Balaio de Ideias: Viva o Pastor Djalma de Ogum!

postado por Cleidiana Ramos @ 7:54 PM
16 de abril de 2013

Militância do pastor Djalma Torres é destacada em artigo do professor Jaime Sodré. Foto: Walter de Carvalho/ Ag. A TARDE/ 20.09.2005

Jaime Sodré

É isto. O titulo é estratégico para motivar o leitor ao texto. “Vou fazer a louvação, ao que deve ser louvado, louvando o que bem merece deixando o ruim de lado”.

No mínimo estranheza deveria, em outros tempos, causar a visita de um fiel do candomblé a um templo protestante, mas assim o fizemos por obediência à orientação de Ebomi Cidália, que recomendava esta salutar visita para estreitar laços de amizades, enriquecer o conhecimento e abraçar amigos.

A Igreja Batista de Nazareth, um templo histórico, comemorava 35 anos, uma história de muitas histórias dos irmãos solidários, sempre em busca de novos horizontes inclusivos. O culto solene de aniversário teria como orador o excelente Pr. Djalma Torres, assim como o Jantar Teológico, onde teríamos o privilegio da companhia do Pr. Joel Zeferino e Pr. Moises Alves, acolhedores anfitriões, assim como Pr. Djalma, oradores e condutores litúrgicos brilhantes.

Só emoção. Acolhidos, estávamos em casa, sem restrições ou olhares de intolerâncias. Só respeito e carinho. Muita luta ocorreu, tendo como abrigo esta Igreja, contra a ditadura, em favor da democracia plena, dos direitos humanos, contra as injustiças no campo e na cidade.

Em especial, destacamos a participação solidária na luta contra a intolerância religiosa, reconhecimento e respeito à diversidade sexual. Estimulando o dialogo com as paróquias católicas, comunidades protestantes e movimentos sociais, a Igreja alargava o seu horizonte.

Pr. Djalma Torres empenhou-se para que a Igreja fosse recebida pelo Conselho Latino Americano de Igrejas Cristãs (CLAI), na Assembleia de Buenos Aires em 2005, quando o pastor ajudou a criar a Aliança de Batistas do Brasil.

Na “compreensão de que o Reino de Deus é maior do que as suas paredes, sejam físicas ou mentais” destacamos a disposição do Pr. Djalma Torres em dialogar, compreender e participar, como militante ativo, contra as manifestações que vinham de grupos religiosos que, numa demonstração de inadaptação de uma convencia interreligiosa, atacavam o Candomblé.

Pr. Djalma sempre solícito e amigo dos fiéis do candomblé, reservava um espaço do seu precioso tempo para as reuniões ou caminhadas, junto ao povo-de-santo, nas sugestões de posturas para a solução desta incompreensão vil. O Pastor Djalma Torres, pela sua seriedade e apoio às nossas causas, tornou-se um irmão especial, e para retribuir este seu carinho e solidariedade, o povo-de-santo, reconhecendo a sua coragem, sinceridade, em um tom alegre, jocoso, mas respeitoso, desejando ter a honra de integrá-lo em nosso meio, resolveu chamá-lo de Pastor Djalma de OGUM.

Levando em conta e seguindo a máxima da Igreja de Nazareth de que “o que importa são as pessoas”, é para os grupos que necessitam de apoio que o Pastor e a sua Igreja dirigem o melhor dos seus esforços. Também os ministérios e seus respectivos ministros, orientam-se por esse principio e foi assim que o Pr. Djalma empenhou a sua vida em Nazareth e hoje o faz através do Cepesc e a Igreja Evangélica Antioquia.

Outros personagens atuam na mesma lógica do servir. São eles: Pr. Eliab Barbosa, Pr. Moises Alves e Pr. Joel Zeferino. Salve os irmãos das diversas religiões que se irmanam em convicções diversas na “esperança de que o Reino de Deus” ou de Olorum é algo plenamente possível, e por esse ideal vale “gastar a vida”.

E como nos revela o texto da Igreja de Nazareth: “só assim, com resistência, luta e fé é que vale viver”. Estreitando os nossos laços, desejamos um AXÉ para o Pr. Djalma Torres e muitos anos de vitorias para a Igreja Batista Nazareth, que caminhou do Centro para Monte Serrat; para o Garcia; para Brotas e finalmente Nazaré, atual sede.

Parabéns pelos 38 anos, que Ogum lhe dê força e perseverança. Pastor Djalma, de Ogum e de todos aqueles que tem a chance da sua amizade sincera; “quem disse, que não somos nada, que não temos nada a oferecer. Repare, nossas mãos abertas, trazendo as ofertas do nosso viver…Oôô! Recebe Senhor… Louvando a quem bem merece deixando o ruim de lado…”

Jaime Sodré é doutorando em História Social, professor universitário e religioso do Candomblé