Morre Ebomi Cidália de Iroko

postado por Cleidiana Ramos @ 2:52 PM
20 de março de 2012

Ebomi Cidália era conhecida como a "Enciclopédia do Candomblé". Foto: Margarida Neide/ Ag. A TARDE/ 07.07.2006

Hoje o mundo do candomblé fica mais triste. Durante a manhã faleceu, no Hospital Naval em Salvador, por complicações derivadas de um problema renal, a ebomi Cidália Soledade, 82 anos. Filha de Iroko, o orixá que habita a gameleira e domina os mistérios da vida e da morte, foi consagrada por Mãe Menininha dos Gantois. Ela deixa os filhos Elizabeth, Raimundo, Eliana e Josenice.

Ebomi Cidália tinha 75 anos de consagração à religião dos orixás. Era dona de um grande carisma. Ficou conhecida pela sabedoria e capacidade de transmitir conhecimento numa linguagem que era facilmente absorvida pelo público a quem se dirigia. Por conta disso recebeu do professor Jaime Sodré o título de “Enciclopédia do Candomblé”.

Com saber reconhecido em uma religião que tem como uma de suas fortes marcas a tradição e a oralidade estava sempre atenta a conhecer mais de perto tudo que surgia de novo no campo da comunicação.

Uma das suas atividades preferidas era conversar com jornalistas e pesquisadores de outras áreas. Costumava dizer: “Não tenho medo de conversar com jornalistas, antropólogos e historiadores, pois eles não vem buscar fundamento do candomblé, o que eu nunca revelaria. Eles vem buscar informações que ajudam a esclarecer sobre a religião”.

Aos 78 anos, descobriu as redes sociais com o Orkut onde mantinha uma comunidade para diálogo intenso com admiradores espalhados pelo Brasil inteiro. Com a ajuda de um dos seus amigos, o taxista Romilson Costa, ela fazia, diariamente, a atualização da sua rede respondendo mensagens. Nos ultimos dois anos andava interessada em conhecer mais sobre outras ferramentas como blogs.

O sepultamento será amanhã, quarta-feira, às 15 horas, no Jardim da Saudade.


Okê Arô! Salve o Caçador

postado por Cleidiana Ramos @ 5:55 PM
23 de junho de 2011

Casa Branca é um dos terreiros que começam o calendário saudando Oxóssi. Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE| 30.11.2004.

Hoje todas as homenagens se dirigem a Oxóssi, o senhor da caça e protetor das matas. Três dos mais tradicionais terreiros da Bahia – Casa Branca, Gantois e Ilê Axê Opô Afonjá – começam seus calendários litúrgicos saudando o orixá que veste azul turquesa.

Tradicionalmente, estas festas acontecem na festa de Corpus Christi. Já perguntei a alguns estudiosos o porquê dessa coincidência de datas. Para alguns, é que, como Corpus Christi é um dia bem solene para os católicos, os africanos e seus descendentes escravizados encontravam maior facilidade para saudar o orixá caçador diante de uma folga na data em que é recomendado o recolhimento.

Mas, lembro de uma explicação que me foi dada pelo historiador Waldir Freitas Oliveira que achei bem pertinente. Segundo ele, na procissão de Corpus Christi em tempos coloniais, o andor de São Jorge, com quem Oxóssi foi associado na Bahia diante do encontro entre catolicismo e candomblé, vinha à frente da procissão que sempre foi cercada de muita solenidade na capital baiana.

Este ano a coincidência é bem bonita por ter caído em um dia de tanta festa e com pratos à base de milho, uma das comidas de Oxóssi.

Portanto, Okê Arô, Senhor Caçador!


Gantuá- a estrela mais linda

postado por Cleidiana Ramos @ 10:17 AM
26 de julho de 2010

Professor Jaime destaca homenagem da Unesco ao Gantois. Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE| 04.03.2001

Jaime Sodré

Desde tempos pretéritos que a humanidade escolhera a Natureza como objeto de culto, temendo ou adorando-a. Refiro-me a África Ancestral, quando no Vale do Rift, no Lago Turkawa no Quênia, garganta de Olduvai na Tanzânia, Haddar e Vale do Ouro na Etiópia, e Taung, Makapansgat, na agora familiar África do Sul, o homem e a mulher põem-se de pé e fé na religiosidade primária.

Para Elikia M’Bokolo: “estamos hoje mais autorizados a dizer de maneira mais radical que a questão da anterioridade africana se impõe no próprio cerne dos processos de hominização”, logo, África berço da humanidade. O caráter de preservação da religiosidade de base africana, característica de humanização, decorre da longevidade e ações de resistência nos enfretamentos das pretensões expansionistas do Islã, evangelizadoras do catolicismo e do protestantismo.

