Balaio de Ideias: Manifesto por uma vida afetiva digna

postado por Cleidiana Ramos @ 10:33 AM
16 de julho de 2015
A jornalista Maíra Azevedo faz contundente análise sobre racismo e afetividade. Foto:  Edilson Lima/ Ag. A TARDE/ 29.1.2014

A jornalista Maíra Azevedo faz contundente análise sobre racismo e afetividade. Foto: Edilson Lima/ Ag. A TARDE/ 29.1.2014

Maíra Azevedo

Para a maioria, o 25 de julho é apenas mais uma data no calendário. Para nós, que fazemos o debate de gênero e raça, é momento de analisar as posturas sociais e como elas interferem nas vidas daquelas e daqueles que dizemos defender em nossos discursos. As pautas são diversas. Por isso optei em focar meu debate sobre algo que faz parte das conversas das mulheres negras: vida amorosa ou a falta dela. Por isso, resolvi fazer uma série de questionamentos e espero as respostas.

Quem faz manifestação pela morte afetiva e cotidiana das mulheres negras? Quem se importa quando as mulheres passam sozinhas pelas ruas? Quem se incomoda com o fato das mulheres negras serem sempre maltratadas por seus parceiros, seja fisicamente ou psicologicamente? Quem tenta buscar solução pela vida miserável que as mulheres negras levam, pois ou elas estão chorando pelos homens negros que morreram ou pelos que ajudam a tirar suas vidas? Porque a morte das mulheres negras é real. Quando não morrem fisicamente, estão mortas afetivamente. A solidão mata, entristece, deprime.

Hoje, peço a você um minuto de reflexão. Qual mulher negra que você conhece vive uma relação bacana, tranquila, com cumplicidade? Se lembrar de cinco, sem precisar puxar pela memória, então eu volto e digo que estou errada. As mulheres negras estão sozinhas, até mesmo quando tem alguém ao lado. Porque a maioria dos homens, quando estão ao lado de uma mulher negra acham que já fizeram o bastante por ela. Para muitos, o fato de terem assumido a relação com uma de nós é um plus, um bônus. Devemos agradecer, afinal estamos fora das estatísticas da solidão.

É preciso fazer um alerta, uma convocação. Temos obrigação moral de sermos mais companheiras uma das outras. Se somos mesmos comprometidas com o debate de empoderamento feminino, vamos aprender a não brigar por homens, a não permitir que eles nos dissolvam. Pois, quando eles partem, ficamos em frangalhos e eles fazem isso em série.

Não dá mais para aceitar as migalhas que muitos desses homens pensam em nos oferecer: levar para um quarto de hotel e ter uma noite de prazer ou se aproveitar do nosso status para ter um duplo prazer. Muitos deles querem gozar da nossa influência e acham que nos dar o gozo é a melhor forma de retribuir tudo que já fizemos por eles.

E a nós mulheres negras, cabe praticar mais a sororidade. Devemos ser mais cúmplices, não julgar a outra. Estender a mão e no momento de dor, nada de lembrar “EU BEM QUE TE AVISEI”. Esse sofrimento em busca de um homem legal, bacana, companheiro, que te respeite, parece ser incessante e isso é cobrado de todos os lados.

A hora de chorar pelos cantos já passou e não deveria nem ter chagado. Mas é preciso despertar e ser mais cofiante, rejeitar essas miudezas que eles nos oferecem por aí. Porque pra gente é sempre mais difícil. Queremos viver, bem viver e não sobreviver. Vamos protestar contra a miserabilidade afetiva a que somos submetidas e que ás vezes é praticada por aqueles que defendemos. Basta! Por uma vida afetiva verdadeira e digna.

Maíra Azevedo é jornalista do Grupo A Tarde e militante das causas que envolvem a questão étnico-racial, gênero e combate ao racismo e  a todas as formas de desigualdades


E o racismo atinge mais um atleta: o garoto Angelo Assumpção

postado por Cleidiana Ramos @ 12:52 PM
21 de maio de 2015
Angelo Assumpção foi vítima de racismo em vídeo divulgado em rede social por colega da Seleção de Ginástica Artística. Foto: Arquivo Pessoal/ Facebook

Angelo Assumpção foi vítima de racismo em vídeo divulgado por colega da Seleção de Ginástica Artística. Foto: Arquivo Pessoal/ Facebook

Eu comecei a gostar de ginástica artística em meados da década de 1990, quando a Rede Bandeirantes era especializada em esportes. Às vezes, acordava de madrugada para acompanhar as competições.

A primeira referência brasileira no esporte que conheci foi a atleta Luiza Parente que brilhava mesmo com ginástica em uma fase ainda desconhecida no País.

Aí veio a geração de 2000 com Daiane dos Santos. Fiquei extremamente triste quando ela perdeu a medalha, principalmente por saber que seria a primeira atleta negra a conquistar o ouro no esporte em uma Olimpíada.

Imaginem! Em um esporte clássico em Jogos Olímpicos só na década de 2000 uma negra, mesmo com os EUA sendo uma potência, chegou perto de subir ao lugar mais alto do pódio.

Isso é um indício de como a ginástica é um esporte que integra o grupo dos que são mais difíceis  para os negros acessarem. Ela requer treinamento especial desde muito cedo, inclusive nos movimentos de balé clássico. Sem falar nos aparelhos caros. É diferente do futebol, quando  uma bola de meia já dá para começar a treinar. 

Daiane, inclusive, dançava pouco, pois começou a treinar tarde, o que prejudicava seu desempenho com a parte do balé. Fazia apenas o básico e exigido. Suas séries eram todas baseadas na força. Vale ressaltar que foram dois ucranianos, à frente da Seleção Brasileira, que “descobriram” Daiane no banco de reservas.E mais: ela precisou fazer movimentos espetaculares para que ganhasse holofotes e saísse da reserva na seleção nacional. Não à toa batizou movimentos com seu nome.

Agressão
Essas reminiscências são para falar do “caso Angelo Assumpção”, 18 anos, a mais nova vítima de crime racista no esporte. Assim como Daiane, ele era reserva. Ganhou a vaga na etapa da Copa do Mundo de Ginástica, disputada no Brasil de 1º a 3 deste mês,  porque um dos titulares se machucou. Saiu do banco para ganhar uma medalha de ouro no salto desbancando a experiência da “eterna estrela” Diego Hypolito e outros favoritos.

Fiquei emocionada quando a transmissão na TV mostrou a família de Angelo na arquibancada. Todos negros. A mãe, dona Magali Dias Assumpção, estava extremamente feliz. Dias depois, nas matérias que surgem após uma conquista “surpresa”, dá para entender o motivo: a família praticamente “ousou” ao deixar o menino correr atrás do sonho mesmo com as dificuldades típicas de transporte e dificuldades financeiras. Um exemplo: a agora “revelação da ginástica nacional” ainda está sem patrocínio.

O mês que poderia acabar de forma perfeita para Angelo trouxe  um pesadelo. Ele está no epicentro de uma história que de tão absurda chega a parecer  inacreditável.

O ginasta Arthur Nory postou numa rede social um vídeo onde, durante uma refeição coletiva – a seleção masculina está concentrada para competições- o campeão Angelo é provocado. É Nory quem pergunta:”Seu celular quebrou: a tela quando funciona é branca..quando ele estraga é de cor?”. Um coro dos outros atletas responde: “Preto”. E continua: “O saquinho do supermercado é branco. E o do lixo? É preto! “. Tudo isso diante de um Angelo constrangido.

