Gana dá adeus à Copa

postado por Cleidiana Ramos @ 7:04 PM
2 de julho de 2010

Seleção ganesa acabou eliminada pelo Uruguai. Foto: AFP Photo / Gianluigi Guercia

Uma pena, mas Gana, a única seleção africana remanescente na Copa, sediada na África do Sul, foi desclassifcada pelo Uruguai.

O jogo em tempo normal terminou em 1X1. Na prorrogação o time ganês ainda perdeu um penâlti aos 16 minutos do segundo tempo. Na disputa dos penâltis perdeu mais dois.


As vuvuzelas celebram Gana

postado por Cleidiana Ramos @ 6:41 PM
26 de junho de 2010

Gana garante a África na Copa. Foto: EFE

O time de Gana garantiu a continuidade da participação africana na Copa. Bem armada, a equipe ganesa superou a do EUA por 2X1.

O gol da vitória veio nos três primeiros minutos da prorrogação. Foi um jogo corrido, com técnica mediana, principalmente por conta do futebol limitado dos americanos, mas bem emocionante.

O time de Gana tem jogadores habilidosos como Ayew,  Gyan, autor do gol na prorrogação, e Appiah. Gyan marcou três gols até agora e está  na lista de liderança dos artilheiros do torneio.

A desclassificação americana acontece num momento em que o futebol está ganhando mais popularidade por lá, irritando setores da direita política, inclusive.

Além disso, os EUA querem levar uma copa novamente para lá e é por isso que o ex-presidente Bill Clinton marcou presença nos dois últimos jogos da equipe americana. Os EUA sediaram o mundial de futebol em 1994 vencido pelo Brasil. Clinton participa de um comitê que defende os EUA como sede.

Não é segredo que a Fifa e a indústria esportiva ligada ao futebol torcem desesperdamente para que o soccer, como o futebol é chamado nos EUA, finalmente ganhe popularidade por lá. Nesta copa o índice de audiência na TV subiu e a classificação americana no último jogo da primeira fase contra a Argélia emocionou uma parte considerável de torcedores.

O próximo compromisso de Gana é contra o Uruguai já em partida das quartas de final na próxima sexta-feira às 15h30.


A África agora é Gana

postado por Cleidiana Ramos @ 5:40 PM
23 de junho de 2010

Seleção de Gana é a única representante africana na copa a partir de agora. Foto: AFP Photo / Gabriel Bouys

Como já era esperado a partir dos primeiros jogos da Copa, Gana é a única seleção africana que segue para a próxima fase. Mesmo perdendo por 1X0 para a Alemanha, Gana segue, pois a Austrália derrotou a Sérvia por 2X1.

Gana agora vai enfrentar os EUA, no próximo sábado às 15h30. A partir de agora quem perder o jogo  já está fora.

O continente anfitrião viu um a um dos seus representantes caírem, inclusive a dona da casa, a África do Sul. A Argélia foi a outra desclassificada de hoje após perder para os EUA por 1X0.


Valeu Bafana Bafana!

postado por Cleidiana Ramos @ 6:25 PM
22 de junho de 2010

A torcida da África do Sul vai ficar mais triste com a sua seleção fora da Copa. Foto: Eduardo Martins | Ag. A TARDE

Os Bafana Bafana lutaram, mas estão fora da Copa. Foi uma pena pois a equipe conseguiu vencer por 2X1 a tumultuada equipe da França. É uma pena que a alegria dos sul africanos, um show à parte nestas duas primeiras semanas de copa, agora vai diminuir.

A Nigéria também não conseguiu avançar por conta do empate em 2X2 com a Coreia do Sul. Depois da goleada de Portugal sobre a Coréia do Norte 7X0) vai ficar difícil também para a Costa do Marfim. A Argélia também não tem mais pique e Camarões já foi embora.

Portanto, as chances de representar o continente anfitrião na segunda fase da copa ficaram apenas com Gana que joga  amanhã às 15h30 contra a Alemanha.


