consegue-se ali observar muita manifestação da cultura popular, inclusive no ramo do entretenimento, o que ainda faz daquele um lugar especial. Acho positivo que os tambores do Olodum exorcizem os demônios locais, fazendo desse espaço de tortura pública – e não apenas de tortura de escravos – um ambiente de expressão da liberdade. Não é só de turismo que vive o Pelourinho, apesar de sua mercantilização.

Por que razão, atualmente, não se encontra nenhum resquício de que, durante um longo período, Salvador possuiu uma coluna de pedra com argolas de metal onde se amarravam escravos e criminosos para açoite e ou escárnio público? Ou seja, por que a área conhecida como Pelourinho deixou de possuir um pelourinho (artefato) como testemunho de um passado em que nossa sociedade submeteu seres humanos a castigos cruéis e ignominiosos?

 JJR – O “artefato” desapareceu muito antes de se ter desenvolvido uma política de memória adequada a uma sociedade mais democrática e inclusiva, que, apesar de tudo, o Brasil vem se tornando, aos trancos e barrancos, é verdade, com avanços e recuos – e, nos dias que correm, mais recuos do que avanços. Desconheço alguma imagem que pudesse servir para, por exemplo, reproduzir a coluna de tortura. E, aliás, não acho que seria o caso de se erguer coisa do tipo no atual largo do Pelourinho porque, como disse, o local, apesar do nome, em parte descolou sua identidade desse passado, sem que, por outro lado, esse passado esteja encoberto. Outras formas de lembrança da violência na era do antigo regime escravista poderiam ser criadas, como, por exemplo, um museu da escravidão e da resistência escrava, ou uma seção temática nos museus afros já existentes. Há quem, no movimento negro e na academia, discuta exatamente isso.

  O senhor julga que há, nessa ausência, uma sutil intenção de nossa sociedade em esconder, ou remeter ao esquecimento, este fato?

  JJR – A Bahia já não precisa esconder essas coisas para que os ricos e poderosos continuem a mandar, a usufruir de seus privilégios e a fechar os olhos às desigualdades sociais e raciais. Estamos numa era de cinismo galopante, por um lado, mas também de alguma conquista no que diz respeito a uma compreensão mais inteira do passado. Não é mais possível negar essa parte inconveniente da história. É perfeitamente possível para o Estado e a sociedade combinarem um repúdio à violência do passado, ao mesmo tempo em que toleram ou até promovem o racismo e a violência contra negros, índios, pobres no presente. Veja você que essa violência e o racismo ocorrem e até crescem paralelamente à obrigatoriedade do estudo da história do negro – que inclui o tráfico e a escravidão – nos currículos escolares (Lei 10.639/03). A juventude negra, na maioria pobre, está sendo massacrada pela violência, inclusive a policial, é o que apontam as estatísticas.

 A questão da preservação do patrimônio não estaria também ligada à memória e ao registro da História? Como as gerações futuras vão poder entender o que, de fato, ocorreu onde hoje se conhece como Pelourinho se não são mais visíveis as marcas da escravidão? 

