Balaio de Ideias: Olhos magros: uma nova tendência

postado por Cleidiana Ramos @ 12:53 PM
9 de novembro de 2011

Mãe Stella faz uma bela reflexão sobre a inveja. Foto: Diego Mascarenhas / Ag. A TARDE/ 09.07.2010

Maria Stella de Azevedo Santos

A minha função espiritual faz de mim uma intermediária entre o humano e o sagrado e para exercê-la da melhor maneira possível tenho como instrumento o Jogo de Búzios. Pessoas de diferentes idades, raças e até mesmo credos, buscam a ajuda desse oráculo. Surpreende-me o fato de que uma grande parte dos que me procuram sente-se vítimas de inveja.

Engraçado é que nunca, nem um só dia sequer, alguém chegou pedindo-me ajuda para se libertar da inveja que sentia dos outros. Será que só existem invejados? Onde estarão os invejosos? E o pior é quando consulto o oráculo e ele me diz que os problemas apresentados não são decorrentes de inveja, a pessoa fica enfurecida.

Percebo logo que existe ali uma profunda insegurança, que gera uma necessidade de autovalorização. Se isso ocorresse apenas algumas vezes, menos mal, o problema é que esse comportamento é uma constante. Isso me leva a pensar que cada pessoa precisa olhar dentro de si, tentar perceber em que grau a inveja existe dentro dela, para assim buscar controlar e emanar este sentimento, de modo que ela não venha a atuar de maneira prejudicial ao outro, mas principalmente a si, pois qualquer energia que emitimos, reflete primeiro em nós mesmos.

Uma fábula sobre a inveja serve para nossa reflexão: Uma cobra deu para perseguir um vagalume, cuja única atividade era brilhar. Muito trabalho deu o animalzinho brilhante à insistente cobra, que não desistia de seu intento. Já exausto de tanto fugir e sem possuir mais forças o vagalume parou e disse à cobra: – Posso fazer três perguntas? Relutante a cobra respondeu: – Não costumo conversar com quem vou destruir, mas vou abrir um precedente. O vagalume então perguntou: -Pertenço à sua cadeia alimentar?- Não, respondeu a cobra. – Fiz algum mal a você-?- Não, continuou respondendo a cobra.- Então por que me persegue?- perplexo, perguntou o brilhante inseto. A cobra respondeu: – Porque não suporto ver você brilhar, seu brilho me incomoda.

Ingênuas as pessoas que pensam que o brilho do outro tem o poder de ofuscar o seu. Cada um possui seu brilho próprio, que deve estar de acordo com sua função. Existem até pessoas cujas funções requerem simplicidade, onde o brilho natural só é percebido através do reflexo do olhar do outro.

Lembro-me de uma garotinha de apenas 10 anos de idade que a mãe me procurou para ajudá-la, pois ela ficava furiosa quando não tirava nota dez na escola. Comportamento que fazia com que seus coleguinhas se afastassem dela. Algumas tardes eu passei conversando com a garota. Um dia ela chegou me dizendo que não aparesentava mais o referido problema, que até tirou nota dois e não se incomodou.

Fiquei muito feliz, cheguei mesmo a ficar vaidosa, pois acreditei que aquela nova atitude era resultado de nossas conversas. Foi quando ela me disse:- Sabe por que não me incomodei de tirar nota dois, Mãe Stella? Ansiosa, perguntei:- Por que? Ao que ela me respondeu: – Porque o resto da turma tirou nota um. Rimos juntas da minha pretensa sabedoria de conselheira e do natural instinto de vaidade que ela possuía e que muito trabalho teria para domá-lo. O desejo que a garota possuía de brilhar mais do que os outros, com certeza atrairia para ela muitos problemas. Afinal, ela não queria ser sábia, ela queria ser vista.

O caso contado anteriormente fez lembrar-me de outro que eu presenciei, onde uma senhora repleta de ouro insistia em me dizer que as pessoas estavam olhando para ela com inveja. Cansada daquele queixume, disse-lhe que quem não quer ser visto, não se mostra.

A inveja é popularmente conhecida com olho gordo. Se não queremos ser atingidos pelo olho gordo do outro, devemos cuidar para que que nossos olhos emagreçam, não deixando que eles cresçam com o desejo de possuir o alheio. Já que fazemos dieta para nossos corpos serem saudáveis, devemos também fazer dieta para nossos olhos, pois eles refletem a beleza da alma. A tendência agora é, portanto, olhos magrinhos, mas não anoréxicos, pois alguns desejos eles precisam ter, de preferência desejos saudáveis.

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá
      


Balaio de Ideias: Por um ambiente com amor

postado por Cleidiana Ramos @ 4:29 PM
8 de junho de 2011

Mãe Stella faz bela reflexão sobre importância de preservar o meio ambiente. Foto: Marco Aurélio Martins | Ag A TARDE | 05.10.2010

Maria Stella de Azevedo Santos

No dia 27 de abril, o artigo versou sobre o Dia das Mães, que só aconteceria em 8 de maio – futuro; o de 25 de maio foi sobre o Dia da África – presente; agora o tema é Amor ao Meio Ambiente – passado, já que estamos em 8 junho e o dia do Meio Ambiente foi dia 5. Sinto que este artigo começa de maneira um tanto quanto enfadonha, mas me despreocupei quanto a isso quando lembrei que a vida é feita de momentos diversificados e muitos deles têm que ser “maçantes” mesmos, pois são necessários por algum motivo.

