Festa para Ebomi Cidália de Iroko

postado por Cleidiana Ramos @ 1:31 PM
21 de agosto de 2010

Homenagem aos 80 anos de Ebomi Cidália. Foto: Rejane Carneiro|Ag.A TARDE|19.10.2007

Dia emocionante ontem. Com o professor Jaime Sodré á frente, fizemos uma homeangem aos 80 anos de nascimento de Ebomi Cidália Soledade.

O anfitrião da homeangem foi o Terreiro Oxumarê. Na parte da manhã, ela teve um encontro comigo e mais três jornalistas: Juliana Dias, Marlon Marcos e Meire Oliveira. Foi uma delícia o bate-papo, com histórias fantásticas. Falamos da sua infância, juventude e também, claro, de candomblé.

Na parte da tarde, autoridades de vários terreiros deram o seu depoimento sobre a que é considerada “A Enciclopédia da Bahia”. Enfim, uma homenagem linda e merecida que está apenas na sua primeira parte.

O resultado desse dia fantástico, por exemplo,  logo, logo vai ser publicado. A espera vai valer a pena.


Gantuá- a estrela mais linda

postado por Cleidiana Ramos @ 10:17 AM
26 de julho de 2010

Professor Jaime destaca homenagem da Unesco ao Gantois. Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE| 04.03.2001

Jaime Sodré

Desde tempos pretéritos que a humanidade escolhera a Natureza como objeto de culto, temendo ou adorando-a. Refiro-me a África Ancestral, quando no Vale do Rift, no Lago Turkawa no Quênia, garganta de Olduvai na Tanzânia, Haddar e Vale do Ouro na Etiópia, e Taung, Makapansgat, na agora familiar África do Sul, o homem e a mulher põem-se de pé e fé na religiosidade primária.

Para Elikia M’Bokolo: “estamos hoje mais autorizados a dizer de maneira mais radical que a questão da anterioridade africana se impõe no próprio cerne dos processos de hominização”, logo, África berço da humanidade. O caráter de preservação da religiosidade de base africana, característica de humanização, decorre da longevidade e ações de resistência nos enfretamentos das pretensões expansionistas do Islã, evangelizadoras do catolicismo e do protestantismo.

Processos sincréticos, como solução estratégica de sobrevivências, foram experimentados. E tudo chegou sobrevivente nos tumbeiros. Os primeiros bantos implementaram o “calundu”, “tataravô” do modelo atual do Candomblé, prestando assistência e serviço religioso até mesmo ao branco colonizador-opressor, com rezas, unguentos, garrafadas, etc. mesmo sob olhar repressor das autoridades.

Mais tarde, essas manifestações religiosas eram realizadas já em ambiente residencial, discreto, nas “lojas” dos africanos livres, fazendo as obrigações iniciáticas em casas localizadas no centro histórico. A forma estruturada do Candomblé, como hoje conhecemos, como síntese de contribuição banto, gege e nagô, teve o seu modelo original nas ações “das tias” Iya Kalá, Iya Detá e Iya Nassô, inaugurando o famoso Candomblé da Barroquinha, matriz de muitos outros, a exemplo da Casa Branca, do Ilê Axé Opô Afonjá que completa 100 anos de existência, e do terreiro da nossa Mãe Menininha.

Os esforços dessas sacerdotisas conseguiram preservar, em um sentido profundo, o que existia de fundamental de suas raízes religiosas. Assim, no século XIX, viu-se inaugurar a implementação de um complexo cultural afro, na forma de egbé, agora já expulsos do centro da cidade para espaços chamados “terreiros”, onde se consagram os cultos das divindades africanas e de ancestrais ilustres, os égun. Esses terreiros adquiriram caráter especial através de identificação em forma de nações, e ultrapassam os limites territoriais, vencendo preconceitos e ameaças, interagindo com a comunidade baiana, expandindo-se. Resistência e fé passaram a ser o compromisso.

Agora, com aliados ilustres, podemos saber sobre a trajetória vitoriosa desta matriz religiosa. Bons hábitos fazem quem lê jornal e, melhor ainda, a coluna de July. Local onde circula, de forma respeitosa e elegante, as notícias do povo-de-santo. O terreiro do Gantuá é noticia com o título Unesco.

O Egbé Oxóssi, Ilê Axé Iya Omin Iyamassê, comunidade religiosa fundada no Alto do Gantuá, no início do século XIX, pela Iyalorixá Maria Julia Figueiredo inaugurando uma linhagem com D. Pulquéria da Conceição Nazaré, D. Maria dos Prazeres Nazaré e a “estrela mais linda” Mãe Menininha do Gantuá, seguindo-se Mãe Creuza e Mãe Carmem, preservam a tradição e a seriedade dos seus ritos.

Em Dezembro de 2002, o Ministério da Cultura homologa o tombamento do terreiro como bem histórico nacional. “Deu na coluna de July” e aqui no Mundo Afro que a Iyalorixá Mãe Carmem fora homenageada pela Unesco com a Medalha dos Continentes I, entregue pelo presidente do Conselho Executivo do Benin para a Unesco, embaixador Olabiyi Babalola Joseph Yai, um amigo da Bahia, em reconhecimento a este terreiro que tem Oxóssi como patrono, comprometido com o diálogo intercultural e que não efetua ações de proselitismo, nem distinções negativas para com outros segmentos religiosos de concepções diversas.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


O busto de Milton Santos já é realidade

postado por Cleidiana Ramos @ 5:19 PM
15 de julho de 2010

A Ufba vai inaugurar um instituto em homenagem a Milton Santos. No local também será erguido um busto do grande intelectual. Foto: Maria Adélia de Souza | Sesc TV | Divulgação

Olha só a força que a palavra escrita às vezes tem. Publiquei aqui no Mundo Afro um artigo do professor Jaime Sodré pedindo um monumento a Milton Santos. O texto já havia sido publicado no jornal A TARDE. A causa como já era de se esperar mobiliza muita gente, afinal Milton Santos é um patrimônio da Bahia para quem sabe das coisas.

Pois ontem recebi do professor Jaime um e-mail com uma ótima notícia: o busto em homenagem a Milton Santos vai ser inaugurado. O monumento, viabilizado pela Secretaria Municipal da Reparação (Semur), fará parte de uma homenagem ainda maior: o  Instituto Milton Santos da Ufba. A cerimônia do marco luminoso no local onde ficará o instituto (Campus de Ondina) será no próximo dia 31.

Portanto, celebremos aqui a força da palavra e da visão do professor Jaime Sodré.


Jaime Sodré de volta

postado por Cleidiana Ramos @ 11:41 AM
13 de julho de 2010

Depois de algum tempo, que para nós tem a saudade de séculos, eis que o Mundo Afro volta a contar com artigos do professor Jaime Sodré. E nada melhor para este retorno do que uma reflexão sobre o nobre professor Milton Santos. Aproveitem. O artigo está postado abaixo.


Um monumento em honra de Milton Santos

postado por Cleidiana Ramos @ 11:39 AM
13 de julho de 2010

O professor Milton Santos foi um dos grandes intelectuais brasileiros. Foto: Arquivo A TARDE

Jaime Sodré

Permitam-me apresentar o currículo; Professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas das USP; pesquisador 1A do CNPq; visiting professor, Stanford University, 1997/98; bacharel em direito, Universidade Federal da Bahia, 1948; doutor em geografia, Université de Strasbourg, França, 1958; doutor honoris causa das universidades de Toulouse, Buenos Aires, Complutense de Madrid, Barcelona, Nacional de Cuyo-Barcelona, Federal da Bahia, de Sergipe, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Estadual de Vitória da Conquista, do Ceará, Unesp e de Passo Fundo.
Prêmios: Internacional de Geografia Vautrin Lud, 1994; USP/1999(orientador de melhor tese em ciências humanas); Mérito Tecnológico, 1997 (Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo); Personalidade do Ano, 1997 (Instituto dos Arquitetos do Rio de Janeiro); Jabuti, 1997 (melhor livro de ciências humanas: A Natureza do Espaço, Técnica e Tempo).

Medalhas: Mérito Universitário de La Habana, 1994; Comendador da Ordem Nacional do Mérito Cientifico, 1995; Colar do Centenário do Instituto Histórico e Geográfico de  São Paulo, 1997; Anchieta, da Câmara  Municipal de São Paulo, 1997; Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, 1997; Lecionou nas universidades de Toulose, Bordeaux, Paris, Lima, Dar-es-Salaam, Columbia, Venezuela e do Rio Janeiro. Consultor da ONU, OIT, OEA e Unesco, junto aos governos da Argélia e Guiné-Bissau e ao senado da Venezuela.

Publicou mais de quarenta livros e trezentos artigos em revistas cientificas em português,francês, inglês e espanhol. Baiano de família de professores, com o avô e avó professores primários, mesmo antes da abolição, que o ensinaram a olhar mais para frente do que para trás. Família remediada, os pais ensinaram boas maneiras, francês e álgebra. Foi aluno interno e neste ambiente começara a ensinar antes da faculdade. Foi para a faculdade de Direito formado-se em 1948.