 JJR – Talvez não seja correto dizer que inexistam marcas materiais da escravidão no Pelourinho, porque ali estão casas e igrejas construídas por escravos, e com os lucros da escravidão no Recôncavo e na cidade; lá estão as antigas senzalas urbanas (as chamadas lojas, subsolos dos sobrados e casas), e como contraponto uma igreja erigida por escravos e libertos para abrigar uma irmandade negra, a do Rosário dos Pretos. Existem santos negros nos altares de outras igrejas (por exemplo, São Benedito na Igreja de São Francisco), a Sociedade Protetora dos Desvalidos, fundada por negros livres e libertos em plena vigência da escravidão etc. Não falta então “patrimônio” preservado para se pensar a escravidão, mas também a negociação e a resistência escravas, que estão consignadas por toda parte. O que precisa é passar adiante essas informações. Entenda: não sou contra o Pelourinho ser lembrado e vinculado à violência escravista, mas não vejo necessidade de se repor ali um poste para significar isso. Tente pensar por outro ângulo. O nome do lugar já constitui um componente imaterial do significado histórico, ele substituiu de maneira forte a materialidade da coisa, mais forte, por exemplo, do que naquelas cidades onde o pelourinho sobreviveu enquanto artefato ou monumento histórico. Não há nessas cidades toda uma área da cidade chamada Pelourinho como temos na Bahia. Isso aqui na Bahia é muito forte. Que se entenda isso, que se aproveite isso numa política de memória. Se essa sociedade quisesse realmente “esquecer” a escravidão, teria mudado o nome daquele espaço há muito tempo. Mas o nome está lá a lembrar do que ali acontecia. É coisa que só se vê na Bahia, e é preciso entender por que é assim.

 Estudos recentes apontam para o esvaziamento do Pelourinho como lugar de moradia de camadas mais pobres. Entre os anos 1980 e 2000, 67% da população residente deixou o Pelourinho, em virtude da forma como a intervenção do Estado atuou na região, com vistas a revitalizá-la, ou “restaurá-la”. O processo, conhecido como “gentrificação”, contribuiu para a regeneração da área e reatribuiu significados a esses marcos de memória da sociedade soteropolitana? Apagar por completo a existência do pelourinho também colaborou para afastar dali os “habitantes indesejáveis” do bairro?

 JJR – O que você chama de “gentrificação” (um anglicismo que se poderia evitar) aconteceu muito depois de desaparecido o poste de castigo. Portanto, uma coisa não levou necessariamente a outra. Nas cidades onde o poste se mantem em pé até hoje, como em algumas cidades mineiras, aconteceu o mesmo fenômeno de “requalificação”, o termo burocrático usado pelo Estado não só no Brasil. Nas chamadas cidades históricas brasileiras, gente com dinheiro compra casas para morar ou para segunda residência, assim como residências se tornam lojinhas e restaurantes para servirem à indústria do turismo. Ou seja, com ou sem o poste, o nosso Pelourinho estava destinado a ser parte do circuito turístico e da especulação imobiliária, e essa especulação é um câncer espalhado por toda a cidade. Num sentido mais amplo, o que ali aconteceu com a população se repetiu, antes e depois, em várias áreas de Salvador fora do chamado Centro Histórico. Comunidades de pescadores, por exemplo, foram arrancadas da orla para a construção de praças, estacionamentos, hotéis, edifícios e condomínios. 

Em uma entrevista, o jornalista e escritor Laurentino Gomes, que deverá lançar em 2019 uma trilogia enfocando o tráfico de escravos no Brasil, afirmou que “a escravidão é um cadáver insepulto, um fantasma que nos assombra até hoje porque nos recusamos a encará-lo”. Simbolicamente falando, é possível que ainda exista um fantasma insepulto no Largo do Pelourinho justamente porque há quem prefira passar uma borracha no nosso passado, selecionando o que deve ou não ser rememorado, e manter apenas o nome como atração turística?

 JJR – Laurentino Gomes poderá escrever sua versão da história da escravidão porque, nos últimos 20, 30 anos, esse é um dos temas mais estudados pela historiografia brasileira, talvez o mais estudado. O número de teses, livros e artigos é enorme e não para de crescer. Depois da publicação do livro de Laurentino, depois da comissão da verdade da escravidão, organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o fantasma de que fala aquele autor continuará nos rondando. Já se sabe o suficiente sobre a escravidão para que esse passado passe, mas ele não passará inteiramente enquanto houver o racismo e a desigualdade baseada no perfil racial. É sempre bom que se tenha mais um livro sobre a escravidão, mas já se sabe o suficiente sobre o assunto, e há muito tempo, para inspirar políticas públicas de reparação, as quais, aliás, estão em curso ultimamente, embora muito mais seja necessário nesse aspecto, eu acho. Para lhe ser franco, acho que se devia falar menos de escravidão e mais sobre racismo e desigualdade racial na atualidade. Às vezes escravidão vira ponto de fuga. O racismo tem pernas próprias, tem uma capacidade enorme de se reproduzir em nossa sociedade, e nos dias que correm se reproduz de uma maneira cada vez mais aberta exatamente porque o negro brasileiro deixou de assumir aquele lugar subalterno que lhe tinha sido destinado desde sempre. O avanço da consciência negra e a ocupação negra de espaços antes quase exclusivamente brancos – como a universidade -, por exemplo, hoje explicam o racismo muito mais do que a escravidão.