A minha razão para iniciar assim este artigo é dar uma explicação para o fato de escrever sobre algo que já aconteceu, uma vez que um jornal tem como uma de suas principais funções fornecer notícias, isto é, aquilo que se constitui em novidade. Mas como se diz que “de um limão se faz uma limonada”, aproveito-me para lembrar a todos sobre a importância que devemos dar ao tempo, constituído de passado, presente e futuro.

Um pensamento leva a outro e relembrei-me de uma “historinha”: os sentimentos moravam em uma ilha, condenada a ser tragada pelo mar. Eles teriam que fugir dali o mais rápido possível. O Amor ajudou a todos e ficou só, sem saber como salvar-se. Via as canoas passarem com os diversos sentimentos e começou a pedir a socorro, mas cada um deles encontrava uma desculpa: Riqueza disse que sua canoa estava carregada de jóias e que não tinha espaço; Tristeza disse que não tinha ânimo para socorrer ninguém; Egoísmo foi ainda mais longe ao condenar o Amor por se preocupar tanto com os outros e se esquecer dele mesmo.

Cada um encontrava um motivo. O Amor ficou desesperado, até que surpreendentemente parou uma canoa para socorrê-lo – era o Tempo. Curioso, o Amor quis saber porquê somente ele lhe auxiliou. O Tempo disse: porque só eu – o Tempo – sou capaz de entender a grandiosidade do Amor.

O tempo e o amor estão nos acordando para a urgência de cuidarmos do ambiente em que vivemos e para a obrigação que cada um tem de fazer sua parte, com atos mínimos como: conservar o solo limpo (falar nisto, nunca mais vi uma pessoa varrer o passeio de sua casa!); separar o lixo da residência; evitar fazer compras com sacos plásticos (engraçado, por que será que antes sobrevivíamos sem eles e agora não?) e outras “coisitas” mais.

Eu, a fim de ter minha consciência tranqüila enquanto cidadã, no dia 5 de junho me reuni com um grupo de pessoas e “pessoinhas” também atentas ao tema, para juntos nos fortalecermos no que diz respeito a essa luta. Pois, “nós podemos muito, juntos podemos muito mais”.

Esta é a filosofia da palavra axé que, por ser tão empregada na Bahia, temos o dever de entendê-la muito bem. Na língua yorubá, o imperativo das palavras se chama “oro ìpàxé”, vindo daí a palavra axé, significando poder e comando místico. Toda pessoa tem axé pessoal, mas o axé coletivo possui muito mais força.

Por isso, tudo que eu faço no candomblé, procuro convocar a comunidade. É uma forma que tenho de dizer: “É máa pe k’óxé”, que cada um coloque seu axé para apoiar esta minha oração. Ao que todos devem responder: “axé”, que assim seja. Pois “ohun èwí ayé báwí òun” – aquilo que a coletividade quer (e um forte e coletivo querer, gera poder) é o que as divindades aceitam e aprovam.

Meu encontro com vários pais e filhos que escutaram a estória de Epé Laiyé – Terra Viva, contada de maneira deliciosa por um grupo de voluntários, foi uma espécie de oração coletiva, pedindo a Olorun que olhe para nosso Planeta e nos inspire a cuidar dele como amor, carinho, respeito e, acima de tudo, gratidão.

Tenho certeza que seremos ouvidos! Afinal, quem resistiria a pedidos feitos por crianças, que encontraram uma forma própria e toda especial de evocar as divindades? Elas rezaram através de desenhos. E que desenhos lindos!

Refletimos sobre a responsabilidade com o meio ambiente, mas também sobre o amor e o tempo. Vem aí o Dia dos Namorados. Você está dando um tempo para o amor ou está dando um tempo no amor? Este sentimento precisa ser vivido no tempo presente, com presença e presente.

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá


No outono da vida

postado por Cleidiana Ramos @ 6:40 PM
13 de abril de 2011

Mãe Stella reflete sobre o papel dos velhos. Foto: José Silva | Ag. A TARDE

Maria Stella de Azevedo Santos

O Outono chegou! Engraçado…Vi e ouvi propagandas de Festival de Inverno, Festival de Verão, escolas festejando o Dia da Primavera, mas nenhuma comemoração para a chegada da estação das folhas secas, que se desprendem das árvores e caem na terra – o Outono. Por que será? Perguntei-me. E me dei conta que, perto de completar 86 anos, experimento o outono da vida. Entretanto, não é porque as folhas caem, que os velhos devem se permitir cair também, pois a filosofia yorubana nos ensina: “Ìbè.rè. àgba bi a ánànò ló ri”, que quer dizer, “mesmo quando o velho curva o corpo, ainda continua de pé”.

O religioso tem por obrigação prestar atenção à sucessão das estações, uma vez que elas marcam o ritmo da vida e as etapas do desenvolvimento humano. O Inverno, ligado ao elemento água, refere-se à infância; a Primavera, estação das flores, mostra a fluidez do ar e da juventude; o Verão, a intensidade do sol, símbolo do fogo, demonstra o auge do dinamismo e atuação na vida, características do adulto; o Outono – crepúsculo vespertino – que está ligado ao elemento terra, é a luminosidade do sol e do velho que vai aos poucos se escondendo e se aproximando do horizonte.