A Nigéria perdeu mais uma

postado por Cleidiana Ramos @ 4:17 PM
17 de junho de 2010

A Seleção da Nigéria perdeu mais uma. Foto: EFE/Yuri Kochetkov

Que pena! A Nigéria até ensaiou uma vitória saindo na frente, mas perdeu para a Grécia por 2X1. Desse jeito as esperanças africanas ficam agora com  Gana e  Costa do Marfim. A Argélia, que joga amanhã, às 15h30 horas, contra a Inglaterra também não tem muitas chances.

No caso da Costa do Marfim, espero que ela ganhe a vaga para as oitavas, mas sem atrapalhar o  Brasil.

Confesso que fiquei surpreendida com a regressão do futebol nigeriano nesta Copa. Ele ficou longe de criar entusiasmo, diferente de outras edições. Mas uma surpresa boa do time: o goleiro Enyeama é muito bom, apesar da falha no segundo gol da Grécia, mas isso acontece com os melhores.


Gana inaugura vitórias africanas

postado por Cleidiana Ramos @ 1:15 PM
13 de junho de 2010

Gana foi a primeira equipe do continente anfitrião a vencer uma partida na Copa 2010. Foto: AFP

Pronto! Veio a primeira vitória de uma equipe do continente africano, anfitrião desta edição da Copa do Mundo: Gana venceu a equpe da Sérvia, num jogo que só esquentou mesmo a partir dos 15 minutos do segundo tempo. O gol foi de Gyan, num penâlti muito bem batido.

A equipe ganesa é boa. Tá bem armada e tem um nível técnico razoável. Mas confesso que fiquei na dúvida se ela é melhor do que a da África do Sul, pois a Sérvia não jogou o que se esperava dela e o time mexicano que enfrentou os sul -africanos é bem interessante.

O time de Gana joga bem na defesa, característica também da Sérvia, o que fez o primeiro tempo ser bem modorrento. Esta tem sido uma das características de quase todas as equipes de futebol do mundo, o que faz as partidas perderem o brilho de outros tempos. Todo mundo arma os times com jogadores de meio campo mais especialistas em dar combate do que armar jogadas, o que torna os jogos truncados.

Mas em Copa do Mundo, um torneio bem curto ninguém quer se arriscar daí esses resultados bem magros. Até agora só a Coréia do Sul venceu uma partida por mais de um gol (2X0 em cima da Grécia).

A outra equipe africana a entrar em campo hoje foi a Argélia que perdeu para a Eslovênia por 1X0 com o segundo frango da competição. A coisa não anda boa para os goleiros. O da Argélia tomou o seu penoso logo após o mais famoso até agora desta copa: o do goleiro Green, da Inglaterra no empate ontem com os Estados Unidos.

Curioso que eles ainda não botaram a culpa na jabulani. Parece que a bola foi finalmente absolvida.

Amanhã tem mais seleções africanas em campo, cujas torcidas são bem organizadas e fortes em Salvador: Camarões enfrenta o Japão a partir das 11 horas. Os bares do Pelourinho costumam sediar as concentrações para torcer pelas equipes africanas, um hábito mais do que compreensível na mais negra cidade brasileira.


O jogo que descortinou o Zimbábue

postado por Cleidiana Ramos @ 12:27 PM
4 de junho de 2010

Amistoso disputado pela Seleção Brasileira contra o Zimbábue voltou as atenções para o país africano. Foto: Eduardo Martins | AG. A TARDE

Um dos amistosos mais polêmicos realizados pela Seleção Brasileira nos últimos tempos foi o disputado contra o Zimbábue na última terça-feira. E isto não só pelo hobby nacional de criticar Dunga _ “infrutífero”, “os jogadores podem ter lesão”, etc- mas também pelo adversário, afinal o governo do país é classifcado como ditadura. O presidente de lá, Robert Mugabe, está no poder há 30 anos.

Foi por conta deste amistoso que soube isto e algumas outras coisas sobre o país africano. Cronistas esportivos disseram tudo o que puderam: desde a inflação galopante que ultrapassa a casa dos milhares até um que acha que este é o melhor exemplo da “miséria” africana. A África tem miséria, mas também tem riqueza, ora pois. Infelizmente,  os estereótipos sobre o nobre e antigo continente vão continuar a ser uma tônica destes dias de Copa.

