Lançada a coleção História Geral da África

postado por Cleidiana Ramos @ 12:33 PM
4 de abril de 2011

Valter Silvério, Elikia Mbokolo e Ubiratan Castro folheiam exemplares da coleção. Foto: Raul Spinassé| Ag. A TARDE

Uma exelente notícia para professores: a Unesco, em parceria com a Universidade Federal São Carlos (UFSCar) e o MEC lançaram na manhã de hoje em Salvador a versão em português da coleção História Geral da África.

São oito volumes interdisciplinares, pois trazem também conteúdo sobre geografia, política, cultura, dentre outros temas ideais para a aplicação da Lei 10.639/03 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira e foi ampliada com a 11.645/08 para incluir também História e Cultura Indígena.

O material foi produzido ao longo de 30 anos com a contribuição de 350 pesquisadores, coordenados por um comitê formado por 39 especialistas, sendo a maioria africanos, ou seja o olhar vem de quem conhece a África, sobretudo a negra, de perto, evitando a repetição de estereótipos. A publicação já estava disponível em francês e árabe.

Os volumes estão sendo disponibilizado para bibliotecas de insituições públicas, mas é possível acessá-la, de forma completa, em PDF via o site da Unesco. É só clicar aqui para conhecer e aproveitar.      

A tradução para o português foi coordenada pelo doutor em Ciências Sociais, Valter Roberto Silvério. Na edição de hoje do jornal A TARDE tem uma matéria com mais informações que foi assinada por mim na nossa página especializada em Educação chamada Escola Viva.


Ê, Camará!

postado por Cleidiana Ramos @ 6:53 PM
19 de novembro de 2010

Capoeira é tema de caderno especial de A TARDE. Foto: Gildo Llima| Ag. A TARDE

Com muita correria, mas uma dedicação que faz mágica, aprontamos a 8ª edição do caderno da Consciência Negra que sai amanhã encartado no jornal A TARDE. Dessa vez fomos beber na bela fonte da capoeira.

Denominado Ê Camará! o especial passeia pela faceta inclusiva da capoeira, sua história de resistência e luta para vencer a marginalização e o encanto que lançou sobre as várias linguagens artíticas. O nosso destaque é para os mestres Bimba e Pastinha que, ao decodficarem os movimentos, criaram as duas grandes escolas: regional e angola, respectivamente. A relação próxima entre candomblé e capoeira, os intrumentos que formam sua orquestra, a chegada das mulheres, a batalha para conservar a forma tradicional de transmitir conhecimento e toda a riqueza simbólica de um jogo também estão contemplados.

Além disso, o caderno traz dicas de como usar as reportagens em sala de aula, o que configura um reforço para a aplicação da Lei 11.645/08, nova identifcação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. A modificação foi para incluir também o ensino de História e Cultura Indígenas.

Cada página do especial traz dicas de livros, filmes, mas também de artigos que serão publicados aqui no Mundo Afro para enriquecer a discussão sobre o tema.

Já como aperitivo vão abaixo o destaque para personagens que prestam um grande serviço para a expansão da capoeira, uma criação brasileira que já ultrapassou as fronteiras nacionais. Os textos têm a colaboração de Meire Oliveira.

Fiquem atentos pois no Portal A TARDE On Line e em A TARDE TV tem também cobertura especial amanhã.

 


Educaxé: um giro pela poesia de combate ao racismo

postado por Cleidiana Ramos @ 5:09 PM
18 de outubro de 2010

Wole Soyinka é um dos poetas citados na dica pedagógica do professor Jaime Sodré. Foto: AFP PHOTO/Pius Utomi Ekpei

Jaime Sodré

Landê Onawale. Brasil. Genocídio do negro na Bahia: o que a poesia tem a ver com isso?”

O que pode a minha poesia contra isso:

três jovens assassinadas lado a lado?

O que pode a minha poesia

contra esse costume brasileiro

de matar negros como moscas.

Nossos cupidos sendo brancamente mortos…
……………………………………………………….

Ouologue Yambo – Mali. Quando os dentes dos negros falam

Todos pensam que eu sou canibal
Mas bem sabem o que são as línguas
Todos vêem as minhas gengivas rubras
Mas quem as tem brancas
Vivam os tomates

Todos dizem que agora virão
Menos turistas
Mas bem sabem
Não estamos na América e de qualquer maneira
Somos todos tesos

Todos dizem que a culpa é minha e que têm medo
Mas vejam

Os meus dentes são brancos não rubros
Eu não comi ninguém

As pessoas são más e dizem que eu engulo
Os turistas assados
Ou talvez grelhados

Assados ou grelhados perguntei
Ficaram calados e olham com medo para as
Minhas gengivas

Vivam os tomates

Todos sabem que um país arável tem agricultura
Vivam os vegetais

Todos garantem que os vegetais
Não alimentam bem o agricultor
E que eu sou forte demais para um subdesenvolvido
Miserável insecto vivendo dos turistas
Abaixo os meus dentes

Todos de repente me cercaram
Prenderam
Prostaram
Aos pés da justiça

Canibal ou não canibal
Fala
Ah julgas que és muito esperto
E pões-te todo orgulhoso

Agora vamos ver o que te acontece
Qual é a tua última palavra
Pobre homem condenado
Eu gritei vivam os tomates

Os homens eram cruéis e as mulheres curiosas sabem
Havia uma no círculo que espreitava
Que com a sua voz raspante como a tampa duma panela
Gritava
Chiava
Abram-no ao meio
Estou certa de que o papá ainda está lá dentro

Como as facas estavam rombas
O que é compreensível entre vegetarianos
Como os Ocidentais
Pegaram numa lâmina Gillette
E pacientemente
Crisss
Crasss
Floccc
Abriram-me a barriga

Encontraram lá uma plantação de tomates
Irrigada por riachos de vinho de palma
Vivam os tomates

…………………………………………………..

Wole Soyinka – Nigéria. Conversa ao telefone

O preço parecia razoável, locação
Indiferente. A dona da casa jurou
Que não vivia lá. Faltava só
A confissão. ‘Minha senhora,’ avisei,
‘Detesto ir lá em vão – sou africano.’
Silêncio. Transmissão silenciosa
De boa educação pressurizada. A voz, quando veio,
Com baton, como através de
Uma boquilha dourada. Apanho estupidamente.
‘MUITO ESCURO?’… Não ouvi mal.  … ‘É CLARO
OU MUIRO ESCURO?’ Botão B. Botão A. Cheiro
De hálito rançoso de conversa pública.
Cabina telefônica. Marco postal. Autocarro
De dois andares com cheiro de alcatrão. Era real!
Envergonhado
Por um silêncio mal-educado, a rendição
Avançou espantada a pedir simplificação.
Foi atenciosa, variando de ênfase –
‘É ESCURO? MUITO CLARO?’ A revelação chegou.
‘quer dizer – chocolate ou chocolate de leite?’
A sua aprovação era clínica, esmagadora na sua leve
Impersonalidade. Rapidamente, sintonizando-a,
Escolhi. ‘Sépia oeste-africana’ – e para tranqüilizar,
‘Vem  no passaporte.’ Silêncio para um espectroscópico
Voo da imaginação, até que a verdade retiniu no seu sotaque
Duro no bocal. ‘O QUE É ISSO?’ Confessando
‘NÃO SEI O QUE É ISSO?’ ‘Nem por isso.
Facialmente, sou moreno, mas devia ver
O resto de mim. As palmas das minhas mãos, as plantas
Dos meus pés são de um louro peróxido. Da fricção, -
No entanto, de me sentar, o eu
Tornou-se preto – Um momento, minha senhora!’ – sentindo
O seu telefone preparando a tempestade
Aos meus ouvidos – ‘Minha senhora,’ pedi, ‘não seria melhor
Ver por si?’