O fato: segundo o mesmo, seu maior desejo era a Escola Politécnica, mas havia uma ideia generalizada que esta escola “não tinha muito gosto de acolher negros, então fui aconselhado fortemente pela família – tinha um tio advogado – a estudar Direito, e daí mudei para a Geografia, que comecei a ensinar desde os quinze anos”. Havia uma crença na sociedade da época que na Politécnica os obstáculos eram maiores. Escrevera no jornal A Tarde, como correspondente na região do Cacau onde lecionava, por iniciativa do ministro Simões Filho que o descobriu para a imprensa. Ensinara na Universidade Católica e preparava-se para entrar na pública, onde fez concurso em 1960, após o doutorado em Geografia na França.

O pleito: Quando saíamos do Colégio Central em turma na direção da Sé, era comum a brincadeira entre as estátuas do Barão do Rio Branco e Castro Alves. Os mais espirituosos diziam: “Castro Alves estendia a mão em direção ao Barão pedindo uns trocados para libertar os negros. Rio Branco, com a mão no bolso, dizia tenho mas não dou”. Coisas da juventude.

Recentemente a Semur solicitou-me uma relação de estátuas e monumentos de negros e negras, em nosso espaço urbano. Inspirou-me para o que segue. Diante do currículo exposto do Professor Dr. Milton Santos, sinto-me autorizado a pleitear, quem sabe à própria Semur, a possibilidade da efetivação da estátua ou um busto do nosso Milton Santos, enriquecendo a cidade e expondo um modelo de talento e superação.

Ainda de posse de uma das suas brilhantes frases, que estaria no monumento merecido – “Quem ensina, quem é professor, não tem ódio” – em tempo de cotas, melhor local não seria adequado, se não em pleno ambiente acadêmico da Escola Politécnica, cumprindo um desejo do grande mestre, calado outrora pela mentalidade maldosa, inibidora da época.

Aposso-me de uma frase, lugar comum neste gesto, na certeza do apoio de muitos, “ao mestre com carinho”. Esta justíssima homenagem, traduzirá, com certeza, a admiração do povo brasileiro aos seus filhos ilustres, registrando aqui homenagem a alguém que o mundo não se cansou de reconhecer e homenagear. Placidez, serenidade, sorriso permanente aberto, humanidade, sabedoria, sem perder a ternura diante das dificuldades, poderão inspirar o escultor a modelar em material nobre este nobre baiano.

Jaime Sodré é historiador, escritor, professor universitário e religioso de candomblé


Balaio de Ideias: Diga que é Filho de Oxalá

postado por Cleidiana Ramos @ 6:35 PM
26 de abril de 2010

Jaime Sodré apoia a campanha do CEN para a autoafirmação religiosa de matriz africana durante o Censo. Foto: Elói Correa| AG. TARDE| 17.01.02

Jaime Sodré

O não e o sim têm as suas razões históricas. Não se trata de uma simples concordância ou uma rejeição ao sabor da vontade pessoal ou coletiva, desprovida de conteúdos significativos, mas das ações de forças poderosas, construtoras dos fatos, como resultado das relações e tensões densas ou harmônicas dos atores sociais. Assim, o nosso Imperador mandou “dizer ao povo que fico”, num episódio de afirmação, ou seja, o sim, que entrou para a história como o “Dia do Fico”. Mas Pedro,  o outro,  no episódio bíblico negou Cristo, não só uma vez, e sim nas reiteradas “três vezes”.

Negar é dizer não. Motivações não lhe faltariam? Não cabe aqui julgá-lo. Nos episódios revolucionários, em defesa dos seus pescoços, provavelmente silenciando ideias verdadeiramente nobres, inconfidentes baianos ou mineiros disseram não, mas a Coroa disse sim à execução de alguns dos nossos heróis. Maria Quitéria negou a sua condição feminina, transitória em farda masculina, no desejo de servir ao Imperador.

Os tentáculos da opressão operam milagres nefastos, cruéis, e muitos, sobre este espectro do ódio, da dor e da perseguição, na tortura, enfim, disseram não ou talvez sim? Caetano cantou é “proibido proibir” dizendo que a “mãe da virgem diz que não”.

Mas o que pode soar como uma inoportuna “lengalenga” justifica-se para abordar o que segue. De há muito o corpo religioso do segmento de matriz africana escondia-se em um “não”, e para um exercício razoável dos rituais sagrados do Candomblé, buscava-se o “sim”, a possível realização, ocultando-se no “sincretismo”, um disfarce em tempos opressores.

Mais tarde, embora o Estado dissesse não, em uma ação de perseguição inolvidável, invadindo templos, o sim, ou seja, o exercício dos rituais litúrgicos só se fazia mediante autorização policial. A campanha depreciativa, sistemática, contra o Candomblé, impondo-lhe proximidade com a barbárie e a feitiçaria, fizera muitos negarem sua vinculação religiosa de base africana, a sua filiação legítima. Presenciei, em tempos de outrora, veneráveis personalidades do povo-de-santo não exibir as suas contas sacrossantas temendo censura ou embaraços.

Não seria incomum neste contexto histórico, que muitos se afirmassem católicos. Mas, afinal, o dia da assunção plena, dizendo “alto e bom som” a sua verdadeira convicção religiosa, chegara. Reunidos no Teatro Gláucio Gil, coordenada pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN) e pela Superintendência de Direitos Humanos Coletivos e Difusos (Superdir) foi lançada a campanha Quem é de Axé diz que é! Razões históricas amparam esta iniciativa, mas, muito além do lançamento desta campanha, fora assinado um convênio entre a Superdir e a Secretaria de Promoção de Políticas da Igualdade Racial (Seppir) que objetiva a criação do Centro de Referência de Enfrentamento à Intolerância Religiosa e a Promoção dos Direitos Humanos, e do termo de compromisso para catalogação das peças religiosas de matriz africana que foram aprisionadas entre os anos 30 e 40, principalmente.

O lançamento da campanha Quem é de Axé diz que é! foi comemorado com alegria, um grupo de Yalorixás e Babalorixás presentes, vibraram em cortejo. Creio que para Marcos Rezende, coordenador geral do CEN, e demais nobres fiéis realizadores e colaboradores, o momento é de grande e ampla divulgação, por isso, sirvo-me deste espaço para dar “a boa nova”. Chegou o momento do “sim vencer o não”, o momento de assumir, sem receio, o que a lei e a fé nos permitem.

Deste modo, quando o rapaz ou a moça do IBGE bater na sua porta, receba-o bem, com educação; dê-lhe água fresquinha, pois a sua tarefa é árdua; sirva-lhe um cafezinho, feito na hora; quem sabe, biscoitos, banana frita ou acarajé e abará. Mande-o sentar, e ao ser perguntado sobre a sua religião não tema, diga e repita, para que ouça bem e com clareza: “Meu nêgo, minha nega, eu sou filho de Oxalá. Meu filho, eu sou do Candomblé, sou do Axé, e você? Anote aí. Que ele mesmo te proteja e te livre das horas más. Vá na paz de Oxalá. Que ele mesmo abençõe a você e todos os seus, lembrança, e apareça!” Mas aproveite também para participar, caso o seu tempo permita, dos grupos de gestão do Censo, Há, inclusive, a possibilidade, ao que me parece, sem muita certeza, de responder no próprio site do IBGE. Busquem o CEN para confirmar.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


Resultado da II Promoção Cultural

postado por Cleidiana Ramos @ 6:42 AM
27 de fevereiro de 2010

Dadá Marques é o vencedor da II Promoção Cultural do Mundo Afro. Das indicações apresentadas, a dele foi a única que melhor se aproximou do pedido que foi feito.

Eis a resposta de Dadá: os três alabês são; Litinho, 55 anos, Deco, 27 anos e Roberto, 25 anos – todos do Terreiro Ilê Axé Opô Aganju, em Lauro de Freitas, do babalorixá Balbino Daniel de Paula. 

Embora o Aganju fique em Lauro de Freitas, considerei a resposta, afinal é também Região Metropolitana de Salvador (RMS). Parabéns a Dadá e fico aguardando o seu endereço para enviar o brinde que é  o CD Tributo à Ancestralidade, produzido por Jaime Sodré e Carlos Maguari.

O outro exemplar  fica guardado para um novo sorteio e prometo que vou pensar em uma fórmula de incluir os leitores do Mundo Afro também de outras cidades.  


Promoção Cultural termina amanhã

postado por Cleidiana Ramos @ 4:45 PM
25 de fevereiro de 2010

II Promoção Cultural do Mundo Afro oferece CD Tributo à Ancestralidade. Foto: Reprodução| AG. A TARDE

Amanhã termina o prazo para a participação na II Promoção Cultural do Mundo Afro. Para participar é necessário mandar o nome de três sacerdotes músicos de um terreiro de candomblé baiano e suas respectivas idades. É preciso acrescentar também o nome do terreiro, endereço nação e liderança. As duas indicações vencedoras serão aquelas cujas idades somarem o maior número de pontos.

É necessário também mandar o nome completo e endereço do participante, informações que não serão publicadas. Elas servem apenas para o envio do brinde, que  é o CD intitulado Tributo à Ancestralidade, produzido por Jaime Sodré e Carlos Maguari. O trabalho é uma reprodução do cortejo do presente de Iemanjá realizado pelo terreiro Omon Ilê Agboulá. A comunidade religiosa fica em Ponta de Areia, na Ilha de Itaparica e é o mais conhecido templo dos dedicados ao culto de Babá Egum.

A produção tem também um registro curioso: o encontro entre o cortejo do Agboulá e uma procissão católica. Imperdível, não? Continuem mandando suas respostas.