Vércia apresenta show com base na cultura afro-brasileira

postado por Cleidiana Ramos @ 9:50 AM
25 de maio de 2015
A cantora Vércia faz apresentação única no Pelourinho. Foto: Divulgação

A cantora Vércia faz apresentação única no Pelourinho. Foto: Divulgação

Quem curte uma música feita com base nas raízes culturais da Bahia não pode perder o show da cantora Vércia, no próximo dia 29, na Praça Pedro Archanjo, Pelourinho.

O show intitulado Vércia & Muriquins vai das 21 às 23 horas. A banda Muriquins é formada por Gabriel Barros (guitarra); Alex Ferreira (baixo);Ricardo Cara de Rato (percussão); Marcus Santos (bateria) e Artur Costa (backing vocal).

Com direção musical de Marcus Santos e direção cênica de Maria Prado de Oliveira, o show vai contar com as participações especiais de Carlos Barros, Dão e Viviam Caroline.

No repertório,  Iansã, composta por Hugo de Castro Alves, Lua Marina e Bruno Ribeiro, concorrente ao Prêmio Caymmi de Música; Brilho de Beleza (Nego Tenga), dentre outras. Por todo o show estarão presentes referências à herança afro-brasileira, além de repertório do cancioneiro popular.

SERVIÇO:
Show: Vércia & Muriquins
Quando: 29 de maio de 2015, às 21 horas
Onde: Praça Pedro Archanjo, Pelourinho
Participações especiais: Carlos Barros, Dão e Viviam Caroline
Ingresso: 10 reais ( valor único)


Irmandade dos Pretos celebra Nossa Senhora do Rosário

postado por Cleidiana Ramos @ 11:40 AM
22 de outubro de 2010

Irmandade do Rosário dos Pretos festeja sua padoreira. Foto: Claudionor Júnior| Ag. A TARDE

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos já está celebrando a sua padroeira, mas o ponto alto será neste domingo com a missa, seguida de procissão, às 10 horas.

É bom lembrar que a missa acontecerá na Igreja do Carmo, pois a que pertence à irmandade, na Ladeira do Pelourinho, está em reforma.

Na segunda-feira acontecerá a missa em homenagenagem aos antepassados às 9 horas. A missa de terça-feira, às 18 horas, encerra os festejos.

A irmandade que está comemorando 325 anos tem uma belíssima história de resistência. Formada originalmente por escravos vindos da região onde hoje estão Angola e Congo, a associação cumpria fins que hoje podem ser definidos como previdênciários, pois garantia pensão para os familiares dos seus associados em caso de morte ou invalidez. Além disso tinha um fundo pecuniário para compras de aforria.

Uma outra das muitas histórias interessantes sobre a irmandade: eles servem durante o aniversário um bacalhau com toucinho. O costume é resultado do escudo que  representantes da irmandade usaram contra acusações perigosas, e que poderiam levar à morte ou deportação, de que teriam acobertado os participantes da Revolta dos Malês em 1835. A ideia era mostrar, ao comer porco, que não eram islâmicos.


