Educaxé: um giro pela poesia de combate ao racismo

postado por Cleidiana Ramos @ 5:09 PM
18 de outubro de 2010

Wole Soyinka é um dos poetas citados na dica pedagógica do professor Jaime Sodré. Foto: AFP PHOTO/Pius Utomi Ekpei

Jaime Sodré

Landê Onawale. Brasil. Genocídio do negro na Bahia: o que a poesia tem a ver com isso?”

O que pode a minha poesia contra isso:

três jovens assassinadas lado a lado?

O que pode a minha poesia

contra esse costume brasileiro

de matar negros como moscas.

Nossos cupidos sendo brancamente mortos…
……………………………………………………….

Ouologue Yambo – Mali. Quando os dentes dos negros falam

Todos pensam que eu sou canibal
Mas bem sabem o que são as línguas
Todos vêem as minhas gengivas rubras
Mas quem as tem brancas
Vivam os tomates

Todos dizem que agora virão
Menos turistas
Mas bem sabem
Não estamos na América e de qualquer maneira
Somos todos tesos

Todos dizem que a culpa é minha e que têm medo
Mas vejam

Os meus dentes são brancos não rubros
Eu não comi ninguém

As pessoas são más e dizem que eu engulo
Os turistas assados
Ou talvez grelhados

Assados ou grelhados perguntei
Ficaram calados e olham com medo para as
Minhas gengivas

Vivam os tomates

Todos sabem que um país arável tem agricultura
Vivam os vegetais

Todos garantem que os vegetais
Não alimentam bem o agricultor
E que eu sou forte demais para um subdesenvolvido
Miserável insecto vivendo dos turistas
Abaixo os meus dentes

Todos de repente me cercaram
Prenderam
Prostaram
Aos pés da justiça

Canibal ou não canibal
Fala
Ah julgas que és muito esperto
E pões-te todo orgulhoso

Agora vamos ver o que te acontece
Qual é a tua última palavra
Pobre homem condenado
Eu gritei vivam os tomates

Os homens eram cruéis e as mulheres curiosas sabem
Havia uma no círculo que espreitava
Que com a sua voz raspante como a tampa duma panela
Gritava
Chiava
Abram-no ao meio
Estou certa de que o papá ainda está lá dentro

Como as facas estavam rombas
O que é compreensível entre vegetarianos
Como os Ocidentais
Pegaram numa lâmina Gillette
E pacientemente
Crisss
Crasss
Floccc
Abriram-me a barriga

Encontraram lá uma plantação de tomates
Irrigada por riachos de vinho de palma
Vivam os tomates

…………………………………………………..

Wole Soyinka – Nigéria. Conversa ao telefone

O preço parecia razoável, locação
Indiferente. A dona da casa jurou
Que não vivia lá. Faltava só
A confissão. ‘Minha senhora,’ avisei,
‘Detesto ir lá em vão – sou africano.’
Silêncio. Transmissão silenciosa
De boa educação pressurizada. A voz, quando veio,
Com baton, como através de
Uma boquilha dourada. Apanho estupidamente.
‘MUITO ESCURO?’… Não ouvi mal.  … ‘É CLARO
OU MUIRO ESCURO?’ Botão B. Botão A. Cheiro
De hálito rançoso de conversa pública.
Cabina telefônica. Marco postal. Autocarro
De dois andares com cheiro de alcatrão. Era real!
Envergonhado
Por um silêncio mal-educado, a rendição
Avançou espantada a pedir simplificação.
Foi atenciosa, variando de ênfase –
‘É ESCURO? MUITO CLARO?’ A revelação chegou.
‘quer dizer – chocolate ou chocolate de leite?’
A sua aprovação era clínica, esmagadora na sua leve
Impersonalidade. Rapidamente, sintonizando-a,
Escolhi. ‘Sépia oeste-africana’ – e para tranqüilizar,
‘Vem  no passaporte.’ Silêncio para um espectroscópico
Voo da imaginação, até que a verdade retiniu no seu sotaque
Duro no bocal. ‘O QUE É ISSO?’ Confessando
‘NÃO SEI O QUE É ISSO?’ ‘Nem por isso.
Facialmente, sou moreno, mas devia ver
O resto de mim. As palmas das minhas mãos, as plantas
Dos meus pés são de um louro peróxido. Da fricção, -
No entanto, de me sentar, o eu
Tornou-se preto – Um momento, minha senhora!’ – sentindo
O seu telefone preparando a tempestade
Aos meus ouvidos – ‘Minha senhora,’ pedi, ‘não seria melhor
Ver por si?’

Sugestão pedagógica:

Interpretar texto dos poemas

Levantar com os alunos a biografia dos três poetas citados e seus locais de origem, listando a característica destes países.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


Educaxé na área

postado por Cleidiana Ramos @ 5:09 PM
18 de outubro de 2010

Olhem o Educaxé aí. Dessa vez a dica pedagógica do professor Jaime Sodré mergulha no universo da poesia feita por poetas negros de três países diferentes: Brasil, Mali e Nigéria. Mas o tema é comum aos três: o racismo. Educadores, aproveitem.


Educaxé: Ancestralidade na perspectiva da Educação

postado por Cleidiana Ramos @ 5:31 PM
27 de agosto de 2010

Jaime Sodré

Antes de nos dedicarmos a uma abordagem mais direcionada aos objetivos que seriam implementados no campo da educação, numa abordagem da africanidade, seria importante abordar a noção de ancestralidade, dentre outras, enquanto um conceito. Ancestral teria como definição básica “as pessoas de quem se descende”, ou seja, nossos ancestrais ou de forma mais simples os nossos antepassados do ponto de vista de uma linhagem biológica, num campo individualizado. Poderemos também aplicar este conceito levando em conta as contribuições materiais herdadas das realizações anteriores, mesmo sendo uma criação independente do pertencimento ao nosso grupo, ou seja, de aplicabilidade universal. Assim é que um invento aplicável à humanidade, sem restrição, fará parte de um repertório de um bem universal aplicável a todos os grupos de indivíduos.

Tem-se como ancestral da espécie humana o surgimento dos Australopitecos, espécie de hominídeos surgido na África no Vale do Rift, Lago Turkawa no Quênia; Garganta Olduai na Tanzânia, Haddar e Vale do Ouro na Etiópia, Taung, Makadansgat na África do Sul, dentre outros. Em um  conceito antropológico este antepassado será considerado pelos seus feitos, objeto de culto. Sua relação com os vivos pode ser resultado de uma genealogia real ou fictícia, digna de reverências, comemorações, transmissão e difusão dos seus feitos às gerações presente e futura.

A ancestralidade no campo do bem material pode ser vista como um patrimônio material e/ou espiritual, entendido como herança de um determinado grupo ou universal, que se perpetua enquanto memória concreta.

Para o africano, o ancestral será um elemento venerado que deixara uma herança espiritual sobre a terra, contribuindo para a evolução da comunidade ao longo da sua existência, e pelos seus feitos é tomado como referencia ou exemplo. Este conceito se alonga à concepção de ações, métodos e instrumentos que proporcionaria vantagens materiais.

A ancestralidade na Educação como meio de transmissão do saber tem como suporte a tradição oral; a tradição escrita; a tradição histórica; o repertório de mitos e lendas; aspectos linguisticos; o campo do lúdico; parlendas; o campo musical; o campo das artes, etc. Em resumo: a ancestralidade na educação atuará no campo da memória individulal ou coletiva.

Ancestralidade e Repertório Temático

Para efeito de sugestões, quanto a ações práticas da Ancestralidade na Educação listamos a seguir o que chamamos de Repertório Temático, elemento que poderá servir de apoio para um planejamento e aplicação em sala de aula.

1. Ancestralidade Cultural Africana- Objetiva informar sobre a diversidade étnica e lingüística africana e destacar os grupos que interagiram com a realidade brasileira, a exemplo dos yorubá, banto e ewe.

2. Ancestralidade e Arte Africana- Destacar o amplo repertório da realização artística africana, sua inserção no cenário mundial inspiradora do cubismo, dentre outras manifestações artísticas; sua continuidade na diáspora, especialmente no Brasil, como estruturante de uma arte afro-brasileira.

3. Ancestralidade e Resistência- Enfocar os aspectos dos processos de resistência dos povos africanos aos processos de colonização desde a África, em especial as lutas contra a escravatura e os quilombos.

4. Ancestralidade e Assistência- Observar as diversas formas de ajuda mútuas experimentadas pelos povos africanos, em especial no regime escravo, tendo com ênfase a Sociedade Protetora dos Desvalidos, sediada em Salvador.

5. Ancestralidade Estética- Observar os diversos arranjos corporais, adereços, vestimentas, trançados, etc., reveladores de uma estética africana, amparada no seu bom gosto estético e particular.

6. Ancestralidade Religiosa-  Observar a diversidade religiosa africana e as suas conseqüências sobre as mais diversas experiências de fé naquele continente, conflitos e acordos, e a sua aplicação na diáspora em especial, em relação ao Candomblé, Voduns etc. Com destaque para uma observação critica quanto a Intolerância Religiosa.

7. Ancestralidade Musical- Observar as mais diversas formas de expressão musical e dança na África e sua aplicação no contexto da diáspora como continuidade e inspiração.