Para ouvir uma das faixas do CD é só clicar aqui


Jaime Sodré em dose dupla

postado por Cleidiana Ramos @ 2:59 PM
24 de fevereiro de 2010

Mundo Afro tem hoje dois artigos de Jaime Sodré. Foto: Manuela Cavadas| AG. A TARDE

Hoje temos a inteligência do professor Jaime Sodré em dose dupla: o primeiro capítulo da série Educaxé deste ano e um artigo muito interessante que saiu publicado na página de Opinião da edição de hoje de A TARDE. Confiram este duplo presente.


Balaio de Ideias: Lazzo I, o Magnífico

postado por Cleidiana Ramos @ 2:58 PM
24 de fevereiro de 2010

Professor Jaime Sodré sugere Lazzo como Rei Momo 2011. Foto: Divulgação

Jaime Sodré

Como sempre acontece no pós-Carnaval, a promessa é sempre começar a visulumbrar atitudes e mudanças para o próximo, enquanto procuro entender as vazantes de dois rios que parecem não se cruzar: um, caudaloso, pensando o Carnaval como uma atividade de negócios; o outro pensando o espaço da folia como oportunidade de expor aos olhos de muitos as suas qulidades culturais, apostando no direito à diversão e estímulo à estima. Negócios não são maléficos, o comércio também fez parte dos contatos milenares entre os povos. O que fico a meditar é sobre a razão de estes dois rios não se cruzarem.

Patrocínios para uns, negação para outros. Consumidores em maioria, somos esquecidos quando se trata de blocos afros ou personalidades musicais negras em busca da chancela comercial. Desde o ritual da manhã até o anoitecer estamos lidando com produtos os mais diversos, porém isso não sensibiliza as empresas, nem ao menos uma simples pasta dentrifrícia lembra-se que escovamos os dentes, ou não? Sabões, detergentes, desodorantes comprometidos com o asseio e limpeza não patrocinam ao menos a Lavagem de Itapuã, manifestação de asseio físico e espiritual.

No Carnaval o governo atende com um oportuno aparato financeiro aos blocos afros, com o programa Ouro Negro. Em boa hora, mas não basta, necessita-se de recurso privado, até porque ao governo cabe empregar os nossos recursos não só na folia, temos a saúde, escola, seguraça etc, para cuidar.

Mas, enquanto estudava a economia do Carnaval no âmbito da indústria cultural, na boa monografia de Bruna Silva e nos dados sobre os custos dos abadás e similares, elaborado pela Prof. Lúcia Maria, buscando compreensão e luz, não vi Lazzo Matumbi passar com o seu bloco Coração Rastafari, fundado, em 1998, com o objetivo de criar um espaço para o reggae no Carnaval. Bloco que saía sem corda e seguindo os conceitos de paz, igualdade e respeito. Lazzo, dono de uma voz privilegiada, um artista completo, um dos mais e merecidos aclamados cantores da comunidade baiana, não desfilou, problemas com patrocínio, ou de quem não reconhece neste astro uma oportunidade de atrelar os seus produtos a uma estrela ímpar.

Recordo de um artista negro sobre um trio, o dançarino Sebastian, recomendando um grande magazine. Aguardo ainda um bom anúncio da nossa (diva) Margareth Menezes, em tempos de Beyoncé. Questionava-me uma mulher afrodescendente não visualizar semelhante, nem em anúncios de absorventes. Será que mulher negra não menstrua? Indagava, satirizando, claro.

Em 1959 o radialista Edmundo Viana e o jornalista Silva Filho colocaram o inigualável Ferreirinha, motorista da Sutursa, como rei Momo, ficando na função até 1988. Desfilava em carro alegórico do Campo Grande até a Praça Municipal, recebia a chave da cidade e hospedava-se no Hotel da Bahia.

Em 1990 aconteceu o primeiro concurso para a eleição do Momo. Salvador assiste na contemporaneidade a um novo processo de escolha do rei. Tivemos o Rei clarindo Silva, polêmico, inusitado, que, seguindo a tradição histórica, recebe o epíteto de Clarindo I, ” O Quebrador de Paradigmas”. Situação interessante, inagurou-se a presença do “magro” nos dias “gordos” de Carnaval. Segue-se Gerônimo I “O Filho de Oxum”. Até há poucos dias estávamos sob as ordens de Pepeu Gomes I, “O Discreto”, magistral guitarrista que não se fez acompanhar da rainha e princesas do Carnaval, ao que me parece.

Ainda seguindo as prerrogativas históricas, “antes que algum aventureiro ponha a mão na coroa carnavalesca”, permitam-se pleitear para 2011, a posse de Lazzo Matumbi I, “o Magnífico”. Requisitos históricos ligados ao Carnaval não lhe faltam, somado ao fato de ser um dos primeiros cantores do Ilê Aiyê e, com certeza, a cor desta cidade é também dele. Porte, elegância e nobreza estão ali. Espero estar cumprindo a vontade de muitos: nós, súditos de vossa majestade, rogamos que aceite concorrer. Em sendo eleito, com aquele vozeirão, cante de cima do trio, para todos: “Vem correndo me abraça e me beija”, em tom de reparação.

Professor universitário, mestre em História da Arte, doutornado em História Social e religioso do candomblé


Educaxé: Arte iorubá

postado por Cleidiana Ramos @ 2:58 PM
24 de fevereiro de 2010

Máscara Geledé Balogun do Museu Afro Brasileiro. Foto: Margarida Neide | AG. A TARDE

Jaime Sodré

O povo yorubá soma aproximadamente 12 milhões de habitantes, tendo um país com uma larga produção de arte tradicional. Muitos dos que vivem no sudeste da Nigéria são considerados comunidades adicionais a oeste, entre a República do Benim e do Togo.

Esta área está dividida em aproximadamente vinte subgrupos, cada um com seus reinados tradicionais. Escavações em Ifé encontraram cabeças de bronze ou terracota e figuras longas da realeza e elementos do universo superior estrelado. Retratos naturalistas cada um previamente conhecidos na África.

As raízes artísticas e culturais de Ifé, com seu período clássico (a.C. 1.050-1500), encontram-se no antigo centro cultural de Nok no nordeste. De mentalidade religiosa é natural que permaneça obscuro. Nos anos 20/30 os yorubás se alojavam em fazendas, outros viviam em cidades, em cabanas, fechados em comunidades ou no campo, cultivando milho, feijão, aipim ou mandioca, inhames, amendoim, café e banana, controlados por negociantes. Também temos mercadores e artistas; ferreiros, artesãos de cobre, bordadeiras, escultores em madeira, trabalhando de geração a geração.

Os deuses yorubás formam um interessante panteon cujo deus criador é Olodumaré, seguido de mais de cem orixás e espíritos da natureza, habitantes de rochas, árvores e rios. Algumas peças representam Xangô, divindade dos raios, esculpidas em madeira e guardadas em santuários. Os escultores exercem as suas tarefas em atelieres com aprendizes onde são transmitidas as técnicas e os estilos preferenciais.

Por toda yorubalândia figuras humanas são representadas em formas basicamente naturais, mas exceto por seus olhos salientes, planos e projetados, lábios paralelos e orelhas estilizadas. No âmbito dos cânones básicos da escultura yorubá alguns traços são distinções particulares de determinados artistas de forma individual.

Hoje está em numerosos cultos. O culto Geledé homenageia o poder das velhas mulheres, durante os festivais Geledés. Esculturas em máscaras com formas humanas são apresentadas, geralmente desgastadas pelo uso. Encimando algumas máscaras, uma ou outra, há elaborados arranjos de penteados ou uma escultura representando os humanos em alguma atividade.

As máscaras do culto de Epa são relacionadas aos ancestrais e a agricultura, com variedades harmônicas que aparecem nas cidades. A máscara possui aspectos particulares, nos olhos, na altura de grande complexidade. Geralmente elas são usadas em ritos funerários ou ritos de passagem, e são, geralmente, compostas de inúmeros elementos, usualmente uma face humana em máscara, numa bem elaborada figura. Essas máscaras são guardadas em santuários e são reverenciadas com libações e preces.

A sociedade Ogboni tem suas figuras em latão, chamada Edan, que são colocados em par, instalando-se nas pontas e correntes, cabeça com cabeça, formando pares unidos. Elas são colocadas sobre os ombros dos membros da Irmandade Ogboni com canções, funcionando como um amuleto. Uma variedade de palmeiras é usada para a veneração de “caridites”, retratando a mulher. Sociedade e cultos específicos fazem parte das celebrações durante os festivais de máscaras, com música, danças, em uma integração total. O mais amplamente difundido culto é o dos gêmeos Ibeji, estátuas confeccionadas duplamente, reverenciadas pelo povo Yorubá amplamente.

As estátuas Ibeji são produzidas para cultuar os deuses gêmeos. Para os Ibejis são depositadas oferendas em forma de refeições fartas, rogando pela vida das crianças. Essas esfinges são produzidas com instruções oriundas dos oráculos e estão presentes em numerosas classes de esculturas africanas.

As figuras equestres são temas comuns aos yorubás, confeccionadas, preferencialmente, em madeira. Isto reflete a importância da cavalaria nas campanhas dos reis na criação do Império Oyó, nos séculos XVI a XIX. Somente os chefes yorubás tinham o privilégio de possuir cavalo. O cavalo era um importante símbolo social onde os artistas ao produzir peças inspiradas nestes animais deveriam demonstrar habilidade. O tamanho reduzido deste animal e as pequenas pernas dos cavaleiros são elementos típicos deste tipo de produção artística.

Portas esculpidas e pilares são elementos dos santuários dos palácios e das casas dos homens importantes. Cumprindo secular função são as tigelas para as nozes de cola, oferecidas como boas vindas ao visitante, [tabuleiro] “ayo” para jogos, assim como os “wari” jogados com seixos [pedras] colocados em fileiras, em depressões circulares, os tambores, as colheitas, os pentes. Adicional importância no campo das artes credita-se à cerâmica, tecelagem, às contas e peças fundidas.

Texto inspirado em trabalhos de Renato da Silveira, Reginaldo Prandi e Frank Willet

Jaime Sodré é professor universitário, mestre em História da Arte, doutorando em História Social e religioso do candomblé


Homenagem aos sacerdotes músicos

postado por Cleidiana Ramos @ 12:32 PM
23 de fevereiro de 2010

Já começaram a chegar as primeiras respostas para a II Promoção Cultural do Mundo Afro. Desta vez a homenagem é para os sacerdotes músicos do candomblé.

Os vencedores vão receber o CD Música Sacra do Candomblé e Tributo à Ancestralidade-Cortejo do Presente de Yemanjá- Ilha de Itaparica, Bahia. O trabalho foi produzido por Jaime Sodré e Carlos Maguary.

Para concorrer é só enviar o nome de três sacerdotes músicos de um terreiro de candomblé baiano e as suas idades. Mais atenção: os três devem pertencer ao mesmo terreiro. O nome da Casa, endereço, nação e identificação da sua liderança também devem constar na resposta.

Ganham  as duas indicações com maior soma das idades. Mãos à obra e boa sorte.


Mais uma historinha afro-brasileira

postado por Cleidiana Ramos @ 7:54 AM
11 de fevereiro de 2010

Está publicada aí abaixo a última das histórias vencedoras da I Promoção Cultural do Mundo Afro. Esta é de autoria de Marcleia Santiago do Amor Divino.

Fiquem atentos, pois o professor Jaime Sodré já sinalizou com mais uma promoção interessante para lançarmos aqui.


Dona Clara

postado por Cleidiana Ramos @ 7:52 AM
11 de fevereiro de 2010

Marcleia Santiago do Amor Divino

A minha mãe me contou a história da minha bisavó que faleceu em 2000, com mais de cem anos. A velha guerreira trabalhou até os 80 anos em serviços rurais com muito vigor e quando perguntavam de onde vinham o viço e a coragem de espantar homens aventureiros com a ajuda da espingarda, a resposta era simples:

-É herança dos escravos corajosos que enfrentaram seus senhores na época da escravidão.

Dona Clara, como era conhecida, vivia escondidinha nas matas virgens, protegida pelos caboclos e guias.

Ainda mocinha, foi encontrada dentro das matas virgens do sertão da Bahia por um grupo de caçadores. Até então vivia totalmente isolada da cidade. Ela tentou em vão se livrar dos caçadores, mas eles a levaram à força para a cidade vizinha.

Lá, Clara casou-se com Eugênio, também descendente de escravos, e dessa união nasceram muitos filhos, os quais foram criados às custas das plantações de cacau, feijão e mandioca.

Segundo relatos de alguns que a conheceram, Dona Clara era uma mulher invejável e que encantava a muitos com sua beleza, mas os mais atrevidos eram surpreendidos a chumbo.

Além disso, era também conhecida pelo conhecimento de rezas e de ervas que curavam muitas enfermidades.


Historinhas afro-brasileiras

postado por Cleidiana Ramos @ 8:20 AM
27 de janeiro de 2010

Está publicada aí abaixo a primeira das três histórias vencedoras da 1ª Promoção Cultural do Mundo Afro. A história conta a criação do homem, segundo a versão de povos africanos e foi enviada por Iele Portugal.


A origem do homem na versão africana

postado por Cleidiana Ramos @ 8:17 AM
27 de janeiro de 2010

Iele Ferreira Portugal

-Vovó de onde mesmo que veio o homem?

– Senta aqui que vou te contar: Quando era bem pequenininha, mais ou menos da sua idade, minha avó, que era descendente da gente da África, da região chamada Daomé, me contou uma história. Vou contar a você o que eu lembro.

– Vovó, antes de a senhora me contar a história, explique o que é descendente.

– É aquele que vem de algum outro lugar.

– Agora a senhora pode continuar a história.

– Há muito tempo, os orixás viviam aqui na terra. Não existia o homem. Até que, um dia, Olorum,o dono do céu, resolveu que criaria o homem para fazer companhia aos orixás. Olorum tentou criar o homem de ar, de fogo, de água, de pedra e de madeira, mas em nenhum caso deu certo.

– Por que não deu certo, vovó?

– Porque os homens de ar e de água não tinham forma, o homem de fogo consumia-se, e os homens de pedra e de madeira não se mexiam.

– E então, o que Olorum fez?

– Ele não fez nada. Nanã foi quem fez. Vendo que todas as alternativas tinham dado errado, essa orixá se ofereceu para criar o homem. Olorum permitiu. E Nanã foi fazer o homem. Pegou um punhado de barro e foi modelando o corpo: as pernas, os braços, a cabeça e tudo que temos hoje. Ela não esqueceu nada, fez tudo direitinho. Deu-nos tudo que precisamos,pernas para andar, mãos para pegar as coisas, olhos para ver… não se esqueceu de nada.

– É isso mesmo!

– Depois que homem foi feito, o que aconteceu?

– Os homens e os orixás viveram juntos e felizes, dividindo alegrias e aventuras na terra.

 


Balaio de Ideias: Sagrada Colina

postado por Cleidiana Ramos @ 2:57 PM
26 de janeiro de 2010
A devoção das chamadas baianas é tema do artigo do professor Jaime Sodré. Foto:  Lúcio Távora | AG. A TARDE

A devoção das chamadas baianas é tema do artigo do professor Jaime Sodré. Foto: Lúcio Távora | AG. A TARDE

 

Jaime Sodré

Chegou o dia. Dona Tidinha pronta, nos seus 67 anos, obediente a iconografia musical de Caymmi, segue a orientação do mestre quanto ao “trajo”: torço de seda, brincos de ouro, corrente de ouro, pano-da-costa, bata rendada, pulseira de ouro, saia engomada, sandália enfeitada, tem. Mas, a bem da verdade, onde consta a palavra “ouro”, leia-se dourado, sinais dos tempos. Tinha graça como ninguém. Dona Tidinha não tinha um rosário de ouro, nem uma bolota assim ou balangandãs. Mas, com as graças de Oxalá, vai ao Bonfim. Jarro enfeitado, branquinho, palma de Santa Rita e Angélica, caule imerso no “amassi”.

Lá vai Tidinha. Segue pela Rua Direita de Santo Antônio, passa pela reforma da Igreja do Boqueirão, benze-se. Vislumbra a Igreja dos Quinze Mistérios, reduto Malê, benze-se. Segue o Pelourinho, dá de frente com a Catedral da Sé, benze-se ao padroeiro de Salvador, São Francisco Xavier. Desce o Elevador, repousa nas escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Bahia, e aguarda a saída rumo ao padroeiro popular da Bahia, Nosso Senhor Oxalá do Bonfim. Era assim que ela entendia e exercia a sua religiosidade. E toca a esperar… cochila.

No íntimo, agradece ao Capitão-de-mar-e-guerra Theodósio Rodrigues de Faria, a feliz ideia de render graças ao Senhor do Bonfim. A imagem de Nosso Senhor e de Nossa Senhora da Guia, vindas de Portugal, chegaram à Bahia por iniciativa deste capitão, fruto de uma promessa quando enfrentara intempéries marinhas. Em 16 de abril de 1745, a réplica da imagem instalada em Setúbal, terra natal de Theodósio, chega à Bahia.

Com a permissão do bispo D. José Botelho de Matos, é abrigada na Igreja de Nossa Senhora da Penha de França. Após o término da construção da igreja, iniciada em 24 de junho de 1754 e concluída em 1772, as imagens são trazidas para a Sagrada Colina.

Para alguns a lavagem teria sido iniciada em 1773, quando, a mando da irmandade dos leigos, os escravos efetivaram a lavagem do templo para a Festa do Bonfim, no segundo domingo após o Dia de Reis. Informa-nos o brilhante professor Sebastião Heber, que essas lavagens têm as suas raízes na metrópole portuguesa, mas não eram muito do agrado dos senhores bispos. Em 1534 o bispo de Évora teria interrompido este ato, alegando desrespeito aos valores católicos.

Na versão oral, a lavagem vinculada a Oxalá, nos moldes que conhecemos, teria sido uma iniciativa do Babalorixá Bernardino, com filhas de santo e água de cheiro, pagando uma promessa.  Em 1863 fechou-se o adro, colocando-se um gradil, doado pelo ex-juiz J.P. Rodrigues da Costa, contra abusos. Para comemorar o primeiro centenário da Independência da Bahia, em 1923, fora incluída na programação, a venerada Igreja do Senhor Jesus do Bonfim. Para a ocasião cria-se o Hino ao Senhor do Bonfim. A relação da Igreja e música surge em 1839, com as composições do violonista e compositor baiano Damião Barbosa de Araújo para as missas cantadas em latim.

