O olhar fotográfico sobre aspectos da cozinha baiana

postado por Cleidiana Ramos @ 6:55 PM
20 de novembro de 2015

A comida desperta vários sentidos. A missão do repórter fotográfico Marco Aurélio Martins foi difícil, mas cumprida à perfeição. Aqui uma coleção de imagens produzidas por ele a partir da pauta do especial  Ajeum- A força da comida.

Uma conversa sobre cozinha saborosa e natural  entre Bela Gil e Beto Pimentel

Uma conversa sobre cozinha saborosa e natural entre Bela Gil e Beto Pimentel

Raimundo Nogueira, expert no conhecimento sobre a sabedoria das folhas

Raimundo Nogueira, expert no conhecimento sobre a sabedoria das folhas

A ciência de transformar o simples em  arte

A ciência de transformar o simples em arte

 

A beleza das folhas que são muito usadas como ingredientes em pratos da cozinha baiana

A beleza das folhas que são muito usadas como ingredientes em pratos da cozinha baiana

 

A habilidade constante do chef Charles Silva em fazer tradição e modernidade dialogarem

A habilidade constante do chef Charles Silva em fazer tradição e modernidade dialogarem

 

 

A cana que dá aquilo que valia ouro em tempos coloniais:  o açúcar e seus derivados

A cana que dá aquilo que valia ouro em tempos coloniais: o açúcar e seus derivados


Casa do Benin é cenário de Vamo Ngudiá

postado por meire.oliveira @ 6:48 PM
20 de novembro de 2015
Casa do Benim recebe exposição sobre culto aos voduns na África e no Brasil. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Casa do Benin foi o cenário do vídeo Vamo Ngudiá. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

 

A Casa do Benin, vinculada à Fundação Gregório de Mattos, foi o cenário do vídeo Vamo Ngudiá, que integra o especial Ajeum- A força da comida, publicada em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra de A TARDE. 

Durante dois dias, os estudantes de gastronomia Luciane Dias, Cláudia Santos e Iago Luz e os chefs Alício Charoth, Matheus Almeida, Angélica Moreira e Beto Pimentel discutiram e realização de pratos criados, exclusivamente, para o especial.

O movimento foi intenso no pátio interno e na cozinha do casarão que foi inaugurado em 1988. A estrutura da cozinha e a estética local contribuíram no resultado do especial que prioriza o legado da herança africana.

“Receber o A Tarde e o Instituto Mídia Ética para este trabalho é uma grande honra para a FGM e Casa do Benin, pois nos dá a oportunidade de comemorar o Dia 20 de Novembro celebrando o alimento e as raízes culturais da nossa cidade”

Atuação

Além de exposições temporárias e oficinas artísticas, a instituição abriga obras da região do Golfo do Benin que, em sua maioria, pertenceram ao etnólogo francês Pierre Verger.

Funcionamento: Segunda a sexta, das 10h às 17h.
Endereço: Rua Padre Agostinho Gomes, 17 – Pelourinho.
Contato: (71) 3202-7890


Balaio de Ideias: A cozinha de Jorge Amado

postado por Cleidiana Ramos @ 6:36 PM
20 de novembro de 2015

 

Elementos para trabalhar com a fantástica cozinha baiana são variados. Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE

Elementos para trabalhar com a fantástica cozinha baiana são variados. Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE

Gildeci de Oliveira Leite

A comida na obra de Jorge Amado representa identidades que o autor quer fazer aparecer. O romance Dona Flor e Seus Dois Maridos é o mais culinário dos livros amadianos. A obra tem como protagonista uma baiana com características africanas, ameríndias e europeias. Florípedes ou Dona Flor é cozinheira e professora de culinária. A relação de Flor com a cozinha pode ser comparada à relação das Baianas do Acarajé com o tabuleiro e também às Iabassês com o Axé, cozinheiras sagradas dos candomblés.

Assim como as Baianas do Acarajé, Flor consegue a sua independência financeira através da cozinha. Com o primeiro marido, Vadinho, é obrigada a sustentar a casa. Com o segundo marido, filho de Oxalá, músico erudito, que toca fagote, instrumento que lembra o opaxorô ou cajado de Oxalá, não há necessidade de sustentar a casa. As economias de Flor, entretanto, garantem a casa própria, quando casada com Teodoro.

Em alguns candomblés, atribui-se a Oxum o matronato sobre a cozinha, Dona Flor é filha de Oxum. Assim como nos tabuleiros de Acarajé e nos candomblés, o sentido de cozinha no romance não é associado à subserviência, mas à autoridade conferida àquela que tem o poder de manipular os temperos e conquistar outro. No candomblé, a energia de quem cozinha pode determinar parte da energia do Axé. Em “Dona Flor” a sua comida conquista diversos segmentos sociais. As camadas mais abastadas da sociedade a convidam para as festas. Sobre isso, Manuel Querino fala do costume de chamar o cozinheiro ou cozinheira à sala para receber os agradecimentos e os “vivas”. No caso de Dona Flor, não era um chamamento provisório à sala. Ela fazia parte das festas, tendo como suas alunas na escola de culinária “Sabor e Arte” moças ricas. O nome da escola, por sugestão de Vadinho, filho de Exu, pode ser lido “saborearte”.

Flor conhecia a cozinha afro-baiana e a comida europeia da Bahia. Jorge Amado deixa clara a convivência em complementaridade das duas cozinhas. Através do personagem Mirandão, afirma que entre as comidas, a de dendê é a nossa principal identidade.

Em um caruru de Ibejis na casa de um Major, que por graça alcançada, referente à saúde da esposa, cumpria a promessa anualmente, a importância do azeite é revelada. No evento, além do caruru, para contemplar outros gostos, havia outras comidas que não as de dendê. Mirandão, filho de Xangô, em uma cena memorável e aparentemente despretensiosa, de boca cheia, diz que brutos são aqueles que não gostam de azeite de dendê.

Há uma inversão dos valores propagados pela parcela racista da sociedade, pois a comida de maior valor passa a ser a comida negra. Brincando, Jorge Amado diz o que pensa e demonstra seu compromisso com a cultura negra. Afinal, azeite de dendê não é óleo de maquina.

