Historinhas afro-brasileiras

postado por Cleidiana Ramos @ 8:20 AM
27 de janeiro de 2010

Está publicada aí abaixo a primeira das três histórias vencedoras da 1ª Promoção Cultural do Mundo Afro. A história conta a criação do homem, segundo a versão de povos africanos e foi enviada por Iele Portugal.


Educaxé- O negro e a política- Parte V

postado por Cleidiana Ramos @ 5:51 PM
20 de agosto de 2009
As lutas ganharam várias frentes, atualmente, como os quilombos. Foto: Antonio Queirós| AG. A TARDE| 25.6.2004

As lutas ganharam várias frentes, atualmente, como os quilombos. Foto: Antonio Queirós| AG. A TARDE| 25.6.2004

A Frente Negra Basileira

Jaime Sodré

O texto de hoje é um trecho extraído do depoimento de Francisco Lucrécio para o livro Frente Negra Brasileira:
 

“A Frente Negra Brasileira foi fundada em 16 de setembro de 1931 e durou até 1937, tornando-se partido político em 1936. Foi a mais importante entidade de afrodescendentes na primeira metade do século, no campo sócio-político. A Frente Negra foi um movimento social que ajudou muito nas lutas pelas posições do negro aqui em São Paulo.

Existiam diversas entidades negras. Todas essas entidades cuidavam da parte recreativa e social, mas a Frente veio com um programa de luta para conquistar posições para o negro em todos os setores da vida brasileira. Um dos seus departamentos, inclusive, enveredou pela questão política, porque nós chegamos à conclusão de que, para conquistar o que desejávamos, teríamos de lutar no campo político, teríamos de ter um partido que verdadeiramente nos representasse.

A consciência que existia na época eu acho que era muito mais forte que a que existe agora. Quando o negro sente uma pressão, quando qualquer agrupamento humano sente uma pressão, procura um meio de defesa. A pressão era tão forte que muitos jornais publicavam: “Precisa-se de empregado, mas não queremos de cor”.

Havia alguns movimentos também no interior, principalmente nos lugares em que os negros não passeavam nos jardins, mas na calçada. Muitas famílias não aceitavam, inclusive, empregadas domésticas negras; começaram a aceitar quando se criou a Frente Negra Brasileira. Chegou-se ao ponto de exigir que essas negras tivessem as carteirinhas da Frente.

Então, essa consciência era muito mais acentuada do que nos dias atuais. Porque hoje os jovens negros, a meu ver, estão muito acomodados, não sei se por receio ou não. A Frente Negra funcionava perfeitamente. Lá havia o departamento esportivo, o musical, o feminino, o educacional, o de instrução moral e cívica. Todos os departamentos tinham a sua diretoria, e o Grande Conselho supervisionava todos eles. Trabalhavam muito bem.

Dessa forma, muitas entidades de negros que cuidavam de recreação filiaram-se à Frente Negra. E existiam diversas sociedades em São Paulo e pelo interior afora. Por isso a Frente cresceu muito, cresceu de uma tal maneira que tinha delegação no Rio de Janeiro, na Bahia, no Rio Grande do Sul, e, Minas Gerais etc.”

 


Sobre apoio pedagógico e generosidade

postado por Cleidiana Ramos @ 3:20 PM
11 de agosto de 2009
Jaime Sodré escreve os textos da série Educaxé aqui no Mundo Afro. Foto: Rejane Carneiro

Jaime Sodré escreve os textos da série Educaxé aqui no Mundo Afro. Foto: Rejane Carneiro

Para os que já acompanham, está aí abaixo mais um capítulo da série Educaxé. Aos navegantes de primeira viagem explico:

Trata-se de uma série de textos produzidos pelo professor Jaime Sodré para servir de apoio pedagógico para o cumprimento da Lei 11.645/08 (mais conhecida pelo número da sua primeira versão- 10.639/03) que estabelece a obrigatoriedade de ensino de História da África, Cultura Afro-Brasileira e História e Cultura Indígenas em todas as escolas brasileiras.

Na primeira parte da série tratamos  do Engenho Velho da Federação, um dos bairros com população predominantemente negra em Salvador, além de ser o endereço de terreiros de candomblé das mais variadas tradições.  O passeio pelo bairro aconteceu, principalmente, via  a história do  Bogum.

Agora nesta segunda parte estamos abordando o tema O Negro e a Política. Cada texto traz perguntas que podem auxiliar a pesquisa de assuntos pertinentes ao que é abordado no capítulo. Portanto, aproveitem este gesto de generosidade de compartilhar conhecimentos, feito pelo professor Jaime. Obrigada mais uma vez e, a benção, mestre!


Educaxé: O negro e a Política- Parte II

postado por Cleidiana Ramos @ 3:19 PM
11 de agosto de 2009
A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi um dos canais de apoio à população negra do período colonial. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi um dos canais de apoio à população negra do período colonial. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Formas de Resistência ao Sistema Escravista

Jaime Sodré

Os escravos reagiam de diferentes maneiras diante da violência e da opressão provocadas pelo sistema escravista. Da mesma forma que promoviam fugas e revoltas, aproveitavam a existência de pequenos espaços para a negociação. Espaços que eles próprios conquistaram ao mostrarem aos senhores a necessidade de terem certa autonomia para o bom funcionamento do sistema escravista.

