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Assista ao primeiro desafio do mundo sobre cozinha baiana

postado por Cleidiana Ramos @ 10:34 AM
20 de novembro de 2015

 

Os estudantes de gastronomia Cláudia Santos, Iago Luz e Luciane Dias aceitaram um desafio e tanto: criar uma refeição – prato, sobremesa e bebida– para uma plateia de paladar exigente: os chefs Alício Charoth, Angélica Moreira, Beto Pimentel e Matheus Almeida. Os resultados são surpreendentes.


Pilão de Prata em ciclo de homenagens

postado por Cleidiana Ramos @ 9:37 AM
24 de setembro de 2015
Pai Air festeja 70 anos de iniciação religiosa. Foto: Fernando Vivas |Ag. A TARDE| 9.12.2004

Pai Air festeja 70 anos de iniciação religiosa. Foto: Fernando Vivas |Ag. A TARDE| 9.12.2004

Começou o ciclo de comemorações aos 70 anos de iniciação religiosa do babalorixá Air José, líder religioso do Pilão de Prata que, em janeiro, celebra também os 50 anos de fundação. 

Amanhã, sexta-feira, 25, às 9 horas, tem sessão especial na Assembleia Legislativa, a partir das 9 horas.

No sábado é a vez de um show musical na Praça Teresa Batista, no Pelourinho.

Na próxima terça-feira será a vez da sessão especial na Câmara Municipal a partir das 19 horas.

Pai Air José é descendente de Bamboxé Obitikô, sacerdote do culto de Xangô que teve um papel extremamente importante no processo de organização do candomblé baiano.


Festa para Mãe Stella

postado por Cleidiana Ramos @ 7:00 AM
2 de maio de 2015
Mãe Stella festeja seus 90 anos. Foto:  Mila Cordeiro | Ag. a TARDE| 1.10.2014

Mãe Stella festeja seus 90 anos. Foto: Mila Cordeiro | Ag. a TARDE| 1.10.2014

Dia de festa para o candomblé: Mãe Stella de Oxóssi, a filha do caçador da alegria, completa 90 anos. Somos privilegiadas e privilegiados por conviver com a sua sabedoria.


Balaio de Ideias: O que é Ablar?

postado por Cleidiana Ramos @ 7:36 PM
25 de março de 2015
Professor Jaime Sodré apresenta a Ablar. Foto: Manuela Cavadas| AG. A TARDE

Professor Jaime Sodré apresenta a Ablar. Foto: Manuela Cavadas| AG. A TARDE

Jaime Sodré

Sob a sonora ritmia da competente bateria da escola de samba, cantava o intérprete: “Sonhar não custa nada…” Motivado, exercerei esta possibilidade. O ambiente de convivência em um terreiro de candomblé é um polo gerador de um amplo conhecimento, sobre várias temáticas. Além dos ensinamentos teológicos iniciáticos, testemunha-se uma importante produção literária e oral, realizada por fiéis, contribuindo para a qualificação e o enriquecimento da produção intelectual nacional, com um material por vezes de caráter científico, romances, contos etc.

Lembro-me do que dizia uma sábia, respeitada e querida ebomi, quando indignada e atingida por expressões grosseiras, estas emitidas por intolerantes, que no auge da sua ira diziam: “Esses negros do candomblé são macumbeiros, feiticeiros, analfabetos e ignorantes”. Em defesa do povo de santo ela dizia: “Somos negros com orgulho e dignos religiosos, mas não somos analfabetos, dominamos a língua aqui falada, pois sabemos nos comunicar, e mais, para o nosso maior orgulho, somos ‘trilíngues’, pois para o exercício religioso devemos dominar as línguas africanas: o yorubá, o quimbundo e o ewe, aplicadas nas rezas, cânticos e invocações. Quanto à ignorância, esta está em quem fala”.

Sem mencionar o repertório estético, além das danças, os ritmos, a mitologia, a culinária, a fitoterapia dentre outros, podemos concluir ser o espaço sagrado das expressões de matriz africana uma espécie de Academia. O emérito professor Edivaldo Boaventura define a Academia como “um corpo de pesquisadores que convive para estimular a geração e disseminar o conhecimento”, socializando os resultados. Neste contexto, encontramos “conceitos, práticas, instrumentos, saberes, métodos e processos que habilitam a contribuir para a gestão do conhecimento”.