O vídeo foi assunto de uma matéria do jornal O Globo o que transformou, ainda bem, o episódio em um escândalo. Aliás, uma curiosidade: Arthur Nory foi exatamente o atleta que Angelo substituiu na etapa da Copa do Mundo de Ginástica realizada no Brasil, porque estava machucado.

Ontem, quarta-feira, a Confederação de Ginástica afastou Arthur Nory, Fellipe Arakawa e Henrique Flores. Os três apareceram em um segundo vídeo onde Angelo está ao lado, aparentemente constrangido, e Nory desculpas dizendo que “tudo foi uma brincadeira”. A típica desculpa cínica nos casos de racismo.

Outra curiosidade na história: o ginasta Angelo Flores é enteado de Marcos Goto, técnico de todos os envolvidos, quando estão na Seleção Brasileira, e do campeão nas argolas Arthur Zanetti.  Goto, vale registrar, é negro.

Punição

A suspensão dos três ginastas é por 30 dias. A pena, diante da gravidade do caso, pode ser considerada leve, mas o que me agradou foi  que ela veio da  CBG e rapidamente, diferentemente de Fifa e CBF que costumam empurrar com a barriga o quanto podem posições diante de casos que envolvem racismo.

A CBG também afirma que está dando o apoio psicológico necessário a Angelo e não deixa que ele se pronuncie sobre o caso.

Imagino o sofrimento desse menino. Deve estar passando por uma pressão imensa, sem falar nos possíveis  olhares atravessados em sua direção , típicos dos que tentam transformar as vítimas de racismo em “gente sem humor”, “complexadas”, que não toleram uma “brincadeirinha inocente”. E é nesse clima que o ele vai ter que disputar uma prova importante: mais uma etapa da Copa Mundial rumo à sua batalha por uma vaga nas Olímpiadas 2016, que o Rio de Janeiro vai sediar.

Aliás, o ginasta Diego Hypolito que, durante o Mundial, se disse um fã de Angelo e grande amigo dele se apressou rapidamente em caracterizar o episódio no “campo da brincadeira”.

A meu ver, “pisou fora do tablado” para usar um expressão do esporte. Com racismo não se brinca, assim como não se desafia o fogo. O resultado pode ser um acidente que deixa sequelas perigosas.


Balaio de Ideias: A guerra segue

postado por Cleidiana Ramos @ 6:32 PM
27 de fevereiro de 2015
Uma tomada da audiência pública sobre as mortes na Vila Moisés no Cabula, realizada ontem na OAB. Foto: Marco Aurélio Martins | Ag. A TARDE

Uma tomada da audiência pública sobre as mortes na Vila Moisés (Cabula) , realizada, ontem, na OAB. Foto: Marco Aurélio Martins | Ag. A TARDE

Wlamyra Albuquerque 

Nunca se tinha ouvido falar da Vila Moisés antes da chacina. O lugar não existia no mapa da cidade, exceto nas escalas da RONDESP. Lá não tem qualquer sinal de presença do Estado, lá não tem iluminação pública, asfalto, rede de esgoto, escola nem creche. Na Vila Moisés, o Estado se faz presente com as patrulhas policiais. O Cabula é um bairro repleto de histórias de insurgência, revoltas e pobreza negra desde os primeiros tempos da escravidão. Quilombolas, escravidos fugidos, libertos, adeptos do candomblé e tantos outros insurgentes viveram lá. Nem por isto se trata de um lugar marginal na Salvador do século XXI. No Cabula estão a Universidade do Estado da Bahia, escolas públicas e particulares, condomínio pra classe média e shoppings center. Nada disso existe na Vila Moisés.

A chacina aconteceu pouco antes do carnaval, nem os fartos confetes do Momo baiano enterraram doze cadáveres de jovens, que tinham entre 15 e 24 anos. Assim que os camarotes e arquibancadas baixaram as cordas e acordes carnavalescos, o Movimento Reaja ou será morto! Reaja ou será morta! conseguiu mobilizar diversos setores da sociedade civil e instituições ligadas aos Direitos Humanos para uma audiência pública mediada pela Ordem dos Advogados da Bahia. A audiência publica fez a sede da OAB transbordar com cerca de duas mil num auditório onde só cabiam 150 pessoas. A tensão se espalhava até a Praça da Piedade, de onde se podia ver e ouvir as representações dos sindicatos dos policiais distribuindo panfletos, exibindo cartazes e amplificando com carro de som o protesto contra os protestos que têm se multiplicado desde a chacina do Cabula.

Foi trazida pra o centro da cidade a ação policial que vitimou, no último 6 de fevereiro, doze jovens negros na Vila Moisés, no bairro do Cabula.

Ficaram lado a lado no auditório apertado, militantes do movimento negro, muitos policiais a paisana,–  alguns deles, armados – familiares dos jovens mortos, representantes da OAB nacional, lideranças políticas, o secretário da Justiça do Estado da Bahia, estudantes, dois vereadores (apenas dois) e outros tantos oportunistas seduzidos com o emaranhado de tripés e lentes das Tvs. Não demorou muito e um militante gritou o que todas as estatísticas confirmam: a juventude negra tem sido condenada a pena de morte, sem qualquer julgamento. A dois passos dele estava um policial que reagiu erguendo o braço e dizendo “eu sou preto também e não sou criminoso”. Foi só o começo. Durante mais de três horas, a questão racial pôs em situações limites quem exigia a investigação isenta do que houve na Vila Moisés e os que inocentavam os policiais envolvidos na chacina enquanto defendiam a própria Polícia, como instituição militar.

Na voz de policiais exaltados na platéia e representados na mesa por lideranças da categoria, dois argumentos se repetiam: a “Polícia defende os cidadãos de bem contra os criminosos que estão no tráfico de drogas” e os policiais também são vítimas, também são mortos. Não há quem duvide que os policiais também estão em risco. Hamilton Borges , do Movimento Reajá ou será morto! Reaja ou será morta!, tentou apaziguar os ânimos quando militantes e policiais se enfrentaram, dizendo que nesta guerra só morrem negros. Pois é, em nome da luta contra o tráfico de drogas, cada vez mais, só morrem negros sejam eles descalços ou fardados.

Também se ouviu todo tipo de absurdo. Certo capitão aposentado e mulato se disse vítima de racismo às avesas por ser branco. Outro, negro retinto, desafiava os presentes a entrarem numa viatura e não apertarem o gatilho. Em meio a tanto racismo, foi ficando evidente que o Movimento Negro tem rumo e propostas para a tal questão da Segurança Pública que tanto aflige aos governantes e aos “ cidadãos de bem”. Como disse Vilma Reis, as balanças de precisão, os helicópteros recheados de cocaína não nascem nas comunidades, onde a maioria é negra. Se a justificativa é o combate às drogas, o endereço é outro. A defesa de investigação federal sobre os grupos de extermínio na Bahia, a desmilitarização das polícias, a extinção dos Autos de Resistência foram propostas que mostram o quanto os movimentos sociais estão maduros e cientes de que a Segurança Pública no Brasil e, principalmente na Bahia, é uma questão racial.

O Mapa da Violência no Brasil, divulgado em 2014, mostra o quanto a vitimização tem cor. Entre 2002 e 2012 morreram 146,5% mais negros do que brancos na guerra urbana. Não faltam números, nem cadáveres negros para serem somados aos jovens do Cabula. Quem atendeu ao chamado de protesto do Movimento Reaja ou será morto! Reaja ou será morta! estava de luto por muito outros sepultados em covas rasas. O luto era ainda mais visível na atitude das mães e avós dos jovens mortos. A maioria dos parentes das vítimas não foi. Estavam com medo. Quem sofre uma violência policial sabe que quanto maior a visibilidade maior é o risco. Nenhuma delas se pronunciou durante a audiência. Silêncio de luto e medo, afinal como disse um policial, enquanto se retirava da sala de audiência, “a resposta a isto a Polícia dá é na área”. Quem é da área sabe o que isto quer dizer.