Os senhores conscientes de que dependiam do trabalho escravo – que não raro era especializado – permitiam uma margem para a negociação. Por meio de várias estratégias, que iam desde o enfrentamento direto até a obediência e a fidelidade para com o senhor, encontravam formas para alcançar a liberdade. Uma delas a carta de alforria.

A partir do século XVII, os escravos que sofriam de maus-tratos do seu proprietário, podiam trocar de senhor ou entrar com uma ação judicial de liberdade. Os escravos tomavam também a iniciativa de acionar as autoridades judiciais, muitas vezes com o apoio das irmandades religiosas destinadas aos negros, contra os proprietários que tentavam dificultar a obtenção da alforria.

A alforria poderia ser adquirida gratuitamente ou por meio do pagamento em dinheiro, prestações ou em uma só vez. Outra forma era o depósito de um outro escravo em seu lugar. Contudo, a alforria era sempre revogável. Assim como o proprietário assinava a carta de liberdade, ele poderia anulá-la a qualquer momento. Isso poderia ser feito tendo como justificativa o mau comportamento do escravo.

A maioria das cartas de alforria era onerosa, pelas quais o escravo deveria pagar uma quantia em dinheiro para ressarcir o prejuízo do proprietário ou recompensá-lo indiretamente com a prestação de serviços, permanecendo em sua companhia até a morte, servindo ao cônjuge e  “não ser ingrato ou dar desgosto”.

Essa última condição significava não cometer nenhuma atitude que colocasse em risco a propriedade do senhor ou a sua produção; não atacar física ou moralmente  o proprietário e a sua família e socorrê-lo em caso de doença. Dessa maneira, os proprietários adiavam a liberdade do escravo, pois este deveria primeiramente trabalhar para conseguir pagá-la ou se dedicar aos cuidados do senhor. Apenas uma parcela pequena das cartas de alforria era totalmente gratuita, não exigindo nenhuma contrapartida do escravo.

Assim, o escravo tratava de conseguir dinheiro para comprar sua alforria, obtendo-a como empréstimo ou doação. Para tanto, a rede de solidariedade era fundamental ao cativo. Membros de sua família, amigos, vizinhos, padrinhos, nesse momento contribuíam, de maneira significativa, para o sonho de liberdade tornar-se realidade.

É preciso lembrar que o casamento podia ser considerado uma possibilidade palpável para a obtenção da alforria. Assim, esta raramente aparecia como um projeto individual. Havia, então, o envolvimento do cônjuge, que muitas vezes acabava por libertar seu companheiro. A instituição do casamento tornava-se ainda mais importante para os escravos de origem africana, pois eram estrangeiros em terra de brancos. Tentavam encontrar no matrimônio um apoio, uma segurança.

Um tipo de alforria muito recorrente era aquela apresentada como a última vontade do proprietário, isto é, em testamento. Podia ser incondicional, pela qual o escravo ganhava a liberdade assim que era aberto o testamento, ou condicional, quando ele tinha de cumprir alguma determinação do seu proprietário antes de receber a carta de alforria. Africano de distintos grupos étnicos, crioulo, pardo ou mulato, homem ou mulher, jovem ou idoso, o escravo era lembrado, com frequência, no testamento do seu proprietário.

Recebia recompensas pelos “bons serviços” prestados ao dono e demais parentes da casa, sendo deixado liberto após a morte do senhor. Os escravos que recebiam alforria ainda em vida do seu senhor tinham esse benefício reforçado em testamento.Deve ser esclarecido que o senhor não concedia a liberdade ao seu escravo somente por generosidade. Havia um cálculo político por detrás dessa ação, na medida em que o senhor controlava o comportamento do cativo, através do oferecimento da possibilidade da sua alforria. Dessa maneira, procurava fazer com que esse obedecesse e realizasse os seus serviços de forma satisfatória. Por outro lado, na esperança da recompensa, o escravo cumpria s sua parte no “trato”, visando alcançar a liberdade.

Nota-se que, nos testamentos, as mulheres escravas, além de serem contempladas em número maior com a alforria, apareciam com mais frequência como herdeiras dos bens do proprietário. Em geral, as libertas eram herdeiras de mulheres solteiras ou viúvas. Nesse caso, havia entre a senhora e a escrava um certo vínculo de amizade, poder-se-ia até dizer afetivo. A escrava era sua companheira, com quem contava para seus serviços e seus cuidados. Também as mulheres recebiam com mais frequência a alforria por conta do seu valor menor no mercado em relação aos escravos homens. Dessa forma, a sua substituição custaria menos ao proprietário.