Processos sincréticos, como solução estratégica de sobrevivências, foram experimentados. E tudo chegou sobrevivente nos tumbeiros. Os primeiros bantos implementaram o “calundu”, “tataravô” do modelo atual do Candomblé, prestando assistência e serviço religioso até mesmo ao branco colonizador-opressor, com rezas, unguentos, garrafadas, etc. mesmo sob olhar repressor das autoridades.

Mais tarde, essas manifestações religiosas eram realizadas já em ambiente residencial, discreto, nas “lojas” dos africanos livres, fazendo as obrigações iniciáticas em casas localizadas no centro histórico. A forma estruturada do Candomblé, como hoje conhecemos, como síntese de contribuição banto, gege e nagô, teve o seu modelo original nas ações “das tias” Iya Kalá, Iya Detá e Iya Nassô, inaugurando o famoso Candomblé da Barroquinha, matriz de muitos outros, a exemplo da Casa Branca, do Ilê Axé Opô Afonjá que completa 100 anos de existência, e do terreiro da nossa Mãe Menininha.

Os esforços dessas sacerdotisas conseguiram preservar, em um sentido profundo, o que existia de fundamental de suas raízes religiosas. Assim, no século XIX, viu-se inaugurar a implementação de um complexo cultural afro, na forma de egbé, agora já expulsos do centro da cidade para espaços chamados “terreiros”, onde se consagram os cultos das divindades africanas e de ancestrais ilustres, os égun. Esses terreiros adquiriram caráter especial através de identificação em forma de nações, e ultrapassam os limites territoriais, vencendo preconceitos e ameaças, interagindo com a comunidade baiana, expandindo-se. Resistência e fé passaram a ser o compromisso.

Agora, com aliados ilustres, podemos saber sobre a trajetória vitoriosa desta matriz religiosa. Bons hábitos fazem quem lê jornal e, melhor ainda, a coluna de July. Local onde circula, de forma respeitosa e elegante, as notícias do povo-de-santo. O terreiro do Gantuá é noticia com o título Unesco.

O Egbé Oxóssi, Ilê Axé Iya Omin Iyamassê, comunidade religiosa fundada no Alto do Gantuá, no início do século XIX, pela Iyalorixá Maria Julia Figueiredo inaugurando uma linhagem com D. Pulquéria da Conceição Nazaré, D. Maria dos Prazeres Nazaré e a “estrela mais linda” Mãe Menininha do Gantuá, seguindo-se Mãe Creuza e Mãe Carmem, preservam a tradição e a seriedade dos seus ritos.

Em Dezembro de 2002, o Ministério da Cultura homologa o tombamento do terreiro como bem histórico nacional. “Deu na coluna de July” e aqui no Mundo Afro que a Iyalorixá Mãe Carmem fora homenageada pela Unesco com a Medalha dos Continentes I, entregue pelo presidente do Conselho Executivo do Benin para a Unesco, embaixador Olabiyi Babalola Joseph Yai, um amigo da Bahia, em reconhecimento a este terreiro que tem Oxóssi como patrono, comprometido com o diálogo intercultural e que não efetua ações de proselitismo, nem distinções negativas para com outros segmentos religiosos de concepções diversas.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


Mãe Carmem é homenageada pela Unesco

postado por Cleidiana Ramos @ 3:21 PM
10 de junho de 2010

Mãe Carmem recebeu homenagem da Unesco. Foto: Divulgação

A ialorixá do Gantois, Mãe Carmem recebeu, no último 30, a Medalha dos Cinco Continentes, outorgada pela Unesco. A condecoração foi levada até o Gantois pelo presidente do Conselho Executivo da Unesco e delegado permanente do Benin na instituição, embaixaor Olabiyi Babalola Joseph Yai. A condecoração é dada a instituições que promovem diálogo intercultural, respeitam outros credos e não fazem proselitismo.

Mãe Carmem recebeu também a faixa da Sociedade Secreta Geledé e a Maié Oxum do Gantois, Márcia de Souza, foi condecorada com a Medalha Toussaint Louverture. A comenda que faz uma homenagem ao líder da libertação do Haiti é oferecida a pessoas que desempenham atividades de conscientização e promoção das culturas africanas.

Mãe Carmem está comemorando oito anos no comando do Gantois.


Okê Arô!

postado por Cleidiana Ramos @ 1:39 PM
3 de junho de 2010

A Casa Branca é um dos terreiros que inicia hoje seu ciclo de festas. Foto: Arquivo A TARDE

Hoje os terreiros Casa Branca do Engenho Velho da Federação, Gantois e Ilê Axé Opô Afonjá começam os seus ciclos de festas. As homenagens são para Oxóssi, senhor das matas, o rei dos caçadores e, portanto, provedor da sua comuidade e o que proporciona fartura.

