Balaio de Ideias: Ederaldo, por gentileza

postado por Cleidiana Ramos @ 12:21 PM
25 de outubro de 2010

Quem gosta de boa música está com saudades de Ederaldo. Foto: Reprodução| Marco Aurélio Martins| Ag. A TARDE

Jaime Sodré

“Panela velha é quem faz comida boa”, mas, já me deliciei com tudo aquilo que o grande compositor baiano Ederaldo Gentil fez, quero as mais recentes “pérolas finas”. Se preciso, faria um “abaixo-assinado”, uma “emenda popular” com milhares de assinantes. Um instante maestro Luizão, quero mais Ederaldo.

Encontrei Luizão, sobrinho de Ederaldo. Precavido, o tio dera-lhe um cavaquinho intimando-o a entrar no “Clube do Samba”. Luiz guarda o cavaco e assume o rock com o “Cravo Negro” e “Penélope”. Mas não esquece o tio. Cobrei-lhe mais Ederaldo e com o auxilio luxuoso da erudita Fernanda Monteiro formaram o “Doisemum”, grupo habitante do bom gosto, mandou-me uma excelente gravação da canção “Compadre”, do tio.

Quem é Ederaldo? Capitulo máximo da historia da musica brasileira, “UM BAMBA”. Oriundo do quimbundo “mbanba”, na lingua do povo banto, significa muito bom,  excelente. “Bambambã e bamba” refere-se no Brasil a sambista virtuoso. Ederaldo nasceu a 7 de setembro de 1943, no largo Dois de Julho, um dos filhos de D. Zezé e “Seu” Carlos, competente relojoeiro, oficio transmitido ao sambista.

Mudou-se para o Tororó,  reduto do samba e carnavalesco, do Apache, Filhos do Tororó, dentre outros. O gosto pelo carnaval fora alimentado pelo pai nos bailes a fantasia. Participara da bateria da escola tomando gosto pelo samba, estimulado por “Seu” Arnaldo presidente. Daí foi para a ala dos compositores, tendo os seus sambas entoados na quadra. A vida não era fácil, arriscou o futebol na posição de meia-esquerda do Guarany, e a treinar no Vitória.

A musica falava mais alto, nisso ele era competente. Vencera o concurso municipal do carnaval com a musica “Rio de Lagrimas”, ganhara por três anos. Em 1967 vence na quadra dos Filhos do Tororó com “Dois de Fevereiro” e ouvia seus sambas na boca do povo, afasta-se da escola e compõe samba-enredos para outras. Chegara a hora de tornar-se nacional, entra no espaço da MPB nos anos setenta, através das canções “Berequetê” e “Alô Madrugada” com Edil Pacheco, excelente compositor baiano, na voz de Jair Rodrigues. Aproxima-se de Alcione, Eliana Pittman, Leny Andrade o Conjunto Nosso Samba.

Em 1972 vai para São Paulo na tentativa de gravar um disco próprio e participar de programas de Tvs. Sem sucesso, retorna a Bahia, acolhido pela família e amigos, reassume o oficio herdado do pai, e reaproxima-se da sua escola de Samba, faz as pazes e premia a Bahia com um sensacional samba-enredo, “In-Lê-In-Lá”, em homenagem aos cinqüenta anos de Mãe Menininha, em parceria com Anísio Felix,  samba que mais tarde gravaria, abandona a produção de sambas nesta categoria.

A gravadora Chantecler, reconhecendo o seu valor, o convoca a São Paulo, gravando um compacto simples com a genial e filosófica “O Ouro e a Madeira” (O ouro afunda no mar, madeira fica por cima, ostra nasce do lodo, gerando pérolas finas) e “Triste Samba”. A primeira recebe uma outra gravação, pelo grupo Nossa Samba, acompanhante de Clara Nunes. Como diria hoje “bombou”.

Sucesso nacional, nova gravação com a mesma gravadora, desta feita o seu primeiro LP, em 1975 surge o “Samba Canto Livre de Um Povo”. Este poderia hoje, ser editado em CD. Lança outro LP “Pequenino”, numa esmerada produção com o acompanhamento de músicos e maestros primorosos. Carreira segue consagrada, retorna a Salvador, aos seus shows, alguns acompanhei na bateria. Em setenta nasce com Batatinha o show “O Samba Nasceu na Bahia”, glorioso.

Apesar da qualidade da sua obra, fica anos sem gravar e resolve enfrentar gravando um disco independente com ajuda de amigos, chamado “Identidade”. Generoso, na contra capa do disco cita todos os colaboradores.

Aos poucos, esquecido pela mídia e gravadoras, passeava pelo Pelourinho, ouvindo na voz de outros a sua música, ao tempo em que não o reconheciam. Desanimado, recolhe-se na Vila Laura. Vieram as homenagens, mas compositor maior permanece recolhido no carinho dos seus. Ederaldo, O Gênio, por gentileza, o Brasil te convoca, para perfumar a sonoridade nacional.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé

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6 Respostas to “Balaio de Ideias: Ederaldo, por gentileza”

  1. Edleusa Garrido  Says:

    Ederaldo Gentil, esquecido pela mídia e pelas gravadoras, é fato. Nunca por aqueles que como eu, tiveram o privilégio de ouvir suas pérolas. Salve Ederaldo!

  2. Marise Santos  Says:

    Rapaz que saudade me bateu agora dos tempos que eu parava para ouvir as músicas que são umas verdadeiras obras primas,como Rose,Pequenino.Identidade,o Ouro e a Madeira e tantas outras.O Cara é um gênio um verdadeiro poeta.Me lembro com saudades do tempo que ele participava da Noite do Samba.

  3. Geraldo de Araújo Andrade  Says:

    O que é bom não se esquece por isso jamais esqueci as boas musicas do Ederaldo, continuo sempre ouvindo-as, resta-nos a esperança de a qualquer momento Ederaldo nos brindar com boas músicas em um novo disco.

  4. natan rios  Says:

    GOSTARI DE DIZER, EDERALDO GENTIL NÂO É MAIS UM COMPUSITOR, EDERALDO GENTIL É GENIO É O QUE EXISTE DE MELHOR NA MUSICA BRASILEIRA, EDERALDO É O MAIOR POETA MUSICAL DA BAHIA INFELISMENTE, OS MAIS JOVENS NÃO TEM OPORTUNIDADE DE OUVIR AS SUAS MUSICAS, POR QUE ESTAMOS NÓS ACOSTUMANDO, COM O QUE EXISTE DE PIOR QUALIDADE MUSICAL VOU LHE VISITAR AMIGO VELHO UM ABRAÇO SEU AMIGO NATAN.

  5. JONATHAN JUNIOR  Says:

    gostaria de dizer que Ederaldo Gentil, não é só um grande poeta, e sim um um dos fundadores do dia do Samba na Bahia, estou com muinta saldades ” indentidade, todo branco tem um negro na familia, e entre outras que eu escultava aqui em casa quando bem jovem na presença de Edinho Pacheco e amigos de meu pai muintas saldades meu poeta Ederaldo.

  6. Jeanpierre e seus teclados  Says:

    Ederaldo Gentil o poeta do samba da bahia ou melhor do brasil.

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