Entre quem defende uma discussão honesta, democrática e sem metáforas futebolísticas sobre Segurança Pública, o Brasil dos tempos da escravidão aparece como a raiz dos nossos problemas. Foi o que disse João Jorge, presidente do Olodum, e Humberto Ádamo, representante da OAB nacional. Os discursos deles convergiam para entender as razões do problema. A criminalização e a vulnerabilidade da população negra no século XXI, quando os números apontam um crescimento do número de assassinatos de jovens negros, seria explicada pelo terrível passado escravista que ainda nos assombra. É consenso, a escravidão é abominável e nos marca até hoje. Mas, o que o genocídio negro nos diz sobre os nossos dias e expectativas de cidadania numa sociedade ultra consumista? Será que dá pra por só na conta da escravidão a Vila Moisés só existir no mapa da RONDESP?

Ainda somos herdeiros do passado escravista, concordo; entretanto, por que a expressão cidadãos de bem é cada vez mais usada para dizer quem são os supostos bandidos a nos ameaçar? Colocar na conta, já bem e devidamente avolumada do passado escravista, a responsabilidade pela tensão racial no Brasil, dramatizada  na audiência da OAB, não pode ser uma maneira de libertar o Estado Republicano, de livrar seus sucessivos governos, democráticos ou não, que ainda relutam em dizer com todas as letras a quem ele chama de cidadão de bem. Não cabe só ao Movimento Negro apostar na nossa juventude. Os mortos dos pelourinhos ainda nos cercam mas é sobre o futuro e as políticas que reeditam, sorrateiramente, o racismo institucional que tratamos ao gritarmos no auditório transbordando de raiva e ressentimentos recentes o mesmo coro: Povo negro livre, povo negro forte que não teme a luta, que não teme a morte!

E a guerra segue na Bahia.

Wlamyra Albuquerque é doutora em História, professora de História do Brasil na Ufba e autora, dentre outros livros, de O Jogo da Dissimulação: abolição e cidadania negra no Brasil,  São Paulo: Companhia das Letras, 2009

 


Maurício Pestana lança livro com entrevistas de enfoque na questão étnico-racial

postado por Cleidiana Ramos @ 1:13 PM
27 de novembro de 2014
Capa do livro do jornalista Maurício Pestana que será lançado hoje. Foto: Divulgação

Capa do livro do jornalista Maurício Pestana que será lançado hoje. Foto: Divulgação

Hoje, quinta-feira, tem lançamento do livro Racismo: Cotas e Ações Afirmativas, no Palacete das Artes Rodin-Bahia, na Graça, a partir das 18h30. De autoria do jornalista e cartunista Maurício Pestana, a obra reúne 46 entrevistas realizadas pelo autor com artistas, intelectuais e religiosos para a Revista Raça Brasil, onde atuou como editor e diretor executivo.

Dentre os entrevistados estão os ex-presidentes Lula e José Sarney, o cantor Gilberto Gil, a ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, dentre outros.

As entrevistas foram conduzidas a partir de experiências pessoais em relação ao racismo e ações afirmativas como as cotas nas universidades. O livro é publicado pela Editora Anita Garibaldi com o apoio da Fundação Maurício Grabois.

Serviço: Lançamento do livro Racismo: Cotas e Ações Afirmativas

Onde: Palacete das Artes- Rodin-Bahia (Rua da Graça, 289, Graça)

Quando: Hoje, a partir das 18h30. Entrada franca.


Um alerta para pais e educadores

postado por Cleidiana Ramos @ 8:21 AM
20 de novembro de 2014

Esse vídeo mostra como o racismo não escolhe idade para atacar e como a força de estereótipos ajuda a reforçá-lo. Ele ataca o imaginário, inclusive, das crianças negras e de uma forma muito cruel.


Especial de A TARDE do 20 de novembro celebra a infância

postado por Cleidiana Ramos @ 5:30 PM
19 de novembro de 2014
Especial de A TARDE, que circula amanhã,  é todo dedicado à garotada. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Especial de A TARDE, que circula amanhã, é todo dedicado à garotada. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Depois de meses de ausência, eis que o Mundo Afro volta renovado. Tá de cara de nova e abre os trabalhos com uma notícia mais que positiva: amanhã, quinta-feira, o jornal A TARDE circula com a 12ª edição do especiais que comemoram o Dia Nacional da Consciência Negra. E o tema é mais do que especial: a infância.

A nossa ideia foi discutir em 16 páginas como as consequências do sistema de escravidão ainda atrapalham o Brasil e tem no racismo sua face mais cruel. Infelizmente, as crianças não são poupadas.

Mas ao mesmo tempo temos uma geração de meninas e meninos que  já colocam em prática uma história de resistência que começou no passado, mas se renova sempre. Esses já tem mais amparo devido à luta dos movimentos negros organizados que possuem conquistas como a Lei 10.639/2003 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.

Salvador foi a primeira capital do país a operacionalizar a aplicação dessa lei e não à toa tem instituições- referência nesse sentido, como as escolas municipais Eugênnia Anna dos Santos, Mãe Hilda e Parque São Cristóvão. A lei ajuda, principalmente, a fazer com que meninas e meninos tenham consciência de como o povo negro foi fundamental para a formação do Brasil como nação.

E como criança tem uma sabedoria imensa fomos buscar a participação delas. Fizemos uma oficina e recebemos Camilly e Gisele, alunas da Eugênia Anna dos Santos; Leonara e Renata,  da Escola Parque São Cristóvão.

As meninas participaram de uma oficina no jornal para saber como ele é feito e a partir daí escreveram seus próprios textos e ajudaram na montagem da página que foi completada com o depoimento de crianças de Moçambique, EUA e França.

Aqui no Mundo Afro vocês vão encontrar material que dialoga com o caderno. O destaque é para as histórias de personalidades importantes para o combate ao racismo no Brasil.

Pedimos que cinco especialistas escrevessem sobre a infância de Abdias Nacimento; Carolina de Jesus; Gaiaku Luiza; Jônatas Conceição e Zumbi. A nossa senha foi que eles deixassem a imaginação voar assim como a das crianças.

O resultado ficou lindo. Os textos são da educadora e especialista em linguagens Lindinalva Barbosa (Abdias); do poeta e escritor Landê Onawalê (Carolina de Jesus); do poeta, jornalista e antropólogo Marlon Marcos (Gaiaku Luiza); da pedagoga Maria Luisa Passos (Jônatas Conceição) e do babalorixá e antropólogo Vilson Caetano (Zumbi).

Além disso é aqui que a gente vai revelar resultado dos passatempos que estão no especial e muito muito mais.

Ficamos de fora tanto tempo que amanhã teremos muitos posts para deixar vocês atualizados não só sobre o especial, mas também sobre o que vai acontecer durante o dia até aqui na redação. Tanto que estaremos contando com a colaboração da jornalista Meire Oliveira.


Força Tinga!

postado por Cleidiana Ramos @ 7:06 PM
13 de fevereiro de 2014
Tinga é mais uma vítima do racismo no mundo do futebol. Episódio ocorreu no jogo de ontem, no Peru, entre Cruzeiro e Real Garcilazo Foto: Karel Navarro

Tinga é mais uma vítima do racismo no mundo do futebol. Episódio ocorreu no jogo de ontem, no Peru, entre Cruzeiro e Real Garcilazo Foto: Karel Navarro

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

O país está indignado, a CBF mudou as cores da sua logomarca para preto e branco, mas o episódio Tinga vem lembrar mais uma vez que o mundo do futebol precisar parar de fazer de conta que o racismo não existe. Só para lembrar: não foi à toa que tratamos desse tema no nosso especial do 20 de novembro de 2013.


Caderno da Consciência Negra disponibilizado

postado por Cleidiana Ramos @ 3:29 PM
20 de novembro de 2013

 

Especial debate persistência do racismo no mundo do futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

Especial debate persistência do racismo no mundo do futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

O nosso especial deste ano discutiu um tema bem pertinente, principalmente, quando o Brasil prepara-se para sediar a Copa do Mundo de Futebol: o racismo que ainda teima em reinar nos campos e também fora deles. Cliquem aqui para conferir

 

 

 

 


Entrevista: “Tem sido bom ver trabalhadoras domésticas defendendo seus direitos”

postado por Cleidiana Ramos @ 1:21 PM
23 de julho de 2012

Creuza Oliveira durante a cerimônia em que recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2011. Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Cleidiana Ramos

A novela Cheias de Charme da Globo já caiu no gosto de quem gosta de novidades no gênero: narrativa leve, história interessante, boas atuações e a dose equilibrada entre humor e drama. Mas será que a ousadia na abordagem do tema- a rotina de três trabalhadoras domésticas que se tornam estrelas da música- agrada às profissionais da vida real e às suas lutas por melhoria das condições de trabalho e conquista de direitos? A resposta é sim pelo menos na visão de Creuza Maria Oliveira, presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). Uma da mais conhecidas ativistas da causa– é, inclusive, vencedora do Prêmio Direitos Humanos 2011, concedido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – Creuza aponta acertos na trama de Filipe Miguez e Izabel Oliveira como a exibição de trabalhadoras lutando por seus direitos e denunciando na Justiça o abuso das patroas. “Achei uma maravilha, Penha (Taís Araújo) ter ido na Justiça denunciar a patroa que jogou sopa no seu rosto”, diz. Para ela o que não anda agradando é o romance de Otto Werneck (Leopoldo Pacheco) com Penha. “Acho que os dois não têm muito a ver. Ela não precisa de um homem rico para progredir (risos)”. E Creuza também faz uma revelação interessante. Ela foi uma das convidadas para discutir o texto da novela com os autores ainda na fase de produção. Confira na entrevista a seguir.

Cleidiana Ramos: Você tem gostado de Cheias de Charme?
Creuza Oliveira: Sempre que eu posso, em meio à correria, tenho acompanhado e estou achando a novela bem leve e que tem trazido discussões muito interessnates. O termo “empreguete” não me agrada muito, mas é uma novela e a gente também não pode cobrar muita coisa.
CR: Qual das protagonistas você acha que tem a história mais próxima da realidade das trabalhadoras domésticas brasileiras?
CO: Sem dúvida é Penha. Com certeza, a maioria das trabalhadoras domésticas no Brasil é formada por mulheres negras. Mas a história de Cida (Isabelle Drumond) também é muito comum que é a paixão por um rapaz rico, fruto da solidão, da carência de uma menina que cresceu achando que era parte de uma família, mas na verdade era explorada. Ele por outro lado não está muito interessado no romance, mas bem mais no sexo. Isso acontece muito.
CR: E o perfil das patroas?
CO: Menina, aquelas cenas das reuniões da Liga da Patroas são muito interessantes, pois muitas delas pensam daquele jeito mesmo. Acham que é um absurdo a empregada doméstica ter celular e agora querer estudar. É muito interessante ver isso sendo abordado em uma novela.
CR: É curioso ver que a novela não faz militância ou panfletagem, mas está falando de direitos.
CO: Sim. Isso mesmo. A questão da preocupação de Cida com Valda (Dhu Moraes), a madrinha, porque vai sair do emprego e ela vai ficar sobrecarregada. E logo quando Valda tá doente, ou seja, foi mostrado também um pouco de como o trabalho doméstico de forma excessiva traz prejuízos à saúde. Além disso, as trabalhadoras procuram a Justiça em casos de agressão.Achei uma maravilha Penha ter ido na Justiça denunciar a patroa que jogou sopa no seu rosto E isso é realmente verdade. Há patroas que agridem mesmo. Está sendo muito interessante. Tem sido bom ver trabalhadoras domésticas defendendo seus direitos.
CR: Você comentou numa conversa preliminar que foi procurada pela Globo antes da novela. Conte mais detalhes.
CO: Realmente, os autores nos procuraram. Fomos eu e mais algumas representantes de instituições que trabalham com questões de gênero e dignidade no trabalho até o Projac. Conversamos com o pessoal que cuida do texto. Já havia algumas chamadas sobre a novela. Eles nos disseram que embora não fossem detalhar muito as questões da militância iam usar nossas informações para algumas abordagens na novela.
CR:A questão de gênero é muito forte nesse universo das trabalhadoras domésticas.
CO: Sim. Até porque é um relacionamento que envolve mulheres nas duas pontas: a trabalhadora e a empregadora. Embora haja situações de abuso, a empregadora também é uma mulher que vai para o mercado de trabalho, mas não deixa de ter que administrar a casa, o papel de mãe. Por isso a trabalhadora doméstica é fundamental para a inserção da sua empregadora. E isso muitas vezes não é percebido ou discutido entre elas. Outra coisa muito interessante nessa novela é que, pela primeira vez, as trabalhadoras domésticas têm história, ou seja, elas se casam, têm família, problemas, mas também sucesso, enfim elas não aparecem em uma cena trablhando e depois somem.


Sobre jornalismo e preconceito

postado por Cleidiana Ramos @ 11:58 AM
9 de junho de 2012

Como nós, jornalistas, raramente admitimos ou paramos para refletir sobre os preconceitos que carregamos e que às vezes não chegam aos nossos textos e/ou falas, mas nos fazem omissos diante do racismo e outras chagas, este belíssimo texto da jornalista Rosiane Rodrigues ajuda muito a dedicarmos alguns minutos para reflexão sobre isso.

O texto foi publicado no site do Observatório da imprensa. Rosiane Rodrigues é especialista em História do Holocausto pelo Museu Yad Vashen (Jerusalém, Israel), pós-graduada em Relações Etnicorraciais (CEFET-RJ) e mestranda em Antropologia (UFF-RJ).
Cliquem aqui para conferir.


Ecos da audiência sobre o quilombo Rio dos Macacos

postado por Cleidiana Ramos @ 12:54 PM
5 de junho de 2012

Pessoal: transcrevo abaixo matéria  assinada por João Pedro Pitombo, publicada na edição de hoje do jornal A TARDE, sobre mais um capítulo do conflito que envolve a comunidade do Quilombo Rio dos Macacos e a Marinha. Além do belo texto de um excelente repórter da nova geração (estou ficando velha..rsrs), a foto que ilustra a matéria é de arrepiar como vocês podem conferir acima e dispensa legenda. A imagem foi feita pelo jornalista Adilson Fonseca.

Dilma vai decidir sobre destino de quilombolas do Rio dos Macacos

João Pedro Pitombo

A presidente Dilma Rousseff vai decidir sobre o destino das 34 famílias (cerca de 100 pessoas) do Quilombo Rio dos Macacos, que vivem um impasse com a Marinha pela  posse da área localizada dentro da Base Naval de Aratu.
Uma solução definitiva só virá após o relatório do Incra, que deverá constatar a origem quilombola das famílias e de uma posterior decisão da presidente.

