Estudo diz que negros são maiores vítimas da violência

postado por Cleidiana Ramos @ 4:45 PM
26 de agosto de 2009
Movimentos como a Campanha Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morto, realizado em Salvador, tem feito alertas contra a violência. Foto: Claudionor Junior | AG. A TARDE

Movimentos como a Campanha Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta, realizado em Salvador, têm feito alertas contra a violência. Foto: Claudionor Junior | AG. A TARDE

Uma pesquisa da Universidade Federal do  Rio de Janeiro (UFRJ) veio confirmar o que muita gente já sabia e que tem sido uma pauta contínua dos movimentos negros organizados: a violência atinge mais os negros.

De acordo com o estudo, o número de negros assassinados é duas vezes maior do que o de brancos, mesmo com os grupos tendo proporcionalidades parecidas na população geral do Brasil. 

O levantamento foi feito pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais da UFRJ. Os dados foram apurados a partir de registros do SUS referentes a 2006 e 2007. 

De acordo com o estudo em dois anos foram mortos 59.896 negros e 29.892 brancos. A diferença maior entre os grupos envolve pessoas com idades de 10 a 24 anos. Já na faixa de 40 anos, o total de homicídios é quase igual entre negros e brancos.

Para o coordenador do estudo, Marcelo Paixão, esta é uma amostra de que os negros estão mais expostos a riscos do que os brancos em várias partes do pais.

Dentre os fatores de risco está a moradia situada em áreas mais violentas. Um outro dado apresentado pelo estudo foi o de que a morte provocada por policiais tem mais negros como vítimas do que brancos. No Nordeste a disparidade dentre os grupos é a maior do Brasil: são 10 negros mortos para um branco. As informações são do  do portal UOL.

Quem tem um estudo muito interessante sobre este caráter étnico-racial da violência, inclusive a que envolve policiais em Salvador, é a socióloga Vilma Reis. Eu continuo na torcida para que ela publique seu interessante e valioso trabalho o mais rápido possível para acrescentar muito ao debate sobre segurança pública na Bahia.