Mas o que mais me fez pensar sobre este amistoso, que do ponto de vista técnico foi apenas um aperitivo do que os amantes de bom futebol continuarão a sofrer nos próximos dias com esta formação da equipe canarinha, é que nós, jornalistas, fazemos de conta que o continente africano não existe.

Até mesmo para criticar as relações diplomáticas do Brasil com uma ditadura foi preciso um jogo de futebol. Do contrário as diatribes de Mutabe que ganhou um gelo do técnico da Seleção Brasileira, impedindo que ele não faturasse mais em cima de um jogo para o qual pagou à CBF uma pequena fortuna- U$ 1,3 milhões, o que dá quase R$ 2,6 milhões — estariam no limbo. Os jogadores não apareceram ao lado do ditador em nenhum momento e Dunga driblou Mutabe, inclusive evitando sua visita à concentração brasileira.

Claro que não estou querendo que o Zimbábue ganhe uma coluna diária dos jornais, mas porque a gente sabe tão pouco de uma diatadura com a qual o Brasil matém relações, mesmo diante do gelo do resto do mundo? Que tipo de intresses circulam em torno deste ponto?

Esse exemplo é apenas uma amostra do desinteresse que mantemos em relação a outros países africanos. Eles só entram na pauta em situações que o mundo inteiro volta as atenções para lá. A África do Sul, por exemplo, só está sendo lembrada por conta do campeonato mundial de futebol organizado pela Fifa.

Mas se esse seria o momento que teríamos para aprofundar a divulgação deste conhecimento sobre um continente que tem países dos quais uma parte significativa da população brasileira herdou parte da sua base cultural, as informações que estão chegando não conseguem fugir do trivial.

Que a África do Sul tem belos parques a gente já sabe. Que a alegria africana é contagiante e a vuvuzela é símbolo disto já está ultrapassando os limites do que é clichê. Que a Copa do Mundo é a chance do país mostrar como está depois do apartheid é óbvio. Ele não investiria tanto em um campeonato se não tivesse razões políticas fortes para tal.

Mas cadê o povo sul africano, seu dia-a-dia, mais detalhes da política pós apertheid, os embates entre religiões oficiais e tradicionais, a condição da mulher, etc? Futebol é cultura exatamente porque é feito e direcionado a pessoas.

Esta Copa do Mundo poderia ser um momento de fazer melhor o pouco que foi feito em relação ao Zimbábue: mostrar um pouco mais de como anda este continente que é mãe da humanidade, mesmo que alguns rejeitem esta maternidade.

Quando Robinho disse que nem sequer sabia pronunciar o nome do país contra cuja seleção disputaria o amistoso ou quando o presidente Lula se assustou com a limpeza das ruas da Namíbia não foram gafes para virar pautas de programas de humor ou provas da irreverência do jogador e da quase impossibilidade do mandatário brasileiro em evitar dizer de pronto o que pensa.

Não são razões para a gente rir, mas se envergonhar por saber tão pouco sobre uma parte do mundo com o qual muitos de nós carrega um parentesco que diz muito do que somos. Tomara que nós, formadores de opinão como adoramos ser chamados, despertemos do trivial ainda a tempo.   Ah sim! O próximo amistoso do Brasil será contra a Tanzânia na segunda-feira. Esperemos, então, notícias de lá.


Grêmio condena racismo. Finalmente!

postado por Cleidiana Ramos @ 1:24 PM
4 de julho de 2009

No final da tarde de ontem, o presidente do Grêmio, Duda Kroeff, prometeu que vai tentar identificar os torcedores que agrediram com gestos racistas o jogador do Cruzeiro Elicarlos. Quando se preparava para entrar em campo,  em Porto Alegre, na última quinta-feira,  Elicarlos foi recebido pela torcida gremista com gestos e sons que imitavam um macaco.

Parte da torcida já tinha feito os mesmos gestos para um outro jogador do Cruzeiro, também negro, Leonardo Silva. Elicarlos disse que o argentino Maxi López, jogador do Grêmio, o chamou de macaco durante uma disputa por bola no primeiro jogo entre as duas equipes por uma vaga na final da Copa Libertadores da América. A polícia mineira instaurou inquérito para apurar a agressão, pois o jogo foi disputado em Belo Horizonte.

