Notícias sobre a reunião de Atlanta

postado por Cleidiana Ramos @ 5:03 PM
24 de maio de 2010

Ministro Elói Ferreira, da Seppir, ao lado de Arturo Valenzuela, sub secretário para Relações com as Américas do Departamento de Estado do governo americano e Thomas Shannon, embaixador dos EUA no Brasil, durante uma sessão da reunião em Atlanta. Foto: Cleidiana Ramos

Confiram abaixo a matéria que fiz para A TARDE sobre os resultados da quarta reunião do Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA para Promoção da Igualdade Racial e Étnica. O encontro aconteceu nos dias 20 e 21 em Atlanta, EUA.

Governos comemoram participação maior de ongs na reunião de Atlanta

Cleidiana Ramos

A quarta reunião do Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA para Promoção da Igualdade Racial e Étnica (Japer- na sigla em inglês) foi avaliada como a de maior participação da sociedade civil . O encontro foi realizado durante dois dias (20 e 21) em Atlanta, EUA, cidade que tem cerca de 70% de afrodescendentes em sua população. Atlanta foi a sede do início da luta pelos direitos civis, comandada por Martin Luther King, e que culminou com o fim da segregação racial.

O encontro contou com a participação de representantes de 101 organizações da sociedade civil; 89 membros de órgãos dos dois governos e de 13 empresas, como a Merck & Co, a Continental Airlanes, dentre outras, particularidade que também foi comemorada, pois emprego é um dos eixos temáticos do acordo. “Temos agora que prosseguir com o planejamento para as próximas reuniões técnicas e as anuais, além de incluir os participantes da sociedade civil organizada e das empresas”, disse Arturo Valenzuela, que é o sub secretário do Departamento de  Estado do Governo Americano para Relações com as Américas.

Dentre as ações do Plano que já estão em andamento o ministro Elói Ferreira, titular da Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir), citou os resultados do seminário sobre segurança pública que aconteceu há duas semanas no Brasil e prevê a implantação de disciplinas relacionadas ao combate ao racismo nas academias de formação policial. “São formas para fazer com que a abordagem policial  deixe de identificar os membros da população negra como potenciais criminosos”, acrescentou o ministro.

Expectativa- O Japer foi assinada em março de 2008. De lá para cá aconteceram reuniões de ajustes técnicos, como as realizadas em Brasília e Washington. Em outubro do ano passado aconteceu mais um encontro em Salvador, com o objetivo de apresentar o plano a representantes das organizações da sociedade civil. Em Atlanta , além das ongs, empresas foram convidadas para participar dos debates.

Mas, para Sheila Walker, historiadora e diretora executiva da Afrodiaspora Inc, uma organização voltada para o trabalho de integração dos varios países da chamada diáspora africana, anda faltando mais ações concretas em relação ao acordo. “Estamos falando em um plano de ação e ainda estamos no nível das reuniões. Queremos ver  medidas realmente operacionais”, afirma Sheila Walker, que é também uma das mais importantes ativistas da causa de combate ao racismo nos EUA.

Um dos representantes da sociedade civil no Japer, com a missão de acompanhar o andamento do acordo, função que é descrita como “ponto focal”, o diretor executivo do Instituto de Midia Étnica, Paulo Rogério, também avalia que é necessária uma maior agilidade, mas vê progressos em relação às discussões do encontro em Salvador. ” Creio que a divisão que foi feita em relação aos grupos temáticos aqui em Atlanta foi positiva para coletar sugestões e houve maior participação das organizações da sociedade civil. Acho que o plano começa a ganhar uma melhor formatação”, destaca.

O deputado federal Edson Santos (PT-RJ), ex-ministro de Promoção da Igualdade, também considera que houve avanços no Japer. “Com certeza demos um salto de qualidade”, acrescenta. Santos, que se desincompatilizou do cargo para concorrer a uma nova vaga na Câmara, era ministro na época em que o acordo foi firmado durante a visita da então secretária de Estado dos EUA ao Brasil, Condoleezza Rice.

“Este acordo já estava sendo formatado bem antes da visita de Condoleeza Rice. Tanto é que assumi a Seppir em fevereiro e assinei o plano em março”, completou. Pela primeira vez, os dois países, no âmbito de sua condição de Estados, assinaram um acordo para o combate ao racismo. De acordo com Santos, o compromisso, que transcedeu a posição ideológica dos governos, pois ele foi assinado ainda na administração Bush, foi resultado do tratamento institucionalizado que o combate ao racismo acabou ganhando no Brasil . “Creio que os EUA sentiram firmeza por ações como a criação da Seppir e também o protagonismo que o governo Lula ganhou no cenário internacional”, disse.

Durante o seu pronunciamento, o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, também fez uma avaliação parecida com  a do deputado. “Creio que Brasil ganhou uma nova projeção no cenário mundial e este diálogo com os EUA para o combate à discriminação racial não tem uma conotação apenas regional, mas sim global”, acrescentou.

O Japer tem como eixos tematicos temas como educação, cultura, comunicação e saúde, segurança pública, dentre outros. A ideia é que os países troquem suas experiências positivas.

Em setembro deste ano, por exemplo, técnicos em saúde do Brasil seguirão para os EUA para apresentar o trabalho que vem sendo feito no País para o tratamento da anemia falciforme, um distúrbio muito presente na população negra. O modelo são as ações da Federação Nacional das Associações da Doença Falciforme (Fenafal), organização que nasceu em Salvador.”Nós temos este e muitos outros assuntos para discutir e levar um país a colaborar com o outro”, acrescentou Arturo Valenzuela.

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