Há tempos atrás, não se constituía em problema usar as palavras velhice e velho, pois elas apenas se referiam a uma das etapas do desenvolvimento  dos seres vivos. Atualmente, isso é “politicamente incorreto”. É como se fosse uma desvalorização dessa etapa de vida, chegando ao ponto de se tornar um adjetivo pejorativo. Resolveram adotar a expressão “melhor idade”.

Entretanto, será que existe alguma idade que seja melhor que a outra? Na infância, temos a alegria da criança, acompanhada, no entanto, de uma fragilidade, que deixa os adultos em constante atenção. Na adolescência, o caráter espontâneo não deixa de vir acompanhado de uma coragem inconsequente. Na maturidade, se é dono da própria vida e se carrega, no entanto, o peso da responsabilidade. Na velhice, a tranqüilidade decorrente do acúmulo das experiências vividas é gratificante, energia física, porém, não é mais a mesma – falta “pique”. Percebe-se, assim, que em todas as fases sempre existe uma lacuna. É como diz um dos ditados que os velhos gostam de usar, a fim de passar sua sabedoria para os mais novos: “Na mocidade temos vitalidade e tempo, mas não temos autonomia nem dinheiro; na fase adulta, temos vitalidade e autonomia, mas não temos tempo; na velhice, temos tempo e dinheiro, mas não temos vitalidade.

O candomblé é considerado uma religião primitiva. Geralmente, isso é dito com um sentido de desvalorização. Contudo, uma religião é tida como primitiva por ser de origem primeira, original, vinda desde os primeiros tempos. Na referida religião, como em muitas outras de procedência oriental, e nas tribos indígenas, o velho é muito valorizado, ele é considerado um sábio, tendo uma condição de destaque e respeito.

Na cultura yorubana, o velho é um herói, pois conseguiu vencer a morte, que nos procura e ronda todos os dias. Ele tem sempre a última palavra, a qual não deve ser contestada. Tanto que é comum em África, a pessoa que ainda não completou 42 anos se manter calada durante as assembléias comunitárias, a fim de exercitarem a importante arte de ouvir. No candomblé, tentamos seguir a tradição que herdamos e ensinamos aos iniciantes essa difícil arte. Mesmo que o iniciante se ache com razão, ele tem o dever de ouvir o mais velho de cabeça baixa e pedir a benção, por respeito. Todavia, não lhe é negado o direito, de em momento outro, justificar-se.

Não está fácil manter a tradição hierárquica de respeito ao mais velho: enquanto para o candomblé “antiguidade é posto”, fora dos nossos muros, os mais novos, que vivem em uma sociedade imediatista, não querem ou não conseguem encontrar tempo para ouvir experiências que um dia terão que enfrentar. Até porque os pertencentes à classe da “melhor idade”, não se disponibilizam  mais a assumir o papel de transmissores de conhecimento, pois esta característica deixou de ser valorizada na sociedade atual.

Não quero dizer com isso que o idoso deve recolher-se, deixando de aproveitar a vida, já que quando jovem aprendi com minha Iyalorixá que “a vida é boa e gozá-la convém”. Para o bem da sociedade, o povo yorubá diz: “ola baba ni imú yan gbendeke”, mostrando que “é a honra do pai que permite ao filho caminhar com orgulho”. E eu digo: Todo pai é um mestre e todo filho é um discípulo!

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá


Para anotar na agenda

postado por Cleidiana Ramos @ 5:26 PM
12 de abril de 2011

Amanhã tem artigo novo de Mãe Stella. Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE| 31.07. 2010

Amanhã tem artigo novíssimo de Mãe Stella na página 3 (Opinião) do jornal A TARDE. Já vi a prévia e posso garantir a vocês que está maravilhoso.

Além de ser mais uma amostra da sabedoria da ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá esses textos são históricos, pois é a primeira vez, pelo menos aqui na Bahia, que uma alta sacerdotisa de candomblé se torna colunista de um periódico da chamada grande imprensa.


Mãe Stella faz história mais uma vez

postado por Cleidiana Ramos @ 8:35 PM
1 de março de 2011

Amanhã tem marco histórico nas páginas de Opinião de A TARDE. A cada 15 dias, sempre às quartas-feiras, será publicado um artigo assinado pela ialorixá do Ilê Axé OpÔ Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi.

É a primeira vez, desde a fundação de A TARDE em 1912, que uma ocupante do mais alto posto da hierarquia do candomblé se torna articulista de forma regular no periódico.

Mãe Stella tem intimidade com as letras. É autora de cinco livros: E Daí Aconteceu o Encanto (1988), escrito em parceria com a escritora Cléo Martins; Meu Tempo é Agora (1993); Òsósi – O Caçador de Alegrias (2006), Owé – Provérbios (2007) e Epé Laiyé- terra viva (2009), que é voltado para o público infanto-juvenil.

Mãe Stella, a quinta ialorixá a comandar o Afonjá, terreiro que completou 100 anos em 2010, tem sido uma das importantes representantes do candomblé no Brasil. Na década de 80 redigiu um manifesto, endossado por outras ialorixás como Mãe Menininha, Doné Nicinha, Mãe Teté e Mãe Olga de Alaketu, abordando a necessidade do candomblé se afirmar como religião.