No âmbito da “Academia Candomblé”, localizamos exemplos de intelectuais, iniciados, com importantes contribuições no campo do conhecimento, principalmente sobre esta matriz. Incentivado por esta realidade alvissareira, com o tom de homenagem e bom humor, apresentamos a Ablar (Academia Baiana de Letras Afro Religiosa). O intuito é listar nomes que primam por este fazer, colocando à disposição dos interessados.

Perdoem, lembro-me de alguns, e deixo espaços para outros, que você, leitor, poderá enviar ao blog Mundo Afro, do jornal A TARDE. Na minha modesta lista, temos: Cecília Soares (iyalorixá do terreiro Maroketu) – Mulher negra na Bahia no século XIX; Valnízia Pereira Bianch (iyalorixá do terreiro do Cobre) – Resistência e fé, Aprendo ensinando; Júlio Braga (babalorixá do Ilê Oyá Tundé) – Jogo de Búzios, Na gamela do feitiço, O antropólogo na encruzilhada; Vilson Caetano Júnior (babalorixá do Ilê Obá L’Okê) – Nagô, a nação dos ancestrais itinerantes; Valdina Pinto (makota do Tanuri Junçara) – Meu Caminhar, meu viver, e a distinta acadêmica Mãe Stella.

Esperamos ampliar esta lista, acrescentando autores e autoras que têm, como caráter particular, a qualidade da sua produção literária nos mais diversos estilos, como também a sua filiação na condição de iniciado às expressões religiosas de matriz africana. Laroiê Exu, patrono e senhor dos sonhos das letras e palavras.

Jaime Sodré é professor universitário, mestre em História da Arte e doutorando em História Social


Novelacom sotaque angolano conquista brasileiros

postado por Cleidiana Ramos @ 7:30 AM
10 de fevereiro de 2015
Dois windecks em ação; o jornalista Henda (Joel Benolie) e a vilã Vitória (Micaela Reis) responsáveis por várias das armações na novela. Foto: Divulgação/TV Brasil

Dois windecks em ação; o jornalista Henda (Joel Benolie) e a vilã Vitória (Micaela Reis) responsáveis por várias das armações na novela. Foto: Divulgação/TV Brasil

Cleidiana Ramos

Uma trama ágil, moderna e corajosa por abordar temas polêmicos como relações homoafetivas sem subterfúgios; presença bem resolvida dos clichês clássicos da teledramaturgia – o “golpe da barriga” e a “doença mortal falsa–” e vilãs que fazem maldades sem ambiguidades psicológicas. Assim é Windeck, a novela angolana produzida em parceria com Portugal que está sendo exibida desde novembro pela TV Brasil e na Bahia pela TVE às 22 horas.

A chegada da novela para o público nacional ocorreu por meio do apoio cultural da Secretaria Especial de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Ela é uma produção feita em 2012 pela Semba Comunicação com direção de Sérgio Graciano e texto de Miguel Crespo, Coréon Dú, Isilda Hurst, Joana Jorge e Andreia Vicente. Windeck concorreu ao Emmy Internacional, na categoria telenovela, vencido pela brasileira Lado a Lado, na edição de 2013.

A história parte da redação da Divo, uma revista de moda. É lá que estão os windecks, que, na gíria angolana, são pessoas que querem ascender socialmente a qualquer custo como Vitória (Micaela Reis), que é capaz de seduzir Kiluanji (Celso Roberto), filho de Xavier Voss ( Ery Costa), dono da Divo, e grande amor de sua irmã Ana Maria (Nádia da Silva).

Xavier prefere a filha Luena (Edusa Chindecasse) ao filho Kiluanji. Ele a manda vir de Londres para assumir o comando da revista, mas não sabe que ela mantém um namoro com Tchyssola (Marta Faial), uma designer de moda.

Além de Vitória, a outra vilã da novela é Rosa (Grace Mendes), a produtora de moda da revista, ex-amante de Xavier e que usa todos os artifícios para casar a filha Kássia (Solange Hilário) com Kiluanji e assim assegurar um lugar na família Voss, mas acima de tudo conseguir o comando da Divo.

