Cabelaço hoje na porta do Itaigara

postado por Cleidiana Ramos @ 10:30 AM
25 de setembro de 2010

Pessoal: aqui meio apressado o aviso, mas as próprias circunstâncias do acontecimento pedem urgência. Hoje, às 17 horas,  haverá, em frente ao Shopping Itaigara, uma manifestação contra o racismo e a favor  da estética negra.

O movimento é em defesa da jornalista e professora universitária Márcia Guena e do seu filho de 6 anos. O que era para ser uma coisa corriqueira, um corte de cabelo da criança, virou agora uma luta por Justiça da mãe. De acordo com ela, um funcionário do salão que fica no shopping negou-se a cortar o cabelo do menino alegando que o cabelo era difícil de ser desembaraçado e só poderia ser cortado a máquina.

A direção do salão alega que o funcionário não sabia fazer o corte pedido pela mãe. Os detalhes estão numa matéria de hoje do jornal A TARDE escrita por Meire Oliveira. Márcia Guena registrou queixa na Delegacia Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca) e segunda-feira vai fazer o mesmo no Ministério Público (MP).

Curioso que, numa cidade com uma maioria expressiva de negros na população um salão instalado em um local de amplo movimento não saiba lidar com cabelos crespos e só ofereça para eles a erradicação, ou seja, cortá-los até onde for possível. Quando é mulher, o tratamento oferecido costuma ser a maléfica química do alisamento que traz queda e outros problemas. Mas um episódio que ajuda a refletir sobre o racismo na mais negra cidade do país.

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9 Respostas to “Cabelaço hoje na porta do Itaigara”

  1. Amilton  Says:

    As mudanças só ocorrem com luta. É preciso, sempre que os fatos sejam apurados e os responsáveis respondam pelos seus atos.

    A nossa formação é profundamente preconceituosa com negros, mulheres, gays e outros. A desconstrução é feita assim: exigência dos direitos, exigência de respeito. A lei sendo aplicada com rigor, as coisas mudam.

    Somos todos iguais.

  2. Marcelo Dourado  Says:

    Sinto vergonha de morar nesta cidade!

  3. Ana Paula  Says:

    Sou negra, amo meu cabelo crespo, ja fui muito discriminada por usar tranças, por usar ele black, mai é assim que vou continuar, não sera emprego, os olhares tortos e de repulsa que me farão mudar. Evito ir nestes salões pois eles não sabem nem procuram aprender sobre como lidar com nossos cabelos. Geralmente contrato serviço particular em cs para não passar por esses contragimentos. Eles nos olham como “animais” e se pergutam o que “eles” negros querem aqui? è um absurdo mais acontece!!! Mais o meu dinheiro eles não veêm!!!

  4. Octaviano Moniz Barreto  Says:

    VOMBORA BAHIA!!!!!!!!!!!!
    BLACK IS BEAUTIFUL!

  5. JANIRIO LUCIANO  Says:

    É incrivel como algumas pessoas que trabalham com o tratamento estético estão em Salvador são arraigados a padrões de beleza europeu numa cidade de tanta diversidade étnica como a nossa. Isso é resultado da baixa escolaridade e despreparo profissional dessas pessoas que se alimentam de valores distorcidos e não percebem que “as belezas do mundo mudaram” e precisam ser capacitados para os chamados “cabelos crespos” pois estas pessoas consomem de tudo, inclusive salões chiques dos shoppings que não podem ser nichos de barbeiros travestidos de “cabeleleiros”.
    VIVA ÀS MUDANÇAS!!!!!

  6. Luciana Embilina  Says:

    Uma Lástima!
    Essas atitudes são criminosas, causam verdadeiros estragos ao descriminado e a toda família.
    As pessoas precisam urgentemente ter consciência de que a luta anti-racista não é responsabilidade de alguns. É dever de tod@ cidadã@ de bem!
    Punição aos culpados e igualdade racial, já!

  7. Ludimilla  Says:

    Que absurdo!!! Sou mulata com mto orgulho, tenho lindos cabelos crespos até as costas, mas infelizmente tenho que cuidar deles em casa, já q os salões de beleza de Salvador não estão capacitados para isso.

    O mais engreçado, quando viajei pra Europa meus crespinhos fizeram o maior sucesso, todos queriam saber qual era meu segredo, respondi que o segredo era a mistura racial brasileira, como aqui em Salvador o povo pode ser tão ignorante…

    Chega de racismo!!!

  8. Patricia Fragoso  Says:

    Devemos nos manifestar sim.Porém acredito que mais eficaz que protesto é o negros se conscientizarem e abrirem seus próprios salões especializados em cabelos crespos,bem como produtos específicos para este tipo de cabelo. Ninguém é obrigado a aprender a lidar com cabelo crespo somente porque aqui é uma cidade de maioria negra. Se o cabeleireiro ainda nâo sabe lidar com este tipo de cabelo em uma cidade negra é sinal de que os negros se adaptaram a estética branca de alisar e esticar. Há sim uma atitude preconceituosa na atitude do cabeleireiro, porém nós devemos buscar valorizar nosso cabelo, buscando profissionais que saibam valorizá-lo e não quem o enxerga como um problema- Quantos negros em Salvador conhecem produtos como – DEVA, CURLS ou até mesmo o Beleza Natural.?

  9. Diane  Says:

    Tenho certeza que o profissional que se especializar nesse tipo de cabelo, e abrir um salão, vai bombar!!Simplesmente porque muitas pessoas gostam de seu cabelo afro, black,enfim, e as propostas de solução que encontramos quando queremos cuidar é alisar,química e mais tantas porcarias, que só fazem a beleza de um cabelo afro, cacheado, crespo, desaperecer. O protesto é totalmente válido. Dentro de SSA,acontecimentos assim são vergonhosos!

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