Seminário celebra aniversário de irmandade do Rosário

postado por Cleidiana Ramos @ 5:10 PM
15 de setembro de 2010

Irmandade do Rosário dos Homens Pretos preserva história de resistência. Foto: Fernando Vivas |Ag. A TARDE

A importante Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos está comemorando o seu aniversário de 325 anos com um seminário que vai começar amanhã e prossegue até sábado. O encontro é na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, localizada nos Barris.

Atenção para o horário: amanhã e sexta será das 18 às 20 horas e no sábado das 8 horas ao meio-dia.

A irmandade é um grande marco da resistência contra a escravidão. Fundada por escravos e libertos vindos da área onde hoje está Angola desempenhava a função de previdência e, principalmente, de administração de um fundo para a compra de alforrias.

A sua história envolve várias belas passagens e está também ligada ao surgimento de outras associações como a Sociedade Protetora dos Desvalidos e a Irmandade de Nosso Senhor dos Martírios, que ficava na Igreja da Barroquinha e onde, possivelmente, surgiu a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte.

O seminário é uma excelente oportunidade para ouvir estas e outras histórias.  Clique aqui para conferir o blog da Irmandade.


No embalo da Revolta Olodum

postado por Cleidiana Ramos @ 2:06 PM
3 de setembro de 2010

Olodum se destaca pela batida e repertório social. Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE| 24.02.2004

O Olodum tem feito um belíssimo trabalho para resgatar a história de resistência negra como Búzios. Então, para embalar o final de semana está aqui um vídeo com a música Revolta Olodum que fala de vários movimentos sociais ocorridos no Nordeste. É só clicar no vídeo aí abaixo.


Festival de música negra no Pelô

postado por Cleidiana Ramos @ 6:13 PM
4 de janeiro de 2010
Zezé Motta é uma das convidadas para o evento. Foto: Elói Corrêa | Ag. A Tarde| 7.2.2009

Zezé Motta é uma das convidadas para o evento. Foto: Elói Corrêa | Ag. A Tarde| 7.2.2009

Gostei da pegada unindo humor e reflexão adotada pelos produtores do festival de música Circuito Real Rotação. Tudo parte da pergunta “Venha cá, Cultura Negra dá dinheiro? Para o bolso de quem? E nessa coisa de Preto e Dinheiro, qual é o $ da questão?”

Produzido pela Babu Comunicação & Produção, o evento vai de quarta-feira até o próximo sábado, na Praça Pedro Arcanjo, Pelourinho, a partir das 19 horas. O preço dos ingressos varia de R$ 0,40 até R$ 5.

O formato é bem inusitado com programação que inclui música e  talk show, um bate-papo para discutir o tema do evento reunindo Zezé Motta, o editor-chefe da revista Raça, Pestana, e o cantor Dão, além das participações de Dona Liu e do rapper Lukas Kintê. 

Depois tem batalha de MC´s, baile black, dentre outras atividades. Vale conferir a programação com a linguagem despojada adotada pelos organizadores. Achei muito legal e por isso vou reproduzir aqui abaixo. Mas atenção: a programação a seguir só inclui os enventos musicais, mas para quem quiser conferir o talk show ele será no mesmo lugar, na quarta, a partir das 19 horas.Confiram aí o baianês super legal da galera:

7 de janeiro- Batalha de MC´s- Fora de Órbita em Rotação. O 1º lugar leva 700 conto, 2º 500 e o 3º vai ganhar quase um salário. Tá bom né? Então aparece lá. Pra entrar pague quanto achar que vale. Participação: Versu 2 e Nova Saga.

8 de janeiro- Você vai ver uma cena inédita na Bahia, 1 DJ, 11 Mcs, Pire aí. Vai descer a barreira toda: Max B.O., Kamau, Parteum, Aori, De Leve, Indião, Andromedra, Phantom, Lívia Cruz, Sombra e Gaspar. E nas quadradas desta festa DJ KLJay. Sejam bem vindos esse é o Rotação 33.