 Gildeci de Oliveira Leite, mestre em Letras e professor de literatura baiana na Uneb 


Assista ao primeiro desafio do mundo sobre cozinha baiana

postado por Cleidiana Ramos @ 10:34 AM
20 de novembro de 2015

 

Os estudantes de gastronomia Cláudia Santos, Iago Luz e Luciane Dias aceitaram um desafio e tanto: criar uma refeição – prato, sobremesa e bebida– para uma plateia de paladar exigente: os chefs Alício Charoth, Angélica Moreira, Beto Pimentel e Matheus Almeida. Os resultados são surpreendentes.


Especial aborda as delícias e tempero cultural da cozinha baiana

postado por Cleidiana Ramos @ 2:18 PM
19 de novembro de 2015
Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE

Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE

A edição nº 13 do especial em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra circula amanhã, sexta, dia 20,  em meio a muitas novidades.

Além da variação de linguagens narrativas na versão impressa – experimentação literária; textos bem próximos da oralidade; certo tempero poético, fotonovela e infografias – um material multimídia vai tornar o especial, que navega pelo universo da comida, ainda mais saboroso.

Uma das nossas experimentações foi  produzir uma versão inspirada nos já famosos games gastronômicos que invadiram a TV. Mas em nossa produção o que importa não é a competição, mas a transmissão de valores como solidariedade, memórias afetivas, capacidade de ouvir e ousadia para criar.

O vídeo foi produzido por meio de uma parceria com o Instituto Mídia Étnica (IME), organização voltada para a formação de comunicadores negros que está festejando dez anos, no próximo sábado. Saiba mais sobre o IME clicando aqui.

Elenco  

Toparam o desafio de preparar uma refeição – prato principal, bebida e uma sobremesa – os estudantes de gastronomia, Cláudia Santos, 42 anos, 9º semestre, Ufba; Luciane Dias , 37 anos, 3º semestre, Faculdade Batista Brasileira e Iago Luz, 21 anos ( 6º semestre, Ufba).

Claudia Santos, Luciane Dias e Iago Luz. Foto: Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE

Claudia Santos, Luciane Dias e Iago Luz. Foto: Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE

Os pratos passaram pelo crivo de uma equipe de peso: os chefs Alício Charoth; Angélica Moreira, Beto Pimentel e Matheus Almeida.

Os chefs Beto Pimentel, Angélica Moreira, Matheus Almeida e Alício Charoth. Foto: Marco Aurélio Martins

Os chefs Beto Pimentel, Angélica Moreira, Matheus Almeida e Alício Charoth. Foto: Marco Aurélio Martins

Em um primeiro momento, os estudantes apresentaram suas ideias e receberam orientações.

O momento em que ouviam as sugestões dos mestres. Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE

O momento em que ouviam as sugestões dos mestres. Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE

Depois foram para a cozinha meter a mão nos mais variados ingredientes para preparar suas surpresas. Os detalhes e desfecho dessa história vocês conferem no vídeo intitulado  Vamo Ngudiá. Veja um aperitivo :

A escolha do nome

A frase é uma brincadeira unindo o nosso português falado dia-a-dia e a a palavra que convida a comer na língua kimbundu, que é um dos muitos elementos culturais que herdamos dos povos angolanos.

É por conta da sua forte influência que usamos palavras como samba, moleque e nem nos damos conta.

Para escolher essa palavra consultamos Taata Lubitu Konmannanjy,  especialista em língua banto  que é o nome do grupo linguístico que o kimbundu integra. Taata Konmannanjy é  presidente da Associação Nacional Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu).

Sediada em Salvador, a Acbantu reúne terreiros de candomblé de nação angola, grupos de congada, quilombos e outras associações com essas características, espalhadas pelo Brasil.

Quer saber mais sobre a Acbantu? É só clicar aqui

Roteiro

Portanto, amanhã, confira o especial encartado no jornal A TARDE e a sua extensão em conteúdos digitais no Portal A TARDE

Aqui no Mundo Afro o espaço será para produções extras  como artigos, álbum das fotografias realizadas pelo fotógrafo Marco Aurélio Martins, bastidores da produção do especial  e muito mais. 


Confiram em versão PDF o especial Infância da Resistência

postado por Cleidiana Ramos @ 11:57 AM
3 de dezembro de 2014
Confira especial em versão PDF

Especial está disponibilizado na versão PDF 

Amigas e amigos: demorou um pouquinho, mas agora está aqui disponível, em formato PDF, o especial “Infância da Resistência”, publicado no dia 20 de novembro em A TARDE.

Para os que já viram, essa é a oportunidade de rever. Aos que ainda não viram ou estão longe da Bahia, a chance de conferir a nossa homenagem às crianças e suas lições.


Mais boas notícias sobre o especial Infância da Resistência

postado por Cleidiana Ramos @ 1:57 PM
24 de novembro de 2014

capa do especial 2014 3

Coisa boa é para compartilhar. Portanto, estou agora socializando os parabéns que a equipe de A TARDE responsável pelo especial Infância da Resistência recebeu da Cipó, uma instituição pioneira na Bahia no trabalho de conscientização da mídia sobre os direitos da Infância e Juventude. Receber elogio dessa turma é mais do que especial. Segue a nota:  

A CIPÓ – Comunicação Interativa parabeniza o jornal A Tarde, com destaque para a editora Cleidiana Ramos, pelo caderno publicado neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Essa postura da imprensa, de valorizar com seriedade e respeito uma data que é fruto da luta do movimento social, só ajuda a fortalecer a democracia e deve servir de exemplo para todos os veículos de comunicação.

A opção por abordar o assunto a partir do ponto de vista das crianças éoutro item que merece destaque. As crianças não são “o futuro”, elas vivem no presente e sofrem – ainda mais do que os adultos – as consequências do racismo. São portanto fontes qualificadas para falar sobre o assunto e devem ganhar espaço na imprensa, não como elemento “suavizador” da cobertura, mas como sujeitos de direitos que são.