Sugestão pedagógica:

Interpretar texto dos poemas

Levantar com os alunos a biografia dos três poetas citados e seus locais de origem, listando a característica destes países.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


Educaxé na área

postado por Cleidiana Ramos @ 5:09 PM
18 de outubro de 2010

Olhem o Educaxé aí. Dessa vez a dica pedagógica do professor Jaime Sodré mergulha no universo da poesia feita por poetas negros de três países diferentes: Brasil, Mali e Nigéria. Mas o tema é comum aos três: o racismo. Educadores, aproveitem.


Abertas livraria e editoria especializada em diversidade

postado por Cleidiana Ramos @ 4:20 PM
8 de setembro de 2010

Quem é apenas curioso ou trabalha diretamente com temáticas ligadas à diversidade, principalmente étnica, tem agora dois bons apoios: a livraria  Ponto do Livro-Café e Arte e a Editorial Diáspora, ambas sediadas em São Paulo.

O idealizador das duas iniciativas é o professor de sociologia da Universidade Federal de São Carlos e consultor da Unesco para a área de diversidade étnica-racial, Valtér Silverio.

Em tempos de batalha para que a aplicação da Lei 11.645/08 (que obriga o ensino de História da África, Cultura Afro-Brasileira, História e Cultura Indígenas em todas as escolas brasileiras), se transforme cada vez mais em realidade este é um caminho para suprir a falta de material didático sobre o tema.

Para conhecer mais sobre a proposta, incluindo o acervo, vale uma visita ao site que pode ser acessado clicando aqui.


Educaxé: Ancestralidade na perspectiva da Educação

postado por Cleidiana Ramos @ 5:31 PM
27 de agosto de 2010

Jaime Sodré

Antes de nos dedicarmos a uma abordagem mais direcionada aos objetivos que seriam implementados no campo da educação, numa abordagem da africanidade, seria importante abordar a noção de ancestralidade, dentre outras, enquanto um conceito. Ancestral teria como definição básica “as pessoas de quem se descende”, ou seja, nossos ancestrais ou de forma mais simples os nossos antepassados do ponto de vista de uma linhagem biológica, num campo individualizado. Poderemos também aplicar este conceito levando em conta as contribuições materiais herdadas das realizações anteriores, mesmo sendo uma criação independente do pertencimento ao nosso grupo, ou seja, de aplicabilidade universal. Assim é que um invento aplicável à humanidade, sem restrição, fará parte de um repertório de um bem universal aplicável a todos os grupos de indivíduos.

Tem-se como ancestral da espécie humana o surgimento dos Australopitecos, espécie de hominídeos surgido na África no Vale do Rift, Lago Turkawa no Quênia; Garganta Olduai na Tanzânia, Haddar e Vale do Ouro na Etiópia, Taung, Makadansgat na África do Sul, dentre outros. Em um  conceito antropológico este antepassado será considerado pelos seus feitos, objeto de culto. Sua relação com os vivos pode ser resultado de uma genealogia real ou fictícia, digna de reverências, comemorações, transmissão e difusão dos seus feitos às gerações presente e futura.

A ancestralidade no campo do bem material pode ser vista como um patrimônio material e/ou espiritual, entendido como herança de um determinado grupo ou universal, que se perpetua enquanto memória concreta.

Para o africano, o ancestral será um elemento venerado que deixara uma herança espiritual sobre a terra, contribuindo para a evolução da comunidade ao longo da sua existência, e pelos seus feitos é tomado como referencia ou exemplo. Este conceito se alonga à concepção de ações, métodos e instrumentos que proporcionaria vantagens materiais.

A ancestralidade na Educação como meio de transmissão do saber tem como suporte a tradição oral; a tradição escrita; a tradição histórica; o repertório de mitos e lendas; aspectos linguisticos; o campo do lúdico; parlendas; o campo musical; o campo das artes, etc. Em resumo: a ancestralidade na educação atuará no campo da memória individulal ou coletiva.

Ancestralidade e Repertório Temático

Para efeito de sugestões, quanto a ações práticas da Ancestralidade na Educação listamos a seguir o que chamamos de Repertório Temático, elemento que poderá servir de apoio para um planejamento e aplicação em sala de aula.

1. Ancestralidade Cultural Africana- Objetiva informar sobre a diversidade étnica e lingüística africana e destacar os grupos que interagiram com a realidade brasileira, a exemplo dos yorubá, banto e ewe.

2. Ancestralidade e Arte Africana- Destacar o amplo repertório da realização artística africana, sua inserção no cenário mundial inspiradora do cubismo, dentre outras manifestações artísticas; sua continuidade na diáspora, especialmente no Brasil, como estruturante de uma arte afro-brasileira.

3. Ancestralidade e Resistência- Enfocar os aspectos dos processos de resistência dos povos africanos aos processos de colonização desde a África, em especial as lutas contra a escravatura e os quilombos.

4. Ancestralidade e Assistência- Observar as diversas formas de ajuda mútuas experimentadas pelos povos africanos, em especial no regime escravo, tendo com ênfase a Sociedade Protetora dos Desvalidos, sediada em Salvador.

5. Ancestralidade Estética- Observar os diversos arranjos corporais, adereços, vestimentas, trançados, etc., reveladores de uma estética africana, amparada no seu bom gosto estético e particular.

6. Ancestralidade Religiosa-  Observar a diversidade religiosa africana e as suas conseqüências sobre as mais diversas experiências de fé naquele continente, conflitos e acordos, e a sua aplicação na diáspora em especial, em relação ao Candomblé, Voduns etc. Com destaque para uma observação critica quanto a Intolerância Religiosa.

7. Ancestralidade Musical- Observar as mais diversas formas de expressão musical e dança na África e sua aplicação no contexto da diáspora como continuidade e inspiração.

8. Ancestralidade Católica- Observar a atuação da Igreja Católica no âmbito da África e na diáspora suas formas particulares, as irmandades negras, o sincretismo e formas de convivências e conflitos.

9. Ancestralidade Científica, Tecnológica e Filosófica- Destacar as personalidades negras que contribuíram e contribuem para o processo civilizatório brasileiro e mundial, no campo da ciência, tecnologia e filosofia como referencia ao aluno da possibilidade de atuação nestes campos. Ex. André Rebouças, Milton Santos, etc.

10. Ancestralidade Heróica-Destacar personalidades negras como agentes de ações históricas importantes no campo dos conflitos locais e mundiais a exemplo de João Candido, “O Almirante Negro” da Revolta da Chibata;  Maria Filipa, nas ações do 2 de Julho,  Rainha Nzinga de Mutamba, etc.

11. Ancestralidade Política- Destacar personagens e situações onde se revela o empenho de personalidades negras em busca de ideais democráticos e libertários a exemplo da Revolta dos Alfaiates, Sabinada, Guerra dos Farrapos, Cabanagem, Balaiada, Quilombo dos Palmares, etc. Mulheres como Almerinda Gama, primeira deputada estadual negra; Antonieta Barros, Maria Brandão, Benedita da Silva, etc.