Acordo entre o comando da Marinha e os deputados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal definiu pelo patrulhamento somente no entorno da área ocupada pela comunidade do Quilombo Rio dos Macacos. A medida emergencial visa acalmar os ânimos entre militares e moradores  até 1º de agosto, quando terminará o prazo da suspensão judicial que impediu a retirada das famílias da região.

Reivindicada pelas famílias que lá vivem, a área está em litígio desde 2009, quando a Advocacia Geral da União  (AGU) impetrou uma ação reivindicatória – acatada pela juíza Arali Maciel Duarte, da 10ª Vara Federal – determinando a retirada dos moradores do local. A execução da retirada estava marcada para 4 de março, mas o governo federal determinou a suspensão da tomada do território.

Ontem, uma comitiva de  cinco deputados – dentre eles os baianos Luiz Alberto, Amauri Teixeira e Valmir Assunção  – visitou a Base Naval para investigar denúncias de supostos abusos e uso de violência pela Marinha contra moradores do Quilombo de Rio dos Macacos. Os deputados ouviram relatos de ameaças, agressões a moradores e cerceamento do direito de ir e vir dentro dos limites da Base Naval.

Eles conheceram  a realidade das famílias, que, em sua maioria, vivem em casebres de taipa ou madeira, sem energia  e água corrente. “É uma situação de miséria humana que agride nossos olhos”, disse deputado Domingos Dutra (PT-MA), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Comandante da Base Naval, o almirante Monteiro Dias nega as violações aos direitos humanos na região. “Afirmo com veemência que jamais agredimos qualquer pessoa”, afirmou. Segundo Monteiro Dias, a área em disputa é estratégica para a Marinha e a manutenção dos moradores da região inviabilizaria o funcionamento da base militar. O comandante ainda questiona o caráter quilombola das famílias que lá vivem: “A maioria não nasceu ali”.

O clima entre as partes se acirrou a partir da decisão da Justiça pela saída das famílias da região. Desde então, os moradores estão impedidos de plantar, pescar, construir ou reformar as casas que estão dentro da Base Naval. “Nos tiraram a  razão de viver, que é trabalhar na terra. Isso dificultou nossa vida porque a gente vivia com o que plantava aqui”, explicou Rosimeire Silva dos Santos, líder comunitária da região. A proibição de novas construções gera mais tensão na região. Na última segunda, fuzileiros armaram campana na área onde vivem as famílias para impedir a construção de um muro na casa do agricultor José Rosalvo dos Santos. Há cerca de um ano, quando um dos muros de sustentação do seu casebre ruiu depois de forte chuva, ele vive na casa de vizinhos. Na ocasião, afirma Rosalvo, houve agressões por parte dos fuzileiros, que supostamente derrubaram parte do muro já construído. A versão é contestada pela Marinha.

Crianças falam sobre violência em cartas à presidente

“A Marinha do Brasil vem nos causando muitos transtornos. Os soldados batem nas pessoas. Bateu em meu tio e levou meu avô preso”. As palavras são de um garoto de 13 anos, morador do Quilombo Rio dos Macacos. Assim como a dele, cerca de 15 crianças descreveram as supostas violações dos direitos humanos por parte da Marinha em cartas que serão remetidas à presidente Dilma Rousseff.
Portador das mensagens, o deputado Domingos Dutra vai defender junto à presidente a  permanência das famílias. Caso o governo decida pela retirada, ele promete acionar organismos internacionais, como as comissões de direitos humanos da ONU e da OEA: “Isso aqui é o crime contra a humanidade”.
A retirada das famílias do local é defendida pelo comando da Marinha, com o respaldo de uma ação reivindicatória da AGU. Como solução para o impasse, a Marinha acena com a possibilidade de doação de um terreno a cerca de um quilômetro da Base Naval para a construção de casas populares.
Os moradores, contudo,  recusam-se a migrar para outro local, alegando laços históricos com a região. E pedem celeridade na resolução do impasse.  “Aja rápido, presidente. Não espere acontecer mais um derramamento de sangue”, diz o agricultor José Rosalvo dos Santos.


Salve o Dia da África

postado por Cleidiana Ramos @ 6:05 PM
25 de maio de 2012

Hoje é dia de festejar ainda mais a nossa descendência africana. Foto: Fernando Amorim/Ag.A TARDE/ 20.05.2005

Nesse dia de homenagens baianas às nossas várias Áfricas, uma saudação àqueles que são símbolos de como elas se renovam.

Que as lutas de ontem e de hoje tornem o seu cotidiano mais leve e justo.


Crítica a programa de TV mobiliza twitter na Bahia

postado por Cleidiana Ramos @ 3:30 PM
22 de maio de 2012

Pessoal: as redes sociais hoje estão fervendo por conta da crítica a um programa que veicula notícias policiais na Band Bahia.

A história já ganhou o portal da revista Imprensa que reproduzo abaixo.Cliquem aqui para conferir a história.  Após isso quero conhecer a opinião de vocês sobre o tema? Combinado?


Cotas são constitucionais

postado por Cleidiana Ramos @ 8:44 AM
27 de abril de 2012

STF aprovou por unanimidade a constitucionalidade das cotas nas universidades do País. Foto: Agência Brasil

Hoje o espírito guerreiro de todos nós está em festa. Ganhamos uma batalha nesta longa guerra contra os efeitos da escravidão, como o racismo, ao ver ontem o STF aprovar, por unanimidade, a inconstitucionalidade de uma ação movida pelo DEM contra o sistema de cotas da UnB.

Temos ainda um longo caminho a percorrer, inclusive, com mais esforço para ver a educação melhorar de qualidade em todos os níveis de ensino. Mas hoje com certeza, as lutas de Zumbi, Zeferina, Maria Felipa, Joaquim Nabuco, Luís Gama, Lélia González, Abdias do Nascimento e tantos e tantos outros fica ainda mais reluzente.


Mulheres em evidência

postado por Cleidiana Ramos @ 12:04 PM
20 de abril de 2012

Mulheres Negras em destaque. Foto: Luciano da Matta/ Ag. A TARDE/ 02.12.2005

Tive a honra de ser uma das madrinhas do Odara- Instituto da Mulher Negra lançado em uma cerimônia belíssima realizada ontem, que mostrou o quanto essa mulherada vai ajudar na luta contra a desigualdade. E hoje tem mais festa com as mulheres negras em destaque. Daqui a pouquinho, às 16 horas, na sede do Ministério Público, no CAB, Ebomi Nice de Oyá da Casa Branca e a socióloga Vilma Reis serão homenageadas pelo Ministério Público da Bahia no envento “Mulheres que fazem a diferença”.

Além delas, serão também homenageadas a ministra Eliana Calmon; a procuradora de justiça Lúcia Bastos Farias Rocha e a deputada estadual Luiza Maia.


Debate marca lançamento do Odara- Instituto da Mulher Negra

postado por Cleidiana Ramos @ 2:07 PM
19 de abril de 2012

Luiza Bairros é uma das convidadas. Foto: Gildo Lima/ Ag. A TARDE/ 17.11.2011

Hoje tem festa para celebrar mais uma conquista do movimento de luta das mulheres negras. A partir das 18 horas, no Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, situada nos Barris, acontecerá um debate sobre a inclusão desse segmento no novo ciclo de desenvolvimento da Bahia e do Brasil. O debate marca o lançamento do Odara- Instituto da Mulher Negra.

Os convidad@s para a condução do debate são a ministra Luiza Bairros; Pedro Chequer, coordenador do Unaids no Brasil; a representante da Fundação Ford no Brasil, Nilcéia Freire e a consultora da Ouvidoria da Petrobras, Wânia Sant’Anna.

Eu recebi o honroso convite de ser uma das madrinhas do instituto ao lado das nobres Makota Valdina e Rosana Maria (CESE).