Não tenho aqui comigo o calendário das festas, com os seus horários exatos, mas o Afonjá, que fica em São Gonçalo do Retiro, costuma começar o rito mais cedo, ali por volta das 19h30. Casa Branca (Avenida Vasco da Gama) e Gantois (Alto do Gantois, Federação) por volta das 21 horas.

São festas abertas ao público, mas atenção com algumas regras: sempre escolham cores claras para vestir; não é permitido o uso de bebidas alcóolicas e a movimentação dentro do barracão deve seguir as regras das Casas que, normalmente, no caso destas três não permitem registros fotográficos. É de bom tom desligar o celular como, geralmente, se faz em qualquer cerimônia; homens e mulheres ficam em espaços diferentes no barracão. Dúvidas podem ser tiradas com os ogãs que ficam sempre a postos para orientar visitantes.

No mais é apreciar a beleza destas festas e saudações ao grande Oxóssi: Okê Arô!

Tradição— Oxóssi na Bahia foi associado, no encontro entre candomblé e catolicismo, com São Jorge. Não se sabe ao certo porque estas três casas irmãs — o Gantois e o Afonjá foram fundados por sacerdotisas egressas da Casa Branca — iniciam seu calendário festivo com honras a esse orixá. Casa Branca e Afonjá, inclusive, tem com patrono Xangô.

Uma das explicações, formulada pelo professor Valdir Freitas de Oliveira, é que na procissão de Corpus Christi, importantíssima para a cidade e a primeira realizada após a fundação de Salvador, em 1549,  São Jorge tinha um lugar de destaque. O seu andor vinha à frente.

Além disso, esse era um dia, talvez, de razoável folga na labuta de quem era escravo. Por ser um dos mais importantes dias santos (nesta festa os católicos celebram o sacramento da Eucaristia, que acreditam, é a presença do próprio Jesus em forma de comida na hóstia consagrada que desfila pelas ruas levada por um sacerdote) havia, para os escravos e também libertos uma melhor tranquilidade para celebrar na linguagem da crença inspirada na África.         


Solidariedade ao Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 12:11 PM
15 de dezembro de 2009
O vice-prefeito, Edvaldo Brito, foi recebido por Mãe Stella de Oxóssi. Foto: Ascom| Divulgação

O vice-prefeito, Edvaldo Brito, foi recebido por Mãe Stella de Oxóssi. Foto: Ascom| Divulgação

O vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, esteve ontem no Ilê Axé Opô Afonjá. O professor Edvaldo, como é mais conhecido por conta da sua carreira na universidade e no âmbito do Direito, foi prestar solidariedade à comunidade do terreiro por conta dos atos de vandalismo contra o Afonjá, ocorridos no último dia 30.

Marginais invadiram o quarto de Oxalá e destruíram as instalações do espaço sagrado. O vice-prefeito, filho de Ogum do Gantois, onde ocupa o posto de Babá Egbé, um dos mais ilustres na hierarquia masculina da Casa, assegurou que a prefeitura vai realizar melhorias no terreiro,como reforço de iluminação em locais de circulação pública e execução de um projeto paisagístico.

Numa praça será colocado o busto de Mãe Anininha, fundadora do Afonjá, que comemora, no próximo ano, o seu centenário de fundação.

O professor Edvaldo foi recebido pela ialorixá do Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi, e pelo presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel.

O gesto do professor Edvaldo é emblemático não só por conta de demonstrar repúdio à agressão contra o Afonjá, mas também de mostrar uma ação do poder público em preservar um patrimônio que tem  o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas que também é imaterial.


Iphan disponibiliza informações sobre proteção a terreiros

postado por Cleidiana Ramos @ 1:01 PM
28 de outubro de 2009
O Gantois é um dos terreiros reconhecidos como patrimônio nacional. Foto: Marco Aurélio Martins | AG.  A TARDE

O Gantois é um dos terreiros reconhecidos como patrimônio nacional. Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

Está sendo finalizado hoje em Salvador o seminário internacional Políticas de Acautelamento do Iphan para Templos de Culto Afro-Brasileiros. Por conta de outras demandas aqui no jornal, relativas à preparação do especial do Dia Nacional da Consciência Negra 2009 ( daqui a alguns dias conto as novidades), não pude acompanhar de perto. 

O objetivo do  encontro é abordar as  políticas existentes para a proteção dos terreiros que vivem o desafio de enfrentar problemas como o avanço em suas áreas devido ao crescimento urbano desordenado.

O primeiro terreiro a receber o título de patrimônio nacional foi a Casa Branca do Engenho Velho, em 1984.  Logo depois foram contemplados o Ilê Axé Opô Afonjá (1999), o Gantois (2002) e o Bate-Folha (2003). A Casa das Minas, localizada no Maranhão, foi reconhecida em 2001.

O encontro contou com a participação da Université Nationale du Bénin; do Institut de Recherche pour le Développément, França;  da Universidade Federal de Pernambuco;  da Universidade Federal do Maranhão e da Ufba.  Para outras informações sobre este assunto vale consultar o site do Iphan. Para navegar por lá clique aqui.    


Okê Arô, Oxóssi!

postado por Cleidiana Ramos @ 10:03 AM
10 de junho de 2009
Casa Branca, Gantois e Afonjá celebram Oxóssi. Fotos: Lúcio Távora e Xando Pereira | AG. A TARDE

Casa Branca, Gantois e Afonjá celebram Oxóssi. Fotos: Lúcio Távora e Xando Pereira | AG. A TARDE

Amanhã,quinta-feira, tem festa para Oxóssi nos terreiros Casa Branca, Gantois e Opô Afonjá.

Estas três casas que tem uma parte da sua história relacionada- Gantois e Afonjá foram fundados por sacerdotisas e sacerdotes ligados à Casa Branca, considerado o mais antigo terreiro de nação ketu do Brasil- iniciam seu calendário litúrgico anual com esta festa.

Não se tem um consenso sobre o porquê da festa de Oxóssi destas Casas acontecer no Dia de Corpus Christi.

Para alguns estudiosos, a solenidade da data dava uma certa liberdade aos escravos ( o candomblé é originado de cultos africanos )  o que lhes permitia, junto aos libertos, fazer uma grande festa.

Em Corpus Christi, os católicos celebram a presença de Jesus na hóstia consagrada, daí o nome da festa que, traduzindo para o português é o dia do “Corpo de Cristo”.

Esta é a única ocasião do ano em que a Eucaristia, outro nome da hóstia consagrada, sai às ruas em procissão. Para os católicos Jesus segue ali no ostensório- aquele objeto que tem ornamentação final que lembra os raios do sol (Jesus é o sol da humanidade para os católicos). Um dos dogmas da Igreja é exatamente o de que ao ser consagrados pelas palavras e imposição das mãos do padre durante a  missa o pão (a hóstia) se torna o corpo de Jesus e o vinho o seu próprio sangue.

Esta minha longa explanação sobre a festa católica é só para mostrar o quanto de solenidade este dia guarda.

Para outros estudiosos, como neste dia o primeiro andor que vinha à frente da procissão de Corpus Christi era o de São Jorge com quem Oxóssi foi associado está  explicada esta relação entre as duas festas.

Oxóssi é rei de Ketu, senhor das matas e dono da arte da caça. Por isto mesmo é o provedor da comunidade que protege. Asism sua festa celebra também a prosperidade o que  não deixa de ter relação com a festa católica, afinal Jesus, nas formas de pão e vinho, é também alimento.  

A festa do Gantois está marcada para as 19 horas, a do Afonjá para as 19h30 e a da Casa Branca para as 21 horas.

Para quem está pensando em ir algumas dicas: é bom chegar um pouco mais cedo, pois são festas que costumam reunir muita gente. Outra coisa: é sempre bom estar atento às regras do terreiro. Cada Casa tem a sua própria tradição, mas algumas coisas são gerais:

1.Vá com uma roupa em tom claro e evite o preto, pois não se usa essa cor em uma cerimônia de candomblé.

2.Na maioria dos terreiros não é permitido registro de imagens do ritual. Na dúvida procure um ogã da Casa e pergunte.

3. Trata-se de uma cerimônia religiosa, portanto desligue o celular ou deixe no modo silencioso ou vibratório. Se precisar realmente falar ao telefone saia do barracão, que é o salão onde é realizada a festa.

4.Um dos pilares do ritual é a distribuição da comida, pois é a forma de partilha da oferta para a divindade com a sua comunidade. Mas você não é obrigado a comer. Se não quiser, recuse gentilmente e se estiver interessado respeite as regras de distribuição que observa critérios como hierarquia (autoridades religiosas, inclusive  de outros terreiros), dentre outros. Aguarde tranquilamente no seu lugar que você vai ser servido ou entre na fila se houver.

5.Não se permite a entrada nos terreiros de bebidas alcoólicas ou de alimentos trazidos de fora. Portanto, nada de cerveja, salgadinhos, pipoca ou outro tipo de petisco.

6.Antes de entrar em qualquer lugar fora do local onde está acontecendo a festa pergunte a alguém da Casa se é permitido.

No mais aproveitem as festas que costumam ser marcadas pela alegria. Saudações ao nobre Oxóssi- okê arô!