Arquivo da Categoria 'Internacional'


Miss Angola faz história em concurso

postado por Cleidiana Ramos @ 2:52 PM
13 de setembro de 2011

Leila Lopes é a seguda africana negra a ganhar o Miss Universo. Foto: EFE | Sebastião Moreira

Animada com a eleição de Leila Lopes, a primeira angolana a ganhar o Miss Universo, fui em busca de outras informações sobre vitória de negras no mais tradicional concurso de beleza do mundo. A fonte não poderia ser outra: o jornalista Roberto Macedo, o maior especialista brasileiro no assunto.

O conhecimento e a memória de Roberto sobre o tema são impressionantes. Então vamos lá: Leila, a nova Miss Universo, é a segunda africana negra a ficar com a coroa.

A primeira negra a ganhar o concurso foi Janelle Commissiong, de Trinidad e Tobago em 1977. Curioso é que ela passou a coroa em 1978 para Margaret Gardiner, da África do Sul. Sabe o que aconteceu, segundo Roberto? Margaret, loira, em pleno regime do apertheid em seu país, não beijou Janelle, negra, sua antecessora.

Em 1992 Michelle McLean da Namíbia ganhou a coroa de mulher mais bela do universo, mas ela também é branca.

Aí veio Mpule Kwelagobe de Botsuana, em 1999, a primeira africana negra a ganhar o concurso.

Em 2007, a japoensa Riyo Mori venceu o concurso. Para Roberto Macedo, eleições como a de Leila e Riyo são importantes para mostrar que o mais tradicional concurso de beleza já está se abrindo para a diversidade, sem fixar-se no padrão de beleza europeu, ou seja, o que considera belas apenas as mulheres brancas. Já é um começo.

Outras negras que ganharam o concurso são Chelsea Smith, Miss Estados Unidos, em 1995 e  Wendy Fitzwilliam, que venceu a edição de 1998 e também é de Trinidad e Tobago.

Em relação ao Brasil, Vera Couto,em 1964, carioca, foi a primeira negra brasileira a participar de um concurso internacional (Miss Beleza Internacional) e ficou em terceiro lugar. Segundo Roberto Macedo, a miss lhe contou que quando estava na Disneylândia viu uma criança negra e foi brincar com ela. A mãe da criança lhe deu uma descompostura dizendo que ela deveria se envergonhar de estar concorrendo em um concurso voltado para brancas. Vera, inclusive, chegou a ser capa da prestigiosa revista americana Ebony, que é direcionada para negros.

Uma baiana também fez história: Vera Guerreiro. Em 1969, a Miss Bahia foi a segunda negra em um concurso nacional de beleza. Vera, que era ginecologista, faleceu em 2006.

E, para finalizar, já perguntaram à nova Miss Universo sobre racismo. A resposta da moça foi a seguinte:

“Os racistas, sim, devem procurar ajuda, porque não é normal uma pessoa pensar assim no século 21. Qualquer tipo de preconceito não tem fundamento”. Além disso, Leila Lopes pretende se dedicar a campanhas de prevenção à contaminação por HIV.


Cabo Verde é tema de palestra

postado por Cleidiana Ramos @ 2:21 PM
15 de junho de 2011

Professor Claudio Furtado faz palestra amanhã. Foto: Lúcio Távora | Ag. A TARDE|09.03.2007

Gente tem um programa legal amanhã. O Programa de Pós Graduação em Estudos Étnicos e Africanos (Posafro) promove a palestra “Desenvolvimento e integração africana: um olhar a partir de Cabo Verde” que será proferida pelo professor doutor Claudio Furtado.

O palestrante é professor da Universidade do Cabo Verde e docente visitante do Posafro.

A palestra será no auditório Milton Santos a partir das 18h30, no Centro de Estudos Afro Orientais da Ufba (Ceao), localizado no Largo 2 de julho.

Já participei de um mini curso ministrado pelo professor e recomendo. É show de bola.


Balaio de Ideias: Barack Obama – um mensageiro da verdade

postado por Cleidiana Ramos @ 7:24 PM
21 de março de 2011

Elias Sampaio

O quadragésimo quarto Presidente dos Estados Unidos da América esteve entre nós no ultimo final de semana. Além de um momento bastante emblemático – as vésperas do 21 de março – sua visita possui, também, um significado muito importante para o povo brasileiro, os negros em particular.

Com efeito, a chegada de Obama a Casa Branca em 2008, representou um divisor de águas nos debates sobre as relações raciais nos EUA e no planeta. Sua trajetória até ali trouxe uma questão extremamente incômoda para nós brasileiros: como explicar que num país onde os negros são minoria absoluta da população e onde o racismo pode ser explicitado politicamente conseguiu pavimentar de maneira orgânica o percurso de um negro ao posto de maior liderança da nação?

Compreender a importância desse fenômeno aparentemente paradoxal, é condição necessária para se dar um salto qualitativo em tudo que vem sendo historicamente discutido nas relações raciais no mundo e no Brasil, em particular.

Além da noção do racismo como ideologia que estruturou as relações sociais no nosso país, os brasileiros em geral e os negros em particular, devem começar a refletir sobre a necessidade de introduzir no debate e nas suas ações na luta anti-racista, valores que podem – em primeira instância – não ter nada a ver com as questões raciais stricto sensu.

Ou seja, em hipótese alguma devemos associar o fato dos EUA terem um presidente negro a uma súbita conscientização daquele povo quanto ao credo na igualdade racial, na diminuição da intolerância, ou numa tendência a uma maior aproximação da América com o continente africano.

Na verdade, além da perspectiva liberal intrínseca ao pensamento médio do povo americano, a escalada de uma pessoa como Obama ao poder tem a ver com o nível de participação comunitária, político partidária, político eleitoral, na educação, na cultura, nas ciências e nas artes que não foram abstraídas dos objetivos estratégicos da sociedade americana apesar de seu racismo explicito.

Isto é, o exemplo dos EUA nos parece demonstrar que em sociedades multireferenciadas do ponto de vista racial, a apropriação de elementos institucionais diferentes daqueles relacionados às referências étnicas originais dos diferentes grupos sociais, são instrumentos que podem possibilitar uma real disputa contra-hegemônica.

Significa dizer que, a ênfase na identidade racial como mote da disputa política representa apenas um estágio de um complexo processo de luta pelo poder, podendo ou não, trazer vantagens ou ganhos econômicos e sociais de mesma magnitude. Nesse contexto, observamos que as particularidades da formação do povo americano serviram como catalisador para os negros daquele país no sentido da aceleração do seu processo de apropriação dos instrumentos daquilo que, desde os anos de 1930, Gramsci chamou de americanismo e que se tornaria comum a negros e brancos, concorrendo, ambos, para a hegemonização do seu modelo de sociedade para o mundo.

Assim, o fator Obama deve trazer conseqüências mais profundas para os negros do resto do mundo, do que para os próprios negros americanos à medida que, paradoxalmente, o efeito simbólico deste fenômeno se dará de maneira mais forte no inconsciente coletivo das sociedades onde os “valores genuinamente americanos” são menos arraigados.

No caso brasileiro por exemplo, a simples presença de Obama, Michele e suas duas filhas,todos negros, lindos, elegantes e sofisticados, descendo as escadas do Air Force One, um dos símbolos de poder americano mais difundidos no mundo, deve ter causado sentimentos controversos na cabeça do brasileiro médio que ainda insiste em crer numa democracia racial que só tem validade em sua própria cabeça e desde que os negros permaneçam, na sua grande maioria, nos níveis mais baixos da sociedade, servindo-os de preferência.