Segundo Kroeff, haverá consulta às câmeras instaladas no estádio Olímpico, palco da partida. Ele prometeu que os torcedores identificados serão impedidos de assistir a jogos no local.  Mas admitiu que haverá problemas para encontrar os autores da prática racista no meio de  um público formado por 50 mil pessoas.

“O Grêmio rejeita essa atitude. É lamentável, é ridículo, é errado. Aqui no clube, convivemos com todos os tipos de raças e de religiões. O Grêmio tem uma estrela em sua bandeira como homenagem ao Everaldo, um atleta negro. É o único clube que fez isso. Olha, eu gostaria de poder identificar as pessoas que fizeram isso para que nunca mais voltem ao Olímpico”, disse. 

O pronunciamento do presidente do Grêmio, é válido. Mas até agora nem a Conmebol, que organiza a Copa Libertadores, nem a CBF, que representa o futebol brasileiro, fizeram qualquer tipo de menção ao caso e muito menos à disposição de tomar uma providência mais  dura, como impor sanções ao Grêmio. É isto que pelo menos acontece no Brasil quando torcedores invadem o campo ou provocam confusões nas arquibancadas. Clubes da Europa já foram punidos por conta de manifestações racistas das suas torcidas.

A Fifa tem reiteradamente tentado combater o racismo nos campos de futebol via a campanha “Diga não ao racismo”, inclusive com a prática de que capitães das equipes leiam, antes do jogo, um comunicado condenando este crime. Pelo bem do futebol, vale torcer para que a existência do racismo no esporte receba o tratamento de combate que merece.

Com informações do Globo.com


Tenha força, Elicarlos!

postado por Cleidiana Ramos @ 10:00 AM
3 de julho de 2009
Fabinho do Cruzeiro disputa com Maxi López acusado de agressão racista. Foto: AP Photo | Emanuel Pinheiro

Fabinho do Cruzeiro disputa a bola com Maxi López acusado de agressão racista. Foto: AP Photo | Emanuel Pinheiro

O jogador do Cruzeiro, Elicarlos, voltou ontem a sofrer insultos racistas durante a partida entre o seu clube e o Grêmio em Porto Alegre. E agora o testemunho da agressão não veio do jogador nem de um colega de equipe como da outra vez, mas do próprio som ambiente.  Bastou Elicarlos entrar em Campo para a torcida do Grêmio fazer gestos de macaco e imitar os sons que costumam ser produzidos pelo animal.

Antes a torcida, em menor escala, já havia feito os gestos para outro jogador do Cruzeiro, também negro: Leonardo Silva. Na partida da semana passada- a vaga para a  final da Libertadores é decidida em dois jogos- Elicarlos disse ter sido chamado de macaco pelo jogador do Grêmio, Maxi López.

Após o jogo que aconteceu em Minas Gerais, Elicarlos procurou a polícia e registrou queixa. Formou-se uma confusão e toda a delegação do Grêmio foi parar na delegacia. Está aberto um inquérito para apurar o caso classificado pela polícia de “injúria qualificada”.

Foram poucos os órgãos de comunicação que trataram do assunto de uma maneira mais aprofundada. A maioria optou pelo silêncio, pois o medo e o preconceito de discutir racismo no Brasil abertamente e de forma inteligente  continua. Quando acontece é de forma incoerente, com lugares comuns e envolvendo gente que nem sempre sabe do que está falando.   

O problema é que este não é o primeiro caso. E os que dizem que isto é coisa do calor da partida calam-se diante do argumento de que até agora  o insulto  “macaco”  não foi dirigido a um jogador de pele clara.  Mais grave ainda é que agora a agressão virou grito de torcida.

Não é mais a palavra de um jogador contra a do outro. Na semana passada, por exemplo, Maxi Lopez, que é argentino negou o insulto, afirmando que nem conhece a palavra “macaco” em português.  Elicarlos tem a seu favor o testemunho de um colega de time e as imagens de TV que mostram a indignação dos jogadores do Cruzeiro, inclusive apontando para a pele. Vale lembrar que no momento da  possível agressão o Cruzeiro ganhava de 3X0.

Enquanto isso a Conmebol, que é organizadora do torneio, não disse nada sobre o assunto. A CBF, representante do futebol brasileiro, também não se pronunciou.

