Confiram em versão PDF o especial Infância da Resistência

postado por Cleidiana Ramos @ 11:57 AM
3 de dezembro de 2014
Confira especial em versão PDF

Especial está disponibilizado na versão PDF 

Amigas e amigos: demorou um pouquinho, mas agora está aqui disponível, em formato PDF, o especial “Infância da Resistência”, publicado no dia 20 de novembro em A TARDE.

Para os que já viram, essa é a oportunidade de rever. Aos que ainda não viram ou estão longe da Bahia, a chance de conferir a nossa homenagem às crianças e suas lições.


Mais boas notícias sobre o especial Infância da Resistência

postado por Cleidiana Ramos @ 1:57 PM
24 de novembro de 2014

capa do especial 2014 3

Coisa boa é para compartilhar. Portanto, estou agora socializando os parabéns que a equipe de A TARDE responsável pelo especial Infância da Resistência recebeu da Cipó, uma instituição pioneira na Bahia no trabalho de conscientização da mídia sobre os direitos da Infância e Juventude. Receber elogio dessa turma é mais do que especial. Segue a nota:  

A CIPÓ – Comunicação Interativa parabeniza o jornal A Tarde, com destaque para a editora Cleidiana Ramos, pelo caderno publicado neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Essa postura da imprensa, de valorizar com seriedade e respeito uma data que é fruto da luta do movimento social, só ajuda a fortalecer a democracia e deve servir de exemplo para todos os veículos de comunicação.

A opção por abordar o assunto a partir do ponto de vista das crianças éoutro item que merece destaque. As crianças não são “o futuro”, elas vivem no presente e sofrem – ainda mais do que os adultos – as consequências do racismo. São portanto fontes qualificadas para falar sobre o assunto e devem ganhar espaço na imprensa, não como elemento “suavizador” da cobertura, mas como sujeitos de direitos que são.

 


Imagens de um dia especial para a redação de A TARDE

postado por Cleidiana Ramos @ 4:57 PM
20 de novembro de 2014

Hoje a redação ganhou uma grande festa para comemorar a circulação do especial  Infância da Resistência. Teve caruru de sete meninos, com as benção do Doté Amilton Costa, líder do Terreiro Vodun Zo; o som da banda mirim da Escola Olodum, jornalistas e suas fontes confraternizando, autoridades e o melhor: a energia doce e renovadora da criançada. Encerramos de forma muito divertida o que foi resultado de muito trabalho unido ao carinho que criança sempre desperta.  Abaixo algumas das fotos dessa manhã inspiradora:

Meire Oliveira, a professora Jacilene Nascimento, diretora da Escola Parque São Cristóvão e eu, Cleidiana Ramos. Foto: Iracema Chequer | Ag.  A TARDE

Renata Santana, aluna da Escola Parque São Cristóvão;  Meire Oliveira;  professora Jacilene Nascimento, diretora da Escola Parque São Cristóvão e eu, Cleidiana Ramos. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Equipe que realizou o especial fazendo pose com os integrantes da banda mirim da Escola  Olodum. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Equipe que realizou o especial fazendo pose com os integrantes da banda mirim da Escola Olodum. Foto: Mariana Carneiro | Ag. A TARDE

 

Mesa do caruru de sete meninos na Redação. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Mesa do caruru de sete meninos na Redação. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

 

 

 


Um alerta para pais e educadores

postado por Cleidiana Ramos @ 8:21 AM
20 de novembro de 2014

Esse vídeo mostra como o racismo não escolhe idade para atacar e como a força de estereótipos ajuda a reforçá-lo. Ele ataca o imaginário, inclusive, das crianças negras e de uma forma muito cruel.


Pequen@s guerreir@s: As primeiras lutas de Natinho

postado por Cleidiana Ramos @ 6:34 AM
20 de novembro de 2014
Bruno Aziz

Bruno Aziz

Jônatas Conceição da Silva era chamado de  Natinho pela família, amigos e em sua cidade do coração, Saubara.  Nasceu em 8 de dezembro de 1952,  na comunidade do Engenho velho de Brotas, localizada nos arredores do Dique do Tororó.

Em sua comunidade, Jônatas desfrutou de uma infância no espaço rodeado de arvores frutíferas; do baba na beira do dique; das brincadeiras com o inseparável amigo José Reis (Zé Furinga) e  do aconchego e carinho dos irmãos mais velhos, pois era o  oitavo filho de dona Isabel e do senhor  Tertulino.

