Agressão ao Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 2:00 PM
1 de dezembro de 2009
Área do Ilê Axé Opô Afonjá foi invadida. Foto: Geraldo Ataide |AG. A TARDE| 31.10.2002.

Área do Ilê Axé Opô Afonjá foi invadida. Foto: Geraldo Ataide |AG. A TARDE| 31.10.2002.

Uma notícia triste: o Ilê Axé Opô Afonjá, comandado por Mãe Stella de Oxóssi, foi invadido na madrugada de domingo por ladrões. Eles não respeitaram nem sequer os espaços sagrados pois reviraram o quarto de Oxalá à procura de objetos valiosos.

“Foi um episódio de vandalismo”, descreveu o ogã Ribamar Daniel para a matéria da minha colega repórter em A TARDE, Helga Cirino, publicada na edição de hoje.  Ribamar Daniel é o presidente da Sociedade Civil Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá, a representação civil do terreiro.

O episódio remete à questão de proteção pública para estes espaços. Claro que sabemos da laicidade do Estado, mas estes templos, assim como os de outras religiões, fazem parte do patrimônio material e imaterial do Brasil. O Afonjá é um dos mais conhecidos terreiros baianos, mas não é de hoje os pedidos reiterados da comunidade para a realização de uma obra de contenção que isole o espaço religioso de parte da via pública. Parte do terreno do templo já foi até usado para campo de futebol.  

Na visita que o ministro Edson Santos realizou em outubro a sete terreiros de candomblé da cidade, incluindo o Afonjá, todos os seus líderes fizeram queixas em relação a problemas de infra-estrutura. Por conta da própria expansão desordenada de Salvador, os  terreiros foram sufocados, perdendo a cada dia partes das suas áreas que em alguns casos formaram vários bairros.

É o caso, por exemplo, do Engenho Velho da Federação, que se formou no entorno de casas religiosas como o Bogum e o Cobre. O próprio Afonjá foi fundamental, sem dúvidas, para a expansão de São Gonçalo do Retiro. Tudo que era possível para a comunidade fazer foi feito, como o registro de queixa na polícia. Vamos agora acompanhar que tipo de providências será adotada.          

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4 Respostas to “Agressão ao Ilê Axé Opô Afonjá”

  1. Marlon Marcos  Says:

    Imperdoável; inaceitável…Como cuidar dos nossos tesouros que nenhum ouro pode comprar? assentamentos do que nos dá eixo e esse tipo de roubo destrói por completo a noção de esperança no humano convivendo, coexistindo. Um templo religioso, sem preciosidades financeiras, mercadológicas, nada de valor comercializável porém, de inestimável valor simbólico, de crença, de espiritualidade. Como poderemos proteger nossos templos historicamente tão massacrados e desrespeitados? Que noção de sociedade nos orienta e quanta ignorância, intolerância… Isso revela o grau de miséria social que experienciamos na atualidade; escassez de tudo: fome do corpo e a desgraça da alma! Vamos proteger nossas casas e nossos terreiros!

  2. Ekedji Regina D´Osòòsi  Says:

    A culpa por tais vandalísmos, se deve a fala de respeito que existe entre os seres humanos. Nas casas de famílias não se pode mais educar filhos como antigamente, agora repreender e corrigir virou crime, e com isso, nascem filhos de pais sem noção de respeito e limites. É mais fácil cultuar vaidades, adorar marcas, que ouvir os caminhos a trilhar. Quem não conhece respeito, jamais respeitará Espiritualidade, nem sabem o siginificado da palavra Ancestralidade, como esperar crença, respeito de pessoas tão vazias?
    Temos de nos unir e, como os seguimentos Evangélicos, ter uma Representação Política forte, para todos os seguimentos Espirituais.
    Que Osàálá nos proteja desses vândalos. Receba Mãe Estela meu carinho e meus respeito, e, total solidariedade em meu nome e de toda família do Ilê Asé Ayrà Ati Osun de Sérgio de Sango e meu Pai Luiz de Logun-Edé.
    Asé

  3. Andrea  Says:

    Lastimável…
    Ficamos perplexos com imensa ousadia.. Graças mesmo a Oxàála não tinha ningém no local no momento em que esse vândalos drogados ou não foram absorvidos por uma ira desconhecida.
    Esperamos providencia.

  4. Maria Candida  Says:

    Em nome da Pastoral Afro Achiropita, deixamos onossos sentimentos de repúdio pelo vandalismo dessas pessoas sem educação, sem fé, sem temor a Deus, infelizmente hoje não se respeita o sagrado do outro, não importando que religião pertença.

    O nosso abraço, que Olorum e Oxalá lhe deêm força para continuar.
    Asé

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