Balaio de Ideias: Ônus e Bônus

postado por Cleidiana Ramos @ 12:52 PM
10 de abril de 2012

Uma das demandas apresentadas pelo professor Jaime é a campanha em prol da sede do Instituto Steve Biko. Foto: Edson Ruiz / Ag. A TARDE/ 01. 03. 2005

Jaime Sodré

Evidente que as alianças serão sempre bem vindas, pois é sabido que a solidariedade seria um fator característico da condição humana. É comovente observar gestos generosos daqueles que erguem o seu braço amigo e a sua voz, incorporando nas suas preocupações o problema do outro.
A situação de desigualdade experimentada pela população brasileira, em especial a afrodescendente, fruto de fatores históricos de uma evidência inquestionável, experimentará recuo, pelos esforços deste segmento aliado, na superação do quadro deficitário de oportunidades e políticas públicas se apoiados por amigos sinceros.

Um bom observador presencia manifestações no espaço cultural, em especial no campo da música baiana, de pessoas não necessariamente negras, desfrutando do capital simbólico negro, identificando-se com o mesmo, aproximando-se de forma concreta e utilizando o potencial afro em suas ações artísticas.

Este desfrute, esta proximidade, gera significativo capital financeiro e prestígio, este último dividido com a comunidade inspiradora. Assim é que, nesta bem vinda aliança, cabe retornos mais concretos para a comunidade inspiradora, o segmento afrodescendente, em desvantagem sócio-econômica evidente. Não se trata de pedágio, é claro, mas de contrapartida real e experimentável, cujo usufruto anseia os afrosdescendentes.

Artistas talentosos e solidários, nossos aliados, devem como sugestão, utilizar o seu prestígio para postar-se na linha de frente da nossa pauta de luta, para a superação das nossas demandas. Logo, apresentamos aqui, de forma seletiva, uma listagem das nossas aspirações, que julgamos ser do conhecimento, mas aqui cabe como oportuna lembrança.

Além do natural posicionamento rígido contra o racismo, devem pronunciar-se claramente contra a intolerância religiosa que atinge o Candomblé, este fruto de inspiração, geradora de direitos autorais aos compositores que buscam nesta referência cultural a sua inspiração, alicerce do seu sucesso.

Exercer o seu prestígio e possibilidades junto aos órgãos de saúde para a concretude ou ampliação de programas para o tratamento das manifestações da anemia falciforme.

Posicionar-se claramente e sem subterfúgios, favoráveis à adoção de cotas para negros nas universidades, estimular os nossos jovens a freqüentar a escola, realizar campanhas que resultem na inibição do uso de drogas, estímulos e posicionamentos para oportunização de empregos para os jovens negros.

Uma solicitação especial me ocorre. Seria uma intensa campanha para arrecadação de fundos ou efetivar doações, objetivando a instalação da sede da Steve Biko, entidade que realiza cursos para a inclusão de negros na universidade, cujo imóvel, cedido pelo governo do estado, localizado em um trecho no qual as atrações carnavalescas passam bem à sua porta, tem hoje  um painel grafitado no seu muro que, pela beleza desta arte, não acreditamos que os nossos astros não tenham visto. Quem sabe um grande show, onde a arrecadação do mesmo seja destinada as obras naquele prédio.

Para aqueles sensíveis astros afrodescendentes ou não, seria oportuna uma campanha para a conclusão das obras que se arrastam na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, localizada no Pelourinho.

Na verdade não cabe aqui uma listagem extensa, pois acreditamos que os atores artísticos e sociais, se apurada a observação, poderão se incorporar às inúmeras iniciativas de ações que resultem em efetivo apoio.

Na condição de outra e importante sugestão, esta inquestionável, seria a observação das necessidades das nossas crianças. Escolas, creches e adoções devem ser prioridades neste gesto solidário de bem fazer. Apoio às ações sociais empreendidas pelas unidades populares de matriz africana que se preocupam na formação das crianças, através de doações de livros, equipamentos e alimentação.

Volto à TV, vejo uma atriz branca, rainha da bateria de uma escola de samba, agradecendo aos instrumentistas negros, que repercutem os tambores para o seu sucesso midiático. Que haja uma reciprocidade verdadeira.

Jaime Sodré é historiador, escritor e religioso do Candomblé


Dia da mulher é data de resistência

postado por Cleidiana Ramos @ 10:52 AM
8 de março de 2012

A data de hoje é ainda mais especial para celebrar a luta constante dos movimentos liderados por mulheres. Foto: Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE/ 23.03.2011

Um abraço a todas as mulheres negras, sobretudo as mães e avós que representam ainda mais essa luta por resistência, afinal geraram e geram os novos soldados para essa batalha sem fim contra o racismo e todas as outras desigualdades.


Ana Célia recebe medalha Zumbi dos Palmares

postado por Cleidiana Ramos @ 3:56 PM
21 de novembro de 2011

Ana Célia será homenageada nessa terça-feira. Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE| 30.06.2008

Já começo parabenizando a vereadora Olívia Santana (PCdoB) pela iniciativa: Amanhã, terça-feira, 22, a educadora Ana Célia Silva recebe a Medalha Zumbi dos Palmares, em solenidade que será realizada na Câmara Municipal de Salvador.

Ana Célia é uma das figuras mais emblemáticas da luta contra o racismo no Brasil e numa área estratégica que é a educação. Ela merece essa e muitas outras homenagens.

Doutora na área, Ana Célia tem contribuído, sobretudo, para o alerta sobre a necessidade de desconstruir estereótipos sobre a população negra nos livros didáticos.

Membro titular do Conselho Estadual de Cultura, ela é autora dos livros como “A Representação Social do Negro no Livro Didático: O que mudou? Por que mudou?” e “A Discriminação do Negro no Livro Didático e Desconstruindo a Discriminação do Negro no Livro Didático”

A medalha Zumbi dos Palmares é uma honraria concedida a pessoas, grupos ou entidades que se destacam em diversos âmbitos da sociedade, na luta pelo combate à prática do racismo e a favor da cultura afro-brasileira.


A semana foi de Jorge

postado por Cleidiana Ramos @ 4:52 PM
4 de novembro de 2011

 

Jorge Washington ganhou homenagem. Foto: Haroldo Abrantes |Ag. A TARDE | 13.11.2009

O ator do Bando de Teatro Olodum, Jorge Washington, recebeu, ontem, na Câmara Municipal, a medalha Zumbi dos Palmares. Festa dupla e mais que merecida para Jorge que fez aniversário na última segunda-feira.

Além de talento, Jorge tem carisma de sobra, além de ser um dos mais eficientes soldados do exército da luta contra o racismo. Comemoremos juntos com ele.


Promoção relâmpago

postado por Cleidiana Ramos @ 4:44 PM
21 de outubro de 2011

Cena da peça Namibia, não!. Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE

O primeiro comentário respondendo quem é o autor da peça “Namíbia, não!”, ganha um par de ingresso para assistir o espetáculo no domingo às 20 horas no Teatro Módulo (Av. Professor Magalhães Neto, Costa Azul).

Detalhe: a vencedora ou vencedor tem que retirar o par de ingressos até o meio-dia de amanhã na portaria do jornal A TARDE (Rua Milton Cayres de Brito, Caminho das Árvores. Ponto de referência: em frente à Casa do Comércio). Corram! Dou o resultado ainda hoje à noite.

Lembrem-se que as respostas devem vir acompanhadas de nome completo, endereço, e-mail e telefone de contato, informações que, claro, não serão divulgadas.

A promoção é uma gentileza da editoria que prepara o Caderno 2+.


Para adoçar o fim de semana

postado por Cleidiana Ramos @ 5:53 PM
30 de setembro de 2011

Para tornar este fim de semana ainda mais empolgante, vai aqui um vídeo de Sandra de Sá no embalo engajado de Olhos Coloridos. Beleza Pura.

 

 


CEF retira vídeo com Machado de Assis representado por branco

postado por Cleidiana Ramos @ 5:48 PM
21 de setembro de 2011

A Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou a retirada de um comercial sobre a sua caderneta de poupança por conta de um erro histórico. O escritor Machado de Assis, que era negro, foi representado no vídeo por um ator branco. Além disso, a instituição pediu desculpa aos movimentos negros.

Durante muito tempo cogitou-se que o escritor foi omisso em relação à escravidão e às relações interraciais do Brasil no período em que viveu, mas estudos como o intitulado Machado de Assis afro-descendente: escritos de caramujo (antologia), de autoria de Eduardo de Assis Duarte, traz elementos para reavaliar esse tipo de ideia sobre um dos grandes nomes da literatura brasileira.

Confiram o vídeo com a propaganda da CEF cliando no link:
watch?v=10P8fZ5I1Wk.

Para saber mais sobre a decisão da Caixa clique aqui.


Diego Maurício é vítima de racismo no jogo histórico

postado por Cleidiana Ramos @ 5:47 PM
29 de julho de 2011

Diego Maurício foi alvo de insultos racistas. Foto: Fábio Borges/VIPCOMM

Claro que o jogo entre Flamengo e Santos, com vitória para minha alegria do primeiro, depois de uma virada histórica, vai render assunto para muito tempo. Para quem gosta de futebol, com certeza, não é exagero dizer que foi a melhor partida do Campeonato Brasileiro nesta primeira decáda de Secúlo XXI. Mas o que pouca gente tá falando é do episódio de racismo que ofuscou o espetáculo.

Diego Maurício, o jovem atacante do Flamengo, foi insultado de forma racista, por torcedores do Santos enquanto se aquecia. A informação foi passada por um repórter da Globo, durante a transmissão, de quem, infelizmente, não registrei o nome. O tom de voz do repórter expressava sua revolta e ele reiterou várias vezes que eram coisas muito pesadas e desagradáveis, embora não as repetisse.

Ontem o jogador deu uma declaração dizendo que foi xingado de “macaco”. Recentemente, o mesmo Diego Maurício sofreu ofensas racistas quando defendia a Seleção BrasileiraSeleção Brasileira no Sul-Americano Sub-20, em Moquegua, no Peru.

Não é possível que a CBF, os clubes e a Justiça Desportiva façam de conta que esse problema não existe.


Diretor é condenado por racismo

postado por Cleidiana Ramos @ 6:15 PM
9 de junho de 2011

Wolf Maya ( no centro de camisa vinho) foi condenado por racismo. Foto:Willian Andrade| TV Globo| Divulgação| 29.08.2007

O diretor e ator da Globo, Wolf Maya, foi condenado a dois meses de prisão por conta de injúria com conotação racial.  O acusador é um técnico de iluminação que trabalhou em uma das peças do diretor.

A condenação é em primeira instância e a defesa do diretor  vai recorrer. Além disso, Maya nega a acusação.

Segundo a queixa ele teria ofendido o técnico Denivaldo Pereira da Silva com as seguintes palavras: “preto fedorento que saiu do esgoto com Mal de Parkinson”. Isso teria ocorrido em 12 de agosto de 2000.

As informações são do portal Uol. Para saber mais clique aqui.


A despedida do grande Abdias

postado por Cleidiana Ramos @ 5:11 PM
24 de maio de 2011

Abdias Nascimento é um ícone da luta contra o racismo. Foto: Xando Pereira |Ag. A TARDE |13.11.2002.

Alguém já me disse que um acontecimento é importante quando você consegue lembrar exatamente o que estava fazendo naquele momento quando recebeu a notícia sobre ele.

Da mesma forma existem também pessoas que acionam essas lembranças. Uma delas é Abdias Nascimento. Nunca vou esquecer que estava numa sessão do V Encontro de Estudantes Africanos, na Faculdade de Economia da Ufba quando chegou a informação sobre a sua morte, na manhã de hoje.

Quem me falou, com toda a gentileza e cuidado peculiar aos filhos de Oxalá, foi o professor Jaime Sodré. Ele me chamou a um canto, preocupado em encontrar a melhor forma de abordar o assunto para a plateia.

A notícia só foi compartilhada após a leitura emocionada de um poema que o grande Limeira, um perfeito tradutor das emoções de uma alma descendente de africanos, compôs em homenagem a Abdias e Lelia Gonzalez.

A narrativa desta emoção coletiva foi a única forma que encontrei de tentar traduzir o que significa essa passagem de Abdias, pois produzir um texto sobre ele  está além da minha capacidade tanto informativa como de criação.

Basta pensar que este homem militou durante 80 anos pelo combate ao racismo em vertentes tão diversas como o teatro, a poesia e a política.

Acho que uma frase do professor Jaime resume tudo: ganhamos hoje mais alguém no plano ancestral para zelar por todos nós. Axé!


Balaio de Ideias: O Hip Hop e a rima denúncia

postado por Cleidiana Ramos @ 1:51 PM
19 de maio de 2011

Jaime Sodré analisa força política do hip hop. Foto: DJ Branco | Divulgação

Jaime Sodré

Estávamos em Blacktude na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, cedida pela dinâmica Maria Roseane, a diretora, para reflexões adultas em um ambiente infantil. A mesa era composta por Nelson Maca, excelente na Literatura Negra, GOG-Genival Oliveira Gonçalves, excepcional Rap, e Albino Rubim, Secretário de Cultura, democrata, aliado.

Os primeiros reivindicavam e havia para mim um clima de déjà vú ao contemplar o chapéu, no estilo dos velhos sambistas, ostentado por GOG, em contraste com a cabeleira de Maca e a escassez na cabeça de Rubim, careca de saber.

Estavam para cobrar, o Rap tem esta função. Assim como faziam os bambas de ontem, de forma melódica denunciando a exclusão: “Ai barracão pendurado no morro e pedindo socorro a cidade a seus pés.” Nada mudou?

O que se nota é a eterna luta. A arma melódica de hoje é o Rap, “Mas esteja convencido: Quem fere com ferro, é serio, Um dia com ferro será ferido”, recita GOG no seu livro A rima denuncia. Mudou-se a trilha sonora, mas a realidade parece persistente. O Rap e o Hip Hop, (Afrika Bambaataa foi o primeiro a utilizar este termo), são bem aventuradas expressões políticas, artísticas e rebeldes de forte sabor juvenil onde o SCRCRAAANTSHHH é o deslizar da agulha no velho vinil.

Destaco na cena baiana o magistral DJ Branco, da Evolução Hip Hop, na Rádio Educadora, mas que história é esta? Rap significa Rhythm and Poetry, ou seja, Ritmo e Poesia. De singular melodia, caracterizada por suas letras recitadas, onde a comunidade periférica, em especial a negra, o “gueto”, expõe suas questões.

Para alguns tem como berço a Jamaica dos anos 60, com os seus Sound Systems e bailes com os seus “tagarelas”, MC’s, que “cronificavam” a violência nas favelas de Kingston, aspectos políticos, sexo e drogas. Deslocaram-se para os Estados Unidos na década de 70 em função da situação de crise.

Credita-se a Kool Herc, jamaicano, a instalação em Nova Iorque da tradição dos Systems e o canto falado, mais tarde incorporando o SCRATCH. Nos anos 70 tivemos o genial Kingtim III da Banda Fatback, ativista do Rap, colaborando na divulgação das questões negras. O movimento chega ao Brasil nos anos 80, ganhando espaço em 90 na indústria fonográfica, aqui os “tagarelas” somam-se aos Breakers, sendo realizado o primeiro registro com Nelson Triunfo, Thaide & DJ Hum, MC/DJ Jack, Código 13, dentre outros.

O Hip Hop chega nos 80, com bailes e movimentações na 24 de Maio, em São Paulo, espaço dos Metralhas e o “icônico” Racionais MC’s. Assim como historicamente aconteceu com o samba, este movimento fora perseguido pela polícia, instalando-se porém em São Bento e outros na Pç. Roosevelt. Lá estavam, enfezados, rolando no solo, com saltos característicos, resistindo.

Ao contrário do samba, não tem remelexos, são gingados agressivos, bordoada contra o racismo, o desemprego, a polícia, os políticos e as injustiças. Uma cultura visceral, agressiva, rebelde, com códigos corporais e gírias. Em um cenário urbano ou periférico, expõe as mazelas sociais, com suas calças largas, bonés, tênis, e expressão artística que incorpora as artes plásticas com os grafites, de traços particulares e riqueza de cores.

Os Rappers, os Fanqueiros, “não quer abafar ninguém, só quer mostrar que faz samba também”, em um compasso diferente, sem esconder as mazelas sociais e raciais. “Vozes Marginais na Literatura” é o livro de Érica Peçanha do Nascimento onde fala desta cultura periférica, ornada pelas questões sociais e econômicas, necessitando de oportunidade para a afirmação da sua estética e respostas aos “novos-velhos” questionamentos.

DJ Bandido, B.Boy Ananias e B.Girl Tina, Fúria Consciente, Graffite Lee 27, DJ Môpa, Daganja, Negro Davi, Anjos do Gueto, Calibre Mc e Fall, Quatro Preto, RBF e Os Agentes, “é a Bahia aí mermo, mano”. São 15 anos de Hip Hop em movimento na Bahia, mas isto é outra história. Versos longos, insubordinação, dança robótica, grafite são os elementos artísticos de um questionamento que merece atenção e respostas.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


Exclusivo: Entrevista com novo titular da Sepromi

postado por Cleidiana Ramos @ 4:01 PM
5 de maio de 2011

Elias Sampaio é o novo secretário de Promoção da Igualdade. Foto:Marco Aurélio Martins| Ag. A TARDE| 08.07.2006

Acabou a novela. Agora é oficial. Depois de várias especulações,  Elias Sampaio é o novo titular da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade  (Sepromi). O Mundo Afro traz, em primeira mão,uma entrevista com o novo titular da pasta que estava sendo comandada, interinamente, desde a ida da ministra Luiza Bairros para a Seppir. A nomeação foi feita ontem e a posse será amanhã, mas em uma cerimônia no âmbito do governo. O novo secretário tem 44 anos, é economista, doutor em Administração Pública,  mestre em Economia, professor da Uneb e x-diretor-presidente da Prodeb. Já ocupou também o posto de sub-secretário municipal da Reparação.

Qual a principal prioridade da sua gestão?
É dar continuidade ao trabalho que a Sepromi vem fazendo de consolidação da secretaria como sendo uma das principais para o trabalho de inclusão do governo Wagner. Temos também como fundamental a articulação com a Seppir.Eu vejo, por exemplo, esse trabalho de erradicação da pobreza do governo federal como algo que fundamentalmente passa pela questão do combate à desigualdade racial.

Como o Sr. vê o desmembramento do setor de política das mulheres da Sepromi e a criação de uma secretaria específica para esta questão?
O governo do Estado agiu de forma acertada. Essa já era uma demanda do movimento de mulheres e existia o compromisso de criar uma secretaria específica para essa fim. A Sepromi passa a ter esse foco de combate às desigualdades raciais. Ela perde a superintendência de mulheres, mas ganha a Coordenação Executiva para Povos Tradicionais que tem o objetivo de trazer todos aqueles que não estão contemplados em políticas públicas. É um grande ganho.

Inclusive, uma crítica feita por alguns setores dos movimentos sociais é a de que ao ter como foco a população negra, que é majoritária no Estado, deixava-se de lado outras etnias.
Mas a orientação do governo é que a Sepromi deve fazer a inclusão de todos atingidos pela desigualdade. Precisamos ter diálogo com todos, afinal o nosso objetivo é o de cidadania plena. Estamos em um processo de desenvolvimento econômico que não pode deixar ninguém para trás.

Secretário, por que demorou-se tanto para chegar à sua nomeação?
Para mim não houve demora. Essa decisão sobre a Sepromi já havia sido tomada. Eu não acho que houve novela, como você diz (risos). Eu estava presidindo uma grande empresa (a Prodeb) e tinha, claro, que se evitar especulação ou criar instabilidade. Mas tudo estava definido. Precisávamos também aguardar a reforma administrativa que incluía a criação da Secretaria de Promoção de Políticas para as Mulheres, pois o nosso entendimento é que só teria sentido um homem ser titular da Sepromi quando a questão de gênero tivesse a sua independência, pois do contrário seria uma contradição. Tanto é que, até o momento, a interinidade estava com a competente Vanda Sá que fez um excelente trabalho. Às vezes as pessoas desconhecem os detalhes com os quais se precisa ter cuidado em um ambiente de governo


Beleza de livro

postado por Cleidiana Ramos @ 10:33 AM
19 de abril de 2011

Livro é recheado de informações preciosas. Foto: Divulgação

O livro Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, veio para as minha mãos com o compromisso de fazer uma resenha para o caderno cultural de A TARDE há cinco anos .  Quando peguei o livro fiquei assustada diante do tamanho: 952 páginas. Ainda mais para fazer um texto pequeno sobre o que achei da leitura.

Mas ao abrir o livro eu não conseguia mais parar. A história de Kehinde, uma criança africana capturada por traficantes de escravos que vem parar na Bahia é o ponto de partida para uma viagem por vários dos meandros do horror que foi o tráfico de gente.

É possível também conhecer muito de Salvador e do Rio de Janeiro do século XIX; as relações raciais e o cotidiano dos retornados para a África. Embora não seja mencionado explicitamente, a personagem é inspirada em Luiza Mahin, apontada como a mãe do poeta e jornalista Luís Gama.

O livro é uma preciosidade por sua riqueza de informações. A narrativa só perde um pouquinho a força na parte final.

Ana Maria Gonçalves é mineira e já ganhou prêmios prestigiosos como o o Casa de las Américas exatamente por esse livro.

O texto é denso, mas consegue ser agradável, o que é uma excelente qualidade da obra. Como eu tinha perdido o primeiro exemplar, comprei outro (que, para não repetir o  erro, não empresto de jeito nenhum..rssrsrr).  Outra boa surpresa é que a edição mais nova veio com o prefácio de Millôr Fernandes. Fica então a sugestão para começar a leitura nesse feriadão.


Protesto contra deputados tem que prosseguir

postado por Cleidiana Ramos @ 12:14 PM
4 de abril de 2011

Uma pergunta que não quer calar: só Jair Bolsonaro vai ficar no olho do furacão das consequências  de sua verborragia racista e homofóbica?

E o pastor evangélico Marco Feliciano, que ganhou um mandato de deputado pelo PSC-SP, e destilou preconceito inconcebível atingindo numa só tacada os aficanos e sua religiosidade ancestral, além dos homossexuais?

Esse tipo de procedimento não pode ser esquecido ou ficar impune. Tá na hora de manifestação para punir todos os dois, pois ambos infrigiram disposições constitucionais.