Ao longo de sua vida dedicou-se a combater o racismo por meio  da militância no Movimento Negro Unificado (MNU) e na Associação Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê, onde fez parte da diretoria e fundou o Projeto de Extensão Pedagógica (PEP).

Na literatura produziu  artigos, contos e poesias. Como educador desenvolveu aulas com conteúdos sobre as histórias dos nossos ancestrais africanos e afro- brasileiros.

Maria Luísa Passos é pedagoga e escritora

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal


Pequen@s guerreir@s: Zumbi e o sonho de liberdade

postado por Cleidiana Ramos @ 6:33 AM
20 de novembro de 2014
Bruno Aziz

Bruno Aziz

Francisco nasceu livre, em 1655, em Palmares,  e, como outras crianças do quilombo, conviveu com seus pais, brincando e ouvindo histórias até os cinco anos de idade quando foi raptado com outros quilombolas, numa das investidas dos portugueses.

O nome Francisco, lhe foi dado por um padre quando o batizou, mas certamente a criança era chamada por outro nome.

Francisco nunca desistiu de retornar à sua terra. Ele certamente ouvia dizer que em Palmares além de africanos que fugiram da escravidão, havia também índios, mulatos e até brancos; que em Palmares a terra era de todos e, embora tivesse alcançado o número de 20 mil pessoas, tinha ainda lugar para muita gente se espalhar entre as palmeiras.

Francisco ouvia também contar que desde a formação de Palmares não se parava de tentar destruir o sonho de liberdade de tantos homens e mulheres. Assim, quando completou 15 anos, ele fugiu e retornou à terra de seus pais onde se tornaria, com o nome de Zumbi, o líder de um dos maiores projetos de liberdade construído pelos africanos no Brasil.

Vilson Caetano é babalorixá do Ilê Obá L´Okê,  doutor em antropologia e professor da Ufba

Foto:  Fernando Amorim | Ag. A TARDE | 24.09.2009.

Foto: Fernando Amorim | Ag. A TARDE | 24.09.2009.


Pequen@s guerreir@s: A menina das estrelas

postado por Cleidiana Ramos @ 6:32 AM
20 de novembro de 2014
Bruno Aziz

Bruno Aziz

Era uma vez, há mais ou menos cem anos, uma menina que morava nas estrelas. Humm… pensando bem, acho que eram as estrelas que habitavam dentro dela, e por isso as pessoas gostavam de lhe contar histórias e segredos, como se conversassem com uma iluminada e bela noite escura.

- Sabia que a vida de cada pessoa dá um livro? Só a de vovó é que deve dar uns três ou quatro… costumava dizer, mesmo antes de aprender a ler e escrever.

A vó queria que se chamasse Eunice, mas ela acabou se chamando Carolina Maria. Sapeca como um céu cheio de astros, às vezes sumia:

- Ô, Nicinha! Onde cê tava menina?

- Eu tava lááá na beira de Sacramento, vó, onde a cidade acaba, imaginando o rio que eu quero atravessar…

Carolina amava as grandes distâncias, e as coisas que pareciam infinitas, como a poesia. E se engana quem pensa que poeta vive no mundo da lua… Ela observava tudo em volta com atenção, ouvindo sobretudo os mais velhos.

Quando aprendeu a ler e escrever, mesmo, já era quase férias, e andava sumindo com todo papel que vinha embrulhando o pão. Também surrupiava os moldes que a mãe usava para costurar vestidos. Escrevia, escrevia, escrevia. E logo passou a escrever a história dela mesma.

Aí então… filas de parentes e vizinhos vinham prosear com a menina, e até lhe traziam presentinhos. Uns tinham a esperança de aparecer no livro de Carolina, outros estavam preocupados com o que ela contava sobre eles. Vai que um dia o livro fosse mesmo publicado…

No começo era uma coisa secreta, e Carolina contava algumas mentirinhas.

- Ah, minha filha, outro caderno?! As aulas mal começaram…reclamava a mãe.

- É que… é que… caiu numa poça de água, mamãe.

De outra vez:

- O boi comeu, vó…

E para o pai:

- Aí teve aquela nuvem de gafanhoto horrível, e aí eu larguei o caderno, aí saí correndo…

Só ela não sabia que todo mundo já sabia. A família orgulhosa ouvia as mentiras esfarrapadas com um espantos de faz-de-conta:

- Óóó… Foi mesmo? Não diga…

E no final, alguém resolvia:

- Toma esse dinheiro. Vai na quitanda de Dona Mocinha e compra outro caderno, vai.

