Arquivo da Categoria 'Memória'


O busto de Milton Santos já é realidade

postado por Cleidiana Ramos @ 5:19 PM
15 de julho de 2010

A Ufba vai inaugurar um instituto em homenagem a Milton Santos. No local também será erguido um busto do grande intelectual. Foto: Maria Adélia de Souza | Sesc TV | Divulgação

Olha só a força que a palavra escrita às vezes tem. Publiquei aqui no Mundo Afro um artigo do professor Jaime Sodré pedindo um monumento a Milton Santos. O texto já havia sido publicado no jornal A TARDE. A causa como já era de se esperar mobiliza muita gente, afinal Milton Santos é um patrimônio da Bahia para quem sabe das coisas.

Pois ontem recebi do professor Jaime um e-mail com uma ótima notícia: o busto em homenagem a Milton Santos vai ser inaugurado. O monumento, viabilizado pela Secretaria Municipal da Reparação (Semur), fará parte de uma homenagem ainda maior: o  Instituto Milton Santos da Ufba. A cerimônia do marco luminoso no local onde ficará o instituto (Campus de Ondina) será no próximo dia 31.

Portanto, celebremos aqui a força da palavra e da visão do professor Jaime Sodré.


Afro Imagem: Vida longa ao Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 11:04 AM
14 de julho de 2010

A Câmara Muncipal de Salvador fez uma bela e justa homenagem aos 100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá na noite de ontem. No registro do repórter fotográfico, Claudionor Júnior, da Agênica A TARDE, aparecem Ribamar Daniel, presidente da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá; a ialorixá do terreiro, Mãe Stella de Oxóssi , e a vereadora Olívia Santana, que propôs a cerimônia.


Jaime Sodré de volta

postado por Cleidiana Ramos @ 11:41 AM
13 de julho de 2010

Depois de algum tempo, que para nós tem a saudade de séculos, eis que o Mundo Afro volta a contar com artigos do professor Jaime Sodré. E nada melhor para este retorno do que uma reflexão sobre o nobre professor Milton Santos. Aproveitem. O artigo está postado abaixo.


Um monumento em honra de Milton Santos

postado por Cleidiana Ramos @ 11:39 AM
13 de julho de 2010

O professor Milton Santos foi um dos grandes intelectuais brasileiros. Foto: Arquivo A TARDE

Jaime Sodré

Permitam-me apresentar o currículo; Professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas das USP; pesquisador 1A do CNPq; visiting professor, Stanford University, 1997/98; bacharel em direito, Universidade Federal da Bahia, 1948; doutor em geografia, Université de Strasbourg, França, 1958; doutor honoris causa das universidades de Toulouse, Buenos Aires, Complutense de Madrid, Barcelona, Nacional de Cuyo-Barcelona, Federal da Bahia, de Sergipe, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Estadual de Vitória da Conquista, do Ceará, Unesp e de Passo Fundo.
Prêmios: Internacional de Geografia Vautrin Lud, 1994; USP/1999(orientador de melhor tese em ciências humanas); Mérito Tecnológico, 1997 (Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo); Personalidade do Ano, 1997 (Instituto dos Arquitetos do Rio de Janeiro); Jabuti, 1997 (melhor livro de ciências humanas: A Natureza do Espaço, Técnica e Tempo).

Medalhas: Mérito Universitário de La Habana, 1994; Comendador da Ordem Nacional do Mérito Cientifico, 1995; Colar do Centenário do Instituto Histórico e Geográfico de  São Paulo, 1997; Anchieta, da Câmara  Municipal de São Paulo, 1997; Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, 1997; Lecionou nas universidades de Toulose, Bordeaux, Paris, Lima, Dar-es-Salaam, Columbia, Venezuela e do Rio Janeiro. Consultor da ONU, OIT, OEA e Unesco, junto aos governos da Argélia e Guiné-Bissau e ao senado da Venezuela.

Publicou mais de quarenta livros e trezentos artigos em revistas cientificas em português,francês, inglês e espanhol. Baiano de família de professores, com o avô e avó professores primários, mesmo antes da abolição, que o ensinaram a olhar mais para frente do que para trás. Família remediada, os pais ensinaram boas maneiras, francês e álgebra. Foi aluno interno e neste ambiente começara a ensinar antes da faculdade. Foi para a faculdade de Direito formado-se em 1948.