Além de ter um enredo atraente e bem costurado, Windeck é um símbolo poderoso para um país como o Brasil onde a população negra, maioria no país, é sub-representada em praticamente todos os programas da TV. O elenco é majoritariamente negro. São atores e atrizes interpretando empresários, modelos e jornalistas. Em todo o elenco são apenas três brancos: os atores que interpretam Giorgio (Rui Santos), Pedro (Pedro Martins), seu filho, e Tchyssola.

Giorgio, Luena e Pedro estão envolvidos em tramas interessantes. Tchyssola vive às voltas com a esperança de que Luena tenha coragem de enfrentar o seu pai e assumir o romance com ela.

Já Giorgio, além de ter que lidar com a rebeldia do filho que não aceita seu casamento com a angolana Mariza (Helena Moreno), precisa ajudá-lo contra o preconceito de Ofélia Voss (Tania Burity) que não o quer namorando sua filha por ser um “pula”, ou seja, “branco”.

Essa trama em questão não é um incentivo ao discurso de “ah, os negros também discriminam”. Pelo contrário, ela traz as peculiaridades do contexto local em relação ao enfrentamento racial com base nas cicatrizes deixadas pelo longo colonialismo e batalhas pela independência. Basta lembrar que Angola só ficou independente em 1975, enfrentou uma longa guerra civil e é governada por um presidente negro, José Eduardo dos Santos, desde 1979.

Outro acerto da novela é a apresentação de Luanda como uma cidade moderna, que está em processo de reconstrução, bem diferente da ideia que a maioria dos brasileiros tem sobre as cidades africanas. O idioma – é português, mas com sotaque bem mais próximo ao de Portugal do que o nosso- não é uma barreira, pois a TV Brasil adotou o uso do glossário inserido nas cenas. Ele também pode ser conferido na página oficial da novela . Portanto, palavras como cumbu (dinheiro), miúdo (garoto, garota), entre outras, deixam de ser mistério.

Na discussão homoafetiva tem ainda o personagem Arthur (Fredy Costa), gay assumido, constantemente assediado por mulheres, mas que não cede e faz um estilo sem trejeitos estereotipados.

A dose de humor também é garantida, principalmente por Ofélia, uma vilã extremamente atrapalhada e o windeck Sebastião (Mendes Lacerda), que decidiu ganhar dinheiro passando-se por pastor evangélico. O brasileiro Roco Pitanga fez uma participação especial na novela.

Também surpreende o figurino da novela. As roupas seguem o estilo ocidental, mas com o uso de adereços bem exagerados, como encharpes e puás. Até os homens ousam muito. O personagem Kiluanji aparece com ternos acompanhados de camisas e gravatas em estampas bem chamativas. Mas o figurino de Rosa é imbatível. Um exemplo: em uma cena ela aparece curtindo um dia de tristeza usando uma camisola e uma negligé com estampas que lembram o pêlo de um dálmata. Além disso usa e abusa dos turbantes.

Os cabelos das mulheres seguem o modelo ocidentalizado de alisamento e apliques. Mas há pelos menos uma personagem, Mariza, que usa seus cachos ao natural.

A trilha sonora também é bem interessante e mistura semba, kuduro e outros ritmos . A música de abertura vale um destaque especial: é uma espécie de rap que explica o que é windeck de uma forma muito divertida sob o comando de Cabo Snoop.

Audiência

Windeck tem atngido níveis interessantes de audiência se levarmos em consideração o horário que passa. Segundo o Ibope do mês de janeiro consolidado pela TV Brasil, em Salvador, no período de 10 de novembro, quando estreou, até 2 de janeiro, a novela alcançou média de 0,71%, que é a melhor das praças aferidas. Os locais pesquisados, além da Bahia, são Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

Na edição de 12 de dezembro o índice na Bahia chegou a 1,69%. De acordo com o mesmo levantamento, já alcançou 313.880 domicílios baianos, o que não é pouco para uma novela estrangeira veiculada em um canal que não tem tradição na exibição desse produto.

Unindo-se as seis praças, Windeck foi vista em quase 2,7 milhões de domicílios. Talvez, sua performance anime um produção nacional onde a representação de personagens negros ocorra em posições de poder e protagonismo, diferentemente do que ocorre com as novelas brasileiras.

Confira o segundo capítulo da novela: