Comunidade do Seja Hundé celebra vitória

postado por Cleidiana Ramos @ 12:18 PM
24 de janeiro de 2011

Seja Hundé, também conhecido como Roça do Ventura, ganhou proteção federal. Foto: Marco Aurélio Martins| Ag. A TARDE| 08.12. 2008

Após muita luta da sua comunidade, o Seja Hundé, um dos mais tradicionais terreiros de nação jeje do País, localizado em Cachoeira, no recôncavo baiano, já desfruta de proteção federal.

Isso porque o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) publicou, no último dia 10, a notificação sobre o processo de tombamento do terreiro.

É um passo seguro até o tombamento e que já protege a Casa de agressões como o desmatamento de seu espaço sagrado  que aconteceu recentemente.

Esse reconhecimetno nacional para o Seja Hundé é mais uma vitória no caminho da reparação aos templos de matriz africana que já foram tão perseguidos pelo Estado em suas variadas representações.


Opô Afonjá é invadido novamente

postado por Cleidiana Ramos @ 6:30 PM
2 de janeiro de 2010

A gravidade do assunto me obriga a interromper o recesso do Mundo Afro que iria até a segunda-feira: Voltaram a invadir e profanar um quarto sagrado do Ilê Axé Opô Afonjá.

O colega jornalista, editor de Opnião de A TARDE e blogger do Jeito Baiano, Jary Cardoso, foi quem me ligou para dar esta notícia, pois tinha acabado de receber um e-mail com um relato sobre o acontecimento.  Acabo de confirmar a nóticia com o presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santo do Ilê Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel.

Desta vez profanaram o quarto de Oxum e, logo num sábado, dia em que ela é celebrada.  Tudo indica que a invasão foi pela manhã. Remexeram tudo, muito semelhante à invasão que aconteceu em novembro no quarto de Oxalá.

Não é possível que desta vez  não serão adotadas providências enérgicas para conter esta barbaridade. É necessária uma investigação minuciosa para esclarecer quem ou o que está por trás disso.

Vale lembrar que o  Ilê Axé Opô Afonjá é considerado patrimônio nacional, pois tem o reconhecimento nesta categoria pelo Iphan, um órgão do governo brasileiro.

Ninguém desconhece que o Estado é laico, mas ele tem o dever de proteger não só a liberdade de culto, um princípio constitucional, como também o patrimônio cultural do Brasil, categoria em que os templos afro-brasileiros estão incluídos.


Iphan disponibiliza informações sobre proteção a terreiros

postado por Cleidiana Ramos @ 1:01 PM
28 de outubro de 2009
O Gantois é um dos terreiros reconhecidos como patrimônio nacional. Foto: Marco Aurélio Martins | AG.  A TARDE

O Gantois é um dos terreiros reconhecidos como patrimônio nacional. Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

Está sendo finalizado hoje em Salvador o seminário internacional Políticas de Acautelamento do Iphan para Templos de Culto Afro-Brasileiros. Por conta de outras demandas aqui no jornal, relativas à preparação do especial do Dia Nacional da Consciência Negra 2009 ( daqui a alguns dias conto as novidades), não pude acompanhar de perto. 

O objetivo do  encontro é abordar as  políticas existentes para a proteção dos terreiros que vivem o desafio de enfrentar problemas como o avanço em suas áreas devido ao crescimento urbano desordenado.

O primeiro terreiro a receber o título de patrimônio nacional foi a Casa Branca do Engenho Velho, em 1984.  Logo depois foram contemplados o Ilê Axé Opô Afonjá (1999), o Gantois (2002) e o Bate-Folha (2003). A Casa das Minas, localizada no Maranhão, foi reconhecida em 2001.

O encontro contou com a participação da Université Nationale du Bénin; do Institut de Recherche pour le Développément, França;  da Universidade Federal de Pernambuco;  da Universidade Federal do Maranhão e da Ufba.  Para outras informações sobre este assunto vale consultar o site do Iphan. Para navegar por lá clique aqui.    


Torcida pela Roça do Ventura

postado por Cleidiana Ramos @ 9:05 AM
29 de junho de 2009

 

Terreiro necessita de reforma emergencial. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Terreiro necessita de reforma emergencial. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Ontem, o terreiro Seja Hundé, também conhecido como Roça do Ventura, situado em Cachoeira realizou uma das suas mais importantes cerimônias anuais: a Fogueira de Kaviono. No dia 23  teve também a  Fogueira de Bessen.

De tradição jeje, o Ventura é um dos mais antigos terreiros baianos e a comunidade de lá está na batalha para conseguir o tombamento como patrimônio e uma reforma emergencial.

A primeira demanda está tramitando no Iphan e a segunda à espera de uma resposta do governo do Estado.

O terreiro está com sérios problemas em suas partes construídas, principalmente o barracão: instalações elétricas precárias- em algumas situações recorre-se ao velho candeeiro-, paredes rachadas e dificuldades para o acesso a suas dependências. 

O Seja Hundé fica a  três quilômetros da cidade. Para chegar é preciso vencer uma encosta. Com as chuvas   ficou ainda pior para acessar a ladeira.  Segundo o ogã Marcus Alessandro, algumas pessoas chegam a desistir de ir até lá.

Mas para quem insiste e  vence as barreiras a visão que a Roça do Ventura oferece é de tirar o fôlego: áreas verdes, fontes, enfim, um espaço realmente mágico.

E sem falar que o pessoal que lidera a Casa é uma simpatia: ogã Boboso, 103 anos, ogã Bernardino, 92 anos, vodúnsi Alda e vodúnsi Alaíde. Os mais novos da Casa também não ficam atrás: ogã Buda e ogã Marcus Alessandro.

Fica aqui a torcida para que o Ventura consiga resolver o mais rápido possível estas suas demandas.