Afro Imagem: Homenagem a Mãe Aninha

postado por Cleidiana Ramos @ 2:25 PM
31 de julho de 2010

Dentre as atividades de comemoração dos 100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá, que vão até amanhã, aconteceu a inauguração do busto de Mãe Aninha, fundadora do terreiro. No clique do repórter fotográfico Fernando Vivas, da Agência A TARDE, Mãe Stella contempla a escultura em homenagem à primeira ialorixá do Afonjá.


Festa dupla na capital: Steve Biko e 100 anos do Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 4:48 PM
30 de julho de 2010

Tuma de uma das ações da Steve Biko que está comemorando 18 anos. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE 2.8.2004

Festa dupla hoje na capital baiana. Além do início das comemorações pelo centenário do Ilê Axé Opô Afonjá (cliquem aqui para conferir a programação) tem a comemoração do  aniversário de 18 anos do Instituto Steve Biko.

Vejam como o tempo passa rápido. Os “bikudos”, como são carinhosamente chamados os integrantes do instituto, já chegaram à maioridade, com um trabalho que merece todas as homenagens possíveis. Até agora cerca de mil estudantes que passaram pelo curso pré-vestibular gratuito do Steve Biko estão na universidade.

A programação de aniversário começa hoje com um seminário no auditório da Biblioteca Pública dos Barris, a partir das 18 horas. O encontro terá a participação de Ceres Santos, Geri Augusto, Edenice Santana e dos Talentos Bikud@s.

Amanhã, sábado, na Praça Tereza Batista no Pelourinho, a partir das 16 horas, tem Talentos Bikud@s, Os Negões, DJ Sankofa, RBF, Afro Jhow, Didá, Aloísio Menezes, Juliana Ribeiro, Grupo Aro 7 e Lazzo Matumbi. Festa show de bola, como o Instituto Steve Biko merece.


Centenário da Casa de Xangô

postado por Cleidiana Ramos @ 1:06 PM
28 de julho de 2010

Mãe Stella coordena as comemorações do centenário do Afonjá. Foto: Diego Mascarenhas| Ag. A TARDE

Essa semana, o Ilê Axé Opô Afonjá realiza uma série de atividades para comemorar o seu centenário. A programação começa na sexta-feira, a partir das 19 horas, é aberta, mas pede-se traje branco. Os eventos acontecerão no barracão de festas do terreiro.

Confiram abaixo as atividaes programadas:

Sexta-Feira, dia 30:

19h- Saudação à Casa: Alabês do Terreiro
19h20- Composição da Mesa de Abertura do Evento: Mãe Stella de Oxóssi e ogã José de Ribamar Feitosa Daniel, presidente da Sociedade Cruz Santo do Axé Opô Afonjá.
20h-Performance do dançarino e coreógrafo norte-americano Clyde Morgan.
20h30- Lançamento de selo personalizado e carimbo pelos Correios.
21h- Apresentação do afoxé Filhos de Gandhy e convidados.

Sábado, dia 31
8h- Inscrição e entrega de material aos participantes
9h- Saudação ritual aos ancestrais e inauguração do busto de Mãe Aninha
9h30-Saudação à Casa e boas vindas
9h40- Mesa Redonda: As Ialorixás do Ilê Axe Opô Afonjá
Mediadora: Professora Yeda Pessoa de Castro
Palestra: Mãe Aninha
Palestrante: Obá Muniz Sodré
Palestra: Tia Cantu- Iyá Egbe do Ase
Palestrante: Babalorixá Bira de Xangô (RJ)
Palestra: No Tempo de Mãe Bada
Palestrante: Ubiratan Castro

11h- Intervalo
11h20-Palestra: No Tempo de Mãe Senhora
Palestrante: Obá Luis Domingos
Palestra: No Tempo de Mãe Ondina
Palestrante: Egbón Adilson Almeida
Palestra: Mãe Stella, a Ialorixá dos 100 anos do Candomblé de São Gonçalo
Palstrante: Jaime Sodré
13h- Engerramento do dia- Tarde Livre
17h- Lançamento de publicações- Livro de Contos, de Tia Detinha e Xangô, de Raul Lody
18h- Exibição do vídeo-memória E Daí Nasceu o Encanto: 100 anos do Candomblé de São Gonçalo
20h- Apresentação do bloco Cortejo Afro e convidados

Domingo- 1º de agosto de 2010
9h- Abertura do Dia- Saudações/atabaques
9h30-Palestra: Em busca das raízes gurunsi do Ilê Axé Opô Afonjá: Uma jornada ao norte de Gana
Palestrante: Maria Paula Adinolfi
10h20- Apresentação dos alunos do grupo de Capoeira do Terreiro
11h- Apresentação dos alunos da oficina de dança do Ilê Axé Opô Afonjá
11h30- Apresentação da Banda Aiyê (Ilê Aiyê e convidados)


Afro Imagem: Vida longa ao Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 11:04 AM
14 de julho de 2010

A Câmara Muncipal de Salvador fez uma bela e justa homenagem aos 100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá na noite de ontem. No registro do repórter fotográfico, Claudionor Júnior, da Agênica A TARDE, aparecem Ribamar Daniel, presidente da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá; a ialorixá do terreiro, Mãe Stella de Oxóssi , e a vereadora Olívia Santana, que propôs a cerimônia.


