Peças de cultura e religião afro vão sair do DPT

postado por Cleidiana Ramos @ 4:50 PM
20 de julho de 2010

As peças ligadas à religião e cultura afro que estão sob a guarda do Departamento de Polícia Tecnica (DPT) não vão ser mais exibidas no Museu Estácio de Lima pertencente à institiuição.

A Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (Sepromi) já determinou o início do inventário das peças e vão ser realizados estudos para determinar a sua procedência.

O governo estadual tomou esta medida, após publicação de uma matéria assinada por mim e veiculada na edição de domingo do jornal A TARDE contando sobre o retorno de peças para o DPT. Os artefatos  estavam no Museu da Cidade desde 1997 por recomendação do Ministério Público.

Isto porque elas ficavam ao lado de um acervo formado por peças como feto de duas cabeças e armas de crimes. Até 1971 as cabeças degoladas de cangaceiros como Lampião e Maria Bonita faziam parte do acervo.

De acordo com o que consegui apurar as peças retornaram para o DPT por força de uma liminar conseguida pela ex-diretora do órgão, Maria Theresa Pacheco que faleceu em maio deste ano.

O movimento para a retirada de peças foi liderado por pessoas como o doutor em antropologia e ogã da Casa Branca, Ordep Serra, o saudoso ogã do terreiro Agnelo Pereira e representantes da ong Koinonia.

Vale destacar que os primeiros estudos sobre candomblé foram feitos por médicos, geralmente professores da Faculdade de Medicina da Bahia, como Nina Rodrigues e Estácio de Lima. Eles consideravam esta religião uma patologia.

Daí a gravidade dessas peças voltarem para o mesmo ambiente de medicina legal onde eles militaram e defenderam posições como essas que reforçam preconceitos não só sobre a religião mas também sobre os negros de modo geral.

Portanto, valeu a pena a mobilização que causou a resposta rápida do governo.

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