Arquivo da Categoria 'Internacional'


Diáspora de Luto 2

postado por Cleidiana Ramos @ 4:32 PM
13 de janeiro de 2010
Fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, morreu por conta do terremoto. Foto: Pastoral da Criança| Divulgação

Fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, morreu por conta do terremoto. Foto: Pastoral da Criança| Divulgação

A Arquidiocese de Salvador divulgou uma nota expressando o seu pesar pelos acontecimentos no Haiti. A tragédia ganha conotações ainda mais próximas à comunidade católica por conta da morte de brasileiros, dentre os quais, a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, um dos mais bem sucedidos programas de combate à mortalidade infantil do mundo.

Quando a pastoral foi criada, em 1983, o hoje cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Geraldo Majella, era o bispo de Londrina, Paraná, onde o programa surgiu e, portanto, ele é considerado também um dos seus fundadores. Reproduzo abaixo a nota divulgada pela Arquidiocese:      

Nota de Pesar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia pelas vítimas do Terremoto no Haiti 

A Arquidiocese de São Salvador da Bahia, na pessoa do Sr. Cardeal Arcebispo, Dom Geraldo Majella Agnelo, dos bispos Auxiliares, dos sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas e de todo o povo de Deus, sente-se profundamente entristecida com as consequências do terremoto que atingiu a já desafiada comunidade haitiana.

O povo do Haiti, em processo de reconstrução do país depois dos anos de exceção política, vê-se agora abatido por uma catástrofe de proporções inigualáveis. Empenhamos a nossa mais profunda solidariedade com nossos irmãos do Haiti, com orações e súplicas para que a reestruturação física acompanhe a recuperação humana e espiritual, mantendo viva a esperança e o espírito de luta tão próprios daquele povo.

A consternação pelo acontecido se amplia com a notícia da morte de brasileiros, entre os quais da Dra. Zilda Arns Neumann, médica, pediatra e sanitarista. Mulher que honrou o Brasil com seu trabalho de total doação à vida, através das crianças e suas famílias, Dra. Zilda deixa uma lacuna em nossos corações.

O sentimento de gratidão por todo bem que ela fez nos anos que lhe foram concedidos viver, deve despertar em todos nós um compromisso renovado em dar continuidade ao seu legado.


Diáspora de Luto 1

postado por Cleidiana Ramos @ 4:28 PM
13 de janeiro de 2010

Esta tragédia que se abateu sobre o Haiti e que, a cada nova notícia, ganha contornos ainda mais dramáticos, é daquelas de deixar sem palavras, mesmo os que tem como ofício expressar emoções, acontecimentos e ideias por meio delas.

Que todas as forças ancestrais que acompanharam as variadas etnias africanas em todas as suas diásporas dê a força necessária ao já tão sofrido povo haitiano.


Balaio de Ideias: Os agudás e a Black Star

postado por Cleidiana Ramos @ 11:59 AM
15 de dezembro de 2009
Imagens dos agudás de Porto Novo, que fazem parte da exposição de Milton Guaran. Foto: Milton Guaran| Divulgação

Imagem dos agudás de Porto Novo, que fazem parte da exposição de Milton Guran. Foto: Milton Guran| Divulgação

Jaime Sodré

Diziam os mais idosos, “um bom filho a casa torna”. O desejo de voltar a “Mãe África” era o sonho de muitos libertos, na esperança ilusória ou não de melhores dias. Os “agudás” eram aqueles esperançosos, tidos como “os parentes de Uidá”, termo em iorubá (língua falada em muitas localidades da África Ocidental). Possuíam sobrenomes portugueses, e muitos eram descendentes de negros escravizados brasileiros ou comerciantes escravocratas, residentes na Bahia do século XIX.

A maioria dos agudás vive em Uidá, local do antigo Reino do Daomé, e nas cidades de Cotonou e Porto Novo. Preservam resquícios de brasilidade, realizando a Festa do Bonfim, bumba-meu-boi, congadas, reisados, e, segundo alguns, até capoeira, vivem no possível “à brasileira”.

Voltar à África era o desejo de Marcus Mosiah Garvey, nascido em 1887, na Jamaica, falecido em Londres, no exílio. Divulgador das idéias pan-africanistas, que consistia na soberania das nações negras e do retorno dos negros da diáspora ao continente africano. Garvey, empenhado nesta idéia, fundou em 1914 a UNIA, Universal Negro Improvement Association, traduzindo: Associação Universal para o Progresso do Negro.

Segundo alguns autores, esta entidade chegara a ter de 4 a 6 milhões de adeptos em vários países. Em 1916 teria sua nova sede nos Estados Unidos da América, quando, objetivando divulgar as ideias do “afrocentrismo” fundou em 1918 o seminário The Negro World. Embora a ideia fundamental de mister Garvey fosse o retorno à África, e fundar um “Estado Negro”, para difusão de suas ideias, realizara um congresso nacional concorrido. Insistia Garvey na impossibilidade dos negros americanos desfrutarem de uma cidadania plena, em vista do regime cruel do racismo americano.

Se a África era o Éden, teria que chegar até lá, para tanto Marcus Garvey fundara a Black Star Shipping Line, um investimento em marinha mercante que faria a rota Estados Unidos/África. Feitos os planos, pensada a melhor rota, chegara a vez da encomenda dos navios, que foi contratada a armadores brancos, ao que se sabe, por boicote ou por esperteza, os mesmos não chegaram a ser entregues.

Eram navios velhos, alguns pereceram adernados ao mar. Em 1928 articulações americanas idealizaram e conseguiram deportar para a Jamaica o nosso herói sonhador e libertador, sob alegação de “fraude fiscal”. O pan-africanismo exprimia as reivindicações legítimas de negros americanos e caribenhos, alguns atribuem as ações de Garvey como extremamente polemizantes, mas com as realizações dos encontros em forma de congressos pan-africanos consolidava uma visão doutrinária do movimento, que reivindicava, entre outras, a igualdade etno-racial e a luta contra o colonialismo atuante na África.

As ideias de W.E.B. Du Bois após o quinto congresso em Manchester em 1945, dariam mais consistência ao tema, incluindo a atuação de lideres africanos como Jomo Kenyatta, Sékou Touré, Julius Nyerere e Kwame Krumah, entre outros. Nas décadas de 70 e 80, em São Paulo, Abdias do Nascimento realiza o Congresso de Cultura Negra, reflexo do pan-africanismo.

Quanto a Garvey, derrotado, exilou-se em Londres, mas o leão na parou de rugir, ainda ativo em 1935 e vibrante, condenou a atitude de Hailé Salassié, alegando que este não agira com dureza e determinação frente a invasão fascista italiana à Etiópia, queria mais garra do Leão de Judá.

Segundo o nosso Nei Lopes, da sua primorosa lavra, sabemos do fim quase solitário do herói, e da sua posição corajosa diante do caso Etiópia, que fizera com que muitos dos seus seguidores se afastassem dele, Marcus Mosiah Garvey. Em 1964 seus restos mortais foram transladados para a sua pátria, a Jamaica, terra de onde saira com sonhos de navegar à Mãe África, junto aos demais “buscadores de liberdade e autonomia”.

Sua memória fora reabilitada na qualidade de Herói Nacional, mas alguns aliados dizem ver e ouvir o seu vulto heróico, no ponto mais alto do Kilimanjaro, declamando princípios do pan-africanismo. Um herói sonhador, mas não o único. E como dizem os mais velhos, “o bom filho a casa torna”, melhor na condição de herói. Mas dizem os cautelosos, “quem boa romaria faz, em sua casa, está em paz”. Será? Mas navegar é preciso…

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


Alta Comissária da ONU visita a Bahia

postado por Cleidiana Ramos @ 5:26 PM
6 de novembro de 2009
Representante da ONU vai visitar quilombo em Nilo Peçanha. Foto: Divulgação| ONU

Representante da ONU vai visitar quilombo em Nilo Peçanha. Foto: Divulgação| ONU

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, chegará em Salvador no próximo domingo. É a primeira vez que ela vem ao Brasil. Além da capital baiana ela visita Brasília e Rio de Janeiro. 

Estão agendadas visitas ao Pelourinho, Elevador Lacerda e Mercado Modelo, dentre outros compromissos. Na segunda-feira ela vai até o Quilombo Jatimane, localizado no município de Nilo Peçanha. Logo em seguida, Navi Pillay  almoça com o vice-governador da Bahia, Edmundo Pereira Santos.

A sul-africana Navi Pillay foi nomeada para o alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos, pelo secretário-geral do órgão, Ban Ki-moon, em 28 de julho de 2008.

Ela já foi juiza do Tribunal Penal Internacional e juíza-presidente do Tribunal Internacional para Ruanda. Foi também ativista da luta contra o apertheid e milita pelos direitos das mulheres.  

 


Michelle Obama e as brincadeiras criativas

postado por Cleidiana Ramos @ 6:59 PM
22 de outubro de 2009
Michelle Obama defende prática de atividades infantis saudáveis. Foto: Mark Wilson|Getty Images|AFP

Michelle Obama defende prática de atividades infantis saudáveis. Foto: Mark Wilson|Getty Images|AFP

O casal Obama continua fazendo a festa da mídia. A novidade divulgada hoje é ótima: para promover atividades saudáveis entre as crianças, a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, conseguiu dar 142 voltas equilibrando um bambolê.  

Ao ver a notícia fiquei curiosa para saber se hoje eu conseguiria uma performance,  não compatível à de Michelle ( um feito excepcional para o desafio de manter o bambolê em circulação),  mas ao menos perto do que eu fazia quando criança.

Bons tempos aqueles em que o  bambolê e outras brincadeiras que uniam  diversão e exercício faziam a cabeça das crianças.  Tinha um tal de elástico que era um barato, sem falar de picula que levava minha mãe e as das minhas companheiras e companheiros de brincadeira à loucura.

Mas tinham outras mais acomodadas como “boneca de papel”. Esta exercitava a criatividade via o desenho de roupinhas  para vestir as bonecas que a gente mesmo desenhava. Imagino que deve ter um monte de design de moda que brincou muito disto. E vocês? Comentem as brincadeiras criativas da sua infância.  

Quem quiser conferir mais sobre a performance no bambolê da primeira-dama americana clique aqui. 


Brasil e EUA discutem combate à discriminação

postado por Cleidiana Ramos @ 11:53 PM
16 de outubro de 2009
A questão dos quilombos é um dos assuntos da pauta do encontro. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

A questão dos quilombos é um dos assuntos da pauta do encontro. Foto: Haroldo Abrantes | AG. A TARDE

Nos próximos dias 22 e 23 vai acontecer em Salvador a III Reunião para Implementação do Plano de Ação Conjunta Brasil-Estados Unidos para a Eliminação da Discriminação Étnico-Racial e Promoção da Igualdade.

Este evento de nome extenso marca mais uma etapa da cooperação entre os dois países para combater a discriminação. A parceria foi assinada no ano passado.

O encontro vai contar com a participação do ministro Edson Santos, titular da Seppir; da subsecretária geral de Política do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Vera Lúcia Barrouin Machado; e do subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, Thomas Shannon. O evento será no Othon Palace.

O encontro vai contar com a participação de lideranças dos movimentos sociais. Durante o evento serão apresentadas as metas da ação conjunta e os seus eixos temáticos.


O Batalhão das mulheres negras

postado por Cleidiana Ramos @ 6:56 PM
6 de setembro de 2009
Michelle Obama, que aparece na foto ao lado da sua grande amiga, Oprah Winfrey, resgatou a história do WAC All Black. Foto: AP Photo|Elise Amendola

Michelle Obama, que aparece na foto ao lado da sua grande amiga, Oprah Winfrey, resgatou a história do WAC All Black. Foto: AP Photo|Elise Amendola

Recebi da colega em A TARDE e tambem na lida de escrever blogs, Andreia Santana, uma dica muito interessante. Andreia está publicando no blog Conversa de Menina, que mantém em parceria com a também jornalista, Alane Virgínia,  uma série de posts sobre a participação de mulheres na II Guerra Mundial e descobriu a existência de um destacamento de afroamericanas chamado WAC All Black.

A história delas foi resgatada recentemente por Michelle Obama e é reveladora a  base da sua participação no conflito: o entendimento do perigo que era a filosofia anti-semita e, portanto, racista, disseminada por Hitler. Daí que decidiram agir de alguma forma.

Cliquem aqui para conferir esta bela história e também aproveitem para navegar no Conversa de Menina que vou incluir na nossa lista de blogs intressantes chamada Outros Mundos e que fica aí ao lado. 


Substituição de negro em foto provoca polêmica

postado por Cleidiana Ramos @ 5:18 PM
26 de agosto de 2009

Vejam só a confusão em que a gigante do setor de software, Microsoft, se meteu: numa peça publicitária da empresa a cabeça de um homem negro foi substituída pela de um homem branco. A idéia era mostrar empregados ao longo de uma mesa de reunião. A versão original apareceu no site da empresa nos Estados Unidos, mas foi modificado no site da unidade da Polônia. A Microsfot já pediu desculpas pela mudança.  


Ministro do Senegal recebe título de cidadão de Salvador

postado por Cleidiana Ramos @ 2:25 PM
11 de agosto de 2009
Amadou Lamine Faye vai se tornar cidadão de Salvador.  Fernando Amorim|AG. A TARDE

Amadou Lamine Faye vai se tornar cidadão de Salvador. Fernando Amorim|AG. A TARDE

Amanhã, o ministro da Diáspora do Senegal, Amadou Lamine Faye, vai receber o título de cidadão de Salvador. O ministro de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, participa da solenidade a partir das 19 horas na Câmara Municipal em um dia especial: a data em que aconteceu a Revolta dos Búzios, movimento também conhecido como Conjuração Baiana e Revolta dos Alfaiates. 

A Revolta dos Búzios, ocorrida em 1798 em Salvador, defendeu bandeiras como o fim da escravidão e a instalação da República. Os líderes Manoel Faustino dos Santos, João de Deus do Nascimento, Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas, todos negros, estão entre os principais ativistas do movimento.

Autora do projeto para concessão do título, a vereadora Olívia Santana (PCdoB), destaca a importância dos laços entre  Senegal e Brasil.

“Levas de senegaleses foram trazidos para o Brasil, principalmente para Salvador. A nossa intenção é fazer esse  irmanamento entre a capital baiana e a Ilha de Goré, no Senegal,  e assim garantir que políticas de relações comerciais, culturais e educacionais possam acontecer entre as duas cidades, com impactos positivos para ambas”, disse.

O novo cidadão soteropolitano, Lamine Faye, é jornalista e escritor. Como ministro ele atua na assessoria para elaboração de políticas do governo senegalês para uma melhor integração com países da diáspora, caso do Brasil.  

Além das suas atividades políticas, Faye lançou a revista bilingue- que circula também em Salvador- Destin de L´Afrique (Destino da África)-, que tratou do Carnaval e de outra manifestações de matriz africana na Bahia. Ele também realizou um documentário sobre a capital da Bahia e o Colóquio da Unegro, realizado aqui no ano passado em comemoração aos seus 20 anos.


Angela Davis- Parte I

postado por Cleidiana Ramos @ 6:34 PM
10 de agosto de 2009

Angela-Davis-03

“Quando Obama visitar o Brasil, vai aprender algumas lições”

Aos 65 anos, Angela Davis continua a mostrar por que se tornou um ícone do movimento negro norte-americano nos anos 1970. Bastam minutos de conversa com a hoje pesquisadora e professora da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz (EUA), para perceber a sua facilidade em expor, numa linguagem clara, linhas de raciocínio complexo, fruto do aprofundamento que marca sua produção acadêmica. Um exemplo é quando explica a visão que tem do feminismo, para além do embate de gênero. A jovem ativista de outrora continua também a fascinar a juventude. Este segmento foi o público mais constante nas palestras que ela realizou, na última semana, em Salvador, como convidada da XII Edição da Fábrica de Ideias, programa anual sediado no Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (Ceao/Ufba ). Coordenada pela doutora em sociologia Ângela Figueiredo e pelo doutor em antropologia Lívio Sansone, a Fábrica oferece treinamento para jovens pesquisadores em estudos étnicos. Angela Davis, inclusive, discorda de quem costuma apontar a juventude do mundo atual como apática, do ponto de vista político. Para ela, cada geração tem sua forma própria de atuação. “A minha postura é a de aprender com os jovens, porque sempre são eles que provocam as mudanças radicais”, afirma. Nesta entrevista concedida à repórter Cleidiana Ramos, com o auxílio da tradutora Raquel Luciana de Souza, Angela Davis falou, dentre outros assuntos, sobre as lições que o governo brasileiro pode oferecer a Barack Obama, em relação a uma política de maior aproximação com a África.

A TARDE – É a segunda vez que a senhora vem à Bahia. O que notou sobre a questão racial e de gênero aqui?
Angela Davis – O termo feminismo é ainda bastante contestado, como também é contestado nos EUA. Mas, eu descobri que há mulheres ativistas que estão fazendo um trabalho bastante semelhante. Então, nesse sentido, não faz diferença como uma pessoa se identifica. Tem mulheres que estão trabalhando nessas questões de violência contra a mulher, assistindo vítimas dessa violência e, ao mesmo tempo, pensando em formas de se erradicar um fenômeno que é uma pandemia por todo o mundo. São questões que eu acredito que perpassam as fronteiras nacionais. Acredito que ativistas nos EUA podem aprender muito com ativistas aqui do Brasil.

AT – Ao que a Sra. atribui a resistência ao termo feminismo?
AD- Há essa resistência ao termo feminismo porque pressupõe-se que se adotem posições vazias. Há posições antimasculinas, anti-homem. Quando feministas brancas formularam pela primeira vez essa noção de direitos das mulheres, elas estavam somente prestando atenção à questão de gênero e não prestavam atenção à questão de raça e de classe. E nesse processo elas racializaram gênero como branco e colocaram uma questão de classe como uma classe burguesa, mas as feministas negras argumentaram que você não pode considerar gênero sem considerar também a questão de raça, a questão de classe e a questão de sexualidade. Então isso significa que as mulheres têm de se comprometer a combater o racismo e lutar tanto em prol de mulheres como de homens.

AT – É uma visão bem diferente daquela que a maioria das pessoas tem sobre feminismo.
AD- O tipo de feminismo que eu abraço não é um feminismo divisivo. É um feminismo que busca a integração. Mas, como disse anteriormente, estou mais preocupada com o trabalho que as pessoas fazem e o resultado que alcançam do que se estas pessoas se denominam feministas ou não. Muito do trabalho histórico tem descoberto tradições e legados feministas de mulheres que nunca se denominaram feministas, mas nós as localizamos dentro de uma tradição feminista. Eu já vi trabalhos que falam sobre Lélia Gonzalez no Brasil denominando-a feminista e eu não sei se ela se considerava feminista. Tem também mulheres contemporâneas como Benedita da Silva. Eu não sei se ela se identifica como feminista.

AT- A senhora pensa em escrever algo sobre as suas impressões em relação à Bahia?
AD- Eu acho que sim. Mas eu teria de voltar aqui e passar um pouco mais de tempo fazendo uma pesquisa substantiva. Estou bastante impressionada com o ativismo das mulheres em Salvador e, em geral, aqui é um lugar maravilhoso.


Angela Davis- Parte II

postado por Cleidiana Ramos @ 6:33 PM
10 de agosto de 2009

Angela-Davis-02

AT – A Cidade das Mulheres, de Ruth Landes, trabalho realizado na década de 30, trata do poder feminino no candomblé da Bahia.
AD- Aqui no Brasil, o poder que as mulheres exercem é uma base muito poderosa para o poder feminista no Brasil. Eu escrevi um livro, Legados do Blues, e o meu argumento é que as mulheres do blues, durante os anos 20, ajudaram a forjar um feminismo da classe trabalhadora.

AT – Os EUA elegeram pela primeira vez um presidente negro. Passado esse primeiro semestre do governo Obama, como a senhora avalia as suas ações?
AD- Ele fez coisas boas e fez algumas coisas ruins. A minha posição em relação a Obama nunca foi de pressupor que um homem sozinho, independentemente de sua raça ou classe, pudesse salvar o país e o mundo. O que foi bastante entusiasmante em relação à sua eleição foi o que nós aprendemos sobre o país. O fato de que tantas pessoas estavam predispostas a votar nele nos diz que houve progresso. É claro que não atrapalhou o fato de ele estar disputando a eleição com o partido de George Bush. A segunda questão é que Obama apresentou-se como alguém conectado a uma tradição de luta negra. Ele se identifica com o movimento dos direitos civis, com figuras como Martin Luther King. Um homem negro que tivesse uma política conservadora não teria feito a diferença em termos de ponderarmos sobre onde estamos agora. A terceira questão e, provavelmente, a mais importante, é que Obama foi eleito porque os jovens criaram esse movimento em massa.

AT – Este é um aspecto bem interessante sobre a vitória de Obama.
AD – A eleição de Obama nos transmitiu o que estava acontecendo em termos de organização de uma juventude com um movimento de base. Eram jovens negros, brancos, latinos, indígenas. A minha esperança está na capacidade de esse movimento ir na direção correta. Por outro lado, Obama não tem tomado bons posicionamentos, como em relação à questão da manutenção das tropas militares no Afeganistão.

AT – O governo brasileiro adotou uma política de aproximação com os países africanos. Há muita esperança de que o governo Obama possa fazer o mesmo. Esta esperança, em sua opinião, pode se confirmar?
AD- Obama tomou uma boa decisão ao visitar à África. Ele visitou Gana. Isso prova que sua visita não era simplesmente em função das suas origens, mas também para discutir problemas sérios. Em, termos de relação entre os EUA e a África, principalmente na questão histórica, foi muito importante a visita de Obama aos fortes de Gana, da Costa do Cabo e à porta do não-retorno. Foi muito importante para os EUA verem isso. Os afro-americanos já conhecem esses lugares. Eles viajam ao Senegal, a Costa do Cabo, mas esta foi a primeira vez que essa conexão histórica entre EUA e a África foi evidenciada. Isso estimulou uma discussão sobre o papel da escravidão. Logo depois, por exemplo, houve reportagens sobre a plantação onde um bisavô de Michelle Obama foi escravo.

AT – As questões históricas ganharam destaque.
AD- Estas questões históricas são importantes. Mas o que eu considero ser muito difícil para Obama fazer é reconhecer os danos horrendos que o capitalismo causou à África. As políticas de ajustes estruturais do FMI e do Banco Mundial fizeram com que vários países africanos desviassem recursos de serviços sociais para setores lucrativos da economia. Acredito que isso é que tem de ser abordado. Eu sei que o Brasil tem uma posição mais progressista em relação à África. Então, provavelmente, quando Obama visitar o Brasil ele vai poder aprender algumas lições. Quando isso acontecer, estaremos extremamente felizes porque nós ficamos muito envergonhados quando o George Bush veio e disse: “Eu não sabia que havia negros no Brasil”.


Angela Davis- Parte III

postado por Cleidiana Ramos @ 6:33 PM
10 de agosto de 2009

Angela-Davis-04

AT – O que pensa a Sra. pensa sobre as ações afirmativas no Brasil?
AD-Não tenho acompanhado esta discussão rigorosamente. Mas, na minha primeira visita ao Brasil, em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, as pessoas estavam apenas começando a reconhecer que o Brasil não era uma democracia racial. As ações afirmativas ainda estão sendo muito atacadas nos EUA, mas têm sido responsáveis pela integração de várias instituições em lugares, por exemplo, como a África do Sul. Eu sei que aqui no Brasil elas acontecem no que diz respeito às universidades. As ações afirmativas são um instrumento muito importante. O discurso nos EUA modificou-se. No lugar de se falar sobre ações afirmativas fala-se agora sobre diversidade, o que é problemático. A administração de George Bush foi a administração mais diversificada na história dos EUA antes da administração de Obama. Mas ele colocou em seu governo negros e latinos conservadores. Essa diversidade tem sido definida como a diferença que não faz a diferença.

AT – Quando foi implantada a política de ações afirmativas nos EUA?
AD- Em 1977, tivemos o primeiro desafio jurídico às ações afirmativas. Isso aconteceu num caso levantado por um homem branco que não foi admitido para a Universidade da Califórnia e desde então há o caso de vários outros processos judiciais impetrados por brancos que argumentam ser vítimas de um racismo às avessas.

AT – No Brasil, o STF prepara-se para julgar a constitucionalidade das cotas a partir de uma provocação do DEM.
AD- A meu ver, deve-se desafiar pressuposições de que o caso trata apenas de homens brancos como indivíduos e mulheres negras como indivíduos que estão ali lutando por um emprego. As ações afirmativas nunca foram concebidas para ajudar indivíduos apesar do fato de que indivíduos se beneficiam das mesmas. A ideia é soerguer uma comunidade inteira. Trata-se de uma população que foi objeto de discriminação. Tanto nos EUA como no Brasil nós ainda vivemos com o sedimentos da escravatura. A escravidão não é somente algo que existe no passado. Habita o nosso mundo hoje em dia, com toda a pobreza, o analfabetismo. As ações afirmativas são um passo inicial em termos de se abordarem questões de escravatura, colonização. Esquece-se tudo isso. Parece que existem só duas pessoas: um homem branco e um homem negro, ou um homem branco e uma mulher negra.

AT – A Sra. vem de uma geração muito politizada. Como analisa a ação política da juventude do mundo atual?
AD-Eu estou muito entusiasmada. Não sou o tipo de pessoa que gosta de deitar nos louros da minha geração. Eu sei que cada geração abre uma nova trilha. Frequentemente pessoas que se engajaram em movimentos pressupõem que cada geração tem de fazer a mesma coisa da mesma forma. A minha postura é a de aprender com os jovens, porque sempre são eles que provocam as mudanças radicais. Grande parte do meu ativismo é contra o complexo industrial carcerário. Este é um movimento cuja maioria é constituída por jovens que utilizam métodos diferentes. Eles utilizam representações culturalistas, como música, e usam novas formas de comunicação, como facebook. Estou aprendendo muito com isso.

AT – É um movimento interessante, então.
AD-Estou feliz que eles tenham feito isso, porque se transforma o terreno para que se possa desenvolver novas ideias, expandindo o nosso conhecimento sobre as possibilidades para a liberdade. Por isso eu acho tão importante prestar atenção nos jovens. Eu não acredito nessas pessoas que dizem que os jovens são apáticos que eles não estão fazendo nada. Nós precisamos acompanhar este movimento, de maneira que estas noções de liberdade se expandam e se tornem mais abrangentes porque eu não acredito que chegaremos num ponto no qual possamos dizer “isto é liberdade, nós chegamos ao topo da montanha e podemos parar de lutar”. Acho que será uma luta infinita e as vitórias que conquistamos nos permite imaginar novas liberdades. O discurso de Martin Luther King, conhecido como Eu tenho um sonho, fala sobre chegar ao topo da montanha. Ele nunca diz o que se vê ao chegar ao topo da montanha. Acredito então que cada geração vai criar novas imaginações do significado de ser livre.


III Fesman é adiado

postado por Cleidiana Ramos @ 11:29 AM
4 de agosto de 2009
Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, veio a Salvador em companhia de Lula lançar o III Fesman em maio. Foto: AFP PHOTO|Evaristo Sa

Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, veio a Salvador em companhia de Lula lançar o III Fesman em maio. Foto: AFP PHOTO|Evaristo Sa

O III Festival Mundial de Artes Negras (III Fesman) foi realmente adiado. Esta possibilidade  já havia sido noticiada aqui. A informação está no site da Fundação Palmares.  

A notícia foi confirmada pelo presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, durante o último Conselho dos Ministros do Senegal. O período inicialmente previsto era de 1º a 14 de dezembro deste ano. As novas datas ainda não foram anunciadas.


Fesman pode ser adiado

postado por Cleidiana Ramos @ 3:58 PM
23 de julho de 2009

 

A festa de lançamento do Fesman em Salvador contou com a participação de  Lula e do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

A festa de lançamento do Fesman em Salvador contou com a participação de Lula e do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Há indícios de que o III Festival Mundial de Artes Negras (III Fesman) pode não acontecer em dezembro deste ano como foi anunciado, inclusive com lançamento do evento em Salvador no mês de maio.

O problema para a realização do Fesman ainda este ano  é o atraso nas obras de infraestrutura. O teatro que vai abrigar o evento, por exemplo, não está concluído.  Não há confirmação oficial nem do Senegal, país sede, nem do governo brasileiro. O Brasil é convidado de honra. 

A imprensa senegalesa já vem publicando declarações de Abdoulaye  Wade, presidente do Senegal,  sobre a possbilidade de adiamento. Oitenta países devem participar do Fesman. 

 


Salve, Nelson Mandela!

postado por Cleidiana Ramos @ 12:02 PM
18 de julho de 2009
Ícone da luta contra o apertheid faz aniversário hoje. Foto: AFP Photo Pool | Themba Hadebe

Ícone da luta contra o apertheid faz aniversário hoje. Foto: AFP Photo Pool | Themba Hadebe

 

Hoje, Nelson Mandela, o maior ícone da luta contra o racismo e o sistema de apertheid na África do Sul, completa 91 anos.

Em Nova York Aretha Franklin, Stevie Wonder e Carla Bruni-Sarkozy participam, com outros artistas, de um show intitulado Mandela Day no Radio City Music Hall.  

O show encerra uma semana de comemorações pelo aniversário de Mandela, que  governou a África do Sul de 1994 a 1999, após passar 27 anos na prisão por sua luta contra o apertheid.  Ele foi o primeiro negro a presidir o país.

 


Notícias de um estudante baiano em Montreal

postado por Cleidiana Ramos @ 2:18 PM
16 de julho de 2009

Para quem gostou do material sobre as atividades ligadas à cultura negra a partir de informações do jornalista André Santana diretamente de Montreal, Canadá, pode acompanhar mais por meio do blog que ele criou.

André, que está por lá realizando atividades de intercâmbio, criou o Je me souviens. Confiram aqui


Notícias do Carifiesta

postado por Cleidiana Ramos @ 7:10 PM
5 de julho de 2009

 Foto-do-Carnaval

Mais contribuição do nosso amigo André Santana que está em Montreal, Canadá. Desta vez o sortudo foi curtir o Carifiesta, que é um Carnaval Caribenho que acontece na cidade. A festa foi no sábado.

Olhem só parte do relato dele:

“Tinha tudo que tem em nosso Carnaval brasileiro: fantasias, percussão, carros de som, mulheres com pouca roupa e muita, mas muita alegria”.

Segundo André os grupos mais animados eram os da Jamaica, Haiti, Barbados, Granada e Trinidad e Tobago.

De acordo com ele, o Carnaval por lá é tranquilo e sem uso de álocool.

“Os poucos policiais observavam a festa sem preocupação, apenas saudavam as pessoas que passavam. Uma chuva fina caiu justamente quando os foliões atiravam talco para o ar. Daí se formou uma lama que os participantes aproveitam para passar no corpo uns dos outros com sensualidade e muito deboche. Depois de quatro horas, o desfile terminou, mas ainda rolaram bailes em parques proximos ao DowTown”.

Depois eu divulgo aqui o endereço do blog que ele criou para postar suas aventuras pelo Canadá.

 


A guerra do ídolo contra a sua cor

postado por Cleidiana Ramos @ 7:07 AM
26 de junho de 2009
Algumas das tramutações do astro pop. Foto: AP Photo

Algumas das transmutações do astro pop. Foto: AP Photo

Confirmada a morte de Michael Jackson no ínicio da noite de ontem, volta e meia me econtro pensando nele com uma certa tristeza. Fico imaginando o quanto deve ter doído possuir uma vida interior tão atormentada. Digo isso porque não imagino ter sido de outra forma o dia-a-dia de alguém que não conseguiu aceitar a imagem que via no espelho desde criança. Sempre tive uma curiosidade, que nunca ficou totalmente satisfeita, de saber o que ele realmente pensava sobre a sua cor de pele.

As imagens que estão passando nas TVs a todo o momento mostram claramente a sua determinação em embranquecer ao longo do tempo. E este “branqueamento”  ultrapassa o  termo que é usado no Brasil para falar da decisão de mulheres negras em alisar seus cabelos via métodos químicos e pranchas numa busca de adequação ao padrão de beleza mundial: cabelos lisos, esvoaçantes.

Michael Jackson foi muito além dos cabelos. Sua pele não tinha mais nenhum tom de ação da melanina. É certo que ele disse certa vez que sofria de vitiligo, um distúrbio que cria uma descoloração da pele. A justificativa para o tom cada vez mais claro do rosto seria então maquiagem para uniformizar as marcas deixadas pelo vitiligo. Difícil acreditar nesta explicação pois além do clareamento da pele, o nariz, a boca e os cabelos mudavam constantemente.

Mas o rei do pop não falava sobre o que o  motivava a esta busca desenfreada para mudar seu fenótipo. Intrigante é que se tentava desesperadamente transmutar a aparência nata, na sua arte estavam lá os traços da música negra. Basta ouvir suas canções ou observar os passos da sua dança. Não à toa resolveu sair dos EUA para vir a Salvador gravar com o Olodum, um dos grupos que surgiram na esteira dos movimentos negros organizados brasileiros para o combate ao racismo. É certo também quem em Black or White ele brincou com as suas transformações. 

Michael Jackson é cidadão do país que tem uma das mais emblemáticas lutas contra as práticas racistas. É a terra de Rosa Park, Martin Luther King e que recentemente elegeu Barack Obama, um negro, com nome muçulmano, para comandar o país.

O maior ídolo pop de todos os tempos não tinha obrigação de fazer militância, porque isto é escolha política e da liberdade de consciência. Mas poderia ter convivido pacificamente com sua cor como é o caso de tantas outras celebridades norte-americanas: Denzel Washington, Samuel L. Jackson, Oprah Winfrey, Morgan Freeman, Whoopi Goldberg, Hale Barry, Lionel Richie, Stevie Wonder e outros mais.

Muita piada se fez sobre esta sua incansável batalha “para ficar branco”. Lembro que quando Barack Obama venceu as eleições circulou uma montagem fotográfica pela Internet mostrando, além do presidente eleito, Denzel Washignton, um dos mais influentes atores de Hollywood, o inglês Lewis Hamilton, o primeiro negro a vencer o campeonato de Fórmula Um e outros. No final tinha a foto de Michael Jackson já na versão embranquecida com a frase “Se arrependimento matasse…”

É  pena que esta sua enloquecida confusão de identidade vai ficar na história como  excentridade de uma estrela pop.  Talvez se ela fosse aprofundada poderia servir para a gente entender melhor o quanto esta questão de cor de pele ainda é um tormento para tantos.

Isto quase meio milênio depois que os homens inovaram na questão da escravidão: antes escravo era quem perdia a guerra. Com a corrida pela conquista da América, cor de pele virou, com produção de ciência para sustentar este pensamento, inclusive,  sinônimo de não humanidade, deixando sua marcas complexas e desiguais até hoje.


O elegante Obama

postado por Cleidiana Ramos @ 12:15 PM
16 de junho de 2009

 

 

Em todas as situações, Obama tem esbanjado estilo. Foto: AP Photo|Charles Dharapak

Em todas as situações, Obama tem esbanjado estilo. Foto: AP Photo|Charles Dharapak

Barack Obama está mesmo impossível no mundo pop. O seu novo feito é derrotar Brad Pitt e outras celebridades no quesito estilo.

O presidente venceu uma pesquisa quando comparado a 3 mil homens por seu bom gosto para se vestir. Pitt ficou em segundo.

O terceiro colocado é o jogador de futebol David Beckham. Obama surpreendeu por ser o único “homem de política” na lista dos dez mais estilosos, afinal esta categoria, segundo estilistas, não costuma se destacar em questões de moda.

Com todo respeito aos outros colocados, não é só neste quesito que Obama coloca para trás os outros concorrentes. Quando ele abre aquele sorriso tudo se ilumina.  


Brasil afinado com a África Negra

postado por Cleidiana Ramos @ 3:35 PM
26 de maio de 2009
Lula e Wade exibem poster com a foto dos dois na Porta do Nunca Mais na Ilha de Goré feita em 2005. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Lula e Wade exibem poster com a foto dos dois na Porta do Nunca Mais na Ilha de Goré feita em 2005. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Num discurso bem humorado- o do presidente Abdoulaye Wade do Senegal foi formal- Lula deu uma tarefa ao ministro da Cultura Juca Ferreira, que é o responsável pela organização da participação brasileira no III Fesman: quer o envolvimento de todos os setores do movimento negro organizado.

O motivo? A resposta está num trecho  do discurso feito pelo presidente brasileiro: “Temos que ir além da demonstração das manifestações artísticas “.

O discurso do presidente senegalês completa o raciocínio de Lula: “No Fesman vamos fazer uma reafirmação da África do ponto de vista da política, cultura e como potência econômica”.

Ficou também patente no evento a  boa aceitação que o governo Lula tem em países da África negra. Embora a aproximação com o continente não seja uma ação nova do governo brasileiro, a política de relações exteriores de Lula tem feito ações bem mais específicas em relação à África, principalmente na área de educação, caso da ajuda técnica para a implantação da universidade pública de Cabo Verde ou acordos em relação a petróleo com Angola.

A boa imagem que o Brasil- inclusive vai participar do Fesman como país homenageado- tem conquistado sobra no discurso dos líderes africanos. No evento de ontem no TCA, por exemplo, o próprio Wade cobriu o colega brasileiro de elogios e disse que Lula é “um dos maiores políticos dos tempos modernos”.

Claro que do ponto de vista de governo as ações são ainda poucas diante do que poderiam ser, mas é um começo.           


A bela Michelle Obama

postado por Cleidiana Ramos @ 4:41 PM
30 de abril de 2009
Primeira dama é uma das mais 100 mais belas, segundo a People. Foto: AP Photo|Evan Vucci

Primeira dama é uma das mais 100 mais belas, segundo a People. Foto: AP Photo|Evan Vucci

A primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, é uma das 100 pessoas mais belas listadas pela  revista norte-americana de celebridades People.

A relação dos mais belos é uma das muitas que os americanos adoram fazer e a edição anual da People é super badalada.  Michelle aparece ao lado de astros do cinema como Robert Pattinson, o novo queridinho das adolescentes por sua participação no romântico filme sobre vampiros  Crespúsculo.

  
A atriz Christina Applegate, que ganhou a admiração dos americanos quando anunciou publicamente estar com câncer de mama também faz parte da lista.

Mostrando que a elegância não se resume ao porte e ao seu guarda-roupa, Michelle deu uma declaração interessante sobre a sua inclusão pela primeira vez na lista:

 
“Tive um pai e um irmão que me achavam bonita e que me faziam sentir assim todos os dias”. E ela ainda disse mais:

“Cresci com modelos masculinos muito fortes que me achavam inteligente, ágil e divertida, então ouvi isso muito. Sei que há muitas garotas que não ouvem esses elogios. Mas eu tive sorte.”

A lista apontou outros nomes próximos a Obama na seção intitulada “Beldades de Barack”: o chefe-de-gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel, o secretário do Tesouro, Timothy Geitner, dentre outros.

 
Da turma de celebridades foram também relacionados George Clooney, Angelina Jolie, Brad Pitt e Halle Berry.

Fonte: Uol e Reuters