8. Ancestralidade Católica- Observar a atuação da Igreja Católica no âmbito da África e na diáspora suas formas particulares, as irmandades negras, o sincretismo e formas de convivências e conflitos.

9. Ancestralidade Científica, Tecnológica e Filosófica- Destacar as personalidades negras que contribuíram e contribuem para o processo civilizatório brasileiro e mundial, no campo da ciência, tecnologia e filosofia como referencia ao aluno da possibilidade de atuação nestes campos. Ex. André Rebouças, Milton Santos, etc.

10. Ancestralidade Heróica-Destacar personalidades negras como agentes de ações históricas importantes no campo dos conflitos locais e mundiais a exemplo de João Candido, “O Almirante Negro” da Revolta da Chibata;  Maria Filipa, nas ações do 2 de Julho,  Rainha Nzinga de Mutamba, etc.

11. Ancestralidade Política- Destacar personagens e situações onde se revela o empenho de personalidades negras em busca de ideais democráticos e libertários a exemplo da Revolta dos Alfaiates, Sabinada, Guerra dos Farrapos, Cabanagem, Balaiada, Quilombo dos Palmares, etc. Mulheres como Almerinda Gama, primeira deputada estadual negra; Antonieta Barros, Maria Brandão, Benedita da Silva, etc.

12. Ancestralidade Guerreira- Destaque para a Guerra do Paraguai e para os atos de bravura de Cesário alves da Costa, herói do Forte de Curuzu, promovido a sargento; Antonio Francisco Melo, que se destacou na Marinha, na Batalha de  Riachuelo e chegou a capitão; o seu batalhão era formado só por negros; Marcilo Dias, um bravo, foi ferido e morto na Batalha de Riachuelo ao negar a rendição do seu barco, O Paranhayba.

13.Ancestralidade Negróide e Australianos- Os cientistas fizeram uma reconstituição do crânio fóssil mais antigo das Américas, encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais, por uma expedição franco-brasileira em 1975, Perceberam que os traços eram semelhantes aos povos negróides e australianos.

14. Ancestralidade Feminina Guerreira- Nzinga Mbandi Ngola, Rainha Ginga, foi batizada no catolicismo com o nome de Ana de Souza. Seu nome Ngola fora usado pelos portugueses para nomear uma região na África com o nome de Angola. Era contra a escravatura, ao contrario do rei do Congo. Após a sua morte os seus soldados foram vendidos como escravos.

Saiba mais:

África e Brasil Africano – Marina de Mello e Souza- Editora Ática

Atlas Brasileiros- Cultura Popular – Raul Lody- Editora Maianga

História do Brasil- Os 500 anos no País em Obra Completa e Atualizada- Folha de S. Paulo

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religiso do candomblé


Educaxé está de volta

postado por Cleidiana Ramos @ 5:30 PM
27 de agosto de 2010

O Educaxé, realizado pelo professor Jaime Sodré, está de volta ao Mundo Afro. Estava à espera de um tempinho  na agitada agenda do professor para pedir o retorno do projeto.

A iniciativa, cuja ideia foi dele, é direcionada especialmente aos professores para servir como material didático para aplicação da Lei 11.645/08, novo número da que é mais conhecida como 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. A modificação foi para incluir também História e Cultura indígenas.


Jaime Sodré em dose dupla

postado por Cleidiana Ramos @ 2:59 PM
24 de fevereiro de 2010

Mundo Afro tem hoje dois artigos de Jaime Sodré. Foto: Manuela Cavadas| AG. A TARDE

Hoje temos a inteligência do professor Jaime Sodré em dose dupla: o primeiro capítulo da série Educaxé deste ano e um artigo muito interessante que saiu publicado na página de Opinião da edição de hoje de A TARDE. Confiram este duplo presente.


Educaxé: Arte iorubá

postado por Cleidiana Ramos @ 2:58 PM
24 de fevereiro de 2010

Máscara Geledé Balogun do Museu Afro Brasileiro. Foto: Margarida Neide | AG. A TARDE

Jaime Sodré

O povo yorubá soma aproximadamente 12 milhões de habitantes, tendo um país com uma larga produção de arte tradicional. Muitos dos que vivem no sudeste da Nigéria são considerados comunidades adicionais a oeste, entre a República do Benim e do Togo.

Esta área está dividida em aproximadamente vinte subgrupos, cada um com seus reinados tradicionais. Escavações em Ifé encontraram cabeças de bronze ou terracota e figuras longas da realeza e elementos do universo superior estrelado. Retratos naturalistas cada um previamente conhecidos na África.

As raízes artísticas e culturais de Ifé, com seu período clássico (a.C. 1.050-1500), encontram-se no antigo centro cultural de Nok no nordeste. De mentalidade religiosa é natural que permaneça obscuro. Nos anos 20/30 os yorubás se alojavam em fazendas, outros viviam em cidades, em cabanas, fechados em comunidades ou no campo, cultivando milho, feijão, aipim ou mandioca, inhames, amendoim, café e banana, controlados por negociantes. Também temos mercadores e artistas; ferreiros, artesãos de cobre, bordadeiras, escultores em madeira, trabalhando de geração a geração.

Os deuses yorubás formam um interessante panteon cujo deus criador é Olodumaré, seguido de mais de cem orixás e espíritos da natureza, habitantes de rochas, árvores e rios. Algumas peças representam Xangô, divindade dos raios, esculpidas em madeira e guardadas em santuários. Os escultores exercem as suas tarefas em atelieres com aprendizes onde são transmitidas as técnicas e os estilos preferenciais.

Por toda yorubalândia figuras humanas são representadas em formas basicamente naturais, mas exceto por seus olhos salientes, planos e projetados, lábios paralelos e orelhas estilizadas. No âmbito dos cânones básicos da escultura yorubá alguns traços são distinções particulares de determinados artistas de forma individual.

Hoje está em numerosos cultos. O culto Geledé homenageia o poder das velhas mulheres, durante os festivais Geledés. Esculturas em máscaras com formas humanas são apresentadas, geralmente desgastadas pelo uso. Encimando algumas máscaras, uma ou outra, há elaborados arranjos de penteados ou uma escultura representando os humanos em alguma atividade.

As máscaras do culto de Epa são relacionadas aos ancestrais e a agricultura, com variedades harmônicas que aparecem nas cidades. A máscara possui aspectos particulares, nos olhos, na altura de grande complexidade. Geralmente elas são usadas em ritos funerários ou ritos de passagem, e são, geralmente, compostas de inúmeros elementos, usualmente uma face humana em máscara, numa bem elaborada figura. Essas máscaras são guardadas em santuários e são reverenciadas com libações e preces.

A sociedade Ogboni tem suas figuras em latão, chamada Edan, que são colocados em par, instalando-se nas pontas e correntes, cabeça com cabeça, formando pares unidos. Elas são colocadas sobre os ombros dos membros da Irmandade Ogboni com canções, funcionando como um amuleto. Uma variedade de palmeiras é usada para a veneração de “caridites”, retratando a mulher. Sociedade e cultos específicos fazem parte das celebrações durante os festivais de máscaras, com música, danças, em uma integração total. O mais amplamente difundido culto é o dos gêmeos Ibeji, estátuas confeccionadas duplamente, reverenciadas pelo povo Yorubá amplamente.

As estátuas Ibeji são produzidas para cultuar os deuses gêmeos. Para os Ibejis são depositadas oferendas em forma de refeições fartas, rogando pela vida das crianças. Essas esfinges são produzidas com instruções oriundas dos oráculos e estão presentes em numerosas classes de esculturas africanas.

As figuras equestres são temas comuns aos yorubás, confeccionadas, preferencialmente, em madeira. Isto reflete a importância da cavalaria nas campanhas dos reis na criação do Império Oyó, nos séculos XVI a XIX. Somente os chefes yorubás tinham o privilégio de possuir cavalo. O cavalo era um importante símbolo social onde os artistas ao produzir peças inspiradas nestes animais deveriam demonstrar habilidade. O tamanho reduzido deste animal e as pequenas pernas dos cavaleiros são elementos típicos deste tipo de produção artística.

Portas esculpidas e pilares são elementos dos santuários dos palácios e das casas dos homens importantes. Cumprindo secular função são as tigelas para as nozes de cola, oferecidas como boas vindas ao visitante, [tabuleiro] “ayo” para jogos, assim como os “wari” jogados com seixos [pedras] colocados em fileiras, em depressões circulares, os tambores, as colheitas, os pentes. Adicional importância no campo das artes credita-se à cerâmica, tecelagem, às contas e peças fundidas.

Texto inspirado em trabalhos de Renato da Silveira, Reginaldo Prandi e Frank Willet

Jaime Sodré é professor universitário, mestre em História da Arte, doutorando em História Social e religioso do candomblé


Educaxé ganha link em outro blog de A TARDE

postado por Cleidiana Ramos @ 10:24 AM
3 de setembro de 2009
Garotada da escola Barbosa Romeu, em São Cristóvão, uma das instituições pioneiras na aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Fernando Amorim |AG.A TARDE

Garotada da escola Barbosa Romeu, em São Cristóvão, uma das instituições pioneiras na aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Fernando Amorim |AG.A TARDE

Os navegantes da série Educaxé têm mais uma opção para acessar os textos. Eles estão disponbillizados também no blog do Projeto A TARDE Educação. É uma amostra do sucesso que tem alcançado a Educaxé, idealizada, assinada e gentilmente cedida pelo professor Jaime Sodré  para o Mundo Afro.

Desenvolvido pelo Grupo A TARDE, o Projeto A TARDE Educação  é voltado para o uso pedagógico de reportagens. Vocês podem acessar o blog clicando aqui  ou também na galeria Outros Mundos aí ao lado.


Educaxé- O Negro e a Política- Parte IX

postado por Cleidiana Ramos @ 10:23 AM
3 de setembro de 2009
Uma das apresentações que marcou a solenidade de instalação da aplicação da Lei 10.639/03 em Salvador, há quatro anos. A legislação é tema do Educaxé. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Uma das apresentações que marcou a solenidade de instalação da aplicação da Lei 10.639/03 em Salvador, há quatro anos. A legislação é tema da Educaxé. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Chegamos ao final de mais uma edição da série Educaxé. Esta última parte traz sugestão de bibliografia e filmes sobre o tema O Negro e a Política, que abordamos em oito capítulos,  além de filmes e uma lista de movimentos, cuja história pode ser pesquisada e assim enriquecer o debate em sala de aula.  

O professor Jaime Sodré já está preparando novos textos para a série.

Bibliografia

1.BOBBIO, Norberto et al. Dicionário de política. 12. ed. Brasília: UnB, 2002. 2v.
2.______. Estado, governo, sociedade: para uma teoria geral de política. 14. ed. São Paulo: Paz e terra, 2007. (Coleção Pensamento Crítico, 69)
3.BONAVIDES, Paulo. Ciência política. 14. ed. São Paulo: Malheiros, 2007.
4.DIAS, Reinaldo. Ciências política. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
5.HANCHARD, Michael George. O Orfeu e o poder: o movimento negro no Rio de Janeiro e São Paulo (1945-1988). Rio de Janeiro: Eduerj, 2001.
6.LAMOUNIER, Bolivar. (Org.) A ciência política nos anos 80. Brasília: UnB.
7.LANG, Jack. Tradução de Rubia Prates Goldoni. Nelson Mandela – uma lição de vida. São Paulo:  Mundo Editorial. 1. ed. 2007.
8.MALUF, Sahid. Teoria geral do Estado. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
9.MOURA, Clóvis. História do negro brasileiro. São Paulo: Ática, 1989.
10.NASCIMENTO Abdias (Org.) O negro revoltado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
11.SANT’ANA, Luís Carlos. Breve Memorial do Movimento Negro no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: “Papéis Avulsos”, CIEC/UFRJ, no. 53, 1998.
12.SANTOS, José Antônio dos. Raiou a Alvorada: Intelectuais negros e a imprensa, Pelota (1907-1957). Pelotas: Universitária. 2003.
13.SOARES, Mário Lúcio Quintão. Teoria do Estado. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

Movimentos e personagens sócio-políticos

Balaiada
Revolta da Chibata
Embaixadas africanas
Farrapos
Marcus Garvey
Malcom-X
Guarda Negra
Revoluçaõ Malê
Ku-Klux-Klan
Levante de 1814
François Makandal
MNU
MV. Bill
Abdias Nascimento
Osvaldão
Quilombo dos Palmares
Panteras Negras
Revolta dos Alfaiates
Sabinada
Rainha Nzinga
Sociedade Protetora dos Desvalidos
Toussant L´Ouverture
Desmond Tutu

Filmes Indicados

O Rei da Escócia,  Amistad, Faça a Coisa Certa e Hotel Ruanda

 


Educaxé- O negro e a Política- Parte VIII

postado por Cleidiana Ramos @ 3:14 PM
1 de setembro de 2009
Tiradentes passou de rebelde a herói nacional e, na Bahia, patrono da Polícia Militar. Foto: Xando Pereira| AG. A TARDE

Tiradentes passou de rebelde a herói nacional e patrono da Polícia Militar. Foto: Xando Pereira| AG. A TARDE

Tiradentes e os Afrodescendentes

Jaime Sodré

Os feriados registram momentos históricos, outrora plenos de significados e reflexões. Hoje é, para alguns, um “domingo” de meio de semana. 21 de Abril de 1792 lembra o sacrifício de Tiradentes, feriado nacional. É interessante a sua evolução de herói sem rosto à imagem de Cristo, como aborda Maria Alice Milliet.  Os “inconfidentes” dividiam-se quanto ao tratamento da “questão da escravidão”. Historiadores dizem que apenas Gonzaga defendia a libertação dos cativos, desde que nascidos no Brasil. Deste modo, estaria inaugurada a categoria de “afro-brasileiros”, mas sem vantagens econômicas e sociais.

A questão da escravidão era um ponto contraditório. Como iriam libertar logo aqueles que geravam as suas riquezas?  Mais tarde, o movimento abolicionista incorpora Tiradentes no ideário libertário da escravatura. O reconhecimento dos negros viria na forma carnavalesca, através do Grêmio Recreativo Escola de Samba Império Serrano, gerando o inesquecível samba Exaltação a Tiradentes, de autoria de Mano Décio, Estanislau Silva e Penteado, uma pérola de síntese, se o elevarmos à “categoria de brevíssima tese acadêmica”: “Joaquim José da Silva Xavier morreu a 21 de Abril pela Independência do Brasil, foi traído e não traiu jamais a Inconfidência de Minas Gerais…” Breque.

Abortada a “conspiração”, presos e julgados os envolvidos, caberia a Tiradentes a culpa maior, revela os Autos da Devassa da Inconfidência de Minas e a sentença da Alçada. Ouviram-se graças a Deus pela descoberta da “conjura”, considerada uma injúria à soberana, pia e clemente, D. Maria.

Frei Raimundo de Penaforte, do convento franciscano de Santo Antonio, assistiu ao condenado, fervoroso católico, que foi enforcado e esquartejado diante de uma multidão que o viu passar sem queixume ou temor, “fronte de soldado que se sacrificara pela pátria”. Fatos relatados por um anônimo na  Memória do êxito que teve a Conjuração de Minas.

Louvores à Rainha por comutar as penas dos demais condenados. Quanto a Tiradentes, teria aceitado com serenidade o seu destino. Em sua beatitude, pede perdão aos companheiros, beija as mãos e os pés do carrasco e caminha para a forca com ar de resignado, faz solilóquios tendo às mãos um crucifixo.

Para os futuros republicanos, este ato não inaugurava um herói cívico e, sim, um mártir cristão. Disputas históricas resultam em antagonismos. As discussões giravam em torno do papel do alferes e do movimento revolucionário. Alguns alegavam que este acontecimento não passou de uma idéia generosa na sua essência, mas mesquinha enquanto à forma. Uma boa intenção abortada. Sobre Joaquim José este não passava de um homem que não morreu como um patriota, com olhar triunfante para os seus algozes, com coragem e sem culpa. Teria Tiradentes, devoto que fora da Santíssima Trindade, sugerido a incorporação do triângulo à bandeira dos inconfidentes? Ou seria uma referência maçônica?

O certo é que a fusão na figura do herói de civismo e religiosidade estaria bem ao gosto da empatia popular. O fato é que a Conjuração Mineira e o martírio de Tiradentes geraram consequências históricas, no mínimo, estimulando um crescente nacionalismo, desejo de liberdade, independência, e alerta quanto à exploração colonial. Tiradentes era o patriota consciente, “que dá a sua vida por uma ideal”. O cristão e o revolucionário não são incompatíveis, convivem na imagem do herói.

Surgiriam outros movimentos emancipacionistas, antagônicos aos poderosos e não simples agentes da discórdia. Castro Alves proclama: Ei-lo, o gigante da praça/ o Cristo da multidão/ é Tiradentes que passa, deixem passar o Titão… mais tarde pende no alto seu corpo a rodar, balançante, e no outro dia, a sua cabeça encima um poste, no centro da praça, e seu corpo dilacerado. Estava assim reduzido o idealista alferes.

Gradualmente, a comemoração do dia 21 de abril foi generalizando-se. Em Tiradentes reluz a aurora do sacrifício heróico, pela liberdade e república. Figura nos manuais de história. A lei 7.919, de dezembro de 1889, aprova  Tiradentes como herói nacional, mas Deodoro, por ter sido militar, encontra resistência entre os congressistas. Hoje, sobrevive, no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, Tiradentes junto a Zumbi dos Palmares. 

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

O que foi a Inconfidência Mineira?

Qual o contexto da Proclamação da República no Brasil?

Quem foi Zumbi dos Palmares?

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé.  


Educaxé em dose dupla

postado por Cleidiana Ramos @ 2:13 PM
28 de agosto de 2009

Hoje tem Educaxé em sessão dupla. O caráter extraordinário é por conta de imprevistos terem me impedido de colocar os capítulos na terça e na quinta-feira. Agora, a dívida está integralmente paga aí abaixo. Aproveitem.


Educaxé- O Negro e a política- Parte VI

postado por Cleidiana Ramos @ 2:12 PM
28 de agosto de 2009
Ruas do Santo Antônio Além do Carmo, onde o professor Jaime Sodré, ainda criança, assistia, com os colegas, o desfile diário de D. Maria Brandão. Foto: Fernando Amorim |  AG. A TARDE

Ruas do Santo Antônio Além do Carmo, onde o professor Jaime Sodré, ainda criança, assistia, com os colegas, o desfile diário de D. Maria Brandão. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

Maria Brandão – Negra e comunista

Jaime Sodré

Estávamos no Santo Antonio Além do Carmo, sentados à Rua dos Perdões, nas escadarias do Convento, onde, segundo contavam, o cardeal Da Silva agredira uma feira. Um bairro cheio de estórias e histórias. Os Perdões é a passagem do desfile de 2 de Julho, onde saudávamos os nossos heróis, em especial “os cabocos”.

Subindo regularmente, ia dona Romana, nossa velha baiana de acarajé em direção à Quitandinha do Capim, onde se instalava, após arremessar pequenos acarajés e água, a título de saudar os caminhos e abrir a venda. Naquela mesma artéria, em direção contrária, desfilava garbosa, semelhante à dona Romana, a personagem que conseguia calar as nossas conversas, admirados da sua postura, história e estórias. Era dona Maria Brandão.

Em nossos ouvidos vibrava o que se contava sobre ela: “Ela é Negra e Comunista” ou “Imagine, Negra e Comunista”. Para nós uma figura admirável, soava-nos como símbolo de coragem, tão ao gosto da juventude. Pouco sabíamos sobre ela, alem do rosto redondo e a sua roupa leve, aos ventos da liberdade, a caminho do Corta Braço.

O pouco que sei contarei, relatos como o de Carlinhos Marighela, recomendando-me para aliviar a minha curiosidade, buscar o Sr. Contreiras, esposo da ex-deputada Amabília, além do ex-deputado Fernando Santana. Contarei o que encontrei em publicações escassas. Seguirei pesquisando, prometo-me.

Recordo das palavras de um militante negro, que dizia, evidentemente magoado, sobre as agressões insanas da tortura, onde o que mais ouvira de seus  algozes era a frase: “Já viu negro se meter em política e ainda comunista”. Voltemos a Maria Brandão. Encontro-me nas páginas do livro Mulheres Negras no Brasil.  Monumental trabalho de Shuma Schumaher e Érico Vital Brazil, uma foto exibe D. Maria, mãos ao queixo, pensativa.

Nascida a 22 de julho de 1900 em Rio de Contas. Maria Brandão dos Reis, segundo os autores, “foi um exemplo de mulher negra envolvida na política”. Impressionou-lhe a passagem da Coluna Prestes, avivando o amor pelo Partido Comunista Brasileiro. Idealista, mudou-se para Salvador como destacada liderança. Abriu uma pensão na Baixa dos Sapateiros, (daí o seu deslocamento pela Rua dos Perdões) onde, além de alimentar e hospedar estudantes, caprichava na instrução política destes “filhos adotivos”, ampliando-a para as questões sociais. Piedosa, ajudava aos necessitados.

Em 1947, entrou em ação concreta quando os moradores do Corta Braço foram ameaçados de perderem as suas casas. Ela os ajudou, organizando-os em uma vigília e vibrante passeata de protesto. Como devotada da paz engajou-se na campanha do partido em 1950, encarregando-se da fundação de diversos conselhos em vários municípios. Por sua atitude determinante e incansável, recebeu a indicação de “Campeã da Paz”.

O lado dramático desta história registra-se em um desapontamento imperdoável. Segundo os autores, a premiação pelo seu feito e sua convicção pacificadora, deveria ser realizada em Moscou, onde D. Maria Brandão receberia pessoalmente e merecidamente, o reconhecimento pelo seu idealismo, mas por decisão do partido, ela foi substituída por uma “jovem intelectual”. Esta nem se quer recusou, colaborando com esta desconsideração a uma “senhora negra” de jovens ideias e comprovadas lutas. Mas este fato não passou impune, pois manifestou veementemente a sua revolta frente às lideranças comunistas, registrando para a história desta agremiação política um capitulo menos digno.

Veio o golpe militar de 1964, D. Maria mobiliza-se para escapar da prisão, refugiando-se. De volta a Bahia, em 1965 foi alcançada pela polícia e submetida a interrogatório sobre o seu envolvimento com as idéias comunistas. O inquérito não evoluiu, talvez por reconhecê-la com um verdadeiro agente da paz e que apenas, por sua generosidade, queria um povo feliz, bem alimentado e instruído, conforme demonstram as suas ações naquela pensão, e para isso escolhera a política.

D. Maria Brandão dos Reis, encerrou a sua atividade em nosso mundo em 1965, aguardando o nosso reconhecimento, com o seu nome, quem sabe, nomeando uma das nossas ruas ou na fachada de uma escola?

Em tempo:
Por conta da repercussão desse nosso artigo, publicado na página de Opinião de A TARDE, orgulhou-me a ligação do professor-doutor Luiz Henrique, referencia dos historiadores, que registrou o seu afeto, afirmando tê-la conhecido pessoalmente; agradeço a gentileza da Sra. Consuelo Mascarenhas, oferecendo-nos um livro do seu pai, alusivo a D. Maria; os amigos George Gurgel, do Diretório do PPS-BA, manifestou interesse sobre o tema, e Antonio Codes, solicitou alguns esclarecimentos.

Ebomi Cidália solicitou que registre-se a simpatia da sua mãe D. Maria Santiago Piedade, na época leitora do jornal “O Momento”, admiradora de Carlos Prestes.  O Sr. Enéas Estrela informou o local de nascimento de D. Maria em Rio de Contas, Bahia. Ele conhece os familiares da mesma, os quais necessitam de ajuda. Enéas reafirmou o empenho de D. Maria em proteger perseguidos políticos.  

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

Quando surgiu o Partido Comunista do Brasil?

O que foi a Coluna Prestes?

Quais os acontecimentos envolvendo o Partido Comunista durante o Estado Novo?

Qual a diferença entre o Partido Comunista e o Partido Comunista do Brasil?

 

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé. 


Educaxé- O negro e a política- Parte V

postado por Cleidiana Ramos @ 5:51 PM
20 de agosto de 2009
As lutas ganharam várias frentes, atualmente, como os quilombos. Foto: Antonio Queirós| AG. A TARDE| 25.6.2004

As lutas ganharam várias frentes, atualmente, como os quilombos. Foto: Antonio Queirós| AG. A TARDE| 25.6.2004

A Frente Negra Basileira

Jaime Sodré

O texto de hoje é um trecho extraído do depoimento de Francisco Lucrécio para o livro Frente Negra Brasileira:
 

“A Frente Negra Brasileira foi fundada em 16 de setembro de 1931 e durou até 1937, tornando-se partido político em 1936. Foi a mais importante entidade de afrodescendentes na primeira metade do século, no campo sócio-político. A Frente Negra foi um movimento social que ajudou muito nas lutas pelas posições do negro aqui em São Paulo.

Existiam diversas entidades negras. Todas essas entidades cuidavam da parte recreativa e social, mas a Frente veio com um programa de luta para conquistar posições para o negro em todos os setores da vida brasileira. Um dos seus departamentos, inclusive, enveredou pela questão política, porque nós chegamos à conclusão de que, para conquistar o que desejávamos, teríamos de lutar no campo político, teríamos de ter um partido que verdadeiramente nos representasse.

A consciência que existia na época eu acho que era muito mais forte que a que existe agora. Quando o negro sente uma pressão, quando qualquer agrupamento humano sente uma pressão, procura um meio de defesa. A pressão era tão forte que muitos jornais publicavam: “Precisa-se de empregado, mas não queremos de cor”.

Havia alguns movimentos também no interior, principalmente nos lugares em que os negros não passeavam nos jardins, mas na calçada. Muitas famílias não aceitavam, inclusive, empregadas domésticas negras; começaram a aceitar quando se criou a Frente Negra Brasileira. Chegou-se ao ponto de exigir que essas negras tivessem as carteirinhas da Frente.

Então, essa consciência era muito mais acentuada do que nos dias atuais. Porque hoje os jovens negros, a meu ver, estão muito acomodados, não sei se por receio ou não. A Frente Negra funcionava perfeitamente. Lá havia o departamento esportivo, o musical, o feminino, o educacional, o de instrução moral e cívica. Todos os departamentos tinham a sua diretoria, e o Grande Conselho supervisionava todos eles. Trabalhavam muito bem.

Dessa forma, muitas entidades de negros que cuidavam de recreação filiaram-se à Frente Negra. E existiam diversas sociedades em São Paulo e pelo interior afora. Por isso a Frente cresceu muito, cresceu de uma tal maneira que tinha delegação no Rio de Janeiro, na Bahia, no Rio Grande do Sul, e, Minas Gerais etc.”

 


Educaxé- O negro e a Política- Parte IV

postado por Cleidiana Ramos @ 3:14 PM
18 de agosto de 2009
Conflitos políticos impedem o desenvolvimento em regiões da África, como a República Democrática do Congo. Foto: Reuters| Antony Njuguna

Conflitos políticos impedem o desenvolvimento em regiões da África, como a República Democrática do Congo. Foto: Reuters| Antony Njuguna

Instabilidade Política 

Jaime Sodré

Hoje destacamos os golpes de Estado ocorridos na África desde a década de 60. Confiram a lista:   

Fevereiro de 1966- Gana: O exército derruba o presidente Kwane Nkrumah que realizava uma visita oficial a Pequim.

Setembro de 1969- Líbia: Um Conselho da Revolução proclama a República na ausência do rei Idriss, que estava recebendo tratamentos médicos na Turquia.

Janeiro de 1971- Uganda: Idi Amín Dada aproveita a ausência do presidente Milton Obote para tomar o poder. O chefe de Estado de Uganda estava em Cingapura, após ter participado de uma conferência da Commonwealth.

Julho de 1975- Nigéria: O exército derruba o general Yakabu Gowon. Gowon estava em Kampala para assistir à cúpula anual da Organização da Unidade Africana.

Junho de 1977- Seychelles: O primeiro-ministro Albert René toma o poder aproveitando-se da visita do presidente James Mancham a Londres para uma conferência da Commonwealth.

Setembro de 1979- República Centro-Africana: O imperador Bokassa, em visita oficial à Líbia, é derrubado. David Dacko, ex-presidente que havia sido deposto por Bokassa em 1966, retoma o poder e restabelece a República.

Dezembro 1984-Mauritânia: O tenente coronel Ould Haidalla, em visita ao Burundi para acompanhar a 11ª. cúpula África-França, é destituído. O coronel Maauiya Ould Taya toma o poder.

Abril de 1985- Sudão: O presidente Gaafar Nimeiry, em visita oficial ao Egito, é derrubado pelo exército.

Setembro de 1987- Burundi: O coronel Jean-Baptiste Bagaza, que estava em Quebec acompanhando a cúpula de países francófonos, é derrubado pelo major Pierre Buyoya.

 Julho de 1994- Gâmbia: O presidente Dawda Jawara, no poder desde 1965, é derrubado por militares dirigidos por Jammeh.

Agosto 1995- São Tomé e Princípe: Miguel Trovoada é derrubado por militares. Retoma o poder uma semana depois, após uma lei de anistia.

Setembro de 1995- Comores: Mercenários dirigidos por Bob Denard derrubam o regime de Said Mohamed Djohar. Uma intervenção militar francesa põe fim ao golpe de Estado.

Janeiro de 1996- Serra Leoa: Valentine Strasser é afastado pela junta que dirigia o país depois de quatro anos.

Janeiro de  1996- Nigéria: Uma junta militar presidida pelo coronel Ibrahim Baré Manassara destitui o presidente Mahamane Ousmane.

Julho de 1996- Burundi: Um golpe de Estado leva ao poder Pierre Buyoya depois da destituição de Sylvestre Ntibantunganya.

Maio de  1997- Zaire: Laurent-Désiré Kabila, à cabeça de uma rebelião após oito meses, se autoproclama chefe de Estado. O Zaire, dirigido depois de 32 anos por Mobutu Sese Seko, se torna República Democrática do Congo. Em janeiro de 2001, Kabila é assassinado por um de seus seguranças. Seu filho, Joseph Kabila, o sucede.

Maio de 1997- Serra Leoa: o presidente Ahmad Tejan Kabbah é derrubado por uma junta dirigida por Johnny Paul Koroma. É restabelecido em suas funções em 1998 depois de uma intervenção de uma força oeste-africana.

Outubro de  1997- Congo-Brazzaville: Denis Sassou Niguesso (1979-1992) retoma o poder depois da vitória de suas milícias sobre as de Pascal Lissouba.

 Abril de 1999-Comores: O exército dirigido pelo coronel Azali Asoumani toma o poder.

 Maio de 1999- Guiné-Bissau: João Bernardo Vieira é derrubado por uma junta em rebelião desde 1998 e dirigida pelo general Ansumane Mané.

Dezembro de 1999-Costa do Marfim: Um motim militar se transforma em golpe de Estado, o primeiro do país. O general Robert Gue  anuncia a destituição do presidente Henri Konan Bédié e a implantação de uma junta.

Março de  2003- República Centro-Africana: O chefe da rebelião, o general François Bozizé, toma o poder após um golpe de Estado enquanto o presidente Ange-Félix Patassé estava fora do país. O avião do governante, que deveria retornar a Bangui procedente de Niamei (Níger), onde havia participado de uma cúpula de chefes de Estado, teve sua frota desviada para Yaundé, capital camaronesa.

Julho de 2003-São Tomé e Príncipe: Uma junta militar liderada pelo major Fernando Pereira derruba o presidente Fradique de Menezes, que realizava uma visita à Nigéria. Após intensas pressões internacionais, o presidente retorna ao seu país e chega a um acordo com os militares para restaurar a ordem constitucional.

Setembro de 2003-Guiné-Bissau: Kumba Yala é afastado por uma junta dirigida pelo general Veríssimo Correia Seabra, morto mais tarde num ataque contra o quartel-general do exército.

Agosto de  2008- Mauritânia: Sidi Ould Cheikh Abdallahi, primeiro presidente democraticamente eleito, é derrubado 15 meses mais tarde pelo general Mohamed Ould Abdel Aziz.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

Quando começaram as lutas pela indpendência dos países da chamada África Negra?

O que é pan- africanismo?

Quais os países da África Negra que, atualmente, convivem com ditaduras?

Sugestão de filme: Hotel Ruanda

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé.


Educaxé: O negro e a política -Parte III

postado por Cleidiana Ramos @ 10:01 AM
13 de agosto de 2009

 

Imagem do livro África e Brasil Africano que mostra planta do Buraco do Tatu em Itapuã, no século XVIII. Foto: Reprodução| AG. A TARDE

Imagem do livro África e Brasil Africano que mostra planta do Buraco do Tatu em Itapuã, no século XVIII. Foto: Reprodução| AG. A TARDE

Mocambos na Bahia

Jaime Sodré

Na Bahia também se formaram mocambos e o mais conhecido deles era o Buraco do Tatu, próximo a Salvador, datado de meados do século XVIII. A base da sua economia era a agricultura, mas os quilombolas praticavam alguns roubos às fazendas. Esse mocambo acabou destruído e alguns quilombolas mortos ou presos por uma expedição militar realizada em 1763.

Além da formação de quilombos, os escravos baianos utilizaram outras estratégias de resistência ao sistema escravista. Por volta de 1789, no engenho de Santana, em Ilhéus, os escravos revoltosos assassinaram o mestre de açúcar e fugiram para a floresta. Elaboraram, então, um “Tratado de Paz”, reivindicando melhores condições de trabalho, incluindo dois dias de folga por semana, a permissão para cultivar suas próprias lavouras, comercializar a produção e realizar festas.

Nesse documento, pode-se perceber, além dessas reivindicações, a forma como os escravos organizavam-se, levando em conta a sua origem, pois os revoltosos eram crioulos e faziam questão de se distinguir dos africanos, a quem chamaram genericamente de “negros minas”. Vale a pena citar alguns trechos deste Tratado de Paz:

Meu senhor nós queremos paz e não queremos guerra; se meu senhor também quiser nossa paz há de ser nessa conformidade, se quiser estar que nós quisermos a saber.

Em cada semana nos há de dar os dias de sexta-feira e de sábado para trabalharmos para nós não tirando um destes dias por causa do dia santo.

Para podermos viver nos há de dar rede, tarrafa e canoas.

Não nos há de obrigar a fazer camboas, nem a mariscar, e quando quiser fazer camboas e mariscar mandes os seus pretos Minas.

Faça uma barca grande para quando for para Bahia nós metermos as nossas cargas para não pegarmos fretes.

[...] A tarefa de cana há de ser de cinco mãos, e não de seis, e a dez canas e, cada freixe.

Os atuais feitores não os queremos, faça eleição de outros com a nossa aprovação.

[...] Poderemos plantar nosso arroz onde quisermos, e em qualquer brejo, sem que para isso peçamos licença, e poderemos cada um tirar jacarandás ou qualquer pau sem darmos parte para isso.

A estar por todos os artigos acima, e conceder-nos estar sempre de posse de ferramenta, estamos prontos para o servimos como dantes, porque não queremos seguir os maus costumes dos mais Engenhos.

Poderemos brincar, folgar, e cantar em todos os tempos que quisermos sem que nos empeça e nem seja preciso licença.

Entretanto, em 1790, os revoltosos foram reprimidos e seu líder, preso. Depois de passados vários anos, na década de 1820, os cativos do mesmo engenho, muitos dos quais descendentes daqueles primeiros insurgentes, promoveram algumas rebeliões e acabaram organizando quilombos no meio da floresta. Os quilombolas construíram cabanas, teares, depósitos de sal, produziam peixe seco e farinha de mandioca, e dedicavam-se à produção de café, mandioca, cana e algodão.

 Textos extraídos do livro: História e Cultura afro-brasileira de Regiane Augusto de Mattos – Editora Contexto (recomendamos)

 Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. Qual a diferença entre mocambo e quilombo?

2. Quando começou e terminou o quilombo de Palmares?

3. Quem foi Zumbi?

Dica de filme: Amistad, de Steven Spielberg    

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé.

 

 


Sobre apoio pedagógico e generosidade

postado por Cleidiana Ramos @ 3:20 PM
11 de agosto de 2009
Jaime Sodré escreve os textos da série Educaxé aqui no Mundo Afro. Foto: Rejane Carneiro

Jaime Sodré escreve os textos da série Educaxé aqui no Mundo Afro. Foto: Rejane Carneiro

Para os que já acompanham, está aí abaixo mais um capítulo da série Educaxé. Aos navegantes de primeira viagem explico:

Trata-se de uma série de textos produzidos pelo professor Jaime Sodré para servir de apoio pedagógico para o cumprimento da Lei 11.645/08 (mais conhecida pelo número da sua primeira versão- 10.639/03) que estabelece a obrigatoriedade de ensino de História da África, Cultura Afro-Brasileira e História e Cultura Indígenas em todas as escolas brasileiras.

Na primeira parte da série tratamos  do Engenho Velho da Federação, um dos bairros com população predominantemente negra em Salvador, além de ser o endereço de terreiros de candomblé das mais variadas tradições.  O passeio pelo bairro aconteceu, principalmente, via  a história do  Bogum.

Agora nesta segunda parte estamos abordando o tema O Negro e a Política. Cada texto traz perguntas que podem auxiliar a pesquisa de assuntos pertinentes ao que é abordado no capítulo. Portanto, aproveitem este gesto de generosidade de compartilhar conhecimentos, feito pelo professor Jaime. Obrigada mais uma vez e, a benção, mestre!


Educaxé: O negro e a Política- Parte II

postado por Cleidiana Ramos @ 3:19 PM
11 de agosto de 2009
A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi um dos canais de apoio à população negra do período colonial. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi um dos canais de apoio à população negra do período colonial. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Formas de Resistência ao Sistema Escravista

Jaime Sodré

Os escravos reagiam de diferentes maneiras diante da violência e da opressão provocadas pelo sistema escravista. Da mesma forma que promoviam fugas e revoltas, aproveitavam a existência de pequenos espaços para a negociação. Espaços que eles próprios conquistaram ao mostrarem aos senhores a necessidade de terem certa autonomia para o bom funcionamento do sistema escravista.

Os senhores conscientes de que dependiam do trabalho escravo – que não raro era especializado – permitiam uma margem para a negociação. Por meio de várias estratégias, que iam desde o enfrentamento direto até a obediência e a fidelidade para com o senhor, encontravam formas para alcançar a liberdade. Uma delas a carta de alforria.

A partir do século XVII, os escravos que sofriam de maus-tratos do seu proprietário, podiam trocar de senhor ou entrar com uma ação judicial de liberdade. Os escravos tomavam também a iniciativa de acionar as autoridades judiciais, muitas vezes com o apoio das irmandades religiosas destinadas aos negros, contra os proprietários que tentavam dificultar a obtenção da alforria.

A alforria poderia ser adquirida gratuitamente ou por meio do pagamento em dinheiro, prestações ou em uma só vez. Outra forma era o depósito de um outro escravo em seu lugar. Contudo, a alforria era sempre revogável. Assim como o proprietário assinava a carta de liberdade, ele poderia anulá-la a qualquer momento. Isso poderia ser feito tendo como justificativa o mau comportamento do escravo.

A maioria das cartas de alforria era onerosa, pelas quais o escravo deveria pagar uma quantia em dinheiro para ressarcir o prejuízo do proprietário ou recompensá-lo indiretamente com a prestação de serviços, permanecendo em sua companhia até a morte, servindo ao cônjuge e  “não ser ingrato ou dar desgosto”.

Essa última condição significava não cometer nenhuma atitude que colocasse em risco a propriedade do senhor ou a sua produção; não atacar física ou moralmente  o proprietário e a sua família e socorrê-lo em caso de doença. Dessa maneira, os proprietários adiavam a liberdade do escravo, pois este deveria primeiramente trabalhar para conseguir pagá-la ou se dedicar aos cuidados do senhor. Apenas uma parcela pequena das cartas de alforria era totalmente gratuita, não exigindo nenhuma contrapartida do escravo.

Assim, o escravo tratava de conseguir dinheiro para comprar sua alforria, obtendo-a como empréstimo ou doação. Para tanto, a rede de solidariedade era fundamental ao cativo. Membros de sua família, amigos, vizinhos, padrinhos, nesse momento contribuíam, de maneira significativa, para o sonho de liberdade tornar-se realidade.

É preciso lembrar que o casamento podia ser considerado uma possibilidade palpável para a obtenção da alforria. Assim, esta raramente aparecia como um projeto individual. Havia, então, o envolvimento do cônjuge, que muitas vezes acabava por libertar seu companheiro. A instituição do casamento tornava-se ainda mais importante para os escravos de origem africana, pois eram estrangeiros em terra de brancos. Tentavam encontrar no matrimônio um apoio, uma segurança.

Um tipo de alforria muito recorrente era aquela apresentada como a última vontade do proprietário, isto é, em testamento. Podia ser incondicional, pela qual o escravo ganhava a liberdade assim que era aberto o testamento, ou condicional, quando ele tinha de cumprir alguma determinação do seu proprietário antes de receber a carta de alforria. Africano de distintos grupos étnicos, crioulo, pardo ou mulato, homem ou mulher, jovem ou idoso, o escravo era lembrado, com frequência, no testamento do seu proprietário.

Recebia recompensas pelos “bons serviços” prestados ao dono e demais parentes da casa, sendo deixado liberto após a morte do senhor. Os escravos que recebiam alforria ainda em vida do seu senhor tinham esse benefício reforçado em testamento.Deve ser esclarecido que o senhor não concedia a liberdade ao seu escravo somente por generosidade. Havia um cálculo político por detrás dessa ação, na medida em que o senhor controlava o comportamento do cativo, através do oferecimento da possibilidade da sua alforria. Dessa maneira, procurava fazer com que esse obedecesse e realizasse os seus serviços de forma satisfatória. Por outro lado, na esperança da recompensa, o escravo cumpria s sua parte no “trato”, visando alcançar a liberdade.

Nota-se que, nos testamentos, as mulheres escravas, além de serem contempladas em número maior com a alforria, apareciam com mais frequência como herdeiras dos bens do proprietário. Em geral, as libertas eram herdeiras de mulheres solteiras ou viúvas. Nesse caso, havia entre a senhora e a escrava um certo vínculo de amizade, poder-se-ia até dizer afetivo. A escrava era sua companheira, com quem contava para seus serviços e seus cuidados. Também as mulheres recebiam com mais frequência a alforria por conta do seu valor menor no mercado em relação aos escravos homens. Dessa forma, a sua substituição custaria menos ao proprietário.

No entanto, após atingirem o seu maior objetivo – a liberdade -, os então libertos tiveram que sobreviver por conta própria e se inserir na sociedade. O preconceito se fazia presente, inclusive na Constituição do Império, que os impedia de adquirir direitos eletivos. Podiam somente participar de eleições primárias. Também não podiam se candidatar, sendo-lhes proibido o exercício de cargos como jurado, juiz de paz, delegado, subdelegado, promotor, conselheiro, deputado, senador, ministro, magistrado ou referentes ao corpo diplomático e eclesiásticos.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. O que foi a Revolução dos Búzios?
2. Quais os mecanismos utilizados pelos escravos para a obtenção da alforria no Brasil?
3. Qual o papel das irmandades religiosas negras nas estratégias para a obtenção de liberdade em meio à escravidão?
4. Quando surgiu a Irmande de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos na Bahia e quais as suas principais características?
5. Quando surgiu, na Bahia, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e quais as suas principais características?
6. O que você sabe sobre a Sociedade dos Desvalidos em Salvador?
7. Quais destas associações negras surgidas no período colonial ainda estão em atividade na Bahia?

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé.    


A seção Educaxé está de volta

postado por Cleidiana Ramos @ 2:57 PM
6 de agosto de 2009

O professor Jaime Sodré coloca  à nossa disposição a segunda parte deste rico, eficiente e solidário auxílio pedagógico chamdo Educaxé.  

Agora os textos disponibilizados estarão tratando da política e suas relações com a questão étnico-racial. O primeiro capítulo já está disponível aí abaixo. Aproveitem. Lembro que os capítulos serão publicados às terças e quintas. 


Educaxé: O negro e a política- Parte I

postado por Cleidiana Ramos @ 2:52 PM
6 de agosto de 2009
Nicolau Maquiavel é o autor do célebre livro "O Princípe". Foto: Reprodução| Arquivo A TARDE

Nicolau Maquiavel é o autor do célebre livro "O Princípe". Foto: Reprodução| Arquivo A TARDE

Jaime Sodré

Entende-se por política, dentre muitas definições, a atividade que resulta em organização, direção ou administração de ações em beneficio de uma comunidade. A grosso modo podemos dividi-la entre política interna e política externa. Em uma sociedade democrática esta atividade pode corresponder às ações dos cidadãos que ocupam cargos públicos, levados ao poder pelo voto, efetivada pelos seus co-cidadãos.

A palavra Política é de origem grega. Os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas Polis, nome do qual se origina a palavra Politike, no sentido geral, e Politikós no sentido de cidadãos.  Para Aristóteles, “o homem é um animal político”.

Em termo de ações básicas, a arte da política implica em gerenciar o modo de governo por meio de uma organização política; aplicar meios adequados e licítos para a obtenção de vantagens, o que, segundo Bertrand Russel seria “o conjunto de meios que permitem alcançar os efeitos desejados”.

Já para Nicolau Maquiavel, no célebre O Príncipe, seria “a arte de conquistar, manter e exercer o poder”, ou seja, o governo. Na época contemporânea, política ganhou novos significados, tais como: ciência do Estado, doutrina do Estado, ciência política ou filosofia política.

A política é exercida pela conquista do poder, que poderá, em síntese, significar o “poder econômico”, ou seja, a posse de certos bens ou fatores de produção. Histórica fonte de poder em relação às classes que detêm a força de trabalho, logo, quem tem fartura de poder econômico poderá determinar o comportamento de quem não o tem, mediante promessa ou concessão de vantagens.

Já o “Poder ideológico” baseia-se na influência que as ideias exercem sobre a visão e conduto de grupos sociais, responsáveis pelas ações e coesão dos grupos. O “Poder político” serve-se de diversos instrumentos, objetivando ações aplicadas a um determinado grupo social, extensiva às ações de força, que a detém, exclusivamente, em relação aos grupos sob a sua influência.

O que a política pretende, em suma, é alcançar por suas ações democráticas a unidade do Estado, garantia de direitos e deveres iguais, estabilidade, o bem-estar coletivo, a prosperidade, a liberdade, os direitos civis e políticos, os direitos humanos, a independência nacional, dentre outros benefícios.

Propomos que vocês observem a aplicação do “exercício político” por parte de “grupos negros”, no decorrer da história do Brasil, África e a diáspora, identificando ações antagônicas ou de coesão, dentro de um mesmo grupo racial ou etnias antagonistas.

Sugerimos também o levantamento dos partidos políticos e seus ideários, principalmente no Brasil, e a relação de políticos negros ou não, comprometidos com os anseios da comunidade afro-brasileira.     

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema: 

1. O que é política?

2. Quem foi Aristóteles?

3. Quais as principais conclusões de Maquiavel em seu livro O Princípe? 

 

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé
 

 


Primeiro bloco encerrado

postado por Cleidiana Ramos @ 2:08 PM
16 de julho de 2009

Com a publicação do quinto capítulo, o bloco do Educaxé sobre o Bogum está finalizado. O professor Jaime Sodré já prepara uma nova série de textos bem interessantes. A idéia inicial é que ela discuta a participação de militantes negros na política brasileira.

Lembro que os capítulos estão sendo publicados às terças e quintas com o objetivo de fornecer material para o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.


Educaxé- Bogum Parte V

postado por Cleidiana Ramos @ 2:00 PM
16 de julho de 2009
Comunidade do Bogum reunida durante visita do ator Danny Gloover em 2003. Foto: Fernando Vivas

Comunidade do Bogum reunida durante visita do ator Danny Gloover em 2003. Foto: Fernando Vivas

 

Respeito e Admiração

As autoridades religiosas do Bogum gozam do respeito da comunidade do povo-de-santo. São citados em reconhecimento os nomes das Donés Emiliana, Ruinhó, Nicinha e Índia, inclui-se a Deré Romaninha de Pó, ekede Santa e os huntós ou ogãs Manoel da Silva, Romão, Amâncio de Melo, Edvaldo, Duarte, Lídio, Sargento Celestino, Gilberto Roque, Antonio Jorge, Jackson, Ailton, Luizinho, Tico, dentre muitos outros.

As suas festas são freqüentadas por centenas e centenas de amigos, simpatizantes e admiradores. O Bogum convive harmoniosamente com os templos vizinhos, a exemplo do Ilê Obá do Cobre, Tanuri Junçara, Casa Branca, Odé Mirim, Unzó Oquinin Bamborucema, Terreiro de Oxumaré, Terreiro do Gantois e outros distantes, incluindo os localizados em outros Estados em especial os do Maranhão (também reduto jeje) e os do Rio de Janeiro. Do ponto de vista internacional existem laços com o Benim e Haiti.

Citada em inúmeras obras, a comunidade jeje do Bogum recebe um bom conceito por suas práticas litúrgicas na etnografia dos cultos afro-brasileiros.

O Zoogodô Bogum Malê Rundó resiste ao tempo e aos desafios através do empenho da Nandoji Índia na manutenção das regras que sempre caracterizaram o povo do Bogum, educando os seus fiéis com valores elevados da sua história e digna resistência.

É um trabalho que necessita do empenho dos seus filhos para a perpetuação da Casa como símbolo de referência da comunidade religiosa afro-brasileira. Com a força dos voduns, apesar dos problemas, decorrentes da condição humana, assim será.

Bibliografia de apoio:
 

Lendas Africanas dos Orixás -Pierre Fatumbi Verger
Orixás- Pierre Fatumbi Verger
Olóòrìsà – Escritos sobre a religião dos orixás- Vários autores
Candomblés da Bahia- Édison Carneiro
Ancestralidade Afro-Brasileira o Culto de Babá Egum- Júlio Braga
A refuge in thunder candomblé andalternative spaces of blackness- Rachel E. Harding
Candomblé – Religião e Resistência Cultural- Raul Lody
O candomblé da Bahia- Roger Bastide
Os orixás – na vida dos que neles acreditam- Maria de Lourdes Siqueira
As Américas Negras-  Roger Bastide


Educaxé- Bogum Parte IV

postado por Cleidiana Ramos @ 9:48 AM
14 de julho de 2009
Um exemplar da divindade Loko, cultuada no Bogum. Foto:  Xando Pereira| AG. A TARDE

Um exemplar da divindade Loko, cultuada no Bogum. Foto: Xando Pereira| AG. A TARDE

Fitolatria 

Jaime Sodré 

O Terreiro do Bogum está intimamente associado às árvores. Assim é que a Gameleira (Fícus doliaria), representa uma divindade, uma hierofania do vodum Loko, a exemplo de um exemplar localizado no Caminho de São Lázaro, na Federação.

O exemplar anterior foi destruído, segundo dizem por ação de adversários religiosos do Candomblé ou simplesmente vândalos, ou fieis que colocavam velas na proximidade desta árvore. Outros atribuem a sua destruição a uma espécie de auto-combustão.

Conta-se da vinculação do Bogum com o Gantois através do fato de uma avó de Mãe Menininha, conhecida como Salakó, ter plantado naquele terreiro uma árvore consagrada a Azanodô.

O crescimento urbano, descontrolado, tem vitimado o “espaço floresta” dos Candomblés e o Bogum também tem sido vítima. A árvore-sacrário, vodum Azonodô, que habitava próximo ao terreiro tombou em 1979, de acordo com Jheová de Carvalho. Segundo ele, por ações de vândalos que a envenenaram sistematicamente até a sua morte. Dizem que ela teria gemido ao tombar.

No Bogum junto à casa de Omolu encontra-se uma árvore de Loko, objeto de culto, além de uma jaqueira, também sagrada. Existe ainda um bilreiro sagrado.

Encontramos uma acácia consagrada a Azonodô. Como elemento do reino vegetal, podemos ver as janelas e portas decoradas com mariô (  folhas desfiadas de palmeiras) relacionado ao vodum Gu.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. O que é fitolatria? Este fenômeno existe em outras religiões?
2. Quais os outros terreiros localizados no bairro da Federação?

Jaime Sodré é historidador, professor e religioso do candomblé


Educaxé- Bogum Parte III

postado por Cleidiana Ramos @ 3:35 PM
7 de julho de 2009
Nandoji Índia é a atual dirigiente do Bogum. Foto: Arlindo Felix | AG. A TARDE| 17.01.2003

Nandoji Índia é a atual dirigente do Bogum. Foto: Arlindo Felix AG. A TARDE| 17.01.2003

As Divindades

Jaime Sodré

O Zoogodô Bogum Malê Rundó possui no seu quadro de divindades, dentre outras, os seus patronos – os voduns Bafono Deca e Ajonsu ou Azonsu -, regendo os destinos e cumeeira. A divindade máxima é Mawu-Lissa, Olissassa, Olissá, Olissasi. As suas festas realizam-se ao fim do ano, após o Ossé de Lissa- ritual restrito aos seus iniciados- e são muito concorridas.

O Bogum também realiza a sua missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em louvor a São Bartolomeu e São Jerônimo. O primeiro dava nome a sua associação civil, com o título de Sociedade Fiéis de São Bartolomeu do Terreiro do Bogum. Fundada em 1937, esta sociedade, na década de 1970, teve o privilégio de ser dirigida por Edvaldo dos Santos Costa, destacado ogã da casa, filho consangüíneo de Mãe Nicinha, que teve como mérito maior a reestruturação da entidade, com seus estatutos publicados no Diário Oficial em 16 de outubro de 1977.

Esta organização, representativa da atividade civil do terreiro, ficou inativa até 1983, quando, sob a presidência do Sr. Lídio Pereira dos Santos, venerável ogã da Casa e decano querido e respeitado, retomou suas atividades.

Atualmente, a organização civil sofre mais uma reformulação sendo que, em assembléia, foi inaugurada uma nova entidade com o nome de Associação dos Fiéis Jeje Mahin, numa postura de desvincular o terreiro de laços com o catolicismo. Embora se tenha alterado a denominação, as relações com a Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Pretos ainda permanecem.

Os fiéis, ao chegarem à área da Avenida Vasco da Gama, em frente ao Terreiro da Casa Branca, vindos da missa, visitam este terreiro e em procissão, sobem a íngreme Ladeira do Bogum, com fogos e cânticos e contornam, no Largo das Palmeiras, o busto de Mãe Runhó, instalado pela prefeita Lídice da Mata. Vão em direção às portas do terreiro, onde incorporam os voduns e entram no templo, saudados pelos tambores, e no seu interior realizam-se as danças sagradas. 

As festas, na tradição jeje do Bogum, têm os voduns Gum (Gu), Agangatolu, Ágüe e Logunedé; voduns da família dos Kavionô ou Kavionus: Sobô ou Sogbo, Pó ou Kpó, Badé, Adaen ou Adan, Ajiripapô ou Ajiribabô, Afonjá; o vodum Aziri ou Aziritobossi; o vodum Hoho ou Ibejes, o vodum Ajonsu, com festa dedicada ao patrono da Casa e de Mãe Índia; além de Nanã.

A 31 de dezembro acontecem as obrigações do Sé ou ossé de Lissa, onde se realiza a purificação dos assentamentos da entidade maior, que alguns chamam de “Águas de Oxalá”. Os ritos festivos se realizam nos meses de janeiro e fevereiro, sendo que neste, realiza-se o Olugbajé, a grande festa de Ajonsu, Omolu  com um banquete comunal. O Bogum também cultua os Caboclos, no seu dia festivo e cívico, o Dois de Julho.

No repertório de atividades rituais vale destacar o zandró (a vigília sacra jeje) com procissões internas e ofertórios instalados aos pés das árvores sagradas, o boitá. Durante os dias do ano o Bogum realiza obrigações dos seus iniciados e rituais propiciatórios, dentre outros eventos comunitários em favor da população do bairro do Engenho Velho da Federação, além de atendimento aos que necessitam dos seus poderes religiosos.

Oferendas são realizadas pelo povo do Bogum, preferencialmente em árvores, no mar e fontes, no Dique do Tororó e, outrora, no Parque São Bartolomeu, por sua ligação com a entidade católica reverenciada pelo jeje.

O rito fúnebre da liturgia jeje é o zelim, zerrim ou sirrum, que equivale ao axexé da organização religiosa nagô e ao macondo da nação angola. Esta celebração é privativa aos falecidos de posição hierárquica elevada, sendo que na ocasião se homenageia personalidades ilustres falecidas de outras nações. Os ritos fúnebres do Bogum, a exemplo de outras casas, são realizados com cuidados e rigor, obedecendo as interdições decorrentes deste rito.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1.Quais as divindades do Bogum e de outras nações?
2.O que é um ogã?
3.Qual o papel dos Caboclos no Candomblé?
4.O que é fitolatria? Este fenômeno existe em outras religiões?

Jaime Sodré é historidador, professor e religioso do candomblé


Mais Educaxé

postado por Cleidiana Ramos @ 3:02 PM
30 de junho de 2009

Confiram abaixo mais um capítulo da série Educaxé. O material preparado pelo professor Jaime Sodré tem o objetivo de auxiliar as atividades de aplicação da Lei 11.645/08, que atualizou a 10.639/03.

Esta legislação determina o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira, além da História e Cultura Índigenas em todas as escolas do País.

A série vai ser publicada aqui sempre às terças e quintas-feiras. Além do texto há uma lista de perguntas. Elas podem servir para aprofundar a pesquisa sobre o tema abordado.  


Educaxé: Bogum- Parte II

postado por Cleidiana Ramos @ 2:56 PM
30 de junho de 2009
 

 

Doné Nicinha comandou o Bogum de 1978 a 1994. Foto: Arquivo A TARDE

Doné Nicinha comandou o Bogum de 1978 a 1994. Foto: Arquivo A TARDE

 

O CLÃ

Jaime Sodré

Dos anos 30 aos anos 50 comenta-se o sacerdócio da Doné Emiliana da Piedade, vodunsi de Ágüe. Seguida por Maria Romana Moreira, Romaninha de Pó, na condição de Deré, assumindo por um breve período os destinos do Bogum, entre 1953 a 1956, fato que não conta com a unanimidade.

A partir de Valentina Maria dos Anjos, a famosa Mãe Runhó, consagrada a Sogbo Adan, de 1960 a 1975, a linha sucessora parece clara e sem contestações.

Segue-se o período glorioso de Evangelista dos Anjos Costa, Lokossi, a sempre lembrada Mãe Nicinha, de Loko. Sua regência, mantendo as tradições mais caras do Bogum, estendeu-se de 1978 a 1994.

Chegamos aos dias atuais e à escolha da seguidora de Mãe Nicinha, cujos feitos memoráveis foram a reforma do espaço sagrado do seu templo e a solicitação da inclusão do Artigo 27o na Constituição Baiana. Os búzios, exaltados pelo Oluwó Agenor Miranda, em 30 de maio de 2002, indicou o nome de Zaildes Iracema de Mello, hieronímio Nandoji, uma filha de Azonsu, conhecida por Mãe Índia, neta da venerável Runhó, assumindo o cargo em 11 de agosto de 2003, com 36 anos de idade e no vigor da sua juventude.

Realizou a ampliação e reformas do sítio religioso do Bogum, (a primeira reforma fora feita na gestão de Gilberto Gil à frente da Fundação Gregório de Mattos e a segunda reforma na gestão do prefeito Antonio Imbassay).

A biografia religiosa de Mãe Índia, ou Nandoji Índia, começa com a sua iniciação pelas mãos de Doné Nicinha, tendo como pai pequeno o humbono Pai Vicente do Matatu, um grande sacerdote do rito jeje, iniciado na vida religiosa por Maria Romana.

Nandoji Índia seria a primeira na ordem iniciática, com a titulação de dofona do seu barco. Filha de uma família que manteve as tradições jeje, tem como pais dona Antonia Firmina de Melo e o sempre lembrado, pelos seus profundos conhecimentos das tradições religiosas jeje, Amâncio Melo.

Dedica-se atualmente à vida sacerdotal, já inaugurando alguns barcos (em torno de três). É difícil elaborar uma listagem completa dos iniciados no Bogum, porém julgamos serem muitos. Calcula-se em, no mínimo, 60 a 100 barcos somando-se os de Doné Runhó, Mãe Nicinha, Emiliana de Ágüe, Romaninha de Pó e Valentina.

Textos-base:

1. Nicolau Parés- A Formação do candomblé- História e Ritual da Nação Jeje na Bahia. Editora Unicamp. Félix Ayoh´omidire. ÀKỌGBÀDÙN – ABC da língua, cultura e civilização iorubanas. Salvador: EDUFBA : CEAO, 2004, p. 85.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. O que significa voduns, orixás e inquices?
2. O que são os arará, em Cuba?
3. Qual o papel das mulheres no Candomblé e em outras religiões?
4. Como se organiza a hierarquia do Candomblé?
5.O que é jeje-mahim? 

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé


Material Didático no Mundo Afro

postado por Cleidiana Ramos @ 1:21 PM
25 de junho de 2009
Jaime Sodré colabora a partir de hoje com a série Educaxé aqui no blog. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Jaime Sodré colabora a partir de hoje com a série Educaxé aqui no blog. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

O professor Jaime Sodré teve mais umas das suas excelentes idéias: disponibilizar textos que ajudem seus colegas a aplicar a Lei 11645/08 que determina o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira e de História e Cultura Índigenas nas escolas brasileiras.

A legislação tem uma versão anterior e mais conhecida que é a 10.639/03. A lei ganhou novo número e uma modificação no ano passado para incluir a trajetória cultural dos povos indígenas.

Salvador, em 2005, foi a primeira capital do país a operacionalizar o cumprimento da Lei nas escolas municipais. A iniciativa foi da pedagoga Olívia Santana, hoje vereadora, que na época era a secretária municipal de educação.

Um dos desafios da época e que ainda continua é o pouco material didático disponível ou numa linguagem mais acessível para o ensino fundamental e médio.

Daí que o professor Jaime me perguntou se o Mundo Afro poderia ser um veículo para a divulgação de textos sobre cultura e identidade negras que ele sempre redige.

Respondi que não só o blog estaria aberto como agradeci muito pelo presente, afinal o nosso objetivo é exatamente o de ser útil para o debate sobre estas questões.

A partir de hoje volta e meia vocês encontrarão textos em forma de capítulos. O primeiro é sobre o Engenho Velho da Federação, um dos bairros de Salvador com população majoritariamente negra e também conhecido por reunir terreiros de candomblé de variadas nações.

Jaime decidiu  abordar o bairro com a sua característica de ser endereço de terreiros das religiões afro-brasileiras nas mais variadas vertentes.

Embora o Engenho Velho tenha uma área pequena, ele reúne mais de 20 terreiros das nações angola, ijexá, jeje e ketu do candomblé, mas também de umbanda.

Além disso, os terreiros são considerados quilombos urbanos, ou seja, territórios com área definida onde acontece preservação de cultura e identidade negras.

Nos primeiros capítulos desta série, Jaime conta a história do Bogum, um dos mais conhecidos terreiros do bairro, onde ele ocupa o cargo de oloiê, uma espécie de conselheiro.

Além do texto informativo, Jaime também organizou perguntas e dicas de como usar o material.

Vou também manter o título sugerido por ele: Educaxé e vou seguir a regularidade de publicar dois capítulos por semana, às terças e quintas. 

Educadores, aproveitem!