O tempo de ouro de Maria Bethânia

postado por Cleidiana Ramos @ 11:30 AM
13 de fevereiro de 2015
O antropólogo e poeta Marlon Marcos ao lado de sua musa, Maria Bethãnia. Foto: Margarida Neide / Ag. A TARDE

O antropólogo e poeta Marlon Marcos ao lado de sua musa, Maria Bethãnia. Foto: Margarida Neide / Ag. A TARDE

Marlon Marcos

De lá, 1965, o grito do carcará; daqui, 2015, o doce entoar em pronúncias perfeitas sobre etnias indígenas que civilizam o território nacional. Hoje, o Brasil celebra os 50 anos de carreira da matriarca da canção brasileira. A senhora franzina que pauta beleza e simplicidade no cenário cultural deste país. A mulher que ensina com o canto minúcias e delicadezas que estão em nós e, muitas vezes, bem esquecidas.

Hoje a Iara dança desguarnecida, livre, desatenta, em nome da festa que a canção popular nos traz. E sem vontade de ser destemida. Hoje é um tempo vermelho dourado da beleza nascida em Santo Amaro, na Bahia, mas que na forma de raio e pássaro conquistou o Brasil. As águas remontam uma história que revigora o estar de um mito. Um gênio feminino atirado ao campo artístico, ao educativo, ao antropológico.

A memória negríssima no poema de Fernando Pessoa, nos estimulando a ler, nos convidando a ver, nos fazendo agir, nos permitindo gozar. A memória guarida da palavra eleita para os sonhos que, como fogo, se obriga a transformar este país. E pra melhor. A história do impossível sonho que rasga o chão para que brote a rosa vermelha do deserto.

Cinquenta anos de esmerada carreira movida a paixão. Do teatro show Opinião até o centro do nosso Castro Alves, Maria Bethânia é o ouro que faz amanhecer este país, como se ela fosse a rosa do deserto de Cecília: “Eu vi a rosa do deserto/ ainda de estrelas orvalhada/ era a alvorada”.

A alvorada é Bethânia recomeçando. Frente ao disco Ciclo dedicando a Seu Zezinho. Ela tocando o chão para saudar mãe Menininha. Ela reaprendendo Pessoa aos cuidados de dona Cléo. Ela sendo analisada em um congresso todo seu feito pela Associação Rosa dos Ventos Bahia. Ela vista menina irmã mulher artista nas narrativas de Mabel. Ela derretendo-se de saudade de dona Canô, de Nicinha, de Fauzi Arap. E nunca desistindo.

Antropólogo, jornalista e poeta, autor da dissertação Oyá-Bethãnia os mitos de um orixá nos ritos de uma estrela para obtenção do título de mestre em estudos étnicos e africanos pela Ufba

Uma das canções que viram encantamento na voz melodiosa e poderosa de Maria Bethânia

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