Paródia sobre apertheid e racismo

postado por Cleidiana Ramos @ 3:56 PM
4 de junho de 2010

Filme de ficção científica discute questões como o racismo. Foto: Divulgação

Enquanto estava me recuperando da conjuntivite tive um tempinho para ver um filme em casa. Descobri, então, Distrito 9. É um filme de ficção científica, cheio de aliens e a violência típica do gênero, mas a película vai mais além ao abordar questões como preconceito e racismo. Na verdade trata-se de uma paródia sobre o apertheid e seus dilemas na África do Sul, onde a história se passa.

Os alienígenas do filme vivem em uma favela, vinte anos após a sua chegada à África do Sul, mas um plano de uma empresa de armamentos que tem interesses escusos,  a MNU, quer levá-los para um novo gueto e esconde segredos bem mais pesados e que passam longe da ética.

A história é entremeada por depoimentos no estilo documentário. Algumas das entrevistas são  reais, mas o diretor usou o recurso de levar os moradores de favelas que dão depoimentos a imaginar que estavam se referindo aos imigrantes ilegais. Eles vêm massivamente do Zimbábue e são chamados de “illegal aliens”. No filme, os sul-africanos soltam o verbo contra esses grupos que chegam à África do Sul para fugir da ditadura de Robert Mugabe.

Houve, inclusive, um massacre com 50 mortos dos quais a maioria era formada por imigrantes do Zimbábue logo após as filmagens em 2008, o que levou o diretor Neill Blomkamp, natural do país, a declarar que se arrependeu de  ter feito as entrevistas.

O filme foi a sensação do verão norte-americano do ano passado e em três dias arrecadou os US$ 30 milhões que foram investidos na sua produção.

A história roda em torno do agente Wikus (o ator sul africano Sharlto Copley) que é o comandante da missão de retirada dos aliens. A forma pejorativa com que ele encara o grupo é um dos destaques do filme. Logo Wikus vai sentir, literalmente, na pele os efeitos do seu preconceito.

O filme é bem interessante por mostrar outros aspectos do apertheid e do ódio racial na África do Sul, inclusive aquele que nasce mesmo na relação entre oprimidos, sem torná-los, embora vítimas de um mesmo sistema, aliados.

Blomkamp, o diretor, vem de uma família de classe média alta, é branco e vive hoje no Canadá, mas cresceu ainda sob a vigência do regime de segregação racial na África do Sul. Ele faz trabalhos voluntários, eventualmente, nas favelas de Johannesburgo.

Uma curiosidade do filme e que não deve ter agradado os nigerianos: na película, eles são os líderes das gangues que exploram os aliens por meio do tráfico de comida de gato enlatada, que os deixa enloquecidos. Embora possa parecer que o filme caminhe pelo humor, às vezes, na verdade, as questões que ele levanta são sérias e incômodas.

Vocês podem conferir o trailler do filme abaixo:

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Uma Resposta to “Paródia sobre apertheid e racismo”

  1. André Black Bell  Says:

    Engraçado é que eu assisti esse filme e o compreendi exatamente nessa lógica.
    Ainda bem que não estou sozinho!

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