O fato: segundo o mesmo, seu maior desejo era a Escola Politécnica, mas havia uma ideia generalizada que esta escola “não tinha muito gosto de acolher negros, então fui aconselhado fortemente pela família – tinha um tio advogado – a estudar Direito, e daí mudei para a Geografia, que comecei a ensinar desde os quinze anos”. Havia uma crença na sociedade da época que na Politécnica os obstáculos eram maiores. Escrevera no jornal A Tarde, como correspondente na região do Cacau onde lecionava, por iniciativa do ministro Simões Filho que o descobriu para a imprensa. Ensinara na Universidade Católica e preparava-se para entrar na pública, onde fez concurso em 1960, após o doutorado em Geografia na França.

O pleito: Quando saíamos do Colégio Central em turma na direção da Sé, era comum a brincadeira entre as estátuas do Barão do Rio Branco e Castro Alves. Os mais espirituosos diziam: “Castro Alves estendia a mão em direção ao Barão pedindo uns trocados para libertar os negros. Rio Branco, com a mão no bolso, dizia tenho mas não dou”. Coisas da juventude.

Recentemente a Semur solicitou-me uma relação de estátuas e monumentos de negros e negras, em nosso espaço urbano. Inspirou-me para o que segue. Diante do currículo exposto do Professor Dr. Milton Santos, sinto-me autorizado a pleitear, quem sabe à própria Semur, a possibilidade da efetivação da estátua ou um busto do nosso Milton Santos, enriquecendo a cidade e expondo um modelo de talento e superação.

Ainda de posse de uma das suas brilhantes frases, que estaria no monumento merecido – “Quem ensina, quem é professor, não tem ódio” – em tempo de cotas, melhor local não seria adequado, se não em pleno ambiente acadêmico da Escola Politécnica, cumprindo um desejo do grande mestre, calado outrora pela mentalidade maldosa, inibidora da época.

Aposso-me de uma frase, lugar comum neste gesto, na certeza do apoio de muitos, “ao mestre com carinho”. Esta justíssima homenagem, traduzirá, com certeza, a admiração do povo brasileiro aos seus filhos ilustres, registrando aqui homenagem a alguém que o mundo não se cansou de reconhecer e homenagear. Placidez, serenidade, sorriso permanente aberto, humanidade, sabedoria, sem perder a ternura diante das dificuldades, poderão inspirar o escultor a modelar em material nobre este nobre baiano.

Jaime Sodré é historiador, escritor, professor universitário e religioso de candomblé


Festa para o Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 1:06 PM
12 de julho de 2010

Terreiro comandado por Mãe Stella completa 100 anos. Foto: Diego Mascarenhas| Ag. A TARDE

O Ilê Axé Opô Afonjá está comemorando 100 anos. Fundado por Mãe Aninha em 1910, a casa consagrada a Xangô se tornou um dos mais importantes candomblés brasileiros com governos marcados pelo carisma de suas sacerdotisas.

A atual, Mãe Stella de Oxóssi, é admirada não só por seu saber religioso, mas também por sua inteligência aguda traduzida nos livros que escreve. Um deles, Meu Tempo É Agora, está em sua  segunda edição.

Amanhã, às 18 horas, na Câmara Municipal tem sessão especial para comemorar os 100 anos do Afonjá. A seção foi proposta pela vereadora Olívia Santana (PCdoB).

No final do mês tem mais comemorações. Dia 30, a partir das 19horas , acontecerá saudação à casa pelos alabês do terreiro, seguida de performance do dançarino e coreógafo norte-americano Clyde Morgan, lançamento de selo e carimbo pelos Correios e apresentação do afoxé Filhos de Gandhy. O traje pedido para participar da festa é branco.

No dia seguinte, a partir das 8 horas tem mesa redonda e palestras com a particpação de Yeda Pessoa de Castro, Muniz Sodré, babalorixá Bira de Xangô, Ubiratan Castro, Luis Domingos, Adilson Almeida e Jaime Sodré. Nesse mesmo dia  às 17  horas tem o lançamento do Livro de Contos de Tia Detinha e Xangô, de Raul Lody. Às 18 horas será exibido o vídeo-memória E Daí nasceu o Encanto: 100 anos do candomblé de São Gonçalo. Em seguida começa a apresentação do bloco Cortejo Afro e convidados.