Só isso nos parece explicar, por exemplo, a reação militante de racistas travestidos de pseudo democratas em criticas e intervenções institucionais com o objetivo de evitar os avanços das políticas públicas anti-racistas e de carater afirmativo que vem avançado no Brasil a partir do governo Lula. Para esses a visita da família Obama apresenta uma verdade com um gosto amargo de uma realidade que pode se aproximar para o Brasil.

Mestre em Economia e Doutor em Administração pela UFBA. Professor de Políticas Macroeconômicas da Uneb. Diretor Presidente da Prodeb.

 

 


Lá vem Obama!

postado por Cleidiana Ramos @ 5:35 PM
17 de março de 2011

Obama faz a sua primeira visita ao Brasil. Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP

Finalmente, o presidente dos EUA, Barack Obama, vem para a sua visita ao Brasil. Tem desde a agenda formal em Brasília,  no sábado, até uma espécie de comício no Rio, no domingo.

Até o meu amado Flamengo prepara uma homenagem especial, pois parece que o helicóptero de sua excelência vai fazer um pouso na Gávea. Obama vai fazer uma visita a outra nação (risos).

Mas, falando sério, essa visita é emblemática,. Não à toa, logo após a passagem do presidente tem agenda do Japper (o Plano de Ação Brasil-EUA para o Combate ao Racismo) em andamento.

Essas atividades também terão extensão em Salvador no próximo dia 23, mas, infelizmente sem a presença de Obama. É uma pena, pois a presença do primeiro presidente negro na mais negra das cidades americanas seria um grande acontecimento, no mínimo, do ponto de vista simbólico.


Até mais, África do Sul

postado por Cleidiana Ramos @ 2:58 PM
11 de julho de 2010

A Copa do Mundo chegou ao fim. Não deu para o Brasil e para nenhuma seleção africana, mas valeu porque a África do Sul conseguiu organizar, a despeito de vários preconceitos e suspeitas, o maior espetáculo esportivo do mundo.

Também vão ficar para sempre registradas a alegria dos Bafana Bafana com suas danças antes de entrar em campo ou na comemoração dos gols, assim como a alegria contagiante da seleção  de Gana.

Para fazer uma homenagem ao país sede vai aqui um vídeo de um concerto feito por Paul Simon no Zimbábue na década de 80 com o belíssimo hino sul africano, cantado nos vários dialetos  do país numa lição de solidariedade e de promessa de jamais voltar a ser a terra de algo tão brutal como o apertheid.


África do Sul em debate

postado por Cleidiana Ramos @ 4:51 PM
30 de junho de 2010

A África do Sul pós Mandela é tema de palestra. Foto: AFP Photo/Schalk Van Zuydam

Programa legal para quem gosta de absorver novos conhecimentos sobre a África do Sul. Na próxima segunda-feira , dia 5, a partir das 19 horas tem a palestra intitulada A África do Sul Pós- Mandela: Democratização ou Momento Democrático Perdido?. A palestra será realizada pelo professor doutor da Universidade de Cape- Town, África do Sul, Colin Darch.

Na quarta-feira, dia 7, ele fala, no mesmo horário, sobre Acesso à Informação: Direito do Cidadão e Dever do Estado.

As palestras acontecerão no Ceao, localizado no Largo 2 de Julho, e é promovida pela instituição e pelo Programa de Pós Graduação em Estudos Étnicos e Africanos (Pós Afro).


Invictus: o esporte como política

postado por Cleidiana Ramos @ 1:44 PM
25 de junho de 2010

Morgan Freeman e Matt Damon protagonizam história real. Foto: Divulgação

Para quem pode curtir férias e feriadão neste período ( e para os baianos na próxima semana tem mais por conta do 2 de julho) sugiro  dar uma olhadinha em Invictus.

O filme conta a história real da trajetória da seleção sul africana durante a Copa do Mundo de Rugby que recebeu em casa logo após a eleição de Nelson Mandela em 1995. Para ele, a vitória da seleção sul africana era essencial para o seu trabalho de selar a paz entre brancos e negros pós apertheid.

O time de rugby era um dos mais firmes símbolos do regime segregacionista e Mandela no lugar de eliminá-lo decide mantê-lo.

O filme é dirigido por Clint Eastwood e Nelson Mandela é vivido pelo ótimo Morgan Freeman. Quem faz o capitão do time, François Pienaar, fundamental para o papel que Mandela desenvolve na história, é Matt Damon.

O filme é bonito, mas  meio água com açúcar  e os diálogos, principalmente os de Mandela, tem alguns momentos que soam como discurso. Não é possível que mesmo o grande Mandiba seja brilhante até no café da manhã.  Mas Morgan Freeman dá um show, o que ele sempre faz, ainda mais com o espaço para ser protagonista.

Uma das cenas mais belas é a que acontece em um ponto de táxi ao mesmo tempo que a partida final é disputada. Cheia de dramaticidade e tensão, numa apologia ao que era o momento político na África do Sul.

A ideia inicial de Eastwood era filmar a biografia de Nelson Mandela, mas como ela era muito rica ele preferiu se apoiar nesse episódio de como Mandela usou o esporte para tentar pacificar o país. Os que têm Sky podem aproveitar para ver o filme  em paper view. Quem não tem pode recorrer às locadoras.


A partida do mestre Saramago

postado por Cleidiana Ramos @ 11:15 AM
18 de junho de 2010

Saramago morreu aos 87 anos. Foto: AFP PHOTO / Pierre- Philippe Marcou

O mundo acaba de perder o escritor português José Saramago. Saramago foi uma das pessoas que não fazem falta apenas aos que o conhecem de perto, mas a toda a humanidade. O que dizia e escrevia era pra ser eternizado, uma virtude, infelizmente, de poucos.

Dono de uma prosa filosófica e ácida, Saramago não se debruçou sobre questões étnico-raciais, mas a homenagem do Mundo Afro fica aqui por conta de suas posições veementes contra qualquer tipo de intolerância, principalmente a religosa.

Ao lado de Gárcia Márquez, Saramago aumentou o meu amor pela literatura com o livro  O Evangelho Segundo Jesus Cristo uma obra belíssima que não jusitifca toda a polêmica que o cercou e o fez esfriar suas relações com Portugal, seu país de origem.

Nunca considerei o seu ateísmo declarado desrespeitoso com aqueles que tinham fé. Ele apenas transformava em letras aquilo que lhe passava na alma, com questionamentos próprios inclusive de quem tem crença em um poder transcendental .

Numa destas incursões por este terreno saiu uma perfeita síntese sobre aqules que acham que possuem a verdade absoluta em questões de religião. É um trecho de In Nomine Dei, uma peça que escreveu, e que a transcrição abaixo fica como uma homenagem a este grande escritor, que soube também ser uma grande figura humana:

Entre o homem, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto quem afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? Se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome e dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-d’Alsácia? E, no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado da cauda do seu canino deus?

Que não sejam estas palavras tomadas como uma nova falta de respeito às coisas da religião, a juntar à Segunda Vida de Francisco de Assis e ao Evangelho segundo Jesus Cristo. Não é culpa minha nem do meu discreto ateísmo se em Münster, no século XVI, como em tantos outros tempos e lugares, católicos e protestantes andaram a trucidar-se uns aos outros em nome do mesmo Deus – In Nomine Dei- para virem a alcançar, na eternidade, o mesmo Paraíso. Os acontecimentos descritos nesta peça representam, tão-só, um trágico capítulo da longa e, pelos vistos, irremediável história da intolerância humana. Que leiam assim, e assim o entendam, crentes e não crentes, e farão, talvez, um favor a si próprios. Os animais, claro está, não precisam.