No entanto, após atingirem o seu maior objetivo – a liberdade -, os então libertos tiveram que sobreviver por conta própria e se inserir na sociedade. O preconceito se fazia presente, inclusive na Constituição do Império, que os impedia de adquirir direitos eletivos. Podiam somente participar de eleições primárias. Também não podiam se candidatar, sendo-lhes proibido o exercício de cargos como jurado, juiz de paz, delegado, subdelegado, promotor, conselheiro, deputado, senador, ministro, magistrado ou referentes ao corpo diplomático e eclesiásticos.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. O que foi a Revolução dos Búzios?
2. Quais os mecanismos utilizados pelos escravos para a obtenção da alforria no Brasil?
3. Qual o papel das irmandades religiosas negras nas estratégias para a obtenção de liberdade em meio à escravidão?
4. Quando surgiu a Irmande de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos na Bahia e quais as suas principais características?
5. Quando surgiu, na Bahia, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e quais as suas principais características?
6. O que você sabe sobre a Sociedade dos Desvalidos em Salvador?
7. Quais destas associações negras surgidas no período colonial ainda estão em atividade na Bahia?

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé.    


A seção Educaxé está de volta

postado por Cleidiana Ramos @ 2:57 PM
6 de agosto de 2009

O professor Jaime Sodré coloca  à nossa disposição a segunda parte deste rico, eficiente e solidário auxílio pedagógico chamdo Educaxé.  

Agora os textos disponibilizados estarão tratando da política e suas relações com a questão étnico-racial. O primeiro capítulo já está disponível aí abaixo. Aproveitem. Lembro que os capítulos serão publicados às terças e quintas. 


Educaxé: O negro e a política- Parte I

postado por Cleidiana Ramos @ 2:52 PM
6 de agosto de 2009
Nicolau Maquiavel é o autor do célebre livro "O Princípe". Foto: Reprodução| Arquivo A TARDE

Nicolau Maquiavel é o autor do célebre livro "O Princípe". Foto: Reprodução| Arquivo A TARDE

Jaime Sodré

Entende-se por política, dentre muitas definições, a atividade que resulta em organização, direção ou administração de ações em beneficio de uma comunidade. A grosso modo podemos dividi-la entre política interna e política externa. Em uma sociedade democrática esta atividade pode corresponder às ações dos cidadãos que ocupam cargos públicos, levados ao poder pelo voto, efetivada pelos seus co-cidadãos.

A palavra Política é de origem grega. Os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas Polis, nome do qual se origina a palavra Politike, no sentido geral, e Politikós no sentido de cidadãos.  Para Aristóteles, “o homem é um animal político”.

Em termo de ações básicas, a arte da política implica em gerenciar o modo de governo por meio de uma organização política; aplicar meios adequados e licítos para a obtenção de vantagens, o que, segundo Bertrand Russel seria “o conjunto de meios que permitem alcançar os efeitos desejados”.

Já para Nicolau Maquiavel, no célebre O Príncipe, seria “a arte de conquistar, manter e exercer o poder”, ou seja, o governo. Na época contemporânea, política ganhou novos significados, tais como: ciência do Estado, doutrina do Estado, ciência política ou filosofia política.

A política é exercida pela conquista do poder, que poderá, em síntese, significar o “poder econômico”, ou seja, a posse de certos bens ou fatores de produção. Histórica fonte de poder em relação às classes que detêm a força de trabalho, logo, quem tem fartura de poder econômico poderá determinar o comportamento de quem não o tem, mediante promessa ou concessão de vantagens.

Já o “Poder ideológico” baseia-se na influência que as ideias exercem sobre a visão e conduto de grupos sociais, responsáveis pelas ações e coesão dos grupos. O “Poder político” serve-se de diversos instrumentos, objetivando ações aplicadas a um determinado grupo social, extensiva às ações de força, que a detém, exclusivamente, em relação aos grupos sob a sua influência.

O que a política pretende, em suma, é alcançar por suas ações democráticas a unidade do Estado, garantia de direitos e deveres iguais, estabilidade, o bem-estar coletivo, a prosperidade, a liberdade, os direitos civis e políticos, os direitos humanos, a independência nacional, dentre outros benefícios.

Propomos que vocês observem a aplicação do “exercício político” por parte de “grupos negros”, no decorrer da história do Brasil, África e a diáspora, identificando ações antagônicas ou de coesão, dentro de um mesmo grupo racial ou etnias antagonistas.

Sugerimos também o levantamento dos partidos políticos e seus ideários, principalmente no Brasil, e a relação de políticos negros ou não, comprometidos com os anseios da comunidade afro-brasileira.     

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema: 

1. O que é política?

2. Quem foi Aristóteles?

3. Quais as principais conclusões de Maquiavel em seu livro O Princípe? 

 

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé
 

 


Edital para promoção da cultura negra

postado por Cleidiana Ramos @ 3:29 PM
4 de agosto de 2009
Zulu Araújo é o  presidente da Fundação Cultural Palmares. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Zulu Araújo é o presidente da Fundação Cultural Palmares. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Tem edital da Fundação Cultural Palmares para apoiar projetos de promoção da cultura negra.  O financiamento totaliza cerca de  R$ 400 mil. Para concorrer os projetos tem que ter como direção a Lei 10639/03, que detemina o ensino de Históira da África e Cultura Afro-Brasileira, com enfoque em atividades culturais comemorativas ao Dia Nacional da Consciência Negra 2009.

