Casa do Benin é cenário de Vamo Ngudiá

postado por meire.oliveira @ 6:48 PM
20 de novembro de 2015
Casa do Benim recebe exposição sobre culto aos voduns na África e no Brasil. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Casa do Benin foi o cenário do vídeo Vamo Ngudiá. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

 

A Casa do Benin, vinculada à Fundação Gregório de Mattos, foi o cenário do vídeo Vamo Ngudiá, que integra o especial Ajeum- A força da comida, publicada em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra de A TARDE. 

Durante dois dias, os estudantes de gastronomia Luciane Dias, Cláudia Santos e Iago Luz e os chefs Alício Charoth, Matheus Almeida, Angélica Moreira e Beto Pimentel discutiram e realização de pratos criados, exclusivamente, para o especial.

O movimento foi intenso no pátio interno e na cozinha do casarão que foi inaugurado em 1988. A estrutura da cozinha e a estética local contribuíram no resultado do especial que prioriza o legado da herança africana.

“Receber o A Tarde e o Instituto Mídia Ética para este trabalho é uma grande honra para a FGM e Casa do Benin, pois nos dá a oportunidade de comemorar o Dia 20 de Novembro celebrando o alimento e as raízes culturais da nossa cidade”

Atuação

Além de exposições temporárias e oficinas artísticas, a instituição abriga obras da região do Golfo do Benin que, em sua maioria, pertenceram ao etnólogo francês Pierre Verger.

Funcionamento: Segunda a sexta, das 10h às 17h.
Endereço: Rua Padre Agostinho Gomes, 17 – Pelourinho.
Contato: (71) 3202-7890


Conheça as receitas do Vamo Ngudiá

postado por meire.oliveira @ 10:29 AM
20 de novembro de 2015

Conheça, na íntegra, as receitas de todos os pratos e bebidas criados pelos estudantes de gastronomia que participaram do Vamo Ngudiá do especial da consciência Negra de A TARDE.

Cláudia Cristina Santos

GALINHA BAIANA À ZUMBI

Prato principal de Cláudia Santos

Prato principal de Cláudia Santos. Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE

Ingredientes

2 kg de sobrecoxa de galinha sem pele
3 cebolas grandes
8 dentes de alho
5g de pimenta do reino
3 unidades de raiz de cúrcuma inteira( açafrão da terra) ou 01 colher de sopa do em pó
15g de gengibre
150g de amendoim torrado
150g de castanha de caju torrada
350g de camarão seco
Suco de limão (3 unidades)
Polpa de coco verde (1 unidade)
100ml de água de coco verde
1l de água morna
75g de fubá de milho
8 unidade de quiabo
6 unidades de pimenta malagueta vermelha
Sal grosso à gosto
1/3 de maço de coentro
1/3 do maço e cebolinha

Preparo do guisado : temperar os pedaços de galinha com sal grosso, pimenta do reino preta , 4 dentes de alho e parte do gengibre ralado. Marinar por no mínimo uma hora. Processar o amendoim, a castanha de caju, uma parte da cebola e cerca de 70g do camarão seco , suco de 01 limão, a polpa e a água do coco verde. Reservar. Numa panela média, refogar em azeite de oliva, 8 camarões secos inteiros. Adicionar os pedaços de galinha, refogar junto com os camarões até dourar levemente, e adicionar o uma cebola e meia picada. Refogar por mais cerca de 15 minutos. Adicionar a raiz de cúrcuma, ralada na hora, e continuar refogando por mais 5 minutos. Adicionar o restante do gengibre, ralado na hora, refogar por mais cinco minutos e adicionar água quente, o suficiente para cobrir a galinha. Cozinhar por cerca de 25 minutos, sem deixar secar. Com a carne da galinha ainda tenra, adicionar a mistura processada e mexer. Adicionar mais água e cozinhar em fogo médio até a galinha ficar macia . Desligar o fogo e finalizar com um pouco do coentro picado.

Preparo do pirão de milho: retirar uma parte do molho do guisado, cerca de 500mL, e processar num liquidificador. Transferir para uma panela e adicionar, sob agitação, uma pequena parte do fubá de milho. Levar ao fogo e adicionar aos poucos, sem parar de agitar, o restante do fubá de milho até consistência desejada, soltando do fundo da panela.

Preparo do molho Nagô: triturar em pilão ou num processador 200g o camarão seco. Reservar. Cozinhar os quiabos inteiros por 5 minutos e resfriar em água gelada. Reservar. Picar bem (muito bem) as pimentas, a cebola, o alho, o coentro e a cebolinha. Juntar tudo e misturar bem. Adicionar o suco de dois limões e misturar. Cortar os quiabos em fatias diagonais e juntar aos demais ingredientes. Corrigir o sal, se necessário ( os camarões secos já são salgados). Servir em temperatura ambiente. Montar o prato, conforme desejado, decorar com camarão inteiro e servir.

ARROZ DOCE CREMOSO COM FAROFA DE COCO RALADO

O arroz doce que parecia um sorvete

O arroz doce que parecia um sorvete. Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE

Ingredientes

450g de arroz branco
1l de água
10g de sal
1l de leite integral
750ml de leite de coco seco ralado
180g de açúcar
25g de manteiga de garrafa
2 unidades de canela em pau
1 limão
6 gemas de ovo
10g de Canela em pó ( opcional)

Preparo

Cozinhar o arroz em água e sal até quase secar.Processar 2/3 do coco seco ralado com cerca de 500ml de água quente. Passar na peneira ou num pano limpo , recolher e reservar.Ferver o leite integral com a canela e a manteiga.Adicionar o leite fervendo ao arroz cozido, em fogo médio, sem parar de agitar. Adicionar o açúcar e as raspas do limão, agitando sempre.Adicionar o leite de coco seco, sob agitação. Numa tigela, juntar um pouco do arroz quente às gemas de ovos ( temperar) e depois juntar à panela, agitando sem parar.Cozinhar, em fogo brando, por mais cerca de 05 minutos. Esfriar e levar a geladeira.

Preparo da farofa de coco queimado

Numa panela seca, colocar o restante do coco seco ralado.Levar a fogo baixo, mexendo sempre.Quando começar a dourar, adicione cerca de 10g de açúcar e pitada de sal.Mexer até que doure completamente. Conservar em recipiente fechado.Servir o arroz doce cremoso gelado coberto com a farofa de coco queimado.

ALUADA (bebida em referência ao Aluá)

A Aluada que leva abacaxi

A Aluada que leva abacaxi. Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE

Ingredientes

1 abacaxi grande e maduro
500ml de água gelada
160g de açúcar mascavo
20g de gengibre
6 unidade de cravo
150ml de cachaça

Preparo

Descascar o abacaxi e cortar a polpa em pedaços médios. Processar a polpa do abacaxi com a água gelada.Numa jarra, Juntar ao suco de abacaxi o açúcar mascavo, os cravos e o gengibre (ralado na hora). Agitar e levar a geladeira , por no mínimo 4 horas. Filtre o líquido e adicione a cachaça, preferencialmente, minutos antes de servir.Servir gelado.
Luciane Dias

BODIROCA

Bodiroca de Luciane Dias

Bodiroca de Luciane Dias. Foto: Marco Aurélio Martins/ Ag. A TARDE 

Ingredientes

1kg de camarão fresco
1kg de mandioquinha descascada
100g de cebola picada
100g de tomate picado
20g de alho picado
1 maço de coentro picado
200ml de leite de coco
50ml de azeite de oliva
5g  de sal
200ml de água de coco
Modo de fazer
Coloque as mandioquinha com a metade da da cebola e 2l de água e leve ao fogo por cerca de 25 minutos e deixe cozinhar até secar. Depois acrescente a água de coco e bata no liquidificador até formar um creme. Reserve.Tempere o camarão com alho, sal e azeite. Depois é dourar no azeite de oliva em fogo alto. Adicione cebola, tomate e deixe cozinhar por 5 minutos. Acrescente a mistura de mandioquinha batida, o leite de coco e o coentro. Deixe ferver por 2 minutos.

MANJAR DE MAINHA

Ingredientes

100g de farinha de milho branco
1 litro de leite
2 cocos médios
100g de açúcar
1 pitada de sal
2 cocos verde

Modo de fazer
Faça o leite de coco fresco com os dois cocos e mais 500ml de leite líquido. Tem que ficar bem concentrado.Reserve.Faça outra mistura com açúcar, farinha de milho branco, uma pitada de sal e 500ml de leite e bata no liquidificador. Depois leve ao fogo por cerca de 30 minutos, sempre mexendo. Adicione o leite de coco aos poucos até cozinhas e ficar com consistência de mingau. Coloque no refratário e deixe descansar por 2 horas.
CALDA DE COCO E ERVA DOCE FRESCA

Leve 100ml do leite de coco ao fogo brando com a erva doce por 10 minutos. Reserve.Faça o caramelo de coco verde com as duas unidades. Eles devem ser cortados em lascas. Leve ao fogo 100g de açúcar E 10ml de água até ficar em ponto de caramelo e acrescente o coco laminado até ficar no ponto cremoso.

MAMJUBÁ

Ingredientes

50g de casco de jatobá
500ml de cachaça
200ml de agua
100g de açucar
500g de caju
10gde cravo da índia
10g de canela em pau
6 unidades de caju maduro
10g de gengibre

Modo de fazer
Coloque em uma panela a água, 250ml da cachaça e o jatobá. Leve ao fogo brando por 30 minutos e deixe descansar por três horas. Junte as especiarias, o açúcar e o caju e leve ao fogo por cerca de  40 minutos. Após o cozimento, adicione a redução do jatobá e deixe descansar por 3 horas. Depois,leve a geladeira por 30 minutos e sirva.

 

Iago Luz

MOQUENYAMA DE CAMARÃO

Ingredientes

1,5 kg Camarão fresco
100g Camarão seco processado
2kg de inhame
100ml Azeite de dendê
150g Castanha
150g Cajuzinho do cerrado
1 limão
2 unidade de biri-biri
4 cebolas
3 tomates
4 dentes de alho
1 pimentão
2 cocos seco
1 maço coentro
1 maço cebolinha
Gengibre
Pimenta de cheiro
Pimenta malagueta
Sal

Modo de Preparo
Assar o inhame em rodela bem espessa com sal. Retirar o miolo e reservar.Temperar o camarão com sal e pimenta-do-reino e marinar com suco de limão e biribiri.Extrair o leite de coco e reservar.Cortar metade da cebola, tomate e pimentão em rodelas e a outra metade picadinho, juntamente com o alho, gengibre e as pimentas. Refogar no azeite de oliva o tempero picadinho. Adicionar o camarão seco processado, as castanhas e o camarão fresco, e a outra metade do tempero em rodelas. Colocar o leite de coco. Finalizar com o cajuzinho do cerrado, azeite de dendê, coentro e cebolinha.Servir na base do inhame assado. Acompanhado de farofa de beiju com castanhas. É só colocar os dois ingredientes com a manteiga de garrafa até dourar.

BEIJU COLADO

Ingredientes

4 cocos verde
1 cocos seco
700g açúcar
60g  de cravo
200g de beiju
200g cajuzinho do cerrado
100ml de água

Modo de Preparo
Extrair o leite coco e reservar. Colocar em uma panela a água de coco, 500g de açúcar e o cravo e deixar ferver. Adicionar a polpa do coco verde, em fogo alto mexendo de vez em quando até obter uma mistura mais firme. Colocar em uma assadeira e colocar na geladeira. Umedecer o beiju com o leite de coco. Fazer uma calda de cajuzinho do cerrado. Levar ao fogo numa panela 200g de açúcar, água e cajuzinho do cerrado fatiado ao meio, adicionar cravo, canela e anis até formar uma calda consistente.Servir a cocada de coco verde sob o beiju e finalizar com a calda de cajuzinho do cerrado.

MARESIA DO MATO (bebida)

Ingredientes

200g de maracujá do Mato
5g gengibre
50ml de licor de capim santo
200ml de cachaça
1L água de coco
Açúcar
Mel

Modo de Preparo
Despolpar o maracujá do mato. Ralar o gengibre. Misturar com o licor de capim-santo, a cachaça e a água de coco. Adoçar com açúcar e mel. E servir com gelo.

SHOT DE CACAU

100g de polpa de cacau
20g de cacau em pó
500ml de água
250ml de cachaça de cacau

Modo de Preparo
Bater a polpa de cacau com água no liquidificador. Adicionar a cachaça de cacau. Finalizar com o cacau em pó.

 

 

 


Herança africana inspira artista para criar troféus

postado por meire.oliveira @ 10:23 AM
20 de novembro de 2015
Rodrigo é autor dos troféus Ousadia, Força e Leveza

Rodrigo é autor dos troféus Ousadia, Força e Leveza

O artista plástico Rodrigo Siqueira, 34 anos, é autor dos troféus que premiaram os estudantes de gastronomia do  Vamo Ngudiá (fotonovela e vídeo), que integra  Ajeum – A força da comida, especial de A TARDE em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra. A criação de cada peça teve como base os temas  ”ousadia”,  ”força” e “leveza”. Eles  traduzem as características que fizeram os aspectos da herança africana resistirem e influenciarem a formação de outras culturas.

Cada escultura veio em forma de uma mulher africana com uma panela onde foi colocado o elemento representante de cada símbolo escolhido. “A dona da panela é Oxum. E a africana é o toque ancestral que até hoje é base de pratos contemporâneos”, diz o artista que também é religioso do candomblé. O material utilizado na construção das peças foi resina com pó de mármore, além da panela de cerâmica e a placa de metal.

A definição dos símbolos teve o universo do tema como inspiração. “A ideia da colher de pau surgiu como a extensão do braço de quem tem o poder de comandar e inovar. E também representa o legado da ancestralidade que fundamenta tudo isso”, conta Rodrigo. A segunda escultura com a pimenta traz a simbologia da força. As pimentas são naturais e foram revestidas de resina. A obra que representa a leveza também tem o elemento em sua forma natural. “Não tem nada mais leve na comida que as folhas e as especiarias que carregam muito conhecimento desse legado, no entanto, podem ser levadas pelo vento”, explica Rodrigo.

A atuação no âmbito da religiosidade tem sido frequente no trabalho do artista que também assina uma exposição permanente no terreiro Ilê Obá L´Okê, localizado em Vilas do Atlântico. O acervo engloba dois trabalhos: a mostra Ori Orixá, que consiste em 19 bustos de orixás, e a Na palma de minha mão que são 12 telas que representam divindades da religião de matriz africana. A visitação é gratuita e ocorre às terças e quintas, das 9h às 16h. É necessário agendar pelo telefone: 3287-0435. “Procuro resgatar imagens a partir da valorização dessa herança africana e redesenhar a forma como a religiosidade é retratada”, diz.

A iniciativa é do projeto “Brasil com Artes” que busca valorizar a cultura afro-brasileira em suas variadas expressões. A coordenação é de Rodrigo e do antropólogo e professor Ufba, Vilson Caetano de Sousa Junior.

Trajetória

Rodrigo começou a carreira como carnavalesco atuando, por 17 anos, no eixo Rio de Janeiro- São Paulo. Há quatro anos faz trabalhos no carnaval de Macapá (Amapá). No currículo, o artista amazonense que começou a estudar arte aos 7 anos, também agrega as profissões de cenógrafo, escultor, produtor de eventos e estilista.


Consciência Negra 2009: As mãos de Célia

postado por Cleidiana Ramos @ 11:35 AM
20 de novembro de 2009
Célia Damascena Souza gerencia dois boxes no Mercado Modelo. Foto: Haroldo Abrantes

Célia Damascena Souza gerencia dois boxes no Mercado Modelo. Foto: Haroldo Abrantes

O caderno especial Produtores de Owó, que traça o panorama do empreendedorismo negro na capital da Bahia, já está circulando na edição de hoje do jornal A TARDE. Aqui no Mundo Afro vocês sempre vão estar encontrando complementos sobre o conteúdo que abordamos no especial.

Conheçam agora, portanto, a dona das mãos que aparecem na capa do caderno e também na primeira página de A TARDE:  Célia Damascena de Souza. De funcionária de um dos boxes do Mercado Modelo,ela se tornou proprietária de dois estabelecimentos situados no local e que comercializa esculturas e jóias inspiradas na cultura afro-brasileira.