O jogo que descortinou o Zimbábue

postado por Cleidiana Ramos @ 12:27 PM
4 de junho de 2010

Amistoso disputado pela Seleção Brasileira contra o Zimbábue voltou as atenções para o país africano. Foto: Eduardo Martins | AG. A TARDE

Um dos amistosos mais polêmicos realizados pela Seleção Brasileira nos últimos tempos foi o disputado contra o Zimbábue na última terça-feira. E isto não só pelo hobby nacional de criticar Dunga _ “infrutífero”, “os jogadores podem ter lesão”, etc- mas também pelo adversário, afinal o governo do país é classifcado como ditadura. O presidente de lá, Robert Mugabe, está no poder há 30 anos.

Foi por conta deste amistoso que soube isto e algumas outras coisas sobre o país africano. Cronistas esportivos disseram tudo o que puderam: desde a inflação galopante que ultrapassa a casa dos milhares até um que acha que este é o melhor exemplo da “miséria” africana. A África tem miséria, mas também tem riqueza, ora pois. Infelizmente,  os estereótipos sobre o nobre e antigo continente vão continuar a ser uma tônica destes dias de Copa.

Mas o que mais me fez pensar sobre este amistoso, que do ponto de vista técnico foi apenas um aperitivo do que os amantes de bom futebol continuarão a sofrer nos próximos dias com esta formação da equipe canarinha, é que nós, jornalistas, fazemos de conta que o continente africano não existe.

Até mesmo para criticar as relações diplomáticas do Brasil com uma ditadura foi preciso um jogo de futebol. Do contrário as diatribes de Mutabe que ganhou um gelo do técnico da Seleção Brasileira, impedindo que ele não faturasse mais em cima de um jogo para o qual pagou à CBF uma pequena fortuna- U$ 1,3 milhões, o que dá quase R$ 2,6 milhões — estariam no limbo. Os jogadores não apareceram ao lado do ditador em nenhum momento e Dunga driblou Mutabe, inclusive evitando sua visita à concentração brasileira.

Claro que não estou querendo que o Zimbábue ganhe uma coluna diária dos jornais, mas porque a gente sabe tão pouco de uma diatadura com a qual o Brasil matém relações, mesmo diante do gelo do resto do mundo? Que tipo de intresses circulam em torno deste ponto?

Esse exemplo é apenas uma amostra do desinteresse que mantemos em relação a outros países africanos. Eles só entram na pauta em situações que o mundo inteiro volta as atenções para lá. A África do Sul, por exemplo, só está sendo lembrada por conta do campeonato mundial de futebol organizado pela Fifa.

Mas se esse seria o momento que teríamos para aprofundar a divulgação deste conhecimento sobre um continente que tem países dos quais uma parte significativa da população brasileira herdou parte da sua base cultural, as informações que estão chegando não conseguem fugir do trivial.

Que a África do Sul tem belos parques a gente já sabe. Que a alegria africana é contagiante e a vuvuzela é símbolo disto já está ultrapassando os limites do que é clichê. Que a Copa do Mundo é a chance do país mostrar como está depois do apartheid é óbvio. Ele não investiria tanto em um campeonato se não tivesse razões políticas fortes para tal.

Mas cadê o povo sul africano, seu dia-a-dia, mais detalhes da política pós apertheid, os embates entre religiões oficiais e tradicionais, a condição da mulher, etc? Futebol é cultura exatamente porque é feito e direcionado a pessoas.

Esta Copa do Mundo poderia ser um momento de fazer melhor o pouco que foi feito em relação ao Zimbábue: mostrar um pouco mais de como anda este continente que é mãe da humanidade, mesmo que alguns rejeitem esta maternidade.

Quando Robinho disse que nem sequer sabia pronunciar o nome do país contra cuja seleção disputaria o amistoso ou quando o presidente Lula se assustou com a limpeza das ruas da Namíbia não foram gafes para virar pautas de programas de humor ou provas da irreverência do jogador e da quase impossibilidade do mandatário brasileiro em evitar dizer de pronto o que pensa.

Não são razões para a gente rir, mas se envergonhar por saber tão pouco sobre uma parte do mundo com o qual muitos de nós carrega um parentesco que diz muito do que somos. Tomara que nós, formadores de opinão como adoramos ser chamados, despertemos do trivial ainda a tempo.   Ah sim! O próximo amistoso do Brasil será contra a Tanzânia na segunda-feira. Esperemos, então, notícias de lá.


Notícias de Atlanta 4: Entrevista com Sheila Walker

postado por Cleidiana Ramos @ 2:03 PM
29 de maio de 2010

Sheila Walker fala sobre a importância de unir os países da diáspora africana. Foto: Juliana Dias/ Instituto Mídia Étnica

Amanhã será publicada no jornal A TARDE, na página de Mundo, uma entrevista que fiz com Sheila Walker durante os dias que passei em Atlanta. Sheila Walker trabalha, atualmente, com um interessante projeto de mapear as semelhanças e assim facilitar a aproximação entre os vários países da diáspora africana.

Vai aqui um brevíssimo perfil da professora Sheila: doutora em antropologia pela Universidade de Chicago, ela dirigiu o Centro para Estudos Africanos e Afro-Americanos da Universidade do Texas e é autora de livros como Raízes Africanas/Culturas Americanas: África na Criação das Américas, publicado em 2001, dentre outros.

Sheila Walker foi também a organizadora da conferência  intitulada A Diáspora Africana e o Mundo Moderno, realizada em parceria pela Unesco e a Universidade do Texas, e participou do comitê organizador do I Encontro de Chefes de Estado da África e Líderes Afro-Americanos, ocorrido na Costa do Marfim em 1991, além de ter uma intensa participação em movimentos sociais.   Atualmente, ela dirige a  ong Afrodiáspora, Inc.


Notícias de Washington 2: Um passeio pela NAACP

postado por Cleidiana Ramos @ 7:49 PM
28 de maio de 2010

A revista Crisis, da NAACP, acaba de lançar edição comemorativa ao seu centenário. Foto: Reprodução| AG. A TARDE

Pessoal voltando à minha passagem por Washington. Quando fomos a Baltimore, que fica a uns 45 minutos da capital, conhecemos a sede da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor. A instituição é mais conhecida por sua sigla  do nome original, em inglês, claro: NAACP (National Association for the Advancemente of Colored People).

Essa instituição tem um forte prestígio e um histórico de trabalho na batalha pelos direitos civis. Foi criada no início do século XX (1909) na época em que a situação era bastante difícil por conta das leis de segregação racial seguidas pelos Estados do Sul dos EUA.

A NAACP combatia por meio de saídas educacionais, mas também atuando no campo jurídico. Não é à toa que a instituição tem um dos maiores arquivos sobre direitos civis do mundo que estão disponíveis na Biblioteca do Congresso em Washington.

A NAACP tem cerca de 500 mil associados no mundo e está presente também em países como Alemanha e Japão. Pelo que entendi, via tradução, pois meu inglês é praticamente inexistente, ela só é oficialmente fundada em países onde os EUA tem algum tipo de representação militar. Isso de forma oficial, mas recebem associados de todo o mundo. A taxa de contribuição gira em torno de U$ 30.

Esta instituição centenária tem um papel fundamental na vigilância legal. O trabalho neste sentido que eles vem fazendo nos foi apresentado por uma advogado chamado Victor Goode. Ele deu um panorama muito informativo e preocupante sobre a questão dos direitos dos afroamericanos nos EUA.

Há uma grande preocupação com o debate jurídico, principalmente na Corte Suprema ( o equivalente ao nosso STF). De acordo com Goode, os conservadores estão equilibrando o jogo por lá e bem dispostos a derrubar conquistas históricas.

