Fé e Futebol

postado por Cleidiana Ramos @ 5:44 PM
5 de maio de 2010

Para lançar o segundo uniforme da Seleção Brasileira, a Nike escolheu o tema Mandingas e lançou um vídeo  com esse nome que vocês podem conferir aí em cima.

Achei interessante, pois foi a única vez em que vi uma referência, que pode ter vários questionamentos, claro, a elementos das religiões afro-brasileiras de uma forma que não é totalmente jocosa no campo dos esportes.

Uma curiosidade do vídeo é que o jogador Robinho conta que seu avô era pai-de-santo e que previu o seu futuro como atleta. Prestem também atenção no rapper que Luis Fabiano canta no fim.

A mística que cerca a camisa azul da Seleção Brasileira tem base num episódio ocorrido em 1958: pega de surpresa por não ter um segundo uniforme, a delegação teve que improvisar colocando o escudo da amarelinha num conjunto azul. Para justificar e levantar o moral do grupo, o chefe da delegação discursou dizendo que aquela era a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A seleção ganhou o jogo por 5X2 e sagrou-se campeã mundial  pela primeira vez na até hoje maior goleada em finais de Copa.

O Brasil já tinha jogado de azul em 1938, mas não pegou. Predominava um uniforme branco que foi aposentado após a fatídica derrota para o Uruguai em 1950. A partir daí o amarelo reinou soberano.

Não é de hoje que jogadores utilizam símbolos religiosos no momento que fazem o gol apontando os dedos para cima, por exemplo. Nos últimos anos virou moda as  camisetas dos que são evangélicos com declarações de amor a Jesus.

Mas a Fifa não anda muito satisfeita com tanto fervor religioso. Logo após a última edição da Copa das Confederações, os jogadores brasileiros se uniram no centro do campo para ajoelhados rezarem o Pai Nosso. O gesto não pegou bem, pois países que defendem a laicidade do Estado- e as seleções representam nações- reclamaram, porque temem que o esporte se torne uma arma perigosa de propaganda religiosa e consequentes enfrentamentos.

Uma das confederações que se insurgiu contra a prática dos brasileiros foi a Federação da Dinamarca. Circulou a notícia de que a Fifa chegou a repreender a CBF pedindo menos fervor religioso. Vamos observar o que vai acontecer durante os jogos da Copa.

Eu, particularmente, confesso que fico incomodada, não com a demonstração de fé, pois isso é questão de consciência, mas com o discurso de alguns jogadores que parecem pregação religiosa. Na fala de alguns parece que Deus privilegia determinadas equipes em detrimento das demais.

No ano passado inclusive, uma declaração da mulher do jogador Kaká botou mais lenha nessa fogueira. De acordo com o vídeo que circulou no youtube a moça considerava a venda do marido, uma das maiores da história, um “milagre de Deus”, em tempos de crise. Os dois são da Igreja Renascer. Segundo notícias, a direção do Real Madrid pediiu ao  atleta para ter cuidado com este tipo de associação.

E vocês? O que acham de religião misturada a futebol?

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3 Respostas to “Fé e Futebol”

  1. róger  Says:

    Penso que é muito importante o ser humano ser religioso e seguir uma religião. A religião deve religar o ser humano com o divino. Fazer com que ele seja mais humano e feliz.. Manifestar a fé que seguimos também é um direito, mas não podemos desrespeitar as pessoas que seguem outras religiões. As manifestações de fé da parte dos jogadores são bem vindas, desde que não seja proselitismo ou fatatismo. O ser humano é um todo, ou seja, religioso, político, social etc. Não podemos fazer as coisas isoladamente como se ora somos isso outra aquilo. Se sou religioso, sigo uma religião, devo ser o tempo todo religioso, nos atos, nas ações e nos afazeres, etc. Só não pode haver intolerância, desrespeito ou violêcia.
    O vídeo ficou legal e ainda bem que abordaram a religião afro brasileira. Que a seleção brasileira faça bonito e mereça a recompensa pela garra e talento.
    Paz e bem. Roger

  2. Carlos Scorpião  Says:

    Religião, Relicare=Religare=religar é para isso que devem servir as relações religiosas e/ou espirituais, culto a ancestrais falecidos ou míticos, ou mesmo elementos da natureza, por isso, e mais por isso mesmo que outras razões ligadas à “suposta” Perturbação, o nosso elo EXU é essa comunicação, amarração, re- ligação, portanto! Não à toa, o elemento, a deidade mais atacada pelas intolerantes e dominantes Religiões Cristãs ao longo da história. Relacioná-lo com o pior, o mal, com o Demônio, entidade pedófila, exclusivamente católico-cristã, é violentar estratégicamente “o outro” nas suas crenças primeiras, ancestrais, culturais”! E essa tem sido nossa questão essencial, a manipulação das crenças e religiões, pelos seus, por outros, pela sociedade nos seus preconceitos e discriminações, o que tem nos levado a confusões entre parlamento e religião, futebol e religião, num estado declaradamente laico, mas que faz acordo com o Vaticano, , estado exclusivamente RELIGIOSO, concedendo certos privilégios, até às ações de intolerância quotidianamente presentes. E abordava Jaime Sodré, meu tio mais velho, qual o papel do sincretismo nisso tudo, e eu costumo concordar com Ildásio, ele denomina de sincretismo-mimético, eu que não sou muito, mas sério pesquisador, de mimetismo. Eu faço analogia ao camaleão, se adapta mudando de matiz, geralmente “combinando” com a aparência loco – momentânea, com o ambiente, e isso acontecia relativamente, no momento em que se orava para “santos” mas conectava-se com as divindades, a princípio, inkisses, e daí jejes, ketu-iorubás e caboclos, até porque os povos bantos são os primeiros, as nossas manifestações culturais mais antigas estão mais ligadas ao mundo Bantu que os posteriores, mas também. E acredito eu, a expressão “povo de santo” e não “povo de Inkisse”, “povo de orixá” , advêm, também, desse registro! Mas para aliviar o assunto mas nem tanto, Luis Fabiano, aquele jogador brabo e goleador, contou em entrevista que quando era menino via sempre um senhor crioulo vestido de branco, sem perna, (acho que era o Saci (exuzinho nacional: crioulo ( o preto simboliza o oculto, o hermético de Hermes (Mercúrio,romano.) seu correlato deus mitológico grego), gosta de um fuminho e quem sabe de uma Uca?; seu gorro vermelho; cor do dinamismo do movimento; perna para quê, Exu precisa? A aparição tirava sarro com os garotos, chamando-os de perna-de-pau entre outras coisas, e em conversa com ele disse que ele jogava um pouquinho e que talvez desse certo, finalizando, Fabiano diz que tal personagem crioulo “mais parecia um ANJO”! Nem mesmo depois de tamanho e vantajoso milagre na vida dele, “este milagreiro” foi “promovido” ainda, e Fabiano nem percebe o porquê!!

  3. Cleidiana Ramos  Says:

    Carlos: na verdade, quem aparece para Luís Fabiano como menino é um pai-de-santo que ele aproxima da figura do preto velho. Tá no vídoe da Nike Mandigas que coloquei no post…obrigada pela bela reflexão. Abraços, Cleidiana.

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