Sobre afros, Afródromo e Carnaval

postado por Cleidiana Ramos @ 4:31 PM
4 de março de 2014
O afoxé Filhos de Gandhy comemora os 65 anos. Foto:   Raul Spinassé/ Ag. A TARDE

O afoxé Filhos de Gandhy comemora os 65 anos. Foto: Raul Spinassé/ Ag. A TARDE

Ilê Aiyê fez festa para os seus 40 anos. Foto: Fernando Vivas/Ag. A TARDE

Ilê Aiyê fez festa para os seus 40 anos. Foto: Fernando Vivas/Ag. A TARDE

 

Hoje termina o Carnaval que teve como um dos seus temas (isso também ficou meio confuso) os 40 anos de blocos afro. Foi uma tentativa de homenagem por meio do Ilê Aiyê, a primeira dessas agremiações a se constituir. O surgimento do Ilê, embora no campo cultural, teve um quê de rebeldia, afinal falar de racismo não se podia durante os anos de governo e ditadura militar no Brasil por conta da Lei de Segurança Nacional.

Além do Ilê, várias outras agremiações com lastro afro-brasileiro comemoraram nese Carnaval o que a gente chama de datas redondas: o afoxé Fihos de Gandhy (65 anos); o Olodum (35 anos); Malê DeBalê (35 anos) e as Filhas de Gandhy (35 anos).

Seria, portanto, o Carnaval ideal para o início do Afródromo, uma tentativa de dar a visbilidade que essas agremiações merecem e que o Carnaval baiano precisa para sacudir a mesmice e fazer jus ao rótulo de diversidade que reivindica.

Agremiação afro tem batida diferenciada de acordo com a característica de cada uma. Aqui recorro a especialistas em música, mas o Ilê tem um toque mais próximo ao feito nos terreiros; o Olodum seguiu um caminho mais sincopado ou pop; o Gandhy segue o passo cadenciado e hipnótico do ijexá; o Okanbí faz experimentação o tempo inteiro e por aí vai.

Além disso, tem alas de dança e figurinos exuberantes como os do Bankoma. Imagina o espetáculo de ver tudo isso junto e misturado como diz o bom baianês. Carlinhos Brown, criador de maravilhas como a Timbalada, bem que tentou. Seu projeto de Afródromo no Comércio não era separação como muita gente entendeu, mas, entendi (e posso estar equivocada também) como uma forma de mostrar porque os afro reivindicam maior visibilidade.

O projeto mudou e foi para o Campo Grande. A mudança de endereço também me pareceu legal, ou seja, seguia para um dos palcos com holofotes da festa. Mas não foi bem isso que rolou por mais que a iniciativa de Brown mereça elogios.

O Afródromo começou com atraso em todos os dias e apenas tornou mais evidente o que as agremiações afro vivem em cada Carnaval: cordeiros somem em busca dos blocos que têm artistas conhecidos; trios apresentam problemas; entidades com equipamentos mais pontentes sufocam suas batidas; no horário não há mais visibilidade na TV e, claro, patrocínio segue a lógica capitalista e dá dinheiro para quem aparece nos espaços midiáticos..enfim…o Afródromo foi apenas uma denominação diferente, pois as entidades agrupadas a cada dia já tinham os seus desfiles agendados para o mesmo horário na programação oficial do Carnaval.

Excetuando-se os holofotes que sempre acompanham o Ilê Aiyê, embora sua história de resistência que vai muito além de um bloco de Carnaval fique praticamente invisível, as outras agremiações afro brilharam onde brilham sempre: no coração e na persistência dos seus seguidores que entendem porque eles teimam em fazer parte do Carnaval mesmo com todas as dificuldades.


Festa de uma década

postado por Cleidiana Ramos @ 7:52 PM
20 de novembro de 2012

Filhos de Gandhy fez participação especial em festa de A TARDE. Foto: Margarida Neide

Pessoal: hoje é um dia mais que especial. Além de celebrarmos o Dia da Consciência Negra, os especiais de A TARDE completam uma década de publicação.

Estamos muito, mas muito felizes e a felicidade hoje extravassou na forma de uma celebração emocionante aqui na redação do jornal. Recebemos convidados muitos especiais como doté Amilton Curuzu, ogã Papadinha, Tata Anselmo dos Santos, Jaime Sodré, Tata Konmannanjy,  Cecília Soares, Vilson Caetano, Claudio Pereira,  Mestre Curió,  Vovô do Ilê, Agnaldo do Gandhy, Vadinho França, o secretário estadual de Promoção da Igualdade, Elias Sampaio, o secrtário municipal da Reparação, Ailton Ferreira,  e tantos outras personalidades. E tudo isso foi com ao som do Ilê Aiyê e do Gandhy.  Dia para ficar na nossa história.


A despedida do Ilê Aiyê e dos afoxés

postado por Cleidiana Ramos @ 8:11 AM
16 de fevereiro de 2010

O desfile do afoxé Filhos de Gandhy sai hoje do Pelourinho. Foto: Eduardo Martins | AG. A TARDE

A festa no Circuito Batatinha (Centro Histórico) começa às 15 horas com o Filhos de Olorum. Em seguida vem o encerramento do Carnaval do afoxé Filhos de Gandhy.

Tem ainda destaques como o Korin Efan, às 16h20, e o Okanbí, comandado por Jorjão Bafafé, que sai às 18h20.

É um bom aquecimento para a última passagem do Ilê Aiyê este ano, a partir das 19h40 e de Os Negões logo em seguida.


Hoje tem afoxé no Centro Histórico

postado por Cleidiana Ramos @ 8:16 AM
14 de fevereiro de 2010

O Fihos de Gandhy durante a passagem pela Praça Castro Alves no Carnaval do ano passado. Foto: Fernando Vivas|AG. A TARDE

Todo mundo sabe a batalha que é para colocar os afoxés na rua, mas apesar das dificuldades eles dão um belo exemplo de resistência.

Hoje a partir das 16 horas uma das mais tradicionais destas agremiações, o Korin Efan, desfila trazendo não só a sua banda mas também o Bumba Boi de São Francisco do Conde e Taiz.

Em seguida é a hora do tapete branco do Filhos de Gandhy ser formado. Antes do desfile tem o tradicional ritual que pede licença às divindades do candomblé para que o Carnaval do afoxé aconteça de forma tranquila.


Ijexá na voz de Clara Nunes

postado por Cleidiana Ramos @ 5:59 PM
6 de novembro de 2009
Clara Nunes: a dona da voz encantada. Foto: Wilton Montenegro

Clara Nunes: a dona da voz encantada. Foto: Wilton Montenegro

Ouvir Clara Nunes cantando é sempre um privilégio, mas este vídeo é mesmo especial. Nele, Clara interpreta Ijexá, composição do baiano Edil Pacheco, acompanhada pelo ritmo homônimo dos Filhos de Gandhy.

Na canção há uma homenagem às várias entidades carnavalescas de inspiração na cultura afro-brasileira como Ilê Aiyê, Male De Balê e, claro, o Gandhy. 

Peço licença a vocês para dedicar este vídeo a um grande amigo: Marlon Marcos. Além de fã incondicional de Maria Bethânia, sei que ele tem um lugarzinho especial dedicado a Clara Nunes em seu grande coração. Este, me parece, foi o último vídeo gravado pela cantora antes de morrer em 1983.

 

 


A genialidade de Jorge Aragão

postado por Cleidiana Ramos @ 1:46 PM
30 de outubro de 2009
Jorge Aragão dá show ao lado de convidados especiais. Foto: Margarida Neide | AG. A TARDE

Jorge Aragão dá show ao lado de convidados especiais. Foto: Margarida Neide | AG. A TARDE

O mestre Jorge Aragão sempre arrebenta . O show denominado Jorge Aragão Convida, lançado em DVD em 2002, para mim é uma das melhores coisas feitas na música brasileira nos últimos anos.

Por conta da beleza do conjunto decidi postar dois vídeos pois seria difícil optar por um deles.

No primeiro, que vocês podem conferir aqui abaixo, Jorge Aragão recebe o afoxé baiano Filhos de Gandhy.

 

Já no segundo é a vez de uma interação perfeita, regida por ele, entre o samba e o clássico por meio da Ave Maria, de Gounod, e a Ária Cantilena nº 1 das Bachianas Brasileiras nº 5. Maravilhoso.


In Memoriam

postado por Cleidiana Ramos @ 12:24 PM
17 de julho de 2009

A leitora Patricia Crisóstomo pediu para informar o falecimento do Tata Nanguê Lembá, conhecido como tata Zé Daniel da Goméia, na última quarta-feira.

O sacerdote foi sepultado no mesmo dia no Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, na Baixa de Quintas.  Tata Lembá também participava da diretoria do afoxé Filhos de Gandhy.

Pedido atendido, deixei um recado para a leitora na coluna “comentários” com os meus contatos para que ela mande mais informações sobre o sacerdote. Assim vou poder fazer um perfil mais completo sobre ele aqui no blog.