O tema das atividades deve ser Renascimento Africano- Fesman. O Festival de Música e Artes Negras (Fesman), cuja realização prevista para dezembro deste ano acaba de ser adiada (Veja mais aqui sobre o adiamento). Elas devem ser direcionadas para crianças e jovens em idade escolar.  

As inscrições já estão abertas e vão até o dia 14 de setembro. O projeto deve propor ações para todo o mês de novembro em pelo menos uma das seguintes expressões artísticas e sociais: teatro, dança, literatura, música, cinema, moda, design, artesanato, culinária, formação cultural ou seminários com temas políticos e sociais voltadas para a questão negra. 

As propostas podem ser inscritas em duas categorias: Projeto individual, voltado para artistas que desenvolvem trabalhos ligados à cultura negra; e Projeto de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos, que também trabalhem com estes temas e tenham, no mínimo, três anos de fundação.

Cada projeto individual selecionado receberá R$ 20 mil. Até dez projetos podem ser contemplados. Já a categoria de entidades privadas vai premiar cinco propostas com um prêmio de até R$ 40 mil por projeto.

Para acesso à versão on line do edital clique aqui .  Já  neste link você encontra mais informações sobre o processo de seleção.


Primeiro bloco encerrado

postado por Cleidiana Ramos @ 2:08 PM
16 de julho de 2009

Com a publicação do quinto capítulo, o bloco do Educaxé sobre o Bogum está finalizado. O professor Jaime Sodré já prepara uma nova série de textos bem interessantes. A idéia inicial é que ela discuta a participação de militantes negros na política brasileira.

Lembro que os capítulos estão sendo publicados às terças e quintas com o objetivo de fornecer material para o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.


Educaxé- Bogum Parte V

postado por Cleidiana Ramos @ 2:00 PM
16 de julho de 2009
Comunidade do Bogum reunida durante visita do ator Danny Gloover em 2003. Foto: Fernando Vivas

Comunidade do Bogum reunida durante visita do ator Danny Gloover em 2003. Foto: Fernando Vivas

 

Respeito e Admiração

As autoridades religiosas do Bogum gozam do respeito da comunidade do povo-de-santo. São citados em reconhecimento os nomes das Donés Emiliana, Ruinhó, Nicinha e Índia, inclui-se a Deré Romaninha de Pó, ekede Santa e os huntós ou ogãs Manoel da Silva, Romão, Amâncio de Melo, Edvaldo, Duarte, Lídio, Sargento Celestino, Gilberto Roque, Antonio Jorge, Jackson, Ailton, Luizinho, Tico, dentre muitos outros.

As suas festas são freqüentadas por centenas e centenas de amigos, simpatizantes e admiradores. O Bogum convive harmoniosamente com os templos vizinhos, a exemplo do Ilê Obá do Cobre, Tanuri Junçara, Casa Branca, Odé Mirim, Unzó Oquinin Bamborucema, Terreiro de Oxumaré, Terreiro do Gantois e outros distantes, incluindo os localizados em outros Estados em especial os do Maranhão (também reduto jeje) e os do Rio de Janeiro. Do ponto de vista internacional existem laços com o Benim e Haiti.

Citada em inúmeras obras, a comunidade jeje do Bogum recebe um bom conceito por suas práticas litúrgicas na etnografia dos cultos afro-brasileiros.

O Zoogodô Bogum Malê Rundó resiste ao tempo e aos desafios através do empenho da Nandoji Índia na manutenção das regras que sempre caracterizaram o povo do Bogum, educando os seus fiéis com valores elevados da sua história e digna resistência.

É um trabalho que necessita do empenho dos seus filhos para a perpetuação da Casa como símbolo de referência da comunidade religiosa afro-brasileira. Com a força dos voduns, apesar dos problemas, decorrentes da condição humana, assim será.

Bibliografia de apoio:
 

Lendas Africanas dos Orixás -Pierre Fatumbi Verger
Orixás- Pierre Fatumbi Verger
Olóòrìsà – Escritos sobre a religião dos orixás- Vários autores
Candomblés da Bahia- Édison Carneiro
Ancestralidade Afro-Brasileira o Culto de Babá Egum- Júlio Braga
A refuge in thunder candomblé andalternative spaces of blackness- Rachel E. Harding
Candomblé – Religião e Resistência Cultural- Raul Lody
O candomblé da Bahia- Roger Bastide
Os orixás – na vida dos que neles acreditam- Maria de Lourdes Siqueira
As Américas Negras-  Roger Bastide


Mais Educaxé

postado por Cleidiana Ramos @ 3:02 PM
30 de junho de 2009

Confiram abaixo mais um capítulo da série Educaxé. O material preparado pelo professor Jaime Sodré tem o objetivo de auxiliar as atividades de aplicação da Lei 11.645/08, que atualizou a 10.639/03.

Esta legislação determina o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira, além da História e Cultura Índigenas em todas as escolas do País.

A série vai ser publicada aqui sempre às terças e quintas-feiras. Além do texto há uma lista de perguntas. Elas podem servir para aprofundar a pesquisa sobre o tema abordado.  