Festa para o Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 1:06 PM
12 de julho de 2010

Terreiro comandado por Mãe Stella completa 100 anos. Foto: Diego Mascarenhas| Ag. A TARDE

O Ilê Axé Opô Afonjá está comemorando 100 anos. Fundado por Mãe Aninha em 1910, a casa consagrada a Xangô se tornou um dos mais importantes candomblés brasileiros com governos marcados pelo carisma de suas sacerdotisas.

A atual, Mãe Stella de Oxóssi, é admirada não só por seu saber religioso, mas também por sua inteligência aguda traduzida nos livros que escreve. Um deles, Meu Tempo É Agora, está em sua  segunda edição.

Amanhã, às 18 horas, na Câmara Municipal tem sessão especial para comemorar os 100 anos do Afonjá. A seção foi proposta pela vereadora Olívia Santana (PCdoB).

No final do mês tem mais comemorações. Dia 30, a partir das 19horas , acontecerá saudação à casa pelos alabês do terreiro, seguida de performance do dançarino e coreógafo norte-americano Clyde Morgan, lançamento de selo e carimbo pelos Correios e apresentação do afoxé Filhos de Gandhy. O traje pedido para participar da festa é branco.

No dia seguinte, a partir das 8 horas tem mesa redonda e palestras com a particpação de Yeda Pessoa de Castro, Muniz Sodré, babalorixá Bira de Xangô, Ubiratan Castro, Luis Domingos, Adilson Almeida e Jaime Sodré. Nesse mesmo dia  às 17  horas tem o lançamento do Livro de Contos de Tia Detinha e Xangô, de Raul Lody. Às 18 horas será exibido o vídeo-memória E Daí nasceu o Encanto: 100 anos do candomblé de São Gonçalo. Em seguida começa a apresentação do bloco Cortejo Afro e convidados.

No domingo, 1º de agosto, a partir das 9 horas tem palestra com Maria Paula Adinolfi, apresentação dos alunos do grupo de capoeira e da oficina de dança do terreiro e apresentação da Banda Aiyê e convidados.

No dia 26 de agosto o Afonjá vai sediar o encontro de secretários de educação dos municípios da Bahia para discutir a Lei 11.645/08 (que atualizou a Lei. 10.639/03 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira). O evento chama-se Ofin ni Olope (Lei em Ação).

A Escola Eugênia Anna dos Santos que funciona no Afonjá é referência nacional na aplicação da Lei por conta de sua metodologia inovadora que parte de mitos africanos para aplicar todos os conteúdos.


Sessão especial celebra os 100 anos do Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 3:38 PM
10 de junho de 2010

Mãe Stella é a atual ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, terreiro que está comemorando 100 anos. Foto: Margarida Neide| Ag. A TARDE

Amanhã, a Assembléia Legislativa da Bahia faz uma sessão especial para comemorar o centenário do Ilê Axé Opô Afonjá.  A sessão, proposta pelo deputado estadual Bira Corôa (PT-BA) vai começar às 9h30 no plenário da Casa.

O Afonjá é um dos mais tradicionais terreiros de tradição ketu do Brasil. Foi fundado por Mãe Aninha em 1910 e teve uma importante participação na luta contra o preconceito que pairava sob o candomblé.

Mãe Aninha foi uma das mais importantes ialorixás baianas. De uma inteligência e mobilidade políticas impressionantes, soube contornar obstáculos como a proibição do uso dos atabaques conseguindo uma liberação do governo federal por meio do conhecimento que tinha com Osvaldo Aranha, homem forte do primeiro governo Vargas.

Ela também teve uma participação importante no Congresso Afro-Brasileiro, organizado por Édison Carneiro e Martiniano do Bonfim. Mãe Aninha investiu na recuperação de tradições do reino de Oyó e Ketu, de  onde o culto de Xangô é originário. Um dos exemplos dessa reconstrução histórica é o Conselho dos Obás, implantado no Afonjá. Eles são considerados os ministros do culto de Xangô.

Outra ialorixá de destaque foi Mãe Senhora, que conquistou um imenso respeito por seus modos imponentes— era filha de Oxum— e seu conhecimento litúrgico.

Em 1976 a Casa foi assumida pela atual ialorixá, Mãe Stella. Na década de 80 ela foi  repsonsável por um manifesto que conclamava os integrantes do candomblé a reafirmarem sua religião, afastando-se do sincretismo que é o nome dado à associação entre santos católicos e orixás, inquices e voduns. Além disso, até então, era muito comum que ritos do candomblé tivessem algum tipo de correspondência com o catolicismo, como iaôs irem assistir missa após as cerimônias internas nos terreiros.

O manifesto ganhou repercussão e foi assinado também por Mãe Menininha, Olga do Alaketu e Doné Ruinhó. Mãe Stella também tem feito um trabalho de divulgação da filosofia do candomblé por meio da literatura. Ela é autora dos seguintes ivros: E daí aconteceu o Encanto, escrito em parceria com Cléo Martins; Meu Tempo é Agora; Oxóssi o Caçador de Alegrias; Owé- Provérbios e Epé Laiyé- Terra Viva, voltado para o público infanto-juvenil.

