Arquivo da Categoria 'Educação'


Balaio de Ideias: Albergaria, nosso Boca do Inferno II

postado por Cleidiana Ramos @ 10:23 AM
11 de julho de 2015
O professor Roberto Albergaria recebe a homenagem do doutor em antropologia e professor da Ufba, Luiz Mott

O professor Roberto Albergaria recebe a homenagem do doutor em antropologia e professor da Ufba, Luiz Mott. Foto:  Margarida Neide/Ag. A TARDE/ 10.5.2005

 

Luiz Mott

Professor titular de Antropologia da Ufba

Conheci Roberto Albergaria quando ingressou no Departamento de Antropologia da Ufba, há uns 30 anos atrás. Tive o privilégio de dar o parecer reconhecendo sua tese de doutorado defendida em Paris. Sempre disse e reafirmo: Albergaria era o mais culto, inteligente, provocativo e anarquista professor da Ufba. Infelizmente publicou pouco, mas deixou centenas de horas de entrevistas e gravações em rádio e televisão, material riquíssimo que merece virar tema de tese de mestrado e doutorado.

Com seu corpanzil e quase dois metros de altura, tinha a delicadeza de um gay, embora fosse confirmado mulherengo miseravão. Generoso, presenteou-me dois insólitos mimos: belíssimo chifre de um veado galheiro e um chicote de binga de boi – segundo ele, usado pelos cornos do sertão para castigar mulher adúltera. Em meu último aniversário, mandou-me esta mensagem, parece que psicografada pela mesma irreverência piadista de Gregório de Mattos, o Boca do Inferno:

“69 anos é a idade ideal para um putoso – putão idoso! O pururuca do Luizinho já pode broxar sem ter que justificar que ‘isto nunca me aconteceu antes’. Já pode andar com a braguilha aberta, pois ‘em casa de defunto a porta fica sempre aberta’. Já pode deixar de cumprir qualquer obrigação chata sob o pretexto de que se esqueceu: ‘estou ficando gagá mesmo!’ Já pode liberar um dedinho no furico só na manha, sem ter que botar no jornal que está sacrificando seu pobre tobinha apenas para dar um exemplo de militância política, porque menino que dá está brincando de troca-troca, é só estripulia, enquanto velhusco patusco de calça arriada está só esculhambando… pra alegrar seus últimos dias de picardia. E viva a descaração, desencuecada ou não. E viva a brincadeiragem, brincadeira com sacanagem: as melhores dádivas desta triste puta vida que nos pariu!”

Luiz Mott escreve no jornal A TARDE, quinzenalmente, aos sábados  


Vanda Machado lança “Pele da Cor da Noite”

postado por Cleidiana Ramos @ 7:41 PM
1 de abril de 2013

Livro traz relato de experiência em projeto pedagógico pioneiro. Foto: Haroldo Abrantes / Ag. A TARDE/ 26.05.2010

Amanhã, terça-feira, dia 2, tem um evento ótimo na Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom): o lançamento do livro “Pele da cor da noite”, da doutora em Educação, Vanda Machado.

O livro conta as experiências pessoais da autora responsável pelo projeto Irê Ayô que é desenvolvido na Escola Eugênia Anna dos Santos, localizada no Ilê Axé Opô Afonjá. O projeto se tornou uma referência no ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira muito antes da chegada da Lei 10.639/2003.

Quem conhece a escola sabe o quanto ele é bonito, eficiente e capaz de transformar trajetórias.Um exemplo: a escola não tem sequer um rabisco nas paredes e, mesmo funcionando em um terreiro de candomblé, não faz nenhum proselitismo religoso e abriga crianças das mais variadas crenças.

É uma lição do que deve ser o processo educativo em sua forma mais ampla. O lançamento é uma ação coletiva de autores da Edufba que está comemorando 20 anos de fundação. Será das 17h30 às 20h30, pois ainda tem uma mesa redonda que permite a interação com os autores. O acesso é gratuito.

A Facom fica na área do PAF I. Há o famoso acesso pela Faculdade de Arquitetura, situada na Rua Caetano Moura, Federação, mas também pelo PAF II com entrada na Avenida Ademar de Barros.


Cotas são constitucionais

postado por Cleidiana Ramos @ 8:44 AM
27 de abril de 2012

STF aprovou por unanimidade a constitucionalidade das cotas nas universidades do País. Foto: Agência Brasil

Hoje o espírito guerreiro de todos nós está em festa. Ganhamos uma batalha nesta longa guerra contra os efeitos da escravidão, como o racismo, ao ver ontem o STF aprovar, por unanimidade, a inconstitucionalidade de uma ação movida pelo DEM contra o sistema de cotas da UnB.

Temos ainda um longo caminho a percorrer, inclusive, com mais esforço para ver a educação melhorar de qualidade em todos os níveis de ensino. Mas hoje com certeza, as lutas de Zumbi, Zeferina, Maria Felipa, Joaquim Nabuco, Luís Gama, Lélia González, Abdias do Nascimento e tantos e tantos outros fica ainda mais reluzente.


Dendê para festejar Novembro Negro e Afro XXI

postado por Cleidiana Ramos @ 5:23 PM
18 de novembro de 2011

Especial viajou pelo mundo do dendê. Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE

Pessoal: primeiro o meu pedido de desculpas por ter andado ausente, mas foi por um bom motivo. Eu estava às voltas com a produção do especial Epo Pupa- a marca do dendê, o nosso nono caderno em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra. Foram dias de muito esforço, trabalho em excesso, mas para um resultado gratificante.

Além de belas reportagens,imagens e infográficos, o especial teve a sua circulação antecipada para hoje por conta da condição de Salvador como sede do Afro XXI (Encontro Iberoamericano do Ano Internacional dos Afrodescendentes).

Outra novidade foi que o nosso especial saiu em inlgês. As dicas pedagógicas, elaboradas pela especialista em Educação, Josiane Clímaco, também foram mantidas. Vejam tudinho clicando aqui.


Neim abre inscrições para pós-graduação sobre gênero

postado por Cleidiana Ramos @ 4:55 PM
21 de setembro de 2011

Interessados por estudos sobre mulheres tem chance de concorrer a vagas para pós-graduação. Foto: Alexandro Auler/JC Imagem/AE

Atenção pesquisadoras e pesquisadores da área de gênero. Já estão abertas as incrições para a seleção do programa de Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM), que é vinculado ao Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim) da Ufba.

Criado em 2005, o PPGNEIM oferece cursos de mestrado e doutorado. As inscrições vão até o dia 20 de outubro.

Para mais informações clique aqui . Contatos: ppgneim@ufba.br


Balaio de Ideias: Wagner e deputados. Em tempos bikudos

postado por Cleidiana Ramos @ 9:01 PM
13 de julho de 2011

Instituto coordenado por Sílvio Humberto está de casa nova. Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE| 13.05.2011

Nota: Como mais uma prova da capacidade de se antecipar aos acontecimentos do nosso professor Jaime, fruto da sua inteligência aguda e rápida, no mesmo dia em que o artigo foi publicado em A TARDE, hoje, a Coluna Tempo Presente, assinada pelo grande Levi Vasconcelos, traz a informação de que a Assembleia Legislativa aprovou a doação do imóvel ao Instituto Steve Biko.  Ganhamos mais uma luta.

