Dia de festejar as crianças

postado por Cleidiana Ramos @ 4:16 PM
27 de setembro de 2012

Hoje é dia de celebrar a infância. Foto: Eduardo Martins/ Ag. A TARDE

Se a promessa é para os santos católicos, que a tradição aponta como adultos e não gêmeos, ou se é para as divindades infantis do Candomblé pouco importa.

O bom é que hoje é dia de festejar essa delícia que é a infância.  Essa sacralização permite aos adultos, pelo menos por um tempo, relembrar esses dias.

Portanto, vamos comer muito caruru e festejar essa beleza da cultura popular.


Balaio de Ideias: Tem caruru na Bahia

postado por Cleidiana Ramos @ 1:51 PM
26 de setembro de 2012

Caruru é festa de menino onde cabe todo mundo, além de ser uma delícia. Foto: Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE/20.09. 2010

Maria Stella de Azevedo Santos

Vinte e sete de setembro está chegando. A Bahia se prepara para brincar com as crianças, com muito caruru e doces. Coisa boa é criança, coisa boa é brincar. Enquanto festa, que mal pode existir na cerimônia de se reunir para comer o popularmente conhecido “Caruru de Cosme e Damião” e/ou “Caruru de Ibeji”? Creio que nenhum. Entretanto, tudo muda quando se fala em culto religioso. Repito: enquanto cultura popular, maravilha; enquanto religião, fazem-se necessários alguns esclarecimentos.

Para uma população que busca cada vez mais o conhecimento, nenhum sentido tem a frase: “Minha mãe sempre fez assim”. Afinal, nossas mães passavam roupa com ferro a carvão e nem por isto continuamos a usá-lo. Também não adianta dizer: “Eu sempre dei o caruru e sempre me dei bem”. Claro! Será que São Cosme e São Damião ou mesmo Ibeji se aborreceriam com festas feitas com tanta devoção e carinho? Não acredito.

Minha intenção com este artigo não é a de criar polêmicas, mas sim a de transmitir o conhecimento que possuo sobre Ibeji, para que o alegre povo baiano possa ampliar cada vez mais seus conhecimentos e, assim, possa realizar suas festas populares com a alegria que lhe é peculiar e que tanto agrada aos povos de outras localidades.

Entender o porquê da data 27 de setembro ser escolhida para a realização dos carurus é fácil: esta era a data em que a Igreja Católica Apostólica Romana celebrava os santos Cosme e Damião (hoje, para a Igreja, estes santos são festejados no dia 26 do mesmo mês). Mas não sei onde foi encontrada a relação dos amados santos católicos com Ibeji – seres espirituais cultuados pelos africanos. A única semelhança que até hoje percebi é o fato de os referidos santos terem sido irmãos. Já que ibeji é a palavra yorubá que significa gêmeos. Se houver outras semelhanças, peço aos leitores que nos transmitam o que sabem, a fim de que nossa cultura popular torne-se mais consistente, consequentemente mais fortalecida.

Não podemos ser vaidosos, nem preconceituosos com um assunto que interessa a todos, indistintamente. Somos todos baianos. Para que se compreenda essa necessidade, cito o exemplo de uma “filha de santo” que me fez a seguinte pergunta: “Minha mãe, tem algum problema eu ir num caruru de Cosme, Damião e Dou?”. Diante daquela pergunta, não me restou alternativa a não ser indagar-lhe: Cosme e Damião são conhecidos, mas quem é Dou?. Ao que ela, cheia de opinião, respondeu-me: “Oxente, mãe Stella, é o irmão de Cosme e Damião!”. Cumpro aqui, portanto, o que considero uma das funções de uma iyalorixá: esclarecer os devotos da religião de que é sacerdotisa, como também a toda a população, temas que se cristalizaram de forma equivocada.

Ibeji não é Cosme e Damião! Ibeji é a palavra usada pelo povo yorubá quando quer referir-se a qualquer gêmeo nascido. Em uma  família yorubá, o primeiro gêmeo (ibeji) nascido se chama taiwo – nasce com a luz; já ao segundo gerado se dá o nome de kéhìndè – sobrevive para unir; a terceira criança que chega ao mundo depois do nascimento de gêmeos é  ìdowu – tem prazer em unir; a quarta criança nascida é alabá – aquela que recebe e aceita os sonhos e visões.

O seguinte mito explica, muito bem, essa relação familiar: Egbé – redemoinho de vento (Iansã), mãe de gêmeos (ibeji) – vivia inquieta e alarmada. Sua casa estava sempre em reforma, porque seus filhos, muitos travessos, gostavam de brincar colocando fogo na casa. Egbé, então, resolveu consultar um babalawô, a fim de tentar uma solução para o problema. Ele aconselhou a mãe dos gêmeos a ter mais um filho. Assim ela fez, e o terceiro filho (idowù) conseguiu com a sua chegada acalmar os seus irmãos ibeji. Eles pararam de brincar com fogo e Egbé voltou a ter calma.

Ibeji são crianças que gostam de brincadeiras e doces. Ibeji gosta de quiabo com azeite, gosta de caruru. Afinal, são crianças africanas. São filhos de divindades (Xangô e Iansã), sendo também cultuados como divindades. Dar caruru a Ibeji é atrair alegria, inocência, renovação… Enfim, é fazer renascer a cada ano a criança que habita em nós.

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Seus artigos são publicados, quinzenalmente, sempre às quartas-feiras.


Hora de reverenciar a beleza da infância

postado por Cleidiana Ramos @ 5:34 PM
26 de setembro de 2011

Amanhã é dia de festejar São Cosme e São Damião. Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE| 26.09.2005

Amanhã é dia de festa para São Cosme e  São Damião. Na Bahia, o culto aos santos católicos encontrou a festa para os ibejis, que representam a infância divinizada no candomblé.

Daí que mesmo que a biografia dos santos católicos não confirme se realmente eram gêmeos e os aponte como adultos, no imaginário popular eles assumiram as características dos orixás meninos.

Portanto, amanhã é dia de comida farta aos pés de Cosme e Damião: caruru, vatapá, pipoca, rapadura, milho, arroz, galinha de xinxim, feijão fradinho, feijão preto, cana e outras iguarias, além de doces, muitos doces.

Sempre recordo do antropólogo e professor da Ufba, Ordep Serra que, em sua dissertação de mestrado sobre erês, se ocupou também dos ibejis.

Como aponta o professor Ordep, o caruru é um rito voltado para a purificação, mas feita de forma lúdica. Quem oferece o caruru tem que ficar no centro da roda dos meninos para que eles, depois de comerem, limpem as mãos na roupa do anfitrião que fica purificado das energias negativas.

Sem falar que os meninos comem de mão e podem fazer a algazarra que desejarem. É uma festa para deixar que a criança existente dentro de cada um de nós fique à vontade.

Então é hora de aproveitar e viva o culto tanto aos orixás meninos como aos santos gêmeos nesse ambiente de quem aprendeu a respeitar a riqueza e a beleza da crença do outro.


Dia de festa dos meninos

postado por Cleidiana Ramos @ 9:43 AM
27 de setembro de 2010

Hoje tem caruru por toda a Bahia. Foto: Marco Aurélio Martins | Ag. A TARDE.

A segunda-feira que é um dia considerado morno, da volta pachorrenta ao trabalho, amanheceu, hoje, mais colorida.

Isso porque é dia dos santos Cosme e Damião, adultos e médicos para a Igreja Católica, mas que o encontro com o  candomblé os fez ser lembrados como crianças gêmeas, os ibejis,  que gostam de muita comida,  principalmente o prato à base de quiabo, o caruru, e que dá nome a todo o banquete, além de doces, muitos doces.

Enfim, é dia de cantar coisas alegres que tomam até liberdades como jurar que São Cosme “vadeia”, no sentido de curtir: São Cosme mandou fazer/duas “camisinha” azul/no dia da festa dele/São Cosme quer caruru/Vadea cosme, vadea…

Vejam pela letra da canção que tudo é possível. Até abolir o plural cobrado pela chamada língua culta.