São questões bem técnicas, mas algo semelhante ao que já acontece aqui com as ações impetradas por partidos como o DEM e o PSDB para derrubar as cotas nas universidades  ou a política de quilombos.

Já conseguiram determinar limites para as cotas por lá em vários contextos: empregos e universidades, por exemplo. Há também a decisão de que agora nos processos de discriminaçaõ racial você tem que provar que houve a intenção do crime,  o que segundo Goode é super complicado.

As batalhas são provocadas principalmente por Estados do Sul do país que tradicionalmente são os que fazem forte oposição às ações de combate ao racismo. O Sul, historicamente, defendia à escravidão e este foi um dos motivos para a guerra civil, nos anos 60 do século XIX, com a consequente derrota dos Estados desta parte dos EUA que eram chamados de “Confederados”.

Um dos casos que a NAACP está acompanhando é a forma como motociclistas negros são tratados em uma cidade chamada Myrtle Beach, que fica na Carolina do Sul. Lá acontece anualmente um grande encontro de motociclistas. Eles são recebidos com tapete vermelho e festa na cidade, mas isto muda quando o grupo de motociclistas negros aparece por lá.

“Nós achamos que os motociclistas negros não deveriam participar dessa festa. Mas se eles querem, devem ser tratados como iguais”, afirma Goode. Por isso, a NAACP está processando o município.

Crisis- Um dos informativos oficiais da instituição é a revista Crisis que acaba de celebrar seu centenário. A revista é muito interessante pois aborda as questões relacionadas à identidade negra de forma bem analítica. Quem quer conhecer mais sobre a NAACP pode acessar o site da instituição clicando aqui.


Notícias de Atlanta 3: O táxi dirigido por Ogun

postado por Cleidiana Ramos @ 7:49 PM
28 de maio de 2010

Numa das raras pausas durante as atividades da reunião do Japer (Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA para o Combate à Discriminação Racial e Étnica), ocorrida  em Atlanta ,conheci uma figura bem interessante. O contato foi rápido, mas bem rico. Eu, Paulo Rogério, diretor executivo do Instituto Mídia Étnica, e Mabel Lara, uma jornalista colombiana, precisamos tomar um táxi em Atlanta. Tanto lá como em Washington, os taxistas, normalmente, são africanos. É possível contato com etíopes, nigerianos, senegaleses e vários outros povos do continente.

Pois bem. O taxista chama-se Ogunteile. Eu e Paulo Rogério, imediatamente, começamos a chamá-lo de Ogun e fazer perguntas sobre a Nigéria, afinal a referência cultural desta região é uma das mais fortes aqui na Bahia.

O papo foi liderado por Paulo que fala inglês muito bem. Ficamos sabendo da forte identificação que eles realmente têm também com a Bahia, principalmente por conta dos agudás, os chamados retornados. São descendentes dos africanos que retornaram para lá no século XIX. Muitos partiram de Salvador após o aumento da repressão que se seguiu aos episódios relacionados à revolta dos malês.

O iroubá é uma língua extremamente dinâmica. Algumas das poucas expressões que a gente sabia fomos falando para Ogum, como “agô” e “omi” e ele, imediantamente, traduzia para o inglês com o mesmo sentido que elas têm na tradução para o português, que são  ” licença”  e  “água”. Mais uma prova da riqueza cultural que os terreiros de candomblé conseguiram preservar.

Ogun, quando soube que éramos baianos, imediatamente nos chamou de irmã e irmão.  Tentamos agendar com ele o nosso retorno, mas aí ele se atrasou além dos 15 minutos que tinha nos prometido e tivemos que tomar o táxi já com um etíope. Foi outra oportunidade de sabermos mais sobre a Etiópia, mais uma vez num papo liderado por Paulo Rogério. A guerra do país para obter acesso ao  mar,  por exemplo, foi um dos temas.

Não me lembro agora o nome do último taxista, pois, também depois de ter conhecido Ogun que vive à frente do volante de um táxi, ou seja, bem próximo do simbolismo do orixá homônimo que é o dono dos caminhos,  ficou difícil  guardar  tantas informações. Ah sim! A maioria dos taxistas de lá fica de mau humor quando a gente não dá  gorjeta. Não foi este o caso do simpático Ogun.


Afro Imagem 1: Registro da Arte Africana

postado por Cleidiana Ramos @ 5:32 PM
24 de maio de 2010

Esta fotografia mostra uma das das peças do Museu de Arte Africana do Complexo Smithsonian, situado em Washington D.C.   Trata-se dos detalhes de uma porta retirada de um palácio de cultura iorubá. Todas estas figuras foram talhadas em madeira e representam elementos como a cavalaria real, o rei, suas mulheres, dentre outros elementos.


Afro Imagem 2: O marco do discurso de Martin Luther King

postado por Cleidiana Ramos @ 5:32 PM
24 de maio de 2010

Olha eu aí  apontando para um marco importantíssimo: é a pedra que mostra o lugar exato no topo das escadarias do Memorial Abraham Lincoln , localizado em Washington, de onde Martin Luther King fez o seu famoso discurso mais conhecido como I Have  a Dream. O marco é um dos locais mais fotografados por quem visita o memorial.  Quem fez o registro foi Juliana Dias, do Instituto de Mídia Étnica.


Notícias de Atlanta 2

postado por Cleidiana Ramos @ 5:17 PM
24 de maio de 2010

Da esquerda para a direita: Juliana Nunes, Hill Harper, Paulo Rogério e Bernice King durante a Conferência de Mídia. Foto: Cleidiana Ramos

Uma das palestras que mais gostei durante a reunião do Japer em Atlanta  foi a conferência de mídia. Intitulada A Influência da Mídia na Percepção da Raça: trabalhando em prol da diversidade da mídia, a conferência  foi conduzida  pela jornalista Laura Flanders e teve como palestrantes a reverenda Bernice King, que é a filha mais nova de Martin Luther King; Paulo Rogério, publicitario e diretor executivo do Instituto de Mídia Étnica, organização voltada para a democratização da comunicação e formação de comunicadores negros, que fica em Salvador; Hill Harper, ator de cinema, TV e teatro e que atualmente integra o elenco da série CSI: NY, que é muito popular nos  EUA e chega ao  Brasil por meio do sistema de TV a cabo; e Juliana Cézar Nunes, jornalista e coordenadora da Radioagência Nacional na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), além de integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF), do Fórum de Mulheres Negras e da Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra.

Esta conferência foi transmitida para Salvador por meio de uma parceria entre a Fundação Pedro Calmon, o Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro, e o Acbeu. Com base nos depoimentos dos palestrantes, dá para perceber que os dois países têm problemas comuns em relação à penetração na midia: há pouca participação de profissionais e artistas negros nos meios de comunicação e o protagonismo ocorre apenas em questões negativas, como a cobertura de casos policiais.

“No caso do  Brasil, estamos no estagio que Muniz Sodré define como “vampiro”, um personagem mítico que não se olha no espelho, pois a nossa imagem também é mostrada de forma distorcida, sem falar na baixa participação de comunicadores negros, principalmente na chamada mídia comercial”, destacou Paulo Rogério.

Como um dos exemplos positivos de cobertura dos temas que interessam à população negra na mídia comercial brasileira, Paulo Rogerio citou as ações do Grupo A TARDE, como os cadernos anuais publicados no Dia Nacional da Consciência Negra e o blog Mundo Afro, especializado em questões ligadas à identidade e religiosidade negras. De acordo com ele, o trabalho já se tornou referência nacional.

Para a reverenda Bernice King, que é filha de Martin Luther King, a mídia, principalmente, a chamada “independente”, tem um papel crucial na defesa dos direitos da população negra. Ela fez um histórico de como a luta do seu pai acabou chegando até os grandes órgãos de imprensa a partir da comunicação feita pela própria comunidade negra. “Começamos com a comunicação via papel mimeografado, depois chegou aos meios locais e finalmente à imprensa nacional e TV. Isso foi muito importante”, acrescentou Bernice.

Compromisso- O ator Hill Harper disse acreditar que os negros que têm acesso à mídia, principalmente no campo do etrentenimento, precisam ter ainda maior responsabilidade em relação aos exemplos que desejam transmitir. “Eu, por exemplo, tento aceitar apenas aqueles papéis que me dão segurança de que vão passar mensagens positivas”, completa. Harper é fundador da Manifest Your Destinity Foundation, uma ong que trabalha com a formação de jovens desenvolvendo projetos, principalmente na área de educação e é autor de três livros, que são bestseller por lá: Letter to a young Brother; Letters to a Young Sister e The Conversation.

Por aí a gente já tira que os EUA estão bem mais avançados em relação à penetração dos negros na mídia, embora enfrentem problemas como disse antes. Quando eu estava em Atlanta durante os dias da conferência vi o tempo inteiro a presença de afroamericanos nas mais diversas formas de publicidade, como âncoras de programas de jornalismo e também nas séries de TV. O próprio Hill Harper é um exemplo dessa diferença em relação ao Brasil.

Além disso, por lá há revistas com penetração nacional voltadas para a comunidade negra como a Ebony, a Essence e a Crisis, editada pela NAACP, institituição que é histórica na luta pelos direitos civis e que tem uma abordagem mais analítica. Vê esses exemplos faz a gente ter mais confiança de que no futuro isto também pode ser possível no Brasil.


Notícias sobre a reunião de Atlanta

postado por Cleidiana Ramos @ 5:03 PM
24 de maio de 2010

Ministro Elói Ferreira, da Seppir, ao lado de Arturo Valenzuela, sub secretário para Relações com as Américas do Departamento de Estado do governo americano e Thomas Shannon, embaixador dos EUA no Brasil, durante uma sessão da reunião em Atlanta. Foto: Cleidiana Ramos

Confiram abaixo a matéria que fiz para A TARDE sobre os resultados da quarta reunião do Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA para Promoção da Igualdade Racial e Étnica. O encontro aconteceu nos dias 20 e 21 em Atlanta, EUA.

Governos comemoram participação maior de ongs na reunião de Atlanta

Cleidiana Ramos

A quarta reunião do Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA para Promoção da Igualdade Racial e Étnica (Japer- na sigla em inglês) foi avaliada como a de maior participação da sociedade civil . O encontro foi realizado durante dois dias (20 e 21) em Atlanta, EUA, cidade que tem cerca de 70% de afrodescendentes em sua população. Atlanta foi a sede do início da luta pelos direitos civis, comandada por Martin Luther King, e que culminou com o fim da segregação racial.

O encontro contou com a participação de representantes de 101 organizações da sociedade civil; 89 membros de órgãos dos dois governos e de 13 empresas, como a Merck & Co, a Continental Airlanes, dentre outras, particularidade que também foi comemorada, pois emprego é um dos eixos temáticos do acordo. “Temos agora que prosseguir com o planejamento para as próximas reuniões técnicas e as anuais, além de incluir os participantes da sociedade civil organizada e das empresas”, disse Arturo Valenzuela, que é o sub secretário do Departamento de  Estado do Governo Americano para Relações com as Américas.

Dentre as ações do Plano que já estão em andamento o ministro Elói Ferreira, titular da Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir), citou os resultados do seminário sobre segurança pública que aconteceu há duas semanas no Brasil e prevê a implantação de disciplinas relacionadas ao combate ao racismo nas academias de formação policial. “São formas para fazer com que a abordagem policial  deixe de identificar os membros da população negra como potenciais criminosos”, acrescentou o ministro.

Expectativa- O Japer foi assinada em março de 2008. De lá para cá aconteceram reuniões de ajustes técnicos, como as realizadas em Brasília e Washington. Em outubro do ano passado aconteceu mais um encontro em Salvador, com o objetivo de apresentar o plano a representantes das organizações da sociedade civil. Em Atlanta , além das ongs, empresas foram convidadas para participar dos debates.

Mas, para Sheila Walker, historiadora e diretora executiva da Afrodiaspora Inc, uma organização voltada para o trabalho de integração dos varios países da chamada diáspora africana, anda faltando mais ações concretas em relação ao acordo. “Estamos falando em um plano de ação e ainda estamos no nível das reuniões. Queremos ver  medidas realmente operacionais”, afirma Sheila Walker, que é também uma das mais importantes ativistas da causa de combate ao racismo nos EUA.

Um dos representantes da sociedade civil no Japer, com a missão de acompanhar o andamento do acordo, função que é descrita como “ponto focal”, o diretor executivo do Instituto de Midia Étnica, Paulo Rogério, também avalia que é necessária uma maior agilidade, mas vê progressos em relação às discussões do encontro em Salvador. ” Creio que a divisão que foi feita em relação aos grupos temáticos aqui em Atlanta foi positiva para coletar sugestões e houve maior participação das organizações da sociedade civil. Acho que o plano começa a ganhar uma melhor formatação”, destaca.

O deputado federal Edson Santos (PT-RJ), ex-ministro de Promoção da Igualdade, também considera que houve avanços no Japer. “Com certeza demos um salto de qualidade”, acrescenta. Santos, que se desincompatilizou do cargo para concorrer a uma nova vaga na Câmara, era ministro na época em que o acordo foi firmado durante a visita da então secretária de Estado dos EUA ao Brasil, Condoleezza Rice.

“Este acordo já estava sendo formatado bem antes da visita de Condoleeza Rice. Tanto é que assumi a Seppir em fevereiro e assinei o plano em março”, completou. Pela primeira vez, os dois países, no âmbito de sua condição de Estados, assinaram um acordo para o combate ao racismo. De acordo com Santos, o compromisso, que transcedeu a posição ideológica dos governos, pois ele foi assinado ainda na administração Bush, foi resultado do tratamento institucionalizado que o combate ao racismo acabou ganhando no Brasil . “Creio que os EUA sentiram firmeza por ações como a criação da Seppir e também o protagonismo que o governo Lula ganhou no cenário internacional”, disse.

Durante o seu pronunciamento, o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, também fez uma avaliação parecida com  a do deputado. “Creio que Brasil ganhou uma nova projeção no cenário mundial e este diálogo com os EUA para o combate à discriminação racial não tem uma conotação apenas regional, mas sim global”, acrescentou.

O Japer tem como eixos tematicos temas como educação, cultura, comunicação e saúde, segurança pública, dentre outros. A ideia é que os países troquem suas experiências positivas.

Em setembro deste ano, por exemplo, técnicos em saúde do Brasil seguirão para os EUA para apresentar o trabalho que vem sendo feito no País para o tratamento da anemia falciforme, um distúrbio muito presente na população negra. O modelo são as ações da Federação Nacional das Associações da Doença Falciforme (Fenafal), organização que nasceu em Salvador.”Nós temos este e muitos outros assuntos para discutir e levar um país a colaborar com o outro”, acrescentou Arturo Valenzuela.


Conferência terá transmissão em Salvador

postado por Cleidiana Ramos @ 11:01 AM
20 de maio de 2010

Amanhã acontece a conferência à distância A Influência da Midia na Percepção da Raça: trabalhando em prol da diversidade da mídia, que faz parte da programação do Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA para Eliminação da Discrminação Racial e Étnica.

A conferência  terá a participação do ator de cinema, TV e teatro, Hill Harper, que atuou em séries como CSI: NY , além de filmes do cineasta Spike Lee. Harper é funador da Manifest Your Destinity Foundation, uma ong que é voltada para o empoderamento de jovens através de projetos na área de educação.

Os outros  participantes da conferência são Bernice King, filha mais nova de Martin Luther King; Paulo Rogério Nunes, presidente do Instituto de Mídia Étnica, ong voltada para a democratização da mídia e formação de comunicadores negros, sediada em Salvador; e Juliana Nunes, coordenadora da Radioagência Nacinal na Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A conferência vai ser transmitida das 10 às 12 horas,  da Sala de Projeção Luiz Orlando, localizada na Biblioteca Pública dos Barris e acontece por meio de uma parceria entre a Fundação Pedro Calmon, o Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro e a Associação Cultural Brasil-Estados Unidos (Acbeu).É possível acompanhar a conferência por meio do endereço https://statedept.connectsolutions.com/tolerance.


Tour pelo respeito à memória

postado por Cleidiana Ramos @ 8:16 AM
20 de maio de 2010

Amigos do Mundo Afro: ontem foi um dia super corrido. Saí de Washington, mas não sem antes visitar o Museu Africano que faz parte do complexo Smithosonian. Esta instituição voltada para a divulgação da ciência e cultura começou por meio da doação de U$ 500 mil dólares, além de acervos, do milionário inglês James Smithson.

Existem outros museus da instituição.No caso do Museu Africano há também peças doadas pela família Walt Disney. Estima-se que a unidade tenha cerca de 1.500 peças. Eu fiz um passeio fantástico vendo obras dos séculos XVI, XVII e XVIII de impérios da região da Nigéria, de Angola, do Congo, dentre outros locais.

Uma porta de um palácio da região de língua iorubá que mostra cenas como a cavalaria, o rei e suas esposas é fantástica. Ela foi talhada em madeira e conservada no seu formato original sem nenhum tipo de intervenção. Fiz fotos com visibilidade na medida do possível, pois lá não é permitido o uso de flash, mas, infelizmente, o computador que estou usando está sem o programa que  me permite postá-las. Assim que voltar prometo disponibilizá-las. Mas quem não quer esperar pode conferir peças da coleção clicando aqui.   

Antes de sair de Washington fomos ainda (estou em um grupo formado por mais dez jornalistas brasileiros) até o Memorial Abraham Lincoln e estive no local de onde Martin Luther King proferiu o discurso que ficou conhecido pela frase inicial dos seus trechos: I have a Dream.O mais legal é que não param de chegar escolas para visitar todo o complexo e a homenagem a King é um dos points mais fotografados.

Claro que não saí de lá sem ver a Casa Branca, mas confesso a vocês fiquei decepcionada com o tamanho do prédio principal. Imaginei que fosse maior. De lá saímos correndo para tomar o voo para Atlanta e não pensem que as emoções do dia acabaram.

Aqui chegando fomos imediatamente para uma recepção já com a presença do ministro  Elói Ferreira que é o titular da Secretaria Especial de Promoção de Políticas Públicas para a Igualdade Racial  (Seppir) no Memorial Martin Luther King.

Na verdade trata-se de um parque onde está o acervo relacionado a ele e à sua luta. Estou ansiosa para conhecer mais da cidade que é considerada o coração da luta contra a discrminação racial aqui nos EUA por ser a terra de Martin Luther King. 

As reuniões do acordo já começam amanhã.


Conexões internacionais

postado por Cleidiana Ramos @ 12:11 AM
18 de maio de 2010

Caros amigos do Mundo Afro:  o blog ficou sem atualização estes dias, mas foi por um bom motivo. Estava me dirigindo para os EUA. Estou em Washington, compondo um grupo de jornalistas brasileiros convidados pelo governo dos EUA, e daqui sigo para Atlanta onde vou acompanhar mais uma rodada do Plano de Ação  Brasil-EUA para o Combate da  Discriminação Racial e Étnica.

A última reunião aconteceu em Salvador, em outubro do ano passado. Os dois países assinaram esse acordo em  2008 e ele prevê ações em áreas como educação e saúde. Foi um passo importante, pois, pela primeira vez, Brasil e EUA se unem, como Estados para combater o racismo.

Vou tentar na medida do possível atualizar o Mundo Afro com os acontecimentos em relação ao acordo, mas de antemão adianto que estou encantada com Washington e a forte presença  dos afro-americanos aqui, claro que, nitidamente, em melhores condições sócio-econômicas do que nós, afro-brasileiros.

Mas o acordo entre os dois  países é exatamente no sentido de compartilhar as experiências positivas.  Pena que por conta dos compromissos que preciso participar não deu para ver o Museu Africano daqui. Logo, logo trago mais novidades. 


Mobilização em prol de Abdias Nascimento

postado por Cleidiana Ramos @ 3:38 PM
22 de abril de 2010

A candidatura de Abdias Nascimento ao Prêmio Nobel mobilizou instituições e militantes do movimento negro brasileiro. Foto: Xando Pereira |AG. A TARDE| 13.11.2002

As dúvidas que eu tinha sobre a autoria da indicação de Abdias Nascimento para receber o Prêmio Nobel da Paz 2010 foram devidamente esclarecidas por Ana Maria Felippe, coordenadora executiva do Memorial Lélia Gonzalez. Transcrevo abaixo a mensagem que recebi, pois é importante percebemos o esforço e colaboração de várias pessoas e instituições.

No mais é ficarmos agora na torcida.

Mui estimada Cleidiana Ramos e leitoras/es,

O “Informe de Memorial Lélia Gonzalez” divulgou esta bela notícia sobre a expectativa de que tenhamos, para o Brasil, na pessoa do grande guerreiro Abdias Nascimento, o prêmio Nobel 2010.

A iniciativa, junto ao Comitê Nobel, foi do Professor Clóvis Brigagão, cientista político e estudioso dos processos de paz e das relações internacionais; diretor do Centro de Estudos das Américas da Universidade Candido Mendes. No mês de junho de 2009, quando se encontrava em Oslo, como Fellow do Instituto Nobel da Paz, entregou pessoalmente sua indicação do professor Abdias Nascimento para o Prêmio Nobel da Paz de 2010.

A partir de 03 de julho de 2009, nós, de Memorial Lélia Gonzalez, demos continuidade para que os endossos à candidatura chegassem ao Comitê Nobel. Nossa primeira mensagem está no link

A parti daí, de tempos em tempos, voltávamos à carga, nos Informes (conforme pode ser buscado em nossa página do “www.grupos.com.br”). Também fizemos contatos diretos com parlamentares, com intelectuais negros, colocamos nas listas de interação. Enfim, realmente nos empenhamos nesta proposta que todas/os entendemos como muito importante e de grande significado.

Em 12 de janeiro de 2010, às vésperas do encerramento do prazo, colocamos um formulário “online” no sentido de alertar a todos e a todas sobre os prazos para a indicação, conforme nosso comunicado no link:

Bem, ao final do processo (o prazo se encerrava em 01 de fevereiro) havíamos conseguido reunir 550 assinaturas no formulário “online”, apesar de que a indicação para o Comitê de Oslo devesse ser individual. Essas assinaturas foram encaminhadas ao governo do Brasil, na pessoa do Excelentíssimo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e ao Comitê Nobel.

Ressaltamos que esse foi um trabalho de instituições e militantes do movimento negro e de integrantes da causa anti-racista, em conjunto com IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros – http://www.ipeafro.org.br

Estamos felizes pela alegria que você demonstrou na postagem.

Forte abraço,
Na torcida!
Axé!

Ana Maria Felippe
Coordenadora Executiva de Memorial Lélia Gonzalez

http://www.leliagonzalez.org.br

leliagonzalez@leliagonzalez.org.br
Rio de Janeiro


Embaixada seleciona jovens para intercâmbio nos EUA

postado por Cleidiana Ramos @ 10:07 AM
22 de abril de 2010

Representação do governo americano tem programa para jovens no Brasi. Foto: Divulgação

Na próxima segunda-feira em São Paulo acontece a cerimônia de lançamento do Programa Jovens Embaixadores, mantido pela Embaixada norte-americana no Brasil. A iniciativa permite uma viagem de três semanas aos EUA, com todas as despesas pagas, de 35 estudantes brasileiros da rede pública e mais dois professores.

Durante a cerimônia o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, vai anunciar os participantes de edições anteriores que ganharam bolsas de estudos para cursos de verão em instituições de ensino norte-americanas.

Para participar do programa é necessário obedecer aos seguintes critérios: Ter de 15 a 18 anos; estudar em escolas da rede pública; ter desempenho escolar com nível de excelência e participar de atividades de responsabilidade social ou voluntariado há pelo menos um ano; ter boa fluência oral em inglês; ser comunicativo e ter iniciativa; demonstrar flexibilidade e facilidade para se adaptar a realidades e culturas diferentes; manter um bom relacionamento em casa, na escola e na comunidade e  pertencer a famílias de baixa renda.

As pré-inscrições podem ser feitas da próxima segunda-feira até o dia 5 de agosto no site dos Jovens Embaixadores. O link para inscrições só estará disponível a partir de segunda.  Para conhecer o endereço, cliquem aqui.


Museu Afro recolhe donativos para o Haiti

postado por Cleidiana Ramos @ 3:06 PM
26 de janeiro de 2010
Insitituição baiana participa de campanha para auxílio às vítimas da tragédia no Haiti. Foto: EFE |David Fernández

Instituição baiana participa de campanha para auxílio às vítimas da tragédia no Haiti. Foto: EFE |David Fernández

Para quem quiser ajudar as vítimas do terremoto no Haiti, o Museu Afro-Brasileiro da Ufba, está recolhendo alimentos não perecíveis.

A campanha é coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Os alimentos arrecadados serão encaminhados para a Cruz Vermelha.

A entrega deve ser feita na portaria do museu que fica no prédio do Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus, Centro Histórico. O horário de funcionamento é das 9 às 18 horas, de segunda a sexta. Mais informações pelos telefones 3283 5540 / 5541


Artigo sobre o Haiti

postado por Cleidiana Ramos @ 12:18 PM
19 de janeiro de 2010

Publico abaixo o artigo assinado pelo professor Ubiratan Castro, doutor em História e presidente da Fundação Pedro Calmon, sobre a tragédia que se abateu sobre o Haiti.

O artigo foi originalmente publicado na edição de hoje de A TARDE, que aliás está fazendo uma excelente cobertura sobre o terremoto que destruiu o País.

Como tudo o que o professor Ubiratan escreve é uma belíssima aula, não só de História, mas também uma análise política de quem conhece de perto o Haiti.


Balaio de Ideias:Após o tremor, ai de ti, pobre e devastado país chamado Haiti

postado por Cleidiana Ramos @ 12:17 PM
19 de janeiro de 2010
 

 

 

Professor Ubiratan Castro analisa situação do Haiti. Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

Professor Ubiratan Castro analisa situação do Haiti. Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

 

 

Ubiratan Castro

O mundo ficou estarrecido com o terremoto que destruiu Porto Príncipe. Os terremotos não têm qualquer relação com os regimes políticos, com características socioculturais ou mesmo com os credos religiosos praticados pelos povos.

Os movimentos das placas tectônicas provocam terremotos na Itália, nos EUA e no Haiti. No entanto, no Haiti, o país mais pobre das Américas, os efeitos são devastadores.

Conheci o Haiti por sua história de luta contra a escravidão de africanos e seus descendentes. Com o nome de São Domingos foi a mais importante colônia francesa, maior produtora de açúcar das Américas no século XVIII.

Em uma superfície comparável ao Recôncavo baiano, os colonizadores apinharam mais de 500 mil escravos, em sua maioria africanos.

A violência da escravidão desencadeou uma resistência escrava, que antecedeu a grande revolução negra, a partir de 1789, com a eclosão da Revolução Francesa, até 1804, data da Independência nacional haitiana.

Foi a única revolução escrava vitoriosa nas Américas. A escravidão foi erradicada, os senhores foram expulsos ou mortos, as terras e engenhos distribuídos com os trabalhadores e proclamou-se a república dos africanos e seus descendentes.

O nacionalismo negro foi consagrado na constituição do país. Ainda hoje, na linguagem coloquial, o tratamento de neg (negro) é sinônimo de cidadão.

A república negra do Haiti foi considerada o grande perigo para a escravidão imperante nas Américas. Estabeleceu-se um rigoroso cordão sanitário em torno daquela meia-ilha, de modo a impedir a propagação da revolução escrava em outros países.

Longe de Deus e perto dos EUA, como dizem os mexicanos, o Haiti foi vítima de várias invasões militares americanas. A mais longa durou de 1915 a 1934, quando os EUA sequestraram as rendas da alfândega haitiana a título de pagamento da dívida externa.

A mais recente intervenção foi o apoio ao deposto presidente Aristides, que seguiu ao pé da letra as lições americanas sobre o Estado mínimo. Ele praticamente destruiu o Estado haitiano, suprimindo serviços de saúde, obras públicas e, sobretudo, extinguindo o exército nacional. Oficiais e praças foram mandados para casa, sem salários e com as armas na mão. O resultado foi a formação de bandos paramilitares.

Estive no Haiti em quatro missões oficiais. Algumas evidências foram muito fortes para mim. A primeira foi a miséria mais generalizada e mais aguda, sem referência comparativa com qualquer favela brasileira ou musseque africano.

A segunda foi a insuficiência grave de serviços públicos básicos. A terceira foi a atuação do Exército Brasileiro no comando da força de paz da ONU, um exemplo de respeito aos direitos humanos.

Constatei também o valor do povo haitiano. Apesar da pobreza, vi um povo trabalhador, orgulhoso de sua negritude e de sua história revolucionária, a sua afeição pelo Brasil e a esperança com a pacificação comandada pela ONU.
 
Ubiratan Castro é doutor em história e presidente da Fundação Pedro Calmon


Cresce movimento de repúdio a cônsul do Haiti

postado por Cleidiana Ramos @ 11:43 AM
19 de janeiro de 2010
A tragédia no Haiti, segundo o cônsul, era por conta dos haitianos mexerem com "macumba". Foto: AP Photo |Gerald Herbert

A tragédia no Haiti, segundo o cônsul, era por conta dos haitianos mexerem com "macumba". Foto: AP Photo |Gerald Herbert

As declarações do cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, continuam repercutindo negativamente. Organizações do movimento negro político e religioso já estão se articulando para pedir a sua saída do país e do cargo que ocupa.

Em Salvador,amanhã, quarta-feira, às 19 horas, haverá uma reunião sobre o tema na sede do Instituto Steve Biko, situado no Largo do Carmo, Pelourinho.

Dentre as declarações desastrosas dadas pelo cônsul, sem saber que uma equipe de reportagem do SBT estava gravando, está a de que a culpa pela tragédia que destruiu o Haiti era por conta da presença do Vodu, um culto de matriz africana extremamente forte no País. Clique aqui para conferir o post com o vídeo em que aparece a fala de Antoine. 

Segundo matéria do Instituto Mídia Étnica, o vídeo, disponível no Youtube, foi traduzido para o inglês e o espanhol e já começa a mobilizar repúdio também internacional.  

 


Cônsul pede desculpas

postado por Cleidiana Ramos @ 3:36 PM
15 de janeiro de 2010
Declarações do cônsul sobre a tragédia no Haiti soaram preconceituosas. Foto: AP Photo|The Canadian Press|Adrian Wyld

Declarações do cônsul sobre a tragédia no Haiti soaram preconceituosas. Foto: AP Photo|The Canadian Press|Adrian Wyld

O cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, pediu desculpas e atribuiu suas declarações de caráter preconceituoso não só às religões de matriz africana, mas também aos povos africanos,  ao “seu português ruim” em momentos de tensão. O cônsul está no Brasil desde 1975.

Registrem-se as explicações do cônsul, mas vai ser difícil torná-las convicentes, pois além do áudio tem as imagens. Clique aqui para ver post com o vídeo das declarações de Antoine.


Sandy critica atenção ao Haiti

postado por Cleidiana Ramos @ 8:56 AM
15 de janeiro de 2010
Sandy criou polêmica com declarações sobre a tragédia no Haiti. Foto: Zé Paulo Cardeal | Divulgação

Sandy criou polêmica com declarações sobre a tragédia no Haiti. Foto: Zé Paulo Cardeal | Divulgação

Do lado brasileiro, a polêmica ficou para as declarações que a cantora Sandy publicou em seu Twitter. A moça questionou o que considera uma atenção constante à catástrofe no Haiti, pois, segundo o seu raciocinio,  há pessoas sofrendo no Brasil precisando de ajuda.

“Tudo bem que a quantidade de vítimas foi bem maior no Haiti do que a de vítimas de catástrofes aqui no Brasil; mas tenho ouvido muito mais notícias de gente se mobilizando para ajudar o Haiti do que eu vi acontecer por aqui.  Será que isso é justificável?”, escreveu.

Depois completou: “Não tô querendo desmerecer a tragédia que ocorreu por lá, mas…”.

Por conta das mensagens de protesto que recebeu, a cantora partiu para o ataque:

“Aos ignorantes de plantão: eu não disse que não deveria ajudar, muito pelo contrário; só acho que o Brasil merece mais atenção do que tem tido”. A partir daí colocou links para ajuda ao Haiti e desabrigados do Rio Grande do Sul.

Acho que a cantora deve aprender que liberdade de expressão é caminho de duas vias, ou como diz aquele ditado: quem diz o que quer, ouve o que não quer… 


Cônsul do Haiti demonstra preconceito religioso

postado por Cleidiana Ramos @ 8:46 AM
15 de janeiro de 2010

Em meio à tragédia que se abateu sobre o Haiti, ainda tem gente que consegue achar tempo para destilar intolerância contra as tradições religiosas de matriz africana.

Depois do pastor norte-americano Pat Robertson ter dito que a catástrofe é efeito de um “pacto com o diabo” feito pelos haitianos para vencerem os franceses lá no século XVIII, agora é o próprio cônsul do país no Brasil, George Samuel Antoine, que não só considera a tragédia fruto da opção religiosa dos haitianos como também estende  este seu  raciocínio, no mínimo preconceituoso e irresponsável,  a todos os africanos.

Sem saber que estava sendo gravado pelo SBT Antoine fez as seguintes declarações:

-Acho que de tanto mexer com macumba… não sei o que é aquilo.

-O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano tá f….

E ainda teve essa:

-Desgraça de lá está sendo uma boa pra  gente aqui,  fica conhecido.

Imaginem que é esta criatura que tem a missão de cuidar dos interesses do Haiti no Brasil. Isto tudo é por conta da forte resistência do vodu, que nada tem a ver com aquela imagem divulgada pelo cinema americano, na sociedade haitiana. 

Se vocês acharam inacreditável as palavras do cônsul  confiram no vídeo abaixo. É chocante. Agradeço ao leitor do blog que assinou como Primo que mandou o link com o vídeo.


Dados sobre mortos ainda é incerto

postado por Cleidiana Ramos @ 10:43 AM
14 de janeiro de 2010
Dados precisos sobre a tragédia no Haiti ainda não foram reunidos. Foto:  EFE

Dados precisos sobre a tragédia no Haiti ainda não foram reunidos. Foto: EFE

Mais cedo coloquei um post com a afirmação de que o número de mortes no Haiti por conta do terremoto chega a 100 mil pessoas.

Agora há pouco a Cruz Vermelha divulgou comunicado dizendo que os mortos chegam a 45 mil ou 50 mil pessoas, além de três milhões de feridos ou desabrigados.

A disparidade nas informações oficiais sobre os dados da tragédia, inclusive, as fornecidas pelo próprio governo, é mais um efeito do tamanho da catástrofe que não permite ainda sequer precisar o número de vítimas.   

 


Haiti: um sofrimento que não passa

postado por Cleidiana Ramos @ 9:11 AM
14 de janeiro de 2010
Terremoto é descrito como catástrofe. Foto:  EFE|Orlando Barría

Terremoto é descrito como catástrofe. Foto: EFE|Orlando Barría

A devastação provocada pela violência de um fenômeno natural- um terremoto- que assolou o Haiti e deixou um total aproximado de 100 mil mortos é mais um componente para alimentar a convulsão social que toma conta de um dos países da diáspora africana nas Américas.

É mais uma ocorrência extremamente triste e em um país que carrega uma forte  simbologia de luta pela liberdade. O Haiti aboliu a escavidão em 1794 numa ação bem diferente da demais: pelas mãos dos próprios  escravizados.

A liberdade chegou via o enfrentamento a um dos exércitos mais poderosos da época: o francês. A festa durou pouco pois seguiu-se um período de instabilidade, com a França recuperando seu papel de colonizador.

Um dos períodos mais conturbados da história do país foi o governo de François Duvalier, o Papa Doc e sua temida polícia política, os  tontons macoutes. Papa Doc governou de 1957 a 1971 e foi substituído por seu filho, Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, um outro período de terror que durou até 1986.

De lá para cá a história não é muito diferente: sucessão de golpes, tentativas  frustradas de retorno da democracia, o óbvio agravamento da pobreza e as consequências de  tragédias naturais como furacões e tempestades.

A autal face da crise começou em 2004, com a derrubada do presidente Jean-Bertrand Aristide por rebeldes. Foi então que a ONU aprovou a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) que o Brasil lidera desde junho de 2004.

O que os militares basicamente fazem por lá é tentar diminuir a onda de violência, com destaque para os sequestros, promovidos pelas  milícias.

Como é de se esperar o país está devastado, sem nenhum tipo de infra-estrutura. O atual presidente, René Préval, eleito em 2006, tem conseguido manter o cargo, mas ninguém se arrisca a dizer quando as forças da ONU vão realmente deixar o país.

O terremoto que está sendo considerado por especialistas uma catástrofe por conta da suas proporções ( 7 graus na Escala Richter, o equivalente à explosão de 30 bombas atômicas semelhante à que foi lançada em Hiroshima ) piora o que já era considerado inimaginável. A pergunta que todo mundo se faz agora é o que será deste sofrido país daqui para a frente.

Para quem deseja saber um pouco mais sobre os horrores do governo de Papa Doc tem o livro Os Farsantes, de Graham Greene. A obra virou denúncia contra os horrores cometidos por lá, a ponto de ter obrigado o ditador a tentar se explicar internacionalmente.

O livro virou um filme com o mesmo título do livro, dirigido por Peter Glenville,com as atuações de Elizabeth Taylor, Richard Burton e Alec Guiness