Notícias de Atlanta 3: O táxi dirigido por Ogun

postado por Cleidiana Ramos @ 7:49 PM
28 de maio de 2010

Numa das raras pausas durante as atividades da reunião do Japer (Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA para o Combate à Discriminação Racial e Étnica), ocorrida  em Atlanta ,conheci uma figura bem interessante. O contato foi rápido, mas bem rico. Eu, Paulo Rogério, diretor executivo do Instituto Mídia Étnica, e Mabel Lara, uma jornalista colombiana, precisamos tomar um táxi em Atlanta. Tanto lá como em Washington, os taxistas, normalmente, são africanos. É possível contato com etíopes, nigerianos, senegaleses e vários outros povos do continente.

Pois bem. O taxista chama-se Ogunteile. Eu e Paulo Rogério, imediatamente, começamos a chamá-lo de Ogun e fazer perguntas sobre a Nigéria, afinal a referência cultural desta região é uma das mais fortes aqui na Bahia.

O papo foi liderado por Paulo que fala inglês muito bem. Ficamos sabendo da forte identificação que eles realmente têm também com a Bahia, principalmente por conta dos agudás, os chamados retornados. São descendentes dos africanos que retornaram para lá no século XIX. Muitos partiram de Salvador após o aumento da repressão que se seguiu aos episódios relacionados à revolta dos malês.

O iroubá é uma língua extremamente dinâmica. Algumas das poucas expressões que a gente sabia fomos falando para Ogum, como “agô” e “omi” e ele, imediantamente, traduzia para o inglês com o mesmo sentido que elas têm na tradução para o português, que são  ” licença”  e  “água”. Mais uma prova da riqueza cultural que os terreiros de candomblé conseguiram preservar.

Ogun, quando soube que éramos baianos, imediatamente nos chamou de irmã e irmão.  Tentamos agendar com ele o nosso retorno, mas aí ele se atrasou além dos 15 minutos que tinha nos prometido e tivemos que tomar o táxi já com um etíope. Foi outra oportunidade de sabermos mais sobre a Etiópia, mais uma vez num papo liderado por Paulo Rogério. A guerra do país para obter acesso ao  mar,  por exemplo, foi um dos temas.

Não me lembro agora o nome do último taxista, pois, também depois de ter conhecido Ogun que vive à frente do volante de um táxi, ou seja, bem próximo do simbolismo do orixá homônimo que é o dono dos caminhos,  ficou difícil  guardar  tantas informações. Ah sim! A maioria dos taxistas de lá fica de mau humor quando a gente não dá  gorjeta. Não foi este o caso do simpático Ogun.

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