Letras sobre cultura negra

postado por Cleidiana Ramos @ 12:00 PM
18 de novembro de 2010

Evento terá lançamento de três publicações. Foto: Reprodução

Olha só pessoal: num mercado que ainda precisa de mais títulos sobre cultura negra hoje tem um lançamento de peso.

 A partir das 18 horas no museu Carlos Pinto tem o lançamento dos livros: Candomblé da Bahia (Resistência e identidade de um povo de fé) e Cacimbo (uma experiência em Angola), de José de Jesus Barreto; e Imagens da Diáspora, de Goya Lopes e Gustavo Falcón.

O lançamento inclui mesa redonda com os autores.

A publicação é da Solisluna Editora com o apoio da Fundação Pedro Calmon.


Abram alas para a Negrif

postado por Cleidiana Ramos @ 2:17 PM
28 de agosto de 2009
Madá e Jorge Washington usando peças da Negrif. Foto: Divulgação

Madá e Jorge Washington usando peças da Negrif. Foto: Marcos MS| Divulgação

Tem mais uma grife afro na área: a Negrif, comandada pela estilista Madá Preta. Recém formada em Design de Moda pela Faculdade da Cidade do Salvador, Madá tem produzido roupas que fazem  a cabeça de clientes como o ator Jorge Washington.

As roupas da Negrif, inclusive, farão parte da I Ediçaõ do Afro-Fashion- Concurso de Beleza Negra, que acontecerá no Aerocuble de Volta Redonda, Rio de Janeiro, no dia 29 setembro, a partir das 21h30. Portanto, leitores cariocas do Mundo Afro anotem aí na agenda e, caso compareçam, mandem seus registros que eu publico com o maior prazer.  

Se a gente já comemora o sucesso de Saraí com a abertura da Ifá Veste, agora chega também Madá. Bem vinda! 

O Afro Fashion – Concurso de Beleza Negra será aberto com um grande desfile para apresentação das candidatas, que estarão vestidas com roupas da Negrif. Após o desfile coletivo, acontecerá o  individual, demonstrando a criatividade e a beleza da mulher negra.

Madá Preta ainda não tem uma loja para exibição das suas roupas. Ela costuma promover o evento Feira, Feijão e Samba, onde apresenta as peças. Já fiz contato com a estilista e assim que souber quando vai ter a  edição da mostra aviso aqui.

Outra coisa: Madá disse que sente falta de uma seção no Mundo Afro sobre moda. Portanto, quem tiver sugestões sobre como abordar melhor este assunto aqui pode enviar. Comentem, sugiram, enfim, participem.  


Missas do Rosário mudam de endereço

postado por Cleidiana Ramos @ 10:20 AM
12 de junho de 2009
Templo vai entrar em reforma. Celebrações serão na igreja do Carmo. Foto: Fernando Vivas |AG. A TARDE

Templo vai entrar em reforma. Celebrações serão na igreja do Carmo. Foto: Fernando Vivas |AG. A TARDE

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que fica no Pelourinho, vai passar por reforma. A previsão é que ela fique inativa por um ano. Neste período  todas as suas celebrações vão acontecer na Igreja do Carmo, que fica ali pertinho.

Os horários e os dias das missas continuam os mesmos: terça-feira às 18 horas, em louvor a Santo Antônio do Categeró; domingo às 10 horas, em honra de Nossa Senhora do Rosário e segunda às 9 horas em memória dos mortos.

Tem celebrações ainda para São Benedito, na primeira quinta-feira de cada mês e para Santa Bárbara na última quarta-feira de cada mês. Todas as duas são às 18 horas.

A igreja do Rosário tem uma das mais belas celebrações católicas de Salvador. Lá é o endereço de uma das missas inculturadas, neste caso com a cultura afro.

Inculturação é um termo católico para os seus ritos litúrgicos que incorporam elementos das culturas locais, como as tradições de origem negra ou indígena.

Vou pedir a um especialista no tema para escrever um artigo explicando direitinho o que é inculturação, pois muita gente confunde com sincretismo.

Se não estou enganada o uso da inculturação foi uma das decisões da IV Conferência dos Bispos Latinos Americanos (IV Celam), realizada em Santo Domingo, na República Dominicana em 1992.

Naquele ano, por conta da comemoração dos 500 anos da chegada de Colombo à América, a Igreja Católica refletiu sobre o seu papel neste episódio, o que incluiu o reconhecimento dos  erros de imposição da sua fé aos povos locais, e decidiu por uma nova uma evangelização, fiel às suas crenças, mas buscando respeitar as tradições e diferenças culturais, principalmente dos indígenas e afro-americanos.

A liturgia implantada na igreja do Rosário contou com  o apoio de dom Gílio Felício, doutor em liturgia e que foi bispo auxiliar de Salvador de 1998 a 2002. Dom Gílio, hoje bispo de Bagé, no Rio Grande do Sul, seu Estado de origem, foi festejadissimo na capital baiana, afinal foi o primeiro bispo assumidamente negro da Arquidiocese de Salvador. Além disso, é uma figura de grande carisma. 

Na igreja do Rosário os cânticos recebem acompanhamento de instrumentos como atabaques e na liturgia há várias referências à cultura negra.

Vale lembrar que a igreja do Rosário é uma exemplo de resistência. Ela foi construída pela Irmandade dos Homens Pretos, associação que tinha predominância de escravos de etnia angola.

A irmandade funcionava também como um sistema previdenciário. Era ainda responsável por auxílio funerário e socorro às famílias dos seus membros doentes ou falecidos. Também garantia um tipo de poupança para a compra de alforria.       

A beleza do templo fez com que uma outra irmandade formada por brancos tentasse tomá-lo à força. A briga durou anos e foi decidida a favor dos irmãos do Rosário por interferência do rei de Portugal.

Os detalhes sobre esta irmandade, sua relação com a estabilização dos ritos do candomblé como o conhecemos hoje, especialmente com a fundação do terreiro Casa Branca do Engenho Velho, fazem parte da ampla pesquisa do doutor em antropologia Renato da Silveira, professor da Ufba.

Tem um livro de Renato sobre este assunto, com capítulos sobre a formação das irmandades de escravos e libertos e sua importância para a resistência dos povos africanos escravizados em Portugal e no Brasil. O nome do livro é  O Candomblé da Barroquinha.