9 de janeiro- Baile Black Especial Tim Maia. Isso mesmo gostou? Eu também gostei, Ó, a moçada vai pagar somente 5 conto pra dançar ao som dos DJs- KLJay, Mauro Telefunksoul e Bandido. Vc não vai perder né? Quem quiser.


Afro Imagem: A despedida do mestre

postado por Cleidiana Ramos @ 3:47 PM
4 de novembro de 2009

 

Neguinho-do-Samba

A fotografia de Marco Aurélio Martins, da Agência A TARDE,  ilustra a emoção que tomou conta de Salvador no adeus a Neguinho do Samba.  Uma multidão foi se despedir de um dos mais importantes artistas da Bahia. A cerimônia  foi tão inesquecível quanto a sua obra.  


Luto

postado por Cleidiana Ramos @ 8:45 PM
31 de outubro de 2009

A música baiana perdeu hoje Neguinho do Samba, o criador de preciosidades como o samba-reggae, a escola de percussão do Olodum e a Banda Didá. O Pelourinho,  onde ele morava e morreu por conta de uma parada cardíaca, está em silêncio. Para saber mais clique aqui.


Novidades para a Caminhada Azoany

postado por Cleidiana Ramos @ 3:51 PM
12 de agosto de 2009
Cena da edição de 2005 da Caminhada Azoany . Foto: Fernando Amorim| AG. A TARDE

Cena da edição de 2005 da Caminhada Azoany . Foto: Fernando Amorim| AG. A TARDE

Tem novidades na preparação da já tradicional Caminhada Azoany, que reúne o povo de santo no dia da festa católica de São Roque. Azoany é uma das denominações jeje para as divindades Obaluaê e Omolu, do candomblé ketu e Kavungo do angola.

Este ano as  atividades começam mais cedo.  Amanhã, quinta-feira, com uma conferência na Casa do Benin das 14 às 16 horas. Na sexta, tem mais uma sessão de debates das 9 às 12 horas e a segunda das 14h30 às 17 horas. Todas elas serão ligadas a discussões sobre a religiosidade afro-brasileira.

No dia 16, as atividades começam com uma missa na Igreja do Carmo- sede provisória da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, pois a sua igreja está em reforma-, seguida da concentração para a caminhada na Praça do Reggae. As 13 horas é a saída embalada pelo afoxé Korin Efan. A marcha segue para a Federação onde se encontra com a procissão de São Roque.   

Ainda dá para conseguir a camisa da caminhada. Basta levar um quilo de alimento não perecível até a sede da associação Alzira do Conforto na sexta e no sábado das 9 às 12 horas e das 14 às 18 horas. A sede da Alzira do Conforto fica na Rua das Laranjeiras, 14, 1º andar, Pelourinho.


Festa dos Tambores no Pelourinho

postado por Cleidiana Ramos @ 1:44 PM
11 de agosto de 2009
Ókánbí é um dos participantes da Festa dos Tambres. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Ókánbí é um dos participantes da Festa dos Tambores. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Para a galera que gosta de festa esta é imperdível: no próximo dia 21, a partir das 21 horas na Praça Tereza Batista (Pelourinho), tem um encontro mais do que especial denominado Festa dos Tambores.

Os blocos afro Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Ókánbí, Os Negões, Malê de Balê e Muzenza juntam forças para fazer ecoar a batida afro na música.

O encontro vai contar ainda com a participação de Mariene de Castro. O ingresso custa R$ 20 e o evento está sendo promovido pelo Fórum de Entidades Negras da Bahia. Mais informações pelos telefones:3492-5012 e 3381-5782


Afro Imagem: O adeus do Olodum a Michael Jackson

postado por Cleidiana Ramos @ 4:48 PM
7 de julho de 2009
Olodum

Foto: Edgar de Souza | Divulgação

No dia do funeral de Michael Jackson em Los Angeles, o Olodum também fez sua homenagem ao rei do pop, em Salvador,  com quem gravou o videoclipe da música They don´t care about us.

