A timidez da primeira Helena negra

postado por Cleidiana Ramos @ 3:52 PM
28 de abril de 2010

Taís Araújo vive a personagem Helena em Viver a Vida. Foto: Berg Silva | Agência O Globo

A novela Viver a Vida já está chegando ao fim. Antes do começo da trama uma das informações mais citadas sobre a obra de Manoel Carlos era a presença de uma primeira protagonista negra em novela  do horário nobre da Globo, no caso a Helena vivida pela atriz Taís Araújo.

Os que esperavam que esta característica servisse de mote para discutir questões como o racismo, inclusive no mundo midiático, afinal a personagem é modelo, ficaram frustrados. A história de Helena, inclusive, perdeu espaço para outros dramas, como o da filha do seu ex-marido que ficou tetraplégica após um acidente.

Claro que todo mundo sabe que novela é entretenimento, mas a mesma emissora alardeia a necessidade de discutir questões relevantes para a sociedade brasileira em suas tramas. Esta inclusive é uma marca do próprio autor que já debateu ética médica, preconceito contra homossexuais, dentre outros temas.

Em tempos de debate sobre o racismo existente na sociedade brasileira e da defesa  ou combate das ações afirmativas como as cotas para negros nas universidades, seria interessante ver o tema surgir num produto que coloca diante da TV milhões de pessoas.

A questão racial surgiu rapidamente e de forma tímida apenas após a  cena em que o personagem de Lília Cabral esbofeteou o de Thaís Araújo e que foi veiculada na semana do Dia Nacional da Consciência Negra. A cena provocou protestos de segmentos do movimento negro organizado.

Um post sobre este episódio aqui no Mundo Afro (cliquem aqui para conferir) foi o mais acessado desde a criação do blog. A meu ver, Manoel Carlos perdeu uma boa oportunidade de mobilizar um debate sobre o racismo no País.

Agora que a trama está chegando ao fim, vale tentar saber o que vocês pensam sobre estas questões. Comentem.

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9 Respostas to “A timidez da primeira Helena negra”

  1. Vanessa Pinheiro  Says:

    Acredito que as questões raciais têm que ser discutidas em canais de audiência. Mas essa posição da Globo em não tocar nessa questão, como se o racismo não existisse, me faz pensar que a emissora e/ou Manuel Carlos não tem nenhum interesse em polemizar e muito menos apoiar as questões que suavizem a discriminação racial. Ao meu ver as novelas da Globo têm muito mais um sentido FANTASIOSO de “sofro mas sou feliz”, independente de qualquer situação, o que motiva ao telespectadores (leigos), a aceitar a vida que tem, não se mobilizar, nem protestar pelos seus direitos. Infelizmente!

  2. Alguém  Says:

    O meu comentário pode parecer racista, mas não é:
    Helena foi tratada o tempo todo como se fosse branca. Todo mundo nessa sociedade hipócrita fala: ai que é isso, branco e negro pra mim é tudo igual, isso é bobeira, mas VOCÊS SABEM muito bem que o racismo EXISTE e MUITO no Brasil.
    E se a novela fosse vida real, com trocentos personagens, um pelo menos teria racismo em relação a Helena. Luciana, Tereza, Dora, a mãe do Bruno, enfim, tantos. Até mesmo outras modelos disputando vaga com a Helena nas passarelas. Mas nada disso foi trabalhado. A sociedade brasileira faz diferença do negro e do branco sim hoje em dia. Isso é fato inegável.

  3. Angélica  Says:

    A falta de expressão da Helena na novela das oito acaba vindo a calhar com outra novela global, reprisada à tarde: Sinhá Moça.

    Apesar dos debates sobre a novela terem pegado fogo em 2006, acho que nunca é demais comentar. Ainda mais depois da cena que assistimos hoje.

    No capítulo de hoje, os escravos Justo e Bentinho estão tendo uma conversa enquanto treinam tiro. Justo diz a Bentinho que “nenhum homem nasce escravo, ele se deixa escravizar”. Justo continua dizendo que se os primeiros negros que foram trazidos da África tivessem preferido morrer, não teria havido escravidão no Brasil. Explicou também que o branco tentou escravizar o índio antes de escravizar africanos, mas não deu certo porque o índio não aceitou a escravidão, ele “queria continuar livre pelas matas”.

    Ele termina seu discurso dizendo: “É, tem passarinho que não aceita gaiola…”.

    Fica implícito que se “tem passarinho que não aceita gaiola” tem passarinho que aceita. Essa afirmação retrata o negro como passivo e “adaptado” à escravidão reforçando ainda mais o mito da democracia racial.

    Isso sem falar do conteúdo da novela como um todo: os heróis são brancos, os negros são passivos, a crueldade do Barão de Araruna é exceção, não existem revoltas de escravos e o único escravo forro valente e corajoso é branco.

    É inacreditável!

    Aliás, depois de Sinhá Moça nada mais é inacreditável pra mim.

  4. Raimundo  Says:

    Deposi de vê no dia 20 de novembro, dia da conciência negra, a branca dos olhos azuis (mãe da acidentada) dá um tapa na cara na negra, que AJOELHADA pedia perdão, eu fiqei tão indignado…A simbologia implicita (para alguns) é tão imensa que ….Eu tou sempre na luta….

  5. João Filho  Says:

    Na maioria das novelas da globo, os negros estão sempre na cozinha, ou em nucleos probres. Agora que colocam uma negra com papel principal, elaboram situações fraquissimas para a personagem da qualidade da Tais. Que pena.

  6. Luciana  Says:

    Realmente a “Helena” desta vez deixou a desejar, talvez não pela atriz, que nós sabemos que é boa sim, mais pela prórpia trama. Também achei que seria um grande tema de debate, uma protagonista negra, pois infelizmente ainda existe preconceitos, o autor poderia ter aberto um leque de assuntos, mais deixou escapar, a última novela dele já não gostei. Cadê àquelas novelas como Laços de Família e Por Amor!!!!!!!!!!!!

  7. Yara  Says:

    Concordo em boa parte dos comentarios acima, porém não se enfatizar a questão racial também pode dar a entender que de fato não existe diferença entre negros e brancos, não estou falando no sentido de como alguns da sociedade encaram (racismo) mas sim intelectualmente, fisicamente, profissionalmente. A diferença existe por conta do preconceito e não porque geneticamente a cor da pele diferencia a pessoa. Os personagens da novela encaram a Helena como realmente deveria ser tratada, sem diferença nenhuma. Da mesma forma como existe a oriental Helen, não levantando questões tão polemicas, afinal são apenas raças diferentes.

  8. clarice moraes  Says:

    Pelo amor de Sango, imaginar que uma emissora que vive da miséria humana vai propiciar um debate que interessa a discussão do racismo? É no mínimo ingenuidade, para não dizer que acreditamos em coelinho da páscoa e ou papai noel. Desde quando a emissora hegemônica discute política? Quando esta comunicadora de massas falou de religião se não daquela que é a dominante? E quando falou, utilizou-se dos meus esteriótipos a muito usados, o “Pai de Santo” gay, a médica que poderia matar em uma cirurgia e atualmente uma atriz que corresponde aos padrões de beleza do embranquecimento. Este é o patrão nunca muda. O racismo encontra outras formas para atuar e continuar mantendo, para os brancos seu status quo. É tão profundo que a Marina Silva, a canditada a presedência da república de um país com 51% da população negra se diz não negra, porque será? É evidente, pois continuamos sendo o lado ruim das estórias que são contadas pelos brancos. Outra pergunta alguém imagina os brancos dividindo o poder? É isso que aconteceria se o racismo fosse discutido adequadamente nos meios de comunicação. Então, vamos a luta, pois sem ela nada, absolutamente nada, vai mudar. Nós temos inúmeras pesquisas feitas por vários organismo que conprovam isto, e é por estes motivos que os negros morrem mais, que não conseguimos empregos e hoje somos acusados de praticar o racismo as avessas por conseguirmos de 9 a 10% das vagas nas universidades, mesmo que os outros 90% sejam desta elite branca eurocêntrica. Viva Zumbi.

  9. Diane Sousa  Says:

    Negra Di

    Se a atriz fosse boa, ela com certeza se recusaria a um papel como esse,
    ao menos questionaria o papel dessa Helena diante de tantas outras versões de Helenas que já se passaram pelas novelas da globo!
    É ridículo colocar em pauta a questão racial desta forma!! Não é interessante para mídia despertar o senso critico das pessoas para a questão racial, por isso expõe de maneira alienada.

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