Educaxé: Bogum- Parte II

postado por Cleidiana Ramos @ 2:56 PM
30 de junho de 2009
 

 

Doné Nicinha comandou o Bogum de 1978 a 1994. Foto: Arquivo A TARDE

Doné Nicinha comandou o Bogum de 1978 a 1994. Foto: Arquivo A TARDE

 

O CLÃ

Jaime Sodré

Dos anos 30 aos anos 50 comenta-se o sacerdócio da Doné Emiliana da Piedade, vodunsi de Ágüe. Seguida por Maria Romana Moreira, Romaninha de Pó, na condição de Deré, assumindo por um breve período os destinos do Bogum, entre 1953 a 1956, fato que não conta com a unanimidade.

A partir de Valentina Maria dos Anjos, a famosa Mãe Runhó, consagrada a Sogbo Adan, de 1960 a 1975, a linha sucessora parece clara e sem contestações.

Segue-se o período glorioso de Evangelista dos Anjos Costa, Lokossi, a sempre lembrada Mãe Nicinha, de Loko. Sua regência, mantendo as tradições mais caras do Bogum, estendeu-se de 1978 a 1994.

Chegamos aos dias atuais e à escolha da seguidora de Mãe Nicinha, cujos feitos memoráveis foram a reforma do espaço sagrado do seu templo e a solicitação da inclusão do Artigo 27o na Constituição Baiana. Os búzios, exaltados pelo Oluwó Agenor Miranda, em 30 de maio de 2002, indicou o nome de Zaildes Iracema de Mello, hieronímio Nandoji, uma filha de Azonsu, conhecida por Mãe Índia, neta da venerável Runhó, assumindo o cargo em 11 de agosto de 2003, com 36 anos de idade e no vigor da sua juventude.

Realizou a ampliação e reformas do sítio religioso do Bogum, (a primeira reforma fora feita na gestão de Gilberto Gil à frente da Fundação Gregório de Mattos e a segunda reforma na gestão do prefeito Antonio Imbassay).

A biografia religiosa de Mãe Índia, ou Nandoji Índia, começa com a sua iniciação pelas mãos de Doné Nicinha, tendo como pai pequeno o humbono Pai Vicente do Matatu, um grande sacerdote do rito jeje, iniciado na vida religiosa por Maria Romana.

Nandoji Índia seria a primeira na ordem iniciática, com a titulação de dofona do seu barco. Filha de uma família que manteve as tradições jeje, tem como pais dona Antonia Firmina de Melo e o sempre lembrado, pelos seus profundos conhecimentos das tradições religiosas jeje, Amâncio Melo.

Dedica-se atualmente à vida sacerdotal, já inaugurando alguns barcos (em torno de três). É difícil elaborar uma listagem completa dos iniciados no Bogum, porém julgamos serem muitos. Calcula-se em, no mínimo, 60 a 100 barcos somando-se os de Doné Runhó, Mãe Nicinha, Emiliana de Ágüe, Romaninha de Pó e Valentina.

Textos-base:

1. Nicolau Parés- A Formação do candomblé- História e Ritual da Nação Jeje na Bahia. Editora Unicamp. Félix Ayoh´omidire. ÀKỌGBÀDÙN – ABC da língua, cultura e civilização iorubanas. Salvador: EDUFBA : CEAO, 2004, p. 85.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. O que significa voduns, orixás e inquices?
2. O que são os arará, em Cuba?
3. Qual o papel das mulheres no Candomblé e em outras religiões?
4. Como se organiza a hierarquia do Candomblé?
5.O que é jeje-mahim? 

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé


Material Didático no Mundo Afro

postado por Cleidiana Ramos @ 1:21 PM
25 de junho de 2009
Jaime Sodré colabora a partir de hoje com a série Educaxé aqui no blog. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Jaime Sodré colabora a partir de hoje com a série Educaxé aqui no blog. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

O professor Jaime Sodré teve mais umas das suas excelentes idéias: disponibilizar textos que ajudem seus colegas a aplicar a Lei 11645/08 que determina o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira e de História e Cultura Índigenas nas escolas brasileiras.

A legislação tem uma versão anterior e mais conhecida que é a 10.639/03. A lei ganhou novo número e uma modificação no ano passado para incluir a trajetória cultural dos povos indígenas.

Salvador, em 2005, foi a primeira capital do país a operacionalizar o cumprimento da Lei nas escolas municipais. A iniciativa foi da pedagoga Olívia Santana, hoje vereadora, que na época era a secretária municipal de educação.

Um dos desafios da época e que ainda continua é o pouco material didático disponível ou numa linguagem mais acessível para o ensino fundamental e médio.

Daí que o professor Jaime me perguntou se o Mundo Afro poderia ser um veículo para a divulgação de textos sobre cultura e identidade negras que ele sempre redige.

Respondi que não só o blog estaria aberto como agradeci muito pelo presente, afinal o nosso objetivo é exatamente o de ser útil para o debate sobre estas questões.