O samba reggae ecoou no Pelourinho, cenário do encontro, por meio da batida de 80 percussionistas.


Missas do Rosário mudam de endereço

postado por Cleidiana Ramos @ 10:20 AM
12 de junho de 2009
Templo vai entrar em reforma. Celebrações serão na igreja do Carmo. Foto: Fernando Vivas |AG. A TARDE

Templo vai entrar em reforma. Celebrações serão na igreja do Carmo. Foto: Fernando Vivas |AG. A TARDE

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que fica no Pelourinho, vai passar por reforma. A previsão é que ela fique inativa por um ano. Neste período  todas as suas celebrações vão acontecer na Igreja do Carmo, que fica ali pertinho.

Os horários e os dias das missas continuam os mesmos: terça-feira às 18 horas, em louvor a Santo Antônio do Categeró; domingo às 10 horas, em honra de Nossa Senhora do Rosário e segunda às 9 horas em memória dos mortos.

Tem celebrações ainda para São Benedito, na primeira quinta-feira de cada mês e para Santa Bárbara na última quarta-feira de cada mês. Todas as duas são às 18 horas.

A igreja do Rosário tem uma das mais belas celebrações católicas de Salvador. Lá é o endereço de uma das missas inculturadas, neste caso com a cultura afro.

Inculturação é um termo católico para os seus ritos litúrgicos que incorporam elementos das culturas locais, como as tradições de origem negra ou indígena.

Vou pedir a um especialista no tema para escrever um artigo explicando direitinho o que é inculturação, pois muita gente confunde com sincretismo.

Se não estou enganada o uso da inculturação foi uma das decisões da IV Conferência dos Bispos Latinos Americanos (IV Celam), realizada em Santo Domingo, na República Dominicana em 1992.

Naquele ano, por conta da comemoração dos 500 anos da chegada de Colombo à América, a Igreja Católica refletiu sobre o seu papel neste episódio, o que incluiu o reconhecimento dos  erros de imposição da sua fé aos povos locais, e decidiu por uma nova uma evangelização, fiel às suas crenças, mas buscando respeitar as tradições e diferenças culturais, principalmente dos indígenas e afro-americanos.

A liturgia implantada na igreja do Rosário contou com  o apoio de dom Gílio Felício, doutor em liturgia e que foi bispo auxiliar de Salvador de 1998 a 2002. Dom Gílio, hoje bispo de Bagé, no Rio Grande do Sul, seu Estado de origem, foi festejadissimo na capital baiana, afinal foi o primeiro bispo assumidamente negro da Arquidiocese de Salvador. Além disso, é uma figura de grande carisma. 

Na igreja do Rosário os cânticos recebem acompanhamento de instrumentos como atabaques e na liturgia há várias referências à cultura negra.

Vale lembrar que a igreja do Rosário é uma exemplo de resistência. Ela foi construída pela Irmandade dos Homens Pretos, associação que tinha predominância de escravos de etnia angola.

A irmandade funcionava também como um sistema previdenciário. Era ainda responsável por auxílio funerário e socorro às famílias dos seus membros doentes ou falecidos. Também garantia um tipo de poupança para a compra de alforria.       

A beleza do templo fez com que uma outra irmandade formada por brancos tentasse tomá-lo à força. A briga durou anos e foi decidida a favor dos irmãos do Rosário por interferência do rei de Portugal.

Os detalhes sobre esta irmandade, sua relação com a estabilização dos ritos do candomblé como o conhecemos hoje, especialmente com a fundação do terreiro Casa Branca do Engenho Velho, fazem parte da ampla pesquisa do doutor em antropologia Renato da Silveira, professor da Ufba.

Tem um livro de Renato sobre este assunto, com capítulos sobre a formação das irmandades de escravos e libertos e sua importância para a resistência dos povos africanos escravizados em Portugal e no Brasil. O nome do livro é  O Candomblé da Barroquinha.