Dona Tidinha acorda do cochilo, começa a romaria. Aos gritos de “Viva o Senhor do Bonfim” a caminhada segue com fé, e todos cantam o “Gloria a ti”, popularizado em uma gravação de Caetano Veloso. Na verdade, o Hino Oficial é de autoria musical de Edgas Muniz de Aragão Pethion de Gueiroz, com letra de Remigio Domenech: “Ao teu lado, sempre unidos, somos o seu povo, Nosso Senhor, Nosso Senhor do Bonfim, salva, protege, alumia pelo sinal desta cruz, o coração da Bahia, que a teus pés, o amor conduz, volve os teus olhos divinos, aos nossos males, oh sim, ouve o clamor desse hino, Nosso Senhor do Bonfim”.

O “Gloria a ti”, como o povo o intitula, foi composto em 1923 para as comemorações do centenário, por João Antônio Wanderlei e Artur de Sales. Artur teve a sua letra escolhida por Wanderlei, na ocasião regente da Banda da Polícia Militar. Dona Tidinha entoa a canção, promove uma alteração na letra, e ao invés de cantar “mansão da Misericórdia” canta “Mãe Santa Misericórdia”, mas tudo vale.

Às 18 horas do mesmo dia, os pés estão na água quente, a roupa, os adereços e fios de contas na cama, e diante do cansaço e esforço comenta o seu filho: “Não sei pra que isso, mamãe, se cansar à toa”. Responde D. Tidinha, retirando o torço: “Não é por mim filho, é pela humanidade”.

Jaime Sodré é professor, historiador e religioso do Candomblé


Confiram as vencedoras da Promoção Cultural

postado por Cleidiana Ramos @ 4:24 PM
22 de janeiro de 2010

 

Contracapa do livro retrata autores do texto e da ilustração. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Contracapa do livro retrata autores do texto e da ilustração. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Iele Ferreira Portugal (A Origem do Homem na Versão Africana); Marcleia Santiago do Amor Divino ( Dona Clara) e Maria Auxiliadora Andrade Pereira (Uma História de Caboclo) são as vencedoras da I Promoção Cultural do Mundo Afro.

Cada uma delas vai receber um exemplar do livro Uma Histórinha Africana, de autoria do professor Jaime Sodré com ilustrações de João Victor Dourado.

O livro faz parte de um projeto voltado para o suporte à aplicação da Lei 10.639/03, alterada pela 11.645/08, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira, apoiado pela  Fundação Cultural Palmares.   As vencedoras vão receber os livros em suas residências.

Ficou ainda um exemplar, pois o material enviado não estava no formato da promoção.  A ideia era elaborar relatos tentando ficar o mais próximo possível da forma como eles foram absorvidos e não cópias de outros autores. Se chegar mais alguma história com o formato pedido, ganha o exemplar remanescente.

No mais, obrigada pela participação e vou publicar aqui no blog as histórias vencedoras a partir da próxima semana. Outra coisa: essa é a primeira das promoções. Sempre que tiver oportunidade farei outras.


Promoção do Mundo Afro vai até sexta

postado por Cleidiana Ramos @ 11:45 AM
20 de janeiro de 2010
As quatro melhores histórias vão ganhar livro assinado pelo professor Jaime Sodré. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

As quatro melhores histórias vão ganhar livro assinado pelo professor Jaime Sodré. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

A promoção cultural do Mundo Afro prossegue até a próxima sexta-feira. Algumas histórias já chegaram e continuo aguardando as demais. 

Os autores das quatro melhores vão receber, cada um, um exemplar do livro Uma Historinha Africana, dirigido ao público infanto-juvenil e escrito pelo professor Jaime Sodré, com ilustrações de João Victor Dourado.

Para saber como participar da promoção acessem o post anterior clicando aqui.


Promoção Cultural do Mundo Afro

postado por Cleidiana Ramos @ 10:14 AM
15 de janeiro de 2010
Blog sorteia quatro exemplares de Uma Historinha Africana. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

Blog sorteia quatro exemplares de Uma Historinha Africana. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

O Mundo Afro está lançando sua primeira promoção cultural. Vou sortear aqui quatro exemplares do livro Uma Histórinha Africana, de autoria do professor Jaime Sodré, com ilustrações de João Victor Dourado. O professor Jaime, gentilmente, doou os exemplares para este fim.

A edição do livro, dirigido ao público infanto-juvenil, foi vencedor de um edital da Fundação Palmares e faz parte de um projeto de apoio didático para aplicação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira. Atualmente, a Lei tem o número 11.645/08, por conta da modificação para também incluir o ensino de História e Cultura Indígena.

O projeto contemplou não só a distribuição do livro em escolas, mas também um encontro com a presença da ebomi Cidália Soledade, uma exímia contadora das histórias de trdição africana. Os encontros aconteceram em dezembro nas escolas Mãe Hilda, localizada na Liberdade, São Gonçalo e Mundo dos Sonhos, situadas na Federação.

O livro conta uma história envolvendo Doúm, Alabá e Elegbara e é um ensinamento sobre as muitas verdades que um mesmo fato pode oferecer.

Vamos fazer o seguinte: os quatro melhores relatos sobre histórias de tradição africana levam os exemplares. Podem ser contos relativos a inquices, orixás, voduns e caboclos, mas não vale, por exemplo, escrever igualzinho aos relatos de Pierre Verger ou de Reginaldo Prandi, por exemplo.

Contem como vocês ouviram as histórias de seus avós, pais e tios. Quem sabe não descobrimos outros griots (contadores de histórias) por aí?

História pronta é só enviar via o sistema de comentários do blog, com nome completo, endereço e telefone. Claro que não vou publicar estas duas últimas informações. É só para enviar o livro em caso de vitória.

Leitores de outros estados e países também podem participar. Não se preocupem que tem como fazer chegar o exemplar. O prazo para envio é até o próximo dia 22 (sexta-feira de hoje a oito).  

As melhores histórias além de levar o livro também serão publicadas no blog para a gente socializar as informações. Vamos lá. Estou ansiosa pela participação de vocês.  


Balaio de Ideias: Um jornal contra o Candomblé

postado por Cleidiana Ramos @ 3:20 PM
5 de janeiro de 2010

 Jaime Sodré

Aquele jornal marcou sua passagem na história da imprensa baiana. No aguardo dos trâmites para a defesa da nossa tese de doutorado sobre a Imprensa e o Candomblé, que pretendemos fazer ainda em 2010, somos impelidos a revelar certos assuntos deste âmbito, para não frustrar os leitores de temas interessantes. O jornal O Alabama foi me apresentado, há tempos, pelo prof. João Reis notificando-me matérias sobre o Terreiro do Bogum.

Luiz Nicolau Parés, em seu imperdível livro “A Formação do Candomblé – História e ritual da nação jeje na Bahia”, recorre a O Alabama. Este jornal, intolerante frente às práticas das religiões de matriz africana em Salvador, ferrenho adversário, ao tempo em que revela o pensamento dos seus editores quis o destino que fosse de utilidade para o registro das atuações persistentes dos líderes religiosos da época.

Os seus redatores chamavam-se de “mulatos e negros”. Ao contrário do pensamento de alguns, o simples fato de “ser da cor” não seria garantia de um tratamento cordial frente aos costumes dos seus iguais. Logo, O Alabama, “periódico crítico e chistoso”, fundado em Salvador, em 1863, era composto por afro-descendentes e pró-abolicionistas, que notificaram o Candomblé como algo da barbárie, superstição e até promiscuidade sexual, atuando com ações sistemáticas de denúncias e pedidos de rigores nas ações repressivas.

Apesar destas ações, as suas páginas nos fornecem informações sobre práticas religiosas, até mesmo presenciadas pelos seus jornalistas, sendo, em acordo com Nicolau, uma fonte documental rica sobre o Candomblé baiano do século XIX.Despertou-me o nome daquele noticioso, Alabama, me remetera a um estado da federação Norte Americana, famoso por sua prática de segregação racial como norma constitucional desde 1819. Lutara na Guerra da Secessão pela manutenção da escravidão, sendo derrotado, mas manteve uma postura de negar direitos aos negros, recusando-se a obediência às Leis dos Direitos Civis, sendo ameaçado de intervenção federal.

Voltemos ao nosso O Alabama: em suas páginas acompanha-se as transformações que consolidaria o Candomblé na forma que conhecemos na atualidade, quando se refere à predominância feminina neste culto, na medida em que se assistia ao declínio de lideranças africanas masculinas. No ambiente escravocrata soteropolitano as mulheres tiveram maior independência econômica e mobilidade social.

Notícias outras nos levam à localização de algumas casas de culto como um Candomblé, nos anos de 1859, na Quinta das Beatas com predominância africana. Em 1862 notifica a existência do Candomblé Pojavá no Distrito de Santo Antônio, com predominância crioula, e em 1866, a crioula Aninha Sapoca exercia suas habilidades na freguesia da Conceição da Praia.

A preferência da ação de O Alabama em relação ao Candomblé, embora se tentasse atingir toda a cidade, ganhava evidência na área da Sé, por estar próximo a sua sede, evidenciando uma quantidade de casas de prática da religiosidade de matriz africana no centro da cidade, situação que mais tarde experimentaria a investida do poder para a evacuação desses “antros no centro da cidade”.

Vale lembrar, como afirma Renato da Silveira, a existência do Candomblé da Barroquinha, matriz da atual Casa Branca. A postura do no. 59, de 27 de fevereiro de 1857, para a alegria de O Alabama, rezava: “Os batuques, danças e reuniões de escravos, estão proibidas em qualquer lugar e a qualquer hora sob pena de oito dias de prisão…” O Alabama não silenciava, e observando o crescimento do Candomblé, atribuía à colaboração de policiais e pessoas do exército e alguns clientes destas práticas. Indignado, imprimia O Alabama: “esta polícia tem uma queda para os candomblés! Permite-os por ordem sua, dentro da cidade e manda apreende-los nos arrabaldes!” Para aquele jornal, esses Candomblés dos arrabaldes eram verdadeiros “esconderijos de escravos fugidos”.

Cruz do Cosme, Engenho Velho, Campinas, Quinta das Beatas, Engenho da Conceição, Matatu, Penha, desfilaram em suas páginas, mostrando-nos a persistência daqueles obedientes apenas às divindades africanas. Nas palavras sábias de Mãe Stella: “Ti ó omi tireé” – “É na presença do inimigo que o algodão floresce”. Que assim seja.


Medalha para o mestre

postado por Cleidiana Ramos @ 7:03 PM
16 de dezembro de 2009
Na próxima sexta-feira, Jaime Sodré recebe a medalha Zumbi dos Palmares. Foto: Rejane Carneiro |Ag. A TARDE

Na próxima sexta-feira, Jaime Sodré recebe a medalha Zumbi dos Palmares. Foto: Rejane Carneiro |Ag. A TARDE

A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) é autora de um requerimento que, com certeza, teria milhares de assinaturas se fosse preciso: a resolução que outorga a Medalha Zumbi dos Palmares ao historiador, professor e religioso do candomblé, Jaime Sodré. A cerimônia será na próxima sexta-feira, às 9 horas, na Câmara de Vereadores.

Jaime dispensa muitas apresentações, pois quem ainda não o conhece pessoalmente já o viu centenas de vezes na TV, o ouviu no rádio ou leu seus artigos e entrevistas em jornais.

Xicarangoma (sacerdote músico) do Tanuri Junçara e oloiê (uma espécie de conselheiro) do Terreiro do Bogum, fala da sua religião, o candomblé, numa cadência que une a informação, permitida aos que são de fora, com a poesia.

Professor de Engenharia do Ifba, da Uneb e da Faculdade da Cidade tem a generosidade dos grandes mestres para dividir seu conhecimento que transita por tantas e diversas áreas, mas que ele consegue costurar quando é preciso. 

Poeta, também domina a melodia para compor músicas. Seu entusiasmo quando fala das raízes negras do Carnaval conquista discípulos para a sua causa e mais do que merecida foi a homengem da Lira Imperial do Samba, que o homenageou em 2007 com a placa comemorativa Tia Ciata, por conta do seu trabalho em defesa da revitalização das escolas de samba em Salvador.

Artista plástico, já realizou várias exposições e em uma delas recebeu o Prêmio Braniff Internacional. Em 2003, Jaime Sodré foi um dos vencedores do concurso da Funarte com a peça A Revolução Malê.

Além disso tem um humor incrível que reforça ainda mais o carisma desse filho de Oxalá. Enfim, é uma homenagem mais do que merecida.  


Consciência Negra 2009: Moda afro na área

postado por Cleidiana Ramos @ 11:23 PM
20 de novembro de 2009
A partir da esquerda, no sentido horário: Madá Preta, Saraí Reis, Meire Oliveira e Jaime Sodré. Foto: João Alvarez|AG. A TARDE

A partir da esquerda, no sentido horário: Madá Preta, Saraí Reis, Meire Oliveira e Jaime Sodré. Foto: João Alvarez|AG. A TARDE

Tem mais conteúdo integrado sobre o caderno especial Produtores de Owó, produzido pelo jornal A TARDE em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Neste áudio o bate-papo é sobre moda com a participação das estilistas Madá Preta, Saraí Reis e do professor Jaime Sodré.

Para os que conhecem apenas a faceta de Jaime como historiador é a oportunidade de ouvi-lo falando sobre uma das suas formações: design. Neste campo, claro, ele também dá show. É só clicar aqui para ouvir a primeira parte da entrevista e aqui para escutar a segunda. 


Educaxé ganha link em outro blog de A TARDE

postado por Cleidiana Ramos @ 10:24 AM
3 de setembro de 2009
Garotada da escola Barbosa Romeu, em São Cristóvão, uma das instituições pioneiras na aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Fernando Amorim |AG.A TARDE

Garotada da escola Barbosa Romeu, em São Cristóvão, uma das instituições pioneiras na aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Fernando Amorim |AG.A TARDE

Os navegantes da série Educaxé têm mais uma opção para acessar os textos. Eles estão disponbillizados também no blog do Projeto A TARDE Educação. É uma amostra do sucesso que tem alcançado a Educaxé, idealizada, assinada e gentilmente cedida pelo professor Jaime Sodré  para o Mundo Afro.

Desenvolvido pelo Grupo A TARDE, o Projeto A TARDE Educação  é voltado para o uso pedagógico de reportagens. Vocês podem acessar o blog clicando aqui  ou também na galeria Outros Mundos aí ao lado.


Educaxé- O Negro e a Política- Parte IX

postado por Cleidiana Ramos @ 10:23 AM
3 de setembro de 2009
Uma das apresentações que marcou a solenidade de instalação da aplicação da Lei 10.639/03 em Salvador, há quatro anos. A legislação é tema do Educaxé. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Uma das apresentações que marcou a solenidade de instalação da aplicação da Lei 10.639/03 em Salvador, há quatro anos. A legislação é tema da Educaxé. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Chegamos ao final de mais uma edição da série Educaxé. Esta última parte traz sugestão de bibliografia e filmes sobre o tema O Negro e a Política, que abordamos em oito capítulos,  além de filmes e uma lista de movimentos, cuja história pode ser pesquisada e assim enriquecer o debate em sala de aula.  

O professor Jaime Sodré já está preparando novos textos para a série.

Bibliografia

1.BOBBIO, Norberto et al. Dicionário de política. 12. ed. Brasília: UnB, 2002. 2v.
2.______. Estado, governo, sociedade: para uma teoria geral de política. 14. ed. São Paulo: Paz e terra, 2007. (Coleção Pensamento Crítico, 69)
3.BONAVIDES, Paulo. Ciência política. 14. ed. São Paulo: Malheiros, 2007.
4.DIAS, Reinaldo. Ciências política. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
5.HANCHARD, Michael George. O Orfeu e o poder: o movimento negro no Rio de Janeiro e São Paulo (1945-1988). Rio de Janeiro: Eduerj, 2001.
6.LAMOUNIER, Bolivar. (Org.) A ciência política nos anos 80. Brasília: UnB.
7.LANG, Jack. Tradução de Rubia Prates Goldoni. Nelson Mandela – uma lição de vida. São Paulo:  Mundo Editorial. 1. ed. 2007.
8.MALUF, Sahid. Teoria geral do Estado. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
9.MOURA, Clóvis. História do negro brasileiro. São Paulo: Ática, 1989.
10.NASCIMENTO Abdias (Org.) O negro revoltado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
11.SANT’ANA, Luís Carlos. Breve Memorial do Movimento Negro no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: “Papéis Avulsos”, CIEC/UFRJ, no. 53, 1998.
12.SANTOS, José Antônio dos. Raiou a Alvorada: Intelectuais negros e a imprensa, Pelota (1907-1957). Pelotas: Universitária. 2003.
13.SOARES, Mário Lúcio Quintão. Teoria do Estado. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

Movimentos e personagens sócio-políticos

Balaiada
Revolta da Chibata
Embaixadas africanas
Farrapos
Marcus Garvey
Malcom-X
Guarda Negra
Revoluçaõ Malê
Ku-Klux-Klan
Levante de 1814
François Makandal
MNU
MV. Bill
Abdias Nascimento
Osvaldão
Quilombo dos Palmares
Panteras Negras
Revolta dos Alfaiates
Sabinada
Rainha Nzinga
Sociedade Protetora dos Desvalidos
Toussant L´Ouverture
Desmond Tutu

Filmes Indicados

O Rei da Escócia,  Amistad, Faça a Coisa Certa e Hotel Ruanda

 


Educaxé- O negro e a Política- Parte VIII

postado por Cleidiana Ramos @ 3:14 PM
1 de setembro de 2009
Tiradentes passou de rebelde a herói nacional e, na Bahia, patrono da Polícia Militar. Foto: Xando Pereira| AG. A TARDE

Tiradentes passou de rebelde a herói nacional e patrono da Polícia Militar. Foto: Xando Pereira| AG. A TARDE

Tiradentes e os Afrodescendentes

Jaime Sodré

Os feriados registram momentos históricos, outrora plenos de significados e reflexões. Hoje é, para alguns, um “domingo” de meio de semana. 21 de Abril de 1792 lembra o sacrifício de Tiradentes, feriado nacional. É interessante a sua evolução de herói sem rosto à imagem de Cristo, como aborda Maria Alice Milliet.  Os “inconfidentes” dividiam-se quanto ao tratamento da “questão da escravidão”. Historiadores dizem que apenas Gonzaga defendia a libertação dos cativos, desde que nascidos no Brasil. Deste modo, estaria inaugurada a categoria de “afro-brasileiros”, mas sem vantagens econômicas e sociais.

A questão da escravidão era um ponto contraditório. Como iriam libertar logo aqueles que geravam as suas riquezas?  Mais tarde, o movimento abolicionista incorpora Tiradentes no ideário libertário da escravatura. O reconhecimento dos negros viria na forma carnavalesca, através do Grêmio Recreativo Escola de Samba Império Serrano, gerando o inesquecível samba Exaltação a Tiradentes, de autoria de Mano Décio, Estanislau Silva e Penteado, uma pérola de síntese, se o elevarmos à “categoria de brevíssima tese acadêmica”: “Joaquim José da Silva Xavier morreu a 21 de Abril pela Independência do Brasil, foi traído e não traiu jamais a Inconfidência de Minas Gerais…” Breque.

Abortada a “conspiração”, presos e julgados os envolvidos, caberia a Tiradentes a culpa maior, revela os Autos da Devassa da Inconfidência de Minas e a sentença da Alçada. Ouviram-se graças a Deus pela descoberta da “conjura”, considerada uma injúria à soberana, pia e clemente, D. Maria.

Frei Raimundo de Penaforte, do convento franciscano de Santo Antonio, assistiu ao condenado, fervoroso católico, que foi enforcado e esquartejado diante de uma multidão que o viu passar sem queixume ou temor, “fronte de soldado que se sacrificara pela pátria”. Fatos relatados por um anônimo na  Memória do êxito que teve a Conjuração de Minas.

Louvores à Rainha por comutar as penas dos demais condenados. Quanto a Tiradentes, teria aceitado com serenidade o seu destino. Em sua beatitude, pede perdão aos companheiros, beija as mãos e os pés do carrasco e caminha para a forca com ar de resignado, faz solilóquios tendo às mãos um crucifixo.

Para os futuros republicanos, este ato não inaugurava um herói cívico e, sim, um mártir cristão. Disputas históricas resultam em antagonismos. As discussões giravam em torno do papel do alferes e do movimento revolucionário. Alguns alegavam que este acontecimento não passou de uma idéia generosa na sua essência, mas mesquinha enquanto à forma. Uma boa intenção abortada. Sobre Joaquim José este não passava de um homem que não morreu como um patriota, com olhar triunfante para os seus algozes, com coragem e sem culpa. Teria Tiradentes, devoto que fora da Santíssima Trindade, sugerido a incorporação do triângulo à bandeira dos inconfidentes? Ou seria uma referência maçônica?

O certo é que a fusão na figura do herói de civismo e religiosidade estaria bem ao gosto da empatia popular. O fato é que a Conjuração Mineira e o martírio de Tiradentes geraram consequências históricas, no mínimo, estimulando um crescente nacionalismo, desejo de liberdade, independência, e alerta quanto à exploração colonial. Tiradentes era o patriota consciente, “que dá a sua vida por uma ideal”. O cristão e o revolucionário não são incompatíveis, convivem na imagem do herói.

Surgiriam outros movimentos emancipacionistas, antagônicos aos poderosos e não simples agentes da discórdia. Castro Alves proclama: Ei-lo, o gigante da praça/ o Cristo da multidão/ é Tiradentes que passa, deixem passar o Titão… mais tarde pende no alto seu corpo a rodar, balançante, e no outro dia, a sua cabeça encima um poste, no centro da praça, e seu corpo dilacerado. Estava assim reduzido o idealista alferes.

Gradualmente, a comemoração do dia 21 de abril foi generalizando-se. Em Tiradentes reluz a aurora do sacrifício heróico, pela liberdade e república. Figura nos manuais de história. A lei 7.919, de dezembro de 1889, aprova  Tiradentes como herói nacional, mas Deodoro, por ter sido militar, encontra resistência entre os congressistas. Hoje, sobrevive, no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, Tiradentes junto a Zumbi dos Palmares. 

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

O que foi a Inconfidência Mineira?

Qual o contexto da Proclamação da República no Brasil?

Quem foi Zumbi dos Palmares?

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé.  


Educaxé em dose dupla

postado por Cleidiana Ramos @ 2:13 PM
28 de agosto de 2009

Hoje tem Educaxé em sessão dupla. O caráter extraordinário é por conta de imprevistos terem me impedido de colocar os capítulos na terça e na quinta-feira. Agora, a dívida está integralmente paga aí abaixo. Aproveitem.


Educaxé- O Negro e a política- Parte VI

postado por Cleidiana Ramos @ 2:12 PM
28 de agosto de 2009
Ruas do Santo Antônio Além do Carmo, onde o professor Jaime Sodré, ainda criança, assistia, com os colegas, o desfile diário de D. Maria Brandão. Foto: Fernando Amorim |  AG. A TARDE

Ruas do Santo Antônio Além do Carmo, onde o professor Jaime Sodré, ainda criança, assistia, com os colegas, o desfile diário de D. Maria Brandão. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

Maria Brandão – Negra e comunista

Jaime Sodré

Estávamos no Santo Antonio Além do Carmo, sentados à Rua dos Perdões, nas escadarias do Convento, onde, segundo contavam, o cardeal Da Silva agredira uma feira. Um bairro cheio de estórias e histórias. Os Perdões é a passagem do desfile de 2 de Julho, onde saudávamos os nossos heróis, em especial “os cabocos”.

Subindo regularmente, ia dona Romana, nossa velha baiana de acarajé em direção à Quitandinha do Capim, onde se instalava, após arremessar pequenos acarajés e água, a título de saudar os caminhos e abrir a venda. Naquela mesma artéria, em direção contrária, desfilava garbosa, semelhante à dona Romana, a personagem que conseguia calar as nossas conversas, admirados da sua postura, história e estórias. Era dona Maria Brandão.

Em nossos ouvidos vibrava o que se contava sobre ela: “Ela é Negra e Comunista” ou “Imagine, Negra e Comunista”. Para nós uma figura admirável, soava-nos como símbolo de coragem, tão ao gosto da juventude. Pouco sabíamos sobre ela, alem do rosto redondo e a sua roupa leve, aos ventos da liberdade, a caminho do Corta Braço.

O pouco que sei contarei, relatos como o de Carlinhos Marighela, recomendando-me para aliviar a minha curiosidade, buscar o Sr. Contreiras, esposo da ex-deputada Amabília, além do ex-deputado Fernando Santana. Contarei o que encontrei em publicações escassas. Seguirei pesquisando, prometo-me.

Recordo das palavras de um militante negro, que dizia, evidentemente magoado, sobre as agressões insanas da tortura, onde o que mais ouvira de seus  algozes era a frase: “Já viu negro se meter em política e ainda comunista”. Voltemos a Maria Brandão. Encontro-me nas páginas do livro Mulheres Negras no Brasil.  Monumental trabalho de Shuma Schumaher e Érico Vital Brazil, uma foto exibe D. Maria, mãos ao queixo, pensativa.

Nascida a 22 de julho de 1900 em Rio de Contas. Maria Brandão dos Reis, segundo os autores, “foi um exemplo de mulher negra envolvida na política”. Impressionou-lhe a passagem da Coluna Prestes, avivando o amor pelo Partido Comunista Brasileiro. Idealista, mudou-se para Salvador como destacada liderança. Abriu uma pensão na Baixa dos Sapateiros, (daí o seu deslocamento pela Rua dos Perdões) onde, além de alimentar e hospedar estudantes, caprichava na instrução política destes “filhos adotivos”, ampliando-a para as questões sociais. Piedosa, ajudava aos necessitados.

Em 1947, entrou em ação concreta quando os moradores do Corta Braço foram ameaçados de perderem as suas casas. Ela os ajudou, organizando-os em uma vigília e vibrante passeata de protesto. Como devotada da paz engajou-se na campanha do partido em 1950, encarregando-se da fundação de diversos conselhos em vários municípios. Por sua atitude determinante e incansável, recebeu a indicação de “Campeã da Paz”.

O lado dramático desta história registra-se em um desapontamento imperdoável. Segundo os autores, a premiação pelo seu feito e sua convicção pacificadora, deveria ser realizada em Moscou, onde D. Maria Brandão receberia pessoalmente e merecidamente, o reconhecimento pelo seu idealismo, mas por decisão do partido, ela foi substituída por uma “jovem intelectual”. Esta nem se quer recusou, colaborando com esta desconsideração a uma “senhora negra” de jovens ideias e comprovadas lutas. Mas este fato não passou impune, pois manifestou veementemente a sua revolta frente às lideranças comunistas, registrando para a história desta agremiação política um capitulo menos digno.

Veio o golpe militar de 1964, D. Maria mobiliza-se para escapar da prisão, refugiando-se. De volta a Bahia, em 1965 foi alcançada pela polícia e submetida a interrogatório sobre o seu envolvimento com as idéias comunistas. O inquérito não evoluiu, talvez por reconhecê-la com um verdadeiro agente da paz e que apenas, por sua generosidade, queria um povo feliz, bem alimentado e instruído, conforme demonstram as suas ações naquela pensão, e para isso escolhera a política.

D. Maria Brandão dos Reis, encerrou a sua atividade em nosso mundo em 1965, aguardando o nosso reconhecimento, com o seu nome, quem sabe, nomeando uma das nossas ruas ou na fachada de uma escola?

Em tempo:
Por conta da repercussão desse nosso artigo, publicado na página de Opinião de A TARDE, orgulhou-me a ligação do professor-doutor Luiz Henrique, referencia dos historiadores, que registrou o seu afeto, afirmando tê-la conhecido pessoalmente; agradeço a gentileza da Sra. Consuelo Mascarenhas, oferecendo-nos um livro do seu pai, alusivo a D. Maria; os amigos George Gurgel, do Diretório do PPS-BA, manifestou interesse sobre o tema, e Antonio Codes, solicitou alguns esclarecimentos.

