Contribuições para a preservação da memória

postado por Cleidiana Ramos @ 12:17 PM
2 de setembro de 2009
Da esquerda para a direita: Claudio Pereira, Silverino Ojú e Ayrson Heráclito: Foto: Divulgação

Da esquerda para a direita: Claudio Pereira, Silverino Ojú e Ayrson Heráclito: Foto: Divulgação

Recebi por e-mail um registro de uma das palestras do projeto Iyá Egbé, que é voltado para o resgate da memória do Ilê Axé Opô Afonjá, uma atividade que  noticiei aqui no Mundo Afro. Aproveito então para contar um pouquinho sobre uma das mesas redondas que ainda consegui assistir.

Isto porque trabalhei no sábado da virada do novo projeto gráfico e editorial do jornal A TARDE e saí daqui meia hora depois do horário em que ia começar a palestra, mas deu para chegar a tempo de participar.  Gente foi muito, muito legal. As palestras foram do artista plástico e professor da UFRB, Ayrson Heráclito e do professor da Ufba e doutor em antropologia, Claudio Pereira, com a mediação de Silverino Ojú, que faz parte do Centro de Documentação e Memória do Terreiro (CDM).  Pela manhã e no início da tarde aconteceram outras palestras.

O projeto, coordenado pelo CDM, é uma das ações preparatórias para as comemorações do centenário do Afonjá no ano que vem. O trabalho do professor Ayrson Heráclito a partir do uso do azeite de dendê é extremamente interessante, instigante e uma festa para os olhos. As fotografias e o vídeo que mostraram as instalações de sua autoria deixaram a platéia fascinada. Em seguida, o professor Claudio Pereira, mostrou mais uma vez a facilidade que possui para falar sobre temas complexos. Com sutileza, ele passeou sobre as definições de cultura, iconografia, iconologia, memória e patrimônio, enfim uma aula perfeita.

Para mim, que estou trabalhando nesta área, inclusive sob a orientação do professor Claudio, foi uma tarde de aprendizagem inesquecível, sem falar do cenário do encontro: a escola Eugênia Anna dos Santos, uma das pioneiras no ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira em Salavador, princípio determinado pela Lei 10.639/03 que foi modificada no ano passado pela 11.645/08 para incluir também o ensino de História e Cultura Indígenas.  Fiquei encantada com a decoração da sala de aula onde aconteceu a mesa redonda: tudo muito lúdico, mas claramente com função pedagógica.

A inciativa do CDM é mais uma ação de resgate da memória e documentação que os terreiros de Salvador e de outras cidades tem feito tão bem, muitas vezes com recursos e esforços próprios e que tem um valor incalculável. Parabéns às comunidades do Afonjá, do Gantois, do Pilão de Prata e do São Jorge da Goméia que são alguns dos terreiros com iniciativas deste tipo já sedimentadas.        

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