No domingo, 1º de agosto, a partir das 9 horas tem palestra com Maria Paula Adinolfi, apresentação dos alunos do grupo de capoeira e da oficina de dança do terreiro e apresentação da Banda Aiyê e convidados.

No dia 26 de agosto o Afonjá vai sediar o encontro de secretários de educação dos municípios da Bahia para discutir a Lei 11.645/08 (que atualizou a Lei. 10.639/03 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira). O evento chama-se Ofin ni Olope (Lei em Ação).

A Escola Eugênia Anna dos Santos que funciona no Afonjá é referência nacional na aplicação da Lei por conta de sua metodologia inovadora que parte de mitos africanos para aplicar todos os conteúdos.


Homenagem a Dom Timóteo

postado por Cleidiana Ramos @ 12:10 PM
12 de julho de 2010

Centenário de Dom Timóteo é comemorado hoje. Foto: Arestides Baptista | Ag. A TARDE

Hoje completam-se 100 anos do nascimento de dom Timóteo Amoroso Anastácio. Às 18 horas, na Fundação João Fernandes da Cunha, Largo do Campo Grande, nº 8, acontece uma sessão comemorativa à data.

Dom Timóteo, monge beneditino, teve uma papel importante em Salvador.

Abade do Mosteiro de São Bento a partir de 1965, defendeu perseguidos pela ditadura militar. Era também um defensor da liberdade religiosa e mantinha uma forte amizade com sacerdotisas do candomblé como Mãe Menininha do Gantois e Mãe Olga de Alaketu.


Centenário do Afonjá e do nascimento de dom Timóteo

postado por Cleidiana Ramos @ 1:28 PM
10 de julho de 2010

Tive o privilégio de escrever para a edição de domingo do jornal A TARDE uma matéria sobre os 100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá e outra  sobre o centenário de dom Timóteo Amoroso Anastácio. Confiram o jornal amanhã.

Depois coloco aqui mais detalhes sobre estes dois acontecimentos de extrema importância para a memória da Bahia.


A partida do mestre Saramago

postado por Cleidiana Ramos @ 11:15 AM
18 de junho de 2010

Saramago morreu aos 87 anos. Foto: AFP PHOTO / Pierre- Philippe Marcou

O mundo acaba de perder o escritor português José Saramago. Saramago foi uma das pessoas que não fazem falta apenas aos que o conhecem de perto, mas a toda a humanidade. O que dizia e escrevia era pra ser eternizado, uma virtude, infelizmente, de poucos.

Dono de uma prosa filosófica e ácida, Saramago não se debruçou sobre questões étnico-raciais, mas a homenagem do Mundo Afro fica aqui por conta de suas posições veementes contra qualquer tipo de intolerância, principalmente a religosa.

Ao lado de Gárcia Márquez, Saramago aumentou o meu amor pela literatura com o livro  O Evangelho Segundo Jesus Cristo uma obra belíssima que não jusitifca toda a polêmica que o cercou e o fez esfriar suas relações com Portugal, seu país de origem.

Nunca considerei o seu ateísmo declarado desrespeitoso com aqueles que tinham fé. Ele apenas transformava em letras aquilo que lhe passava na alma, com questionamentos próprios inclusive de quem tem crença em um poder transcendental .

Numa destas incursões por este terreno saiu uma perfeita síntese sobre aqules que acham que possuem a verdade absoluta em questões de religião. É um trecho de In Nomine Dei, uma peça que escreveu, e que a transcrição abaixo fica como uma homenagem a este grande escritor, que soube também ser uma grande figura humana:

Entre o homem, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto quem afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? Se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome e dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-d’Alsácia? E, no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado da cauda do seu canino deus?

Que não sejam estas palavras tomadas como uma nova falta de respeito às coisas da religião, a juntar à Segunda Vida de Francisco de Assis e ao Evangelho segundo Jesus Cristo. Não é culpa minha nem do meu discreto ateísmo se em Münster, no século XVI, como em tantos outros tempos e lugares, católicos e protestantes andaram a trucidar-se uns aos outros em nome do mesmo Deus – In Nomine Dei- para virem a alcançar, na eternidade, o mesmo Paraíso. Os acontecimentos descritos nesta peça representam, tão-só, um trágico capítulo da longa e, pelos vistos, irremediável história da intolerância humana. Que leiam assim, e assim o entendam, crentes e não crentes, e farão, talvez, um favor a si próprios. Os animais, claro está, não precisam.


Morre Mãe Ana Laura de Ogum

postado por Cleidiana Ramos @ 1:57 PM
28 de novembro de 2009

Faleceu, hoje, Mãe  Ana Laura de Ogum, ebomi do Terreiro Oxumarê. Ela era também a ialorixá do terreiro Ilê Axé Araká Togun, localizado na Boca do Rio.

O sepultamento será amanhã, às 10 horas, no Bosque da Paz, localizado na Estrada Velha do Aeroporto.


Ijexá na voz de Clara Nunes

postado por Cleidiana Ramos @ 5:59 PM
6 de novembro de 2009
Clara Nunes: a dona da voz encantada. Foto: Wilton Montenegro

Clara Nunes: a dona da voz encantada. Foto: Wilton Montenegro

Ouvir Clara Nunes cantando é sempre um privilégio, mas este vídeo é mesmo especial. Nele, Clara interpreta Ijexá, composição do baiano Edil Pacheco, acompanhada pelo ritmo homônimo dos Filhos de Gandhy.

Na canção há uma homenagem às várias entidades carnavalescas de inspiração na cultura afro-brasileira como Ilê Aiyê, Male De Balê e, claro, o Gandhy. 

Peço licença a vocês para dedicar este vídeo a um grande amigo: Marlon Marcos. Além de fã incondicional de Maria Bethânia, sei que ele tem um lugarzinho especial dedicado a Clara Nunes em seu grande coração. Este, me parece, foi o último vídeo gravado pela cantora antes de morrer em 1983.

 

 


Afro Imagem: A despedida do mestre

postado por Cleidiana Ramos @ 3:47 PM
4 de novembro de 2009

 

Neguinho-do-Samba

A fotografia de Marco Aurélio Martins, da Agência A TARDE,  ilustra a emoção que tomou conta de Salvador no adeus a Neguinho do Samba.  Uma multidão foi se despedir de um dos mais importantes artistas da Bahia. A cerimônia  foi tão inesquecível quanto a sua obra.  


Agressões à estátua de Zumbi

postado por Cleidiana Ramos @ 1:41 PM
3 de novembro de 2009
Luminárias da estátua foram arrancadas. Foto:  Elói Corrêa | AG. A TARDE

Luminárias da estátua foram arrancadas. Foto: Elói Corrêa | AG. A TARDE

Recebi de Mônica Kalile uma informação preocupante: vândalos andam impe dindo a iluminação da estátua de Zumbi que fica na Praça da Sé.

De acordo com ela, mesmo com a manutenção sendo garantida pela prefeitura, o disjuntor é constantemente desligado e deram agora para roubar as luminárias. 

A Sesp, secretaria que cuida deste tipo de problema, providenciou a reposição e garantiu que vai manter uma maior vigilância sobre a área.

É uma pena este tipo de ocorrência, pois a instalação daquela estátua foi uma verdadeira batalha da qual Mônica foi uma das protagonistas.


Luto

postado por Cleidiana Ramos @ 8:45 PM
31 de outubro de 2009

A música baiana perdeu hoje Neguinho do Samba, o criador de preciosidades como o samba-reggae, a escola de percussão do Olodum e a Banda Didá. O Pelourinho,  onde ele morava e morreu por conta de uma parada cardíaca, está em silêncio. Para saber mais clique aqui.


Ilê em compasso de espera

postado por Cleidiana Ramos @ 7:27 PM
21 de setembro de 2009
Uma bela imagem de Vovô junto a Mãe Hilda feita no ano passado. Foto: Fernando Vivas|AG. A TARDE

Uma bela imagem de Vovô junto a Mãe Hilda feita no ano passado. Foto: Fernando Vivas|AG. A TARDE

O Ilê Aiyê, como já era esperado, suspendeu todos os eventos da Semana da Mãe Preta que seriam realizados a partir de hoje. As atividades homenageavam Mãe Hilda e aconteciam todos os anos.

A suspensão inclui o show da Band´Aiyê no sábado tendo a cantora pernambucana Lia de Itamaracá como convidada especial, evento também cancelado.

Os ritos de despedida a Mãe Hilda foram extremamente emocionantes. Só após este período de ritos religiosos internos e públicos no terreiro  Ilê Axé Jitolu é que os diretores da instituição vão se posicionar sobre questões como o primeiro desfile do bloco sem Mãe Hilda.


Ilê Aiyê está em silêncio por Mãe Hilda

postado por Cleidiana Ramos @ 2:04 PM
19 de setembro de 2009
Mãe Hilda faleceu às 10h30 de hoje. Foto: Edmar Melo|AG. A TARDE| 25.2.2006

Mãe Hilda faleceu às 10h30 de hoje. Foto: Edmar Melo|AG. A TARDE| 25.2.2006

O grupo cultural Ilê Aiyê está de luto. Faleceu, hoje, às 10h30, sua líder espiritual, Mãe Hilda Jitolu.

Segundo Vovô, Mãe Hilda estava internada desde o último dia 7 por problemas cardíacos e acabou contraindo uma pneumonia.O sepultamento será amanhã no Jardim da Saudade, mas ainda não tem horário confirmado.

Mãe Hilda era a grande incentivadora dos projetos culturais do Ilê Aiyê e tinha um carinho especial pela escola que, não à toa, leva seu nome.

Além da educação formal, os alunos da Escola Mãe Hilda recebem formação artística e de cidadania. A instituição é também uma das referências no ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.

Era também Mãe Hilda, consagrada a Obaluaê, quem presidia a belíssima cerimônia religiosa antes do desfile do Ilê no sábado de Carnaval.


Mais um passo rumo ao reconhecimento dos heróis negros

postado por Cleidiana Ramos @ 6:04 PM
4 de setembro de 2009
O deputado Emiliano José é o relator do Projeto de Lei para reconhecimento dos heróis da Revolta dos Búzios. Foto:  Eduardo Martins | AG. A TARDE

O deputado Emiliano José é o relator do Projeto de Lei para reconhecimento dos heróis da Revolta dos Búzios. Foto: Eduardo Martins | AG. A TARDE

O deputado federal Emiliano José (PT-BA) é o relator do Projeto de Lei 5819/2009 que propõe a inclusão dos mártires da Revolta dos Búzios no Livro dos Heróis da Pátria.

O Projeto de Lei é de autoria do deputado federal Luiz Alberto (PT-BA), a partir de uma batalha que tem sido travada pelo Olodum para divulgar um dos mais importantes movimentos contra a escravidão e pioneiro num amplo programa de cidadania, ocorrido no século XVIII em Salvador.

O Olodum tem feito várias ações para divulgar o movimento também conhecido como Conjuração Baiana e Revolta dos Alfaiates: cartilha educativa, que inclusive foi encartada no mês passado no jornal A TARDE, seminários e palestras.

O projeto está na Comissão de Educação e Cultura e, se aprovado, seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça. Como o relator Emiliano José conhece de perto a história do movimento já podemos ir comemorando um resultado positivo do seu parecer e assim os quatro líderes negros da Revolta dos Búzios- Manoel Faustino dos Santos, João de Deus do Nascimento, Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas- poderão fazer companhia a  Zumbi no livro que exalta os heróis brasileiros.       


Candomblé festeja centenário de Gaiaku Luiza

postado por Cleidiana Ramos @ 11:54 AM
24 de agosto de 2009
A sacerdotisa em cena do documentário Gaiaku Luiza - Força e Magia dos Voduns, de Soraya Mesquita. Foto: Divulgação

A sacerdotisa em cena do documentário Gaiaku Luiza - Força e Magia dos Voduns, de Soraya Mesquita. Foto: Divulgação

Amanhã, será comemorado o centenário de nascimento de Gaiaku Luiza. Em Cachoeira, o terreiro Humpame Ayono Runtoloji, preparou uma série de atividades para festejar a data. Confiram a programação:
 
9h- Missa festiva
10h– Instante da palavra
11h– Exibição de video
11h45– Inauguração do busto
12h30– Almoço de confraternização.

O terreiro Humpame Ayono Runtoloji fica no Alto da Levada, 22, em Cachoeira.

Reproduzo aqui abaixo o belíssimo artigo escrito sobre ela pelo jornalista e antropólogo Marlon Marcos e publicado na edição de hoje de A Tarde:

O Legado de Gaiaku Luiza

Uma das mais importantes sacerdotisas das chamadas religiões de matriz africana do século XX, Gaiaku Luiza de Oyá, faria amanhã, se estivesse viva, 100 anos. O legado desta senhora se fundamenta num saber litúrgico impressionante acerca das várias nações de candomblé, o Angola, o Ketu, o Jeje, e essa variância de complexa tradução, sua marca mais precisa, pode ser verificada na criação de um terreiro inteiramente dedicado ao Jeje-Mahi, nos idos de 1959, na bela e negra cidade de Cachoeira.

D. Luiza de Oyá, mãe de muita inspiração espiritual, faleceu no dia 20 de junho de 2005, em seu templo religioso, o Húnkpámè Ayíonó  Huntóloji, casa que ilustra a grandeza desta sacerdotisa tão pouco conhecida dos baianos e brasileiros. Foi-se aos 95 anos de uma vida longeva, lúcida, comunicativa, criadora e sábia. A sabedoria foi a marca principal da Gaiaku que carregava o vodum das tempestades e do silêncio mortuário, rainha do branco na ligação da terra aos céus, morada dos nossos maiorais: Oyá, conhecida também, pelos filhos do Ketu, como Iansã.

Luiza Franquelina da Rocha viveu as delícias e agruras do povo-de-santo cachoeirano, nascendo no seio do candomblé, respirando os ares de uma recente abolição da escravatura, num universo racista que não respeitava as tradições religiosas de origem africana reinventadas no Brasil. Uma mulher nascida em 1909, de beleza e inteligência raras, que percorreu quase todo o século XX salvaguardando a liturgia desta nação ritual tão pouco conhecida de nós todos. Mais que baluarte, ela foi mestra pedagógica do que chamamos, em síntese, de candomblé. Recebia a todos em sua casa, sentada em sua cadeira, hospitaleira e majestosa, para mim, foi a real imperadora desta religião tão rica de significados, porque abrigava como mãe, ensinava como mestra, distraía como amiga, aconselhava em sua sabedoria, enriquecia-nos com palavras e iluminava como sacerdotisa. Que tardes deliciosas ela nos proporcionava com sua memória prodigiosa; quantas histórias e quanta luz de uma intelectualidade construída fora das formas das academias.

D. Luiza era uma espécie de tempero celeste que nos fazia imaginar outras senhoras do candomblé, como D. Aninha de Afonjá, a saudosa Obá Biyi, fundadora do Ilê Axé Opô Afonjá. Gaiaku Luiza corporificava sua cidade Cachoeira, com uma presença de espírito que a colocava como uma cidadã do mundo, que morou em outros lugares, como Salvador e Rio de Janeiro.

Oyá venta a memória de sua filha entre nós. Gaiaku, como era chamada respeitosamente, deixou seguidores; entre as mais coadunadas aos ensinamentos da grande mãe, está Mãe Zulmira de Nanã, potentado de saber, ligação entre três nações de candomblé – o Jeje-Mahi, o Ketu e o Angola, nação pela qual Mãe Zulmira cultua, em seu terreiro em Lauro de Freitas, as entidades legadas por nossos ancestrais africanos. 


Homenagem a Oliveira Silveira e Jônatas Conceição

postado por Cleidiana Ramos @ 4:11 PM
6 de maio de 2009

Amanhã, 7, tem seminário em homenagem a Oliveira Silveira e Jônatas Conceição, os dois intelectuais do movimento negro falecidos recentemente.

O encontro será na Sala 8 (Labimagem), do Instituto de Letras da Ufba, em Ondina. A programação começa a partir das 15 horas. O evento é organizado pelo Projeto Etnicidades: escritores (as) e intelectuais negros (as) no Brasil.


Missa em memória de Jônatas

postado por Cleidiana Ramos @ 11:53 AM
29 de abril de 2009
Missa para o poeta será no próximo domingo. Foto: Iracema Chequer | AG. A TARDE

Celebração em homenagem ao poeta será no próximo domingo. Foto: Iracema Chequer | AG. A TARDE

No próximo domingo,3, às 10h30, na Igreja de São Francisco, será realizada a missa de 30º dia em memória do poeta Jônatas Conceição.

Jônatas foi um dos mais importantes intelectuais do movimento negro brasileiro e sua passagem para o outro plano comoveu gente de várias partes do País. A celebração é mais um ato em sua homenagem.