Balaio de Ideias: O poder da palavra e o mês das festas

postado por Cleidiana Ramos @ 1:10 PM
9 de setembro de 2015
Mãe Valnizia faz mais uma bela análise sobre o poder da palavra e as festas de setembro. Foto:  Joá Souza/ Ag. A TARDE Data: 20/03/2015

Mãe Valnizia faz mais uma bela análise sobre o poder da palavra e as festas de setembro. Foto: Joá Souza/ Ag. A TARDE
Data: 20/03/2015

Valnizia Pereira Bianch 

Ialorixá do Terreiro do Cobre

A palavra é muito poderosa. Ela pode criar, destruir, alegrar, entristecer, abrigar, desabrigar, aconselhar, trazer a felicidade, mas também infelicidade. A palavra também tem o poder de matar e salvar; de educar e alfabetizar. Aproveitando o cortejo, é bom ressaltar que, ontem, dia 8, comemoramos o Dia da Alfabetização, que é a base da vida, porque, sem educação, não se tem o poder da palavra nem um bom futuro. Infelizmente, no Brasil, a educação é muito precária. Vamos pedir a Deus que melhore, pois só com educação podemos formar cidadãos para um futuro melhor.

A palavra é tão importante quanto a primavera que está chegando e trazendo o verde das árvores, a beleza e o colorido das flores, além da calmaria das folhas. Elas param de cair com o vento do inverno, que só a poderosa Oyá pode conduzir, pois ela comanda o vento e as tempestades. Vamos pedir a ela que nos traga bons ventos para o nosso futuro.

Além dessas duas ocasiões que citei, setembro celebra o Dia da Juventude Brasileira, no dia 6; a Independência do Brasil, dia 7; a imprensa, dia 10; a paz – algo que o país está precisando muito –, no dia 16; e as árvores, no dia 21. Tem ainda o dia 27, quando se comemoram os santos Cosme e Damião, que, na cultura do sincretismo, simbolizam os Ibejis. Esta festa traz boas recordações da minha infância. Era época em que as pessoas ofereciam caruru, mesmo sem ser de candomblé.

Rezava-se também a ladainha de são Cosme e, quando terminava, tinha samba de viola a noite toda. Sete crianças sentavam em uma esteira estendida no meio da casa e no centro de onde elas estavam colocava-se uma bacia ou um alguidar com todas as comidas e um pedaço de frango para cada criança.

Era uma folia: cada um queria pegar a galinha do outro e, por isso, era o que se comia primeiro. Quando a gente acabava, bebia aruá e recebia doces. Era uma grande festa para as crianças. A dona da casa se vestia de branco e as crianças, depois de comer, limpavam as mãos na sua roupa. É pena que esse tipo de celebração está se perdendo. Hoje, as pessoas preferem dar doces ou colocam o caruru em quentinhas para ser distribuído às crianças ou a quem quiser comer, mas na rua.

Antigamente se colocava o caruru nas folhas de banana ou em uma folha que as pessoas chamavam de “prato de Oxum”, porque parecia com uma concha. Todos comiam com a ajuda das mãos e as limpavam nas pernas para atrair saúde.

Geralmente, nos terreiros de candomblé, se faz cerimônia para os Ibejis dentro do ciclo de festas e não necessariamente no mês de setembro. No Cobre, por exemplo, se comemora a Corda de Ibeji. Na festa, em uma corda que está no teto do barracão, desde o tempo de minha bisavó, são pendurados frutas e doces.Depois dos cantos rituais, as pessoas podem pular e pegar as frutas e doces e é distribuído o caruru. O engraçado é que as crianças chegam para a festa carregando os saquinhos onde vão guardar as frutas. Que os santos Cosme, Damião e os Ibejis protejam todas as crianças dando-lhes uma boa sorte.