Pelas ruas, avenidas e becos da capital baiana e do interior quanta gente não vai abrir a casa para receber convidados e ofertar a eles um delicioso caruru. Pode ser aquele prato recheado de quitutes: caruru, vatapá, arroz, galinha, feijão fradinho, banana da terra, rapadura, cana-de-açúcar, acaçá, pipoca, etc ou o mais econômico como se faz lá na região da minha querida Iaçu: caruru, vatapá, galinha e arroz.

É dia de ouvir as belas ladainhas em honra dos santos para depois vir o delicioso samba.  É também dia de ver a meninada se lambuzar e comer quanto aguentar e os mais velhos se comportarem como menino.

Que bela forma de começar a semana. Viva aos santos gêmeos, sejam os católicos ou os ibejis do candomblé.


Domingo dos santos meninos

postado por Cleidiana Ramos @ 10:21 AM
26 de setembro de 2009
Amanhã é dia de festa para os santos meninos. Foto: Cleidiana Ramos

Amanhã é dia de festa para os santos meninos. Foto: Cleidiana Ramos

Amanhã é dia de São Cosme e São Damião.  Os santos canonizados pela Igreja Católica são adultos, irmãos, mas não necessariamente gêmeos. Só que na Bahia o encontro entre catolicismo e candomblé os transformou em meninos que gostam de caruru acompanhado de tantas outras iguarias.

Além disso, este aspecto da religiosidade popular criou um rico repertório cultural com cânticos, a famosa ladainha e  o samba que costuma acompanhar o antes e depois da distribuição da comida. Tanto na capital como no interior é dia dos devotos agradecerem a proteção dos santos recebendo em casa os seus convidados para partilhar um banquete.   

Esta preservação do culto a divindades infantis trazido pelos africanos  foi tão forte que alcançou o altar católico. Fiz uma matéria mostrando esta sacralização da infância, com base nos estudos do doutor em antropologia e professor da Ufba, Vilson Caetano. O texto traz também o pensamento da Igreja sobre este aspecto da religiosidade popular e a subversão dos códigos do comportamento ocidental à mesa que toma conta deste rito, afinal os meninos comem primeiro, o quanto quiserem, de mão e por aí vai.

A reportagem vai estar na edição de amanhã do jornal A TARDE. No mais, este domingo será de muito caruru e doces por esta Bahia de todos os encantados, inquices, orixás, santos e voduns.  Saudações aos meninos.


Aquecimento para os 35 anos do bloco Alvorada

postado por Cleidiana Ramos @ 2:03 PM
8 de setembro de 2009

 

Aloísio Menezes é um dos artistas escalados para animar a festa. Foto: Vinicios Lima |Divulgação

Aloísio Menezes é um dos artistas escalados para animar a festa. Foto: Vinicios Lima |Divulgação

 

Setembro chegou e já está aberta a temporada de carurus pela cidade. Na Bahia,o nome não serve apenas à iguaria, mas também à festa que ocorre em torno dela. No proximo dia 20, na Praça Tereza Batista, Pelourinho, a partir das 15 horas, vai acontecer o realizado pelo Bloco Alvorada com um tempero especial: a abertura das comemorações pelos 35 anos da agremiação. 

O caruru também marca o ínicio dos ensaios do Alvorada para o Carnaval. O embalo musical fica por conta de Samba de Cozinha, Aloísio Menezes, Bambeira, 5 Mulekes e 1 Atrevido e Gal do Beco. 

“Aqui na Bahia oferecer caruru simboliza pagamento de promessa aos santos Cosme e Damião, que além de protetores das crianças e dos médicos, nos sincretismos religiosos representa os Erês, renovação e, para o bloco, vem resultando numa boa abertura dos trabalhos”, afirma Vadinho França, representante do Alvorada.

Há 25 anos o caruru é preparado por um dos terreiros mais tradicionais da Bahia: o  Bate-Folha.  A festa também contará com a 1ª Exposição Fotográfica do Bloco Alvorada. O  ingresso custa R$10 reais e a casadinha R$ 15. Outras informações pelo telefone 71 3322-3684 e 3321-3675.