Foram também ialorixás do Afonjá: Mãe Bada, sucessora de Mãe Anininha e Mãe Ondina, sucessora de Mãe Senhora.


Abertas inscrições para o Capoeira de Saia

postado por Cleidiana Ramos @ 4:01 PM
10 de maio de 2010

Programa promove capacitação para mulheres capoeiristas. Foto: Gildo Lima | AG. A TARDE

Atenção mulheres que praticam capoeira: estão abertas as inscrições para o programa Capoeira de Saia 2010/Edição Mundial.

A iniciativa é voltada pra a capacitação de mulheres praticantes de capoeira e de áreas relacionadas. A ideia é auxiliá-las a ministrar palestras em festivais, participar de excursões e de cursos de extensão.

As aulas são ministradas por mestres e vão acontecer no período de 26 a 30 de maio no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, localizado no bairro de Santo Antônio Além do Carmo e  conhecido como o Forte da Capoeira.

Segundo a organização do programa,  a palestra de abertura no dia 26, às 19h30, será feita por Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá.

No dia 29, a partir das 16 horas, tem a aula aberta no Farol da Barra. A expectativa dos organizadores é reunir mais de mil participantes.

Para saber mais sobre o programa, clique aqui.


Opô Afonjá é invadido novamente

postado por Cleidiana Ramos @ 6:30 PM
2 de janeiro de 2010

A gravidade do assunto me obriga a interromper o recesso do Mundo Afro que iria até a segunda-feira: Voltaram a invadir e profanar um quarto sagrado do Ilê Axé Opô Afonjá.

O colega jornalista, editor de Opnião de A TARDE e blogger do Jeito Baiano, Jary Cardoso, foi quem me ligou para dar esta notícia, pois tinha acabado de receber um e-mail com um relato sobre o acontecimento.  Acabo de confirmar a nóticia com o presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santo do Ilê Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel.

Desta vez profanaram o quarto de Oxum e, logo num sábado, dia em que ela é celebrada.  Tudo indica que a invasão foi pela manhã. Remexeram tudo, muito semelhante à invasão que aconteceu em novembro no quarto de Oxalá.

Não é possível que desta vez  não serão adotadas providências enérgicas para conter esta barbaridade. É necessária uma investigação minuciosa para esclarecer quem ou o que está por trás disso.

Vale lembrar que o  Ilê Axé Opô Afonjá é considerado patrimônio nacional, pois tem o reconhecimento nesta categoria pelo Iphan, um órgão do governo brasileiro.

Ninguém desconhece que o Estado é laico, mas ele tem o dever de proteger não só a liberdade de culto, um princípio constitucional, como também o patrimônio cultural do Brasil, categoria em que os templos afro-brasileiros estão incluídos.


Mãe Stella de Oxóssi esclarece sobre o candomblé

postado por Cleidiana Ramos @ 5:44 PM
27 de dezembro de 2009
Mãe Stella vai dar coletiva para falar sobre princípios do candomblé. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Mãe Stella vai dar coletiva para falar sobre princípios do candomblé. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Recebi uma mensagem do presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel, avisando que, na próxima quarta-feira, Mãe Stella de Oxóssi vai dar uma coletiva para falar sobre o episódio de introdução das agulhas em um menino de dois anos.

Fico contente que uma sacerdotisa do candomblé se levante para explicar que este tipo de procedimento nada tem a ver com a prática das religiões de matriz africana.  É uma conclusão óbvia, mas que muita gente não só por ignorância, mas também por preconceito e maldade continua a tentar caracterizar como um ritual ligado ao candomblé, principalmente. 

Ainda  não tinha falado aqui sobre esse assunto, pois diante da sua complexidade preferi apelar para um especialista que já está preparando um material especial para o Mundo Afro.


Solidariedade ao Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 12:11 PM
15 de dezembro de 2009
O vice-prefeito, Edvaldo Brito, foi recebido por Mãe Stella de Oxóssi. Foto: Ascom| Divulgação

O vice-prefeito, Edvaldo Brito, foi recebido por Mãe Stella de Oxóssi. Foto: Ascom| Divulgação

O vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, esteve ontem no Ilê Axé Opô Afonjá. O professor Edvaldo, como é mais conhecido por conta da sua carreira na universidade e no âmbito do Direito, foi prestar solidariedade à comunidade do terreiro por conta dos atos de vandalismo contra o Afonjá, ocorridos no último dia 30.

Marginais invadiram o quarto de Oxalá e destruíram as instalações do espaço sagrado. O vice-prefeito, filho de Ogum do Gantois, onde ocupa o posto de Babá Egbé, um dos mais ilustres na hierarquia masculina da Casa, assegurou que a prefeitura vai realizar melhorias no terreiro,como reforço de iluminação em locais de circulação pública e execução de um projeto paisagístico.

Numa praça será colocado o busto de Mãe Anininha, fundadora do Afonjá, que comemora, no próximo ano, o seu centenário de fundação.

O professor Edvaldo foi recebido pela ialorixá do Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi, e pelo presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel.

O gesto do professor Edvaldo é emblemático não só por conta de demonstrar repúdio à agressão contra o Afonjá, mas também de mostrar uma ação do poder público em preservar um patrimônio que tem  o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas que também é imaterial.