12. Ancestralidade Guerreira- Destaque para a Guerra do Paraguai e para os atos de bravura de Cesário alves da Costa, herói do Forte de Curuzu, promovido a sargento; Antonio Francisco Melo, que se destacou na Marinha, na Batalha de  Riachuelo e chegou a capitão; o seu batalhão era formado só por negros; Marcilo Dias, um bravo, foi ferido e morto na Batalha de Riachuelo ao negar a rendição do seu barco, O Paranhayba.

13.Ancestralidade Negróide e Australianos- Os cientistas fizeram uma reconstituição do crânio fóssil mais antigo das Américas, encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais, por uma expedição franco-brasileira em 1975, Perceberam que os traços eram semelhantes aos povos negróides e australianos.

14. Ancestralidade Feminina Guerreira- Nzinga Mbandi Ngola, Rainha Ginga, foi batizada no catolicismo com o nome de Ana de Souza. Seu nome Ngola fora usado pelos portugueses para nomear uma região na África com o nome de Angola. Era contra a escravatura, ao contrario do rei do Congo. Após a sua morte os seus soldados foram vendidos como escravos.

Saiba mais:

África e Brasil Africano – Marina de Mello e Souza- Editora Ática

Atlas Brasileiros- Cultura Popular – Raul Lody- Editora Maianga

História do Brasil- Os 500 anos no País em Obra Completa e Atualizada- Folha de S. Paulo

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religiso do candomblé


Educaxé está de volta

postado por Cleidiana Ramos @ 5:30 PM
27 de agosto de 2010

O Educaxé, realizado pelo professor Jaime Sodré, está de volta ao Mundo Afro. Estava à espera de um tempinho  na agitada agenda do professor para pedir o retorno do projeto.

A iniciativa, cuja ideia foi dele, é direcionada especialmente aos professores para servir como material didático para aplicação da Lei 11.645/08, novo número da que é mais conhecida como 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. A modificação foi para incluir também História e Cultura indígenas.


Homenagem a Obaluaê e São Roque

postado por Cleidiana Ramos @ 7:11 PM
13 de agosto de 2010

Conto do professor Ubiratan Castro de Araújo resgata a religiosidade afro-brasileira. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE|12.11.2009

Este mês de agosto é rico em diversidade de festas religiosas. Por conta da associação entre São Roque, que vai ser festejado na próxima segunda-feira, com Obaluaê, título para o orixá Omolu que governa e controla principalmente as doenças de pele, são várias as reverências para esta divindade da nação ketu e semelhantes na nação angola como Kavungo e Azoany da jeje.

Como homenagem estou publicando aqui, dividida em duas partes, uma história deliciosa, das muitas narradas, pelo professor Ubiratan Castro de Araújo no livro Sete Histórias de Negro, publicado em 2006, ampliado com  Histórias de Negro, lançado no ano passado.

Desde a primeira vez em que li o conto numa das edições da revista da Fundação Cultural Palmares fiquei encantada e ri muito. O estilo leve e cheio de humor do professor é inconfundível. Lendo, parece que a gente o está ouvindo falar.

Por isso achei que esta era uma boa homenagem a Obaluaê, a quem o professor Bira tem a sua cabeça consgarada. Atotô!

E atenção professores: vale como suporte didático para aplicação da Lei 11.645/08, que reformou a Lei 10.639/3 estabelecendo, além do ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira, a  História e Cultura Indígenas.


Visitante Indesejado(Conto do Livro Sete Histórias de Negro-II)

postado por Cleidiana Ramos @ 7:11 PM
13 de agosto de 2010

No santuário de São Lázaro e São Roque em Salvador duas tradições religiosas se encontram: candomblé e catolicismo. Foto: Xando Pereira|Ag A TARDE| 05.08.2002

Ubiratan Castro de Araújo

Outro caso doloroso era o da Tia Zefinha. Nossa tia-avó tinha mais de 80 anos, a mais velha da família. Ela era magrinha, de cabelos lisos e grisalhos, penteados em uma rodilha presa por longos grampos, atrás da cabeça. Exímia costureira, tinha o dom de transformar roupa velha em roupa nova. Costurava para fora, mas também costurava em domicílio. Por força de sua profissão, passava longas temproadas nas casas das brancas da Barra. Justiça seja feita, ela sempre foi fascinada pela Casa Grande. Nascida ainda no tempo da escravidão, absorveu todos os preconceitos contra os negros. Ela discriminava ostensivamente as irmãs, sobrinhas e sobrinhos netos de pele mais escura.

Racismo à parte, era uma velhinha fascinante. Viúva sem filhos, desenvolveu a arte de contar histórias da carochinha e histórias do tempo antigo, o tempo da escravidão. A pequena loja de subsolo em que morava, na Rua do Desterro, era um verdadeiro baú de preciosidades. Para as meninas, as grande tentações eram as caixinhas de costura, muito arrumadinhas, delicadamente enfeitadas, cheias de miudezas. Também faziam sucesso as antigas revistas de moda, em sua maioria francesas, com fotos de manequinas e “debuxos” de vestidos. Par aos meninos, a paixão eram livros de contos de fadas e a fabulosa coleção dos fascículos de uma revista chamada Eu Sei Tudo, tradução brasileira da Que Sais-je? Ela também guardava uma coleção completa do Tesouro da Juventude.

Era uma velha sábia. Mesmo asism Bernardo a perseguia. Desde a morte de seu marido, o marceneiro João Guarani, criou uma relação de clientela com uma família da Barra.  Pssava dias e mais dias remontando, encurtando e ajustando velhas roupas a novas modas e a novos corpos. O pagamento variava sempre em função da sorte do dono da casa, no jogo. Segundo O DIVA, a casa dele vivia sempre aberta à jogatina. Até a honra da filha foi jogada na mesa do carteado. Apesar de tudo, nunca lhe faltou o sustento, nem a pose de rico. Para Tia Josefina, faltava.

Muito orgulhosa, ela jamais pedia nada, apenas recolhia-se à sua casinha. Os parentes procuravam visitá-la com frequência para detectar os sinais da visita de Bernardo. De vez em quando, ela era sequetrada por algum sobrinho, para a alegria das crianças. Quando menos se esperava, ela fugia, sempre alegando o chamado de sua vasta freguesia. Um outro caso provocava uma verdadeira guerra fria na assembléia feminina, as simpatizantes dos russos comunistas contra as fascinadas habituês do cinema americano.

João da Cruz era um grnade militante sindicalista, membro filiado e dirigente do Partido Comunista. Era um negro alto, cabelo cortado à escovinha. Orador de verve tão empolgante quanto o Padre Sadoc, se admitirmos a verdade sociológica que Stalin representava para um o que Jesus Cristo representava para o outro. Estava sempre à frente da greves do sindicato e dos comícios e pichações de paredes organizadas pelo Partido. Nos anos da Aliança Nacional Libertadora, era o intrépido lançador de galinhas pintadas de verde nos comícios dos integralistas. Por sua militância, era um homem marcado pelo Dops e conhecido de todos os secretas do bairro.

A segurança para tanto arrojo era a certeza que o Partido cuidava do sustento e do bem estar de sua mulher e de sua filha, nas eventualidades de prisão ou de cladestinidade. Pois bem, essa não era a experiência de sua mulher Alzira e de sua filha Olga.