A partir de hoje volta e meia vocês encontrarão textos em forma de capítulos. O primeiro é sobre o Engenho Velho da Federação, um dos bairros de Salvador com população majoritariamente negra e também conhecido por reunir terreiros de candomblé de variadas nações.

Jaime decidiu  abordar o bairro com a sua característica de ser endereço de terreiros das religiões afro-brasileiras nas mais variadas vertentes.

Embora o Engenho Velho tenha uma área pequena, ele reúne mais de 20 terreiros das nações angola, ijexá, jeje e ketu do candomblé, mas também de umbanda.

Além disso, os terreiros são considerados quilombos urbanos, ou seja, territórios com área definida onde acontece preservação de cultura e identidade negras.

Nos primeiros capítulos desta série, Jaime conta a história do Bogum, um dos mais conhecidos terreiros do bairro, onde ele ocupa o cargo de oloiê, uma espécie de conselheiro.

Além do texto informativo, Jaime também organizou perguntas e dicas de como usar o material.

Vou também manter o título sugerido por ele: Educaxé e vou seguir a regularidade de publicar dois capítulos por semana, às terças e quintas. 

Educadores, aproveitem!


Projeto Educaxé- Clareando as Mentes

postado por Cleidiana Ramos @ 1:16 PM
25 de junho de 2009
Lei é aplicada nas escolas de Salvador desde 2005. Desafio agora é estender prática a todo o Estado. Foto: Elói Corrêa | AG.  A TARDE

Lei é aplicada nas escolas de Salvador desde 2005. Desafio agora é estender prática para todo o Estado. Foto: Elói Corrêa | AG. A TARDE

Jaime Sodré

Caros Professoras e Professores,

O presente material visa auxiliar-lhes  como elemento básico para as exigências da Lei 11.645/08 (10. 639/03), sobre a História Indígena e Cultura Afro-Brasileira, tendo como conteúdo programático, em relação a este último o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas cultural, social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

Não se trata de “ensinar Candomblé”, mas utilizar a sua trajetória histórica para a compreensão do “ser negro ou afrodescendente” no Brasil. Para tanto propomos:

1. Leia o texto de forma concentrada.
2. Verifique as perguntas abaixo dos textos.
3. Volte a ler o texto, selecionando os assuntos relevantes.
4. Procure responder às perguntas formuladas.
5. Realize um resumo do texto.
6. Elabore uma proposta pedagógica sobre o assunto.
7. Discuta com os seus colegas esta possibilidade.
8. Tente entender outros segmentos religiosos, sob a ótica da participação dos negros ou afrodescendentes, e em relação à contribuição africana.
9. Se possível, aplique a sua proposta pedagógica em sala de aula.

Evidente que outras informações, não constantes deste texto, deverão ser obtidas em pesquisas nas bibliotecas, a exemplo do Ceao, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, na Ufba, e das Bibliotecas Central e Clemente Mariani, além do Arquivo Público e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, dentre outras fontes. Incluindo-se também os jornais, hoje facilitados pelo projeto do jornal A TARDE de digitalização do seu acervo, disponível na Biblioteca Central. E, ainda, nesta Biblioteca, o acervo de Waldeloir Rego.

Boa sorte!

Jaime Sodré é professor,  historiador e religioso do candomblé.

 

 


Uma História de Resistência

postado por Cleidiana Ramos @ 1:13 PM
25 de junho de 2009
Interior do barracão do Terreiro Bogum. Foto: Valdir Argolo|Arquivo A TARDE

Interior do barracão do Terreiro Bogum. Foto: Valdir Argolo|Arquivo A TARDE

Jaime Sodré

INTRODUÇÃO

O Engenho Velho da Federação possui, aproximadamente, entre 80 mil a 90 mil habitantes, caracterizados na sua grande maioria como afrodescendentes. Este bairro é considerado como “Quilombo Urbano”, segundo o Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003, assinado pelo presidente Lula e, para tanto, foi levado em conta aspectos como a resistência cultural negra instalada em um determinado espaço.

O fato de o Engenho Velho ter em seu território, vários terreiros de candomblé, contribuiu para isto. Comenta-se que este bairro foi resultado de escravos fugitivos, vindos de um engenho na sua proximidade. Sem dúvidas, o Terreiro do Bogum, entre outros, em função da sua história de resistência, deve ter contribuído para a caracterização deste bairro como um quilombo.

Capítulo I – O Jeje

Informa-nos Nicolau Parés do papel desempenhado pelo Jeje no Candomblé. Relata Félix Ayoh’omidire, em ÀKỌGBÀDÙN – ABC da língua, cultura e civilização iorubanas [1], que “a tão procurada etimologia do etinônimo ‘jeje’… só sobreviveu aqui no Brasil, onde se usa como uma referência para a tradição de Candomblé ewe-fon”.

A palavra ‘jeje’ não vem de “àjèjì”, termo iorubano que significa ‘estrangeiro’. O termo ‘jeje’ vem, seguramente, deste oríkì orílè de ìran àjèjè que é uma das linhagens originais que ocuparam a área central da atual República do Benin (antigo Daomé), fruto das primeiras migrações de núcleos iorubanos, que se instalaram no espaço que se estende até Tado, na atual República de Togo.