Agressão ao Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 2:00 PM
1 de dezembro de 2009
Área do Ilê Axé Opô Afonjá foi invadida. Foto: Geraldo Ataide |AG. A TARDE| 31.10.2002.

Área do Ilê Axé Opô Afonjá foi invadida. Foto: Geraldo Ataide |AG. A TARDE| 31.10.2002.

Uma notícia triste: o Ilê Axé Opô Afonjá, comandado por Mãe Stella de Oxóssi, foi invadido na madrugada de domingo por ladrões. Eles não respeitaram nem sequer os espaços sagrados pois reviraram o quarto de Oxalá à procura de objetos valiosos.

“Foi um episódio de vandalismo”, descreveu o ogã Ribamar Daniel para a matéria da minha colega repórter em A TARDE, Helga Cirino, publicada na edição de hoje.  Ribamar Daniel é o presidente da Sociedade Civil Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá, a representação civil do terreiro.

O episódio remete à questão de proteção pública para estes espaços. Claro que sabemos da laicidade do Estado, mas estes templos, assim como os de outras religiões, fazem parte do patrimônio material e imaterial do Brasil. O Afonjá é um dos mais conhecidos terreiros baianos, mas não é de hoje os pedidos reiterados da comunidade para a realização de uma obra de contenção que isole o espaço religioso de parte da via pública. Parte do terreno do templo já foi até usado para campo de futebol.  

Na visita que o ministro Edson Santos realizou em outubro a sete terreiros de candomblé da cidade, incluindo o Afonjá, todos os seus líderes fizeram queixas em relação a problemas de infra-estrutura. Por conta da própria expansão desordenada de Salvador, os  terreiros foram sufocados, perdendo a cada dia partes das suas áreas que em alguns casos formaram vários bairros.

É o caso, por exemplo, do Engenho Velho da Federação, que se formou no entorno de casas religiosas como o Bogum e o Cobre. O próprio Afonjá foi fundamental, sem dúvidas, para a expansão de São Gonçalo do Retiro. Tudo que era possível para a comunidade fazer foi feito, como o registro de queixa na polícia. Vamos agora acompanhar que tipo de providências será adotada.          


Doutora Mãe Stella de Oxóssi

postado por Cleidiana Ramos @ 4:44 PM
10 de setembro de 2009
Mãe Stella ao lado do reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim na cerimônia em que recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Uneb. Foto: Claudionor  Junior | AG.  A TARDE

Mãe Stella ao lado do reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim, na cerimônia em que ela recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Uneb. Foto: Claudionor Junior | AG. A TARDE

Uma cerimônia belíssima e emocionante marcou a cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Mãe Stella de Oxóssi na manhã de hoje. Foi a primeira vez que a Uneb concedeu a sua honraria máxima a uma mulher.

A festa foi marcada por homenagens a Oxóssi, orixá a quem Mãe Stella é consagrada. A canção que embalou a sua recepeção para a cerimônia é uma das usadas para saudar a divindade.

No lugar da beca preta que, geralmente, é usada pelos homenageados em cerimônias deste tipo, Mãe Stella vestiu uma em tom azul-turquesa, assim como a borla (espécie de chapéu) e a pelerine, acessório que lembra um manto. O azul turquesa é a cor de Oxóssi nos candomblés ketu, tradição seguida pelo Afonjá. 

Nos discursos de saudação a  Mãe Stella esteve sempre a lembrança da sua luta pela preservação dos elementos da sua religiosidade e em defesa de outros aspectos da cultura afro-brasileira, além de ações como a instalação da escola Eugênia Anna dos Santos, referência no ensino de Historia da África e Cultura Afro-Brasileira. A escola funciona  no espaço do Opô Afonjá. 

Esta homenagem é a primeira de muitas pela celebração dos 70 anos de iniciação religiosa de Mãe Stella.


Palestras sobre memória e patrimônio no Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 4:54 PM
26 de agosto de 2009
Mãe Stella é uma das palestras do ciclo de debates sobre patrimônio e memória. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Mãe Stella é uma das palestras do ciclo de debates sobre patrimônio e memória. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

No próximo sábado tem mais uma rodada de conversa sobre patrimônio e memória no Ilê Axé Opô Afonjá (São Gonçalo do Retiro), a partir das 9 horas.

Dentre os temas que serão abordados estão arquitetura e urbanização e suas relações com o meio ambiente, documentação e acesso à informação como instrumentos de preservação e arte e memória iconográfica. (confiram a programação abaixo).

O ciclo de palestras faz parte das ações preparatórias para as comemorações do centenário do Afonjá que acontece no ano que vem. Eles integram um projeto denominado Programa de Educação para o Patrimônio do Centro de Documentação e Memória do Afonjá.