Lá um dia, João da Cruz sumiu de casa. Isto aconteceu logo depois do bate-boca entre Juraci e Prestes no Congresso Nacional. O presidente Dutra aproveitou a oportunidade para cassar o registro do Partido Cominista. Iniciava-se um novo ciclo de perseguições, que incidiram imediatamente sobre João, que era muito visado. Logo no primeira dia, apareceu um companheiro de partido, de codinome Berto. Disse que fora designado para dar assistência à família de João. Falou, falou, falou. Para não perder a viagem, foi logo dando uma entradas meio ousadas para o lado de Alzira, que o repeliu na tampa.

– Onde já se viu? Procurar ousadia com a mulher de um revolucionário! Não sou eu que vou dar o pretexto a nenhum burguês reacionário chamar meu marido de corno!

– Que é isso camarada! Você entendeu mal. E nunca mais apareceu.

Também os vizinhos e conhecidos se afataram, com medo de ficarem visados. Os investigadores de política, conhecidos como secretas, vigiavam permanentemente a casa, de tal forma que mãe e filha se sentiam em prisão domiciliar.

Um visitante conseguia furar o bloqueio policial: Bernardo. Nos três primeiros dias, acabaram-se o feijão, a farinha e a carne do sertão. sobrou um pouco de café e um saco demilho-alho, bom de fazer pipoca. E durante sete dias elas tomaram chafé com pipoca. Olguinha choramingava muito.

– Atotô, meu pai Omolu, não me abandone!

Em um sábado de manhã, bateram na porta. Era Pezão, filho de Abigail, a irmã mais velha de Alzira. Tinha vindo da feira de São MIguel, onde comprara os aviamentos para uma obrigção de orixá. Ele foi logo comentando:

- Cadê Tio João? Não estou gostando nada da cara de vocês. Vocês estão de Bernardo?

As duas não disseram nem que sim, nem que não. Sorrindo sem jeito, não escondiam a vergonha.

Pezão foi embora muito constrangido. Lá pelas 4 horas da tarde, ele apareceu de novo.

– Minha mãe está precisando de ajuda, pra festa de Omolu. Ela sabe que Tio João não gosta de Candomblé, mas ele nem está aí, não é? Olhe, minha tia, lá na roça não tem luxo não. É comida braba. Tem o Sobe-e-desce! É água, carne de sertão, quiabo e abóbora, subiu, desceu, comeu!

Olguinha riu muito. Alzira juntou os panos, pegaram o bonde do Retiro e deixaram Bernardo sozinho em casa.

Na minha infância, nunca tive medo de diabo nem de inferno. Medo mesmo era de Bernardo. Por isto, saía das rezas muito confiante e vitorioso. Afinal, quando o francês  São Roque se juntava com o nagô Omolu, botavam o tal Bernardo pra correr.

Ubiratan Castro de Araújo é doutor em História, membro da Academia de Letras da Bahia (ALB) e diretor da Fundação Pedro Calmon


Visitante Indesejado (Conto do livro Sete Histórias de Negro- I)

postado por Cleidiana Ramos @ 7:10 PM
13 de agosto de 2010

Conto faz referência a Obaluaê, divindade que tem seus "tabuleiros" levados às ruas de Salvador em agosto. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE| 5.8.2010

Ubiratan Castro de Araújo

As rezas eram uma folia. A novena de São Roque da Tia Do Carmo rivalizava-se com a trezena de SAnto Antônio da Tia Nininha. Cada noite de reza tinha um padrinho que financiava o mingau. Tia Do Carmo era viciosamente prmissiva. Antes mesmo da reza, ela liberava generosos canecos de mungunzá para a garotada. Tia Nininha era, em oposição, opressivamente mandona. No Santantônio dela, quem não berrasse com fé: -Glo-ri-ô-ôso Sant-an-tant-tô-nio, não tinha direito a mingau.

Depois da reza, tias, parentas e vizinhas, se reuniam para o salutar exercício de resenha da vida alheia. Elas cortavam, costuravam e bordavam desventuras, fraquezas e malfeitos de amigos e de inimigos. Só os presentes escapavam, esquanto aí estivessem. Para não serem entendidas, ou mesmo por pudor e superstição, usavam palavras e expressões estranhas ao nosso vocabulário. Ao invés de “botar chifre no marido”, elas falavam “serrar as canelas”. Por isso, todas as vezes que eu entrava na casa do vizinho, ficava olhando para as canelas dele, intrigado com a falta de cicatrizes. Dos frescos, dizia-se que eram “falsos ao corpo”. Os órgãos sexuais tinham nomes diferentes. O feminino era conhecido como “a perseguida” e o aparelho masculino completo era denominado de “berloques de São Brás”.

Quando uma sobrinha grávida entrava na roda, todas riam muito e exclamavam:

– Menina, comeu feijão azedo!

A assembléia do DIVA ( Departamento de Investigação da Vida Alheia) ficava triste, quando o assunto era a visita de Bernardo à caasa de um parente ou conhecido.

– Bernardo está na casa de fulano há três dias.

Todas tremiam.

Bernardo era o substitutitvo da palavra que não se podia pronunciar: fome. Este era o grande terror de todas as famílias. Ela era epidêmica, como na crise de 1929. Ela era sazonal, no tempo do paradeiro, meses em que não se exportava cacau em Salvador. Ela era terrível em momentos de doença e morte nas famílias.

Bernardo também andava mancomunado com os maus procedimentos. Maridos cachaceiros, que se desempregavam para cair na gandaia, deixavam a família aos cuidados do Bernardo. Homens mulheristas, espécies de mulherengos militantes, gastavam o dinheiro com as raparigas e não levavam pra casa senão seus próprios “berloques”. Nestes casos, algumas não se continham e saía o palavrão:

– Pica pura dá gastura!

Alguns casos mereciam atenção especial. As frequentes viitas de Bernardo à casa do Tio Bené eram o motivo de debates apaixonados. Esta era a principal bandeira de luta do temido PCC, o Partido Contra Cunhadas. A culpada de tudo era Vilma, coitada. Era uma mulher muito educada, muito atenciosa com todos,  mas chegada a dindinha, ou seja, preguiçosa. Ela, a cunhada, tinha transformado o valoroso ex-sargento do Corpo de Bombeiros. Ela o obrigou a dar baixa da Bomba, porque chorava o tempo inteiro, com medo que o seu amado se acidentasse em algum incêndio. Tudo fingimento, diziam as militantes do PCC. O que as cunhadas não podiam esconder era o grande carinho que um demonstrava pelo outro. Eles formavam um belo casal. Ambos de boa altura, de pele bem escura e lustrosa, cabelo preto, bem liso como o dos cabolcos, eram da qualidade que o povo chama de Cabo Verde. Mas nem isso escapava da língua das cunhadas.

–De que adianta tanto amor sem responsabilidade?

-Fizeram 10 filhos que não podem criar.

–E, mais a mais, Bené não se compreende que é preto–dizia a feroz tia Nininha. Pensa que está em Roliúde pra viver de romance….

Depois de trabalhar com a sogra, em uma barraca de comida, no Mercado Modelo, tio Bené voltou a viver do seu ofício de carpinteiro, trabalhando em domicílio. Levantava cumieiras, consertava móveis, repregava assoalhos e escadas. Sua fraqueza era a clientela. Trabalhava para um público pobre e de renda instável. Recebia muitos calotes e os fregueses demoravam de pagar. Esta incerteza o tornava um cliente indesejado para os agiotas. A única salvação eram as irmãs.