Ebomi Cidália solicitou que registre-se a simpatia da sua mãe D. Maria Santiago Piedade, na época leitora do jornal “O Momento”, admiradora de Carlos Prestes.  O Sr. Enéas Estrela informou o local de nascimento de D. Maria em Rio de Contas, Bahia. Ele conhece os familiares da mesma, os quais necessitam de ajuda. Enéas reafirmou o empenho de D. Maria em proteger perseguidos políticos.  

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

Quando surgiu o Partido Comunista do Brasil?

O que foi a Coluna Prestes?

Quais os acontecimentos envolvendo o Partido Comunista durante o Estado Novo?

Qual a diferença entre o Partido Comunista e o Partido Comunista do Brasil?

 

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé. 


Educaxé- O negro e a política- Parte V

postado por Cleidiana Ramos @ 5:51 PM
20 de agosto de 2009
As lutas ganharam várias frentes, atualmente, como os quilombos. Foto: Antonio Queirós| AG. A TARDE| 25.6.2004

As lutas ganharam várias frentes, atualmente, como os quilombos. Foto: Antonio Queirós| AG. A TARDE| 25.6.2004

A Frente Negra Basileira

Jaime Sodré

O texto de hoje é um trecho extraído do depoimento de Francisco Lucrécio para o livro Frente Negra Brasileira:
 

“A Frente Negra Brasileira foi fundada em 16 de setembro de 1931 e durou até 1937, tornando-se partido político em 1936. Foi a mais importante entidade de afrodescendentes na primeira metade do século, no campo sócio-político. A Frente Negra foi um movimento social que ajudou muito nas lutas pelas posições do negro aqui em São Paulo.

Existiam diversas entidades negras. Todas essas entidades cuidavam da parte recreativa e social, mas a Frente veio com um programa de luta para conquistar posições para o negro em todos os setores da vida brasileira. Um dos seus departamentos, inclusive, enveredou pela questão política, porque nós chegamos à conclusão de que, para conquistar o que desejávamos, teríamos de lutar no campo político, teríamos de ter um partido que verdadeiramente nos representasse.

A consciência que existia na época eu acho que era muito mais forte que a que existe agora. Quando o negro sente uma pressão, quando qualquer agrupamento humano sente uma pressão, procura um meio de defesa. A pressão era tão forte que muitos jornais publicavam: “Precisa-se de empregado, mas não queremos de cor”.

Havia alguns movimentos também no interior, principalmente nos lugares em que os negros não passeavam nos jardins, mas na calçada. Muitas famílias não aceitavam, inclusive, empregadas domésticas negras; começaram a aceitar quando se criou a Frente Negra Brasileira. Chegou-se ao ponto de exigir que essas negras tivessem as carteirinhas da Frente.

Então, essa consciência era muito mais acentuada do que nos dias atuais. Porque hoje os jovens negros, a meu ver, estão muito acomodados, não sei se por receio ou não. A Frente Negra funcionava perfeitamente. Lá havia o departamento esportivo, o musical, o feminino, o educacional, o de instrução moral e cívica. Todos os departamentos tinham a sua diretoria, e o Grande Conselho supervisionava todos eles. Trabalhavam muito bem.

Dessa forma, muitas entidades de negros que cuidavam de recreação filiaram-se à Frente Negra. E existiam diversas sociedades em São Paulo e pelo interior afora. Por isso a Frente cresceu muito, cresceu de uma tal maneira que tinha delegação no Rio de Janeiro, na Bahia, no Rio Grande do Sul, e, Minas Gerais etc.”

 


Educaxé- O negro e a Política- Parte IV

postado por Cleidiana Ramos @ 3:14 PM
18 de agosto de 2009
Conflitos políticos impedem o desenvolvimento em regiões da África, como a República Democrática do Congo. Foto: Reuters| Antony Njuguna

Conflitos políticos impedem o desenvolvimento em regiões da África, como a República Democrática do Congo. Foto: Reuters| Antony Njuguna

Instabilidade Política 

Jaime Sodré

Hoje destacamos os golpes de Estado ocorridos na África desde a década de 60. Confiram a lista:   

Fevereiro de 1966- Gana: O exército derruba o presidente Kwane Nkrumah que realizava uma visita oficial a Pequim.

Setembro de 1969- Líbia: Um Conselho da Revolução proclama a República na ausência do rei Idriss, que estava recebendo tratamentos médicos na Turquia.

Janeiro de 1971- Uganda: Idi Amín Dada aproveita a ausência do presidente Milton Obote para tomar o poder. O chefe de Estado de Uganda estava em Cingapura, após ter participado de uma conferência da Commonwealth.

Julho de 1975- Nigéria: O exército derruba o general Yakabu Gowon. Gowon estava em Kampala para assistir à cúpula anual da Organização da Unidade Africana.

Junho de 1977- Seychelles: O primeiro-ministro Albert René toma o poder aproveitando-se da visita do presidente James Mancham a Londres para uma conferência da Commonwealth.

Setembro de 1979- República Centro-Africana: O imperador Bokassa, em visita oficial à Líbia, é derrubado. David Dacko, ex-presidente que havia sido deposto por Bokassa em 1966, retoma o poder e restabelece a República.

Dezembro 1984-Mauritânia: O tenente coronel Ould Haidalla, em visita ao Burundi para acompanhar a 11ª. cúpula África-França, é destituído. O coronel Maauiya Ould Taya toma o poder.

Abril de 1985- Sudão: O presidente Gaafar Nimeiry, em visita oficial ao Egito, é derrubado pelo exército.

Setembro de 1987- Burundi: O coronel Jean-Baptiste Bagaza, que estava em Quebec acompanhando a cúpula de países francófonos, é derrubado pelo major Pierre Buyoya.

 Julho de 1994- Gâmbia: O presidente Dawda Jawara, no poder desde 1965, é derrubado por militares dirigidos por Jammeh.

Agosto 1995- São Tomé e Princípe: Miguel Trovoada é derrubado por militares. Retoma o poder uma semana depois, após uma lei de anistia.

Setembro de 1995- Comores: Mercenários dirigidos por Bob Denard derrubam o regime de Said Mohamed Djohar. Uma intervenção militar francesa põe fim ao golpe de Estado.

Janeiro de 1996- Serra Leoa: Valentine Strasser é afastado pela junta que dirigia o país depois de quatro anos.

Janeiro de  1996- Nigéria: Uma junta militar presidida pelo coronel Ibrahim Baré Manassara destitui o presidente Mahamane Ousmane.

Julho de 1996- Burundi: Um golpe de Estado leva ao poder Pierre Buyoya depois da destituição de Sylvestre Ntibantunganya.

Maio de  1997- Zaire: Laurent-Désiré Kabila, à cabeça de uma rebelião após oito meses, se autoproclama chefe de Estado. O Zaire, dirigido depois de 32 anos por Mobutu Sese Seko, se torna República Democrática do Congo. Em janeiro de 2001, Kabila é assassinado por um de seus seguranças. Seu filho, Joseph Kabila, o sucede.

Maio de 1997- Serra Leoa: o presidente Ahmad Tejan Kabbah é derrubado por uma junta dirigida por Johnny Paul Koroma. É restabelecido em suas funções em 1998 depois de uma intervenção de uma força oeste-africana.

Outubro de  1997- Congo-Brazzaville: Denis Sassou Niguesso (1979-1992) retoma o poder depois da vitória de suas milícias sobre as de Pascal Lissouba.

 Abril de 1999-Comores: O exército dirigido pelo coronel Azali Asoumani toma o poder.

 Maio de 1999- Guiné-Bissau: João Bernardo Vieira é derrubado por uma junta em rebelião desde 1998 e dirigida pelo general Ansumane Mané.

Dezembro de 1999-Costa do Marfim: Um motim militar se transforma em golpe de Estado, o primeiro do país. O general Robert Gue  anuncia a destituição do presidente Henri Konan Bédié e a implantação de uma junta.

Março de  2003- República Centro-Africana: O chefe da rebelião, o general François Bozizé, toma o poder após um golpe de Estado enquanto o presidente Ange-Félix Patassé estava fora do país. O avião do governante, que deveria retornar a Bangui procedente de Niamei (Níger), onde havia participado de uma cúpula de chefes de Estado, teve sua frota desviada para Yaundé, capital camaronesa.

Julho de 2003-São Tomé e Príncipe: Uma junta militar liderada pelo major Fernando Pereira derruba o presidente Fradique de Menezes, que realizava uma visita à Nigéria. Após intensas pressões internacionais, o presidente retorna ao seu país e chega a um acordo com os militares para restaurar a ordem constitucional.

Setembro de 2003-Guiné-Bissau: Kumba Yala é afastado por uma junta dirigida pelo general Veríssimo Correia Seabra, morto mais tarde num ataque contra o quartel-general do exército.

Agosto de  2008- Mauritânia: Sidi Ould Cheikh Abdallahi, primeiro presidente democraticamente eleito, é derrubado 15 meses mais tarde pelo general Mohamed Ould Abdel Aziz.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

Quando começaram as lutas pela indpendência dos países da chamada África Negra?

O que é pan- africanismo?

Quais os países da África Negra que, atualmente, convivem com ditaduras?

Sugestão de filme: Hotel Ruanda

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé.