Herança africana inspira artista para criar troféus

postado por meire.oliveira @ 10:23 AM
20 de novembro de 2015
Rodrigo é autor dos troféus Ousadia, Força e Leveza

Rodrigo é autor dos troféus Ousadia, Força e Leveza

O artista plástico Rodrigo Siqueira, 34 anos, é autor dos troféus que premiaram os estudantes de gastronomia do  Vamo Ngudiá (fotonovela e vídeo), que integra  Ajeum – A força da comida, especial de A TARDE em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra. A criação de cada peça teve como base os temas  ”ousadia”,  ”força” e “leveza”. Eles  traduzem as características que fizeram os aspectos da herança africana resistirem e influenciarem a formação de outras culturas.

Cada escultura veio em forma de uma mulher africana com uma panela onde foi colocado o elemento representante de cada símbolo escolhido. “A dona da panela é Oxum. E a africana é o toque ancestral que até hoje é base de pratos contemporâneos”, diz o artista que também é religioso do candomblé. O material utilizado na construção das peças foi resina com pó de mármore, além da panela de cerâmica e a placa de metal.

A definição dos símbolos teve o universo do tema como inspiração. “A ideia da colher de pau surgiu como a extensão do braço de quem tem o poder de comandar e inovar. E também representa o legado da ancestralidade que fundamenta tudo isso”, conta Rodrigo. A segunda escultura com a pimenta traz a simbologia da força. As pimentas são naturais e foram revestidas de resina. A obra que representa a leveza também tem o elemento em sua forma natural. “Não tem nada mais leve na comida que as folhas e as especiarias que carregam muito conhecimento desse legado, no entanto, podem ser levadas pelo vento”, explica Rodrigo.

A atuação no âmbito da religiosidade tem sido frequente no trabalho do artista que também assina uma exposição permanente no terreiro Ilê Obá L´Okê, localizado em Vilas do Atlântico. O acervo engloba dois trabalhos: a mostra Ori Orixá, que consiste em 19 bustos de orixás, e a Na palma de minha mão que são 12 telas que representam divindades da religião de matriz africana. A visitação é gratuita e ocorre às terças e quintas, das 9h às 16h. É necessário agendar pelo telefone: 3287-0435. “Procuro resgatar imagens a partir da valorização dessa herança africana e redesenhar a forma como a religiosidade é retratada”, diz.

A iniciativa é do projeto “Brasil com Artes” que busca valorizar a cultura afro-brasileira em suas variadas expressões. A coordenação é de Rodrigo e do antropólogo e professor Ufba, Vilson Caetano de Sousa Junior.

Trajetória

Rodrigo começou a carreira como carnavalesco atuando, por 17 anos, no eixo Rio de Janeiro- São Paulo. Há quatro anos faz trabalhos no carnaval de Macapá (Amapá). No currículo, o artista amazonense que começou a estudar arte aos 7 anos, também agrega as profissões de cenógrafo, escultor, produtor de eventos e estilista.

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