Lande M. Munzanzu Onawale é poeta e escritor

Foto: Arquivo pessoal

 

 


Solução do caça-palavra no caderno Infância da Resistência

postado por meire.oliveira @ 6:00 AM
20 de novembro de 2014

Na página 15 do especial Infância da Resistência tem um caça-palavra. Resolvendo o jogo são encontrados alguns dos povos africanos que vieram para o Brasil e contribuíram para a formação da cultura afro-brasileira. Aproveite e conheça, na página 6, a história sobre os países do continente africano de onde vieram a maioria dos negros trazidos para a Bahia.

Na solução são listados nove povos que contribuíram para a formação cultural do nosso País/

Na solução são listados nove povos que contribuíram para a formação cultural do nosso País/ Ludmila Cunha| Editoria de Arte A TARDE

 


Conheça os bastidores do especial Infância da Resistência

postado por meire.oliveira @ 10:33 PM
19 de novembro de 2014

Meire Oliveira

Neste ano resolvemos contar para vocês os bastidores da produção dos especiais da Consciência Negra de A Tarde. O resultado do trabalho que vocês vão conhecer, amanhã, tem a participação de muita gente mesmo antes dele começar a ser, de fato, feito. Todos começam do mesmo jeito, embora o processo de desenvolvimento seja diferente, pois depende do assunto que a gente escolhe trabalhar.

No caso do Infância de Resistência, a elaboração teve início no dia 29 de outubro. Fizemos uma reunião aqui na sede de A TARDE reunindo a equipe do jornal que faz o caderno– repórteres, fotógrafos e estudiosos sobre o tema abordado: o antropólogo Cláudio Pereira; o líder do terreiro Mokambo, tata Anselmo; o jornalista Hugo Mansur e o historiador Jaime Sodré.

Na reunião que ocorre antes de começar o caderno, estudiosos do tema ajudam a formular as pautas

Na reunião que ocorre antes de começar o caderno, estudiosos do tema ajudam a formular as pautas/ Foto: Luciano da Matta

Nessa conversa definimos as matérias que vocês irão ler amanhã e listamos as fontes que serão entrevistadas. A novidade deste ano, que surgiu durante esse encontro, foi a ideia de convidar estudantes das escolas que são referências na implementação da Lei 10.639/03 – que obriga o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira no País– para atuarem como repórteres vivenciando a nossa rotina e escrevendo matérias.

Na semana seguinte, nove estudantes das escolas Mãe Hilda, Parque São Cristóvão e Eugênia Anna dos Santos passaram uma tarde com a gente de muita diversão em uma oficina com a equipe de Projetos Sociais de A TARDE; ouviram contos africanos com a historiadora Vanda Machado e souberam mais sobre a vida da pedagoga Olívia Santana que, em 2005, liderou a implementação da Lei em Salvador como secretária municipal da Educação. Após a conversa, Olívia foi entrevistada em uma coletiva e fotografada pelos novos repórteres.

Durante a oficina, os alunos ouviram contos africanos com a historiadora Vanda Machado

Durante a oficina, os alunos ouviram contos africanos com a historiadora Vanda Machado/ Foto: Joa Souza

 

Após uma seleção, foi a vez de Renata,14 anos, Camilly, 12 anos, Leonara, 9 anos, e Gisele,10 anos, acompanhadas por suas professoras nas escolas, serem ‘contratadas’ para atuar como repórteres dentro da redação .Elas conheceram todo o processo de produção do jornal. Chegaram tímidas, mas com o tempo foram mostrando talentos no desenvolvimento de várias atividades ao longo de três dias.

Durante três dias as novas repórteres vivenciaram a rotina da redação

Durante três dias as novas repórteres vivenciaram a rotina da redação/ Foto: Iracema Chequer

As meninas tiveram acesso ao sistema de computador que todos os jornalistas escrevem, elaboraram textos e títulos, escolheram as fotos que seriam utilizadas nas matérias e acompanharam a montagem da página. Nessa fase já estavam familiarizadas e opinaram em tudo, por exemplo, como queriam a foto e a cor do título do texto.

Essa experiência  foi o diferencial do caderno deste ano. Dividir a tarefa de falar do universo infantil contando com a colaboração de quem mais entende do assunto foi essencial pra gente. Meninas, vocês brilharam!