Panáfricas é uma nova ponte entre a África e sua Diáspora

postado por Cleidiana Ramos @ 11:59 AM
9 de novembro de 2010

Parte da equipe do Panáfricas: Paulo Rogério, Carlos Moore e André Santana. Foto: Divulgação

Uma equipe de jovens comunicadores, acompanhados pelo intelectual Carlos Moore, está fazendo um belíssimo trabalho sobre a África e sua Diáspora. Preferi transcrever abaixo um texto muito interessante sobre esta experiência, que pode também ser acompanhada em um blog que vocês acessam clicando aqui.

O eterno retorno à Terra Mãe

Até o próximo dia 16 de novembro, o Projeto Panáfricas estará na África registrando sons e imagens do continente de onde saíram para o mundo milhões de seres humanos, com sua rica cultura, arte, ciência e forma de vida. O material colhido na viagem à Nigéria, Gana e África do Sul – primeira etapa do projeto – integrará uma série de televisão sobre o panafricanismo e a diáspora africana.

Essa descoberta das origens dos afrodescendentes e sua luta pela cidadania está sendo conduzida pelo historiador cubano, Carlos Moore, grande conhecedor da trajetória de ícones da luta negra pelo mundo, com os quais conviveu em diferentes países,como Fela Kuti, Cheikh Anta Diop, Aimé Cesaire, Malcolm X, dentre outros.

O ativista Carlos Moore está retornando à África após mais de duas décadas, para fazer o lançamento da versão africana do livro: Fela: this bitch of the life, biografia de Fela Kuti, lançada originalmente em 1982 e que em breve terá sua versão em português. Trata-se da primeira biografia escrita sobre um artista africano.

A equipe do Panáfricas é formada pelo publicitário Paulo Rogério Nunes, produtor executivo do projeto, e pelos jornalistas André Santana, Lucas Santana e Mateus Damasceno, que também é cineasta e está sendo responsável pelas imagens. Damasceno é o presidente da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV). Paulo Rogério e André Santana são diretores da série de TV Panáfricas e integram o Instituto Mídia Étnica, organização social que há cinco anos vem realizando projetos sobre mídia, tecnologia e relações étnicas, utilizando, inclusive, o audiovisual.

Alguns vídeos  produzidos pelo Instituto Mídia Étnica podem ser conferidos no Portal Correio Nagô (www.correionago.com.br). Mateus Damasceno e Lucas Santana fazem parte da produtora baiana Caranguejeira, que tem experiência na produção de cinema e vídeo, com produtos premiados como o documentário: Bolívia, para além de Evo, fruto da experiência dos profissionais no país latino-americano. Mateus é o diretor de fotografia da série Panáfricas e Lucas, o técnico de áudio e som direto.

Roteiro de viagem

A entrada na África aconteceu em 8 de outubro pela Nigéria, país de 140 milhões de habitantes. A pauta principal no país foi o legado político e musical de Fela Kuti, criador do Afrobeat e principal referência para os nigerianos. A equipe visitou as cidades de Abuja, capital da Nigéria, Abeokuta, onde Fela Kuti nasceu e Lagos, a segunda maior cidade da África e que tem o maior contigente negro do mundo. Foi em Lagos onde Fela criou uma comunidade chamada Kalakuta, que propunha a liberdade e solidariedade entre seus habitantes. Em Lagos também está o Africa Shrine, casa de show que se eternizou na história da música pelas apresentações de Fela e hoje é conduzida por seus filhos, a produtora Yeni e o músico Femi Kuti.

O Panáfricas entrevistou amigos, músicos e familiares de Fela, cinco dos seus filhos e duas das suas ex-esposas. Além de registrar o cotidiano de Lagos, com sua tumultuada rotina de megalópole (mais de 15 milhões de habitantes) e sua flagrante desigualdade social. Na segunda etapa da viagem, a equipe visitou Accra, capital de Gana,primeira nação africana a ser tornar independente do colonialismo europeu, em 1957.

A pauta principal em Gana foi a importância de Kwame Nkrumah, herói da independência e primeiro presidente do país livre e W.E.B. Du Bois, intelectual e ativista afro-americano, que escolheu viver em Gana. Ambos são considerados os pais do panafricanismo, pela contribuição ideológica e prática na luta pela soberania africana e união entre as nações africanas e os países da diáspora.

O Panáfricas registrou uma importante entrevista com Carlos Moore sobre o panafricanismo. As locações foram o Instituto de Estudos Africanos, da Universidade de Ghana, o Panafrican Centre, Memorial Kwame Nkrumah.