 


Imagens de um dia especial para a redação de A TARDE

postado por Cleidiana Ramos @ 4:57 PM
20 de novembro de 2014

Hoje a redação ganhou uma grande festa para comemorar a circulação do especial  Infância da Resistência. Teve caruru de sete meninos, com as benção do Doté Amilton Costa, líder do Terreiro Vodun Zo; o som da banda mirim da Escola Olodum, jornalistas e suas fontes confraternizando, autoridades e o melhor: a energia doce e renovadora da criançada. Encerramos de forma muito divertida o que foi resultado de muito trabalho unido ao carinho que criança sempre desperta.  Abaixo algumas das fotos dessa manhã inspiradora:

Meire Oliveira, a professora Jacilene Nascimento, diretora da Escola Parque São Cristóvão e eu, Cleidiana Ramos. Foto: Iracema Chequer | Ag.  A TARDE

Renata Santana, aluna da Escola Parque São Cristóvão;  Meire Oliveira;  professora Jacilene Nascimento, diretora da Escola Parque São Cristóvão e eu, Cleidiana Ramos. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Equipe que realizou o especial fazendo pose com os integrantes da banda mirim da Escola  Olodum. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Equipe que realizou o especial fazendo pose com os integrantes da banda mirim da Escola Olodum. Foto: Mariana Carneiro | Ag. A TARDE

 

Mesa do caruru de sete meninos na Redação. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Mesa do caruru de sete meninos na Redação. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

 

 

 


Conheça os bastidores do especial Infância da Resistência

postado por meire.oliveira @ 10:33 PM
19 de novembro de 2014

Meire Oliveira

Neste ano resolvemos contar para vocês os bastidores da produção dos especiais da Consciência Negra de A Tarde. O resultado do trabalho que vocês vão conhecer, amanhã, tem a participação de muita gente mesmo antes dele começar a ser, de fato, feito. Todos começam do mesmo jeito, embora o processo de desenvolvimento seja diferente, pois depende do assunto que a gente escolhe trabalhar.

No caso do Infância de Resistência, a elaboração teve início no dia 29 de outubro. Fizemos uma reunião aqui na sede de A TARDE reunindo a equipe do jornal que faz o caderno– repórteres, fotógrafos e estudiosos sobre o tema abordado: o antropólogo Cláudio Pereira; o líder do terreiro Mokambo, tata Anselmo; o jornalista Hugo Mansur e o historiador Jaime Sodré.

Na reunião que ocorre antes de começar o caderno, estudiosos do tema ajudam a formular as pautas

Na reunião que ocorre antes de começar o caderno, estudiosos do tema ajudam a formular as pautas/ Foto: Luciano da Matta

Nessa conversa definimos as matérias que vocês irão ler amanhã e listamos as fontes que serão entrevistadas. A novidade deste ano, que surgiu durante esse encontro, foi a ideia de convidar estudantes das escolas que são referências na implementação da Lei 10.639/03 – que obriga o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira no País– para atuarem como repórteres vivenciando a nossa rotina e escrevendo matérias.

Na semana seguinte, nove estudantes das escolas Mãe Hilda, Parque São Cristóvão e Eugênia Anna dos Santos passaram uma tarde com a gente de muita diversão em uma oficina com a equipe de Projetos Sociais de A TARDE; ouviram contos africanos com a historiadora Vanda Machado e souberam mais sobre a vida da pedagoga Olívia Santana que, em 2005, liderou a implementação da Lei em Salvador como secretária municipal da Educação. Após a conversa, Olívia foi entrevistada em uma coletiva e fotografada pelos novos repórteres.

Durante a oficina, os alunos ouviram contos africanos com a historiadora Vanda Machado

Durante a oficina, os alunos ouviram contos africanos com a historiadora Vanda Machado/ Foto: Joa Souza

 

Após uma seleção, foi a vez de Renata,14 anos, Camilly, 12 anos, Leonara, 9 anos, e Gisele,10 anos, acompanhadas por suas professoras nas escolas, serem ‘contratadas’ para atuar como repórteres dentro da redação .Elas conheceram todo o processo de produção do jornal. Chegaram tímidas, mas com o tempo foram mostrando talentos no desenvolvimento de várias atividades ao longo de três dias.

Durante três dias as novas repórteres vivenciaram a rotina da redação

Durante três dias as novas repórteres vivenciaram a rotina da redação/ Foto: Iracema Chequer

As meninas tiveram acesso ao sistema de computador que todos os jornalistas escrevem, elaboraram textos e títulos, escolheram as fotos que seriam utilizadas nas matérias e acompanharam a montagem da página. Nessa fase já estavam familiarizadas e opinaram em tudo, por exemplo, como queriam a foto e a cor do título do texto.

Essa experiência  foi o diferencial do caderno deste ano. Dividir a tarefa de falar do universo infantil contando com a colaboração de quem mais entende do assunto foi essencial pra gente. Meninas, vocês brilharam!


Especial de A TARDE do 20 de novembro celebra a infância

postado por Cleidiana Ramos @ 5:30 PM
19 de novembro de 2014
Especial de A TARDE, que circula amanhã,  é todo dedicado à garotada. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Especial de A TARDE, que circula amanhã, é todo dedicado à garotada. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Depois de meses de ausência, eis que o Mundo Afro volta renovado. Tá de cara de nova e abre os trabalhos com uma notícia mais que positiva: amanhã, quinta-feira, o jornal A TARDE circula com a 12ª edição do especiais que comemoram o Dia Nacional da Consciência Negra. E o tema é mais do que especial: a infância.

A nossa ideia foi discutir em 16 páginas como as consequências do sistema de escravidão ainda atrapalham o Brasil e tem no racismo sua face mais cruel. Infelizmente, as crianças não são poupadas.

Mas ao mesmo tempo temos uma geração de meninas e meninos que  já colocam em prática uma história de resistência que começou no passado, mas se renova sempre. Esses já tem mais amparo devido à luta dos movimentos negros organizados que possuem conquistas como a Lei 10.639/2003 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.

Salvador foi a primeira capital do país a operacionalizar a aplicação dessa lei e não à toa tem instituições- referência nesse sentido, como as escolas municipais Eugênnia Anna dos Santos, Mãe Hilda e Parque São Cristóvão. A lei ajuda, principalmente, a fazer com que meninas e meninos tenham consciência de como o povo negro foi fundamental para a formação do Brasil como nação.

E como criança tem uma sabedoria imensa fomos buscar a participação delas. Fizemos uma oficina e recebemos Camilly e Gisele, alunas da Eugênia Anna dos Santos; Leonara e Renata,  da Escola Parque São Cristóvão.

As meninas participaram de uma oficina no jornal para saber como ele é feito e a partir daí escreveram seus próprios textos e ajudaram na montagem da página que foi completada com o depoimento de crianças de Moçambique, EUA e França.

Aqui no Mundo Afro vocês vão encontrar material que dialoga com o caderno. O destaque é para as histórias de personalidades importantes para o combate ao racismo no Brasil.

Pedimos que cinco especialistas escrevessem sobre a infância de Abdias Nacimento; Carolina de Jesus; Gaiaku Luiza; Jônatas Conceição e Zumbi. A nossa senha foi que eles deixassem a imaginação voar assim como a das crianças.

O resultado ficou lindo. Os textos são da educadora e especialista em linguagens Lindinalva Barbosa (Abdias); do poeta e escritor Landê Onawalê (Carolina de Jesus); do poeta, jornalista e antropólogo Marlon Marcos (Gaiaku Luiza); da pedagoga Maria Luisa Passos (Jônatas Conceição) e do babalorixá e antropólogo Vilson Caetano (Zumbi).

Além disso é aqui que a gente vai revelar resultado dos passatempos que estão no especial e muito muito mais.

Ficamos de fora tanto tempo que amanhã teremos muitos posts para deixar vocês atualizados não só sobre o especial, mas também sobre o que vai acontecer durante o dia até aqui na redação. Tanto que estaremos contando com a colaboração da jornalista Meire Oliveira.


Força Tinga!

postado por Cleidiana Ramos @ 7:06 PM
13 de fevereiro de 2014
Tinga é mais uma vítima do racismo no mundo do futebol. Episódio ocorreu no jogo de ontem, no Peru, entre Cruzeiro e Real Garcilazo Foto: Karel Navarro

Tinga é mais uma vítima do racismo no mundo do futebol. Episódio ocorreu no jogo de ontem, no Peru, entre Cruzeiro e Real Garcilazo Foto: Karel Navarro

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

O país está indignado, a CBF mudou as cores da sua logomarca para preto e branco, mas o episódio Tinga vem lembrar mais uma vez que o mundo do futebol precisar parar de fazer de conta que o racismo não existe. Só para lembrar: não foi à toa que tratamos desse tema no nosso especial do 20 de novembro de 2013.


Caderno da Consciência Negra disponibilizado

postado por Cleidiana Ramos @ 3:29 PM
20 de novembro de 2013

 

Especial debate persistência do racismo no mundo do futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

Especial debate persistência do racismo no mundo do futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

O nosso especial deste ano discutiu um tema bem pertinente, principalmente, quando o Brasil prepara-se para sediar a Copa do Mundo de Futebol: o racismo que ainda teima em reinar nos campos e também fora deles. Cliquem aqui para conferir

 

 

 

 


Especial aborda relações raciais no futebol

postado por Cleidiana Ramos @ 12:34 PM
18 de novembro de 2013
Caderno especial discute o racismo no futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

Caderno especial discute o racismo no futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

Da Redação

Em 1947, o jornalista Mário Filho lançou O negro no futebol brasileiro. O livro abordou, de forma pioneira, as  relações raciais no esporte mais popular do país . O caderno  de A TARDE,  comemorativo  ao Dia Nacional da Conceição Negra,  que vai circular na próxima quarta-feira, segue os passos de Mário Filho.
A  inserção dos primeiros negros nos times de futebol e a dificuldade para assumir postos de comando são alguns dos temas abordados.
O caderno será a 11ª edição dos especiais. O do ano passado intitulado Os homens que chamam os deuses pra terra, recebeu, na última segunda-feira, o Prêmio Abdias Nascimento, na categoria mídia impressa.
Criatividade
Para Jaime Sodré,  historiador, professor e religioso do candomblé, os especiais da  Consciência Negra de A TARDE estão consolidados por  trazerem, em linguagem acessível, mas  de forma aprofundada, aspectos importantes da história e cultura do povo negro.
“É muito interessante observar como esses especiais resgatam elementos da história, mas de uma forma completamente contemporânea”, afirma.
Outro acerto dos especiais, na avaliação de Sodré, é o cuidado com a qualidade gráfica e a publicação das dicas pedagógicas que são formuladas pela professora Josiane Clímaco desde 2008.
A ideia das dicas pedagógicas é fornecer conteúdo de auxílio aos professores para aplicação da Lei 10.639/2003 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.
Consultor dos dois primeiros especiais (Qual a sua cor? A vida em um mundo racista, 2003,  e África, Povo do Sol, 2004,  o antropólogo Roberto Albergaria aponta três conceitos que, em sua análise, sustentam os cadernos: coragem, criatividade e ousadia.
“Desde o primeiro número é visível a ousadia de tratar  de forma sistemática as relações raciais e racismo, temas que sempre foram abordados  com um certo melindre na Bahia”, aponta Albergaria.
De acordo com ele, isso é feito com criatividade. “É outro ponto interessante conseguir colocar uma discussão cercada de complexidade no formato jornalístico”.
A  ousadia de inaugurar um modelo que sempre segue temas para o antropólogo é outro acerto. “Dessa forma  temos uma possibilidade de explorar várias facetas das questões vinculadas às relações raciais”, diz.
O antropólogo também aponta que A TARDE criou um modelo próprio e  único em todo o país. “Não há outro tipo de iniciativa que dedique o espaço de um caderno inteiro para falar deste temas”, completa o antropólogo.
Novidade
O primeiro especial foi publicado em 2003. A partir de uma pauta sobre a persistência do racismo em Salvador, o caderno intitulado Qual a sua cor ? A vida em um mundo racista mostrou a complexidade das relações raciais na Bahia.
O especial foi finalista do Prêmio Imprensa Embratel. Em 2004 foi a vez de.  África Povo do Sol . A formação de uma classe média negra foi abordada em Gente de Raça (2005).
A herança das religiões africanas e a sua luta contra o preconceito inspirou Sou de Santo e Raça (2006). A organização política foi abordada em Lutas de Ontem e de Sempre (2007).
A variedade de linguagens artísticas  sustentou  Arte da Resistência (2008). Negócios inspirados na cultura afro-brasileira compuseram Produtores de Owó(2009).
Este especial venceu o Prêmio Banco do Nordeste, nas categorias Mídia Impressa Regional I e Nacional. A capoeira foi o tema de 2010 com Ê, Camará.
Em 2011 foi a vez de abordar como o dendê inspira aspectos da vida sócio-cultural baiana com o caderno intitulado Epo Pupa,  finalista do Prêmio Abdias Nascimento em 2012. A saga dos sacerdotes músicos das religiões afro-brasileiras, premiado na última segunda-feira, foi o tema do ano passado.


Festa da década em vídeo

postado por Cleidiana Ramos @ 10:30 PM
20 de novembro de 2012

Curtam o vídeo da festa realizada na redação de A TARDE para comemorar os dez anos dos cadernos especiais do Dia Nacional da Consciência Negra. É só clicar no link abaixo

http://atv.atarde.uol.com.br/video.jsf?v=9860

 

 


Os homens que chamam os deuses pra terra

postado por Cleidiana Ramos @ 7:59 PM
20 de novembro de 2012

Especial celebra a missão dos sacerdotes músicos. Foto: Margarida Neide

Desculpem a longa ausência, mas é que, dentre vários motivos, estava envolvida com a preparação do especial do Dia Nacional da Consciência Negra. A boa notícia é que o conteúdo completo acaba de ser disponibilizado. O caderno intitulado  “Os homens que chamam os deuses pra terra” fez uma homenagem aos sacerdotes músicos do Candomblé: alabês, da tradição ketu; huntós da jeje e xicarangomas, da angola.

Além disso, esse foi um número muito especial: o de número 10 da nossa produção aqui em A TARDE.  Confiram, então, o especial no link abaixo:

http://fw.atarde.uol.com.br/2012/11/1292600.pdf


Dendê para festejar Novembro Negro e Afro XXI

postado por Cleidiana Ramos @ 5:23 PM
18 de novembro de 2011

Especial viajou pelo mundo do dendê. Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE

Pessoal: primeiro o meu pedido de desculpas por ter andado ausente, mas foi por um bom motivo. Eu estava às voltas com a produção do especial Epo Pupa- a marca do dendê, o nosso nono caderno em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra. Foram dias de muito esforço, trabalho em excesso, mas para um resultado gratificante.

Além de belas reportagens,imagens e infográficos, o especial teve a sua circulação antecipada para hoje por conta da condição de Salvador como sede do Afro XXI (Encontro Iberoamericano do Ano Internacional dos Afrodescendentes).

Outra novidade foi que o nosso especial saiu em inlgês. As dicas pedagógicas, elaboradas pela especialista em Educação, Josiane Clímaco, também foram mantidas. Vejam tudinho clicando aqui.


Festa para a Consciência Negra

postado por Cleidiana Ramos @ 9:28 AM
17 de novembro de 2010

EEPI realiza atividade amanhã em comemoração à Semana da Consciência Negra. Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE

Amanhã, em comemoração à Semana da Consciência Negra, a Escola de Educação Percussiva Integral (EEPI), coordenada pelo músico Wilson Café,  realiza, a partir das 15 horas, o Desfile da Beleza Negra.

O desfile acontece há sete anos e tem o objetivo de valorizar a estética afro. Serão escolhidos o menino e a menina que apesentarem a melhor perfomance.   

Além do desfile, acontecerá uma peça teatral, números de música e dança afro, roda de capoeira e leitura de poemas, dentre outras atividades.

A EEPI fica no Conjunto Maestro Wanderley, na Estrada das Barreiras, Cabula.


Produtores de Owó ganha prêmio nacional

postado por Cleidiana Ramos @ 12:28 AM
15 de junho de 2010

Caros amigos do Mundo Afro: o caderno especial Produtores de Owó foi ainda mais longe e ganhou o Prêmio Nacional de Mídia Impressa do BNB, edição 2009.  Dividimos o primeiro lugar com a equipe do jornal O Povo.

 Já tínhamos ganhado também a categoria regional I.

Ainda estou em Fortaleza onde aconteceu a cerimônia de premiação e na quarta-feira conto para vocês todos os detalhes desta conquista que é de toda a comunidade negra baiana. 


Produtores de Owó ganha prêmio Banco do Nordeste

postado por Cleidiana Ramos @ 12:14 PM
9 de junho de 2010

Caderno especial ganhou prêmio regional. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Pessoal: hoje é dia de muita festa. O caderno especial Produtores de Owó, publicado no dia 20 de novembro do ano passado é um dos ganhadores da categoria Regional I do Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo. Para nós que batalhamos para mostrar os vários aspectos desta vasta herança negra tão forte na Bahia é um reconhecimento e tanto. Para conferir o especial, cliquem aqui, que agora já corrigi  o erro da postagem anterior.


Consciência Negra 2009: Conversa sobre empreendedorismo

postado por Cleidiana Ramos @ 6:30 PM
30 de novembro de 2009
Mário Nelson Carvalho durante a entrevista em um dos estúdios de A TARDE FM. Foto: : João Alvarez |AG. A TARDE

Mário Nelson Carvalho durante a entrevista em um dos estúdios de A TARDE FM. Foto: : João Alvarez |AG. A TARDE

Estou postando agora o último áudio do conteúdo integrado do especial Produtores de Owó. É uma entrevista feita por Meire Oliveira com o empresário Mário Nelson Carvalho.

Mário Nelson é diretor de relações institucionais da Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (Anceabra) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (Cedes).  

A conversa girou em torno da importância do empreendedorismo, as dificuldades para montar este tipo de negócio e mantê-lo, dentre outros assuntos. Para ouvir  a primeira parte clique aqui.   Já para conferir a segunda clique aqui.