De vez em quando aparecia uma prima, meio excitada e muito envergonhada, chamava minha mãe no canto, e murmurava:

– Tia, Bernardo está lá, há dois dias.

Essa notícias colocava a família em xeque. Como descobrir sobra em um orçamento tão regrado e todo comprometido? A solução mais frequente era a gavetinha da máquina Singer. Parecia mesmo que a única utilidade das costurinhas que minha mãe fazia era socorrer os irmãos.

Aquelas visitas dóiam muito. Havia um sentimento de revolta e solidariedade com os queridos primos, que não podia se manifestar por meio de nenhum gesto ou atitude pública. Afinal, os vizinhos não deviam perceber nada. Aquilo era um segredo de família. Ficava também, um sentimento de culpa. Porque eu era tão gordo e os meus primos recebiam tantas visitas de Bernardo?

Ubiratan Castro de Araújo é doutor em História, membro da Academia de Letras da Bahia (ALB) e diretor da Fundação Pedro Calmon


Bando de Teatro Olodum realiza seminário

postado por Cleidiana Ramos @ 5:04 PM
10 de agosto de 2010

Bando de Teatro Olodum organiza seminário sobre estudos africanos. Foto: Wendell Wagner / Divulgação

Estão abertas as inscrições para o seminário Outras Áfricas, promovido pelo Bando de Teatro Olodum. O evento vai ser realizado de 18 e 25 de agosto no Teatro Vila Velha, das 9 às 12 horas. E boa notícia, gente:  é gratuito e aberto ao público.

O seminário faz parte de um projeto homônimo realizado pelo Bando em parceria com o Fundo Nacional de Cultura.  O objetivo é  valorizar a herança africana e reconhecer a importância da cultura afro-brasileira para a identidade nacional.

Para acessar o local de inscrições on line clique aqui.  Também é possível se inscrever no Teatro Vila Velha (Passeio Público, Campo Grande).

Cada dia será abordado um tema por dois especialistas que vão interagir com a plateia. No dia 18, o tema será História da África e os convidados são Artemisa Odila Cande Monteiro, de Guiné Bissau, doutora em Sociologia e mestre em Estudos Étnicos e Africanos pela Ufba e Antônio Cosme, mestrando em história pela Uneb e dono de larga experiência na formação de professores para aplicar a Lei 11.645/08 (que reformulou a 10.639/03 e estabelece a obrigatoriedade do ensino de História da África, Cultura Afro-Brasileira e História e Cultura Indígenas).

No dia 25 será a vez do tema Panorama da África Contemporânea com o professor Jacques Depelchin, natural do Congo e doutor em História da África e o professor Márcio Paim, mestrando em Estudos Étnicos e Africanos pela Ufba.

O seminário é uma ótima oportunidade para educadores interessados em África e temas ligados à cultura afro-brasileira. Imperdível, portanto.


As histórias que moram em acervos privados

postado por Cleidiana Ramos @ 3:17 PM
26 de julho de 2010

História da escravidão continua a ser escrita e revista. Foto: Reprodução| Arquivo A TARDE

Fazer estudos sobre escravidão no Brasil ainda é um desafio por conta da pouca documentação disponível. Pois, durante o último final de semana que passei em Iaçu tive mais uma vez uma certeza do quanto de informação sobre este e outros assuntos deve está contida nos chamados arquivos privados.

Lá na minha cidade foi feito um trabalho brilhante por Valdemar Ferraro, agora com 90 anos. Por mais de 40 anos, como procurador de uma família em disputa por posse de terras no município ele colecionou documentos que contam a cadeia sucessória da área onde Iaçu se formou.

Vale ressaltar que ele não só conservou, mas descobriu e até traduziu documentos como uma carta de donatária que estava em português antigo.

No meio destes papéis estão informações preciosas como a que coloca o principal distrito de Iaçu, João Amaro, como uma vila formada ainda no final do século XVII.

E não fica por aí. Um documento da década de 30 do século XIX conta a história de Francisco José Simplicío e sua relação com “uma parda” de nome Joana com quem teve quatro filhos. O texto é o seu testamento.

Nele, Simplício diz, em meio a todas as nuances de uma redação jurídica do século XIX, que não quer deixar os quatro  filhos pobres e desamparados e transfere bens, mas também dá informações sobre escravos que trabalham em sua fazenda e os de ganho.

Em um outro documento da coleção, Simplício divide com a esposa oficial os seus bens, incluindo escravos, colocando ao lado os nomes e relacionando os que tem “crias” e o seu valor.

Isso me fez ficar pensando o quanto João Amaro, atualmente uma localidade de pouco mais de dez mil habitantes, deve ter sido vibrante neste período, afinal se tinha escravos de ganho era porque existia uma forte atividade urbana.

Além disso, o quanto de cultura africana também herdou devido a esta presença negra que a gente ainda percebe em meio a uma parte significativa da sua população.  Dá para começar a imaginar o porque da presença de cultos que são diferentes, mas tem também semelhanças com o candomblé da capital e do recôncavo.  Imaginem o quanto faz falta que essas histórias se façam presentes nas escolas municipais.

Em João Amaro,  ainda resistem construções que encantam como a igreja dedicada a Santo Antônio que há sete anos foi tombada pelo Ipac e outra que ainda consegue manter a sua beleza, mesmo sem nenhum tipo de proteção ou conservação como a estação ferroviária que é a mais antiga da Chapada Diamantina.

Enfim, imaginem historiadores quantos acervos deste tipo estão espalhados por esta Bahia prontos para revelar detalhes da história negra também nos sertões baianos.

Foi, aliás, essa coleção que sustentou boa parte do livro Os Caminhos da Água Grande, publicado por mim em 1998 e que é resultado do meu trabalho de conclusão do curso em jornalismo.


Ceao promove curso para educadores

postado por Cleidiana Ramos @ 11:13 AM
14 de julho de 2010

A Escola Barbosa Romeu em São Cristóvão é uma das consideradas referências no cumprimento da Lei 11.645/08. Foto: Fernando Amorim| Ag. A TARDE|20.05.2005.

Atenção educadores: estão abertas até o dia 6 do próximo mês as inscrições para o Curso de formação de Professores para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileiras. Podem se inscrever professores,coordenadores e diretores das redes públicas federal, estadual e municipal.

O curso é promovido pelo Centro de Estudos Afro-Orientais com o apoio do Ministério da Educação através da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC).

Para saber mais tem um site específico ( www.cursoensinoafro.ufba.br) e o telefone 3283-5519. O serviço telefônico funciona de segunda a sexta-feira, das 13 às 17 horas. Ao ligar procurar a professora Zelinda ou Lucylanne.

Por conta da Lei 11.645/08 (que reformulou a 10.639/03) todas as escolas brasileiras de ensino fundamental são obrigadas a promover o ensino das disciplinas História da África e Cultura Afro-Brasileira, além de História e Cultura Indígenas.


Resultado da II Promoção Cultural

postado por Cleidiana Ramos @ 6:42 AM
27 de fevereiro de 2010

Dadá Marques é o vencedor da II Promoção Cultural do Mundo Afro. Das indicações apresentadas, a dele foi a única que melhor se aproximou do pedido que foi feito.

Eis a resposta de Dadá: os três alabês são; Litinho, 55 anos, Deco, 27 anos e Roberto, 25 anos – todos do Terreiro Ilê Axé Opô Aganju, em Lauro de Freitas, do babalorixá Balbino Daniel de Paula. 

Embora o Aganju fique em Lauro de Freitas, considerei a resposta, afinal é também Região Metropolitana de Salvador (RMS). Parabéns a Dadá e fico aguardando o seu endereço para enviar o brinde que é  o CD Tributo à Ancestralidade, produzido por Jaime Sodré e Carlos Maguari.

O outro exemplar  fica guardado para um novo sorteio e prometo que vou pensar em uma fórmula de incluir os leitores do Mundo Afro também de outras cidades.  


Jaime Sodré em dose dupla

postado por Cleidiana Ramos @ 2:59 PM
24 de fevereiro de 2010

Mundo Afro tem hoje dois artigos de Jaime Sodré. Foto: Manuela Cavadas| AG. A TARDE

Hoje temos a inteligência do professor Jaime Sodré em dose dupla: o primeiro capítulo da série Educaxé deste ano e um artigo muito interessante que saiu publicado na página de Opinião da edição de hoje de A TARDE. Confiram este duplo presente.


Educaxé: Arte iorubá

postado por Cleidiana Ramos @ 2:58 PM
24 de fevereiro de 2010

Máscara Geledé Balogun do Museu Afro Brasileiro. Foto: Margarida Neide | AG. A TARDE

Jaime Sodré

O povo yorubá soma aproximadamente 12 milhões de habitantes, tendo um país com uma larga produção de arte tradicional. Muitos dos que vivem no sudeste da Nigéria são considerados comunidades adicionais a oeste, entre a República do Benim e do Togo.

Esta área está dividida em aproximadamente vinte subgrupos, cada um com seus reinados tradicionais. Escavações em Ifé encontraram cabeças de bronze ou terracota e figuras longas da realeza e elementos do universo superior estrelado. Retratos naturalistas cada um previamente conhecidos na África.

As raízes artísticas e culturais de Ifé, com seu período clássico (a.C. 1.050-1500), encontram-se no antigo centro cultural de Nok no nordeste. De mentalidade religiosa é natural que permaneça obscuro. Nos anos 20/30 os yorubás se alojavam em fazendas, outros viviam em cidades, em cabanas, fechados em comunidades ou no campo, cultivando milho, feijão, aipim ou mandioca, inhames, amendoim, café e banana, controlados por negociantes. Também temos mercadores e artistas; ferreiros, artesãos de cobre, bordadeiras, escultores em madeira, trabalhando de geração a geração.

Os deuses yorubás formam um interessante panteon cujo deus criador é Olodumaré, seguido de mais de cem orixás e espíritos da natureza, habitantes de rochas, árvores e rios. Algumas peças representam Xangô, divindade dos raios, esculpidas em madeira e guardadas em santuários. Os escultores exercem as suas tarefas em atelieres com aprendizes onde são transmitidas as técnicas e os estilos preferenciais.

Por toda yorubalândia figuras humanas são representadas em formas basicamente naturais, mas exceto por seus olhos salientes, planos e projetados, lábios paralelos e orelhas estilizadas. No âmbito dos cânones básicos da escultura yorubá alguns traços são distinções particulares de determinados artistas de forma individual.

Hoje está em numerosos cultos. O culto Geledé homenageia o poder das velhas mulheres, durante os festivais Geledés. Esculturas em máscaras com formas humanas são apresentadas, geralmente desgastadas pelo uso. Encimando algumas máscaras, uma ou outra, há elaborados arranjos de penteados ou uma escultura representando os humanos em alguma atividade.

As máscaras do culto de Epa são relacionadas aos ancestrais e a agricultura, com variedades harmônicas que aparecem nas cidades. A máscara possui aspectos particulares, nos olhos, na altura de grande complexidade. Geralmente elas são usadas em ritos funerários ou ritos de passagem, e são, geralmente, compostas de inúmeros elementos, usualmente uma face humana em máscara, numa bem elaborada figura. Essas máscaras são guardadas em santuários e são reverenciadas com libações e preces.

A sociedade Ogboni tem suas figuras em latão, chamada Edan, que são colocados em par, instalando-se nas pontas e correntes, cabeça com cabeça, formando pares unidos. Elas são colocadas sobre os ombros dos membros da Irmandade Ogboni com canções, funcionando como um amuleto. Uma variedade de palmeiras é usada para a veneração de “caridites”, retratando a mulher. Sociedade e cultos específicos fazem parte das celebrações durante os festivais de máscaras, com música, danças, em uma integração total. O mais amplamente difundido culto é o dos gêmeos Ibeji, estátuas confeccionadas duplamente, reverenciadas pelo povo Yorubá amplamente.

As estátuas Ibeji são produzidas para cultuar os deuses gêmeos. Para os Ibejis são depositadas oferendas em forma de refeições fartas, rogando pela vida das crianças. Essas esfinges são produzidas com instruções oriundas dos oráculos e estão presentes em numerosas classes de esculturas africanas.

As figuras equestres são temas comuns aos yorubás, confeccionadas, preferencialmente, em madeira. Isto reflete a importância da cavalaria nas campanhas dos reis na criação do Império Oyó, nos séculos XVI a XIX. Somente os chefes yorubás tinham o privilégio de possuir cavalo. O cavalo era um importante símbolo social onde os artistas ao produzir peças inspiradas nestes animais deveriam demonstrar habilidade. O tamanho reduzido deste animal e as pequenas pernas dos cavaleiros são elementos típicos deste tipo de produção artística.

Portas esculpidas e pilares são elementos dos santuários dos palácios e das casas dos homens importantes. Cumprindo secular função são as tigelas para as nozes de cola, oferecidas como boas vindas ao visitante, [tabuleiro] “ayo” para jogos, assim como os “wari” jogados com seixos [pedras] colocados em fileiras, em depressões circulares, os tambores, as colheitas, os pentes. Adicional importância no campo das artes credita-se à cerâmica, tecelagem, às contas e peças fundidas.

Texto inspirado em trabalhos de Renato da Silveira, Reginaldo Prandi e Frank Willet

Jaime Sodré é professor universitário, mestre em História da Arte, doutorando em História Social e religioso do candomblé


Homenagem aos sacerdotes músicos

postado por Cleidiana Ramos @ 12:32 PM
23 de fevereiro de 2010

Já começaram a chegar as primeiras respostas para a II Promoção Cultural do Mundo Afro. Desta vez a homenagem é para os sacerdotes músicos do candomblé.

Os vencedores vão receber o CD Música Sacra do Candomblé e Tributo à Ancestralidade-Cortejo do Presente de Yemanjá- Ilha de Itaparica, Bahia. O trabalho foi produzido por Jaime Sodré e Carlos Maguary.

Para concorrer é só enviar o nome de três sacerdotes músicos de um terreiro de candomblé baiano e as suas idades. Mais atenção: os três devem pertencer ao mesmo terreiro. O nome da Casa, endereço, nação e identificação da sua liderança também devem constar na resposta.

Ganham  as duas indicações com maior soma das idades. Mãos à obra e boa sorte.


De volta

postado por Cleidiana Ramos @ 8:43 AM
22 de fevereiro de 2010

O Mundo Afro está de volta depois de alguns dias de ausência na atualização dos posts. Desculpem o intervalo, mas a maratona de trabalho no Carnaval e outros compromissos me obrigaram a dar uma desacelarada. Estamos de volta e com a novidade de mais uma promoção cultural, como vocês podem conferir abaixo.


II Promoção Cultural do Mundo Afro

postado por Cleidiana Ramos @ 8:39 AM
22 de fevereiro de 2010

Promoção do Mundo Afro faz homenagem aos sacerdotes músicos do candomblé. Foto: Xando Pereira| AG. A TARDE

Como havia prometido, temos uma nova promoção cultural no Mundo Afro. O brinde, mais uma vez, está sendo oferecido pelo professor Jaime Sodré que ficou animadíssimo com os resultados da anterior. Depois da literatura, vamos agora privilegiar a música religiosa, afinal um dos mais importantes elementos do candomblé é o canto.

São os sacerdotes músicos – alabê (nação ketu), huntó (nação jeje) e xicarangoma (nação angola)- que conhecem os cantos capazes de levarem as divindades a dançar. É uma beleza vê-los em atividade não só por meio da canção, mas também dos toques.

Vale ressaltar que é uma atividade cujo conhecimento é repassado oralmente de geração a geração. Além disso, embora seja de uma determinada nação, o sacerdote, normalmente, também domina conhecimento sobre os toques das demais.

Vamos então às explicações sobre a promoção: os concorrentes devem enviar o nome de três sacerdotes músicos de um terreiro de candomblé baiano e as respectivas idades. Mais atenção: os três devem pertencer ao mesmo terreiro. O nome da Casa, endereço, nação e identificação da sua liderança também devem constar na resposta.

As duas indicações com as idades que somarem o maior número de pontos ganham o CD intitulado Música Sacra do Candomblé e Tributo à Ancestralidade-Cortejo do Presente de Yemanjá- Ilha de Itaparica, Bahia. A produção é de Jaime Sodré, que é xicarangoma, e Carlos Maguary.

Vocês podem enviar as respostas até a próxima sexta-feira, dia 26. Devem também acrescentar o nome e endereço completo. Não se preocupem que estas informações não serão publicadas. Elas servem apenas para o envio dos brindes. Aguardo os resultados que serão também uma homenagem a estes sacerdotes.


Mais uma historinha afro-brasileira

postado por Cleidiana Ramos @ 7:54 AM
11 de fevereiro de 2010

Está publicada aí abaixo a última das histórias vencedoras da I Promoção Cultural do Mundo Afro. Esta é de autoria de Marcleia Santiago do Amor Divino.

Fiquem atentos, pois o professor Jaime Sodré já sinalizou com mais uma promoção interessante para lançarmos aqui.


Dona Clara

postado por Cleidiana Ramos @ 7:52 AM
11 de fevereiro de 2010

Marcleia Santiago do Amor Divino

A minha mãe me contou a história da minha bisavó que faleceu em 2000, com mais de cem anos. A velha guerreira trabalhou até os 80 anos em serviços rurais com muito vigor e quando perguntavam de onde vinham o viço e a coragem de espantar homens aventureiros com a ajuda da espingarda, a resposta era simples:

-É herança dos escravos corajosos que enfrentaram seus senhores na época da escravidão.

Dona Clara, como era conhecida, vivia escondidinha nas matas virgens, protegida pelos caboclos e guias.

Ainda mocinha, foi encontrada dentro das matas virgens do sertão da Bahia por um grupo de caçadores. Até então vivia totalmente isolada da cidade. Ela tentou em vão se livrar dos caçadores, mas eles a levaram à força para a cidade vizinha.

Lá, Clara casou-se com Eugênio, também descendente de escravos, e dessa união nasceram muitos filhos, os quais foram criados às custas das plantações de cacau, feijão e mandioca.

Segundo relatos de alguns que a conheceram, Dona Clara era uma mulher invejável e que encantava a muitos com sua beleza, mas os mais atrevidos eram surpreendidos a chumbo.

Além disso, era também conhecida pelo conhecimento de rezas e de ervas que curavam muitas enfermidades.


A origem do homem na versão africana

postado por Cleidiana Ramos @ 8:17 AM
27 de janeiro de 2010

Iele Ferreira Portugal

-Vovó de onde mesmo que veio o homem?

– Senta aqui que vou te contar: Quando era bem pequenininha, mais ou menos da sua idade, minha avó, que era descendente da gente da África, da região chamada Daomé, me contou uma história. Vou contar a você o que eu lembro.

– Vovó, antes de a senhora me contar a história, explique o que é descendente.

– É aquele que vem de algum outro lugar.

– Agora a senhora pode continuar a história.

– Há muito tempo, os orixás viviam aqui na terra. Não existia o homem. Até que, um dia, Olorum,o dono do céu, resolveu que criaria o homem para fazer companhia aos orixás. Olorum tentou criar o homem de ar, de fogo, de água, de pedra e de madeira, mas em nenhum caso deu certo.

– Por que não deu certo, vovó?

– Porque os homens de ar e de água não tinham forma, o homem de fogo consumia-se, e os homens de pedra e de madeira não se mexiam.

– E então, o que Olorum fez?

– Ele não fez nada. Nanã foi quem fez. Vendo que todas as alternativas tinham dado errado, essa orixá se ofereceu para criar o homem. Olorum permitiu. E Nanã foi fazer o homem. Pegou um punhado de barro e foi modelando o corpo: as pernas, os braços, a cabeça e tudo que temos hoje. Ela não esqueceu nada, fez tudo direitinho. Deu-nos tudo que precisamos,pernas para andar, mãos para pegar as coisas, olhos para ver… não se esqueceu de nada.

– É isso mesmo!

– Depois que homem foi feito, o que aconteceu?

– Os homens e os orixás viveram juntos e felizes, dividindo alegrias e aventuras na terra.

 


Confiram as vencedoras da Promoção Cultural

postado por Cleidiana Ramos @ 4:24 PM
22 de janeiro de 2010

 

Contracapa do livro retrata autores do texto e da ilustração. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Contracapa do livro retrata autores do texto e da ilustração. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Iele Ferreira Portugal (A Origem do Homem na Versão Africana); Marcleia Santiago do Amor Divino ( Dona Clara) e Maria Auxiliadora Andrade Pereira (Uma História de Caboclo) são as vencedoras da I Promoção Cultural do Mundo Afro.

Cada uma delas vai receber um exemplar do livro Uma Histórinha Africana, de autoria do professor Jaime Sodré com ilustrações de João Victor Dourado.

O livro faz parte de um projeto voltado para o suporte à aplicação da Lei 10.639/03, alterada pela 11.645/08, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira, apoiado pela  Fundação Cultural Palmares.   As vencedoras vão receber os livros em suas residências.

Ficou ainda um exemplar, pois o material enviado não estava no formato da promoção.  A ideia era elaborar relatos tentando ficar o mais próximo possível da forma como eles foram absorvidos e não cópias de outros autores. Se chegar mais alguma história com o formato pedido, ganha o exemplar remanescente.

No mais, obrigada pela participação e vou publicar aqui no blog as histórias vencedoras a partir da próxima semana. Outra coisa: essa é a primeira das promoções. Sempre que tiver oportunidade farei outras.