Em Gana, além da capital, a equipe visitou as cidades de Cape Coast e Elmina no litoral do país, onde registrou imagens dos fortes de onde embarcaram para as Américas milhares de africanos sequestrados pelo comércio escravista. A última parada dessa primeira etapa do Projeto Panáfricas está sendo a África do Sul, país que ficou marcado pelo regime segregacionista do apartheid, cujas leis estabeleciam as diferentes oportunidades e direitos entre brancos e negros, até o início da década de 1990. No país que sediou a última Copa do Mundo estão sendo enfocadas as contribuições de ativistas como Steve Biko e Nelson Mandela, através de entrevistas e registros nas cidades de Joanesburgo e Pretoria.

O Panáfricas fez imagens surpreendentes dos arredores de Joanesburgo, a mais desenvolvida cidade da África subsaariana, onde estão localizados os township (comunidades segregadas criadas pelo apartheid): Soweto e Lenasia. Assim como Soweto era o local reservado aos negros, tornando-se ícone da luta contra o apartheid, Lenasia mantinha a populacão indiana bem distante do centro de Joanesburgo.

A viagem começou no dia 8 de outubro e o retorno ao Brasil será no dia 16 de novembro. O projeto pretende filmar também em outros países africanos e da diáspora negra como Etiópia, Tanzânia, Martinica,Jamaica, Estados Unidos e Índia.

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9 Respostas to “Panáfricas é uma nova ponte entre a África e sua Diáspora”

  1. Marcio A. Couto  Says:

    Olá, visitei o Blog está muito bom mesmo; Espero que além do trabalho de pesquisa vocês também estejam aproveitando a viagem, porque eu aproveitaria. Grande abraço a todos e tudo de bom.

  2. Bernadette de Freitas  Says:

    qUE BOA IDEIA ESTA DESTE GRUPO, E TORÇO QUE DE CERTO.qUE SEJA DE MUITO ESTUDO E MUITAS PESQUISAS E QUE TRAGAM PARA O BRASIL GRANDE NOVIDADES.TUDO QUE SE FAZ COM CARINHO, BOA VONTADE E ESFORÇO DA CERTO. A AFRICA E UM CONTINENTE QUE NOS DA MUITOS MOTIVOS PARA SE ESTAR LA PORQUE FOI LA QUE NOSSOS ANTEPASSADOS VIVIAM.pOR TANTO UM GRANDE TRABALHO E QUE APROVEITEM O MAXIMO QUE PODEREM.

  3. Cristiano Xadê  Says:

    salve salve,

    aos comapnheiros em viagem , uma iniciativa fora de seré, parabéns a Paulo,André e Carlos .

  4. Mardones Ferreira  Says:

    Bom dia,

    Pensei que ia encontrar manifesto em repúdio à ação de policiais militares em Ilhéus contra a religiosa do candomblé Bernardete Souza Ferreira.

    O ato de tortura e preconceitos estão em blogs de acesso nacional. Aconteceu em Ilhéus – BA e chegou até Brasília.

    Vamos cobrar ação do Governador reeleito contra esse crime brutal. ´

    É imperdoável a ausência desse crime aqui nesse espaço. Ainda há tempo.

  5. Cleidiana Ramos  Says:

    Mardones: se você checar a memória do blog, verá que demos a notícia da agressão com a publicação de um manifesto contra ela logo em seguida à ocorrência. Abraços.

  6. André  Says:

    Obrigado a Cleidiana e todos os comentários motivadores. A viagem foi realmente surpreendente. Muito aprendizado e descobertas. Tô de volta a Bahia, mas a equipe continua na África. A última novidade foi a entrevista com o presidente Lula, em Moçambique, em sua última viagem a África como nosso Chefe de Estado. Confira no blog: http://www.panafricas.blogspot.com

    abração

  7. Juliana Dias  Says:

    Acredito que esse trabalho do Instituto Mídia Étnica é muito importante para a juventude, principalmente para o ensino da lei 10.639, nas escolas.
    Os relatos estão fantásticos no Blog. Temos a sensação de estarmos presenciando o que é contado. Vale a pena conferir!

  8. manuel lisboa ramos terramoto  Says:

    Sou cineasta de nacionalidade angolana,estou produzindo um filme sobre os angolanos que durante 400 anos foram levados para o Brasil…o meu filme é sobre as verdadeiras mãos que fizeram America,mas que infelizmente não são gratificadas…

  9. manuel lisboa ramos terramoto  Says:

    VÓS NEGROS AMERICANOS NÃO VOS ESQUEÇAIS NUNCA QUE A AFRICA É A VOSSA CASA,NUNCA.

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