 


Consciência Negra 2009: A luta das mulheres

postado por Cleidiana Ramos @ 4:30 PM
27 de novembro de 2009

Estou postando aí abaixo um artigo da doutora em antropologia Cecília C. Moreira Soares sobre o empreendedorismo das mulheres negras. A professora Cecília tem um belíssimo livro sobre o tema intitulado Mulher Negra na Bahia no Século XIX.

O livro mostra a trajetória das mulheres negras no contexto da escravidão e as suas estratégias para conseguir a liberdade e o seu sustento. Eram comerciantes, principalmente, de gêneros alimentícios.

O texto da professora Cecília é mais um complemento do especial Produtores de Owó e pode ser usado como apoio didático para aplicação da Lei 10.639/03.


Consciência Negra 2009: Trabalho e Sociabilidade

postado por Cleidiana Ramos @ 4:27 PM
27 de novembro de 2009
Cecília C. Moreira Soares

Cecília C. Moreira Soares fala sobre o empreendedorismo de mulheres negras em Salvador. Foto: João Alvarez | AG. A TARDE

Cecília C. Moreira Soares

A escravidão estabeleceu diversas formas de exploração do africano na condição de escravo. Muitas dessas pessoas eram mulheres, que independente da condição de gênero foram exploradas e obrigadas a criarem estratégias de sobrevivência nas ruas de Salvador, cujas práticas são ainda observadas no cotidiano da cidade, principalmente para a maioria pobre e inserida no trabalho informal.

As ruas da cidade eram ocupadas por negras escravas e libertas que comercializavam diversos produtos de primeira necessidade.

Já as mulheres libertas experimentavam uma situação no ganho diferente das escravas, pois no seu trabalho não interferiam os senhores e os produtos da venda lhes pertenciam totalmente. As libertas comercializavam produtos como hortaliças, verduras, peixes, frutas, comida pronta, fazendas e louças. Haviam certas posições nesse pequeno comércio cuja margem de lucro era bastante generosa, a exemplo das negras peixeiras.

Além de circularem com tabuleiros, gamelas e cestas habilmente equilibradas sobre as cabeças, as ganhadeiras ocupavam ruas e praças da cidade destinadas ao mercado público e feiras livres, onde vendiam de quase tudo. Em 1831, foram destinadas ao comércio varejista com tabuleiros fixos as seguintes áreas urbanas: o campo lateral da igreja da Soledade, o campo de Santo Antonio em frente à Fortaleza, o largo da Saúde em frente à roça do Padre Sá, o campo da Pólvora, O largo da Vitória, o largo do Pelourinho, o Caminho novo de São Francisco, a praça das Portas de São Bento, largo de São Bento, largo do Cabeça, a praça do Comércio, o Caes Dourado. Para peixe e fatos de gado e porco foram unicamente destinados o campo em frente aos currais, no Rosarinho, ou Quinze Mistérios, a praça de Guadalupe, a praça de São Bento, o largo de São Raimundo e a rua das Pedreiras, em frente aos Arcos de Santa Bárbara.

É esse o cenário que se repete nos dias atuais onde encontramos mulheres negras inseridas no pequeno comércio, em pontos fixos ou ambulantes, disputando as duras penas, um lugar digno e capaz de prover o sustento. São muitos os doutores, economistas, administradores, comerciantes, descendentes de famílias de quitandeiras, quituteiras e vendedoras, que conseguiram criar condições para que seus filhos superassem os estigmas da escravidão e de uma sociedade que resiste à inclusão de negros e negras, em lugares historicamente ocupados por não-negros.

Cecília C. Moreira Soares é doutora em antropologia


Consciência Negra 2009: Reflexões sobre História e Educação

postado por Cleidiana Ramos @ 3:34 PM
24 de novembro de 2009
Josiane Clímaco e Ubiratan Castro durante entrevista nos estúdios de A TARDE FM. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Josiane Clímaco e Ubiratan Castro durante entrevista nos estúdios de A TARDE FM. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Mais um áudio muito bom. Eu e Meire Oliveira conduzimos o bate-papo com o doutor em História e presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, e a especialista em planejamento educacional, Josiane Clímaco.

A conversa girou sobre história da escravidão, a especialidade do professor Ubiratan, e os acertos e desafios para aplicação da Lei 10.639/03, tema dominado pela professora Josiane.

Aproveitem. É mais um conteúdo integrado do nosso especial Produtores de Owó.  Cliquem aqui para confeirir a primeira parte da entrevista.  Para conferir o complemento, cliquem aqui.  


Consciência Negra 2009: Boxe sob um novo aspecto

postado por Cleidiana Ramos @ 1:06 PM
24 de novembro de 2009

Tem um texto muito legal escrito por Hamilton Borges Walê aí abaixo que analisa o boxe sob um ponto diferente do que a gente está acostumado a ver.

É também um chamado para o torneio da modalidade esportiva que acontece no dia 27, ás 16 horas, na Praça Municipal.


Afro Imagem: Marcha do povo-de-santo

postado por Cleidiana Ramos @ 1:07 PM
23 de novembro de 2009

Marcha-do-Povo-de-santo

No último domingo aconteceu a realização da 1ª Caminhada Nacional pela Vida e pela Liberdade Religiosa. A marcha que reúne representantes das religiões de matrizes africanas ocorre em Salvador há cinco anos e agora tornou-se nacional. O registro foi feito por Margarida Neide da Agência A TARDE.


Consciência Negra 2009: Especial na íntegra

postado por Cleidiana Ramos @ 8:09 AM
23 de novembro de 2009
Caderno Especial Produtores de Owó traz dicas para aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Caderno Especial Produtores de Owó traz dicas para aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Para quem perdeu o caderno especial Produtores de Owó,que circulou no jornal A TARDE na última sexta-feira em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra e, especialmente, para quem está fora da Bahia aqui está a chance de conferi-lo na íntegra.

O Grupo A TARDE está disponibilizando todo o conteúdo.  Boa leitura e façam suas críticas e sugestões:


Consciência Negra 2009: Irmandades negras e poder político

postado por Cleidiana Ramos @ 8:07 AM
23 de novembro de 2009
Renato da Silveira destaca o importante papel político das irmandes negras. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Renato da Silveira destaca o importante papel político das irmandes negras. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Renato da Silveira

O advento da irmandade negra brasileira tem sido interpretado por muitos estudiosos  influentes como instrumento de conservação da ordem escravista, mero recurso de enquadramento da massa escrava pela política estatal e eclesiástica. Na década de 1940 pesquisadores prestigiosos criaram e nas décadas seguintes outros tantos caucionaram a versão ainda predominante: as irmandades afro-brasileiras teriam assumido um caráter étnico porque assim foram organizadas pela Igreja para facilitar a catequese e pelo Governo para aplicar uma máxima maquiavélica: dividir para reinar.

Os colonialistas portugueses teriam sido, além do mais, beneficiados pela ingenuidade política dos africanos escravizados, entretendo-os com solenidades pomposas e cargos fictícios em associações lançadas em competição umas contra as outras, impedindo a possibilidade de sua união contra a ordem escravista e assegurando a dominação da população branca minoritária: esta é a paupérrima interpretação oficial de uma riquíssima parte da nossa história.
Ora, tais irmandades eram integradas pelos “leigos”, pelos civis, diríamos hoje. Brancos, negros e mestiços, nobres e plebeus, todos tinham suas irmandades particulares; ao todo, no início do século XIX a cidade da Bahia contava com uma centena de irmandades, sendo trinta e seis integradas exclusivamente por negros, africanos e crioulos, escravos e libertos.

Ou seja, a quase totalidade da população urbana colonial pertencia a uma irmandade, verdadeira instituição do Antigo Regime, com numerosas funções sociais importantes. Considerada contudo como “instrumento”, a irmandade vê depreciado o seu caráter institucional, sua natureza complexa, seu papel de fundamento social durante séculos, em todas as sociedades cristãs, propondo-se em seu lugar um conceito de instituição como ferramenta, algo monolítico e estático que poderia ser manipulado pelos poderosos ao bel-prazer.

Entretanto, nas três últimas décadas uma reação vem sendo esboçada contra tal caricatura, bons pesquisadores de diversas origens têm trazido fartas contribuições para o conhecimento da sociedade escravista brasileira em todos os seus níveis. Assim, teorias mais avançadas reconhecem que, ao entrar em uma irmandade, o africano estava integrando-se a uma organização oficial talhada para a plebe negra discriminada, participando sem dúvida de modo subalterno da vida política da colônia, porém enquanto sujeito ativo, podendo tornar-se dirigente de uma organização capaz de tomar iniciativas imprevisíveis, deixando portanto essa sua participação de ser interpretada como prova incontestável de apatia e subserviência.

Movimentação Cívica

Sabemos hoje que a famosa “divisão” por etnias foi na verdade muito mais complexa do que tal interpretação artificiosa pretende. Em meados do século XIX a Irmandade do Rosário dos Pretos das Portas do Carmo (hoje Pelourinho), considerada angolana, tinha integrados ao seu quadro social membros provenientes de pelo menos oito grupos étnicos africanos; na Irmandade do Rosário de João Pereira os benguelas do sul de Angola, no ato de fundação, instituíram uma divisão do poder com os jejes da África Ocidental, que nem sequer eram seus vizinhos em território africano; já a Irmandade do Senhor Bom Jesus das Necessidades e Redenção da paróquia da Praia (Cidade Baixa), fundada pelos jejes e oficializada em 1752, tornou-se posteriormente uma aliança entre os fundadores e os luandas da África Central, pluralizando-se em seguida, inclusive com a divisão do poder entre todos os participantes, brancos e negros, africanos e crioulos, para voltar a ser exclusivamente controlada pelos jejes em meados do século XIX.

Ou seja, a documentação revela uma movimentação cívica muito intensa da parte dos africanos, alianças entre grupos étnicos que só aqui travaram conhecimento, revela reservas de poder intituídas por grupos fundadores segundo critérios próprios, muito distantes portanto da divisão étnica obrigatória da versão oficial, imposta de cima para baixo. Porém, mesmo com a versão oficial cada vez mais desacreditada, alguns desencontros ainda podem ser flagrados nas teorias recentemente surgidas.

Por um lado temos a fragmentação das disciplinas científicas e os recortes promovidos pelos programas de pós-graduação, que separam arbitrariamente o que, no movimento da realidade, está indissoluvelmente ligado, empurrando para campos de estudo diferentes aquilo que na vida social é complementar. Por exemplo, importantes pesquisas recentes sobre o sistema imperial português têm priorizado o que a filosofia política clássica chama de “esfera da política”, ou seja, o Estado, o governo, os partidos políticos e as instituições da administração pública; e a Igreja, com toda uma gama de funções político-jurídico-administrativas imprescindíveis naquele contexto.Por essa pista grandes avanços foram realizados: hoje sabemos com detalhes do funcionamento, dos limites e das múltiplas contradições internas das organizações centrais do Estado….

Mas nesse campo de estudos nenhuma atenção tem sido dada à relação dessas instâncias com as organizações segmentadas da população, particularmente com as “nações” africanas e as irmandades negras, que são algumas das bases políticas da sociedade escravista. Quando se sabe que, para alguém tentar uma carreira política, tinha de dar prova de competência como juiz de alguma irmandade, é um pedaço significativo do sistema político que é negligenciado.

Por outro lado o estudo das irmandades desenvolvido sob a etiqueta da cultura, com ênfase na festa africana no Brasil colonial, bem como a antropologia das religiões afro-brasileiras, salvo honorabilíssimas exceções, pouca ou nenhuma atenção têm dado à irmandade leiga enquanto aspecto fundamental da estrutura política do Império Português, precursora da organização burocrática moderna, antecipadora do que chamaríamos hoje de sociedade civil, lugar privilegiado para a formação de lideranças plebéias e legitimação das instâncias básicas de exercício dos poderes.