Jaime Sodré

Enquanto isso, muito além das desarmônicas discussões das “cotas sim ou não”, vem a banda das ações concretas com “pouco papo e muito som”, porque, no entanto, é preciso cantar e alegrar a mocidade.

Seu Benzinho disse-me: “menino, política é o diabo”, com reforço sonoro no “DIABO”, o mesmo tom de alguns pregadores neopentecostais. Argumentei, respeitosamente: “Mestre, o Diabo da política não é tão feio como se pinta, existem momentos de ternura que se confundem com santidade.” Retrucou, “prove-me”.

Por vezes tive a sensação de que, o que aqui escrevo, alcançava apenas os meus familiares, em caráter obrigatório, e alguns generosos amigos, minorias, esquecia-me do alcance deste histórico jornal. Sou surpreendido com leitores diversos, aos quais agradeço. Escrevi um artigo com o titulo “Bons tempos Bikudos Governador” e parece-me, desculpe a empáfia e deixem-me pensar assim, que ele leu e atencioso à causa agiu.  Claro, o que vale e deve ser louvado é a sua sensibilidade.

Afirmava na época que: “Dizer, a educação é fundamental já se tornou ‘lugar comum’, o que seria realmente incomum, na educação, é esta não ter o seu lugar.” Por isso, formulamos um pedido, uma sugestão ao governador Wagner, um lugar para a educação, um espaço requerido em nome do Instituto Steve Biko.

Para lembrar: “Fundado em 31 de julho de 1992, o Instituto é resultado da preocupação de jovens ativistas negros, que além da luta contra o racismo desejavam a inclusão dos afrodescendentes, carentes, nos ambientes universitários. O nome Steve Biko refere-se a uma justa homenagem a este jovem doutor sul-africano, que, empenhado na luta contra o apartheid, pagou com a própria vida”.

O governador agiu e ao senhor presidente da Assembleia Legislativa mandou-lhe mensagem: “Tenho a honra de encaminhar a Vossa Excelência, para apreciação da augusta Assembleia Legislativa do Estado, o anexo Projeto de Lei que autoriza o Poder Executivo a conceder, em nome do Estado da Bahia, o direito real de uso, ao Instituto Cultural Steve Biko, do imóvel urbano que indica de sua propriedade”. Inspirado, solidário afirma:

“Com esta medida, pretende-se fortalecer o desenvolvimento das ações voltadas à promoção da inclusão e ascensão social da população negra e jovem e de baixa renda, através da educação e do resgate de seus valores ancestrais, executando ações concretas para a redução das desigualdades raciais, de gênero e econômicas”. O governador, em harmonia com a comunidade tem pressa, para tanto recomenda: “que seja observado o regime de urgência” pelos senhores deputados e deputadas e, especial às Comissões de Constituição e Justiça, Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, Serviço Público, Finanças, Orçamento, Fiscalização e Controle.

O direito real de uso ao Biko é a título gratuito de um imóvel na Rua Visconde de São Lourenço, n. 04, Campo Grande, por 20 anos, com registro no Cartório do 1º Oficio de Registro de Imóveis da Comarca de Salvador. A tal concessão implica em responsabilidade de reformas e, em caso de desvio da finalidade, o mesmo será retomado sem direito a indenização.

Agora se abrem duas ações concretas: a primeira é a urgente ação dos nossos representantes no Legislativo para a merecida aprovação, e uma outra é a convocação da comunidade solidária para a efetiva reforma do imóvel.

Como vimos, em política promessa nem sempre é dúvida quando Demo dorme, da nossa parte, reafirmo o que prometi á época: “Como sempre acontece com eventos da comunidade baiana, haverá festa sim, mas estamos em dúvida se feijoada, caruru, ou… Ah, o cardápio quem escolhe é o nosso estimado governador”.

Mas, pressinto a necessidade de um diálogo urgente com Alaíde do FEIJÃO. Pelo visto os comensais serão muitos, pois os senhores deputados, que votarem a favor é claro, estão convidados. Bobagens, o certo é que eles aprovarão sem nenhum interesse, a não ser pela justeza da causa, solidariedade e dever cívico. Viva a Harmonia e bem aventurados os solidários, que fazem ao próximo como a ti mesmo.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé 

 


Balaio de Ideias: Poucas palavras, muita sabedoria

postado por Cleidiana Ramos @ 4:42 PM
6 de julho de 2011

Mãe Stella destaca a sabedoria dos provérbios. Foto: Diego Mascarenhas | Ag. A TARDE| 09.07.2010

Maria Stella de Azevedo Santos

A cultura africana sugere que o que existe em potencial no universo pode ser materializado pela palavra. Além da palavra, a memória também é reverenciada pela oralidade. Os fatos passados são reavivados pela memória e re-atualizados pelos rituais. No Candomblé, a vivência mítica das divindades é cantada e contada através do que é chamado de Corpo das Tradições Orais, do qual os provérbios, ówe na língua yorubá, fazem parte.

Os provérbios fazem parte da oralidade africana, mas também de todos  os outros continentes. É universal a maneira de falar em frases curtas e expressivas. Aristóteles disse: “relíquia que, em virtude de sua brevidade e exatidão, salvaram-se dos naufrágios e das ruínas das antigas filosofias”.  Os provérbios podem ser conceituados como: Enunciados breves, de origem desconhecida, que expressam uma sabedoria a ser utilizada em qualquer tempo e lugar; Frases sintéticas, cujos conteúdos condensados expressam grande sabedoria; Fontes de prazer que, pela sua estrutura, possibilita ao cérebro fixar mensagens que colaboram para que o homem se harmonize consigo e com o outro.

Diz-se que uma frase expressiva é um provérbio quando: sua origem é desconhecida porque seu autor se perdeu no tempo, uma vez que geralmente é pronunciada de maneira natural a partir de uma determinada situação; torna-se popular, porque sendo criada a partir de uma circunstância particular, passa a ser utilizada pela população em geral, sempre que circunstâncias semelhantes voltam a acontecer; é universal, pois muitas frases curtas e com sentido são pronunciadas, mas só se tornam provérbios aquelas que possuem caráter universal, de forma ampla ou restrita – uma comunidade, por exemplo.

Hoje é muito comum chamar um agrupamento de pessoas, que na maioria das vezes possui a população de uma cidade de porte médio no nosso país, de comunidade. Nada errado quanto a isso, pois comunidade pode ser definida como ”qualquer grupo social cujos membros habitam uma região determinada, têm um mesmo governo e estão irmanados por uma mesma herança cultural e histórica”. Como também: Grupo de pessoas que comungam uma mesma crença e que se submetem a uma mesma regra religiosa. O Ilê Axé Opo Afonjá pode ser definido de acordo com esse último conceito de comunidade, onde os provérbios são bastante utilizados. Seguem alguns exemplos:

Você foi coroado rei, mas continua fazendo encantamentos para obter boa sorte. Você quer ser coroado Deus?

