Arquivo da Categoria 'Especial Consciência Negra'


Confiram em versão PDF o especial Infância da Resistência

postado por Cleidiana Ramos @ 11:57 AM
3 de dezembro de 2014
Confira especial em versão PDF

Especial está disponibilizado na versão PDF 

Amigas e amigos: demorou um pouquinho, mas agora está aqui disponível, em formato PDF, o especial “Infância da Resistência”, publicado no dia 20 de novembro em A TARDE.

Para os que já viram, essa é a oportunidade de rever. Aos que ainda não viram ou estão longe da Bahia, a chance de conferir a nossa homenagem às crianças e suas lições.


Mais boas notícias sobre o especial Infância da Resistência

postado por Cleidiana Ramos @ 1:57 PM
24 de novembro de 2014

capa do especial 2014 3

Coisa boa é para compartilhar. Portanto, estou agora socializando os parabéns que a equipe de A TARDE responsável pelo especial Infância da Resistência recebeu da Cipó, uma instituição pioneira na Bahia no trabalho de conscientização da mídia sobre os direitos da Infância e Juventude. Receber elogio dessa turma é mais do que especial. Segue a nota:  

A CIPÓ – Comunicação Interativa parabeniza o jornal A Tarde, com destaque para a editora Cleidiana Ramos, pelo caderno publicado neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Essa postura da imprensa, de valorizar com seriedade e respeito uma data que é fruto da luta do movimento social, só ajuda a fortalecer a democracia e deve servir de exemplo para todos os veículos de comunicação.

A opção por abordar o assunto a partir do ponto de vista das crianças éoutro item que merece destaque. As crianças não são “o futuro”, elas vivem no presente e sofrem – ainda mais do que os adultos – as consequências do racismo. São portanto fontes qualificadas para falar sobre o assunto e devem ganhar espaço na imprensa, não como elemento “suavizador” da cobertura, mas como sujeitos de direitos que são.

 


Imagens de um dia especial para a redação de A TARDE

postado por Cleidiana Ramos @ 4:57 PM
20 de novembro de 2014

Hoje a redação ganhou uma grande festa para comemorar a circulação do especial  Infância da Resistência. Teve caruru de sete meninos, com as benção do Doté Amilton Costa, líder do Terreiro Vodun Zo; o som da banda mirim da Escola Olodum, jornalistas e suas fontes confraternizando, autoridades e o melhor: a energia doce e renovadora da criançada. Encerramos de forma muito divertida o que foi resultado de muito trabalho unido ao carinho que criança sempre desperta.  Abaixo algumas das fotos dessa manhã inspiradora:

Meire Oliveira, a professora Jacilene Nascimento, diretora da Escola Parque São Cristóvão e eu, Cleidiana Ramos. Foto: Iracema Chequer | Ag.  A TARDE

Renata Santana, aluna da Escola Parque São Cristóvão;  Meire Oliveira;  professora Jacilene Nascimento, diretora da Escola Parque São Cristóvão e eu, Cleidiana Ramos. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Equipe que realizou o especial fazendo pose com os integrantes da banda mirim da Escola  Olodum. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Equipe que realizou o especial fazendo pose com os integrantes da banda mirim da Escola Olodum. Foto: Mariana Carneiro | Ag. A TARDE

 

Mesa do caruru de sete meninos na Redação. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Mesa do caruru de sete meninos na Redação. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

 

 

 


Um alerta para pais e educadores

postado por Cleidiana Ramos @ 8:21 AM
20 de novembro de 2014

Esse vídeo mostra como o racismo não escolhe idade para atacar e como a força de estereótipos ajuda a reforçá-lo. Ele ataca o imaginário, inclusive, das crianças negras e de uma forma muito cruel.


Pequen@s guerreir@s: As primeiras lutas de Natinho

postado por Cleidiana Ramos @ 6:34 AM
20 de novembro de 2014
Bruno Aziz

Bruno Aziz

Jônatas Conceição da Silva era chamado de  Natinho pela família, amigos e em sua cidade do coração, Saubara.  Nasceu em 8 de dezembro de 1952,  na comunidade do Engenho velho de Brotas, localizada nos arredores do Dique do Tororó.

Em sua comunidade, Jônatas desfrutou de uma infância no espaço rodeado de arvores frutíferas; do baba na beira do dique; das brincadeiras com o inseparável amigo José Reis (Zé Furinga) e  do aconchego e carinho dos irmãos mais velhos, pois era o  oitavo filho de dona Isabel e do senhor  Tertulino.

Ao longo de sua vida dedicou-se a combater o racismo por meio  da militância no Movimento Negro Unificado (MNU) e na Associação Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê, onde fez parte da diretoria e fundou o Projeto de Extensão Pedagógica (PEP).

Na literatura produziu  artigos, contos e poesias. Como educador desenvolveu aulas com conteúdos sobre as histórias dos nossos ancestrais africanos e afro- brasileiros.

Maria Luísa Passos é pedagoga e escritora

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal


Pequen@s guerreir@s: Zumbi e o sonho de liberdade

postado por Cleidiana Ramos @ 6:33 AM
20 de novembro de 2014
Bruno Aziz

Bruno Aziz

Francisco nasceu livre, em 1655, em Palmares,  e, como outras crianças do quilombo, conviveu com seus pais, brincando e ouvindo histórias até os cinco anos de idade quando foi raptado com outros quilombolas, numa das investidas dos portugueses.

O nome Francisco, lhe foi dado por um padre quando o batizou, mas certamente a criança era chamada por outro nome.

Francisco nunca desistiu de retornar à sua terra. Ele certamente ouvia dizer que em Palmares além de africanos que fugiram da escravidão, havia também índios, mulatos e até brancos; que em Palmares a terra era de todos e, embora tivesse alcançado o número de 20 mil pessoas, tinha ainda lugar para muita gente se espalhar entre as palmeiras.

Francisco ouvia também contar que desde a formação de Palmares não se parava de tentar destruir o sonho de liberdade de tantos homens e mulheres. Assim, quando completou 15 anos, ele fugiu e retornou à terra de seus pais onde se tornaria, com o nome de Zumbi, o líder de um dos maiores projetos de liberdade construído pelos africanos no Brasil.

Vilson Caetano é babalorixá do Ilê Obá L´Okê,  doutor em antropologia e professor da Ufba

Foto:  Fernando Amorim | Ag. A TARDE | 24.09.2009.

Foto: Fernando Amorim | Ag. A TARDE | 24.09.2009.


Pequen@s guerreir@s: A menina das estrelas

postado por Cleidiana Ramos @ 6:32 AM
20 de novembro de 2014
Bruno Aziz

Bruno Aziz

Era uma vez, há mais ou menos cem anos, uma menina que morava nas estrelas. Humm… pensando bem, acho que eram as estrelas que habitavam dentro dela, e por isso as pessoas gostavam de lhe contar histórias e segredos, como se conversassem com uma iluminada e bela noite escura.

- Sabia que a vida de cada pessoa dá um livro? Só a de vovó é que deve dar uns três ou quatro… costumava dizer, mesmo antes de aprender a ler e escrever.

A vó queria que se chamasse Eunice, mas ela acabou se chamando Carolina Maria. Sapeca como um céu cheio de astros, às vezes sumia:

- Ô, Nicinha! Onde cê tava menina?

- Eu tava lááá na beira de Sacramento, vó, onde a cidade acaba, imaginando o rio que eu quero atravessar…

Carolina amava as grandes distâncias, e as coisas que pareciam infinitas, como a poesia. E se engana quem pensa que poeta vive no mundo da lua… Ela observava tudo em volta com atenção, ouvindo sobretudo os mais velhos.

Quando aprendeu a ler e escrever, mesmo, já era quase férias, e andava sumindo com todo papel que vinha embrulhando o pão. Também surrupiava os moldes que a mãe usava para costurar vestidos. Escrevia, escrevia, escrevia. E logo passou a escrever a história dela mesma.

Aí então… filas de parentes e vizinhos vinham prosear com a menina, e até lhe traziam presentinhos. Uns tinham a esperança de aparecer no livro de Carolina, outros estavam preocupados com o que ela contava sobre eles. Vai que um dia o livro fosse mesmo publicado…

No começo era uma coisa secreta, e Carolina contava algumas mentirinhas.

- Ah, minha filha, outro caderno?! As aulas mal começaram…reclamava a mãe.

- É que… é que… caiu numa poça de água, mamãe.

De outra vez:

- O boi comeu, vó…

E para o pai:

- Aí teve aquela nuvem de gafanhoto horrível, e aí eu larguei o caderno, aí saí correndo…

Só ela não sabia que todo mundo já sabia. A família orgulhosa ouvia as mentiras esfarrapadas com um espantos de faz-de-conta:

- Óóó… Foi mesmo? Não diga…

E no final, alguém resolvia:

- Toma esse dinheiro. Vai na quitanda de Dona Mocinha e compra outro caderno, vai.

Lande M. Munzanzu Onawale é poeta e escritor

Foto: Arquivo pessoal

 

 


Pequen@s guerreir@s: Luiza Ligeira: a menina Gaiaku

postado por Cleidiana Ramos @ 6:31 AM
20 de novembro de 2014
Bruno Aziz

Bruno Aziz

 

Meu nome é Luiza Franquelina da Rocha, um nome gigante e pesado para alguém de apenas 10 anos. Nasci na linda cidade de Cachoeira, na Bahia, entre os mistérios das divindades trazidas da África pelos meus avós, que foram escravizados pela maldade dos humanos. Eu sou filha do vodum Oyá e, como ela, adoro vadiar pelos cantos do mundo, sendo vento em muito movimento.

Sou uma criança ligeira. Adoro perguntar e guardo tudo que me ensinam na minha memória sem tempo… Sou ligeira como Oyá, me visto de branco igual a ela e saio cantando cânticos de candomblé, religião de meus pais que também é a minha, pela orla do Rio Paraguaçu.

Minha mãe Cecília é filha de Iemanjá, e meu pai Miguel é o importante pejigan (ogan principal) do Terreiro Seja Hundê. Minha religião é linda! A gente dança e canta e come iguarias deliciosas, mas trabalha muito também. Os voduns são forças da natureza que nos protegem. Minha voz é linda, eu sou uma menina negra linda que canta lindo para alegrar os deuses do candomblé.

Eu sei dançar como ninguém; às vezes, deixo de brincar de boneca, de subir em árvore, de acordar os preguiçosos que não gostam de trabalhar para as festas dos voduns, só para discutir política com meu pai que me ama muito e diz sempre: Luiza ligeira você é muito inteligente, aprende rápido e adora dar ordens – é uma típica sacerdotisa, mais tarde você será uma Gaiaku e irá comandar um terreiro, sendo a rainha que sempre mereceu ser.

Por isso, já me sinto uma Gaiaku. Imagino-me ensinando meus filhos de santo a cantar e a dançar para os voduns. A aprender o nome das folhas e os fundamentos da nossa nação religiosa, o jeje-mahi. Imagino-me fazendo roda sagrada no centro do meu barracão, que será num lugar lindo e terá o nome Huntoloji – em homenagem ao velho Ajansun.

Sou de Oyá com o vodum do branco chamado Lissá. Não sou muito calma. Falo demais e brigo muito também. Brinco demais porque sinto felicidade e adoro ser uma criança criada em terreiro de candomblé. Lá, no terreiro, tudo faz sentido, é misterioso e bonito.

Minha mãe Oyá é uma rainha e eu herdei o seu temperamento. Por ser filha dela sou muito veloz: daí meu apelido Luiza ligeira ou a menina ventania que, mesmo ainda sendo uma menininha de 10 anos, sabe tanto de candomblé ketu, angola e jeje-mahi, as principais nações, e me chamam também, por isso, de a menina Gaiaku, nascida para ser mãe de uma nação.

Marlon Marcos é omorisá Iemanjá, poeta, jornalista e antropólogo

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal


Pequen@s guerreir@s: Abdias, o aprendiz de Ekó Ilê

postado por Cleidiana Ramos @ 6:30 AM
20 de novembro de 2014
Bruno Aziz

Bruno Aziz

 

 

Um dia, um griot* nascido nas terras africanas da Nigéria, em Ilê Ifé – a cidade sagrada dos nossos ancestrais yorubás –, nos falou sobre Ekó Ilê. Ele disse que Ekó Ilê é aquela primeira lição que aprendemos em casa, com nossos mais velhos, antes mesmo de irmos pra escola.

Pois bem. Hoje vamos falar sobre a primeira lição que o nosso menino Abdias aprendeu com sua mãe, a linda e doce dona Josina, conhecida na cidade de Franca pela sabedoria em fazer as folhas virarem remédios que curavam de um tudo; e as frutas virarem doces de deixar todo mundo com água na boca… E olha que o que não faltava naquela cidade eram ervas e frutas de todo tipo, principalmente as jabuticabas, pretinhas e doces como mel!

Quando o pequeno Abdias tinha assim entre sete e oito anos, aconteceu uma coisa que o marcou para o resto da vida, tanto é que, quase noventa anos depois, ele sempre lembrava do acontecido quando conversava com alguém sobre as coisas da infância. É que ele tinha um coleguinha do grupo escolar que se chamava Filisbino, e era um menino bonito, parecido com Abdias e seus irmãos, pretinho como a jabuticaba doce que dava nas árvores que rodeavam a cidade de Franca.

Porém, Filisbino era também muito triste, pois vivia com muitas dificuldades, já que tinha perdido o pai e a mãe bem cedinho e sobrevivia graças à solidariedade de alguns vizinhos. Pois bem, havia na cidade de Franca uma mulher que não era generosa, nem sábia, nem doce como a mãe de Abdias… Na verdade ela era bem amarga. Tão amarga que, um dia, só por ignorância e crueldade, maltratou muito o coleguinha de Abdias.

E aí, a dona Josina, que não se conformava com esse tipo de maldade, e gostava do menino como se fosse seu filho, não deixou por menos: disse poucas e boas para a mulher amarga e disse mais, que não ia permitir que ela fizesse mal ao menino e a nenhuma outra criança que se parecesse com ele.

O pequeno Abdias, vendo tudo aquilo, aprendeu a lição para o resto da vida: “Não se deve deixar uma ofensa racial sem resposta”. E aí está, a Ekó Ilê aprendida, e nunca esquecida, de sua mãe. Pelo resto da vida, em todo lugar do mundo, Abdias reproduziu a ação de sua mãe, defendendo os direitos das pessoas negras, dos pobres, dos índios, das mulheres e de todas aquelas que fossem desrespeitadas ou vítimas de qualquer tipo de violência.

Lindinalva Barbosa é educadora, mestre em Estudos de Linguagens/Uneb e omorixá Oyá do Terreiro do Cobre.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

*Griot , nas culturas mandês da África Ocidental (Senegal, Guiné e países próximos), é o contador de histórias (“artesão das palavras”) que preserva e transmite a sabedoria e a história do povo. A palavra griot é francesa ; o termo nas línguas locais é djeli ou djali. (Fonte: Semog e Nascimento, Éle e Abdias. O griot e as muralhas, Rio de Janeiro, Pallas, 2006, p. 63.).

Fonte bibliográfica consultada: Semog e Nascimento, Éle e Abdias. O griot e as muralhas, Rio de Janeiro, Pallas, 2006, pgs. 29-51).


Solução do caça-palavra no caderno Infância da Resistência

postado por meire.oliveira @ 6:00 AM
20 de novembro de 2014

Na página 15 do especial Infância da Resistência tem um caça-palavra. Resolvendo o jogo são encontrados alguns dos povos africanos que vieram para o Brasil e contribuíram para a formação da cultura afro-brasileira. Aproveite e conheça, na página 6, a história sobre os países do continente africano de onde vieram a maioria dos negros trazidos para a Bahia.

Na solução são listados nove povos que contribuíram para a formação cultural do nosso País/

Na solução são listados nove povos que contribuíram para a formação cultural do nosso País/ Ludmila Cunha| Editoria de Arte A TARDE

 


Conheça os bastidores do especial Infância da Resistência

postado por meire.oliveira @ 10:33 PM
19 de novembro de 2014

Meire Oliveira

Neste ano resolvemos contar para vocês os bastidores da produção dos especiais da Consciência Negra de A Tarde. O resultado do trabalho que vocês vão conhecer, amanhã, tem a participação de muita gente mesmo antes dele começar a ser, de fato, feito. Todos começam do mesmo jeito, embora o processo de desenvolvimento seja diferente, pois depende do assunto que a gente escolhe trabalhar.

No caso do Infância de Resistência, a elaboração teve início no dia 29 de outubro. Fizemos uma reunião aqui na sede de A TARDE reunindo a equipe do jornal que faz o caderno– repórteres, fotógrafos e estudiosos sobre o tema abordado: o antropólogo Cláudio Pereira; o líder do terreiro Mokambo, tata Anselmo; o jornalista Hugo Mansur e o historiador Jaime Sodré.

Na reunião que ocorre antes de começar o caderno, estudiosos do tema ajudam a formular as pautas

Na reunião que ocorre antes de começar o caderno, estudiosos do tema ajudam a formular as pautas/ Foto: Luciano da Matta

Nessa conversa definimos as matérias que vocês irão ler amanhã e listamos as fontes que serão entrevistadas. A novidade deste ano, que surgiu durante esse encontro, foi a ideia de convidar estudantes das escolas que são referências na implementação da Lei 10.639/03 – que obriga o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira no País– para atuarem como repórteres vivenciando a nossa rotina e escrevendo matérias.

Na semana seguinte, nove estudantes das escolas Mãe Hilda, Parque São Cristóvão e Eugênia Anna dos Santos passaram uma tarde com a gente de muita diversão em uma oficina com a equipe de Projetos Sociais de A TARDE; ouviram contos africanos com a historiadora Vanda Machado e souberam mais sobre a vida da pedagoga Olívia Santana que, em 2005, liderou a implementação da Lei em Salvador como secretária municipal da Educação. Após a conversa, Olívia foi entrevistada em uma coletiva e fotografada pelos novos repórteres.

Durante a oficina, os alunos ouviram contos africanos com a historiadora Vanda Machado

Durante a oficina, os alunos ouviram contos africanos com a historiadora Vanda Machado/ Foto: Joa Souza

 

Após uma seleção, foi a vez de Renata,14 anos, Camilly, 12 anos, Leonara, 9 anos, e Gisele,10 anos, acompanhadas por suas professoras nas escolas, serem ‘contratadas’ para atuar como repórteres dentro da redação .Elas conheceram todo o processo de produção do jornal. Chegaram tímidas, mas com o tempo foram mostrando talentos no desenvolvimento de várias atividades ao longo de três dias.

Durante três dias as novas repórteres vivenciaram a rotina da redação

Durante três dias as novas repórteres vivenciaram a rotina da redação/ Foto: Iracema Chequer

As meninas tiveram acesso ao sistema de computador que todos os jornalistas escrevem, elaboraram textos e títulos, escolheram as fotos que seriam utilizadas nas matérias e acompanharam a montagem da página. Nessa fase já estavam familiarizadas e opinaram em tudo, por exemplo, como queriam a foto e a cor do título do texto.

Essa experiência  foi o diferencial do caderno deste ano. Dividir a tarefa de falar do universo infantil contando com a colaboração de quem mais entende do assunto foi essencial pra gente. Meninas, vocês brilharam!


Especial de A TARDE do 20 de novembro celebra a infância

postado por Cleidiana Ramos @ 5:30 PM
19 de novembro de 2014
Especial de A TARDE, que circula amanhã,  é todo dedicado à garotada. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Especial de A TARDE, que circula amanhã, é todo dedicado à garotada. Foto: Iracema Chequer | Ag. A TARDE

Depois de meses de ausência, eis que o Mundo Afro volta renovado. Tá de cara de nova e abre os trabalhos com uma notícia mais que positiva: amanhã, quinta-feira, o jornal A TARDE circula com a 12ª edição do especiais que comemoram o Dia Nacional da Consciência Negra. E o tema é mais do que especial: a infância.

A nossa ideia foi discutir em 16 páginas como as consequências do sistema de escravidão ainda atrapalham o Brasil e tem no racismo sua face mais cruel. Infelizmente, as crianças não são poupadas.

Mas ao mesmo tempo temos uma geração de meninas e meninos que  já colocam em prática uma história de resistência que começou no passado, mas se renova sempre. Esses já tem mais amparo devido à luta dos movimentos negros organizados que possuem conquistas como a Lei 10.639/2003 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.

Salvador foi a primeira capital do país a operacionalizar a aplicação dessa lei e não à toa tem instituições- referência nesse sentido, como as escolas municipais Eugênnia Anna dos Santos, Mãe Hilda e Parque São Cristóvão. A lei ajuda, principalmente, a fazer com que meninas e meninos tenham consciência de como o povo negro foi fundamental para a formação do Brasil como nação.

E como criança tem uma sabedoria imensa fomos buscar a participação delas. Fizemos uma oficina e recebemos Camilly e Gisele, alunas da Eugênia Anna dos Santos; Leonara e Renata,  da Escola Parque São Cristóvão.

As meninas participaram de uma oficina no jornal para saber como ele é feito e a partir daí escreveram seus próprios textos e ajudaram na montagem da página que foi completada com o depoimento de crianças de Moçambique, EUA e França.

Aqui no Mundo Afro vocês vão encontrar material que dialoga com o caderno. O destaque é para as histórias de personalidades importantes para o combate ao racismo no Brasil.

Pedimos que cinco especialistas escrevessem sobre a infância de Abdias Nacimento; Carolina de Jesus; Gaiaku Luiza; Jônatas Conceição e Zumbi. A nossa senha foi que eles deixassem a imaginação voar assim como a das crianças.

O resultado ficou lindo. Os textos são da educadora e especialista em linguagens Lindinalva Barbosa (Abdias); do poeta e escritor Landê Onawalê (Carolina de Jesus); do poeta, jornalista e antropólogo Marlon Marcos (Gaiaku Luiza); da pedagoga Maria Luisa Passos (Jônatas Conceição) e do babalorixá e antropólogo Vilson Caetano (Zumbi).

Além disso é aqui que a gente vai revelar resultado dos passatempos que estão no especial e muito muito mais.

Ficamos de fora tanto tempo que amanhã teremos muitos posts para deixar vocês atualizados não só sobre o especial, mas também sobre o que vai acontecer durante o dia até aqui na redação. Tanto que estaremos contando com a colaboração da jornalista Meire Oliveira.


Balaio de Ideias: A capoeira conjugada no feminino

postado por Cleidiana Ramos @ 8:45 AM
20 de novembro de 2010

A presença feminina na capoeira é analisada por Marlon Marcos. Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Marlon Marcos

“Que gira e faz girar a roda
Da vida que gira…” (Martinho da Vila)

A presença da mulher na cultura afro-brasileira narra as mais significativas histórias que contam os incontáveis exemplos de superação do povo negro no Brasil, originário das mais diversas etnias africanas. Foi a mulher, em seus construtos culturais, a marca fundante para reelaboração das estruturas familiares dos humanos extraídos de suas terras natais; reelaboração essa nascida do sentido religioso, erguido de práticas litúrgicas  que se convencionou  chamar candomblé. Em áreas do Terreiro, a mulher negra quase hegemonicamente ditou regras e formalizou abrigos sócio-familiares que tiraram da esquezofrenia social grande parte deste povo que, aqui, escapou da escravidão.

Além do mais, estas mulheres subvertaram lógicas machistas assumindo a liderança de suas casas, e como sacerdotisas, quituteiras, fateiras, comerciantes, lavadeiras, operárias, prostitutas, muitas delas  mães solteiras, redirecionaram o destino de suas crias, sustentando-as, educando-as, apoiando espiritualmente e oferecendo instrumentos culturais que as fizessem lutar contra as ferocidades do racismo e da pobreza para que hoje, 20 de novembro de 2010, pudéssemos parar o País para relembrar Zumbi e os desdobramentos históricos que pontuam avanços de todas as ordens e atentam para a longa caminhada que ainda devemos seguir para se erguer, se possível, uma sociedade brasileira alicerçada na ética da coesxistência, instrumentalizada pelo respeito e não pela tolerância.

E a mulher na capoeira? Por que ainda fazemos essa pergunta se em tantas áreas de expressão social da cultura afro-brasileira ela sempre esteve e está presente sem feições de figuração?

Há quem diga que as mulheres foram ( e ainda são) secundarizadas nas rodas da capoeira por não terem compleição física para tanto. E outros, mais cuidadosos, dizem que por serem o sexo frágil, devem ser protegidas da violência e da destreza do homem em ação nessa luta-dança que é uma das grandes invenções da cultura negra do Brasil. Os mais crédulos afirmam que as mulheres são co-partícipes desta trajetória e nas rodas elas levam leveza beleza delicadeza e cantam, cantam a favor desta luta que ensina aos homens a mágica da auto-proteção, o talento do belo movimento, o domínio de estratégias espaciais, a sabedoria,  o exercício da paciência e também, coragem e agressividade.

E como e por que ficar fora disso? Muitas mulheres não querem adornar rodas e tão somente cantar enquanto os homens se desenvolvem na prática do seu esporte luta dança cultura. Não querem se  sentir réfens da violência gratuita de muitos homens quando jogam com mulheres. Antes disso, a mulher quer a inteireza do seu aceite no grupo, o direito real e legítimo de se tornarem mestras, de não serem obrigadas a jogar só entre si.

Conquistar a roda da capoeira tem sido um exercício de evolução política e ideológica para a mulher do mesmo jeito que foi ( e ainda é) para os homens conquistarem  as rodas dos xirês nos candomblés tradicionais da Bahia e,  fora do transe, dançarem para seus orixás.

O feminino anda em desconstrução tal igual ao masculino. E nessa conjugação de direitos iguais entre as diferenças, nada mais positivo que deixar a mulher girar na roda também como autora; elas, as mulheres, que são guardadoras de alguns mistérios da vida.

Marlon Marcos é jornalista e antropólogo.

 


Balaio de Ideias: Zum zum zum Capoeira mata um! E preserva a vida de muitos

postado por Cleidiana Ramos @ 8:45 AM
20 de novembro de 2010

Maíra Azevedo salienta a simbologia da capoeira. Foto: Acervo pessoal

Maíra Azevedo

Ao som do berimbau, palmas e uma música que canta saudade e afirmação,  um grupo de jovens, todos eles com vestes brancas e simples, se reúnem em círculo para fazer uma festa e testar os movimentos  do seu corpo.  Essa cena  é atemporal, nos remete às senzalas do Brasil Colônia, mas também a uma cena cotidiana das academias luxuosas  e elitistas, das areias das praias e das ruas dos bairros populares de qualquer lugar do mundo. Assim é a capoeira, democrática por natureza.

Símbolo de resistência e da força do povo negro, a capoeira foi e é responsável pela sobrevivência de milhares de homens e mulheres que ousaram, em uma época não tão distante, desafiar  as leis e continuar seguindo em frente com os movimentos corporais que são definidos como uma mistura de dança e luta. E foi gingando que  derrubaram muitas estatísticas perversas.  Até 1943, a prática da capoeira era proibida no Brasil, considerada  violenta e subversiva. Qualquer um que estivesse em situação suspeita, poderia ser preso. A “alforria”,  chegou quando Mestre Bimba se encontrou com, o então presidente, Getúlio Vargas. Ao fim da apresentação, o presidente estava convecido. A capoeira era o esporte brasileiro.

Mas a capoeira é mais do que um esporte. É  a tradução livre, por meio do corpo,  de sentimentos  de um povo que ficou marcado por suas dores e anseios.  É um golpe profundo naqueles que insistem em nos deixar acorrentados. É uma das facetas da identidade dos milhares de africanos que foram trazidos como mercadoria para o novo continente.E resistiram, tiveram a luta ou dança como arma para sobreviver. Disseram não com as pernas e mãos.  Não vamos  permitir que nos coisifiquem, estamos lutando  e vamos conseguir. A capoeira diz isso. É rasteira nos opressores.

A capoeira se consagrou. Não se pode pensar no Brasil, na Bahia e não imaginar aquelas acrobacias feitas em grupo. São pernas no ar, mas sempre acompanhadas. Não se joga capoeira sozinho, precisamos do outro.  Por isso, é uma grande lição. Não são apenas golpes ao vento, mas uma série de movimentos que atesta que organizados vamos mais longe.  A luta que era crime, se transformou em esporte nacional e é responsável pela sobrevivência de muitos, não só por defender o seu corpo contra algum golpe, mas por preservar a sua história.

Iê, viva meu Deus, camará , Iê, viva meu mestre, camará, Iê, quem me ensinou, camará Iê, a Capoeira que me PRESERVOU camará. Essa também é ladainha.

Salve capoeira!

Maíra Azevedo, coordenadora de comunicação da Unegro, yaô do Ilê Axé Oxumarê e, capoerista do Grupo Gingando Sempre      


Balaio de Ideias:Din, Din, Dão, olha o dobrão na palma da mão, Oxalá !

postado por Cleidiana Ramos @ 8:44 AM
20 de novembro de 2010

Wilson Café destaca a importância da capoeira. Foto: Uran Rodrigues |Divulgação

Wilson Café

Mestres, senhores da natureza humana, sabedorias do gingar de cantos, contos e religiosidades!

Biriba, cabaça, angola, regional, cavalaria, São Bento, benguela, ladainha são acervos e, como sabemos, acervo é o conteúdo mágico e documental dessa grande arte. É o montão e o acúmulo do conjunto e a coleção dos bens de valor “sagrado”.

Capoeira, alma viva, nua e crua que resume, no presente,  o passado e a busca por um futuro digno e justo, da historicidade do desafio de décadas e tradições orais e escritas, contadas por mestres, alabês, estudiosos, pensadores, admiradores, formadores de opinião. Desse modo, entendemos o rito e a liturgia da capoeira como um admirável senso comum de beatificação de propósitos.

Com o tempo, essa arte se transformou em educação e da união entre os povos,raças e culturas do mundo se entrelaçaram – negros, brancos, mulatos, pardos, cafuzos, mamelucos, simbolizando o charme da Nação.

Hoje, quem não joga capoeira, parodiando Dorival Caymmi numa frase, “é ruim da cabeça ou doente do pé”. Modernizada e globalizada por muitos e discriminada por poucos, ela representa uma qualidade de vida usando o corpo e a mente como forma de expressão. Nela são dadas condições de adquirir movimentos através do tempo e do espaço que vão se relacionando e convivendo uns com os outros e com o meio social, muitas vezes em conflitos de interesses.

Para muitos jovens integrantes de comunidades e localidades em risco social e pessoal, a capoeira trabalha a individualidade e a noção do coletivo, melhorando a integração, o relacionamento, a harmonia e a busca pela boa convivência com os seus familiares e o universo ao seu redor, escolas e projetos sociais.

Na EEPI (Escola de Educação Percussiva Integral), por exemplo, que funciona desde 2003 na Estrada das Barreiras, no Conjunto Maestro Wanderley – Cabula II, a partir dos jogos lúdicos da arte da capoeira, vem se aplicando conteúdos didáticos e pedagógicos de forma interdisciplinar nas aulas teóricas e práticas,para a melhoria da aprendizagem nas disciplinas, através de textos e livros, como forma de conhecimento e reconhecimento dos heróis que contribuíram para a historia da resistência afro-brasileira.

Tão nobre e respeitada com suas cores verde, amarelo, azul e branco e com os berimbaus– viola, médio, gunga ou berra- boi–; com os outros instrumentos – pandeiro atabaque e caxixi, a capoeira está na língua de diversos jovens de países de todos os continentes, levando a sua filosofia de amar e respeitar o próximo, independente da condição social e espiritual em que se encontre.

Na roda de capoeira é onde o jogador aprende as maneiras de sobrevivência, ou seja, as táticas do jogo de cintura, de ganhar e perder, principalmente no perder. Porque nem todo mundo está acostumado a perder. Estamos numa sociedade onde fomos levados a aprender a ganhar e quando perdemos entramos em conflito. Portanto, o pensar, o agir e o desenvolver são ferramentas essenciais do fundamento da capoeira, independente de ser regional ou angola.

Lamentavelmente, muita gente usa essa arte como propagadora da violência. Ainda bem que outros benditos a utilizam como terapia ou defesa pessoal. Entretanto, o melhor é que a capoeira se tornou um grande exemplo a ser seguido como simbologia da paz. Os Mestres Pastinha e Bimba deixaram de herança para o Brasil o seu fundamento enquanto filosofia de vida e não como arte marcial.

O mundo gira, a roda é cíclica, viver é uma arte. Hoje a capoeira,  patrimônio cultural do Brasil, representa a alma viva da nação, reconhecida em sua contribuição africana no país.

Viva Bimba ! Viva Pastinha! Que Vivam esses heróis e seus conhecimentos que vem educando e transformando jovens carentes em Mestres e dando empregabilidade e sustento no Brasil e no mundo.

Wilson Café é músico e diretor da Escola de Educação Percussiva Integral (EEPI)


Construindo o caminho

postado por Cleidiana Ramos @ 8:44 AM
20 de novembro de 2010

Ideias circularam amplamente na reuniã preparatória para o caderno. Foto: Gildo Lima

Uma das grandes conquistas dos especiais publicados  no Dia Nacional da Consciência Negra produzidos por A TARDE é a sua faceta de construção coletiva.

Desde 2008 recebemos convidados para trocar ideias sobre a pauta e dessa vez o rendimento, como sempre, foi significativo. 

 Os convidados deste ano foram o Tata de Inquice e conselheiro espiritual do Grupo Nzinga, Tata Mutá Imê; o historiador, xicarangoma e contramestre de capoeira, Jaime Sodré; o Contramestre Tico; o jornalista e antropólogo Marlon Marcos; a jornalista da assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (Sepromi), Camila França; e a professora e especialista em planejamento educacional Josiane Clímaco que, mais uma vez, elaborou as dicas para usar as reportagens em sala de aula.


Mulheres na roda

postado por Cleidiana Ramos @ 8:44 AM
20 de novembro de 2010

Confiram que belo o vídeo do jogo entre as mestres Paulinha e Janja do Grupo de Capoeira Nzinga. É a força feminina na capoeira.


Ê, Camará!

postado por Cleidiana Ramos @ 6:53 PM
19 de novembro de 2010

Capoeira é tema de caderno especial de A TARDE. Foto: Gildo Llima| Ag. A TARDE

Com muita correria, mas uma dedicação que faz mágica, aprontamos a 8ª edição do caderno da Consciência Negra que sai amanhã encartado no jornal A TARDE. Dessa vez fomos beber na bela fonte da capoeira.

Denominado Ê Camará! o especial passeia pela faceta inclusiva da capoeira, sua história de resistência e luta para vencer a marginalização e o encanto que lançou sobre as várias linguagens artíticas. O nosso destaque é para os mestres Bimba e Pastinha que, ao decodficarem os movimentos, criaram as duas grandes escolas: regional e angola, respectivamente. A relação próxima entre candomblé e capoeira, os intrumentos que formam sua orquestra, a chegada das mulheres, a batalha para conservar a forma tradicional de transmitir conhecimento e toda a riqueza simbólica de um jogo também estão contemplados.

Além disso, o caderno traz dicas de como usar as reportagens em sala de aula, o que configura um reforço para a aplicação da Lei 11.645/08, nova identifcação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. A modificação foi para incluir também o ensino de História e Cultura Indígenas.

Cada página do especial traz dicas de livros, filmes, mas também de artigos que serão publicados aqui no Mundo Afro para enriquecer a discussão sobre o tema.

Já como aperitivo vão abaixo o destaque para personagens que prestam um grande serviço para a expansão da capoeira, uma criação brasileira que já ultrapassou as fronteiras nacionais. Os textos têm a colaboração de Meire Oliveira.

Fiquem atentos pois no Portal A TARDE On Line e em A TARDE TV tem também cobertura especial amanhã.

 


Mestre Pelé da Bomba

postado por Cleidiana Ramos @ 6:52 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Discípulo de Mestre Bugalho, com quem aprendeu capoeira nas rodas realizadas no Mercado Modelo, Mestre Pelé da Bomba sabe tudo sobre instrumentos usados para a acompanhar o jogo. O complemento Bomba é devido a sua passagem poelo Corpo de Bombeiros. É uma figura que conhece todos os campinhos da capoeira angola. Lançou este mês sua autobiografia intitulada Natalício Neves da Silva, O Pelé da Capoeira. Coordena ao lado do seu filho, Mestre Couro Seco, o Grupo de Capoeira Angola Pai e Filho, sediado na Alemanha. Mestre Pelé vende instrumentos, livros e Cds na Associação de Capoeira Angola,no Pelourinho. É também conhecido como Mestre Gogó de Ouro por já ter lançado Cds de samba de roda, samba de viola e de capoeira.


Contramestre Tico

postado por Cleidiana Ramos @ 6:51 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Coordenador do Centro Cultural  Capoeira Obírin Dúdú, é um jovem apegado à tradição. Praticante da capoeira regional, o contramestre quer preservar a sabedoria que aprendeu. Foi de uma gentileza e contribuição mais do que preciosas para a elaboração do especial Ê, Camará!.Tudo pelo amor e respeito à capoeira 


Mestre Moraes

postado por Cleidiana Ramos @ 6:51 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE| 28.04.2009

Acredita que é necessário viver a capoeira para poder praticá-la. Presidente e fundador do GCAP – Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, ele também é professor de inglês, mestre em História Social pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutorando em Cultura e Sociedade pela mesma instituição. Discípulo de Mestre Pastinha, mantém o blog http://mestremoraes-gcap.blogspot.com/, onde discute os vários aspectos da arte-luta. Compositor de amplo repertório de música de capoeira, Mestre Moraes foi indicado ao Grammy, em 1984, com o Cd Brincando na Roda.


Mestre Gildo Alfinete

postado por Cleidiana Ramos @ 6:50 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Na casa onde reside, Mestre Gildo Alfinete possui o acervo mais completo sobre Mestre Pastinha. A coleção conta com objetos pessoais como bengala, fotografias, o livro de registros dos alunos, a bandeira do Brasil que ficava afixada na parede da academia, vídeos e um painel escrito e pintado pelo Mestre. Dentre as raridades estão dois manuscritos de Mestre Pastinha relatando sua vivência na capoeira, sua história e uma espécie de manual da arte-luta com descrição de golpes em texto e pintura. Da época de aluno, ainda guarda o famoso uniforme amarelo e preto e a carteira da academia.


Mestre Curió

postado por Cleidiana Ramos @ 6:49 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Marco Aurélio Martins| Ag. A TARDE| 06.01.2010

“Divagar para o angoleiro ainda é pressa”. É assim que Jaime Martins dos Santos, 73 anos, comanda os alunos que chegam ao Ponto de Cultura Irmãos Gêmeos, no Forte da Capoeira. O local onde ensina é cercado de referências do candomblé. Mestre Curió, que herdou o apelido do avô também capoeirista,é discípulo de Mestre Pastinha e acredita na sensibilidade, respeito e hierarquia como base da prática   que preserva como lhe foi ensinada. Os alunos chegam ao espaço lhe dando Salve!, lhe tomam a bênção e cuidam da limpeza e organização do espaço. Em toda a trajetória da capoeira se orgulha de só ter formado três mestres e dois contramestres.


Mestre Nenel

postado por Cleidiana Ramos @ 6:49 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Gildo Lima

 

Filho biológico de Mestre Bimba, Mestre Nenel é um guardião da tradição do saber deixada por seu pai. Ele protege a tradição e memória de Mestre Bimba, na Fundação Mestre Bimba, localizada no Pelourinho.


Mais sobre o prêmio

postado por Cleidiana Ramos @ 5:26 PM
16 de junho de 2010

Cerimônia ocorreu em Fortaleza na noite de segunda-feira. Foto: Júlio Lucena/ Divulgação

Como prometi em post anterior vão aqui mais alumas informações sobre o Prêmio BNB: o caderno Produtores de de Owó ganhou o regional I e o nacional na categoria Mídia Impressa. Ao todo, 139 trabalhos concorreram ao prêmio.

A minha felicidade em relação a esta conquista é que, desde 2003, A TARDE vem produzindo esses especiais. Eles cresceram e amadureceram com o tempo.

Para vocês terem ideia, há dois anos criamos uma espécie de conselho consultivo antes de produzir o caderno. Convidamos representantes de movimentos sociais e pesquisadores que trabalham com questões de identidade e religiosidade negras para discutir a pauta conosco.  Os resultados dessa conversa têm sido ótimos para a qualidade dos especiais.

Portanto, este caderno virou um tipo de trabalho bem participativo. Além disso, cada reportagem vem com um indicativo para aproveitamento em sala de aula.

Por todos esses avanços a gente tem muito o que comemorar.


Produtores de Owó ganha prêmio Banco do Nordeste

postado por Cleidiana Ramos @ 12:14 PM
9 de junho de 2010

Caderno especial ganhou prêmio regional. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Pessoal: hoje é dia de muita festa. O caderno especial Produtores de Owó, publicado no dia 20 de novembro do ano passado é um dos ganhadores da categoria Regional I do Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo. Para nós que batalhamos para mostrar os vários aspectos desta vasta herança negra tão forte na Bahia é um reconhecimento e tanto. Para conferir o especial, cliquem aqui, que agora já corrigi  o erro da postagem anterior.


Consciência Negra 2009: Conversa sobre empreendedorismo

postado por Cleidiana Ramos @ 6:30 PM
30 de novembro de 2009
Mário Nelson Carvalho durante a entrevista em um dos estúdios de A TARDE FM. Foto: : João Alvarez |AG. A TARDE

Mário Nelson Carvalho durante a entrevista em um dos estúdios de A TARDE FM. Foto: : João Alvarez |AG. A TARDE

Estou postando agora o último áudio do conteúdo integrado do especial Produtores de Owó. É uma entrevista feita por Meire Oliveira com o empresário Mário Nelson Carvalho.

Mário Nelson é diretor de relações institucionais da Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (Anceabra) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (Cedes).  

A conversa girou em torno da importância do empreendedorismo, as dificuldades para montar este tipo de negócio e mantê-lo, dentre outros assuntos. Para ouvir  a primeira parte clique aqui.   Já para conferir a segunda clique aqui.

 


Consciência Negra 2009: A luta das mulheres

postado por Cleidiana Ramos @ 4:30 PM
27 de novembro de 2009

Estou postando aí abaixo um artigo da doutora em antropologia Cecília C. Moreira Soares sobre o empreendedorismo das mulheres negras. A professora Cecília tem um belíssimo livro sobre o tema intitulado Mulher Negra na Bahia no Século XIX.

O livro mostra a trajetória das mulheres negras no contexto da escravidão e as suas estratégias para conseguir a liberdade e o seu sustento. Eram comerciantes, principalmente, de gêneros alimentícios.

O texto da professora Cecília é mais um complemento do especial Produtores de Owó e pode ser usado como apoio didático para aplicação da Lei 10.639/03.


Consciência Negra 2009: Trabalho e Sociabilidade

postado por Cleidiana Ramos @ 4:27 PM
27 de novembro de 2009
Cecília C. Moreira Soares

Cecília C. Moreira Soares fala sobre o empreendedorismo de mulheres negras em Salvador. Foto: João Alvarez | AG. A TARDE

Cecília C. Moreira Soares

A escravidão estabeleceu diversas formas de exploração do africano na condição de escravo. Muitas dessas pessoas eram mulheres, que independente da condição de gênero foram exploradas e obrigadas a criarem estratégias de sobrevivência nas ruas de Salvador, cujas práticas são ainda observadas no cotidiano da cidade, principalmente para a maioria pobre e inserida no trabalho informal.

As ruas da cidade eram ocupadas por negras escravas e libertas que comercializavam diversos produtos de primeira necessidade.

Já as mulheres libertas experimentavam uma situação no ganho diferente das escravas, pois no seu trabalho não interferiam os senhores e os produtos da venda lhes pertenciam totalmente. As libertas comercializavam produtos como hortaliças, verduras, peixes, frutas, comida pronta, fazendas e louças. Haviam certas posições nesse pequeno comércio cuja margem de lucro era bastante generosa, a exemplo das negras peixeiras.

Além de circularem com tabuleiros, gamelas e cestas habilmente equilibradas sobre as cabeças, as ganhadeiras ocupavam ruas e praças da cidade destinadas ao mercado público e feiras livres, onde vendiam de quase tudo. Em 1831, foram destinadas ao comércio varejista com tabuleiros fixos as seguintes áreas urbanas: o campo lateral da igreja da Soledade, o campo de Santo Antonio em frente à Fortaleza, o largo da Saúde em frente à roça do Padre Sá, o campo da Pólvora, O largo da Vitória, o largo do Pelourinho, o Caminho novo de São Francisco, a praça das Portas de São Bento, largo de São Bento, largo do Cabeça, a praça do Comércio, o Caes Dourado. Para peixe e fatos de gado e porco foram unicamente destinados o campo em frente aos currais, no Rosarinho, ou Quinze Mistérios, a praça de Guadalupe, a praça de São Bento, o largo de São Raimundo e a rua das Pedreiras, em frente aos Arcos de Santa Bárbara.

É esse o cenário que se repete nos dias atuais onde encontramos mulheres negras inseridas no pequeno comércio, em pontos fixos ou ambulantes, disputando as duras penas, um lugar digno e capaz de prover o sustento. São muitos os doutores, economistas, administradores, comerciantes, descendentes de famílias de quitandeiras, quituteiras e vendedoras, que conseguiram criar condições para que seus filhos superassem os estigmas da escravidão e de uma sociedade que resiste à inclusão de negros e negras, em lugares historicamente ocupados por não-negros.

Cecília C. Moreira Soares é doutora em antropologia


Consciência Negra 2009: Reflexões sobre História e Educação

postado por Cleidiana Ramos @ 3:34 PM
24 de novembro de 2009
Josiane Clímaco e Ubiratan Castro durante entrevista nos estúdios de A TARDE FM. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Josiane Clímaco e Ubiratan Castro durante entrevista nos estúdios de A TARDE FM. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Mais um áudio muito bom. Eu e Meire Oliveira conduzimos o bate-papo com o doutor em História e presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, e a especialista em planejamento educacional, Josiane Clímaco.

A conversa girou sobre história da escravidão, a especialidade do professor Ubiratan, e os acertos e desafios para aplicação da Lei 10.639/03, tema dominado pela professora Josiane.

Aproveitem. É mais um conteúdo integrado do nosso especial Produtores de Owó.  Cliquem aqui para confeirir a primeira parte da entrevista.  Para conferir o complemento, cliquem aqui.