Arquivo da Categoria 'Culinária'


Sábado tem Varanda das Flores

postado por Cleidiana Ramos @ 1:59 PM
13 de agosto de 2015
Bom programa para o próximo sábado. Foto: Divulgação

Bom programa para o próximo sábado. Foto: Divulgação

Programa muito legal para o próximo sábado, dia 15.  Um coletivo de mulheres talentosas apresenta a Varanda das Flores, o primeiro evento do projeto da DidêManda.

Elas vão mostrar o resultado de suas ações artísticas e o domínio de suas técnicas de empreendedorismo em um misto de feira e apresentação artística.

Além da exposição fotográfica #Azulejodascores haverá a venda de artigos como biojóias, acessórios diversos, óculos de modelos exclusivos, além de oficina de turbante, sarau de poesia, atrações musicais e o que não pode faltar em eventos desse tipo: comida gostosa.

A Varanda das Flores vai acontecer a partir das 13 horas, em Ondina, na Rua Helvercio Carneiro Ribeiro, nº 21. O ponto de referência: após o monumento das Gordinhas, ao lado do Mercadinho Mini Preço.

 


Mãe é para ser celebrada diariamente

postado por Cleidiana Ramos @ 8:38 AM
6 de maio de 2015
Mãe Valnizia analisa as responsabilidades e alegrias da maternidade. Foto:  João Alvarez/ Divulgação/26.7.2011

Mãe Valnizia analisa as responsabilidades e alegrias da maternidade. Foto: João Alvarez/ Divulgação/26.7.2011

Valnizia Pereira Bianch

Ialorixá do Terreiro do Cobre

Sabemos que o comércio construiu o Dia das Mães, assim como outros feriados, para vender mais. Continuo achando que mãe é para ser festejada diariamente, desde que o homem começou a parir. Sim, na minha opinião, quem pare primeiro é o homem colocando o sêmen no útero da mulher para que ela gere o bebê, embora o avanço da medicina tenha encontrado novas formas de levar alguém a engravidar.
Mesmo com alterações no corpo e até risco de vida, as mulheres ficam muito felizes ao se descobrirem grávidas. Perceber o bebê mexer na barriga é uma sensação difícil de ser definida. Às vezes, a grávida está dormindo e acorda com os “chutes” e “cotoveladas” do filho.
Antes não existiam os exames que permitem saber o sexo do bebê durante a gravidez. Essa informação vinha do conhecimento de pessoas experientes que se baseavam em sinais, como o formato da barriga. Geralmente, eram as parteiras que apontavam se ia ser menino ou menina e quando o parto iria acontecer a partir da observação da lua.
Por isso se fazia um enxoval azul – para os meninos – e rosa para as meninas. Quem precisava economizar fazia tudo em amarelo, cor considerada neutra. A emoção continuava com o nascimento. O momento em que a criança abria o olhos – antigamente, elas levavam sete dias para abri-los – e o primeiro sorriso eram acontecimentos acompanhados de perto pelas mães. A experiência vinha da prática, pois muitas não tinham acesso ao pediatra.
Lembro que se a criança nascia com as pernas tortas, o que se chamava “cangalha”, a mãe esperava que ela começasse a andar e durante sete sextas-feiras a levava na praia. Lá cobria as pernas do filho com areia úmida. Dava certo.
Se o bebê não dormia, a mãe preparava chá com folhas, como melissa e erva-cidreira. Outra medida era colocar uma bacia com a infusão das ervas perto do local onde a criança dormia para que ela fosse inalando o perfume. Raramente, se apelava para remédios.
Se a mãe não tinha leite no peito, tomava mingau feito com café, manteiga e farinha ou de milho com manteiga. Essas eram formas de entender a maternidade como algo que exigia estar perto dos filhos, o que se tornou mais difícil, pois as mulheres têm que ficar fora de casa para trabalhar e estudar.
Eu me considero privilegiada, pois sou mãe de Vandréa e Júnior e avó de Aynã e Ayran, o que é maternidade em dose dupla. Ainda fui escolhida pelo destino para ser mãe espiritual de centenas de pessoas, o que me faz ter amor por elas e seus filhos, que considero netos, como se fossem de “sangue”.
Comemoro ainda uma coincidência. Nasci em um Dia das Mães e este ano meu aniversário vai ser celebrado nessa data. Pensando em tudo isso, quero pedir aos filhos que respeitem sua mãe e sempre digam para ela o quanto a amam. Não existe presente melhor. Também procurem ouvi-la, pois cada uma pressente quando algo de ruim vai acontecer com seus filhos. Desejo a todas as mães muita sorte. Axé.

MÃE VALNIZIA ESCREVE MENSALMENTE EM DIA DE XANGÔ, QUARTA-FEIRA


Especial de A TARDE é finalista do Prêmio Jornalista Abdias Nascimento

postado por Cleidiana Ramos @ 11:10 AM
15 de outubro de 2012

Epo Pupa é finalista do Prêmio Jornalista Abdias Nascimento. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

Gente: sabe aqueles dias em que a gente tem  bons motivos para comemorar? Pois é! Hoje A TARDE faz 100 anos entrando para um seleto de grupo de 25 periódicos brasileiros. Há pouco ficamos sabendo (digo, no plural, pois outras companheiras e companheiros estão incluídos) que somos finalistas, na categoria Mídia Impressa, do Prêmio Jornalista Abdias Nascimento com o especial Epo Pupa- a marca do dendê, publicado em 18 de novembro do ano passado.

O caderno fez uma viagem pela influência que o azeite derivado deste fruto tem sobre os mais variados segmentos da vida baiana: culinária, claro, mas também religiosidade, artes, moda e por aí vai. O grupo de finalistas do especial é formado por mim, Juliana Dias, Juracy dos Anjos, Maíra Azevedo e Meire Oliveira. O caderno é vinculado à editoria Salvador sob a coordenação de Cláudio Bandeira.

Além das dicas pedagógicas para usar o material jornalístico em sala de aula, o especial trouxe mais uma invoação: a tradução dos textos para o inglês comemorando o Afro XXI – Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, que reuniu diversos páises da diáspora negra em Salvador no ano passado.

Sobre o prêmio: o Abdias Nascimento está em sua segunda edição e é voltado para premiar trabalhos jornalísticos que abordam as questões raciais e de gênero. São sete categorias que concorrem a um total de R$ 35 mil em premiação.

O Prêmio Jornalista Abdias Nascimento é organizado pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), vinculada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro em parceria com a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e do Centro de Informações das Nações Unidas no Brasil (Unic-Rio). O prêmio tem patrocínio  da Fundação Ford, Fundação W. K. Kellogg e da Oi.

Na categoria Mídia Impressa o Epo Pupa concorre com Desigualdade em trabalhos iguais (Antonio Gois e Alessandra Duarte); Caó 70 anos de luta (Adilson Gonçalves, Revista Raça-SP) e Série Pérolas Negras (Sergio Maggio, Correio Braziliense- DF).


Dia de festejar as crianças

postado por Cleidiana Ramos @ 4:16 PM
27 de setembro de 2012

Hoje é dia de celebrar a infância. Foto: Eduardo Martins/ Ag. A TARDE

Se a promessa é para os santos católicos, que a tradição aponta como adultos e não gêmeos, ou se é para as divindades infantis do Candomblé pouco importa.

O bom é que hoje é dia de festejar essa delícia que é a infância.  Essa sacralização permite aos adultos, pelo menos por um tempo, relembrar esses dias.

Portanto, vamos comer muito caruru e festejar essa beleza da cultura popular.


Balaio de Ideias: Tem caruru na Bahia

postado por Cleidiana Ramos @ 1:51 PM
26 de setembro de 2012

Caruru é festa de menino onde cabe todo mundo, além de ser uma delícia. Foto: Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE/20.09. 2010

Maria Stella de Azevedo Santos

Vinte e sete de setembro está chegando. A Bahia se prepara para brincar com as crianças, com muito caruru e doces. Coisa boa é criança, coisa boa é brincar. Enquanto festa, que mal pode existir na cerimônia de se reunir para comer o popularmente conhecido “Caruru de Cosme e Damião” e/ou “Caruru de Ibeji”? Creio que nenhum. Entretanto, tudo muda quando se fala em culto religioso. Repito: enquanto cultura popular, maravilha; enquanto religião, fazem-se necessários alguns esclarecimentos.

Para uma população que busca cada vez mais o conhecimento, nenhum sentido tem a frase: “Minha mãe sempre fez assim”. Afinal, nossas mães passavam roupa com ferro a carvão e nem por isto continuamos a usá-lo. Também não adianta dizer: “Eu sempre dei o caruru e sempre me dei bem”. Claro! Será que São Cosme e São Damião ou mesmo Ibeji se aborreceriam com festas feitas com tanta devoção e carinho? Não acredito.

Minha intenção com este artigo não é a de criar polêmicas, mas sim a de transmitir o conhecimento que possuo sobre Ibeji, para que o alegre povo baiano possa ampliar cada vez mais seus conhecimentos e, assim, possa realizar suas festas populares com a alegria que lhe é peculiar e que tanto agrada aos povos de outras localidades.

Entender o porquê da data 27 de setembro ser escolhida para a realização dos carurus é fácil: esta era a data em que a Igreja Católica Apostólica Romana celebrava os santos Cosme e Damião (hoje, para a Igreja, estes santos são festejados no dia 26 do mesmo mês). Mas não sei onde foi encontrada a relação dos amados santos católicos com Ibeji – seres espirituais cultuados pelos africanos. A única semelhança que até hoje percebi é o fato de os referidos santos terem sido irmãos. Já que ibeji é a palavra yorubá que significa gêmeos. Se houver outras semelhanças, peço aos leitores que nos transmitam o que sabem, a fim de que nossa cultura popular torne-se mais consistente, consequentemente mais fortalecida.

Não podemos ser vaidosos, nem preconceituosos com um assunto que interessa a todos, indistintamente. Somos todos baianos. Para que se compreenda essa necessidade, cito o exemplo de uma “filha de santo” que me fez a seguinte pergunta: “Minha mãe, tem algum problema eu ir num caruru de Cosme, Damião e Dou?”. Diante daquela pergunta, não me restou alternativa a não ser indagar-lhe: Cosme e Damião são conhecidos, mas quem é Dou?. Ao que ela, cheia de opinião, respondeu-me: “Oxente, mãe Stella, é o irmão de Cosme e Damião!”. Cumpro aqui, portanto, o que considero uma das funções de uma iyalorixá: esclarecer os devotos da religião de que é sacerdotisa, como também a toda a população, temas que se cristalizaram de forma equivocada.

Ibeji não é Cosme e Damião! Ibeji é a palavra usada pelo povo yorubá quando quer referir-se a qualquer gêmeo nascido. Em uma  família yorubá, o primeiro gêmeo (ibeji) nascido se chama taiwo – nasce com a luz; já ao segundo gerado se dá o nome de kéhìndè – sobrevive para unir; a terceira criança que chega ao mundo depois do nascimento de gêmeos é  ìdowu – tem prazer em unir; a quarta criança nascida é alabá – aquela que recebe e aceita os sonhos e visões.

O seguinte mito explica, muito bem, essa relação familiar: Egbé – redemoinho de vento (Iansã), mãe de gêmeos (ibeji) – vivia inquieta e alarmada. Sua casa estava sempre em reforma, porque seus filhos, muitos travessos, gostavam de brincar colocando fogo na casa. Egbé, então, resolveu consultar um babalawô, a fim de tentar uma solução para o problema. Ele aconselhou a mãe dos gêmeos a ter mais um filho. Assim ela fez, e o terceiro filho (idowù) conseguiu com a sua chegada acalmar os seus irmãos ibeji. Eles pararam de brincar com fogo e Egbé voltou a ter calma.

Ibeji são crianças que gostam de brincadeiras e doces. Ibeji gosta de quiabo com azeite, gosta de caruru. Afinal, são crianças africanas. São filhos de divindades (Xangô e Iansã), sendo também cultuados como divindades. Dar caruru a Ibeji é atrair alegria, inocência, renovação… Enfim, é fazer renascer a cada ano a criança que habita em nós.

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Seus artigos são publicados, quinzenalmente, sempre às quartas-feiras.


Balaio de Ideias: Acarajé de Jesus

postado por Cleidiana Ramos @ 1:39 PM
28 de junho de 2012

Professor Jaime Sodré explica importância simbólica do acarajé. Foto: Fernando Vivas / Ag. A TARDE/ 01.12.2011

Jaime Sodré

Dona Liú, filha de Oiá, se retou: “Oxente, yayá, me deixe, acarajé de Jesus? Acará é de Yansã, Jesus é hóstia consagrada, não é?”. Volto à gastronomia por motivo justo, sobre o Processo nº 01450.008675/2004-01 do Registro do Ofício das Baianas de Acarajé. O conselheiro Roque Laraia apresentara o seu parecer sob as vistas do ministro de Estado da Cultura de então, Gilberto Gil, acompanhado de Juca Ferreira. O pedido de registro do acarajé como bem cultural, imaterial, fora proposto por Gil em 5 de novembro de 2002, além da Associação de Baianas de Acarajé e Mingau do Estado da Bahia (Abam), do Terreiro Axé Opô Afonjá e o Ceao.

A Sra. Claudia Ferreira encaminhou à Dra. Márcia Sant’Anna o texto de instrução apropriado para o Registro do Ofício da Baiana do Acarajé no Livro dos Saberes.

Ficou acordado ser o acarajé parte de um conjunto significativo e amplo, mas que não poderia ser desconsiderada a sua origem sagrada, bem como os “elementos associados à venda”, a indumentária de baiana, a preparação do tabuleiro, a natureza informal do comércio, além de esta atividade representar uma conquista da comunidade afrodescendente. As baianas são agentes sociais que articulam e representam campos vinculados ao sagrado.

Argumentava Laraia que esta atividade estaria sendo ameaçada pela venda desta iguaria sagrada no comércio informal, bares e supermercados, assim “como pela apropriação por outros universos culturais, na versão conhecida como ‘acarajé de Jesus’, vendido por adeptos de religiões evangélicas”. Afirmara em seu relatório ser o acarajé um alimento do ritual consagrado a Xangô e a sua mulher Oiá-Yansã, sendo que a sua comercialização iniciou-se ainda no período da escravidão pelas “negras de ganho”, tornando-se atual fonte de renda das pessoas vinculadas ao candomblé.

O tabuleiro, “suporte-vitrine”, faz parte do conjunto culinário, nele encontramos abará, lelê, cocada branca e preta, pé de moleque, passarinha, vatapá, camarão, bolinho de estudante (punheta), etc. Um convite ao prazer. O parecer conclui pela recomendação do Registro do Ofício das Baianas do Acarajé e a sua inscrição no Livro dos Saberes e o reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil.

Mas não é fácil a luta das baianas, como nos informa Rita Santos, presidente da Abam. Para ela, existe o risco de o acarajé perder a sua identidade. Igual opinião é a de Gerlaine Martini, do Departamento de Antropologia da UnB: “O acarajé passou a ser vendido como mero produto turístico, era uma atividade tradicional e religiosa das baianas, muitas delas hoje convertidas à religião evangélica”. Informa ainda que estas decidem retirar todos os signos que as liguem à religião africana, como a indumentária e as contas. Segunda ela, “desfiguram o ofício ao querer que o acarajé seja visto não como uma oferenda, mas apenas como uma refeição”.

A ameaça à preservação da cultura das baianas foi tema de uma audiência pública promovida pela Comissão de Promoção da Igualdade da Assembleia, onde Rita Santos argumentava que “além do desrespeito em relação ao Decreto Municipal 12.175/1998, que exige a padronização da indumentária e do tabuleiro, ela assistia a uma descaracterização no aspecto religioso e cultural”, e lembrava que “não se tem como separar o acarajé do candomblé”, para outros “tratava-se de mais uma ação de intolerância religiosa”. Informa-nos Donaldson Gomes que o fabricante de um refrigerante famoso estaria investindo R$ 500 mil para preservar a tradição que envolve o acarajé, junto à Abam, embora a entidade necessite de outros colaboradores para outras demandas.

Não conheço o projeto da Arena Fonte Nova, dizem ser belíssimo, sabemos da liberação da bebida nos estádios, mas por certo os seus arquitetos deverão ter projetado um local privilegiado para o símbolo mais famoso da culinária baiana, o acarajé, e as autênticas baianas. Já a Dra. Gerlaine Martini, esperançosa, afirma confiar no gosto do baiano (e dos turistas), para valorizar o acarajé autêntico. O meu com pouca pimenta.

Jaime Sodré é professor universitário e religioso do candomblé


Maroketu realiza festival

postado por Cleidiana Ramos @ 4:19 PM
30 de maio de 2011

Mãe Cecília lidera o Maroketu. Foto: Militão/Divulgação

Pessoal: ainda tá longe, mas já vale anotar pela importância. A comunidade do Maroketu, agora liderada pela ialorixá Cecília Moraes está promovendo o 1º Festival Maroketu.

O cardápio é mais do que atraente, ainda mais para uma filha do sertão como eu: carne-do-sol.

A camisa custa R$ 25 e o cardápio ainda tem feijão tropeiro, salada vinagrete, pirão de aipim e arroz. O festival  será no dia 9 de julho, das 11 às 18 horas.

O objetivo do festival é reunir recursos para serviços de ampliação do terreiro. Vale pelo esforço de luta da comunidade e de Mãe Cecília para retomar uma das mais belas história do candomblé baiano.

Quem quiser já ir reservando a camiseta é só mandar um e-mail para festivalcarnesol.maroketu@hotmail.com ou ligar para 71-8764-0929


Dia de festa dos meninos

postado por Cleidiana Ramos @ 9:43 AM
27 de setembro de 2010

Hoje tem caruru por toda a Bahia. Foto: Marco Aurélio Martins | Ag. A TARDE.

A segunda-feira que é um dia considerado morno, da volta pachorrenta ao trabalho, amanheceu, hoje, mais colorida.

Isso porque é dia dos santos Cosme e Damião, adultos e médicos para a Igreja Católica, mas que o encontro com o  candomblé os fez ser lembrados como crianças gêmeas, os ibejis,  que gostam de muita comida,  principalmente o prato à base de quiabo, o caruru, e que dá nome a todo o banquete, além de doces, muitos doces.

Enfim, é dia de cantar coisas alegres que tomam até liberdades como jurar que São Cosme “vadeia”, no sentido de curtir: São Cosme mandou fazer/duas “camisinha” azul/no dia da festa dele/São Cosme quer caruru/Vadea cosme, vadea…

Vejam pela letra da canção que tudo é possível. Até abolir o plural cobrado pela chamada língua culta.

Pelas ruas, avenidas e becos da capital baiana e do interior quanta gente não vai abrir a casa para receber convidados e ofertar a eles um delicioso caruru. Pode ser aquele prato recheado de quitutes: caruru, vatapá, arroz, galinha, feijão fradinho, banana da terra, rapadura, cana-de-açúcar, acaçá, pipoca, etc ou o mais econômico como se faz lá na região da minha querida Iaçu: caruru, vatapá, galinha e arroz.

É dia de ouvir as belas ladainhas em honra dos santos para depois vir o delicioso samba.  É também dia de ver a meninada se lambuzar e comer quanto aguentar e os mais velhos se comportarem como menino.

Que bela forma de começar a semana. Viva aos santos gêmeos, sejam os católicos ou os ibejis do candomblé.


Balaio de Ideias: Sabor dos saberes

postado por Cleidiana Ramos @ 2:11 PM
23 de agosto de 2010

Professor sugere criação de roteiro gastronômico e cultural. Foto: Eduardo Martins| AG. A TARDE

Jaime Sodré

Perguntado sobre a capoeira Mestre Pastinha disse: “É tudo que a boca come”, ou seja, é PRAZER. COMER É SABOR E SABER. Dr. Carlos Costa Neto, brilhante humanista, amigo comum do Dr. Eraldo Moura Costa, bons de garfo: disse-me: “há coisa mais gostosa que comer?” Pois é, no 1º Seminário Nacional de Turismo Étnico Afro e 1ª Feira da Produção Associada ao Turismo Étnico Afro, realizado este mês no Centro de Convenções da Bahia, promovido pela Bahiatursa, abordei o nosso projeto de culinária nos terreiros, com a boca “cheia d’água” e a qualificada contribuição acadêmica do Prof. Dr. Vilson Caetano. Louvo neste momento o Professor Doutor Vivaldo da Costa Lima, o “Pai da Matéria”.

Pensar o turismo étnico, neste caso afro, exige uma postura de inclusão e valorização das populações afrodescendentes brasileiras, em especial na Bahia e Recôncavo baiano. Como prova de reconhecimento desta valorosa contribuição cultural, esta modalidade turística poderá ser a motivação primordial para a profissionalização, roteiros qualificados, sustentáveis, com preparação para atender a demanda dos prestadores de serviços, além de gerar emprego e renda, enfim preservar a cultura, dentro da sua dinâmica própria, difundir e gerar conhecimentos e uma boa imagem da saborosa Bahia. O nosso projeto teve o nome de “Um Sabor Sacrossanto – a culinária Afro-Baiana”. Permitam-me breve introdução. Culinária baiana seria aquela localizada no Recôncavo e litoral, caracterizada, principalmente, pelo azeite de dendê, leite de coco, pimenta, etc.

Saboreada em comemorações religiosas, familiares, ou no cotidiano. Quanto ao preparo e preservação podemos estabelecer a dicotomia dentro e fora dos terreiros. Modernamente diríamos que esses pratos dialogam com a contribuição indígena e portuguesa. O processo de institucionalizações dos terreiros brinda com a sistematização das receitas e preservação, na obrigação religiosa, indo ao cotidiano. A fé e o sabor encontram harmonia em diversas opções religiosas, como é o caso dos sequilhos do Convento da Lapa e os deliciosos licores do Desterro. O turismo e o candomblé tiveram alguns momentos de conflitos e hoje se busca uma interação respeitosa, inclusive através dos parâmetros estabelecidos por Mãe Stela, regulando esta proximidade, que seja respeitosa, isenta de folclorização e exotismo.

Afinal, somos uma religião. Do Ponto de vista histórico Luis dos Santos Vilhena, falando sobre “as comidas de rua do século XVIII” nomeia: “saem… negros a vender pelas ruas, mocotós, carurus, vatapás, mingaus, pamonha, canjicas… acaçá acarajés, abara, arroz de coco, feijão de coco, angus, pão-de-ló… roletes de cana, queimados…”, cruel, diz Vilhena, “o que mais escandaliza é a água suja feita com mel…que chamam aluá, que faz de limonada para os negros”.
Afrânio Peixoto, mais generoso, diz ser a Bahia um feliz consorcio entre o melhor de Portugal, da Costa da África e “o pouca coisa do Índio”. O negro brindou a cozinha baiana com o dendê, leite de coco, colorindo e saboreando o cotidiano, ensinou o vatapá, o caruru, mungunzá, etc. Nosso projeto tenciona aproximar o visitante aos sabores sagrados dos deuses, os permitidos, associados a um cardápio mais amplo das especificidades baianas.

O visitante, nos espaços sociais dos terreiros, através da formação de interlocutores da comunidade religiosa, saberá da história e apreciará a sua culinária. Para êxito do projeto a Bahiatursa, através da sua competência, realizará capacitação, adequação das instalações com equipamentos, capital de giro, indumentária, intermediação com as agências credenciadas ou guias de turismo e selo de qualidade.

Um roteiro sugestivo foi exibido, tomando com referência o bairro da Federação. O circuito seria iniciado com um café da manhã em um terreiro, merenda das 10 em outro, almoço em outro, merenda das 15 em outro, mingaus e uma sessão de chás, digestivos ou não, em outros.  Um cafezinho será bem vindo. No mais, o resultado é  um bom apetite e conhecimento ampliado. Ah, para a sobremesa… Picolé Capelinha, coisas com a cara da  Bahia. Um aviso aos acolhedores: Dr. Costa Neto disse que posso comer feijão fradinho, mas controlado. Acabou a “quizila”. SALVE O PRAZER.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


Feijão dos Sete Anos

postado por Cleidiana Ramos @ 1:07 PM
14 de maio de 2009
Evento faz homenagem a Maria de São Pedro. Foto: Reprodução| Elói Corrêa|AG. A TARDE

Evento faz homenagem a Maria de São Pedro. Foto: Reprodução| Elói Corrêa|AG. A TARDE

No próximo sábado, 16, tem festa para a Amafro, a organização que está cuidando do projeto para instalação do Museu Afro e vai completar sete anos.

Fiel à sua proposta de tratar da memória de uma forma criativa e integradora, a Amafro está promovendo o Feijão dos Sete Anos.

O evento faz uma homenagem à célebre Maria de São Pedro e vai acontecer na sede do museu, que fica no Prédio do Tesouro, Centro Histórico.

Além do feijão tem show de Lazzo Matumbi, Flávia Morenno, Cláudia Cunha, Grupo Mandaia, Roberto Mendes, Mário Ulloa, Gabi Guedes, Jovino Alves,  Gazineu e o cantor cubano Raul Bermudez.

A feijoada começa às  13 horas. A camisa para acesso ao evento custa R$ 30. Informações por meio do telefone 3321-6722.