Quem está sufocado por dívidas não deve viver como um lorde.

Ninguém grita de dor quando cuida de suas próprias feridas.

A pessoa que trabalha duro, ganha a inimizade do desocupado.

Aquele que cai no buraco ensina aos que vêm atrás a terem cuidado.

Aquele que bate palmas para que o louco dance é tão louco quanto ele mesmo.

A boca que não se cala e os lábios que não deixam de se mexer só trazem problemas.

A boca não pode ser tão suja que seu dono não possa comer com ela.

O desconfiado sempre pensa que as pessoas estão falando mal dele.

Quem não sabe construir uma casa, monta uma barraca.

Somente um barril vazio é que faz barulho, um saco cheio de dinheiro permanece silencioso.

O que eu quero comer você não quer comer, devemos comer separados.

As características dos ditados populares fazem deles excelentes instrumentos de trabalho educacional. São características como: Brevidade – frases curtas que facilitam o registro e memorização da verdade embutida neles; Agudeza – fazem uma crítica da vida, usando uma dose de ironia, que facilita a reflexão sobre o tema criticado; Fontes de Prazer – os provérbios produzem prazer, não só pela agudeza, mas também por possibilitar o registro e fixação de uma sábia mensagem, tendo a energia mental economizada.

Os provérbios, portanto, podem e devem ser utilizados no sistema formal de educação, não só na área de Língua Portuguesa, mas em várias outras áreas. O ditado popular, em forma de sotaque – um dito picante – “quem nasceu para dez réis, nunca chega a vintém”, é excelente para falar dos tipos de dinheiro na história do nosso país.

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá


Lançada a coleção História Geral da África

postado por Cleidiana Ramos @ 12:33 PM
4 de abril de 2011

Valter Silvério, Elikia Mbokolo e Ubiratan Castro folheiam exemplares da coleção. Foto: Raul Spinassé| Ag. A TARDE

Uma exelente notícia para professores: a Unesco, em parceria com a Universidade Federal São Carlos (UFSCar) e o MEC lançaram na manhã de hoje em Salvador a versão em português da coleção História Geral da África.

São oito volumes interdisciplinares, pois trazem também conteúdo sobre geografia, política, cultura, dentre outros temas ideais para a aplicação da Lei 10.639/03 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira e foi ampliada com a 11.645/08 para incluir também História e Cultura Indígena.

O material foi produzido ao longo de 30 anos com a contribuição de 350 pesquisadores, coordenados por um comitê formado por 39 especialistas, sendo a maioria africanos, ou seja o olhar vem de quem conhece a África, sobretudo a negra, de perto, evitando a repetição de estereótipos. A publicação já estava disponível em francês e árabe.

Os volumes estão sendo disponibilizado para bibliotecas de insituições públicas, mas é possível acessá-la, de forma completa, em PDF via o site da Unesco. É só clicar aqui para conhecer e aproveitar.      

A tradução para o português foi coordenada pelo doutor em Ciências Sociais, Valter Roberto Silvério. Na edição de hoje do jornal A TARDE tem uma matéria com mais informações que foi assinada por mim na nossa página especializada em Educação chamada Escola Viva.


Programa de Extensão do MEC inclui tema “raça”

postado por Cleidiana Ramos @ 12:31 PM
31 de março de 2011

Educação é um dos temas contemplados no programa. Foto: Claudionor Junior | Ag. A TARDE | 17.03.2011

As instituições de ensino superior tem até o dia 11 de abril para fazer a inscrição na inciativa da inclusão do tema “raça” no Programa de Extensão Universitária do MEC. As propostas podem concorrer a recursos de até R$ 150 mil. A iniciativa acontece por meio da ação da Seppir.

A ideia é apoiar a pesquisa acadêmica com ênfase em inclusão social via a promoção da igualdade racial. A meta é a contemplação de subtemas como educação; saúde; desenvolvimento econômico-social e igualdade no mundo do trabalho, com inclusão etnicorracial; política cultural com recorte etnicorracial; direitos humanos e segurança pública; infraestrutura; e povos indígenas. 

As linhas de financiamento vão de R$ 50 mil por projeto até R$ 150 mil por programa. Os coordenadores devem elaborar as iniciativas, via a plataforma eletrônica SIGPROJ, disponibilizada no endereço http://sigproj.mec.gov.br.

Além das universidades federais e estaduais, os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET´s), que tenham cursos de nível superior, podem apresentar projetos nas linhas temáticas de educação; tecnologias para o desenvolvimento social; e geração de trabalho e renda por meio da incubação de empreendimentos econômicos solidários.

Além da Seppir, são parceiros do MEC nesta iniciativa os ministérios da Ciência e Tecnologia; da Cultura; da Pesca e Aquicultura; da Saúde; das Cidades; do Desenvolvimento Agrário; do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; do Trabalho e Emprego; o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura, e as secretarias de Direitos Humanos e de Políticas para as Mulheres.

Outras informações podem ser obtidas com as seguintes fontes: Diretoria de Desenvolvimento da Rede de IFES – DIFES, pelos telefones (61)2022-8185, no site http://sigproj.mec.gov.br ou pelo e-mail: proext@mec.gov.br.

 


Educaxé: um giro pela poesia de combate ao racismo

postado por Cleidiana Ramos @ 5:09 PM
18 de outubro de 2010

Wole Soyinka é um dos poetas citados na dica pedagógica do professor Jaime Sodré. Foto: AFP PHOTO/Pius Utomi Ekpei

Jaime Sodré

Landê Onawale. Brasil. Genocídio do negro na Bahia: o que a poesia tem a ver com isso?”

O que pode a minha poesia contra isso:

três jovens assassinadas lado a lado?

O que pode a minha poesia

contra esse costume brasileiro

de matar negros como moscas.

Nossos cupidos sendo brancamente mortos…
……………………………………………………….

Ouologue Yambo – Mali. Quando os dentes dos negros falam

Todos pensam que eu sou canibal
Mas bem sabem o que são as línguas
Todos vêem as minhas gengivas rubras
Mas quem as tem brancas
Vivam os tomates

Todos dizem que agora virão
Menos turistas
Mas bem sabem
Não estamos na América e de qualquer maneira
Somos todos tesos

Todos dizem que a culpa é minha e que têm medo
Mas vejam

Os meus dentes são brancos não rubros
Eu não comi ninguém

As pessoas são más e dizem que eu engulo
Os turistas assados
Ou talvez grelhados

Assados ou grelhados perguntei
Ficaram calados e olham com medo para as
Minhas gengivas

Vivam os tomates

Todos sabem que um país arável tem agricultura
Vivam os vegetais

Todos garantem que os vegetais
Não alimentam bem o agricultor
E que eu sou forte demais para um subdesenvolvido
Miserável insecto vivendo dos turistas
Abaixo os meus dentes

Todos de repente me cercaram
Prenderam
Prostaram
Aos pés da justiça

Canibal ou não canibal
Fala
Ah julgas que és muito esperto
E pões-te todo orgulhoso

Agora vamos ver o que te acontece
Qual é a tua última palavra
Pobre homem condenado
Eu gritei vivam os tomates

Os homens eram cruéis e as mulheres curiosas sabem
Havia uma no círculo que espreitava
Que com a sua voz raspante como a tampa duma panela
Gritava
Chiava
Abram-no ao meio
Estou certa de que o papá ainda está lá dentro

Como as facas estavam rombas
O que é compreensível entre vegetarianos
Como os Ocidentais
Pegaram numa lâmina Gillette
E pacientemente
Crisss
Crasss
Floccc
Abriram-me a barriga

Encontraram lá uma plantação de tomates
Irrigada por riachos de vinho de palma
Vivam os tomates

…………………………………………………..

Wole Soyinka – Nigéria. Conversa ao telefone

O preço parecia razoável, locação
Indiferente. A dona da casa jurou
Que não vivia lá. Faltava só
A confissão. ‘Minha senhora,’ avisei,
‘Detesto ir lá em vão – sou africano.’
Silêncio. Transmissão silenciosa
De boa educação pressurizada. A voz, quando veio,
Com baton, como através de
Uma boquilha dourada. Apanho estupidamente.
‘MUITO ESCURO?’… Não ouvi mal.  … ‘É CLARO
OU MUIRO ESCURO?’ Botão B. Botão A. Cheiro
De hálito rançoso de conversa pública.
Cabina telefônica. Marco postal. Autocarro
De dois andares com cheiro de alcatrão. Era real!
Envergonhado
Por um silêncio mal-educado, a rendição
Avançou espantada a pedir simplificação.
Foi atenciosa, variando de ênfase –
‘É ESCURO? MUITO CLARO?’ A revelação chegou.
‘quer dizer – chocolate ou chocolate de leite?’
A sua aprovação era clínica, esmagadora na sua leve
Impersonalidade. Rapidamente, sintonizando-a,
Escolhi. ‘Sépia oeste-africana’ – e para tranqüilizar,
‘Vem  no passaporte.’ Silêncio para um espectroscópico
Voo da imaginação, até que a verdade retiniu no seu sotaque
Duro no bocal. ‘O QUE É ISSO?’ Confessando
‘NÃO SEI O QUE É ISSO?’ ‘Nem por isso.
Facialmente, sou moreno, mas devia ver
O resto de mim. As palmas das minhas mãos, as plantas
Dos meus pés são de um louro peróxido. Da fricção, -
No entanto, de me sentar, o eu
Tornou-se preto – Um momento, minha senhora!’ – sentindo
O seu telefone preparando a tempestade
Aos meus ouvidos – ‘Minha senhora,’ pedi, ‘não seria melhor
Ver por si?’

Sugestão pedagógica:

Interpretar texto dos poemas

Levantar com os alunos a biografia dos três poetas citados e seus locais de origem, listando a característica destes países.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


Educaxé na área

postado por Cleidiana Ramos @ 5:09 PM
18 de outubro de 2010

Olhem o Educaxé aí. Dessa vez a dica pedagógica do professor Jaime Sodré mergulha no universo da poesia feita por poetas negros de três países diferentes: Brasil, Mali e Nigéria. Mas o tema é comum aos três: o racismo. Educadores, aproveitem.


Grupos afro celebram Revolta dos Búzios

postado por Cleidiana Ramos @ 5:31 PM
29 de setembro de 2010

Conen é uma das entidades que participa do movimento de amanhã. Foto: Luciano da Matta | Ag. A TARDE| 18.11.2005

Amanhã, a partir das 16 horas, com concentração no Campo Grande, tem festa por conta dos 212 anos da Revolta dos Búzios.

Além de religiosos de matriz africana e representantes das entidades do movimento negro organizado, o evento vai ser embalado pelas bandas do Olodum, Malê Debalê, Os Negões, Muzenza, Cortejo Afro, Okambí, Afoxé Filhos do Congo e Ilê Aiyê.

A organização tem o apoio, além desses grupos culturais afro, da Unegro, Coletivo de Entidades Negras (CEN), MNU, Cordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e Instituto Pedra do Raio.

As principais reivindicações do evento são:  liberdade religiosa, cultura de paz, financiamento público e privado da cultura afro-brasileira, ações para a operacionalização da da Lei 11.645/08, que inclui nos currículos escolares o ensino de História da África, Cultura Afro-brasileira e História e Cultura Indígenas, ações afirmativas na saúde, saneamento básico, emprego e renda, moradia e educação.

A Revolta dos Búzios, ocorrida em 1798, foi um dos mais avançados movimentos em defesa da cidadania. Seus líderes, todos negros, foram mortos pelo poder político da época.


Abertas livraria e editoria especializada em diversidade

postado por Cleidiana Ramos @ 4:20 PM
8 de setembro de 2010

Quem é apenas curioso ou trabalha diretamente com temáticas ligadas à diversidade, principalmente étnica, tem agora dois bons apoios: a livraria  Ponto do Livro-Café e Arte e a Editorial Diáspora, ambas sediadas em São Paulo.

O idealizador das duas iniciativas é o professor de sociologia da Universidade Federal de São Carlos e consultor da Unesco para a área de diversidade étnica-racial, Valtér Silverio.

Em tempos de batalha para que a aplicação da Lei 11.645/08 (que obriga o ensino de História da África, Cultura Afro-Brasileira, História e Cultura Indígenas em todas as escolas brasileiras), se transforme cada vez mais em realidade este é um caminho para suprir a falta de material didático sobre o tema.

Para conhecer mais sobre a proposta, incluindo o acervo, vale uma visita ao site que pode ser acessado clicando aqui.


Educaxé: Ancestralidade na perspectiva da Educação

postado por Cleidiana Ramos @ 5:31 PM
27 de agosto de 2010

Jaime Sodré

Antes de nos dedicarmos a uma abordagem mais direcionada aos objetivos que seriam implementados no campo da educação, numa abordagem da africanidade, seria importante abordar a noção de ancestralidade, dentre outras, enquanto um conceito. Ancestral teria como definição básica “as pessoas de quem se descende”, ou seja, nossos ancestrais ou de forma mais simples os nossos antepassados do ponto de vista de uma linhagem biológica, num campo individualizado. Poderemos também aplicar este conceito levando em conta as contribuições materiais herdadas das realizações anteriores, mesmo sendo uma criação independente do pertencimento ao nosso grupo, ou seja, de aplicabilidade universal. Assim é que um invento aplicável à humanidade, sem restrição, fará parte de um repertório de um bem universal aplicável a todos os grupos de indivíduos.

Tem-se como ancestral da espécie humana o surgimento dos Australopitecos, espécie de hominídeos surgido na África no Vale do Rift, Lago Turkawa no Quênia; Garganta Olduai na Tanzânia, Haddar e Vale do Ouro na Etiópia, Taung, Makadansgat na África do Sul, dentre outros. Em um  conceito antropológico este antepassado será considerado pelos seus feitos, objeto de culto. Sua relação com os vivos pode ser resultado de uma genealogia real ou fictícia, digna de reverências, comemorações, transmissão e difusão dos seus feitos às gerações presente e futura.

A ancestralidade no campo do bem material pode ser vista como um patrimônio material e/ou espiritual, entendido como herança de um determinado grupo ou universal, que se perpetua enquanto memória concreta.

Para o africano, o ancestral será um elemento venerado que deixara uma herança espiritual sobre a terra, contribuindo para a evolução da comunidade ao longo da sua existência, e pelos seus feitos é tomado como referencia ou exemplo. Este conceito se alonga à concepção de ações, métodos e instrumentos que proporcionaria vantagens materiais.

A ancestralidade na Educação como meio de transmissão do saber tem como suporte a tradição oral; a tradição escrita; a tradição histórica; o repertório de mitos e lendas; aspectos linguisticos; o campo do lúdico; parlendas; o campo musical; o campo das artes, etc. Em resumo: a ancestralidade na educação atuará no campo da memória individulal ou coletiva.

Ancestralidade e Repertório Temático

Para efeito de sugestões, quanto a ações práticas da Ancestralidade na Educação listamos a seguir o que chamamos de Repertório Temático, elemento que poderá servir de apoio para um planejamento e aplicação em sala de aula.

1. Ancestralidade Cultural Africana- Objetiva informar sobre a diversidade étnica e lingüística africana e destacar os grupos que interagiram com a realidade brasileira, a exemplo dos yorubá, banto e ewe.

2. Ancestralidade e Arte Africana- Destacar o amplo repertório da realização artística africana, sua inserção no cenário mundial inspiradora do cubismo, dentre outras manifestações artísticas; sua continuidade na diáspora, especialmente no Brasil, como estruturante de uma arte afro-brasileira.

3. Ancestralidade e Resistência- Enfocar os aspectos dos processos de resistência dos povos africanos aos processos de colonização desde a África, em especial as lutas contra a escravatura e os quilombos.

4. Ancestralidade e Assistência- Observar as diversas formas de ajuda mútuas experimentadas pelos povos africanos, em especial no regime escravo, tendo com ênfase a Sociedade Protetora dos Desvalidos, sediada em Salvador.

5. Ancestralidade Estética- Observar os diversos arranjos corporais, adereços, vestimentas, trançados, etc., reveladores de uma estética africana, amparada no seu bom gosto estético e particular.

6. Ancestralidade Religiosa-  Observar a diversidade religiosa africana e as suas conseqüências sobre as mais diversas experiências de fé naquele continente, conflitos e acordos, e a sua aplicação na diáspora em especial, em relação ao Candomblé, Voduns etc. Com destaque para uma observação critica quanto a Intolerância Religiosa.

7. Ancestralidade Musical- Observar as mais diversas formas de expressão musical e dança na África e sua aplicação no contexto da diáspora como continuidade e inspiração.

8. Ancestralidade Católica- Observar a atuação da Igreja Católica no âmbito da África e na diáspora suas formas particulares, as irmandades negras, o sincretismo e formas de convivências e conflitos.

9. Ancestralidade Científica, Tecnológica e Filosófica- Destacar as personalidades negras que contribuíram e contribuem para o processo civilizatório brasileiro e mundial, no campo da ciência, tecnologia e filosofia como referencia ao aluno da possibilidade de atuação nestes campos. Ex. André Rebouças, Milton Santos, etc.

10. Ancestralidade Heróica-Destacar personalidades negras como agentes de ações históricas importantes no campo dos conflitos locais e mundiais a exemplo de João Candido, “O Almirante Negro” da Revolta da Chibata;  Maria Filipa, nas ações do 2 de Julho,  Rainha Nzinga de Mutamba, etc.

11. Ancestralidade Política- Destacar personagens e situações onde se revela o empenho de personalidades negras em busca de ideais democráticos e libertários a exemplo da Revolta dos Alfaiates, Sabinada, Guerra dos Farrapos, Cabanagem, Balaiada, Quilombo dos Palmares, etc. Mulheres como Almerinda Gama, primeira deputada estadual negra; Antonieta Barros, Maria Brandão, Benedita da Silva, etc.

12. Ancestralidade Guerreira- Destaque para a Guerra do Paraguai e para os atos de bravura de Cesário alves da Costa, herói do Forte de Curuzu, promovido a sargento; Antonio Francisco Melo, que se destacou na Marinha, na Batalha de  Riachuelo e chegou a capitão; o seu batalhão era formado só por negros; Marcilo Dias, um bravo, foi ferido e morto na Batalha de Riachuelo ao negar a rendição do seu barco, O Paranhayba.

13.Ancestralidade Negróide e Australianos- Os cientistas fizeram uma reconstituição do crânio fóssil mais antigo das Américas, encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais, por uma expedição franco-brasileira em 1975, Perceberam que os traços eram semelhantes aos povos negróides e australianos.

14. Ancestralidade Feminina Guerreira- Nzinga Mbandi Ngola, Rainha Ginga, foi batizada no catolicismo com o nome de Ana de Souza. Seu nome Ngola fora usado pelos portugueses para nomear uma região na África com o nome de Angola. Era contra a escravatura, ao contrario do rei do Congo. Após a sua morte os seus soldados foram vendidos como escravos.

Saiba mais:

África e Brasil Africano – Marina de Mello e Souza- Editora Ática

Atlas Brasileiros- Cultura Popular – Raul Lody- Editora Maianga

História do Brasil- Os 500 anos no País em Obra Completa e Atualizada- Folha de S. Paulo

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religiso do candomblé


Educaxé está de volta

postado por Cleidiana Ramos @ 5:30 PM
27 de agosto de 2010

O Educaxé, realizado pelo professor Jaime Sodré, está de volta ao Mundo Afro. Estava à espera de um tempinho  na agitada agenda do professor para pedir o retorno do projeto.

A iniciativa, cuja ideia foi dele, é direcionada especialmente aos professores para servir como material didático para aplicação da Lei 11.645/08, novo número da que é mais conhecida como 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. A modificação foi para incluir também História e Cultura indígenas.


Festa dupla na capital: Steve Biko e 100 anos do Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 4:48 PM
30 de julho de 2010

Tuma de uma das ações da Steve Biko que está comemorando 18 anos. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE 2.8.2004

Festa dupla hoje na capital baiana. Além do início das comemorações pelo centenário do Ilê Axé Opô Afonjá (cliquem aqui para conferir a programação) tem a comemoração do  aniversário de 18 anos do Instituto Steve Biko.

Vejam como o tempo passa rápido. Os “bikudos”, como são carinhosamente chamados os integrantes do instituto, já chegaram à maioridade, com um trabalho que merece todas as homenagens possíveis. Até agora cerca de mil estudantes que passaram pelo curso pré-vestibular gratuito do Steve Biko estão na universidade.

A programação de aniversário começa hoje com um seminário no auditório da Biblioteca Pública dos Barris, a partir das 18 horas. O encontro terá a participação de Ceres Santos, Geri Augusto, Edenice Santana e dos Talentos Bikud@s.

Amanhã, sábado, na Praça Tereza Batista no Pelourinho, a partir das 16 horas, tem Talentos Bikud@s, Os Negões, DJ Sankofa, RBF, Afro Jhow, Didá, Aloísio Menezes, Juliana Ribeiro, Grupo Aro 7 e Lazzo Matumbi. Festa show de bola, como o Instituto Steve Biko merece.


Ceao promove curso para educadores

postado por Cleidiana Ramos @ 11:13 AM
14 de julho de 2010

A Escola Barbosa Romeu em São Cristóvão é uma das consideradas referências no cumprimento da Lei 11.645/08. Foto: Fernando Amorim| Ag. A TARDE|20.05.2005.

Atenção educadores: estão abertas até o dia 6 do próximo mês as inscrições para o Curso de formação de Professores para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileiras. Podem se inscrever professores,coordenadores e diretores das redes públicas federal, estadual e municipal.

O curso é promovido pelo Centro de Estudos Afro-Orientais com o apoio do Ministério da Educação através da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC).

Para saber mais tem um site específico ( www.cursoensinoafro.ufba.br) e o telefone 3283-5519. O serviço telefônico funciona de segunda a sexta-feira, das 13 às 17 horas. Ao ligar procurar a professora Zelinda ou Lucylanne.

Por conta da Lei 11.645/08 (que reformulou a 10.639/03) todas as escolas brasileiras de ensino fundamental são obrigadas a promover o ensino das disciplinas História da África e Cultura Afro-Brasileira, além de História e Cultura Indígenas.


Jaime Sodré em dose dupla

postado por Cleidiana Ramos @ 2:59 PM
24 de fevereiro de 2010

Mundo Afro tem hoje dois artigos de Jaime Sodré. Foto: Manuela Cavadas| AG. A TARDE

Hoje temos a inteligência do professor Jaime Sodré em dose dupla: o primeiro capítulo da série Educaxé deste ano e um artigo muito interessante que saiu publicado na página de Opinião da edição de hoje de A TARDE. Confiram este duplo presente.


Educaxé: Arte iorubá

postado por Cleidiana Ramos @ 2:58 PM
24 de fevereiro de 2010

Máscara Geledé Balogun do Museu Afro Brasileiro. Foto: Margarida Neide | AG. A TARDE

Jaime Sodré

O povo yorubá soma aproximadamente 12 milhões de habitantes, tendo um país com uma larga produção de arte tradicional. Muitos dos que vivem no sudeste da Nigéria são considerados comunidades adicionais a oeste, entre a República do Benim e do Togo.

Esta área está dividida em aproximadamente vinte subgrupos, cada um com seus reinados tradicionais. Escavações em Ifé encontraram cabeças de bronze ou terracota e figuras longas da realeza e elementos do universo superior estrelado. Retratos naturalistas cada um previamente conhecidos na África.

As raízes artísticas e culturais de Ifé, com seu período clássico (a.C. 1.050-1500), encontram-se no antigo centro cultural de Nok no nordeste. De mentalidade religiosa é natural que permaneça obscuro. Nos anos 20/30 os yorubás se alojavam em fazendas, outros viviam em cidades, em cabanas, fechados em comunidades ou no campo, cultivando milho, feijão, aipim ou mandioca, inhames, amendoim, café e banana, controlados por negociantes. Também temos mercadores e artistas; ferreiros, artesãos de cobre, bordadeiras, escultores em madeira, trabalhando de geração a geração.

Os deuses yorubás formam um interessante panteon cujo deus criador é Olodumaré, seguido de mais de cem orixás e espíritos da natureza, habitantes de rochas, árvores e rios. Algumas peças representam Xangô, divindade dos raios, esculpidas em madeira e guardadas em santuários. Os escultores exercem as suas tarefas em atelieres com aprendizes onde são transmitidas as técnicas e os estilos preferenciais.

Por toda yorubalândia figuras humanas são representadas em formas basicamente naturais, mas exceto por seus olhos salientes, planos e projetados, lábios paralelos e orelhas estilizadas. No âmbito dos cânones básicos da escultura yorubá alguns traços são distinções particulares de determinados artistas de forma individual.

Hoje está em numerosos cultos. O culto Geledé homenageia o poder das velhas mulheres, durante os festivais Geledés. Esculturas em máscaras com formas humanas são apresentadas, geralmente desgastadas pelo uso. Encimando algumas máscaras, uma ou outra, há elaborados arranjos de penteados ou uma escultura representando os humanos em alguma atividade.

As máscaras do culto de Epa são relacionadas aos ancestrais e a agricultura, com variedades harmônicas que aparecem nas cidades. A máscara possui aspectos particulares, nos olhos, na altura de grande complexidade. Geralmente elas são usadas em ritos funerários ou ritos de passagem, e são, geralmente, compostas de inúmeros elementos, usualmente uma face humana em máscara, numa bem elaborada figura. Essas máscaras são guardadas em santuários e são reverenciadas com libações e preces.

A sociedade Ogboni tem suas figuras em latão, chamada Edan, que são colocados em par, instalando-se nas pontas e correntes, cabeça com cabeça, formando pares unidos. Elas são colocadas sobre os ombros dos membros da Irmandade Ogboni com canções, funcionando como um amuleto. Uma variedade de palmeiras é usada para a veneração de “caridites”, retratando a mulher. Sociedade e cultos específicos fazem parte das celebrações durante os festivais de máscaras, com música, danças, em uma integração total. O mais amplamente difundido culto é o dos gêmeos Ibeji, estátuas confeccionadas duplamente, reverenciadas pelo povo Yorubá amplamente.

As estátuas Ibeji são produzidas para cultuar os deuses gêmeos. Para os Ibejis são depositadas oferendas em forma de refeições fartas, rogando pela vida das crianças. Essas esfinges são produzidas com instruções oriundas dos oráculos e estão presentes em numerosas classes de esculturas africanas.

As figuras equestres são temas comuns aos yorubás, confeccionadas, preferencialmente, em madeira. Isto reflete a importância da cavalaria nas campanhas dos reis na criação do Império Oyó, nos séculos XVI a XIX. Somente os chefes yorubás tinham o privilégio de possuir cavalo. O cavalo era um importante símbolo social onde os artistas ao produzir peças inspiradas nestes animais deveriam demonstrar habilidade. O tamanho reduzido deste animal e as pequenas pernas dos cavaleiros são elementos típicos deste tipo de produção artística.

Portas esculpidas e pilares são elementos dos santuários dos palácios e das casas dos homens importantes. Cumprindo secular função são as tigelas para as nozes de cola, oferecidas como boas vindas ao visitante, [tabuleiro] “ayo” para jogos, assim como os “wari” jogados com seixos [pedras] colocados em fileiras, em depressões circulares, os tambores, as colheitas, os pentes. Adicional importância no campo das artes credita-se à cerâmica, tecelagem, às contas e peças fundidas.

Texto inspirado em trabalhos de Renato da Silveira, Reginaldo Prandi e Frank Willet

Jaime Sodré é professor universitário, mestre em História da Arte, doutorando em História Social e religioso do candomblé


Mais uma historinha afro-brasileira

postado por Cleidiana Ramos @ 7:54 AM
11 de fevereiro de 2010

Está publicada aí abaixo a última das histórias vencedoras da I Promoção Cultural do Mundo Afro. Esta é de autoria de Marcleia Santiago do Amor Divino.

Fiquem atentos, pois o professor Jaime Sodré já sinalizou com mais uma promoção interessante para lançarmos aqui.


Dona Clara

postado por Cleidiana Ramos @ 7:52 AM
11 de fevereiro de 2010

Marcleia Santiago do Amor Divino

A minha mãe me contou a história da minha bisavó que faleceu em 2000, com mais de cem anos. A velha guerreira trabalhou até os 80 anos em serviços rurais com muito vigor e quando perguntavam de onde vinham o viço e a coragem de espantar homens aventureiros com a ajuda da espingarda, a resposta era simples:

-É herança dos escravos corajosos que enfrentaram seus senhores na época da escravidão.

Dona Clara, como era conhecida, vivia escondidinha nas matas virgens, protegida pelos caboclos e guias.

Ainda mocinha, foi encontrada dentro das matas virgens do sertão da Bahia por um grupo de caçadores. Até então vivia totalmente isolada da cidade. Ela tentou em vão se livrar dos caçadores, mas eles a levaram à força para a cidade vizinha.

Lá, Clara casou-se com Eugênio, também descendente de escravos, e dessa união nasceram muitos filhos, os quais foram criados às custas das plantações de cacau, feijão e mandioca.

Segundo relatos de alguns que a conheceram, Dona Clara era uma mulher invejável e que encantava a muitos com sua beleza, mas os mais atrevidos eram surpreendidos a chumbo.

Além disso, era também conhecida pelo conhecimento de rezas e de ervas que curavam muitas enfermidades.


Historinhas afro-brasileiras

postado por Cleidiana Ramos @ 8:20 AM
27 de janeiro de 2010

Está publicada aí abaixo a primeira das três histórias vencedoras da 1ª Promoção Cultural do Mundo Afro. A história conta a criação do homem, segundo a versão de povos africanos e foi enviada por Iele Portugal.


A origem do homem na versão africana

postado por Cleidiana Ramos @ 8:17 AM
27 de janeiro de 2010

Iele Ferreira Portugal

-Vovó de onde mesmo que veio o homem?

– Senta aqui que vou te contar: Quando era bem pequenininha, mais ou menos da sua idade, minha avó, que era descendente da gente da África, da região chamada Daomé, me contou uma história. Vou contar a você o que eu lembro.

– Vovó, antes de a senhora me contar a história, explique o que é descendente.

– É aquele que vem de algum outro lugar.

– Agora a senhora pode continuar a história.

– Há muito tempo, os orixás viviam aqui na terra. Não existia o homem. Até que, um dia, Olorum,o dono do céu, resolveu que criaria o homem para fazer companhia aos orixás. Olorum tentou criar o homem de ar, de fogo, de água, de pedra e de madeira, mas em nenhum caso deu certo.

– Por que não deu certo, vovó?

– Porque os homens de ar e de água não tinham forma, o homem de fogo consumia-se, e os homens de pedra e de madeira não se mexiam.

– E então, o que Olorum fez?

– Ele não fez nada. Nanã foi quem fez. Vendo que todas as alternativas tinham dado errado, essa orixá se ofereceu para criar o homem. Olorum permitiu. E Nanã foi fazer o homem. Pegou um punhado de barro e foi modelando o corpo: as pernas, os braços, a cabeça e tudo que temos hoje. Ela não esqueceu nada, fez tudo direitinho. Deu-nos tudo que precisamos,pernas para andar, mãos para pegar as coisas, olhos para ver… não se esqueceu de nada.

– É isso mesmo!

– Depois que homem foi feito, o que aconteceu?

– Os homens e os orixás viveram juntos e felizes, dividindo alegrias e aventuras na terra.

 


Confiram as vencedoras da Promoção Cultural

postado por Cleidiana Ramos @ 4:24 PM
22 de janeiro de 2010

 

Contracapa do livro retrata autores do texto e da ilustração. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Contracapa do livro retrata autores do texto e da ilustração. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Iele Ferreira Portugal (A Origem do Homem na Versão Africana); Marcleia Santiago do Amor Divino ( Dona Clara) e Maria Auxiliadora Andrade Pereira (Uma História de Caboclo) são as vencedoras da I Promoção Cultural do Mundo Afro.

Cada uma delas vai receber um exemplar do livro Uma Histórinha Africana, de autoria do professor Jaime Sodré com ilustrações de João Victor Dourado.

O livro faz parte de um projeto voltado para o suporte à aplicação da Lei 10.639/03, alterada pela 11.645/08, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira, apoiado pela  Fundação Cultural Palmares.   As vencedoras vão receber os livros em suas residências.

Ficou ainda um exemplar, pois o material enviado não estava no formato da promoção.  A ideia era elaborar relatos tentando ficar o mais próximo possível da forma como eles foram absorvidos e não cópias de outros autores. Se chegar mais alguma história com o formato pedido, ganha o exemplar remanescente.

No mais, obrigada pela participação e vou publicar aqui no blog as histórias vencedoras a partir da próxima semana. Outra coisa: essa é a primeira das promoções. Sempre que tiver oportunidade farei outras.


Promoção do Mundo Afro vai até sexta

postado por Cleidiana Ramos @ 11:45 AM
20 de janeiro de 2010
As quatro melhores histórias vão ganhar livro assinado pelo professor Jaime Sodré. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

As quatro melhores histórias vão ganhar livro assinado pelo professor Jaime Sodré. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

A promoção cultural do Mundo Afro prossegue até a próxima sexta-feira. Algumas histórias já chegaram e continuo aguardando as demais. 

Os autores das quatro melhores vão receber, cada um, um exemplar do livro Uma Historinha Africana, dirigido ao público infanto-juvenil e escrito pelo professor Jaime Sodré, com ilustrações de João Victor Dourado.

Para saber como participar da promoção acessem o post anterior clicando aqui.


Promoção Cultural do Mundo Afro

postado por Cleidiana Ramos @ 10:14 AM
15 de janeiro de 2010
Blog sorteia quatro exemplares de Uma Historinha Africana. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

Blog sorteia quatro exemplares de Uma Historinha Africana. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

O Mundo Afro está lançando sua primeira promoção cultural. Vou sortear aqui quatro exemplares do livro Uma Histórinha Africana, de autoria do professor Jaime Sodré, com ilustrações de João Victor Dourado. O professor Jaime, gentilmente, doou os exemplares para este fim.

A edição do livro, dirigido ao público infanto-juvenil, foi vencedor de um edital da Fundação Palmares e faz parte de um projeto de apoio didático para aplicação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira. Atualmente, a Lei tem o número 11.645/08, por conta da modificação para também incluir o ensino de História e Cultura Indígena.

O projeto contemplou não só a distribuição do livro em escolas, mas também um encontro com a presença da ebomi Cidália Soledade, uma exímia contadora das histórias de trdição africana. Os encontros aconteceram em dezembro nas escolas Mãe Hilda, localizada na Liberdade, São Gonçalo e Mundo dos Sonhos, situadas na Federação.

O livro conta uma história envolvendo Doúm, Alabá e Elegbara e é um ensinamento sobre as muitas verdades que um mesmo fato pode oferecer.

Vamos fazer o seguinte: os quatro melhores relatos sobre histórias de tradição africana levam os exemplares. Podem ser contos relativos a inquices, orixás, voduns e caboclos, mas não vale, por exemplo, escrever igualzinho aos relatos de Pierre Verger ou de Reginaldo Prandi, por exemplo.

Contem como vocês ouviram as histórias de seus avós, pais e tios. Quem sabe não descobrimos outros griots (contadores de histórias) por aí?

História pronta é só enviar via o sistema de comentários do blog, com nome completo, endereço e telefone. Claro que não vou publicar estas duas últimas informações. É só para enviar o livro em caso de vitória.

Leitores de outros estados e países também podem participar. Não se preocupem que tem como fazer chegar o exemplar. O prazo para envio é até o próximo dia 22 (sexta-feira de hoje a oito).  

As melhores histórias além de levar o livro também serão publicadas no blog para a gente socializar as informações. Vamos lá. Estou ansiosa pela participação de vocês.  


As raízes africanas de Tamburi

postado por Cleidiana Ramos @ 6:53 PM
23 de dezembro de 2009

Olhem que iniciativa legal: professores  e uma aluna da escola Eurídice Sant´Ana, situada em Marcionílio Souza,  realizaram um documentário sobre a herança africana do município. A localidade ainda é chamada carinhosamente por seus moradores de Tamburi, nome usado antes da emancipação.

O objetivo do trabalho foi investigar o povoado de Umburanas que é conhecido como área remanescente de quilombo. A partir daí o trabalho cresceu e virou um documentário. A iniciativa tem origem em um projeto da professora Iara Bacellar. 

Em um mês, eles realizaram trabalho de pesquisa, filmagens e edição. Aqui está a ficha dos responsáveis pela produção: os professores Dodó Rebouças, Iara Bacellar, Josley Mattos, Marcos Ribeiro, Sônia Ramos e a aluna Susana Rebouças.

Em tempos de falta de material didático para a aplicação da Lei 11.645/08, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro- Brasilieira, está aí um bom exemplo a ser seguido. Além disso, traz a oportunidade de conhecer um pouquinho da herança negra nas áreas distantes de Salvador e do Recôncavo. Marcionílio Souza fica na Chapada Diamantina.   

O vídeo foi dividido em quatro partes que estou disponibilizando abaixo:

 

 


Escola Olodum festeja 26 anos

postado por Cleidiana Ramos @ 12:44 PM
20 de outubro de 2009
Alunos da escola em aula sobre liderança. Foto: Welton Araújo| AG. A TARDE 18.4.2007

Alunos da escola em aula sobre liderança. Foto: Welton Araújo| AG. A TARDE 18.4.2007

O belo projeto Escola Olodum, mantido pelo grupo cultural Olodum, está completando 26 anos na próxima sexta. A data, como sempre, vai ser marcada com festa pelas ruas do Pelourinho.

Logo após um desfile da banda mirim pelo Centro Histórico vai ser servido o tradicional caruru, gratuitamente, em barraquinhas localizadas na Rua das Laranjeiras, endereço da escola. A festa começa a partir das 15 horas e vai fazer uma homenagem ao Benim.

Durante a festa será assinada mais uma etapa do convênio de patrocínio entre a  Escola Olodum e a Petrobras. A empresa apoia as atividades da instituição.

A Olodum conta com cerca de 300 alunos, com idades de 7 a 17 anos, e oferece cursos de dança, percussão, produção cultural, dentre outros.


Resultado da seleção para curso sai na terça-feira

postado por Cleidiana Ramos @ 2:27 PM
10 de outubro de 2009
O professor Hélio Santos é o palestrante convidado da aula inaugural do curso. Foto:  Xando Pereira| AG. A TARDE

O professor Hélio Santos é o palestrante convidado da aula inaugural do curso. Foto: Xando Pereira| AG. A TARDE

Atenção participantes da seleção para o curso preparatório aos concursos públicos destinado a afrodescendentes: na próxima terça-feira será divulgada a lista com a relação dos 200 aprovados.

O resultado pode ser conferido nos endereços eletrônicos www.selecao.uneb.br/afirmativo e www.setre.ba.gov.br. O resultado também pode ser conferido nas unidades do SineBahia. O curso é promovido pela Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) em parceria com a Uneb.

A iniciativa é dirigida a mulheres e homens negros, de baixa renda, conlcuintes do ensino médio e oriundos da rede pública de ensino, com idades a partir de 18 anos. Os  recursos para a implantação do curso  são do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Funceb) e faz parte da Agenda Bahia do Trabalho Decente, dentro do eixo de Promoção da Igualdade.

O curso terá carga horária de 410 horas, distribuídas ao longo de oito meses. Os conteúdos serão na área de administração, direito constitucional, legislação, matemática, atualidades, língua portuguesa, cooperativismo, associativismo e emprendedorismo, dentre outros. 

A aula inaugural será no próximo dia 19, no auditório da Uneb, com palestra do doutor em administração, Hélio Santos, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Diversidade (IBD) e  professor da Universidade de São Paulo e da Fundação Visconde de Cairu.


Inscrições abertas até hoje para curso em História da África

postado por Cleidiana Ramos @ 1:42 PM
9 de outubro de 2009
O Museu Afro-Brasileiro é uma instituição que tem um acervo informativo sobre cultura com inspiração africana   . Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

O Museu Afro-Brasileiro é uma instituição que tem um acervo informativo sobre cultura com inspiração africana . Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Desculpem, mas só recebi o material confirmando o período de inscrições hoje pela manhã. Mas ainda dá tempo: até hoje no Colégio Estadual Edgard Santos, que fica no Garcia, a partir das 19 horas, é possível se inscrever para o curso em História da África, Cultura Negra e O Negro no Brasil. Os participantes devem ser indicados por organizações do movimento social.

O curso é dirigido a educadores e é promovido pelo Grupo Cultural Amuleto. As aulas vão ser na Uneb no perído de 15 deste mês até 12 dezembro das 19 horas às 21h30 nas quintas-feiras e nos sábados das 9 às 13 horas. 

O curso tem como principal objetivo fortalecer a aplicação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. No ano passado a lei foi modificada pela 11.645/08 para incluir também o ensino de História e Cultura Indígenas.