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Ilê amplia limite de idade para candidatas a Deusa do Ébano

postado por Cleidiana Ramos @ 5:03 PM
16 de dezembro de 2009
Edilene Santos é a atual Deusa do Ébano do Ilê Aiyê. Foto: Fernando Vivas|Ag. A Tarde

Edilene Santos é a atual Deusa do Ébano do Ilê Aiyê. Foto: Fernando Vivas|Ag. A Tarde

Estão abertas até o próximo dia 22 as inscrições para o concurso que escolhe, anualmente, a Deusa do Ébano do Ilê Aiyê. A novidade desta edição é a ampliação do limite de idade para as concorrentes. Agora, elas podem ter de 18 até 30 anos. Antes, o limite era 26 anos.

Além de carisma, é preciso dominar os passos de dança afro, ter consciência da sua identidade negra e conhecimento sobre a história do Ilê. A Deusa do Ébano representa o bloco em eventos e em viagens. A escolha é feita na tradicional Noite da Beleza Negra que será no dia 16 de janeiro. Mais informações através do telefone 2103-3400.      

 


O Outro Ilê

postado por Cleidiana Ramos @ 9:26 AM
27 de novembro de 2009
Ilê Aiyê acaba de relançar bloco alternativo. Foto: : João Alvarez | AG. A TARDE

Ilê Aiyê acaba de relançar bloco alternativo. Foto: João Alvarez | AG. A TARDE

O Ilê Aiyê está relaçando um bloco alternativo chamado “Eu Também Sou Ilê”, que saiu apenas  em 1996. A proposta desta outra agremiação é reunir gente de todas as cores, afinal no Ilê Aiyê só negros podem desfilar. Como aconteceu no início da história do bloco, o anúncio do alternativo que vai desfilar no circuito Barra-Ondina está causando polêmica.

Nestes 35 anos da agremiação volta e meia os diretores têm que explicar a proposta do bloco, pois muita gente não entende ou não tem vontade de entender. O Ilê surgiu numa época em que a discussão sobre o racismo estava sob a censura da Lei de Segurança Nacional. Eram tempos de ditadura militar e o Movimento Negro Unificado (MNU) só foi fundado em 1978.

O Ilê que chegou na avenida com o lema “Negro é lindo” consegiu o seu intento: causou polêmica e levantou a questão do racismo no Carnaval de Salvador, afinal as festas eram feitas nos clubes e blocos de elite, onde a população negra não conseguia acesso.

O Ilê Aiyê foi o primeiro dos blocos afro e manteve a sua proposta amparado no conceito de “discrminação positiva”, ou seja, um grupo cultural mantém critérios de participação exclusiva daqueles que compartilham seus mesmos elementos culturais e isto é considerado legítimo do ponto de vista legal.

Chega a ser risível a hipocrisia de alguns que criticam isso pois outros blocos fizeram discriminação não positiva, amparada em outros critérios, onde o racismo também está incluído e da sua forma mais cruel que é a velada. A coisa chegou a ser escancarada com a história da “boa aparência”, via a apresentação de fotos dos candidatos a sócios. E este conceito de  “boa aparência” sempre foi entendido como o mais longe possível do fenótipo negro e todo mundo sabe disso.

O procedimento só acabou com a intervenção do Ministério Público Estadual. Além disso tem outra questão que me parece interessante: por que tanta gritaria quando é um bloco afro que tenta diversificar sua fonte de renda? Os outros também não tem seus alternativos e ganham com isso?

Para mim nessa história quem vai ganhar é o Carnaval de Salvador com a invasão de mais um afro- só o Olodum desfila na Barra- no espaço mais elitizado da folia baiana. Quem quiser saber mais sobre o assunto pode consultar a matéria da repórter de A TARDE, Luisa Torreão, clicando aqui.