Segundo ele, os fons foram os últimos a chegar ao espaço geográfico na área que constitui a região central da República de Benin. Além de incorporem a sua língua e cultura, agregaram muitos elementos significativos desenvolvidos pelos seus vizinhos.

Ainda explica Félix, que “um exemplo disso é a presença de muitos voduns que são os paralelos de alguns orixás iorubás, voduns esses cujos nomes ainda refletem a sua origem iorubá. Por exemplo, o vodum Legba é o mesmo Exù Ẹlégbara; enquanto o Ṣàngó dos iorubanos virou Hevioso”.

Quanto ao sistema de adivinhação, embora seja chamado de Ifá entre os iorubanos, “é conhecido simplesmente como Fá entre os ewe-fon”. Em relação ao azeite de dendê, elemento fundamental da culinária religiosa, em especial na Bahia, foram os Aresas os introdutores da técnica de extração do dendê naquela região.

Quanto aos jeje, afirma o autor, são conhecidos em Cuba como arará, termo cuja origem ainda “não foi desvendada pelos historiadores até o momento atual”.

Concluindo, afirma Félix: “a minha tese a respeito da origem dos jeje é que esse povo estava com maior freqüência na sua identidade de ajeje aqui no Brasil, como isso acontece ainda hoje, em meios ioruba-africano… muitas pessoas só preferem citar seu oríle em vez de dar o seu nome próprio ou nome de família”.

O “Jeje”, é assim que o povo se refere, com carinho e reconhecimento, ao Zoogodô Bogum Malê Rundó, instalado no “fim de linha” do Engenho Velho da Federação. Parés testemunha o dinamismo de seus sacerdotes e sacerdotisas, no enriquecimento do patrimônio cultural religioso negro. Atores da resistência deste “modo particular de rezar”, adoçavam este “bom combate” com atos de dignidade.

A comunidade do Bogum expõe a sua particularidade dizendo-se único, embora haja a consciência de íntimas ligações com o jeje-marrim de Cachoeira, a Roça de Cima.

Esta Roça seria a continuidade do Candomblé do Bitedô ou Oba Têdô, localizada na Recuada. Ligado a este templo estaria o sacerdote Kixareme ou Tixarene e a venerável sacerdotisa Ludovina Pessoa da Irmandade da Boa Morte e elo de ligação entre Cachoeira e Bogum.

D. Ludovina seria a iniciadora do clã feminino do Bogum, através da realização dos processos iniciáticos de Maria Emiliana da Piedade, mãe carnal de Maria Luisa Piedade, a venerável Maria Ogorensi ou Angorensi, fundadora do Seja Hundé em Cachoeira, Terreiro contemporâneo da Roça de Cima onde, segundo comenta-se, reduto de concentração jeje, após a extinção da Roça de Cima.

Maria Romana Moreira, iniciada por Ogorensi, conhecida como Romaninha de Possu Betá Poji, desempenhou importante papel tanto em Cachoeira quanto no Bogum, onde assumira o papel de Deré, o segundo cargo jeje mais elevado, tendo apenas como superior o cargo de Doné, no Bogum, ou Gaiaku, em Cachoeira.

A ocupação deste posto se efetivou antes da ascensão de Maria Valentina dos Anjos, a sempre lembrada Doné Runhó, na direção máxima do Bogum.

Este vínculo entre o Bogum e os terreiros jeje-marim de Cachoeira recebe, por vezes, contestações, dividindo opiniões. Alguns mencionam o fato de Ludovina Pessoa ter sido a primeira mãe-de-santo do jeje-marrim, fato que alguns do Bogum contestam, alegando que esta era apenas uma das antigas amigas da Casa.

Lidamos com a falta de registros seguros, o que nos impede de uma posição consolidada, mas podemos optar que, provavelmente, Ludovina seria fundadora da Roça de Cima, em 1860, e teria ligações com o Bogum, no mínimo, como uma figura relevante, ou seja, muito mais que “uma amiga da casa”. Alguns mantêm a opinião que ela fora “uma antiga Mãe de santo jeje”.

Ao que parece, após o tempo de Ludovina, houvera uma marcante interrupção nas atividades do Terreiro, surgindo na memória coletiva o prenome Valentina e a identificação do seu vodum Adaen, como autoridade máxima, dissera certa feita Doné Runhó a pesquisadores do Ceao.

Questões para incentivar a pesquisa em sala de aula:

1. A que se refere o Decreto 4.887, de 20 de novembro de 2003? Esta lei poderia ser usada para uma definição de  quilombos?

2. Por que um terreiro de Candomblé pode ser considerado um elemento que se caracteriza como “resistência cultural”?

3. Que fatores contribuem para uma visão preconceituosa sobre as religiões de matrizes africanas?

4. Que estratégias usaram os sacerdotes do Candomblé para a sobrevivência da sua fé?

5. Como  se organizaram os terreiros, levando em conta a sua procedência africana?

6. Como surgiu o Terreiro do Bogum?

7. Como surgiram outros terreiros?

8. Como é considerado por lei o bairro do Engenho Velho da Federação, e por quê?

9. O que significa a palavra etinônimo?

10. O que seria um Candomblé ewe-fon?

11.  O que você sabe sobre a  República do Benin e a República de Togo?

Textos-base:

 1. Nicolau Parés- A Formação do candomblé- História e Ritual da Nação Jeje na Bahia. Editora Unicamp. Félix Ayoh´omidire. ÀKỌGBÀDÙN – ABC da língua, cultura e civilização iorubanas. Salvador: EDUFBA : CEAO, 2004, p. 85.

 

 


O desafio do ensino das culturas Afro e Indígena nas escolas

postado por Cleidiana Ramos @ 3:45 PM
1 de junho de 2009
Eugênia Ana dos Santos é um exemplo das escolas que conseguem cumprir a Lei 10639/03 com perfeição. Foto: Elói Corrêa | AG.  A TARDE

A Eugênia Anna dos Santos é um exemplo das escolas que conseguem cumprir a Lei 10639/03 com perfeição. Foto: Elói Corrêa | AG. A TARDE

O ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira nas escolas de todo o  país é obrigatorio segundo uma Lei promulgada há seis anos (10639/03).

No ano passado,  a legislação sofreu uma modificação ( Lei 11645/08) e  passou a obrigar também o ensino da História e Cultura Indígenas.

O problema é que a operacionalização continua lenta. Falta de material didático,  professores sem formação para abordar o tema adequadamente, dentre outros entraves costumam ser apontados pelos governos nas três categorias (municipal, estadual e federal) para explicar o não cumprimento da legislação nos moldes em que já devia  acontecer.

Salvador ao adotar,em 2005, a política de cumprimento da Lei foi a primeira capital do país a tomar esta medida. E para tornar realidade a promessa  nas escolas públicas da capital baiana não tem sido fácil. No universo das particulares então tem sido ainda mais vagaroso. Imaginem o desafio de fazer o mesmo em todo o território baiano.

Este assunto foi tema de uma matéria que saiu  no caderno Vestibular encartado na edição de hoje do jornal A TARDE.

A reportagem assinada por Nina Neves traz um apanhado sobre como os alunos enxergam a questão- eles acham positivo aprender a história do Brasil do ponto de visto de outras culturas que não a eurocentrista- e também sobre experiências para aplicação da legislação efetuadas na Bahia.

Como uma das queixas relacioandas ao cumprimento da Lei é falta de material de suporte fica aqui a sugestão de leitura para quem gosta e precisa acompanhar o tema.  


Educadores lançam vídeo sobre Lei 10.639/03

postado por Cleidiana Ramos @ 12:07 PM
29 de abril de 2009
Estréia será amanhã na Sala Walter da Silveira. Foto: Divulgação

Estréia será amanhã na Sala Walter da Silveira. Foto: Divulgação

Amanhã, 30, com sessões às 16 e às 20 horas, estréia, o documentário Práticas Pedagógicas: a diversidade cultural na sala de aula. As exibições acontecerão na Sala Walter da Silveira, localizada no prédio da Biblioteca Pública, Barris. A entrada é gratuita.

    
O documentário foi produzido por educadores da Coordenadoria Regional da Liberdade, com a coordenação da educadora Jô Bahia.  O roteiro e a direção ficaram com o professor Bruno D´Almeida.

O vídeo aborda ações para a aplicação da Lei 10.639/03 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro- Brasileira nas escolas do País. No ano passado a Lei foi modificada pela 11.645  que incluiu também a obrigatoriedade do ensino da  cultura indígena.

A Coordenadoria da Liberdade engloba 30 escolas municipais e a região é conhecida como a de maior concentração da população negra de Salvador. É também uma das mais efervescentes culturalmente, afinal é o endereço de instituições como o Ilê Aiyê.

       
A escola Mãe Hilda, mantida pelo Ilê, é uma das pioneiras na cidade na inclusão de práticas estabelecidas pela Lei. O vídeo aborda a atuação de professores, como Niclécia Gama, da Escola Municipal Abrigo Filhos do Povo, que por meio de uma atividade sobre as Casas Ndebeles africanas, trabalhou conteúdos de língua portuguesa, geometria, geografia e história com seus alunos.

 
“Ao todo, neste documentário, doze professores realizam atividades para seus educandos, mostrando que o ensino da cultura afro não se limita a atividades festivas, que são muito importantes, mas também em todas as áreas de estudo, habilidades e competências do currículo escolar”, afirma a educadora Jô Bahia.

Segundo Jô Bahia, nenhuma das atividades foi feita exclusivamente para o vídeo.“Tudo foi feito no decorrer do ano letivo, durante o planejamento pedagógico dos professores e da escola, e recuperado para a produção audiovisual”. A experiência animou a equipe. O diretor Bruno D´Almeida conta que já estão em andamento novos projetos.

 
“Este é o primeiro documentário do Núcleo de Produção Audiovisual, que funciona atualmente na CRE Liberdade e já estamos nos preparando para produzir um novo documentário, intitulado Contadores de histórias, mais uma vez com a participação central de professores e educandos da rede escolar”.