Na Itália e na Espanha clubes tiveram que jogar com portões fechados por conta de manifestações racistas de suas torcidas.  O brasileiro Roberto Carlos e o camaronês Samuel Eto´o  são exemplos dos que foram chamados de macaco por lá.

Ramires, outro jogador do Cruzeiro,  também negro, afirmou que foi agredido com o mesmo  insulto em outras partidas da Libertadores. O presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella lamentou as ocorrências e  passou a bola para a Conmbebol. Disse que é a associação que deve tomar providências.

Ontem, quando Elicarlos entrou em campo um comentarista de TV saiu com essa: “Vai entrar agora o causador de toda a confusão no jogo passado”. Elicarlos não criou confusão. Fez apenas o que a Lei brasileira lhe dá direito: buscar punição para alguém que ele afirma ter lhe dirigido um insulto racista.  Se este é o tipo de raciocínio que vai ser seguido ele pode de possível  vítima passar a vilão. 

O problema é que Elicarlos parece sozinho nesta batalha. Corre o risco de  sofrer mais hostilidades pois vai jogar outras vezes contra o Grêmio e o seu clube, o Cruzeiro, enfrenta agora o Estudiantes da Argentina, que tem no seu elenco ninguém menos que Desábato,  jogador que em 2005  acabou preso por acusação de racismo. A denúncia foi feita pelo então jogador do São Paulo, Grafite, após a partida no Morumbi.  Grafite hoje declara que não deveria ter denunciado, pois no futebol do  Brasil “isto é comum e não dá em nada”.  

Vamos torcer para que Elicarlos tenha a coragem de levar esta história até o fim no âmbito competente que é a Justiça. Tomara que a CBF e a Conmebol tenham a postura da Fifa que desenvove uma campanha contra o racismo nos campos de futebol do mundo. Vale lembrar que este é também um tipo de violência capaz de virar organizada, como fez ontem a torcida do Grêmio. A diretoria do clube gaúcho não fez ainda nenhum tipo de declaração de repúdio ao gesto dos torcedores.  


Afro Imagem: Título brasileiro, show sul-africano

postado por Cleidiana Ramos @ 6:15 AM
29 de junho de 2009
Foto:  EFE|Halden Krog

Foto: EFE|Halden Krog

Tem imagens que emocionam e deixam a gente quase ou sem palavras . Por isso a partir de hoje, volta e meia fotografias deste tipo estarão por aqui no Mundo Afro.

Para inagurar, um registro da torcida da África do Sul durante a Copa das Confederações. O Brasil levou o título do torneio, mas em matéria de animação, inclusive com as barulhentas vuvuzelas, só deu os torcedores dos Bafana, Bafana (Meninos, Meninos), como a seleção sul-africana é carinhosamente chamada e que por um triz não ficou com o 3º lugar.     


Racismo no futebol volta à tona

postado por Cleidiana Ramos @ 12:54 PM
25 de junho de 2009
O jogador argentino Maxi López é acusado de ofensa racista contra jogador do Cruzeiro. Foto: Pedro Vilela|AE

O jogador argentino Maxi López é acusado de ofensa racista contra jogador do Cruzeiro. Foto: Pedro Vilela|AE

Vejam só as ironias do futebol e não estou me referindo aqui ao supreendente resultado de 2X0 dos EUA em cima da badalada equipe espanhola:  na tarde de ontem, durante a partida da Copa das Confederações o que mais apareciam nas imagens eram as placas com a mensagem da campanha da Fifa contra o racismo.

Pois à noite um caso de ofensa racial fez acabar em confusão o jogo entre os times brasileiros Cruzeiro e Grêmio pela Copa Libertadores da América.   

O jogador Elicarlos do Cruzeiro, que é negro, contou, durante entrevista ao ser substituído, que foi chamado de ‘macaco” pelo jogador argentino do Grêmio, Maxi López.

“Disputei uma bola com Maxi, ele não gostou, virou para mim e disse: “macaco”. O Wagner também ouviu, ficou p…, e foi para cima dele. Na hora, não acreditei naquilo, fiquei sem reação”.

Elicarlos disse mais:

“Foi algo muito duro, difícil de aceitar. Fiz a coisa certa, fui à polícia denunciá-lo. Nem sei se ele vai ser punido ou suspenso. Não sei se posso perdoá-lo”.

Só quem já foi vítima de racismo sabe o quanto dói. É exatamente o que Elicarlos definiu: primeiro a gente não acredita no que está ouvindo,  depois a supresa vai dando lugar a uma indignação e sentimento de prostração. Mas Elicarlos teve o sangue frio necessário para fazer a coisa certa: deu queixa numa delegacia que fica dentro do estádio Mineirão, onde aconteceu o jogo.

A polícia foi buscar o argentino acusado para depor, mas como ele já estava no ônibus da delegação do Grêmio uma confusão se formou  quando integrantes da comissão técnica do time gaúcho quiseram impedir a ação. No final todo mundo foi parar na delegacia. A polícia ouviu os dois jogadores e abriu inquérito. 

Na próxima semana os dois times voltam a se enfrentar em Porto Alegre, com mando de campo do Grêmio, o que é um anúncio de mais confusão.

O que me deixou impressionada é o desconforto da imprensa esportiva em tratar o assunto. Teve comentarista de televisão que chegou a usar o argumento de que ofensa é “normal” num jogo de futebol.

Não é a primeira vez que isso acontece no futebol brasileiro. O goleiro baiano Felipe, hoje do Coríntians, quando defendia o Vitória  denunciou o presidente do clube, Paulo Carneiro, por agredi-lo com ofensas racistas em 2005 após o clube ter sido rebaixado para a terceira divisão do campeonato brasileiro.

No mesmo ano, uma outra confusão, também na Libertadores, envolveu um jogador brasileiro e outro argentino: Grafite, então no São Paulo, disse ter sido chamado de “macaco” por Désabato jogador do Quilmes.

Grafite levou o caso para a polícia, mas há poucos dias li um depoimento seu para o blog de Cosme Rímoli dizendo que nem queria dar queixa e o fez por pressão da direção do São Paulo e do delegado. Justificou sua resistência com o argumento de que sabia que não ia dar em nada e que acontece o tempo todo nos campos de futebol.

No ano passado foi a vez do jogador Carlos Alberto, então no Botafogo, reclamar de agressão racista por parte da torcida do Coritiba. São vários outros casos envolvendo sempre jogadores negros como vítimas, mas tudo acaba ficando no esquecimento até que acontece de novo. Claro que tentar condenar alguém no Brasil por crime de racismo não é fácil.

Além do famoso preconceito do brasileiro em ter preconceito, como disse Florestan Fernandes, a crença na democracia racial  por aqui impera.  Quem fala algo que desmente isto é criador de caso, complexado e por aí vai. E, no futebol, um esporte que rende milhões e que cria no jogador uma extrema necessidade de estar bem com torcida, opnião pública e mídia, o mais comum é baixar as armas e deixar pra lá.  

Sem falar que racismo  é inafiançavel, ou seja, o agressor tem que ficar preso. Aí, no máximo, os delegados fazem a ocorrência de “injúria”.

Outra dificuldade é o testemunho. Elicarlos, por exemplo, disse que seu colega de time, Wagner, ouviu tudo. Resta saber se o colega vai testemunhar e se o Cruzeiro vai apoiar seu jogador, afinal na próxima semana o time vai a Porto Alegre, casa do Grêmio, para a partida de volta e deve querer amenizar o clima de guerra que já se formou.

Espanta também o silêncio da  CBF, da organização da Libertadores e dos clubes sobre o assunto, quando a Fifa manda até que capitães de seleções nacionais leiam um comunicado contra o racismo antes de partidas tão importantes como as da Copa das Confederações. A Fifa tem intensificado sua campanha contra o racismo, principalmente, porque a África do Sul, onde imperou o vergonhoso apertheid, vai sediar a Copa do Mundo no ano que vem.   

A falta de punição mais rigorosa só abre espaço para que o crime continue.


Sonhos de uma manhã de futebol

postado por Cleidiana Ramos @ 6:26 PM
14 de junho de 2009
Iraque e África do Sul abriram a Copa das Confederações. Foto: AFP PHOTO | ALEXANDER JOE

Iraque e África do Sul abriram a Copa das Confederações. Foto: AFP Photo | Alexander Joe

Sou daquelas que enxergam num jogo de futebol muito mais do que 20 homens correndo atrás de uma bola, dois tentando fazer que ela fique longe deles e três tentando colocar ordem no palco da peleja que é o gramado.