Promoção do Mundo Afro vai até sexta

postado por Cleidiana Ramos @ 11:45 AM
20 de janeiro de 2010
As quatro melhores histórias vão ganhar livro assinado pelo professor Jaime Sodré. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

As quatro melhores histórias vão ganhar livro assinado pelo professor Jaime Sodré. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

A promoção cultural do Mundo Afro prossegue até a próxima sexta-feira. Algumas histórias já chegaram e continuo aguardando as demais. 

Os autores das quatro melhores vão receber, cada um, um exemplar do livro Uma Historinha Africana, dirigido ao público infanto-juvenil e escrito pelo professor Jaime Sodré, com ilustrações de João Victor Dourado.

Para saber como participar da promoção acessem o post anterior clicando aqui.


Promoção Cultural do Mundo Afro

postado por Cleidiana Ramos @ 10:14 AM
15 de janeiro de 2010
Blog sorteia quatro exemplares de Uma Historinha Africana. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

Blog sorteia quatro exemplares de Uma Historinha Africana. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

O Mundo Afro está lançando sua primeira promoção cultural. Vou sortear aqui quatro exemplares do livro Uma Histórinha Africana, de autoria do professor Jaime Sodré, com ilustrações de João Victor Dourado. O professor Jaime, gentilmente, doou os exemplares para este fim.

A edição do livro, dirigido ao público infanto-juvenil, foi vencedor de um edital da Fundação Palmares e faz parte de um projeto de apoio didático para aplicação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira. Atualmente, a Lei tem o número 11.645/08, por conta da modificação para também incluir o ensino de História e Cultura Indígena.

O projeto contemplou não só a distribuição do livro em escolas, mas também um encontro com a presença da ebomi Cidália Soledade, uma exímia contadora das histórias de trdição africana. Os encontros aconteceram em dezembro nas escolas Mãe Hilda, localizada na Liberdade, São Gonçalo e Mundo dos Sonhos, situadas na Federação.

O livro conta uma história envolvendo Doúm, Alabá e Elegbara e é um ensinamento sobre as muitas verdades que um mesmo fato pode oferecer.

Vamos fazer o seguinte: os quatro melhores relatos sobre histórias de tradição africana levam os exemplares. Podem ser contos relativos a inquices, orixás, voduns e caboclos, mas não vale, por exemplo, escrever igualzinho aos relatos de Pierre Verger ou de Reginaldo Prandi, por exemplo.

Contem como vocês ouviram as histórias de seus avós, pais e tios. Quem sabe não descobrimos outros griots (contadores de histórias) por aí?

História pronta é só enviar via o sistema de comentários do blog, com nome completo, endereço e telefone. Claro que não vou publicar estas duas últimas informações. É só para enviar o livro em caso de vitória.

Leitores de outros estados e países também podem participar. Não se preocupem que tem como fazer chegar o exemplar. O prazo para envio é até o próximo dia 22 (sexta-feira de hoje a oito).  

As melhores histórias além de levar o livro também serão publicadas no blog para a gente socializar as informações. Vamos lá. Estou ansiosa pela participação de vocês.  


As raízes africanas de Tamburi

postado por Cleidiana Ramos @ 6:53 PM
23 de dezembro de 2009

Olhem que iniciativa legal: professores  e uma aluna da escola Eurídice Sant´Ana, situada em Marcionílio Souza,  realizaram um documentário sobre a herança africana do município. A localidade ainda é chamada carinhosamente por seus moradores de Tamburi, nome usado antes da emancipação.

O objetivo do trabalho foi investigar o povoado de Umburanas que é conhecido como área remanescente de quilombo. A partir daí o trabalho cresceu e virou um documentário. A iniciativa tem origem em um projeto da professora Iara Bacellar. 

Em um mês, eles realizaram trabalho de pesquisa, filmagens e edição. Aqui está a ficha dos responsáveis pela produção: os professores Dodó Rebouças, Iara Bacellar, Josley Mattos, Marcos Ribeiro, Sônia Ramos e a aluna Susana Rebouças.

Em tempos de falta de material didático para a aplicação da Lei 11.645/08, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro- Brasilieira, está aí um bom exemplo a ser seguido. Além disso, traz a oportunidade de conhecer um pouquinho da herança negra nas áreas distantes de Salvador e do Recôncavo. Marcionílio Souza fica na Chapada Diamantina.   

O vídeo foi dividido em quatro partes que estou disponibilizando abaixo:

 

 


Consciência Negra 2009: Conversa sobre empreendedorismo

postado por Cleidiana Ramos @ 6:30 PM
30 de novembro de 2009
Mário Nelson Carvalho durante a entrevista em um dos estúdios de A TARDE FM. Foto: : João Alvarez |AG. A TARDE

Mário Nelson Carvalho durante a entrevista em um dos estúdios de A TARDE FM. Foto: : João Alvarez |AG. A TARDE

Estou postando agora o último áudio do conteúdo integrado do especial Produtores de Owó. É uma entrevista feita por Meire Oliveira com o empresário Mário Nelson Carvalho.

Mário Nelson é diretor de relações institucionais da Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (Anceabra) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (Cedes).  

A conversa girou em torno da importância do empreendedorismo, as dificuldades para montar este tipo de negócio e mantê-lo, dentre outros assuntos. Para ouvir  a primeira parte clique aqui.   Já para conferir a segunda clique aqui.

 


Consciência Negra 2009: A luta das mulheres

postado por Cleidiana Ramos @ 4:30 PM
27 de novembro de 2009

Estou postando aí abaixo um artigo da doutora em antropologia Cecília C. Moreira Soares sobre o empreendedorismo das mulheres negras. A professora Cecília tem um belíssimo livro sobre o tema intitulado Mulher Negra na Bahia no Século XIX.

O livro mostra a trajetória das mulheres negras no contexto da escravidão e as suas estratégias para conseguir a liberdade e o seu sustento. Eram comerciantes, principalmente, de gêneros alimentícios.

O texto da professora Cecília é mais um complemento do especial Produtores de Owó e pode ser usado como apoio didático para aplicação da Lei 10.639/03.


Consciência Negra 2009: Reflexões sobre História e Educação

postado por Cleidiana Ramos @ 3:34 PM
24 de novembro de 2009
Josiane Clímaco e Ubiratan Castro durante entrevista nos estúdios de A TARDE FM. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Josiane Clímaco e Ubiratan Castro durante entrevista nos estúdios de A TARDE FM. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Mais um áudio muito bom. Eu e Meire Oliveira conduzimos o bate-papo com o doutor em História e presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, e a especialista em planejamento educacional, Josiane Clímaco.

A conversa girou sobre história da escravidão, a especialidade do professor Ubiratan, e os acertos e desafios para aplicação da Lei 10.639/03, tema dominado pela professora Josiane.

Aproveitem. É mais um conteúdo integrado do nosso especial Produtores de Owó.  Cliquem aqui para confeirir a primeira parte da entrevista.  Para conferir o complemento, cliquem aqui.  


Consciência Negra 2009: Especial na íntegra

postado por Cleidiana Ramos @ 8:09 AM
23 de novembro de 2009
Caderno Especial Produtores de Owó traz dicas para aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Caderno Especial Produtores de Owó traz dicas para aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Para quem perdeu o caderno especial Produtores de Owó,que circulou no jornal A TARDE na última sexta-feira em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra e, especialmente, para quem está fora da Bahia aqui está a chance de conferi-lo na íntegra.

O Grupo A TARDE está disponibilizando todo o conteúdo.  Boa leitura e façam suas críticas e sugestões: