Notícias de Atlanta 2

postado por Cleidiana Ramos @ 5:17 PM
24 de maio de 2010

Da esquerda para a direita: Juliana Nunes, Hill Harper, Paulo Rogério e Bernice King durante a Conferência de Mídia. Foto: Cleidiana Ramos

Uma das palestras que mais gostei durante a reunião do Japer em Atlanta  foi a conferência de mídia. Intitulada A Influência da Mídia na Percepção da Raça: trabalhando em prol da diversidade da mídia, a conferência  foi conduzida  pela jornalista Laura Flanders e teve como palestrantes a reverenda Bernice King, que é a filha mais nova de Martin Luther King; Paulo Rogério, publicitario e diretor executivo do Instituto de Mídia Étnica, organização voltada para a democratização da comunicação e formação de comunicadores negros, que fica em Salvador; Hill Harper, ator de cinema, TV e teatro e que atualmente integra o elenco da série CSI: NY, que é muito popular nos  EUA e chega ao  Brasil por meio do sistema de TV a cabo; e Juliana Cézar Nunes, jornalista e coordenadora da Radioagência Nacional na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), além de integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF), do Fórum de Mulheres Negras e da Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra.

Esta conferência foi transmitida para Salvador por meio de uma parceria entre a Fundação Pedro Calmon, o Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro, e o Acbeu. Com base nos depoimentos dos palestrantes, dá para perceber que os dois países têm problemas comuns em relação à penetração na midia: há pouca participação de profissionais e artistas negros nos meios de comunicação e o protagonismo ocorre apenas em questões negativas, como a cobertura de casos policiais.

“No caso do  Brasil, estamos no estagio que Muniz Sodré define como “vampiro”, um personagem mítico que não se olha no espelho, pois a nossa imagem também é mostrada de forma distorcida, sem falar na baixa participação de comunicadores negros, principalmente na chamada mídia comercial”, destacou Paulo Rogério.

Como um dos exemplos positivos de cobertura dos temas que interessam à população negra na mídia comercial brasileira, Paulo Rogerio citou as ações do Grupo A TARDE, como os cadernos anuais publicados no Dia Nacional da Consciência Negra e o blog Mundo Afro, especializado em questões ligadas à identidade e religiosidade negras. De acordo com ele, o trabalho já se tornou referência nacional.

Para a reverenda Bernice King, que é filha de Martin Luther King, a mídia, principalmente, a chamada “independente”, tem um papel crucial na defesa dos direitos da população negra. Ela fez um histórico de como a luta do seu pai acabou chegando até os grandes órgãos de imprensa a partir da comunicação feita pela própria comunidade negra. “Começamos com a comunicação via papel mimeografado, depois chegou aos meios locais e finalmente à imprensa nacional e TV. Isso foi muito importante”, acrescentou Bernice.

Compromisso- O ator Hill Harper disse acreditar que os negros que têm acesso à mídia, principalmente no campo do etrentenimento, precisam ter ainda maior responsabilidade em relação aos exemplos que desejam transmitir. “Eu, por exemplo, tento aceitar apenas aqueles papéis que me dão segurança de que vão passar mensagens positivas”, completa. Harper é fundador da Manifest Your Destinity Foundation, uma ong que trabalha com a formação de jovens desenvolvendo projetos, principalmente na área de educação e é autor de três livros, que são bestseller por lá: Letter to a young Brother; Letters to a Young Sister e The Conversation.

Por aí a gente já tira que os EUA estão bem mais avançados em relação à penetração dos negros na mídia, embora enfrentem problemas como disse antes. Quando eu estava em Atlanta durante os dias da conferência vi o tempo inteiro a presença de afroamericanos nas mais diversas formas de publicidade, como âncoras de programas de jornalismo e também nas séries de TV. O próprio Hill Harper é um exemplo dessa diferença em relação ao Brasil.

Além disso, por lá há revistas com penetração nacional voltadas para a comunidade negra como a Ebony, a Essence e a Crisis, editada pela NAACP, institituição que é histórica na luta pelos direitos civis e que tem uma abordagem mais analítica. Vê esses exemplos faz a gente ter mais confiança de que no futuro isto também pode ser possível no Brasil.

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