Naqueles 90 minutos que dura a partida costumo ter sentimentos contraditórios- raiva, desespero, frustração, alegria, esperança, leveza e tantas outras manifestações da paixão humana.

Mas sobretudo gosto de futebol pelo simbolismo de que algumas partidas se revestem. Nos gramados acontecem encontros felizes e triunfos quase impossíveis de acontecer na vida real. E digo isso ainda atordoada pela pancada de 5 X 0 que o Coritiba, chamado de Coxa, imaginem só!, aplicou no meu pobre e bagunçado Flamengo.

Ainda bem que, hoje pela manhã, antes de assistir ao vexame do meu adorado rubro-negro, pude presenciar um destes acontecimentos cheios de simbolismo do futebol durante a partida entre África do Sul X Iraque pela abertura da Copa das Confederações.

Claro que já passei da idade de ver apenas a poesia nas coisas e sei muito bem que o futebol é um centro do capitalismo mais feroz, movimentando milhões e dono de uma força política na maioria das vezes usada para o mal em seu sentido mais puro. Não é por bondade que a Fifa escolheu a África do Sul como país anfitrião desse torneio e para sede da milionária Copa do Mundo no ano que vem.

Mas o futebol também proporciona mesmo que por apenas 90 minutos coisas que o mundo fora dos estádios paga caro por não ver acontecer.

Assim, nesta manhã, estava no gramado um time sul-africano formado por dez jogadores negros e apenas um branco. Ali estavam eles representando um país onde a minoria branca oprimiu por décadas a maioria negra via o vergonhoso sistema de apertheid racial.

Aqueles rapazes de uniformes e calçados com chuteiras compunham a representação do resultado de uma luta digna e sofrida de muitos, dentre os quais Nelson Mandela, que é um guerreiro sobrevivente.

Um time sul-africano formado maciçamente por negros era algo impossível de acontecer há apenas alguns anos. Mas hoje eles estavam ali para mostrar que a irracionalidade acabou de forma oficial e a gente fica na torcida para que desapareça de fato.

 Do outro lado estavam os representantes de um povo não menos sofrido, por conta dos desmandos do seu ditador local, agora morto, mas também em consequência da loucura de George W. Bush que achava que podia mandar no mundo, sem limites, ao sentar no trono do governo americano.

Na era Bush, que já parece passado distante diante da histórica vitória de Barack Obama, o povo iraquiano viu cair sobre si a pecha do “mal maior” que amedronta o mundo ocidental, quando na verdade é mais uma vítima dos meandros da disputa de poder.

Por isso que os homens que hoje entraram em campo me comoveram. Eles não ganham milhões como os astros brasileiros das chuteiras Kaká e Robinho. Não atraem os astronômicos patrocínios das empresas esportivas. Além disso mostraram uma técnica anos luz distante da genialidade possível de um Pelé ou Garrrincha.

Apesar disso eles emocionaram esta pobre sonhadora a quilômetros de distância e me fizeram viajar na idéia de que a igualdade sul-africana é realmente possível.

Ela está provando ser capaz de ensinar a nós brasileiros, que convivemos com um apertheid racial, embora camuflado, principalmente para as suas maiores vítimas e por isso tão perverso.

Ali também eu vi que é possível imaginar que o povo iraquiano vai sobreviver ao horror que lhe persegue há anos se ainda há espaço para apostar nesta nostalgia que o esporte dá.

É por isso que gosto tanto de futebol. Ele, às vezes, ao menos nos faz lembrar que a humanidade pode corrigir as bobagens que apronta contra si mesma.

Em tempo: Para quem se interessa por este aspecto do futebol como geopolítica tanto do ponto de vista positivo como negativo, sugiro o documentário intitulado O Dia em que o Brasil Esteve Aqui

O  filme de Caíto Ortiz mostra o chamado jogo da paz entre a Seleção Brasileira e a do Haiti, realizado em 2004. Vi na HBO, mas é possível que esteja disponível também em locadoras.