Balaio de Ideias: Viva o meu pai Ayrá!

postado por Cleidiana Ramos @ 2:25 PM
7 de outubro de 2015
Mãe Valnizia fala da beleza de ser iniciada para o orixá Ayrá. Foto: Raul Spinassé/ Ag. A TARDE/ 2.12.2014

Mãe Valnizia fala da beleza de ser iniciada para o orixá Ayrá. Foto: Raul Spinassé/ Ag. A TARDE/ 2.12.2014

Valnizia Pereira Bianch- Ialorixá do Terreiro do Cobre

Escrever este artigo no mês de outubro é muito gratificante. É o mês em que fui iniciada no candomblé para o orixá Ayrá. Falar desse senhor para mim é uma honra. Costumo dizer que pode existir uma energia igual a ele, mas maior só a de Deus, o todo poderoso. Amo tanto meu pai Ayrá que tenho certeza de que ele me ama também. Ele me orienta, ensina, educa, protege e se faz presente nos momentos mais difíceis da minha vida. Aliás, ele está presente diariamente. Tanto que durmo e acordo me entregando a ele. Eu vivo para ele. Tenho tanta fé em Ayrá que, se isso for indício de fanatismo, posso dizer que sou fanática.

Quando meus filhos dizem que ele é lindo, fico muito feliz, mas com inveja de não poder também conhecê-lo quando está na terra. Já o vi em sonho, mas é diferente de ver como meus filhos o veem. Por coincidência, o aniversário do meu caboclo também é neste mês.

Quando fui iniciada, 12 de outubro não era feriado em homenagem à padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Também não era forte a lembrança do Dia das Crianças, mas eu sempre tive uma boa relação com elas. Quando trabalhava em uma escola, onde fazia a merenda, às vezes comprava ossos e verduras para incrementar a sopa e não deixá-las com fome. Há algum tempo, portanto, resolvi fazer no Terreiro do Cobre uma festa para a garotada.

A comemoração começou quando Ayrá recebeu um presente em forma de dinheiro de um filho de santo. Pensei: “Comprar um presente para Ayrá? O que eu vou comprar?”. Como é o aniversário dele e dia de festa para as crianças, resolvi adquirir lembrancinhas e docinhos. Fiz 50 kits, mas, mesmo sem divulgar, apareceram muitas, e algumas ficaram sem receber. Fiquei tão triste que até chorei.

No ano seguinte, comecei a pedir aos meus filhos de santo e amigos ajuda para fazer os kits, sempre contendo brinquedos, porque é o que toda criança, além de alimentação, gosta de ganhar. Sei que elas não conseguem entender por que não podem ter os caros e cheios de tecnologia que veem na televisão. Em muitos casos, seus pais não podem dar nem os mais simples. Aí é que está o perigo. Elas podem crescer e tentar possuir o que desejam de uma forma negativa. Mas graças a Deus e a Ayrá, com a ajuda de alguns filhos e amigos, a edição do ano passado teve pula-pula, piscina de bolinhas, escorregadeira, sorvetes, cachorro-quente e até uma animadora de festas profissional.

Distribuímos 250 kits de brinquedos. Isso para mim é muito gratificante, pois tenho a oportunidade de fazer crianças sorrirem. Na minha infância não ganhava brinquedos caros. Por isso sei o que uma criança sente em um dia como esse.

Portanto, que a Nossa Senhora dos católicos proteja todas as crianças do mundo. E que a bola de fogo, que é o meu pai Ayrá, aqueça o coração das pessoas; dono da Justiça, que ele a faça aos injustiçados; orixá da alegria, que a distribua ao mundo; que ele traga a paz, pois é quem carrega Oxalá quando este está presente em cerimônias; como é o Xangô mais velho, que dê sabedoria aos seres humanos. Viva a voz da experiência. Viva meu pai Ayrá!

MÃE VALNIZIA ESCREVE MENSALMENTE EM DIA DE XANGÔ, QUARTA-FEIRA

Tags: , , , ,

Deixe seu comentário