MÃE VALNIZIA ESCREVE MENSALMENTE EM DIA DE XANGÔ, QUARTA-FEIRA


Dia de festejar as crianças

postado por Cleidiana Ramos @ 4:16 PM
27 de setembro de 2012

Hoje é dia de celebrar a infância. Foto: Eduardo Martins/ Ag. A TARDE

Se a promessa é para os santos católicos, que a tradição aponta como adultos e não gêmeos, ou se é para as divindades infantis do Candomblé pouco importa.

O bom é que hoje é dia de festejar essa delícia que é a infância.  Essa sacralização permite aos adultos, pelo menos por um tempo, relembrar esses dias.

Portanto, vamos comer muito caruru e festejar essa beleza da cultura popular.


Hora de reverenciar a beleza da infância

postado por Cleidiana Ramos @ 5:34 PM
26 de setembro de 2011

Amanhã é dia de festejar São Cosme e São Damião. Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE| 26.09.2005

Amanhã é dia de festa para São Cosme e  São Damião. Na Bahia, o culto aos santos católicos encontrou a festa para os ibejis, que representam a infância divinizada no candomblé.

Daí que mesmo que a biografia dos santos católicos não confirme se realmente eram gêmeos e os aponte como adultos, no imaginário popular eles assumiram as características dos orixás meninos.

Portanto, amanhã é dia de comida farta aos pés de Cosme e Damião: caruru, vatapá, pipoca, rapadura, milho, arroz, galinha de xinxim, feijão fradinho, feijão preto, cana e outras iguarias, além de doces, muitos doces.

Sempre recordo do antropólogo e professor da Ufba, Ordep Serra que, em sua dissertação de mestrado sobre erês, se ocupou também dos ibejis.

Como aponta o professor Ordep, o caruru é um rito voltado para a purificação, mas feita de forma lúdica. Quem oferece o caruru tem que ficar no centro da roda dos meninos para que eles, depois de comerem, limpem as mãos na roupa do anfitrião que fica purificado das energias negativas.

Sem falar que os meninos comem de mão e podem fazer a algazarra que desejarem. É uma festa para deixar que a criança existente dentro de cada um de nós fique à vontade.

Então é hora de aproveitar e viva o culto tanto aos orixás meninos como aos santos gêmeos nesse ambiente de quem aprendeu a respeitar a riqueza e a beleza da crença do outro.


Dia de festa dos meninos

postado por Cleidiana Ramos @ 9:43 AM
27 de setembro de 2010

Hoje tem caruru por toda a Bahia. Foto: Marco Aurélio Martins | Ag. A TARDE.

A segunda-feira que é um dia considerado morno, da volta pachorrenta ao trabalho, amanheceu, hoje, mais colorida.

Isso porque é dia dos santos Cosme e Damião, adultos e médicos para a Igreja Católica, mas que o encontro com o  candomblé os fez ser lembrados como crianças gêmeas, os ibejis,  que gostam de muita comida,  principalmente o prato à base de quiabo, o caruru, e que dá nome a todo o banquete, além de doces, muitos doces.

Enfim, é dia de cantar coisas alegres que tomam até liberdades como jurar que São Cosme “vadeia”, no sentido de curtir: São Cosme mandou fazer/duas “camisinha” azul/no dia da festa dele/São Cosme quer caruru/Vadea cosme, vadea…

Vejam pela letra da canção que tudo é possível. Até abolir o plural cobrado pela chamada língua culta.

Pelas ruas, avenidas e becos da capital baiana e do interior quanta gente não vai abrir a casa para receber convidados e ofertar a eles um delicioso caruru. Pode ser aquele prato recheado de quitutes: caruru, vatapá, arroz, galinha, feijão fradinho, banana da terra, rapadura, cana-de-açúcar, acaçá, pipoca, etc ou o mais econômico como se faz lá na região da minha querida Iaçu: caruru, vatapá, galinha e arroz.

É dia de ouvir as belas ladainhas em honra dos santos para depois vir o delicioso samba.  É também dia de ver a meninada se lambuzar e comer quanto aguentar e os mais velhos se comportarem como menino.

Que bela forma de começar a semana. Viva aos santos gêmeos, sejam os católicos ou os ibejis do candomblé.