Novela acerta com personagem de atriz negra

postado por Cleidiana Ramos @ 4:09 PM
7 de junho de 2011

Romance de personagem negra é bem tratado em novela. Foto: Alex Carvalho|TV Globo|Divulgação

A Globo tem um histórico de derrapar mesmo quando tenta dar destaque a personagens interpretados por atores negros em suas novelas, principalmente, quando se trata de mulheres.

Ainda ecoa a polêmica do tapa da personagem de Lília Cabral na interpretada por Taís Araújo em Viver a Vida. A cena da Helena de Taís ajoelhada diante da raivosa mãe de Luciana, na semana da Consciência Negra, chocou e provocou protestos dos movimentos negros.

Sem falar nas novelas históricas que abordam a escravidão onde a escrava é sempre figurante ou o degrau para as cenas da mocinha, quando não a vilã de segundo escalão. Ou a primeira novela das 19 horas com protagonista negra (mais uma vez Taís Araújo) sendo intitulada de Da Cor do Pecado.

Mas na boa e surpreendente Cordel Encantado, que vai ao ar às 18 horas, tenho visto uma agradável surpresa: Maria Cesária, a personagem vivida pela jovem e bela atriz Lucy Ramos. O amor que nasceu entre ela e o Rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia ) tem sido tratado sem exageros, com um romantismo tocante.

As autoras Thelma Guedes e Duca Rachid tem fugido de clichês como a mulher negra sensual que enloquece o estrangeiro. Pelo contrário, a construção mostra uma mulher oprimida, humilhada e desvalorizada até pelo próprio pai (vivido por Tony Tornado), descobrindo através de um amor inesperado suas virtudes e sabendo responder até com altivez aos que tentam explorar a sua pretensa ingenuidade como nas cenas com a Duquesa Úrsula, papel de Deborah Bloch.

Outra coisa bem interessante em torno de Maria Cesária é a  clara inspiração do seu personagem no romance Como Água para Chocolate, pois assim como a protagonista do livro ela passa suas emoções para a comida.

Fica aqui a torcida para que as moças não percam a mão. Aliás, a novela que combina excelente enredo, recheado de referências literárias,  bons textos e belas imagens, com uma preocupação rara na construção dos diálogos e humor na medida certa me fez voltar a ver novela, coisa que não fazia há anos.

Será que ter mulheres à frente (a diretora é Amora Mautner), inclusive na colaboração e pesquisa é um indício da importância dada a esses detalhes e que levam aos acertos?