Dia: Sábado, 29

Mesa de abertura: ialorixá Mãe Stella, Ribamar Daniel,presidente do Conselho Civil e Marcos Santana – Coordenador do CDM.
9h30 Arquitetura, urbanização e meio ambiente
Apresentadores: Prof. Dr. Fábio Velame – (Ufba) e Carlos Amorim – IPHAN-BA. Mediador: Prof. Carlos Alberto Caetano – Afonjá
14h- Documentação e acesso à informação como instrumentos de preservação
Apresentadores: Ildete Santos Silva – Uneb; Lídia Tutain – ICI/Ufba; e Maria Cristina Santos – FPC
Mediador: Nelson Santos Filho– CDM – Afonjá
16h- Arte e memória iconográfica
Apresentadores: Prof. Cláudio Pereira – Ceao/Ufba e Prof. Ms. Aírson Heráclito – UFRB. Mediador: Silverino Ojú – CDM-Afonjá


Espaço Público: Filho de Ogum na Prefeitura de Salvador

postado por Cleidiana Ramos @ 7:54 AM
18 de junho de 2009
Edvaldo Brito é o vice-prefeito de Salvador. Foto: Elói Corrêa | AG A TARDE

Edvaldo Brito é o vice-prefeito de Salvador. Foto: Elói Corrêa | AG A TARDE

No último dia 9, o jurista Edvaldo Brito, 71 anos, mais uma vez fez história. Ele assumiu como prefeito interino de Salvador. O titular, João Henrique, estava em viagem de trabalho.

Até hoje Brito é o único negro a ter ocupado o mais alto cargo público executivo da capital da Bahia, no período de 1978 a 1979.

Na sua volta à política, Brito, que é babá egbé no Terreiro do Gantois, dividiu a chapa e agora a administração da cidade com o evangélico João Henrique. Do ponto de vista simbólico vale como um tapa de luva para os que insistem em não respeitar a liberdade de crença.

“A minha relação com o prefeito é ótima e ele tem compreendido bastante as minhas incursões por este viés afrodescendente e pelo candomblé que é plural”, destaca.

Considerado um dos melhores advogados tributaristas do Brasil,doutor em direito, professor de várias instituições de ensino, dentre as quais a Ufba, Brito ocupou o posto de Secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo de 1997 a 2001.

Este homem das ciências jurídicas é filho do orixá da tecnologia e dos metais, Ogum, e revela que teve um momento em que se afastou da religião vivida em família. Ele é sobrinho da célebre Bida de Iemanjá. 

“Como todo jovem tive minhas dúvidas, num momento em que as preocupações materiais falam mais alto. Mas voltei com toda a carga e recebi o primeiro posto no Gantois- opô ontum lo lalé, que é o braço direito do axé do terreiro- me dado por Mãe Menininha. Após a vacância de 21 anos do posto de babá egbé, fui escolhido pelos búzios para assumir”. relata. 

Este retorno do professor Edvaldo, como também é frequentemente chamado, ao Gantois se deu numa situação emocionante: secretário de Justiça do governo Roberto Santos ele foi escolhido pelo governador para condecorar Mãe Menininha.

Na hora de colocar a medalha, o movimento corporal o obrigou a ficar de joelhos. Ali ele começou a trilhar o caminho de volta ao convívio da família comandada pela ialorixá filha de Oxum.

Da mesma forma emocionada como conta este episódio, Brito, um orador que encanta quem o escuta, relata a sua participação na inauguração do espaço das baianas na Praça da Sé no último dia 9.

“Eu fiquei ali lembrando e falei que minha tia Helena de Oxum vendia acarajé há dois passos de onde estávamos. Depois ela foi para o Rio de Janeiro ficar com minha outa tia, Bida de Iemanjá, e as duas pagavam um quarto no Tororó onde eu fiquei enquanto estudava. É só um exemplo de como este segmento afro movimenta esta cidade. Por isso terminei meu discurso com uma saudação a Ogum que acho que chegou até a América do Norte”, completa.

Em 1983 o professor Edvaldo foi o organizador de um evento que fez história: a II Conferência Mundial das Religiões Afrodescendentes. Foi neste encontro que aconteceu a divulgação do famoso manifesto encabeçado pela ialorixá Stella de Oxóssi que defendia o candomblé como religião e alertava para os problemas em relação a isso que a manutenção do sincretismo com o catolicismo poderia causar.     

“Eu, de candomblé, tive também uma educação com base em princípios cristãos. Continuo tendo o maior respeito pelos cristãos, pelos católicos e por isso espero que também os cristãos de qualquer denominação tenham respeito ao candomblé, o que não vem acontecendo em muitas vertentes”, acrescenta.

Como co-administrador da cidade, Brito afirma estar atento às críticas sobre as seguidas alterações na administração João Henrique na titularidade da Semur. “Há questões políticas para esta mudança, claro, mas a mudança do secretário não interfere no projeto maior que é o de manter o respeito a esta questão da reparação ao qual continuo atento”.              


Vídeo com entrevista de Mãe Stella

postado por Cleidiana Ramos @ 1:02 PM
5 de maio de 2009
Vídeo traz entrevista com ialorixá do Opô Afonjá. Foto: Rejane Carneiro|AG. A TARDE

Vídeo traz entrevista com ialorixá do Opô Afonjá. Foto: Rejane Carneiro|AG. A TARDE

Disponibilizo aqui para vocês o vídeo da entrevista feita com Mãe Setella de Oxóssi pela repórter Marta Erhardt da Web TV A TARDE para a série “Memórias da Bahia”. O conteúdo também foi disponibilizado na edição de domingo do jornal A TARDE. 

Acessem o link aqui para conferir a entrevista em vídeo.

O vídeo deveria ir ao ar no sábado e no domingo, mas devido a um problema técnico não foi possível.  Dá para conferir também no portal A TARDE (www.atarde.com.br).