Na sua longa trajetória através da história da Europa a irmandade de leigos, sempre mantendo a forma de culto sagrado, preencheu diversas funções sociais importantes, funerárias e assistenciais, sindicais e recreativas, econômicas e financeiras, funções mantidas nas sociedades coloniais fundadas no Novo Mundo.

A importância de tal instituição vinha sem dúvida do seu caráter plurifuncional, sem o apoio que fornecia às necessidades básicas das massas urbanas, naquela época a vida em sociedade seria simplesmente inviável. Mas se ela foi, durante séculos, uma das principais organizações de reprodução da sociedade oficial, podendo por isso ser considerada uma instituição conservadora, por outro lado envolveu-se historicamente em vários tipos de conflito político, ficando cada vez mais claro que estamos tratando não só de um modo de enquadramento da base social antiga, mas também de uma retaguarda orgânica do movimento social, base operacional onde eram geradas lideranças alternativas, reivindicados direitos, reprocessada a cultura diaspórica africana, mantida uma ativa vida semiclandestina, e portanto uma organização potencialmente de contestação da ordem estabelecida.

Dessa maneira observada a irmandade negra ajuda a compor um quadro mais dinâmico e interessante do nosso passado, desmistificando, de quebra, outro estereótipo depreciativo ao enfatizar a trajetória de lutas do povo brasileiro.

Renato da Silveira é doutor em antropologia e professor da Ufba.


Consciência Negra 2009: Moda afro na área

postado por Cleidiana Ramos @ 11:23 PM
20 de novembro de 2009
A partir da esquerda, no sentido horário: Madá Preta, Saraí Reis, Meire Oliveira e Jaime Sodré. Foto: João Alvarez|AG. A TARDE

A partir da esquerda, no sentido horário: Madá Preta, Saraí Reis, Meire Oliveira e Jaime Sodré. Foto: João Alvarez|AG. A TARDE

Tem mais conteúdo integrado sobre o caderno especial Produtores de Owó, produzido pelo jornal A TARDE em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Neste áudio o bate-papo é sobre moda com a participação das estilistas Madá Preta, Saraí Reis e do professor Jaime Sodré.

Para os que conhecem apenas a faceta de Jaime como historiador é a oportunidade de ouvi-lo falando sobre uma das suas formações: design. Neste campo, claro, ele também dá show. É só clicar aqui para ouvir a primeira parte da entrevista e aqui para escutar a segunda. 


Consciência Negra 2009: A experiência de Juliana em A TARDE

postado por Cleidiana Ramos @ 11:37 AM
20 de novembro de 2009

 

Juliana Dias realizou reportagens para o especial Produtores de Owó que circula hoje em A TARDE. Foto: Haroldo Abrantes

Juliana Dias realizou reportagens para o especial Produtores de Owó que circula hoje em A TARDE. Foto: Haroldo Abrantes

No primeiro dia em que estive na redação do jornal A TARDE tive a confirmação sobre minha vocação: ser repórter de jornal impresso. A notícia de que fui selecionada para a participar da produção do Caderno Especial da Consciência Negra (Produtores de Owó), representando o Instituto Mídia Étnica (IME), me deixou muito feliz, seja pelo fato de que seria o momento em que eu colocaria em prática o que aprendi na faculdade dentro do veículo de maior circulação na Bahia ou pelo fato de puder divulgar as informações que recebi na militância negra.

Esse momento dentro do jornal foi muito gratificante para mim, na condição de mulher negra e jovem. Foi deslumbrante para mim participar desse projeto e acessar um espaço de grande disputa entre os estudantes, sobretudo por atuar no Caderno Especial da Consciência Negra, uma experiência exitosa que tem sido exemplo para jornais impressos em todo o país, mostrando a população negra em locais de destaque e não apenas nas páginas policiais.

Na redação aprendi como funciona o processo de produção, edição e fechamento de um caderno. Na apuração das minhas pautas conheci pessoas fantásticas que não apenas me concederam entrevistas, mas torceram pelo meu sucesso e ficaram felizes pela minha vitória.  Espero que essa ação seja repetida nos próximos anos e outras estudantes de jornalismo possam ter a oportunidade de vivenciar essa fantástica experiência.


Consciência Negra 2009: EUA parabeniza o Brasil

postado por Cleidiana Ramos @ 11:23 AM
20 de novembro de 2009
No mês passado Salvador sediou mais uma reunião do acordo entre o Brasil e os EUA para combater a discriminação racial. Na foto o representante do Departamento de Estado americano, Thomas Shannon e o ministro Edson Santos. Foto: Lúcio Távora| AG. A TARDE

No mês passado Salvador sediou mais uma reunião do acordo entre o Brasil e os EUA para combater a discriminação racial. Na foto o representante do Departamento de Estado americano, Thomas Shannon e o ministro Edson Santos. Foto: Lúcio Távora| AG. A TARDE

Brasília, 19 de novembro de 2009 – O Departamento de Estado dos EUA distribuiu hoje a seguinte declaração:

O governo dos Estados Unidos e o povo americano congratulam o povo brasileiro pela comemoração, no dia 20 de novembro, do Dia da Consciência Negra, também conhecido como Dia de Zumbi dos Palmares. A vida de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, e sua luta sem trégua contra a escravidão constituem um símbolo eterno de liberdade e justiça.

Hoje, tanto o Brasil quanto os Estados Unidos reconhecem as importantes contribuições de afro-descendentes em nossas sociedades e o imperativo de combater a discriminação, que impactou de modo negativo os dois países.

No mês passado, nossos governos, em parceria com a sociedade civil e nossos setores privados, reuniram-se pela primeira vez em Salvador da Bahia no histórico Plano de Ação Brasil-EUA para Promoção da Igualdade Étnica e Racial.

Celebramos juntos a diversidade de nossa herança e estamos desenvolvendo e compartilhando melhores práticas para garantir oportunidades iguais para afro-descendentes e, na verdade, para todos os cidadãos de nossas nações. Neste importante dia, felicitamos o povo do Brasil e esperamos uma longa e frutífera parceria, pois, juntos, proporcionamos liderança e exemplos de democracia, diversidade e justiça social para o nosso continente e para o mundo.